quarta-feira, 26 de abril de 2017

Santa Teresa de Jesus - 500 anos de seu nascimento

Santa Teresa d’Ávila  ou Santa Teresa de Jesus,
nasceu em 28 de março de 1515, portanto, neste ano de 2015, completam-se 500 anos de seu nascimento.
O Carmelo preparou-se durante os últimos cinco anos para esta grande Festa. Vamos nos preparar também, lendo mais passagens de sua Vida tão preciosa:
Maria Odila Zaganin
               Ela viveu e ensinou a Oração Pessoal como sendo a busca de uma intimidade maior com Deus.   Escreveu como um poeta, cantando as Glórias do Senhor do Céu e da Terra,
     depois de ter convivido misticamente com Ele.
Reformou e aperfeiçoou o estilo de vida religiosa. Foi doutora em matéria de religião e de religiosidade. Ultrapassando os limites de si mesma, ela foi mais além:
foi
Santa
  
               Teresa de Cepeda y Ahumada ou Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515. Teresa foi mulher de grande inteligência e sabedoria. Seus pais, Alonso Sanchez de Cepeda e Beatriz d'Ávila y Ahumada, a educaram, junto com os irmãos, dentro do exemplo e dos princípios Cristãos. Quando criança se encantou tanto com a leitura da vida dos santos mártires, que combinou fugir com o irmão para uma região onde muitos Cristãos eram martirizados e, se não fossem os parentes terem-na encontrado por acaso, teria fugido, levando consigo o irmão Rodrigo. Desde então, Teresa amava a solidão. Em seu quarto tinha um quadro que representava Jesus falando à Samaritana. Ela gostava de repetir diante do quadro: "Senhor, dá-me de beber para que eu não volte a ter sede".
               A ideia e o desejo do martírio ficaram, entretanto, profundamente gravados no coração da menina. Quando tinha 12 anos, perdeu a boa mãe. Prostrada diante da imagem de Nossa Senhora, exclamou: “Mãe de misericórdia, a vós escolho para serdes minha Mãe.  Aceitai esta pobre orfãzinha no número das vossas  filhas”.  A proteção admirável que experimentou durante toda a vida, da parte de Maria Santíssima, prova que esse pedido foi atendido.
               Deus permitiu que Teresa por algum tempo, enfastiando-se dos livros religiosos, desse preferência a  uma leitura profana, que poderia  pôr-lhe em perigo a Alma. Também umas relações demasiadamente íntimas com parentes, um tanto levianas, levaram-na ao terreno escorregadio da vaidade.  O resultado disto tudo foi ela perder o primitivo fervor, entregar-se ao bem-estar, companheiro fiel da ociosidade sem, entretanto, chegar ao extremo de perder a inocência.
               O pai, ao notar a grande mudança que verificava na filha, entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas.  A conversão foi imediata e firme. No entanto uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para a casa paterna. Durante esta doença, percebeu o profundo desejo de abandonar o mundo e servir a Deus, na solidão de um Claustro. O que a ajudou na decisão foi à leitura das "Cartas" de São Jerônimo, cujo fervoroso realismo encontrou eco na alma de Teresa.  
               A jovem comunica ao pai que desejava tornar-se religiosa, mas este pediu-lhe para esperar que ele morresse para ingressar no Convento. Temendo fraquejar em seu propósito, a Santa foi visitar escondidamente sua amiga Joana Suarez, que era religiosa no Convento Carmelita da Encarnação, em Ávila, com a intenção de não voltar para casa.  No meio do caminho lhe sobreveio uma grande repugnância pela Vida Religiosa, e por pouco teria desistido da ideia. Vendo em tudo isto uma cilada do inimigo de Deus e dos homens, seguiu resolutamente o caminho e ao transpor o limiar do Mosteiro, os receios e escrúpulos deram lugar a uma grande calma e alegria no coração.
               No entanto a vida no Convento não era o que ela esperava, porque as Irmãs Carmelitas não praticavam rigidamente os princípios da pobreza e do isolamento. Durante o tempo do Noviciado, foi provada por outro relaxamento no fervor religioso, pois muito se apegou às criaturas e conversas destrutivas, assim como conta em seu Livro da Vida.  Em 1536 sua saúde se deteriora e ela é levada de volta para casa pelo pai. Joana Suarez parte com Teresa para ajudá-la em seu tratamento. Praticamente desenganada pelos médicos, ela transcende sua dor com o auxílio de um pequeno livro que ganhara de seu tio Pedro – O Terceiro Alfabeto Espiritual, de autoria do Padre Francisco de Osuna. Graças a esta Obra, ela começa a praticar a Oração Mental. Depois de três anos, ela resgata sua saúde e volta para o Carmelo.
               Durante algum tempo, Teresa permaneceu indecisa entre os valores materiais e os espirituais. Era hábito nesta época, nos Monastérios espanhóis, as Irmãs receberem visitantes em um espaço conhecido como Locutório. Ela se demorava muito tempo neste local, interagindo com as pessoas ligadas ao mundo exterior, que a visitavam constantemente, oferecendo-lhe presentes. Isto a levou há deixar um pouco de lado a prática da Meditação e da Oração. Alertada por seu Confessor, retomou este hábito esquecido, mas ainda não conseguia se devotar completamente ao Criador.
               Ao se conscientizar de suas fraquezas, Teresa busca inspiração em Santo Agostinho, do qual lê as Confissões, e olhando uma imagem de Cristo muito sofrido e ensanguentado perguntou: "Senhor, quem vos colocou aí?" Pareceu-lhe ouvir uma voz: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa". Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à Santidade. Assumiu a partir desta experiência a sua Conversão e voltou ao fervor da Espiritualidade Carmelita, a ponto de criar uma Espiritualidade modelo.
Cristo Padecente. Estátua no Convento da Encarnação, em Ávila. Contemplando este “Cristo gravemente ferido“, Santa Teresa de Jesus provavelmente experimentou, no ano de 1554, sua “Conversão” definitiva, começando a sentir em si, vivamente, a presença de Deus.
 
