domingo, 20 de novembro de 2016

Purificar o interior do nosso coração


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É justo e santo, irmãos, obedecer a Deus em vez de seguir os agitadores orgulhosos. […] Juntemo-nos àqueles que, com piedade, põem em prática a paz, não aos que fingem querer a paz. Com efeito, está dito: «Este povo aproxima-se de Mim só com palavras e honra-me só com os lábios, pois o seu coração está longe de Mim» (Is 29,13; Mc 7,6). E ainda: «Abençoam com a boca, mas amaldiçoam com o coração»  (Sl 61,5). E também: «Mas logo O enganavam com a boca e Lhe mentiam com a língua. Os seus corações não eram leais com Ele, nem fiéis à Sua aliança» (Sl 77,36). […]
Com efeito, Cristo pertence aos que são humildes de coração e não aos que se elevam acima do Seu rebanho. O cetro da majestade de Deus (cf Hb 1,8), o Senhor Jesus Cristo, não veio acompanhado pela vaidade nem pelo orgulho ─ e no entanto poderia fazê-lo ─, mas pela humildade de coração, como o Espírito Santo tinha dito acerca d’Ele: «Quem acreditou no Nosso anúncio? A quem foi revelado o braço do Senhor? O servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz em terra árida, sem figura nem beleza. Vimo-Lo sem aspecto atraente» (Is 53,1-3). […] Vedes assim, bem-amados, o modelo que vos foi dado. Se o Senhor Se humilhou desta maneira, que deveremos fazer nós, a quem Ele permitiu que caminhemos sob o jugo da Sua graça?
São Clemente de Roma, papa de 90 a 100, aproximadamente
Epístola aos Coríntios, 14-16

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Santa Catarina Labouré

Santa Catarina Labouré foi uma religiosa da França.

1806 – 1947

Catarina nasceu em Fain-lès-Moutiers, filha de Pierre Labouré. Quando tinha nove anos sua mãe morreu, e Catarina, a pedido de seu pai, passou a cuidar de dois de seus irmãos. Sentiu uma forte vocação religiosa, entrou para as Irmãs da Caridade. Era extremamente devota, um tanto romântica, e dada a visões e intuições místicas. Foi através de um sonho que teve com São Vicente que ela escolheu a Ordem em que entrou. Tendo cedo perdido a mãe, era especialmente apegada à Virgem Maria.

Visões

Durante a noite 18 de Julho de 1830, Catarina acordou depois de ouvir a voz de uma criança que dizia: irmã, todo mundo está dormindo, vem à capela, a Virgem Maria a espera. Acreditando na voz, Catarina segue a criança. Chegando à capela, Catarina vê a Virgem Maria ela continuou tendo estas visões até que em 27 de Novembro de 1830, a Virgem se apresenta como Nossa Senhora das Graças, e lhe dá a Medalha Milagrosa para ser cunhada.

Morte

Morreu em 31 de Dezembro de 1876.Seu corpo foi exumado em 1933, sendo encontrado incorrupto, e hoje é exposto à veneração na capela de sua Ordem, a mesma onde aconteceram as visões, na Rue du Bac, 140, em Paris. Foi canonizada em 27 de julho de 1947 por Pio XII.

Corpo Incorrupto da Santa



https://evangelhosanto.wordpress.com/tag/santa-catarina-laboure/


AURORA DA MISERICÓRDIA


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Era tão bela!!!
Das mãos da Virgem, anéis de fulgurantes pedrarias irradiavam luzes esplendorosas que chegavam até a terra, simbolizando as graças e misericórdias de Maria, descendo sobre o mundo.
"O vestido de Nossa Senhora - disse a vidente, com toda a sua adorável simplicidade de camponesa - era da cor do céu, quando ainda de madrugada, pouco antes do sol".
Que tocante simbolismo!!
A Aurora da Misericórdia anunciando o Sol do Amor! Hoje nasceu Maria. Raiou a Aurora da salvação, tão suave e tão bela. O povo costuma cantar, numa de suas trovas de devoção a Nossa Senhora do Rosário:

"Bendito e louvado seja
O Rosário de Maria
Se Ela não viesse ao mundo
Ai! De nós o que seria!"

