sábado, 12 de setembro de 2015

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor


São Cirilo, Patriarca de Alexandria, sobrinho e sucessor do Patriarca Teófilo, governou a Igreja de Alexandria durante 23 anos. Fechou todas as igrejas novacianas, expulsou da cidade os judeus, o que lhe importou grave conflito com o governador Orestes. Opôs-se com toda a energia à heresia nestoriana. Nestório, Patriarca de Constantinopla afirmava que em Jesus Cristo não havia não somente duas naturezas, mas também duas pessoas; donde concluía que Maria Santíssima era Mãe de Jesus como homem e não Mãe de Deus. Como visse a heresia se incrementar cada vez mais, Cirilo, conforme o antigo costume da Igreja, ao Papa se dirigiu. Celestino I convocou um sínodo em Roma, e foi condenada a heresia de Nestório. Encarregado de executar a sentença da excomunhão, Cirilo reuniu em concílio os bispos do Egito e enviou a Nestório a determinação da Santa Sé, e acrescentou dois anátemas do sínodo de Alexandria. Nestório revidou igualmente com doze anti-anátemas, assinado por ele e pelos bispos, com ele solidários. Tendo a controvérsia chegado a este ponto, os imperadores Teodósio II e Valentiniano III houveram por bem convocar o terceiro concílio ecumênico de Éfeso, que se realizou em 431. Para este Concílio foram convidados todos os metropolitas e o Papa mandou como legados seus dois bispos e um sacerdote. Nestório, apesar de três vezes convidado, não compareceu. Dirigiu o concílio São Cirilo. Estiveram presentes 198 bispos. Foi novamente condenada a heresia, e Nestório excomungado. Os nestorianos, com mais de duzentos bispos, conventos, etc., propagaram-se durante 6 séculos; penetraram na Índia, e na China. Em 1916 havia ainda uns 600 mil nestorianos caldeus, com a sede em Bagdad. Ultimamente estão se convertendo e voltando em massa à Igreja Católica.


São Cirilo figura, pois, na história da Igreja como o grande e vitorioso defensor do Dogma mariano, que proclama Maria Santíssima Mãe de Deus. Muito teve que sofrer ainda das malevolências e agitações dos hereges, aos quais também não deu tréguas. Muito trabalhou pela liberdade e exaltação da Santa Igreja. Numerosos são os seus escritos apologéticos e humanísticos, todos de uma profundeza e clareza tais, que causaram a admiração de todos. Como defensor da fé católica e luminar da Igreja Oriental São Cirilo figura entre os grandes Padres orientais da escola de Alexandria. Faleceu em 444.

Reflexões: Pelo Papa Bento XVI - Audiência Geral das Quartas-feiras em 03/10/2007 (*) 

Cirilo, conhecido na Igreja antiga como "custódio da exatidão, quer dizer, da verdadeira fé", quis demonstrar sempre "a continuidade da teologia própria com a tradição da Igreja como garantia da continuidade com os apóstolos e com o próprio Cristo".

Eleito bispo de Alexandria em 412, governou durante trinta anos essa sede e combateu a pregação de Nestório, bispo de Constantinopla, que separando em Cristo a natureza humana da divina invocação a Maria "Mãe de Cristo" e não "Mãe de Deus". Segundo a cristologia antioquina de Nestório, "para salvaguardar a importância da humanidade de Cristo se acabava por afirmar a divisão da divindade e assim já não era verdadeira a união entre Deus e homem no Cristo".

Cirilo rebateu imediatamente esta tese reafirmando "o dever dos pastores de preservar a fé do Povo de Deus". Este critério, "é sempre válido" já que "a fé do povo de Deus é expressão da tradição da Igreja". Por isso, Cirilo recorda a Nestório que "se deve apresentar ao povo o ensinamento da fé de forma irrepreensível e recordar que quem escandaliza a um só dos mais pequenos que crê em Cristo, sofrerá um castigo intolerável".

