terça-feira, 31 de março de 2020

O Bʀᴇᴠɪᴀ́ʀɪᴏ ᴅᴀ Cᴏɴғɪᴀɴᴄ̧ᴀ


O que pode abalar a confiança dos filhos nos pais - Blog ...


Caímos tantas vezes! Senhor, quanta miséria! Por que nos admirarmos de ser a enfermidade enferma, a fraqueza fraca, a miséria miserável? Que somos diante de Deus, que é o Divino Forte, senão fraqueza? Paciência! Nossa miséria é uma doença que não tem cura neste mundo. Nosso Senhor quer a nossa vontade. Ele faz o resto! A santidade não é obra de um dia. Enquanto não tocarmos a nossa miséria com o dedo e não nos convencermos do nada que somos, ainda nos resta muito a caminhar. As quedas têm esta vantagem: ajudam-nos a desprezar-nos, a desconfiar de nossas próprias forças e a só confiar em Deus. Essa é a razão porque caímos tanto.

Estejamos bem convencidos – diz o Padre Caussade (1) – de que nossa miséria é a causa de todas as nossas fraquezas e de que estas, Deus as permite por misericórdia. Sem isso, nunca nos curaríamos de uma presunção e de uma orgulhosa confiança em nós mesmos. Jamais compreenderíamos, como é preciso, que todo mal vem de nós e todo o bem somente de Deus. Só com “um milhão de experiências pessoais” é que se pode adquirir o hábito desse duplo sentimento…

Por que o desânimo quando nos achamos fracos e cobertos de miséria, caindo a cada passo? Que podemos nós? Humilhemo-nos! Paciência! Aspiremos à perfeição, à santidade, com e apesar de nossas misérias. Já temos um milhão de experiências pessoais?

(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 55)

📚 filhosespirituaisdepepio.blogspot.com

Estudando Santa Tereza D'Avila - Aula 02 - Primeiras Moradas, Capítulo I

Estudando Santa Tereza D'Avila - Aula 01 - Introdução ao livro

quarta-feira, 25 de março de 2020

Pequena oração de exorcismo ensinada por Santo Antônio


Para rezar a qualquer momento do dia e afastar as tentações

A tradição popular diz que Santo Antônio deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demônio.
Sisto V, Papa franciscano, mandou esculpir a oração – chamada também de “lema de Santo Antônio” – na base do obelisco que mandou erigir na Praça de S. Pedro, em Roma.
Eis o original, em latim:
Ecce Crucem Domini! +
Fugite partes adversae! +
Vicit Leo de tribu Juda, +
Radix David! Alleluia!

Eis a tradução:
Eis a cruz do Senhor! +
Fugi forças inimigas! +
Venceu o Leão de Judá, +
A raiz de David! Aleluia !

Esta breve oração tem todo o sabor de um pequeno exorcismo. Também nós podemos usá-la – em latim ou português – para nos ajudar a superar as tentações que se nos apresentam.


https://pt.aleteia.org/2016/02/03/pequena-oracao-de-exorcismo-ensinada-por-santo-antonio/

Judica me Deus


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Julgai-me, ó Deus, e separai minha causa duma gente não santa
Livrai-me do homem iníquo e enganador

Santo Afonso Maria de Ligório, o doctor moralis, eminente santo da Igreja, bispo, fundador dos redentoristas e patrono de nossa congregação mariana, como poucos santos tinha especial sensibilidade pela gravidade do pecado. Além de suas muitas meditações sobre o pecado mortal, em sua vida encontramos vários momentos que mostram o horror que ofender a Deus lhe causava.

Em 1737, S. Afonso, como várias vezes fez a convite do bispo, pregava o retiro aos padres em Nápoles. Comentando sobre a enorme gravidade que um pecado mortal tem ao ser cometido por um sacerdote exclamou: In sacerdotio, peccasti peristi – Para o sacerdote, pecar é condenar-se.