 
               Em um determinado período, de 1555 a 1556, Teresa tem visões e ouve vozes. Ela não só afirma ver Jesus, como também São Francisco de Assis e Antônio de Pádua ao lado de São Pedro de Alcântara, um dos melhores amigos da Religiosa, atuando como Assessores em uma Cerimônia Litúrgica. Este Santo acompanhou Teresa em sua prática religiosa, orientando-a em sua caminhada.
               Profunda era a dor que sentia dos pecados cometidos e dolorosas eram as Penitências que fazia, se bem que os Confessores  opinassem que nenhuma dessas faltas chegava a ser grave.   Em outra visão lhe foi mostrado o lugar no inferno, que lhe teria sido reservado, se tivesse seguido o caminho das vaidades. De tal maneira se impressionou com esta revelação, que resolveu restabelecer a Regra Carmelitana, em todo o rigor primitivo. Esse plano, embora tivesse a aprovação do Papa Pio IV, a mais decisiva resistência encontrou da parte do Clero e dos Religiosos. Teresa, porém, tendo a intenção de agir por Vontade de Deus, pôs mãos à obra e venceu. Teresa viveu 27 anos no Mosteiro da Encarnação. Em 1562, com 47 anos, Teresa deu início à Reforma dos Carmelos tão numerosos na Espanha. Obra gigantesca que exigiu de sua Vocação para a Contemplação: doação total à ação, suas lutas e experiências místicas.
               Em 1567, Teresa conhece Frei João da Cruz, seu grande companheiro nas Fundações. Ele vivia uma crise vocacional, desejando sair do Carmelo em busca de uma vida mais radical. Mas ela o convence a viver essa radicalidade no Carmelo mesmo. Santa Teresa e São João da Cruz sofreram perseguições por causa da Reforma. Chegaram a ser acusados perante a Santa Inquisição.
               No mesmo ano, determinada a seguir com rigor sua Religiosidade, ela funda o Convento de São José, em Ávila, aliada a outras Irmãs desejosas de prosseguir no mesmo caminho. Desta forma, ela quebra os elos com a Vida Religiosa da época, vista como um refúgio para quem desejava uma vida mais branda e desprovida de dificuldades. Apesar de ter seu projeto aprovado por São Pedro de Alcântara, por São Luís Beltrán e pelo Bispo de Ávila, e a permissão do Padre Gregório Fernandez, Provincial dos Carmelitas, para sua execução, ela foi amplamente censurada por nobres, juízes, pela camada popular e até mesmo por suas companheiras de Apostolado.
               A cerimônia de abertura do novo Convento causou grande polêmica na cidade de Ávila. Teresa foi chamada por seus superiores para se explicar e obteve a promessa do Padre Provincial de que, assim que as coisas se acalmassem, ela poderia retornar para seu recém-inaugurado Convento. Em 1568, ela foi liberada para prosseguir sua tarefa de renovação e assim, ao longo de sua caminhada, instituiu mais Conventos, sendo por isso chamada de ‘freira ambulante’, por suas constantes viagens.
               Trinta e dois mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) foram por ela fundados e outros tantos reformados.  Em todos, tanto no Convento dos Religiosos, como das Religiosas, entrou em vigor a Antiga Regra. São João da Cruz foi quem assumiu e escreveu as Regras para o segmento masculino, a pedido de Santa Teresa.
               Não tardou que, em 1576, no seio da Ordem se levantasse uma grande tempestade contra a Reforma. Veio a proibição de novas Fundações, e Teresa viu-se obrigada a se recolher a um dos Conventos.  Parecia ter-se declarado o fracasso da sua obra: Foi quando interveio o rei Felipe II. A perseguição afrouxou só pouco a pouco e, em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autônoma a Província Carmelitana Descalça.
               Esta Obra sobre-humana não teria tido o resultado brilhante que teve se não fosse a execução da Vontade Divina e se Teresa não tivesse sido toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas Virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de profundos Conhecimentos Teológicos.
               Santa Teresa teve o dom de ler nas consciências e predizer coisas futuras, não lhe faltou a cruz dos sofrimentos físicos e morais. No seio das maiores provações, nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo Céu e pela Terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a Vontade de Deus. No SS. Sacramento, achava a forma necessária para a luta e para a vitória.
               Teresa em sua Obediência atendeu pedido de seus superiores, registrou toda a sua vida atribulada de tentações e Espiritualidade Mística em livros como "Caminho da perfeição", “Castelo Interior ou Moradas” e “Livro da Vida” e outros.
Um anjo transpassa o coração de Santa Teresa de Jesus com o Dardo ardente do Amor  Divino ( Transverberação ).
 Retábulo ( 1646 ) de Lorenzo Bernini, Roma, Santa Maria della Vittoria.
 