O Santo define sua fé cristológica quando afirma: "São diversas as naturezas que se uniram a uma verdadeira unidade, porém, de ambas resultou um só Cristo e Filho, não porque a causa da unidade se tenha eliminado a diferença das natureza humana e divina, mas porque a humanidade e divindade reunidas de forma inexpressiva (...) produzem ao único Senhor, Cristo, Filho de Deus". 

"Cirilo nos ensina sobretudo, que a fé cristã é antes de tudo um encontro com Jesus, uma pessoa que dá à vida um novo horizonte. De Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, São Cirilo foi um incansável e firme testemunho, sublinhando sobretudo sua unidade: Um só é o Filho, um só é o Senhor Jesus Cristo, tanto antes como depois da encarnação. (...) Nós cremos que Aquele que existia antes dos tempos, nasceu segundo a carne de uma Mulher (...) e segundo suas promessas, estará sempre conosco". 

"Isto é importante, Deus é eterno, nasceu de uma Mulher e permanece conosco todos os dias. Vivemos com esta confiança e nela encontramos o caminho de nossa vida".

http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/jun/cirilo2706.htm

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Edith Stein - judia, filósofa, religiosa, mártir

Edith Stein- judia, filósofa, religiosa, mártir
Nascida em Vrastilávia a 12 de Outubro de 1891, os seus genitores eram de nacionalidade alemã e de religião hebraica. Foi educada na fé dos pais, mas no decurso dos anos tornou-se praticamente ateia, conservando muito elevados os valores éticos, mantendo uma conduta moralmente irrepreensível.


De maneira brilhante obteve o doutoramento em filosofia e tornou-se assistente universitária do seu mestre, Edmund Husserl. Incansável e perspicaz investigadora da verdade, através do estudo e da frequência dos fermentos cristãos e, por fim, através da leitura da autobiografia de Santa Teresa de Ávila, encontrou Jesus Cristo que resplandecia no mistério da cruz e, com jubilosa resolução, aderiu ao Evangelho.

Em 1922, recebeu o batismo na Igreja Católica com o nome de Teresa: a sua vida mudou de modo radical. Os anos sucessivos foram despendidos no aprofundamento da doutrina cristã, no ensinamento, apostolado e publicação de estudos científicos, e numa intensa vida interior nutrida pela palavra de Deus e a oração.

Em 1933, coroou o desejo de se consagrar a Deus e entrou na Congregação das Carmelitas Descalças, tomando o nome de Teresa Benedita da Cruz, exprimindo assim, também com este nome, o ardente amor a Jesus crucificado e especial devoção a Santa Teresa de Ávila. Emitiu regularmente o voto de pobreza, obediência e castidade e, para realizar a sua consagração, caminhou com Deus na via da santidade.

Quando na Alemanha o nacional-socialismo exacerbou a louca perseguição contra os judeus, os superiores da Beata enviaram-na, por precaução, para o Carmelo de Echt, na Holanda. Impelida pela compaixão para com os seus irmãos judeus, não hesitou em oferecer-se a Deus como vítima, para suplicar a paz e a salvação para o seu povo, para a Igreja e para o mundo. A ocupação nazista da Holanda comportou o início do extermínio também para os judeus daquela nação. Os Bispos holandeses protestaram energicamente com uma Carta pastoral, e as autoridades, por vingança, incluíram no programa de extermínio também os judeus de fé católica.

A 2 de Agosto de 1942, a Beata foi aprisionada e internada no campo de concentração de Auschwitz, e juntamente com a irmã foi morta na câmara de gás no dia 9 de Agosto de 1942.