Um dos padres presentes no retiro, para grande escândalo e confusão de todos, levantou-se e bradou: Nego consequentiam – Eu nego essa consequência. S. Afonso, porém, calou-se. Na manhã seguinte, este infeliz sacerdote experimentou a consequência: ao iniciar as orações ao pé do altar, apenas finalizou as palavras “Judica me Deus” – julgai-me, ó Deus – e caiu morto nos degraus do altar.

Anos mais tarde, na casa dos redentoristas em Ciorani, S. Afonso mandou erguer um altar em honra a Nossa Senhora das Dores, por quem tinha especial devoção. Um dia, lemos em biografia, ao iniciar a Missa nesta capela, nas orações ao pé do altar, iniciou a oração do salmo 42. Um sacerdote o respondia como acólito.

Ao pronunciar o início do salmo 42 – Judica me Deus – S. Afonso repentinamente calou-se. Seus olhos se fixaram na imagem de Nossa Senhora das Dores. Pensando que estava distraído, o padre que o respondia continuou a partir das palavras “et discerne causam meam…“, uma, duas, três vezes. S. Afonso, porém, não continuou. Seus olhos estavam fixos na Imagem e sua boca, muda. Ele estava em êxtase.

Sua alma, contemplando o Coração de Maria dilacerado pelas espadas da Antiga Profecia de Simeão, voltou seus olhos para o horror do pecado mortal – Et afflixerunt Spiritum Sanctum eius – Considerou a multidão dos pecados do mundo e o estado deplorável de tantas almas comentem tão grande crime.

Por minutos, ficou em silêncio contemplando a Imagem da Mãe das Dores, até ser violentamente sacudido pelo padre, saindo do êxtase e voltando à Missa.

Julgai-me, meu Deus… Em sua imensa sensibilidade espiritual, em seu horror ao pecado e seus conselhos de como evitá-lo e fugir de suas insídias, que possamos rezar como Santo Afonso:


Senhor, Já basta o tanto que Vos ofendi; o restante de minha vida quero gastá-Lo amando-Vos e a chorar pelas ofensas que Vos dirigi. Arrependo-me de todo o coração. Meu Jesus, quero amar-Vos, dai-me forças. Maria, minha Mãe, ajudai-me.
 
https://salvemaria.com.br/judica-me-deus/

Meditação sobre os pecados próprios



Ponto I

Considera o número grande e horrível dos teus pecados, do qual poderá ser que a menor parte sejam os que tens na memória; mas que de alguma sorte te lembres deles ao menos confusamente, discorre por todos os lugares em que estiveste, por todas as ocupações que tiveste e por todos os anos que viveste. Oh, como é comprida aquela cadeia de culpas que tens cometido até agora! Sendo ordinariamente um pecado princípio e disposição para outro, não tens deixado parte da tua vida passada que não tenhas profanado com a tua maldade.

Os teus sentidos não foram até agora mais que umas portas por onde entrou o pecado no teu coração. As tuas potências interiores a que têm servido mais frequentemente que a serem instrumentos de todos aqueles vícios, dos quais é capaz o teu estado? Sendo que somente deixaste de cometer aquele mal de que não foste tentado ou de que não tiveste comodidade para o cometer. Sobretudo a tua vontade, feita para amar ao sumo Bem, quantas vezes se fez tão abominável com as coisas indignas e abomináveis que amou, voltando as costas para Deus com uma incrível facilidade, como se não tivesses sobre ti nem lei nem Senhor a quem obedecer.

Portanto, se não queres voluntariamente fazer-te cego, deves confessar que a tua alma é como Jó era no seu corpo, toda cheia de chagas e de podridão e como que uma peçonhenta postema diante dos olhos de Deus. E se um só pecado, se é venial merece a morte, e se é mortal merece demais o inferno , quantas vezes tens tu merecido morrer e quantas mereceste ser precipitado no inferno?

Poderás logo tu negar que a misericórdia de Deus tem sido muito grande para contigo, pois não somente te suportou a ti carregado de tantas culpas, mas te tem, além disso, feito tanto bem? Até quando queres prosseguir em abusar desta mesma divina Misericórdia?

