domingo, 28 de junho de 2015

Entrevista com Santo Inácio de Loyola no Céu... (2)


Repórter: Quais foram as grandes descobertas que você fez na sua caminhada espiritual?

Inácio: No início eu estava meio perdido, não sabia nada, não entendia nada a não ser que ele me amava incondicionalmente. Depois eu percebi que ele me ensinava como um professor faz com seu discípulo. A primeira coisa que aprendi foi o discernimento. Foi um aprendizado lento, mas me marcou para sempre. O díscernimento é uma mescla de oração, abnegação e auto-análise. Você me entende?

Repórter: Não. Eu não entendo!

Inácio: Bem, o discernimento é um dom do Senhor, uma experiência que acontece e você só percebe. Veja só! Quando eu fazia coisas erradas, que nada tinham a ver com o Projeto de Deus sobre mim, como você acha que eu me "sentia" por dentro?

Repórter: Mal! Com remorsos... Vazio, talvez. Seco e descontente, não é?

Inácio: Exato! E, quando tentava, com a ajuda do Ressuscitado, vencer minhas fraquezas, concretizando um pouco os valores do Evangelho, como você acha que eu me sentia?

Repórter: Ah! Eu me sentiria feliz. Certamente contente e realizado!

Inácio: Certo! O discernimento se faz assim, analisando o que se "sente" por dentro e por fora, nos acontecimentos históricos que nos rodeiam. Procurar as causas, ver se são boas ou não e optar sempre por aquilo que está de acordo com os valores do Evangelho de Jesus.

Repórter: Jesus Cristo é o grande referencial da sua vida!

Inácio: Jesus pobre, humilde e humilhado... Imagem visível de Deus invisível. Aquele que nos ama, perdoa e chama para que o sigamos e sejamos os seus companheiros. Ele é o único e grande fundamento da nossa vida, da história toda e deste imenso e misterioso universo que nos rodeia. Por ele tudo procede do Pai, todo dom, toda graça e também por ele tudo retoma. O pai nos ama porque estamos unidos ao seu Filho e nele somos salvos. Deus sempre chegará a nós por meio de Jesus Cristo. Não existe outro caminho para ele vir a nós e para nós irmos a ele. Jesus é realmente fundamental. Nada teria sentido sem ele!

Repórter: Você é mesmo um apaixonado de Jesus! Ele verdadeiramente o cativou!

Inácio: Me cativou e salvou! Também descobri que a vida não tem sentido se não colocada a serviço dos outros. Jesus Cristo veio para servir, não para ser servido. Assim como o Pai enviou o seu Filho para dar-nos vida nova, também Jesus nos envia, pelo mundo afora, para que ajudemos na libertação de todos os homens, nossos irmãos. Fé e justiça são cara e coroa de uma mesma moeda!

Repórter: Quando você chegou aqui em 1556, havia no mundo 1.000 jesuítas. Hoje parece que são mais de 18.000 os jesuítas, padres e irmãos, espalhados por mais de 127 países. Como surgiu esse grupo de apóstolos e Companheiros de Jesus?

Inácio: Eu já disse que fiz em Manresa uma experiência de Deus inesquecível. Ele veio ao meu encontro gratuitamente... Foram 6 meses de oração, abnegação e auto-análise, colocando sempre a minha realidade em contato direto com a Palavra de Deus... Aprendi que rezar é se deixar amar... e a me assumir por inteiro. Analisei, uma e outra vez, as moções percebidas, meus sentimentos e a causa de tudo isso... Foi uma experiência maravilhosa estes "Exercícios Espirituais". Foi, verdadeiramente, uma "ginástica Espiritual".

Repórter: E o que tem a ver essa "ginástica espiritual" com a fundação da Companhia de Jesus?

Inácio: Foi uma surpresa muito agradável perceber que outros jovens experimentaram o que eu mesmo experimentei! Jovens desejosos de "algo a mais"... Alguns deles optaram por viver  radicalmente comigo o Evangelho de Jesus em pobreza, castidade e obediência e colocar-se a serviço dos outros na Igreja, sob a orientação do Papa. Eles e eu queríamos a mesma coisa e então nos perguntamos por que não viver juntos, para ajudar-nos mutuamente no seguimento do Senhor e no serviço ao próximo. Decidimos chamar-nos "Companheiros de Jesus", pois era isso mesmo que queríamos: estar sempre com o Senhor, como companheiros...
Os primeiros jesuítas surgiram de um grupo de jovens de diversos países que estudavam na Universidade de Paris. O Papa Paulo III nos aprovou oficialmente como ordem religiosa em 1540...

Repórter: Há leigos solteiros e casados que fazem os Exercícios Espirituais e não são jesuítas. Como se explica isso?

Inácio: É verdade! O que faz um jesuíta é a graça dos Exercícios Espirituais, somada a um certo modo próprio de viver especificado nas Constituições da Companhia de Jesus. Existem leigos que fazem também o caminho interior dos Exercícios Espirituais, mas percebem que o Senhor os chama a viver de outro modo o Evangelho... Eles e nós temos traços muito parecidos e evidentemente algumas diferenças. Esses leigos, eles e elas, geralmente formam a Comunidade de Vida Cristã, geralmente chamada de CVX.

Repórter: Agradeço sinceramente esta nossa conversa. Sabe de uma coisa? Gostei imensamente de você, da sua sinceridade, da sua proposta tão atual, tão engajada para todos. Para terminar uma última pergunta:como definir um jesuíta?

Inácio: Oh! Isso é muito simples, um jesuíta, padre ou irmão, é um homem apaixonado por Jesus e que deseja ajudar os outros...

Repórter: Inácio foi se retirando, como o sol no seu ocaso. Creio poder acrescentar alguma coisa à minha última pergunta. O jesuíta deve ser um homem muito parecido com Inácio de Loyola. Não acham que deve ser assim?

http://www.terraboa.blog.br/2015/06/entrevista-com-santo-inacio-de-loyola_27.html

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