Páginas

Mostrando postagens com marcador Placas de Direção Espiritual. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Placas de Direção Espiritual. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de maio de 2019

Evite esta armadilha espiritual quando você buscar o conhecimento de Deus


JACOB WRESTLING WITH THE ANGEL

Uma armadilha que pode te levar à ruína

Um dos requisitos básicos para desenvolver um relacionamento com Deus é adquirir conhecimento sobre Ele. Como diz o velho ditado, “você não pode amar o que você não conhece”.
No entanto, ao buscar conhecimento de Deus, existe um perigo espiritual que pode nos levar à ruína, ao invés de nos conduzir à salvação.
O padre italiano Lorenzo Scupoli fala sobre essa armadilha em seu livro “O Combate Espiritual”, publicado em 1589. Ele escreve:
 “Sê sóbrio e humilde até mesmo no desejo de entender as coisas celestiais, desejando não saber nada além de Cristo crucificado, Sua vida, Sua morte, e o que Ele requer de ti”. 
Scupoli continua: 
Seguindo estas instruções, você evitará muitos perigos; pois quando a astuta serpente vê a vontade daqueles que visam à vida espiritual serem fortes e resolutos, ela ataca seus conhecimentos”. 
O diabo reconhece nosso desejo por conhecimento – que é um bom desejo -,  mas depois tenta pervertê-lo. Em vez de nos permitir buscar o conhecimento de Deus, ele nos tenta a usar esse conhecimento de maneira orgulhosa e egoísta.
O que acontece depois é que nós passamos a nos perceber como grandes detentores da verdade e nos recusamos a aceitar o conselho dos outros, mesmo quando esse conselho é bom e sagrado.
Scupoli adverte sobre os perigos deste caminho: 
“Como alguém pode ser curado por uma pessoa que, obstinadamente, acredita que sua opinião vale mais do que a dos outros? Como alguém pode se submeter ao julgamento de outros homens, que considera ser muito inferior ao seu?”
Um exemplo que podemos seguir é o de São Tomás de Aquino. Ele foi, sem dúvida, uma das maiores mentes de toda a história do cristianismo, e sabia muito mais do que a maioria das pessoas sobre a natureza de Deus.
No entanto, perto do fim de sua vida, Tomás de Aquino teve uma visão espiritual que o levou a declarar: 
“Tudo o que escrevi parece pequeno diante das coisas que vi e me foram reveladas”.
Tomás de Aquino percebeu que, embora ele escrevesse a verdade, ele não era a fonte da verdade. Ele tinha uma santa humildade, que o mantinha reconhecendo seu lugar no universo e sua total dependência de Deus.
Ao buscar o conhecimento de Deus, tente reconhecer essa verdade fundamental e evite a armadilha do orgulho. Podemos ter bastante conhecimento! Mas, no final, isso é como “palha” em comparação à fonte de toda a verdade.

https://pt.aleteia.org/2019/03/28/evite-esta-armadilha-espiritual-quando-voce-buscar-o-conhecimento-de-deus/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

3 práticas católicas para quem é “espiritual, mas não religioso”

MAN PONDERING LIFE

Tantas pessoas que acreditam em Deus estão sedentas por algo mais... o que poderia ser?

Como a maioria de vocês sabe, há um número crescente de pessoas que começaram a se identificar como “espirituais, mas não religiosas”.
Eu sempre suspeitei que essa frase realmente cobrisse um grupo diversificado de pessoas, algumas que na verdade estão mais próximas do agnosticismo, e outras que praticam a fé periodicamente, mas não querem se comprometer com ela de perto.
Eu também acredito que a frase “espiritual, mas não religioso” raramente seja usada por pessoas que realmente seguem muitas práticas espirituais em suas vidas. Mas eu acho que as pessoas que usam a frase genuinamente querem ser mais espirituais, e é por isso que a usam. A frase comunica simultaneamente um distanciamento de Deus (através do desapego da maioria das práticas espirituais) e um desejo genuíno de relacionar-se com ele.
Li recentemente um interessante estudo realizado há alguns anos por uma socióloga da religião, Nancy Ammerman, que confirmava isso. Seu estudo descobriu que a maioria das pessoas que são “espirituais” dependem muito das tradições e práticas religiosas. Na verdade, ela descobriu que as pessoas que eram mais ativas na religião organizada também eram as mais comprometidas com as práticas espirituais e uma visão espiritual do mundo. E que as pessoas com o mais forte senso de presença do sagrado são aquelas que participam de atividades religiosas.
Nossa cultura individualista e relativista leva naturalmente a um desejo gnóstico de separar as práticas religiosas (corpo), associadas ao dogma e às regras, da espiritualidade (alma), que está associada ao relacionamento com Deus. Mas a nossa realidade humana simplesmente não permite que isso aconteça. Nós somos ambos: corpo e alma. Se não usamos nosso corpo na vida espiritual, nossas almas sofrem.
Uma maneira simples de explicar isso é a nossa compreensão secular de formar um hábito. Se quisermos ser saudáveis, não basta desejar ser saudável, ou apenas desenvolver mentalidades psicológicas saudáveis. Saúde envolve nosso corpo e nossa mente. E eles estão interligados.
Por que pensamos que com a espiritualidade seria diferente?
Uma pessoa “espiritual, mas não religiosa” é muito parecida com uma pessoa se diz “emocionalmente madura” mas passa o dia assistindo a séries de TV, comendo junk food, não tem emprego e passa a maior parte do tempo no sofá. Não existem muitas pessoas assim, exatamente porque a saúde da mente e do corpo estão inter-relacionadas, assim como a espiritualidade e a religião são inseparáveis.
E, sejamos sinceros, as tradições religiosas estabelecidas têm milhares de anos de experiência e acumulam conhecimento na área do crescimento espiritual. Não faz sentido rejeitar essa sabedoria se o relacionamento com Deus for realmente importante para uma pessoa.
Diante disso, quero crer que há muitas pessoas “espirituais, mas não religiosas” por aí que estão sedentas por mais “espiritualidade”, mas não estão realmente certas de como alcançá-la. E a resposta fácil é: religião.
Você vem de uma família católica, mas se identifica hoje como “espiritual, mas não religioso”?
Você conhece alguém que é “espiritual, mas não religioso”?
Você é um frequentador eventual da missa, mas está procurando por algo mais?
Aqui estão três práticas religiosas que você pode desenvolver e que certamente irão ajudá-lo em sua vida espiritual.