Dá-te duma vez por vencido à bondade do Senhor; confessa a tua malícia e detesta-a quando puderes; pede ao mesmo Deus um arrependimento igual aos teus excessos, propondo de amar daqui por diante a Deus tanto mais fervorosamente, quanto mais ousadamente o tens ofendido, e confiando que Ele benignamente te dará os seus auxílios para não tornares jamais a ofendê-lo.



Ponto II

Considera, além disso, o número e o peso dos teus pecados. Falando das culpas veniais, cada uma delas é o maior mal do mundo, excetuando unicamente o pecado mortal; e falando das culpas graves, todo o pecado grave, por ser um mal que toca a Deus , vence com infinito excesso todos os males que pertencem puramente às criaturas. Portanto, quem empreendesse agravar a todas as criaturas possíveis, como todos estes agravos haviam de ser sempre de perfeições finitas e limitadas, não se poderiam comprar a um só pecado mortal, que agrava e ofende todas as perfeições infinitas de Deus.

Por esta razão a dívida que pelas suas culpas contrai uma alma pecadora, é tão grande que a não podem satisfazer todas as obras boas dos santos e nem as da Virgem Santíssima, ainda que se multiplicassem mil vezes; nem há outra coisa que possa fazer contrapeso na balança da Divina Justiça ao peso dum pecado, senão a Cruz do Redentor.

É pois, o pecado o sumo de todos os males, o único e verdadeiro mal; e todos os outros que nós chamamos males, são uma sombra de mal em comparação do pecado, que só é mal verdadeiro. E assim, se pudessem vir em competência com um pecado todas as penas do inferno, sem ele seria menos infeliz quem as padecesse todas do que quem cometesse uma só culpa grave.

Este é o peso duma só ofensa grave contra a vontade divina. Donde tem certamente um coração de pedra quem não estremece de ter cometido tantas culpas tão francamente como se ofendesse a um Deus fingido.

Que te resta, pois, senão chorar esta temeridade e esta dureza, desejando uma dor maior que todas as dores, para honrares com ela aquela Majestade infinita que tão enormemente desprezaste? Pede de coração a Deus esta dor, já que és tão miserável que podes pecar , mas não te podes dignamente arrepender sem ajuda daquela graça que tantas vezes tens desmerecido: representando ao mesmo Deus que, assim como mostrou tanto a sua paciência em sofrer os teus pecados, assim mostre agora a sua bondade e a sua onipotência em os destruir, concedendo-te o dom da verdadeira penitência.

São Pedro arrependido de Gerrit van Honthorst



Ponto III

Considera a medida, além do número e do peso das tuas culpas. Esta medida é a retribuição que deste àquela outra tão grande medida dos benefícios divinos que recebeste.

Considera, pois, um pouco atentamente a multidão e excelência dos bens que Deus te tem concedido, tanto aqueles que são comuns a todos, quanto aqueles que são especiais, nos quais foste preferido às outras criaturas. Pondera logo quanto desmereceste estes benefícios; pondera também a infinita grandeza do teu benfeitor, que é Deus, pela qual todo o dom mais pequeno vem a ser sumamente estimável; e juntamente pondera o seu infinito amor para contigo, elegendo-te desde a eternidade para te fazer tanto bem. Se o Senhor viesse do Céu à terra, se fizesse pobre, se humilhasse, padecesse e morresse somente por amor de ti, que diriam os anjos e os homens vendo-te tão ingrato para com o mesmo Senhor? Pois é certo que não menos te tem Ele obrigado, porque com tanto amor se humilhou, trabalhou, padeceu e morreu por ti, como se fosses somente tu no mundo o que havias de receber o fruto.