               Neles, ela própria narra como um Anjo transpassou seu coração com uma seta de fogo. Escreveu poemas famosos e de grande valor Espiritual como "Nada te perturbe", "Alma, busca-te em Mim", "Morro porque não morro" e outros, que são ainda hoje, fontes de perene vida e seta que aponta a finalidade da Via Carmelita: União absoluta com Deus até se formar uma espécie de Matrimônio Espiritual entre a Alma e Deus.
 
               Em sua Biografia há Capítulos, que dão testemunho da intensidade da sua vida interior.  O que diz sobre os quatro degraus da Oração, isto é, sobre o Recolhimento, a Quietação, a União e o Arrebatamento, é realmente aquilo que a Oração da sua festa chama “Pábulo da Celeste Doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo.
 
               Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada à hora da morte. Com muita devoção recebia os Santos Sacramentos, e constantemente rezava Jaculatórias como estas: “Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente.“ – “Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha de Igreja Católica, quero morrer.” --  “Senhor, não me rejeiteis a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar”.
 
               Em uma de suas viagens, para a cidade de Alba de Tormes, acompanhada pela Beata Ana de São Bartolomeu, sentiu-se muito fraca e, três dias depois de chegar ao local planejado, faleceu, quando os últimos Sacramentos foram aplicados pelo Padre Antônio de Heredia.  Santa Teresa morreu no dia 4 de outubro de 1582, com idade de 67 anos no Convento de Alba de Torres, Espanha. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo. Até o presente dia se conserva intacto. Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, acha-se guardado num precioso relicário na Igreja das Carmelitas em Alba.
 