1. Exame de Consciência

Pratique o Exame de Consciência Diário: esta prática tem raízes antigas e tem sido praticada há séculos por pessoas que são sérias no quesito “desenvolvimento espiritual”. Geralmente envolve cinco etapas nas quais nos colocamos na presença de Deus e revisamos nosso dia. Este tipo de meditação não é um momento de nos debatermos, mas de rever o dia em atitude de ação de graças e pedir a Deus a graça de fazer melhor nas áreas em que não estamos maduros espiritualmente. O Exame de Consciência nos ajuda a crescer em virtude e desenvolver uma atitude de gratidão. Se você quiser fazê-lo efetivamente, defina um tempo para esse tipo de meditação e certifique-se de cumpri-la todos os dias.

2. Terço

Faça uma caminhada rezando o Terço: muitas pessoas “espirituais, mas não religiosas” encontram Deus na natureza e isso é totalmente compreensível. Eu me converti do ateísmo logo depois de trabalhar em uma fazenda todos os dias por vários meses; não foi coincidência. Assim, uma maneira de combinar práticas religiosas com a natureza é orar, não apenas para sentir uma onda de gratidão e admiração naquele momento, mas para orar meditativamente enquanto caminha. O Terço  é uma grande revisão de alguns dos eventos básicos dos Evangelhos e fazer uma caminhada rezando o Terço pode ser uma maneira maravilhosa de orar essa antiga oração.

3. Adoração Eucarística

Procure uma igreja ou capela em sua região. Descubra quando sua igreja local está aberta. Você pode até não acreditar na Eucaristia. Você pode nem saber direito o que é, tendo apenas uma vaga lembrança da Primeira Comunhão. Mas experimente ir a um sacrário. É uma ótima maneira de estruturar um tempo de oração. Comprometa-se a ir uma vez por semana durante uma hora. Sente-se na presença de Deus. Não se preocupe muito com o que você deveria estar fazendo ou pensando. Apenas fale com Deus como você faria com um amigo. Então sente-se em silêncio e deixe a presença de Deus envolver você. Não lute contra as dúvidas que possam surgir em sua mente. Basta deixá-las flutuar enquanto você está envolvido no silêncio.
Ah, uma última coisa: eu sou freira, por isso, se você é católico e não participa da missa há algum tempo, espero que você pense em voltar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Lutar sempre - Desânimo na vida espiritual

Lutar sempre

Labora sicut bonus miles Christi (II Tim 2,3)
Trabalha como um bom soldado de Cristo

Os combates pelo amor são longos e por vezes difíceis, e toda alma, por pouco generosa que seja, verifica em si mesma, em dados momentos, um movimento de depressão que se chamadesânimo.

Essa depressão nasce insensivelmente da acumulação de contratempos e reveses sucessivos. A alma sente-se abatida, depois, de repente, um acidente qualquer, uma pequena indisposição, uma fadiga corporal, uma palavra de repreensão, uma falta de atenção sobrevêm a nosso respeito e a alma desanima.

Então tudo se torna pesado. A conversação espiritual é insípida, os livros que de ordinário a estimulavam perdem o sabor, os exercícios espirituais tornam-se um ônus intolerável. Nada a encoraja, tudo a aborrece e a desgosta.

 
A vida espiritual parece uma ilusão; atingir-lhe o cimo, uma impossibilidadeE ela senta-se tristemente a meia encosta sem forças para as alturas. Eis, por certo, um sério obstáculo, que impede por vezes o caminho às almas mais resolutas. Importa procurar as causas do desânimo e os meios de frustrar-lhes a influência paralisante.

Antes de tudo, o que deve consolar-te, alma piedosa, é não seres tu a única, sujeita a essas depressões passageiras. As melhores almas sofrem por vezes desse mal... Jesus, em sua infinita sabedoria, permite de bom grado que as almas mais dispostas sintam algumas vezes sua impotência pessoal.
Aliás “não é extraordinário, como diz São Francisco de Sales, que a miséria se sinta por vezes miserável”. 

Não é de estranhar que a natureza se canse e não queira mais avançar. Não é de admirar que o nosso corpo, como o asno de Balaão, recuse às vezes, seus serviços e, insensível aos golpes, se deixe abater antes que nos conduzir.
A razão dessa canseira é quase sempre uma série de exercícios espirituais e trabalhos exteriores por demais longa. É preciso que tudo se faça com medida e não exigir do corpo e do espírito senão o que eles podem razoavelmente dar. É preciso, pois, repousar, confortar-se a tempo, e depois dizer com nova energia: 

Vamos! Ainda um pouco de tempo, o cimo já não está tão longe, Deus ajudará. Para frente!

Os sentidos do homem são inclinados, desde tenra idade, para o sensível e fascinados pelos objetos exteriores. A razão não conhece a existência de Deus, senão por um trabalho de educação. Tudo que ele sabe do mundo sobrenatural sabe-o por ouvir dizer!
E esse ser tão ínfimo, tão ignorante e tão inclinado para o mal, que somos nós, quer aspirar, por um esforço contínuo, a tornar-se amante apaixonado de uma beleza superior. Quer esgotar, para atingir esse ideal, todas as forças de sua alma e de seu corpo, e a cada inspiração, e a cada inspiração, a cada apelo apenas perceptível, de uma graça invisível, quer elevar-se ainda mais alto.
Esse homem fraco, feito de sangue e de pó, propõe-se renunciar a todas as aspirações animais, modificar-se, contradizer-se, corrigir seu raciocínio e seu coração, não uma vez por acaso, mas sempre, e isso sob a influência de um agente misterioso que ele não vê e no qual crê e cujo socorro implora.