Sim! Ai! De nós o que seria, ó Mãe de Misericordia, se não raiasse hoje para o mundo a aurora fulgurante do vosso nascimento! Como somos felizes!
"Às vezes - escreve Teresinha a Celina - surpreendo-me a dizer à Santíssima Virgem: - Sabeis que me considero mais feliz que Vós?
Tenho-vos por Mãe e Não tendes por Mãe como eu uma santíssima virgem para amar! ... Verdade é que sois Mãe de Jesus, mas Jesus que também é dos mortais, a nós mortais, Vos deu na cruz. Somos, pois mais ricos do que Vós; outrora, na vossa humildade, queríeis ser a escrava da Mãe de Deus e entretanto, eu pobre criatura, não sou vossa escrava, mas vossa filha! Sois Mãe de Jesus e minha Mãe"!
Que felicidade a de ser filho de Maria! Não é esse pensamento de grande consolo para o nosso exílio?


Do Livro: Breviário da Confiança - Mons. Ascânio Brandão.

domingo, 6 de novembro de 2016

HISTÓRIA DE SANTA JÚLIA

Origens

Santa Júlia nasceu em Cartago, a grande cidade de colonização fenícia no norte da África, no Século V. De família nobre, desde a infância recebeu educação cristã e se tornou uma linda jovem, cheia de fé e sabedoria, preparando-se, talvez, para um bom casamento. Assim, ela viveu uma vida tranquila em Cartago até que Genserico, rei dos vândalos, invadiu a cidade com seu poderoso exército. Os invasores destruíram, saquearam, mataram fiéis cristãos e clérigos e venderam milhares de pessoas como escravos e escravas. Entre elas, Santa Júlia.

Escravidão

De um instante para outro Santa Júlia perdeu amor, família, amigos, prestígio, respeito, liberdade e posses. Passou a viver uma vida cheia de privações e provações terríveis. Nesse momento, porém, quando muitos abriram as portas ao desespero, a educação e a fé de Santa Júlia falaram mais alto. Ela buscou em seu coração a presença de Deus, de Jesus Cristo vivo e isso a confortava. Seu único alento passou a ser a presença de Deus. Mas, que alento pode ser melhor e mais poderoso que este? Assim, mesmo nos mais terríveis sofrimentos, nas caminhadas mais exaustivas, nas humilhações, na fome e na solidão, ela buscava refúgio na doce presença de Deus dentro de si.

Vendida

A história conta que Santa Júlia foi vendida para um negociante sírio chamado Eusébio. Este, era homem de boa índole e sensibilizou-se com o comportamento de Santa Júlia. A fé, a bondade, a serenidade e a sabedoria da jovem diante do sofrimento tocaram o coração de Eusébio. Quando descobriu que toda essa força de vida vinha da fé cristã, ele passou a ter grande respeito por ela e passou a protege-la de toda forma de agressão. Além disso, Eusébio autorizou que ela parasse por algumas horas durante o dia para leituras espirituais e oração.

Coragem

Certa vez, Eusébio teve que fazer uma grande viagem à Europa e levou vários escravos. Entre eles estava santa Júlia. Chegaram à ilha da Córsega, na França. Era época de grandes festas pagãs na região. Eusébio e todos os que o acompanhavam foram até um templo pagão local para prestar homenagens aos deuses, como era o costume. Júlia, porém, recusou-se, dizendo não adorar a nenhum outro deus, a não ser o Deus Verdadeiro. Por isso, ela ficou de joelhos à porta do templo e pediu que Deus revelasse a todos os pagãos presentes ali a Palavra de Jesus, único caminho da verdade.  