               Santa Teresa D’Ávila foi beatificada em 1614; canonizada em 1622 sendo em 27 de setembro de 1970, pelo Papa Paulo VI, proclamada Doutora da Igreja. Sua festa é comemorada no dia 15 de outubro.
Cronologia 
1515 – 28 de março: Nascimento de Teresa de Ahumada y Cepeda em Ávila; 4 de abril:   Batismo.
1519 - Nascimento de seu irmão, Lourenço.
1520 - Nascimento de seu irmão, Antônio.
1521 - Nascimento de seu irmão, Pedro.
1522 - Teresa foge com seu irmão Rodrigo; nasce seu irmão, Jerônimo.
1527 - Nascimento de seu irmão, Agostinho.
1528 - Nascimento de sua irmã, Joana e morte de D. Beatriz de Ahumada, sua mãe.
1531 - Teresa entra como aluna interna no Convento de Nossa Senhora da Graça.
1535 - 2 de novembro: foge de casa para a Encarnação
1536 - 2 de novembro: Teresa toma o Hábito
1537 - 3 de novembro: professa como Carmelita no Convento da Encarnação.
1538 - Outono: sai enferma do Convento da Encarnação. Lê o “Tercer abecedário”
1539 - 15 de agosto: colapso de quatro dias na casa paterna; regressa ao Convento da  Encarnação; paralítica durante “quase três anos”.
1542 - curada, abandona a Oração.
1543 - Morre seu pai D. Alonso de Cepeda; à época, Pe. Vicente Baron é seu Diretor Espiritual.
1546 - Morre seu irmão Antônio de Cepeda em Iñaquito, Peru.
1554 - Converte-se perante um Cristo chagado; Os jesuítas instalam-se em Ávila.
1556 - Confessor: Pe. Baltasar Alvares
1557 - Morte de seu irmão Rodrigo de Cepeda no Chile; Colóquio com São Francisco de
 Borja.
1559 - “Eu te darei o livro vivo”: visões de Jesus Cristo
1559-60 - Visão do inferno;Teresa e suas companheiras resolvem fundar o Convento São José
 conforme a Regra Primitiva do Carmelo; encontro com São Pedro de Alcântara; escreve a primeira Relação.
1561 - Iniciam os trâmites para a Fundação; 24 de dezembro: ordem para mudar-se para 
 Toledo, casa de dona Luisa de la Cerda.
1562 - Teresa permanece algum tempo na casa de D. Luísa de la Cerda, em Toledo; 7 de
 fevereiro: rescrito apostólico autorizando a Fundação; junho: termina a primeira redação
 do Livro da Vida; em 24 de agosto funda o Convento de São José e regressa à Encarnação.
1563 - Sai do Convento da Encarnação e passa a residir no de São José. Encerra-se o
 Concílio de Trento.
1564 - 21 de outubro: Primeiras Profissões no Convento São José
1565 - 17 de julho: Bula de Pio IV, pobreza do novo Carmelo; Fernando de Cepeda, seu
 irmão, morre na Colômbia.
1566 - redige Caminho de Perfeição; agosto: visita do Pe. Maldonado, Missionário na Índia
1567-– 18 de fevereiro: Chega a Ávila o Padre Rubeo e dá a Teresa autorização para fundar
 Mosteiros de Freiras e Frades; 27 de abril: Rubeo concede-lhe autorização para fundar; 13 de agosto: Fundação do Mosteiro de Medina del Campo; primeiro encontro de Teresa com João da Cruz.
1568 - Redação das Constituições das Carmelitas Descalças; abril: Fundação do Convento de
 Malagón; 9 de agosto: de Medina; 15 de agosto: de Valladolid; 28 de novembro: João da
 Cruz funda o primeiro Convento dos Frades Carmelitas Descalços em Duruelo.
1569 - 14 de maio: Fundação dos Conventos de Descalços em Toledo; 22 de junho: fundação do Convento das Monjas em Pastrana; 26 de agosto: nomeação de visitadores dominicanos.
1570 - 1º de novembro: Fundação do Convento de Salamanca.
1571 - 25 de janeiro: Fundação do Convento de Alba de Tormes; torna-se Superiora do
 Convento de Medina del Campo e em 6 de outubro do da Encarnação.
1572 - João da Cruz torna-se Capelão do Convento da Encarnação; no final de 1572 e início de 1573 escreve
 Resposta a um Desafio ( Adaptado de: www.google.com.br - Escritos de Santa Teresa d'Ávila; 18 de novembro: Graça do Matrimônio Espiritual.
1573 - 25 de agosto: começa a redação das Fundações em Salamanca.
1574 - Março: viaja de Alba para Segóvia com São João da Cruz; 19 de março: fundação do
Convento em Segóvia; 7 de abril: chega a Segóvia a Comunidade de Pastrana; 6 de outubro: termina no Convento da Encarnação o seu mandado de Priora; regresso a São José de Ávila.
1575 – 24 de fevereiro: fundação do Convento de Beas; abril-maio: encontro com Gracián em
 Beas; 29 de maio: fundação do Convento de Sevilha; julho: Inquisição toma o autógrafo de Vida; 12 de agosto: chega da América a Espanha Lourenço; denunciada à Inquisição de Sevilha.
1576 - Fundação do Convento de Caravaca por Ana de Santo Alberto; 4 de junho Teresa sai
de Sevilha e instala-se no Convento de Toledo. Retoma o livro das Fundações e escreve o
Modo de Visitar os Conventos.
1577 – janeiro-fevereiro: episódio do Vejámen; 2 de julho: Teresa começa a escrever o
Castelo interior, que será terminado em 29 de novembro; 27 de julho: em Ávila, o Carmelo
de São José passa à Jurisdição da Ordem; São João da Cruz é raptado na noite de 3 para 4
de novembro. Teresa cai da escada e desloca o braço esquerdo em 24 de dezembro.
Braço esquerdo de Santa Teresa de Jesus. Convento de Alba de Tormes.