Oh! Não, uma vida tão heróica só pode ser levada graças a uma luta incessante.
Como é belo ver esse homem, exposto a todas as seduções, a todos os ataques do mundo e do inferno, a todas as conivências íntimas, voltar-se para Deus, impertubavelmente, apesar de suas fraquezas!

Também a santidade não exclui a luta, ela a supõe e a exige. A perfeição na terra não é o repouso nem o prazer. Não é um estado fixo. É uma ascensão para Deus, uma continuidade de esforços, uma tendência incessante para aproximar-se do ideal sobrenatural: Ad ea quae priora sunt extendens meipsum (Filip 3,13). Toda santidade no mundo é relativa; pode e deve aumentar continuamente. 

Quanto mais a alma se une a Deus, e afunda-se na sua infinidade, tanto mais os espaços se estendem e os horizontes se ampliam. É o infinito a atravessar.

Afasta, pois, de teu espírito essa falsa idéia de que aqui na terra encontrarás repouso. Não estás no mundo para gozar de Deus, mas para amá-Lo no trabalho, no sofrimento e na luta.

E se há luta, haverá quedas algumas vezes... o soldado que combate valorosamente expõe-se a golpes e ferimentos, porém suas cicatrizes são para ele títulos de glóriaMuitos há que não distinguem, na vida espiritual, a parte que lhes pertence e a que pertence a Deus. 

... A deles consiste, antes de tudo, em amar a Deus, esforçar-se por pertencer-lhe, pedir-lhe mais amor, e, em seguida, em levantar-se sempre com simplicidade após suas faltas, e purificar-se no sangue de Jesus.
 
Quanto ao mais, tudo é obra do Mestre. Enquanto a alma luta e geme pelas suas faltas e lamenta-se por não saber amar a Deus, esse Deus invisivelmente, enriquece-a com graças, orna-a de virtudes, cava nela a humildade e a paciência e une-se-lhe por tantas cadeias quantas ela faz de atos de amor e contrição.

E esse trabalho a dois prossegue até ao último instante da vida. A alma não viu senão faltas, e, com efeito, ela recaiu muitas vezes, e Deus não quis contar senão os atos de amor.
...Alma de boa vontade, não te aflijas, pois, por tuas faltas. Pede sempre perdão a Jesus e recomeça, sem te cansar, tua vida de amor.

Bem vês, o indispensável é amar, amar sempre. O amor dar-te-á constância na luta, como te dará a compunção e o espírito de oração. 

- O amor te ensinará a purificar tua vontade pelo desapego, disciplinar tua liberdade pela obediência, desembaraçar tua inteligência dos pensamentos inúteis.
- O amor te excitará à reflexão, retificará teu raciocínio pela humildade, dirigirá tua imaginação e acalmará tuas paixões.
- O amor reprimirá teus sentidos na pureza, desprenderá tua alma de todos os bens terrestres.
- O amor te conduzirá à intimidade de Jesus, revelando-te o mistério de sua paixão, de sua vida eucarística, de sua vida mística, que continua em ti.
- O amor te ensinará, enfim, a desapegar-te de ti mesmo para seres um com Jesus, viver Dele, agir com Ele, sofrer com Ele, e continuar, por Ele, a obra da redenção.

Assim, tudo começa, aperfeiçoa-se e acaba no amor.
Ó minha alma!...renova a Jesus a resolução de ser constante no amor.
Se o cansaço, o desânimo ou a desconfiança buscam invadir-te, olharás para o céu.

Jesus lá está e cuida de ti. Ninguém te arrancará de suas divinas mãosEle é o Amigo fiel, que começou e terminará a obra de tua santificação. Terminá-la-á não obstante as dificuldades exteriores e interiores, contanto que tenhas confiança Nele e que o deixes agir em tua alma.

Ama-O muito. Repete constantemente que o amas. Pede-Lhe sempre mais graças, mais luzes, mais força. Volve a Ele sem jamais te cansar. Tua santidade estará garantida.
(Excertos do livro: O Divino Amigo – Pe. Schrijvers)

Fonte
Retirado do blog: http://osegredodorosario.blogspot.com.br/

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

7 meios práticos para formar o hábito da presença de Deus

Não conseguimos ver e tocar Jesus como se fosse uma pessoa qualquer, mas há formas concretas de passar o dia ao lado dele, confira
libertad - pt