Assim morreu como filha do seu povo martirizado e como filha da Igreja católica. «Judia, filósofa, religiosa, mártir — como foi afirmado por João Paulo II no dia da Beatificação, a 1 de Maio de 1987, em Colónia — a Beata Edith Stein representa a síntese dramática das feridas do nosso século. E, ao mesmo tempo, proclama a esperança de que é a cruz de Jesus Salvador que ilumina a história».



http://www.carmelitasmensageiras.com.br/index.php/2013-05-03-00-58-34/item/16-edith-stein-judia-filosofa-religiosa-martir

O discípulo bem formado será como o seu mestre

«O discípulo não está acima do mestre. Será perfeito se for como o mestre.» Os bem-aventurados discípulos estavam destinados a tornar-se guias e mestres espirituais da terra inteira. Por isso, tinham de dar provas, mais do que quaisquer outros, de um fervor visível, e de estar familiarizados com a maneira de viver segundo o Evangelho e dispostos a praticar qualquer boa obra. Pois teriam de transmitir àqueles que instruíssem a doutrina exata, salutar e estritamente conforme à verdade, depois de primeiramente a terem contemplado e de terem deixado a luz divina iluminar-lhes a inteligência. Sem isso, seriam cegos a conduzir outros cegos. É que os que estão mergulhados nas trevas da ignorância não podem conduzir ao conhecimento da verdade os homens que sofrem essa mesma ignorância. Aliás, correriam o risco de cair todos juntos no abismo das suas más tendências.
Foi por isso que, querendo travar a inclinação para a vanglória que se encontra em tantas pessoas e dissuadi-las de rivalizar com os seus mestres para ultrapassarem a reputação destes, o Senhor disse: «Não está o discípulo acima do mestre.» Mesmo se acontecer que alguém atinja um grau de virtude igual à dos seus predecessores, essa pessoa deverá sobretudo imitar a modéstia deles. Paulo dá-nos uma prova disso quando diz: «Sede meus imitadores, como eu próprio o sou de Cristo» (1Cor 11,1).
Se é assim, porque julgas, se o Mestre não julga ainda? Com efeito, Ele não veio para julgar o mundo (Jo 12,47), mas para lhe trazer a graça. [...] «Se Eu não julgo, diz-te Ele, não julgues também tu, que és meu discípulo. Pode acontecer que sejas mais culpado do que aquele que estás a julgar. [...] Porque reparas na palha que está no olho do teu irmão?»
Fonte: São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Comentário sobre o evangelho de Lucas, 6


domingo, 6 de setembro de 2015

Os conselhos de São Tomas de Aquino a um estudante que queria crescer em cultura

"É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil"

San Tommaso d'Aquino - pt

Meu caro João,
Você me perguntou como adquirir uma rica bagagem cultural. Aqui estão os meus conselhos.
1. Não mergulhe de cabeça no mar de conhecimento, mas tente chegar a ele através de córregos menores. É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil. Este é o meu primeiro conselho e você faria bem em segui-lo.
2. Seja lento para falar…
3. Dê grande importância a uma boa consciência.
4. Nunca negligencie os momentos de oração.
5. Mostre-se amável para com todos.
6. Nunca meta o nariz nos assuntos dos outros.
7. Não seja excessivamente íntimo dos outros, porque a familiaridade excessiva gera desprezo e fornece pretextos para negligenciar o trabalho sério.
8. Não perca tempo em conversas fúteis.
9. Tente seguir as pegadas dos homens honestos e santos.
10. Não repare tanto em quem fala, mas acumule na mente o que ele diz de útil.
11. Certifique-se de entender bem o que você lê e escuta.
12. Esclareça os pontos em dúvida.
13. Dê o seu melhor para guardar tudo o que puder na pequena biblioteca da sua mente.
14. Não se preocupe com as coisas que estão fora da sua competência. Se você seguir os meus conselhos, vai atingir a meta desejada.
São Tomás de Aquino, 1270.

http://pt.aleteia.org/2015/09/06/os-conselhos-de-sao-tomas-de-aquino-a-um-estudante-que-queria-crescer-em-cultura/

A virtude da temperança