1578 - Morte do Pe. Rubeo, Superior Geral do Carmelo; em Ávila chegam os Breves
condenatórios de Sega (23 de julho – 20 de dezembro)
1579 – 6 de junho: quatro avisos aos Descalços; viaja a Medina, Valladolid, Salamanca,
Alba, Ávila, Toledo e Malagón; 24 de novembro: chega a Malagón
1580 - Fundação do Convento de Villanueva de la Jara, 21 de fevereiro. Viaja de
Villanueva a Toledo, Madri, Segóvia; 22 de junho: Breve de separação dos Descalços; 26 de
junho: morre seu irmão, Lorenço, em La Serna; agosto: gravemente enferma em Valladolid;
20 de dezembro: fundação de Palencia.
1581 – 3 de março: Capítulo de Alcalá; escreve a Relação 6; 3 de junho: fundação de
Soria; viaja para Soria, Osma, Villacastin, Ávila; 10 de setembro: Priora no Convento São
José, de Ávila.
1582 – Janeiro: sofrida viagem de Ávila a Burgos; 20 de janeiro: São João da Cruz e Ana
de Jesus fundam em Granada; abril: sai a primeira expedição de Carmelitas Missionários
para a África; 19 de abril: fundação de Burgos; 26 de julho: deixa Burgos; viagem para
Palencia, Valadolid, Medina e Alba de Tormes; 20 de setembro: chega a Alba de Tormes, enferma. 4 de outubro morre em Alba de Tormes.
Revisado Ortográfica: Eulália M. S. Marcondes
 
Relicário com o coração de Santa Teresa de Jesus na Igreja do Convento de Alba de Tormes.
Saltério que Santa Teresa de Jesus tocava. Convento de Alba de Tormes.

Carta de Jesus para você: da minha cruz à sua solidão

Eu escrevo da minha cruz à sua solidão. A você, que tantas vezes olhou para mim sem me ver e me ouviu sem me escutar. A você, que tantas vezes prometeu me seguir de perto e, sem saber por quê, se distanciou das pegadas que lhe deixei no mundo para que você não se perdesse.
A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me procura sem me achar e às vezes perde a esperança em me encontrar. A você, que de vez em quando pensa que eu sou apenas uma lembrança e não compreende que estou vivo.
Eu sou o começo e o fim; sou o caminho para você não se desviar, a verdade para que você não erre, e a vida para que você não morra. Meu tema favorito é o amor, que foi minha razão para viver e para morrer.