O hábito da presença de Deus é um dos mais importantes na vida espiritual. Por isso, apresentaremos alguns meios práticos par viver na presença do Senhor ao longo do dia.
1. Creia e imagine que Jesus está ao seu lado
Não conseguimos ver nem tocar Jesus como se fosse qualquer pessoa, mas pela fé sabemos que Cristo Ressuscitado está vivo e nos acompanha no caminho da vida. Como o cego que sente a presença dos outros perto dele, pela fé, sinto e tenho certeza da presença de Deus junto a mim. Posso levar Jesus comigo a qualquer lugar, conversar com Ele, pedir-lhe luz e força, curtir sua companhia.
2. Tenha um olhar de fé
Com os olhos da fé, tudo é transparência de Deus: coisas, acontecimentos, pessoas. Deus se deixa encontrar na criação inteira, porque lhe dá existência e a conserva. E cada criatura mostra traços do seu Criador. Com esta atitude de buscar viver com um olhar de fé, é mais fácil descobrir Deus por trás de cada circunstância, de cada pessoa.
3. Faça um exame diário repleto de gratidão
Deus, com sua providência, está sempre presente na história e na sua história pessoal, a de cada dia. Que isso não passe despercebido por você. Fazer um exame de consciência ao final do dia permite repassar os acontecimentos do dia e buscar ver como Deus se fez presente e agiu ao longo da jornada.
4. Faça jaculatórias
As jaculatórias ajudam a manter-nos na presença de Deus. São orações breves, em forma de frases simples, que dirigimos a Deus em meio às atividades cotidianas, colocando nelas toda a força da nossa fé e todo o carinho do nosso coração ao pronunciá-las. Alguns exemplos: “Senhor, tu sabes tudo, sabes que te amo”, “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”, “Estou em tuas mãos, faça-se a tua vontade”, “Maria, sou todo teu”, “Espírito Santo, ilumina-me”, “Sagrado Coração de Jesus, confio em ti” etc.
5. Faça visitas eucarísticas e comunhões espirituais
Se estamos falando da presença de Deus, existe presença melhor que a da Eucaristia? Se você tem uma igreja perto da sua casa, do seu trabalho, da sua faculdade, aproveite e visite Jesus, ainda que seja por alguns minutos, todos os dias. É como passar na casa de um amigo para cumprimentar, ao estar perto da casa dele.
6. Reze ao realizar suas atividades cotidianas
Para renovar a presença de Deus, é muito útil rezar antes das suas atividades habituais: abençoar os alimentos antes das refeições, pedir proteção ao sair de casa, fazer o sinal da cruz antes de começar a trabalhar, beijar uma Bíblia, um crucifixo ou uma imagem de Nossa Senhora etc.
7. Acenda uma vela ou carregue um crucifixo com você
A chama de uma vela pode ser uma lembrança da presença de Jesus Ressuscitado (como o círio pascal) e da sua presença no seu coração. Escolha um lugar especial para deixar essa vela, um lugar pelo qual você passe constantemente. E invoque a presença de Deus cada vez que passar por ela.
O salmo 138 nos recorda a amorosa presença de Deus em nossa vida. Que tal começar esta vivência orando este salmo?
Senhor, vós me perscrutais e me conheceis, sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos. A palavra ainda me não chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda. Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão. Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo. Para onde irei, longe de vosso Espírito? Para onde fugir, apartado de vosso olhar? Se subir até os céus, ali estareis; se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também. Se tomar as asas da aurora, se me fixar nos confins do mar, é ainda vossa mão que lá me levará, e vossa destra que me sustentará. Se eu dissesse: Pelo menos as trevas me ocultarão, e a noite, como se fora luz, me há de envolver. As próprias trevas não são escuras para vós, a noite vos é transparente como o dia e a escuridão, clara como a luz. Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe. Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso. Pelas vossas obras tão extraordinárias, conheceis até o fundo a minha alma. Nada de minha substância vos é oculto, quando fui formado ocultamente, quando fui tecido nas entranhas subterrâneas. Cada uma de minhas ações vossos olhos viram, e todas elas foram escritas em vosso livro; cada dia de minha vida foi prefixado, desde antes que um só deles existisse. Ó Deus, como são insondáveis para mim vossos desígnios! E quão imenso é o número deles! Como contá-los? São mais numerosos que a areia do mar; se pudesse chegar ao fim, seria ainda com vossa ajuda. Oxalá extermineis os ímpios, ó Deus, e que se apartem de mim os sanguinários! Eles se revoltam insidiosamente contra vós, perfidamente se insurgem vossos inimigos. Pois não hei de odiar, Senhor, aos que vos odeiam? Aos que se levantam contra vós, não hei de abominá-los? Eu os odeio com ódio mortal, eu os tenho em conta de meus próprios inimigos. Perscrutai-me, Senhor, para conhecer meu coração; provai-me e conhecei meus pensamentos.Vede se ando na senda do mal, e conduzi-me pelo caminho da eternidade.

http://pt.aleteia.org/2015/11/10/7-meios-praticos-para-formar-o-habito-da-presenca-de-deus/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Nov%2010,%202015%2003:16%20am

sábado, 17 de outubro de 2015

Os 7 hábitos diários das pessoas que querem ser santas

Para quem quer realmente ser "outro Cristo" nesta vida
Sport e salute mentale - pt


Ninguém nasce santo. A santidade é alcançada com muito esforço, mas também com a ajuda e a graça de Deus. Todos, sem exceção, são chamados a reproduzir em si mesmos a vida e o exemplo de Jesus Cristo, caminhar seguindo seus passos.

Se você está lendo isso, é porque tem interesse em levar a sua vida espiritual com mais seriedade de agora em diante.

O segredo da santidade é o contato contínuo com Deus. Falaremos aqui de alguns pontos que podem nos ajudar a conhecer, amar e servir Jesus, e que nos capacitam para amar e doar-nos às outras pessoas, na caridade.

Antes de expor quais são os 7 hábitos, é preciso lembrar de três aspectos que nos ajudam a vivê-los:

– Primeiro: lembre-se de que o crescimento neste hábitos é como um programa de exercícios físicos, uma academia, uma dieta, ou seja, é um trabalho de processo gradual. Não tente fazer tudo desde o começo; trabalhe um a um, e vá acrescentando mais hábitos ao longo do tempo.

– Segundo: Procure viver estes hábitos como um firme propósito, mas contanto sempre com a ajuda do Espírito Santo e dos seus intercessores especiais, para fazer dos hábitos de santidade uma prioridade na sua vida.

– Terceiro: Viver os hábitos não é uma perda de tempo. Muito pelo contrário: com eles, você ganha tempo. Nenhuma pessoa que os vive diariamente vai ser menos produtiva em seu trabalho, nem vai comprometer sua vida familiar ou social. Deus sempre recompensa aqueles que o colocam em primeiro lugar.

Os 7 hábitos da santidade

1. Oferecimento do dia pela manhã

Você pode fazer uma breve oração simples, com suas palavras, oferecendo todo o seu dia para a glória de Deus. O mais difícil aqui é conseguir fazer disso um hábito: levantar-se pontualmente, ter um momento fixo para este oferecimento, não deixar espaço para a preguiça.