Vendo-te, pois, tu obrigado por tantos e tais benefícios, te devia parecer impossível não somente o querer, mas também o poder ofender a Deus, e devias tu também dizer: como é possível que eu tão gravemente ofenda ao meu sumo Benfeitor? Porém, tu não somente O pudeste e quiseste ofender, depois de receber d’Ele tantos benefícios, mas ainda no mesmo tempo em que Ele tos fazia com tanta liberalidade, O ofendeste com incrível ingratidão, servindo-te dos mesmos benefícios como de armas que arrojavas contra o próprio Deus.

Oh, coisa estupenda que Deus te tenha criado de nada, e que tu por nada O tenhas desprezado e injuriado! Que Deus te tenha anteposto a tantos e tantos para te fazer bem, e que tu O tenhas posposto ao teu corpo que é um saco de terra e de podridão! Que Deus fosse morto para te dar vida, e que tu em vez de dar a vida por Ele lhe tenhas renovado e aumentado as chagas; e em vez de O amar como deves, O tenhas amado menos que uma sombra de bem que já passou!

Confere um pouco juntamente estas duas medidas, aquela com que tu foste medido de Deus pelos benefícios, e aquela com que tu lhe correspondeste com as culpas, e confunde-te a ti mesmo diante do mesmo Senhor e diante dos anjos e santos da sua corte que tão fielmente O serviram: renova também diante d’Ele a tua profissão de cristão, obrigado por tantos títulos a servir a teu Criador e Redentor. Pasma de que todas as criaturas te tenham sofrido, e não se voltassem contra ti para vingarem as injúrias que tens feito ao seu Senhor. Confessa que tens merecid

o que a terra se abra e te subverta, que o ar te sufoque, que o sol te abrase com os seus raios, e que se faça outro inferno de propósito para ti, com fogo muito mais abrasador e com demônios muito mais cruéis, pois pela tua ingratidão tens sido pior que os mesmos demônios.

Finalmente, já que Deus te concede tempo para te emendares, promete uma nova vida para o futuro, pedindo ao Senhor que a tantos benefícios que te tem feito, ajunte este de te perdoar as tuas culpas passadas e dar-te abundante graça para nunca mais eternamente O tornares a ofender.
 
https://salvemaria.com.br/meditacao/sobre-os-pecados-proprios/

sábado, 7 de março de 2020

"Fecundidade."


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Mater Christi...

Há, porém, alguma coisa de ainda maior a admirar em Maria: a fecundidade junta à virgindade. Nunca se ouvir dizer que alguma mulher fosse ao mesmo tempo mãe e virgem.


Mas se tu prestas atenção à de quem ela é mãe, até onde ira tua admiração por sua excelência extraordinária? Não é de constatar que tu não podes admirar suficientemente?

A teu julgamento, ou antes, ao julgamento da Verdade, aquela que teve Deus por filho não deverá ser “exaltada mais alto que todos os coros de anjos?“.

Deus, o Senhor dos anjos, não ousou Maria chamá-lo seu filho quando disse “Meu filho por que nos fizeste isso?”.

Qual dos anjos o teria ousado? Basta-lhes, e eles consideram como grande, sendo espíritos por natureza, servirem e serem chamados, por graça, de mensageiros, segundo o testemunho de Davi: “ele fez dos espíritos seus mensageiros”.

Maria, por seu lado, que sabe que é sua mãe, dá com confiança esse nome de filho à Majestade que os anjos servem com respeito. E deus não desdenha ser chamado daquilo que se dignou ser.

Um pouco além, com efeito, o evangelista ajunta: “E Ele lhes era submisso”. Quem, e a quem? Deus a homens. Sim, Deus a quem os anjos estão submetidos, a quem obedecem aos Principados e as Potestades, Deus era submisso a Maria.

E não apenas a Maria, mas também a José por causa de Maria. Admira uma e outra coisa, e escolhe a que é mais admirável: ou o dulcíssimo abaixamento do filho, ou a sobreeminente dignidade da mãe. Dos dois lados, é maravilhoso: que Deus obedeça a uma mulher, eis uma humildade sem exemplo; que uma mulher comande a Deus, eis uma sublimidade sem igual.

