domingo, 18 de junho de 2017

Oração da alma enamorada

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SÃO JOÃO DA CRUZ

Senhor Deus, amado meu!
Se ainda Te recordas dos meus pecados,
para não fazeres o que ando pedindo,
faz neles, Deus meu, a tua vontade,
pois é o que mais quero,
e exerce neles a tua bondade e misericórdia
e serás neles conhecido.
E, se esperas por obras minhas,
para, por meio delas, me concederes o que te rogo,
dá-as Tu, e opera-as Tu por mim,
assim como as penas que quiseres aceitar
e faça-se.
Mas se pelas minhas obras não esperas,
porque esperas, clementíssimo Senhor meu?
Porque tardas?
Porque, se, enfim,
há-de ser graça e misericórdia
o que em teu Filho te peço,
toma a minha insignificância,
pois a queres,
e dá-me este bem,
pois que Tu também o queres.
Quem se poderá libertar dos modos
e termos baixos
se não o levantas Tu a Ti em pureza de amor,
Deus meu?
Como se levantará a Ti o homem
gerado e criado em baixezas,
se não o levantas Tu, Senhor,
com a mão com que o fizeste?
Não me tirarás, Deus meu,
o que uma vez me deste
em teu único Filho Jesus Cristo,
em quem me deste tudo quanto quero.
Por isso folgarei pois não tardarás,
se eu espero.
Com que dilações esperas,
pois, se desde já podes amar a Deus
em teu coração?
Meus são os céus e minha é a terra;
minhas são as gentes,
os justos são meus, e meus os pecadores;
os anjos são meus
e a Mãe de Deus
e todas as coisas são minhas;
e o mesmo Deus é meu e para mim,
porque Cristo é meu e todo para mim.
Que pedes pois e buscas, alma minha?
Tudo isto é teu e tudo para ti.
Não te rebaixes
nem repares nas migalhas
que caem da mesa de teu Pai.
Sai para fora de ti e gloria-te da tua glória,
esconde-te nela e goza,
e alcançarás as petições do teu coração.
Ditos de Luz I, 25-27
S. João da Cruz in As mais belas páginas de S. João da Cruz p. 176,177

A mística católica de Santa Teresa e São João da Cruz


A mística católica de Santa Teresa e São João da Cruz


História Geral - Cláudio Fernandes  

Os séculos XVI e XVII são considerados, de forma geral, como os séculos da ascensão dos edifícios da ciência e da filosofia modernas. Os indícios que apontam para isso são as obras de personagens históricos como René Descartes, David Hume, Johannes Kepler e Galileu Galilei. Entretanto, nesse mesmo período, no sul do Europa, especificamente na Espanha, outro tipo de experiência intelectual estava se desenvolvendo: a mística católica.

Os principais representantes da mística católica espanhola foram Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz. Grande parte dos historiadores costuma dar ênfase apenas ao valor literário dos escritos de ambos os santos. Porém, a experiência mística desses autores possui um forte ingrediente de autoconhecimento e de cultivo das virtudes.

Em obras como “Noite Escuta”, de São João da Cruz, e “O livro da vida” ou “As moradas do Castelo Interior”, de Santa Teresa, são testemunhadas a escavação interior, a autorreflexão e a procura da comunhão com o divino, abrindo assim o espaço para a mística, isto é: o mistério, o drama de Cristo crucificado. A despeito do viés estritamente religioso dessas obras, a significação intelectual e a riqueza poética presentes nelas são fundamentais para se entender a modernidade.

A vinculação estrita entre modernidade e racionalismo científico, que implica a secularização e laicização de tudo, pode e deve ser contestada e confrontada a partir dos escritos místicos. A mística como forma de conhecimento e de entendimento do divino e do humano é fonte para vários estudos no âmbito das ciências humanas, dentre elas, a história.

Vale salientar que esse fenômeno não é exclusivo dos séculos XVI e XVII, mas também de outras épocas da modernidade. Um exemplo é a obra do monge francês do século XX, Thomas Merton.

Fonte: WhatsApp

sábado, 17 de junho de 2017

Façamos o que diz o profeta


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Façamos o que diz o profeta: "Eu disse, guardarei os meus caminhos para que não peque pela língua: pus uma guarda à minha boca: emudeci, humilhei-me e calei as coisas boas". Aqui mostra o Profeta que, se, às vezes, se devem calar mesmo as boas conversas, por causa do silêncio, quanto mais não deverão ser suprimidas as más palavras, por causa do castigo do pecado? Por isso, ainda que se trate de conversas boas, santas e próprias a edificar, raramente seja concedida aos discípulos perfeitos licença de falar, por causa da gravidade do silêncio, pois está escrito: "Falando muito não foges ao pecado", e em outro lugar: "a morte e a vida estão em poder da língua". Com efeito, falar e ensinar compete ao mestre; ao discípulo convém calar e ouvir.
Por isso, se é preciso pedir alguma coisa ao superior, que se peça com toda a humildade e submissão da reverência. Já quanto às brincadeiras, palavras ociosas e que provocam riso, condenamo-las em todos os lugares a uma eterna clausura, para tais palavras não permitimos ao discípulo abrir a boca.