Raptada pelo governador

A atitude de Santa Júlia chamou a atenção do povo da Córsega e a notícia chegou a Félix, o governador romano local. Félix convidou Eusébio e Júlia para um banquete em seu palácio. Ao ver a beleza de Júlia e constatar sua sabedoria, quis compra-la por um preço altíssimo. Como Eusébio recusasse, propôs trocá-la por quatro escravas entre as mais lindas do palácio. Eusébio, porém, usando de cordialidade, recusou a oferta, alegando que Júlia não estava à venda. Vendo que não conseguiria nada com conversas, Félix, apaixonado por Júlia, embebedou Eusébio, envolveu-o com várias mulheres sedutoras e levou Santa Júlia à força, aproveitando um momento em que Eusébio dormia.

Fé provada ao extremo

Félix ofereceu a liberdade a Júlia, desde que ela fizesse sacrifícios aos deuses romanos e se tornasse sua amante. Santa Júlia, porém, recusou, manteve-se firme e não se rendeu a Félix. Félix, irado, espancou-a até o sangue. Em seguida, ordenou que ela fosse flagelada, isto é, chicoteada por um tipo de chicote dilacerador usado pelos romanos (do mesmo tipo do que foi usado contra Jesus). Depois, ordenou que ela fosse crucificada como seu Mestre e jogada ao mar. Quando Eusébio voltou a si e tomou conhecimento dos fatos, já era tarde demais. Ele chorou amargamente.

Restos mortais e culto

O corpo de Santa Júlia foi achado por monges do convento da ilha de Gorgona. O corpo ainda estava pregado à cruz, boiando no mar. Os monges o transportaram para o convento, retiram-no da cruz, ungiram-no conforme o costume cristão, rezaram e o sepultaram. O túmulo de Santa Júlia passou a ser local de peregrinação e fé. O culto a ela se espalhou, chegando até à Itália. Em 762 seu corpo foi trasladado para Brescia, Itália, onde a veneração a ela cresceu ainda mais. Mais tarde, uma igreja foi consagrada a ela na cidade de Brescia pelo Papa Paulo I. Ela passou a ser celebrada no dia 22 de maio como Mártir da Córsega e se tornou padroeira desta ilha francesa.

Amor a Deus

Santa Júlia aceitou todo aquele sofrimento como uma maneira de demonstrar ao Senhor Deus todo o seu amor. O sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Assim aconteceu com Santa Júlia. Por causa de seu exemplo, aceitando morrer como seu Mestre, entregando sua vida a Deus com amor, um grande número de pessoas se converteu à fé cristã.

Oração a Santa Júlia

“Ó Deus, que destes a Santa Júlia a graça de superar os mais duros obstáculos para preservar sua fé em Jesus Cristo, dai-nos também a graça da perseverança até o fim. Que, por intercessão de Santa Júlia, tenhamos a mesma força diante dos obstáculos da vida e que possamos superá-los com coragem e doçura, pela força do Espírito Santo. Santa Júlia, rogai por nós. Amém.”

http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-julia/89/102/#c

Hino de Louvor a Santa Julia




A Mártir Julia,
Por ela Cristo foi crucificado,
O poder de Cristo ela invoca,
O poder no Honorável Madeiro.


Sangue foi derramado de seis feridas,
Com sangue a terra manchou,
Pois em Cristo ela cria
Sua fé ela não ocultou.


Nem Cristo a ocultou,
Ao mundo inteiro a proclamou,
E no Reino Imortal
No céu, a glorificou.


Quando Julia faleceu
Seu espírito, puro e santo,
De sua boca uma pomba branca
Às alturas ascendeu.


Quando os homens a isto viram
Todos tementes clamaram:
"Ai dos juízes malignos"
Aquele sangue justo eles verteram.


Fonte: St. Nicholas Velimirovich, The Prologues from Ochrid.


Imagem: Gabriel von Max, "Santa Julia, Mártir Crucificada", 1866.

MEDITAÇÃO CRISTÃ



# Meditar é recolher-se na quietude interior para ficar em total silêncio na presença de Deus.

# Meditar é retirar-se às profundezas de si mesmo para deixar-se marcar pelo Mistério Divino.

# Meditar é abandonar-se com confiança nos braços do Pai em profunda quietude de corpo, mente e coração.

A meditação é antes de tudo um “encontro” conosco mesmo e com Deus que nos aguarda nas profundezas de nosso ser.