Canta-se, em honra das virgens, que elas “seguem o Cordeiro onde quer que Ele vá”. De que glória se julgará digna, então, aquela que caminha diante d'Ele?

- São Bernardo

Cristo abre-nos o caminho


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"Ascensão do Senhor."



«Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria Eu dito que vos vou preparar um lugar?» [Jo 14,2] [...] O Senhor sabia que muitas dessas moradas já estavam preparadas e esperavam a chegada dos amigos de Deus.

Atribui, portanto, outro motivo à sua partida: preparar o caminho para a nossa ascensão a esses lugares no Céu, abrindo uma passagem, visto que, até então, ele nos era inacessível.

Porque o Céu estava completamente fechado aos homens, e nunca um ser de carne tinha penetrado nesse santíssimo e puríssimo domínio dos anjos.

É Cristo quem nos inaugura esse caminho rumo às alturas. Ao oferecer-Se a si mesmo ao Pai como primícias dos que dormem nos túmulos da terra, permite à carne subir ao Céu, e Ele próprio é o primeiro homem a aparecer aos seus habitantes.

Os anjos, que não conheciam o mistério grandioso de uma entronização celeste da carne, contemplaram com assombro e admiração essa ascensão de Cristo.

Quase perturbados perante esse espetáculo inaudito, exclamaram: «Quem é Este que vem de Edom?» [Is 63,1], isto é, da terra. Mas o Espírito não lhes permite que permaneçam na ignorância, e [...] ordena que se abram as portas diante do Rei e Senhor do universo: «Levantai, ó portas, os vossos umbrais, alteai-vos, pórticos antigos, e entrará o Rei da glória» [Sl 23,7].

Portanto, nosso Senhor Jesus Cristo inaugurou para nós «um caminho novo e vivo»; como diz São Paulo, «Ele não entrou num santuário feito por mão humana [...], mas entrou no próprio Céu, para Se apresentar agora diante de Deus em nosso favor»
[Heb 10,20; 9,24].

- São Cirilo de Alexandria

"A permuta dos corações."


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"Santa Catarina de Sena estava um dia a meditar as palavras do profeta “Cria em mim Senhor um coração puro”, e rogava a Deus que lhe retirasse o seu coração, no qual se enraizava toda a obstinação, teve uma visão na qual lhe apareceu o Noivo celestial, lhe abriu o peito, lhe retirou o coração e o levou consigo.

A impressão e reação física foram muito intensas, como se já não possuísse coração para viver.

Dois dias mais tarde, depois da Eucaristia em que tinha participado e da qual tinha comungado, estando a rezar na capela della Volte, apareceu-lhe novamente Jesus. Na sua mão trazia um coração humano, vermelho e brilhante de luz.

Quando Santa Catarina viu como ele brilhava baixou o rosto e então novamente o Senhor lhe abriu o peito e lhe introduziu o coração, ocupando o lugar deixado pelo outro que lhe tinha retirado dias antes. Disse-lhe então: “Minha querida filha, o outro dia retirei o teu coração; hoje dou-te o meu, para que possas gozar de vida eterna”.

Quando Santa Catarina contou o sucedido a frei Tommaso della Fonte, seu confessor, ele riu-se dela, pois no conjunto dos seus conhecimentos não era possível alguém viver sem coração.

Contudo Santa Catarina não deixou de afirmar e reafirmar o sucedido, os seus próprios sentidos e a palavra de Deus não a deixavam duvidar. Os amigos mais íntimos asseguraram também a frei Tommaso que tinham visto com os seus próprios olhos, no lado esquerdo do peito, a cicatriz que testemunhava a permuta de corações, e ele acreditou no sucedido.

A partir desse dia Santa Catarina nunca mais disse “Senhor ofereço-te o meu coração”, mas sempre “Senhor, ofereço-te o teu coração”. E quando comungava o coração batia-lhe com tal violência e alegria que os que estavam ao seu lado o ouviam e ficavam espantados."

A virtude da temperança