Na medida do possível


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"A oração deverá ser feita, na medida do possível, numa situação de serenidade de espírito e, portanto, no silêncio e com a alma livre de qualquer ansiedade".

A janela do eremita

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A vista do Céu torna leves os mais duros sofrimentos.
Um piedoso eremita, que Deus tinha provado com longos e penosos sofrimentos, foi visitado em sua cela por alguns de seus amigos.
Maravilhados da suma tranquilidade e alegria que em seu rosto transparecia, perguntaram-lhe como se mostrava tão alegre e paciente em meio de tantos padecimentos.
Sorrindo, o eremita apontou para a janela da sua cela e disse:
— Aquela janela torna-me suportável e leve toda a dor.
— Como pode ser isto? — perguntou um dos visitantes.
— Por meio daquela janela eu vejo o Céu, e esta vista me conforta e anima a padecer por Jesus Cristo todos os meus sofrimentos.

(Pe. Alexandrino Monteiro, S.J., "A Moral em Exemplos" - Mensageiro da Fé, Bahia, 1955, vol. II, p. 184)

sábado, 10 de junho de 2017

Oração para obter os sete dons do Espírito Santo

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Ó Jesus, por Vós, o Filho único, por nós feito homem, crucificado e glorificado, pedimos ao Pai clementíssimo que nos conceda, dos seus tesouros, a graça das sete formas do Espírito que repousou plenamente sobre Vós: espírito de sabedoria, para saborearmos o fruto da árvore da vida que Vós sois verdadeiramente e apreciarmos a sua doçura vivificante; o dom da inteligência, que ilumine os olhares do nosso espírito;

O dom do conselho, que nos conduza pelo caminho estreito, na esteira dos vossos passos; o dom da fortaleza, para que possamos reduzir a nada a violência dos ataques inimigos; o dom da ciência, a fim de que sejamos cheios das luzes da vossa doutrina santa e possamos distinguir o bem do mal.

O dom da piedade, que nos confere entranhas de misericórdia; o dom do temor, que, afastando-nos de todo o mal. nos guarde na paz sob o peso do respeito pela vossa majestade eterna.

Pois foi isso que quisestes que pedíssemos nesta santa oração que nos ensinastes; por isso Vos pedimos agora, pela vossa cruz, que no-lo obtenhais, para glória do vosso nome santíssimo, ao qual seja dada, com o Pai e o Espírito Santo, toda a honra, o louvor, a ação de graças, a glória e a dominação por todos os séculos, assim seja. 

- São Boaventura 
«A árvore da vida», n.º 49

"A consciência da própria maldade, condição indispensável para a santificação."


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"...Quando se despeja água limpa e clara em uma vasilha suja que cheira mal, ou se põe vinho numa pipa cujo interior está azedado por outro vinho que aí antes se depositara, a água límpida e o vinho bom adquirem facilmente o mau cheiro e o azedume dos recipientes.

Do mesmo modo, quando Deus põe no vaso de nossa alma, corrompido pelo pecado original e pelo pecado atual, suas graças e orvalhos celestiais ou o vinho delicioso de seu amor, estes dons ficam ordinariamente estragados ou manchados pelo mau germe e mau fundo que o pecado deixou em nós; nossas ações, até as mais sublimes virtudes, disto se ressentem.

É, portanto, de grande importância, para adquirir a perfeição - que só se consegue pela união com Jesus Cristo - despojarmo-nos de tudo que de mau existe em nós. Do contrário, Nosso Senhor, que é infinitamente puro e odeia infinitamente a menor mancha na alma, nos repelirá, e de modo algum se unirá a nós".

"Para despojarmo-nos de nós mesmos, é preciso conhecer primeiramente e bem, pela luz do Espírito Santo, nosso fundo de maldade, nossa incapacidade, nossa inconstância em todo tempo, nossa indignidade de toda graça e nossa iniqüidade em todo lugar".

- São Luis Maria Grignion de Montfort

O hábito da oração

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«O hábito da oração, que é a prática de se dirigir a Deus e ao mundo invisível em cada época, em todos os lugares, em qualquer emergência, a oração, digo, possui aquilo que pode ser chamado um efeito natural no espiritualizar e elevar a alma. Um homem já não é o que era antes; gradualmente interiorizou um novo sistema de ideias e tornou-se impregnado de princípios límpidos» 

- Beato John Henry Newman
 

A virtude da temperança