2. Quinze minutos de oração em silêncio

Dedique pelo menos 15 minutos a conversar com Deus no início do dia. Esta é a sua hora da verdade e seu momento superior. Abra-se com Ele e fale daquilo que ocupa sua mente e seu coração; tente ouvir a voz de Deus em seu interior e conhecer sua vontade.

3. Quinze minutos de leitura espiritual

Você pode dividir este tempo em: 5 minutos lendo um trecho do Evangelho, para identificar-se com a Palavra e ações de Jesus, e outros 10 minutos lendo algum livro clássico de espiritualidade católica, recomendado pelo seu diretor espiritual.

4. Participar da Missa e comungar

Este é o hábito mais importante de todos. A Eucaristia é o centro da nossa vida interior e, consequentemente, do nosso dia. É o ato mais íntimo do ser humano, um encontro com Cristo vivo.

5. Rezar o Ângelus (ou Regina Coeli, no período pascal) ao meio-dia

Rezar esta breve oração é um costume católico muito antigo. O ideal é rezar três vezes ao dia (6h, 12h, 18h), mas fazer uma pausa ao meio-dia para honrar Nossa Senhora ajuda especialmente a recordar o sentido da nossa vida no meio da nossa jornada.

6. Rezar o terço

Meditar diariamente nos mistérios da vida de Jesus é um hábito que, uma vez adquirido, é difícil de abandonar. Maria é um ótimo atalho rumo a Jesus e um dos melhores exemplos que Deus nos deu a imitar.

7. Exame de consciência antes de dormir

Você pede luz ao Espírito Santo e dedica alguns minutos a revisar seu dia na presença do Senhor, identificando se seu comportamento foi digno de um filho de Deus ao longo da jornada. Depois disso, você faz um ato de gratidão pelas graças recebidas nesse dia, e um ato de contrição pelas falhas cometidas voluntariamente.

Você diante de Deus

Seja honesto com você mesmo e com Deus. Estes hábitos, se bem vividos, nos capacitam para vivenciar a segunda parte do grande mandamento de Deus: amar o próximo como a nós mesmos.

Estamos nesta vida para amar a Deus e imitar Jesus no amor ao próximo. Para isso, precisamos nos transformar em outro Cristo, por meio da oração e dos sacramentos. Vivendo estes sete hábitos, chegaremos a ser pessoas santas e apostólicas, como Deus espera de nós.

http://pt.aleteia.org/2015/09/08/os-7-habitos-diarios-das-pessoas-que-querem-ser-santas/

Tudo o que você precisa saber sobre: a leitura espiritual

Este é um hábito diário de quase todos os santos canonizados da Igreja Católica
http://pixabay.com/en/book-antique-old-bible-read-222538/



O que é a “leitura espiritual”?

Há muitos tipos de leitura religiosa, mas não vou falar agora de todos nem de vários deles. Apenas falarei de um: daquele que, na linguagem clássica cristã, se chama «leitura espiritual», em sentido estrito, e que costuma fazer parte do programa diário das pessoas que querem levar a sério a sua vida interior.

Consiste na leitura atenta e bem assimilada de um livro que trate de assuntos de «vida espiritual», com seriedade e boa doutrina, e que os focalize de maneira prática, de modo que nos ajude a aplicá-los à nossa vida diária.

Tenha em conta que, dentro do conceito estrito de «vida espiritual» ou de «vida interior», não só entram as práticas de oração, de adoração, a Eucaristia, o amor a Nossa Senhora e outras devoções… – que são, sem dúvida, elementos básicos de uma vida espiritual autêntica-, mas entram também as virtudes e o modo de melhorá-las (fé, caridade, paciência, firmeza, temperança, constância, etc.), bem como os defeitos (vaidade, preguiça, ira, inveja, desordem sensual, etc.) e o modo de vencê-los; e ainda o esforço por santificar a família, por achar Deus no trabalho, por levar Deus a outras almas, etc, etc. Em suma, entra tudo quanto nos ajuda a procurar a santidade e o apostolado no dia-a-dia.

Como fazer a leitura espiritual?

1) Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la, sempre que possível, diariamente.

2) Ao tomar essa decisão deverá ter em conta:

a) Primeiro: que é importante escolher o melhor momento do dia – o “seu” melhor momento -para essa leitura. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família…)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No ônibus ou no metrô, desde que possa sentar-se? Pense, tire experiências, e defina.

b) Pense que será mais fácil definir o horário, se tiver consciência de que a leitura não precisa ser longa: ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom fruto dessa prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido, e aproveitado, mais livros bons do que imagina.

c) É importante que você defina – volto a dizer – o lugar, o momento e a duração dessa leitura espiritual. E acrescento um conselho, fruto da experiência: se você definir dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como “norma”, nunca menos. Caso queira esticar essa leitura por mais tempo, ou deseje ler mais em outra hora, não há problema, mas considere isso como “leitura extra”. É só em relação ao seu programa diário, aos seus dez ou quinze minutos, que deve se sentir comprometido, com sincera exigência.

d) Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais daquela temporada.

e) Uma vez definido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, “debicando” por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.

f) Não importa quanto tempo demorar a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é assim gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto. Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).

g) Depois da leitura diária, ao fechar o livro e pergunte-se: O que foi que eu li, o que compreendi, o que me ficou mais gravado?

3. É muito bom ter o desejo de conhecer (de ler) as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a se aproximarem de Deus e a melhorar. Como diz São Josemaria: «A leitura tem feito muitos santos» (Caminho, n. 116). Para ter ideia de que tipo de livros estou falando, vou citar alguns, apenas alguns, dentre os mais conhecidos:

─ Tomás de Kempis: A imitação de Cristo

─ São Francisco de Sales: Introdução à vida devota (também chamado Filotéia), Tratado do Amor de Deus (mais “teológico”)

─ Santo Afonso Maria de Ligório: A oração, A prática do amor a Jesus Cristo, As glórias de Maria

─ Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha): História de uma alma (também chamadoManuscritos autobiográficos)

─ Santa Teresa de Ávila: O livro da vida, Caminho de perfeição

─ Santa Catarina de Sena: O diálogo

E muitos outros, que agora seria impossível citar, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe puder dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual. A ela se pode aplicar perfeitamente o dito de Jesus: Pelos seus frutos os conhecereis (Mt 7,16).