Fonte: Facebook

quarta-feira, 12 de abril de 2017

BONDADE: A BONDADE CULTIVA O BEM

O homem bom faz bem aos outros somente com a sua presença, pela força atraente das virtudes. Mas o seu influxo benéfico não se limita a isso. Já víamos que tem a disposição de trabalhar, de fazer alguma coisa para que o bem desabroche nos outros. Vive, para dizê-lo em poucas palavras, a serviço do bem dos outros.
Não há dúvida de que este é um belo ideal de vida. Quem não almeja passar pelo mundo, como Cristo, fazendo o bem (At 10, 38), deixando uma esteira de bondade? “Que a tua vida – lê-se em Caminho – não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor” (n. 1). Estas palavras são todo um empolgante programa de bondade.
A este propósito, lembro-me de um livro que me causou impressão. Intitulava-se “Viveu para ninguém”, e era o romance de um homem medíocre, vulgar, que passou pelo mundo sem deixar rasto algum. Dele se poderia dizer, como um triste epitáfio, que teria dado na mesma se nunca tivesse existido. Seria penoso que um tal epitáfio se pudesse aplicar a nós.
Pois bem, é hora de nos perguntarmos sinceramente o que nós deixamos de bom nos corações e nas vidas dos que vivem e trabalham conosco. Como estamos contribuindo para o seu bem?
Comecemos por convencer-nos de que a primeira ajuda que devemos prestar-lhes consiste em não lhes criar dificuldades. Porque, infelizmente, com frequência somos mais obstáculo do que auxílio. E o pior é que não nos apercebemos disso. Se nos dissessem: “A sua esposa, o seu filho, o seu colega, o seu pai, têm tais e tais problemas, tais e tais defeitos, e você é a causa deles”, levaríamos uma surpresa. “Como assim?”, retrucaríamos. “Eu, que tenho que sofrer esses defeitos, ainda por cima sou culpado deles?” Pois sim, muitas vezes somos.
Tomemos por exemplo um honesto pai de família, trabalhador abnegado, daqueles que “só vivem para a família”. Trabalha em dois empregos e volta cansado ao lar. Ao mesmo tempo, tem um temperamento fechado, não é homem de muitas palavras. Os familiares veem-no soturno e calado, e não se atrevem a interferir no seu aparente mau humor. Caso lhe perguntem: “Está aborrecido? Acontece-lhe alguma coisa?”, responderá, com olhar de surpresa, que não lhe acontece nada. Talvez acrescente: “Sou assim mesmo, é o meu jeito”.
Ora, acontece que esse “jeito” é uma barreira. Bloqueia o diálogo com a esposa e os filhos. A mulher, sentindo-se cada vez mais isolada, sem poder compartilhar as suas fadigas com o marido, irá ficando cada vez mais nervosa e multiplicará as faltas de paciência com as crianças. O marido lamentará que os nervos da mulher estejam criando um ambiente pesado no lar. Mas nem lhe passará pela cabeça que foi ele quem o provocou, com a sua cômoda abstenção. Se tivesse aprendido a chegar ao lar sorrindo, acolhendo, interessando-se pelos problemas da mulher e dos filhos, teria criado condições para um diálogo amável. Teria facilitado um clima cordial, em que os nervos dos outros se dissolveriam. E haveria paz.
De modo análogo, podemos pensar no chefe de um escritório que reclama da falta de iniciativa de um dos seus subordinados: acha que é um homem sem garra no trabalho, que lhe falta entusiasmo e realiza as suas tarefas de modo rotineiro e como que a contragosto. Certamente, este não é o estado de ânimo ideal para um trabalho dinâmico e criativo. Mas de quem é a culpa? Pode muito bem suceder que semelhante inibição e falta de eficiência do empregado tenha sido provocada por esse mesmo superior, que nunca soube incentivá-lo, nem teve paciência para ensiná-lo, nem lhe ofereceu o estímulo de uma palavra positiva, que fizesse o outro sentir-se valorizado. Só soube cobrar e criticar. Grande parte da culpa, sem dúvida nenhuma, é do chefe.
São atitudes desse tipo as que dificultam o bem dos outros, por causa das nossas brusquidões e omissões. Não há bondade ali: fazemos mais mal que bem.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

