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quarta-feira, 3 de junho de 2015

QUEM FOR O MENOR ENTRE VÓS, ESSE É GRANDE

«Vinde», diz Cristo aos Seus discípulos, «e aprendei de Mim», não certamente a expulsar os demônios pelo poder do céu, nem a curar os leprosos, nem a dar luz aos cegos, nem a reanimar os mortos [...]; mas, diz Ele, «aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 28-29). Aí está, efetivamente, o que todos podem aprender e praticar. Fazer revelações e milagres nem sempre é necessário, nem vantajoso para todos, e também não é concedido a todos.
Pois a humildade é a mestra de todas as virtudes, o fundamento inabalável do edifício celestial, o dom próprio e magnífico do Salvador. Aquele que o possui poderá fazer, sem perigo de causar estranheza, todos os milagres que Cristo operou, porque procura imitar o Senhor manso, não na sublimidade dos Seus prodígios, mas na virtude da paciência e da humildade. Em contrapartida, quem se sente impaciente por se impor aos espíritos impuros, por dar saúde aos doentes, por mostrar às multidões sinais maravilhosos, bem pode invocar o nome de Cristo no meio de toda a sua ostentação; mas esse é estranho a Cristo, porque a sua alma orgulhosa não segue o mestre da humildade.
Eis o legado que o Senhor deixou aos Seus discípulos quando do Seu regresso para junto do Pai: «Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei»; e acrescenta de imediato: «Por isto é que todos conhecerão que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,34-35). É bem certo que, quanto menos mansos e humildes formos, menos cumpriremos este amor.


João Cassiano (c. 360-435), fundador de monastério em Marselha
Conferência n°15, 6-7 (a partir da trad. SC 54, p. 216 rev.)

OFERECER A DEUS VOSSO VERDADEIRO TESOURO

Muitos dos que, para seguirem Cristo, tinham desprezado fortunas consideráveis, enormes somas de ouro e de prata, propriedades magníficas, deixaram-se depois tocar por uma lima de unhas, por um alfinete, por uma agulha, por uma caneta… Depois de terem distribuído todas as suas riquezas por amor de Cristo, conservam a sua antiga paixão e entregam-se a futilidades, capazes de se enfurecerem só para as defender. Não tendo a caridade de que fala S. Paulo, a sua vida é marcada pela esterilidade. O bem-aventurado Apóstolo previa essa desgraça: “Mesmo que eu distribua todos os meus bens para alimento dos pobres e entregue o meu corpo às chamas, se eu não tiver caridade, isso não me serve de nada”, dizia ele (1 Co 13,3). Prova evidente de que não se alcança de repente a perfeição apenas pela renúncia a todas as riquezas e pelo desprezo das honrarias, se não se lhes juntar esta caridade que o Apóstolo descreve nos seus diversos aspectos.
Ora ela só existe na pureza de coração. Porque rejeitar a inveja, a ostentação, a cólera e a frivolidade, não procurar o interesse próprio, não se comprazer com a injustiça, não procurar o mal e tudo o resto (1 Co 13,4-5): o que é isso senão oferecer continuamente a Deus um coração perfeito e puríssimo, e guardá-lo indemne de qualquer paixão? A pureza de coração será, pois, o fim último das nossas ações e dos nossos desejos.

João Cassiano (360-435)
Conferências

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