4. Mas, antes de encerrar esta conversa, queria dar dois esclarecimentos:

a) Não confunda a «leitura espiritual» com a «oração mental» (ou a «meditação»). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que com isso estão fazendo leitura espiritual. Misturam e confundem conceitos diferentes. Veja o que já dissemos a respeito da oração e da meditação. Para a oração mental ou meditação, cada dia, se quiser, você pode escolher à vontade textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para meditar sobre a sua vida e “falar com Deus”. A «leitura espiritual», porém, como acabamos de ver, é coisa diferente: trata-se de ler em sequência, quase que de “estudar” um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça essa distinção;

b) Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta: as que nos proporcionamformação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos: desde o Primeiro Catecismo ou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, ainda que exige certo preparo doutrinário para entendê-lo bem. Um bom livro de teologia para leigos, que não hesito em recomendar, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada; excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, pode ser usado também como “leitura espiritual”.

Todos deveríamos achar algum tempo (não precisa ser diário, pode ser semanal, mais longo nas férias) para ler obras doutrinais. Hoje, num mundo de ideias confusas, é uma necessidade vital.

http://pt.aleteia.org/2015/09/09/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-leitura-espiritual/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-10/09/2015

sábado, 25 de julho de 2015

Nos teus invernos há sementes que germinam

Nos teus invernos há sementes que germinam, sabias?: Meditação sobre o Evangelho de Domingo


Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus. (Marcos 1, 14-20, Evangelho do 3.º Domingo do Tempo Comum)

Marcos conduz-nos ao momento primordial em que uma notícia extraordinária começa a correr pela Galileia, anunciando com a primeira palavra: o tempo cumpriu-se, o Reino de Deus está aqui.


Jesus não demonstra o Reino, mostra-o e fá-lo florir das suas mãos: liberta, cura, perdoa, derruba barreiras, volta a dar a plenitude a todos, a começar pelos últimos. O Reino é Deus que vem para curar do mal de viver, como a vida que desponta em todas as suas formas.

A segunda palavra de Jesus pede para tomar posição: convertei-vos, voltai-vos para o Reino. Há uma ideia de movimento na conversão, como no girassol que a cada manhã volta a erguer a sua corola e a orienta na direção do sol. Convertei-vos: isto é, voltai-vos para a luz porque a luz já está aqui.

A cada manhã, a cada despertar, também eu posso converter-me, dirigir pensamentos, sentimentos e escolhas para uma estrela polar do viver, para a boa notícia de que Deus está hoje mais próximo, penetrou mais profundamente no coração do mundo e no meu, com mansidão e poderosa energia para o amanhecer de novos céus e nova terra.

Também eu posso construir o meu dia sobre esta feliz certeza; deixar de ter os olhos baixos sobre os meus mil problemas, mas levantar a cabeça para a luz, para o Senhor que me assegura: Eu estou contigo, nunca te deixo, nunca serás abandonado.

Crer no Evangelho. Não basta aderir a uma doutrina; é preciso atirar-se para dentro dele, para que a nossa vida seja submersa nele e dele derivem as nossas escolhas.

Caminhando ao longo do lago, Jesus vê... Vê Simão e nele intui Pedro, a Rocha. Vê João e nele perscruta o discípulo das mais belas palavras de amor. Um dia olhará a adúltera trazida à força para diante dele e nela verá a mulher capaz de amar de novo.

O Mestre olha também para mim; nos meus invernos vê sementes que germinam, generosidade que desconhecia ter, capacidades de que não suspeitava. O olhar de Jesus alarga o coração, torna-o mais amplo. Deus tem para mim a confiança de quem contempla as estrelas ainda antes que se iluminem.

Segue-me, vem após mim. Jesus não se alonga em motivações, porque o motivo é Ele, que te coloca o Reino recém-nascido entre as mãos. E di-lo com uma palavra inédita: farei de vós pescadores de homens. Como se dissesse: farei de vós buscadores de tesouros.

Como se dissesse: o meu e o vosso tesouro são os homens. Havereis de os tirar para fora da escuridão, como peixes sob a superfície das águas, como recém-nascidos das águas maternas, como tesouro desenterrado do campo. Passá-los-eis da vida submersa à vida ao sol. Mostrareis que o Evangelho é a chave para viver melhor.

Ermes Ronchi
In "Avvenire"