BONDADE: A PEDRA PRECIOSA

São Josemaria Escrivá, um sacerdote que irradiou bondade, despertando milhares de corações para o bem, costumava dizer que cada pessoa, cada alma, deve ser tratada como uma pedra preciosa.
Não existem duas pedras preciosas idênticas, que possam ser lapidadas da mesma maneira. O bom lapidador estuda-as uma a uma, e daí tira conclusões sobre o modo de extrair o máximo de perfeição e beleza de cada uma delas.
Assim deve ser com as almas. O estudo atento do lapidador é, neste caso, a afetuosa atenção que prestamos a cada pessoa, esforçando-nos por compreender o seu modo de ser, o porquê das suas arestas e pontos frágeis, as linhas em que melhor pode ser “trabalhada”. E o modo de tratá-la, de ajudá-la, decorrerá dessa prévia compreensão.
Para tanto, não é necessário possuir conhecimentos muito especializados de psicologia. Basta a psicologia do afeto, que proporciona uma profunda acuidade aos olhos. O amor de uma mãe não precisa de manuais de psicologia para intuir, de modo certeiro, o que está acontecendo com o filho. Basta o carinho, o interesse e a vontade de se dar.
Não esqueçamos, por outro lado, que todo bom lapidador é paciente, o que significa que tem a consciência de que, para transformar um diamante bruto num esplêndido brilhante, vai precisar de longo tempo, de trabalho minucioso, e que só pouco a pouco irá progredindo no seu lavor.
Eis aqui outra das manifestações da autêntica bondade. Assim como a bondade mole se compõe de superficiais pinceladas de amabilidade, a verdadeira bondade traduz-se numa dedicação infatigável. Dá-se sem pausa, espera sem cansaço e não desiste jamais. Persiste incansavelmente, sem abrandar a generosidade da entrega, até ver despontar finalmente os frutos; e aguarda confiante – permita-me – que as “sementes de bondade” dos outros acabem por germinar. A doação de um homem bom nunca é estéril.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

BONDADE: O VERDADEIRO BEM

Ser bom é “fazer o bem”. Mas qual é o bem maior, o bem mais verdadeiro?
De nada adiantaria empenharmo-nos generosamente em fazer o bem aos outros, se, no final das contas, terminássemos por descobrir que, pretendendo ajudá-los, involuntariamente lhes fizemos mal ou, o que vem a dar na mesma, lhes proporcionamos bens superficiais e omitimos o bem profundo. Daí a grande importância de não perdermos nunca de vista qual é o verdadeiro bem do homem, o único bem, sem o qual nenhum dos outros merece esse nome.
A resposta a essa pergunta sobre o bem já foi dada por Cristo: Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Ou que poderá dar o homem em troca da sua alma? (Mt 16, 26).
Estas palavras brilham como um farol no meio da escuridão. Nenhum “bem” vale a pena se a alma estiver privada da graça de Deus. Com efeito, sem a graça divina – a graça do Espírito Santo –, uma alma está morta e, então, as melhores qualidades e “bens” de que possa dispor não passam de flores vistosas enfeitando um cadáver. Estando ausente a vida, “de que aproveitam” as flores?
Deveriam pensar mais nisto todos os que amam, todos aqueles que, por terem a fé cristã, são capazes de compreender a perspectiva de Cristo. Sim, deveríamos entender que “querer bem” outra coisa não é que “querer o bem” do próximo, e que não há bem algum que mereça este nome quando falta Deus. “A quem tem Deus – dizia Santa Teresa de Ávila – nada lhe falta”. A quem não o tem, podemos acrescentar, nada lhe aproveita.
É excelente, sem dúvida, o empenho dos pais em que os filhos tenham saúde, cultura, bem-estar, capacitação profissional que lhes permita enfrentar com segurança o futuro. Mas é um empenho muito mais excelente e vital – por ser decisivo, questão de vida ou morte – esforçarem-se com a sua oração, o seu exemplo e uma orientação prudente e contínua, para que os filhos conheçam as verdades da fé cristã – a doutrina salvadora de Cristo – e aprendam a praticá-las.
Podem ter a certeza de que as virtudes cristãs de um filho vão fazer-lhe, ao longo da vida, um bem infinitamente maior do que todos os diplomas ou contas bancárias que lhes possam proporcionar. Mil vezes mais vale a fé do que a saúde, a união com Deus do que o sucesso. Só as virtudes cristãs são os tesouros verdadeiros de que Cristo falava (Mt 6, 19-20). E só esses tesouros proporcionam àqueles que amamos a “realização” – o bem e a plenitude –, quer nesta terra, quer na eternidade.
Sem esta convicção, todos os ideais de bondade se dissolvem como um sonho ilusório. Sempre deveria ecoar em nossos ouvidos, como um roteiro de bondade, o segredo que Cristo confidenciou a Marta: Tu te inquietas e te perturbas por muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada (Lc 10, 41-42). A “melhor parte” é estarmos junto de Cristo, atentos às suas palavras, fazendo da Vontade de Deus a luz e o norte da vida. Aí está o verdadeiro bem do homem.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