sábado, 7 de março de 2015

A direção espiritual

Também a vida interior precisa de «técnico»
 Se você tem direção espiritual, já sabe da importância dessa orientação para manter vibrante a vida interior e, em geral, para progredir na vida cristã. Tanto se a tem como se não a tem, talvez o ajude pensar nas considerações que faço a seguir.
            É interessante lembrar que a Igreja sempre tem recomendado a direção espiritual a todos os que desejam amadurecer seriamente na vida cristã; de forma análoga a como se aconselha a um cardíaco procurar a orientação de um cardiologista, e a um jogador de futebol ou de tênis a ter um coach, um técnico que os prepare e oriente. Ninguém é bom técnico de si mesmo.
            São Josemaria fala disso com uma imagem simples: «Convém que conheças esta doutrina segura: o espírito próprio é mau conselheiro, mau piloto, para dirigir a alma nas borrascas e tempestades, por entre os escolhos da vida interior. – Por isso, é vontade de Deus que a direção da nau esteja entregue a um Mestre, para que, com a sua luz e conhecimento, nos conduza a porto seguro» (Caminho, n. 59).
O bom pastor
            O confessor e, em geral, a pessoa que atende a direção espiritual de outros, participa da missão do bom pastor. Como diz Jesus na parábola, o bom pastor conhece as suas ovelhas e elas o conhecem, vai indicando-lhes o caminho e as conduz a bons pastos, também as defende dos ladrões e do lobo (cf. Jo 10, 4-14), e procura as que se extraviaram e as ajuda a voltar (cf Lc 15,4-7).
            O bom diretor espiritual deve ser um reflexo desse Bom Pastor, que é Jesus. Por isso, é importante pedir luzes ao Espírito Santo para escolher bem o diretor:   sempre com plena liberdade, mas com o desejo sincero de avançar espiritualmente. Não adianta escolher um diretor espiritual que seja apenas um padre «amigão» para bater papo. E, menos ainda, procurar um confessor ou diretor que se limite a «compreender-nos» (ou seja, desculpar-nos!) sempre e não nos fale com clareza e afeto, nem nos ajude a lutar e a retificar os erros.
            Para ter uma direção espiritual eficaz é importante que, depois de ter escolhido conscientemente um diretor, sejamos perseverantes e combinemos com ele conversas periódicas, por exemplo, mensais (não mais espaçadas). Não é direção espiritual ter um padre de confiança e conversar com ele só duas ou três vezes por ano.
            Dizia que a escolha do orientador espiritual deve ser livre. Também deve ser livre a nossa decisão de praticar os conselhos que nos sugerir. Mas a liberdade exige pensar e decidir responsavelmente. Peça, por isso, ao Espírito Santo – om verdadeiro Diretor das nossas almas -, que lhe conceda o dom de entendimento, para compreender o que Ele lhe quer dizer através do diretor espiritual, e o dom de fortaleza, para esforçar-se em levá-lo à prática.
            Creio que, após mais de cinquenta anos de experiência de direção espiritual, posso afirmar que só vi progredirem espiritualmente – e assim caminharem para a santidade, meta da vida cristã – os que vivem com perseverança um plano de vida espiritual e levam a sério, com constância, a direção espiritual.
Sugestões práticas
            Para viver com proveito a direção espiritual, além das sugestões que acabamos de ver, aconselho vivamente o seguinte:
            1) Prepare bem cada conversa, fazendo um pouco de meditação a respeito e tomando umas notas por escrito: uma listinha dos temas de que quer falar; e, sobretudo, como lhe estou insistindo, pedindo muito a ajuda do Espírito Santo;
            2) Não vá à direção para gastar o tempo com conversa mole, falando das notícias do jornal, do frio e do calor e de outras coisas que nada tem a ver. Em todo caso, só uns dois minutos, como «prólogo» para começo de conversa.
            3) Não se esqueça de começar informando como é que viveu os conselhos e sugestões recebidos na última conversa, as dificuldades com que deparou para cumpri-los, as fraquezas (preguiça, tentações,etc.) que o levaram a abandoná-los, etc.
            4) Comente também as inspirações, os bons pensamentos que Deus suscita em nós para melhorar alguns defeitos, concretizar algumas iniciativas de vida espiritual ou de apostolado, fazer novas mortificações, etc. É muito bom não ser «sujeito passivo», que só escuta conselhos. Seja também «ativo», pense e apresente novas propostas de luta espiritual (por exemplo: gostaria de ler tal livro; pensei tais e tais penitências e temas de meditação para a Quaresma; gostaria de preparar o Natal assim; pensei que poderia ter tal conversa com um amigo afastado de Deus).
            5) Os «temas» da direção espiritual, os assuntos que convém tocar nas conversas com o diretor, são muito variados, e é impossível falar de todos em uma só entrevista (tendo também em conta que, muitas vezes, só poderá contar com meia hora ou pouco mais). Mas, como fizemos em outras reflexões, vou sugerir-lhe aqui alguns que julgo mais importantes:
            a) em primeiro lugar, fale claro dos assuntos que – por vergonha, por medo de ficar mal e de desiludir o diretor – mais lhe custe falar: uma queda mais séria, uma infidelidade, uma reincidência na preguiça e nas omissões, etc. São Josemaria dizia que «quem oculta ao seu diretor uma tentação, tem um segredo a meias com o demônio» (Sulco, n. 323). E, em sentido positivo, acrescentava: «Acabaram-se as aflições… Descobriste que a sinceridade com o diretor conserta com uma facilidade admirável aquilo que se entortou (ibid., n. 335).
            b) depois, os problemas que estão exigindo mais esforço, mais oração e, às, vezes, mais conforto e até consolo: dramas familiares, filhos que se desencaminham, graves dificuldades no trabalho, doenças sérias. Tenha, porém, em conta que, se você só buscasse consolo, não acharia solução. O melhor consolo é o «conforto», ou seja, o conselho que fortalece e ajuda a levar com garbo aquela cruz e a santificar-se com ela. Por isso, perante uma grave problema, às vezes o melhor conselho é o de viver com mais intensidade o plano de vida espiritual.
            c) sempre comente como foi o seu plano de vida espiritual: se o cumpriu, se foi constante e pontual, como fez a oração e o exame diário, como preparou as Comunhões, que empenho colocou em melhorar a presença de Deus no trabalho, como praticou as mortificações habituais, que frutos  ou dúvidas lhe suscitou a leitura do Evangelho e de algum livro espiritual, etc.
            d) é preciso tratar das virtudes, especialmente daquela ou daquelas que mais falta nos fazem: humildade, paciência, castidade, ordem, intensidade e perfeição no trabalho, caridade, luta contra os defeitos do temperamento, etc.
            e) tendo em conta que não há verdadeiro amor a Deus sem amor ao próximo (cf 1 Jo 4,20-21), convém falar da nossa melhora no trato habitual com os que convivem e trabalham conosco (especialmente esposa, marido, filhos), e do apostolado que fazemos (primeiro, do apostolado pessoal com parentes, colegas, amigos; depois, da colaboração em iniciativas de apostolado).
            f) se estiver se sentindo incomodado com alguma dúvida de fé, alguma dificuldade para entender a doutrina da Igreja, algumas palavras do Papa que não entendeu, etc., não deixe de apresentar essa dúvida ao diretor.