terça-feira, 4 de abril de 2017

É verdade que São Francisco “enxergava” a consciência dos outros?


Conta-se que ele sabia, por divina revelação, de todos os méritos e virtudes de seus companheiros

Só Deus conhece o que há no coração e na mente de cada pessoa. Contam-se muitas histórias sobre dons e graças particulares concedidos aos grandes santos: muitas dessas histórias são verificáveis porque se dispõe de testemunhos históricos. Outras, porém, chegaram até nós mediante relatos e pontos de vista de terceiros, sendo muito mais difíceis de “comprovar”. Como quer que seja, Deus é infinitamente capaz de dar os dons que quiser a quem bem quiser. E, de São Francisco de Assis, um dos dons que se contam é o de que podia saber dos méritos e também defeitos dos seus companheiros, conforme se vê no seguinte excerto dos famosos “Fioretti“, ou relatos poéticos sobre a vida do Pobrezinho de Assis, escritos e retransmitidos desde a Idade Média:
Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse no Evangelho: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem”, assim o bem-aventurado Pai São Francisco, como bom pastor, sabia por divina revelação de todos os méritos e virtudes de seus companheiros, e assim conhecia seus defeitos.
Razão pela qual ele sabia prover com ótimo remédio, isto é, humilhando os soberbos e exaltando os humildes, vituperando os vícios, louvando as virtudes; como se lê nas admiráveis revelações que tivera daquela sua primitiva família.
Entre as quais se fala que uma vez estando São Francisco com a dita família em um convento a tratar de Deus, e Frei Rufino não estando com eles naquela conversação, mas estava na floresta em contemplação.
Continuando a conversação sobre Deus, eis que Frei Rufino sai da floresta e passa um pouco diante deles. Então São Francisco, vendo-o, voltou-se para os companheiros e lhes perguntou dizendo-lhes:
Dizei-me qual acreditais que seja a mais santa alma, a qual Deus tenha agora no mundo?
E respondendo-lhe acreditarem que fosse a dele, São Francisco lhes disse:
Caríssimos irmãos, eu próprio sou o homem mais indigno e mais vil que Deus tem neste mundo; mas vedes aquele Frei Rufino, o qual sai agora da floresta? Deus me revelou que a alma dele é uma das três mais santas almas que Deus tem neste mundo; e firmemente vos digo que não duvidarei de chamar-lhe em vida São Rufino, porque sua alma está confirmada em graça e santificada e canonizada no céu por Nosso Senhor Jesus Cristo”.
E estas palavras não dizia São Francisco em presença do dito Frei Rufino.
Igualmente, como São Francisco conhecia os defeitos de seus frades, compreende-se claramente em Frei Elias, ao qual muitas vezes repreendia pela sua soberba, e em Frei João da Capela, ao qual predisse que se devia enforcar, e naquele frade a quem o demônio apertava a garganta ao ser repreendido por desobediência, e em muitos outros frades, cujos defeitos ocultos e virtudes conhecia pela revelação de Cristo bendito.
Amém.
____________
Dos “Fioretti” de São Francisco, mediante o blog Contos e Lendas Medievais

A virtude da temperança