            São apenas algumas sugestões. Acho importante repetir que não se trata, em absoluto, de falar de «tudo» em cada conversa. Fale do que seja mais relevante e mexa mais com a sua alma, especialmente do andamento do plano espiritual. Em todo caso, parece-me que essas sugestões não deixam de ser um roteiro útil para preparar as conversas de direção espiritual e para avaliar se essa orientação vai bem.
http://www.padrefaus.org/archives/895

Presença de Deus I - Sob o Sol de Deus

O pardal, a despedida e a promessa
Pouco tempo antes de falecer, São Josemaria Escrivá dizia a alguns dos que estavam perto dele: «Rezem por mim para que seja bom, isto é, para que tenha presença de Deus e seja mortificado».
Pode parecer pouca coisa. No entanto, a Bíblia dá-nos como pauta da santidade precisamente «caminhar na presença de Deus» (cf. Gen 17,4; Salm 56,14 e 116,9, etc.).
Ter presença de Deus é, antes de mais nada, tomar consciência de que Deus vive e está sempre perto de nós: que nos vê, que nos ouve, que nos acompanha com amor e se interessa como Pai até pelas menores coisas da nossa vida.
Creio que nos pode ajudar a perceber o sentido desta realidade recordar três passagens do Evangelho:
1ª) Você se lembra do pardal? Sim, do passarinho… Olhai os pássaros do Céu… - diz Jesus -, vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles? (Mt 6,26). E também: Não se vendem dois pardais por uma moedinha? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais (Mt 10, 29.31). Presença de Deus Pai;
2ª) Você se lembra da última despedida de Jesus? Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28,29). Presença de Deus Filho;
3ª) Você se lembra da grande promessa de Jesus, na Última Ceia? Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará outro Defensor [o Espírito Santo], que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade…, que permanece junto de vós e está em vós (Jo 14,16-17) Presença de Deus Espírito Santo.
O Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade está conosco, convive conosco, voltada amorosamente para nós. Mais ainda, mora em nós, como nos lembra São Paulo: «Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?» (1 Cor 3,16). Essa presença inefável de Deus, no “centro da alma” é o grande dom que recebem os filhos de Deus, quando vivem a vida da graça. «Nós somos – insiste São Paulo – o templo do Deus vivo, como disse o próprio Deus: …”Eu vos acolherei, e serei para vós um pai; e vós sereis meus filhos e filhas, diz o Senhor todopoderoso” » (2 Cor 6,16-18).
O poço e o túnel
Jacques Leclecq, o teólogo belga, usa uma comparação sugestiva. Diz que, muitas vezes, somos como um homem que vive agachado no fundo de um poço, estreito, escuro e cheio de lama. Não é um poço alto. Bastaria que fizesse o esforço de ficar em pé, de apoiar as mãos na borda do poço, fazer força e erguer-se até colocar a cabeça para fora, e veria, então, um panorama maravilhoso: campos verdejantes, caminhos, riachos, montanhas ao longe… Uma paisagem que poderia ser o mundo novo onde ele, saindo do poço, começasse a viver uma vida nova e bela.
Quando alguém começa a ter presença de Deus, sai do poço; ou então, sai de dentro de um túnel, como dizia, de modo muito expressivo, São Josemaria, mostrando, além disso, em que consiste o “mundo novo”: «Alguns passam pela vida como por um túnel, e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé» (Caminho, n. 575).
É preciso sair do nosso túnel espiritual, que só nos permite enxergar o mundo ao nível do chão, nas suas dimensões mais planas e rasteiras, e passar a contemplar a vida com o sol da fé, que dá luz e sentido novo,divino, a tudo. Ter presença de Deus é, simplesmente, manter abertos os olhos da alma Então Deus faz com que compreendamos:
1) «O esplendor do sol da fé». Com a luz de Deus, as pessoas, as coisas e os acontecimentos ganham uma dimensão nova, muito mais profunda, bonita e alegre. Até mesmo o sofrimento pode ganhar o brilho e as cores do amor.
2) «A segurança do sol da fé». Com essa luz de Deus, alma se enche de confiança, de segurança. Aconteça o que acontecer, podemos afirmar com convicção o que dizia São Paulo: «Se Deus é por nós, quem será contra nós … Quem nos separará do amor de Cristo?… Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rom 8, 28.31.35).
3) «O calor do sol da fé». Com a luz que nos dá a fé na presença de Deus, podemos sentir aquele aconchego que, mesmo na proximidade de sua Paixão e Morte, Jesus sentia: «O Pai que me enviou está comigo. Ele não me deixa sozinho, porque eu sempre faço o que é do seu agrado» (Jo 8,29). É o «calor» do carinho de Deus, nosso Pai, que a fé nos faz experimentar de modo maravilhoso. Entendemos então o “mandamento da alegria” que dava São Paulo: «Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos… O Senhor está próximo. Não vos preocupeis com coisa alguma…» (Fil 4,4-6).
A caminho da «luz da vida»
Nesta primeira reflexão sobre a «presença de Deus», vamos ficar, por ora, apenas com essas considerações gerais sobre os motivos que temos para desejar sair quanto antes do túnel e viver sob «o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé».
Nas duas próximas meditações sobre o mesmo tema, procuraremos refletir, com a ajuda de Deus, sobre os modos práticos de ganhar presença de Deus e, ao mesmo tempo, sobre os frutos saborosos que a presença de Deus nos proporciona, ajudando-nos a viver todos os instantes da nossa vida com espírito cristão, esperança e alegria.
http://www.padrefaus.org/archives/813

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...