COMO MEDITAR

1Num lugar tranqüilo, sente-se confortavelmente, mantendo a coluna reta.
2Feche seus olhos e permaneça em quietude profunda.
3- Em silêncio, interiormente,comece a repetir o Nome mais belo e mais santo que há: JESUS.
4Permaneça repetindo o Nome Santo de Jesus, voltando para ele toda a sua atenção.
5Toda vez que sua atenção se desviar do Santo Nome (distrações), volte a ele com paciência e tranqüilidade.
6Não fique refletindo sobre o sentido do Nome de Jesus. Sua única tarefa consiste em repeti-lo interiormente com toda atenção possível.
7Medite por um período de 20 a 30 minutos, sempre no início e no final de cada dia.



Durante a meditação, permaneça imóvel e relaxado. Porém, consciente e vigilante. Tenha cuidado para não dormir.
Em profundo silêncio, abandone-se nos braços do Pai, que acolhe você incondicionalmente, e escute o Espírito Santo clamar dentro de você o Nome que está acima de todo nome: JESUS.
Persevere, e você experimentará o sabor da Vida Nova.
Em meio aos seus afazeres cotidianos ou em seu descanso, permaneça a se lembrar do Santo Nome de Jesus. Nunca se esqueça daquele que nunca se esquece de você.


O LUGAR DA MEDITAÇÃO


Em sua casa, você deverá escolher um lugar tranqüilo, aconchegante e agradável para ser o seu “cantinho de meditação”. Esse cantinho será o lugar consagrado para o seu encontro com Deus no silêncio contemplativo, sempre no início e no final de cada dia.
Para que você se mantenha numa postura correta e confortável durante toda a meditação, é importante a escolha de uma cadeira adequada à sua altura.




OS FUNDAMENTOS DA MEDITAÇÃO CRISTÃ




O método da meditação cristã encontra seus primeiros fundamentos na vida e nos ensinamentos dos Padres do Deserto. Tais ensinamentos chegaram até nós graças ao esforço de antigos monges, bispos e teólogos que nos transmitiram em suas obras toda a riqueza da oração contemplativa vinda do deserto.



1. SÃO JOÃO CASSIANO:

Nasceu por volta do ano 360 na Cítia Menor, onde hoje encontramos a Romênia. Ainda bem jovem, partiu para a Palestina, tornando-se monge em Belém. Peregrinou pelo deserto do Egito, onde foi instruído nos costumes monásticos por grandes mestres espirituais. Mais tarde, após passar um tempo em Constantinopla, chegou a Roma, e de lá foi se instalar em Marselha (França), onde fundou dois mosteiros: um masculino e outro feminino. Escreveu obras importantes, nas quais foram registrados os melhores ensinamentos que recebera dos seus mestres espirituais. Suas duas obras principais são as Instituições cenobíticas e as Conferências dos Padres. Morreu no ano de 435.

 Para colocar em prática o mandato do apóstolo “orai sem cessar” (1Ts 5,17), João Cassiano, transmitindo os ensinamentos dos antigos Padres do Deserto, aconselha na sua X Conferência o uso da repetição incessante de um versículo:


“Para possuir a lembrança contínua de Deus, ser-vos-á proposta como inseparável esta fórmula de piedade: Ó Deus vinde em meu auxílio; Senhor, apressai-vos a socorrer-me (Sl 69,2).
(...) Resumindo, direi que este versículo é útil e necessário para todos nós, qualquer que seja a situação e cada um.
(...) Portanto, este versículo deve ser rezado incessantemente e continuamente: na adversidade, para dela sermos libertados; na prosperidade, para nela nos conservarmos e não cairmos no orgulho. Sim, que a meditação deste versículo se revolva ininterruptamente no teu coração. Ocupado em qualquer trabalho ou ofício ou em viagem, não cesses de o repetir. (...) Este revolver do coração tornar-se-á para ti uma fórmula de salvação que não só te guardará ileso de qualquer investida dos demônios, mas também, purificando-te de todos os vícios e do contágio terreno, te conduzirá à contemplação das coisas celestes e invisíveis e àquele ardor inefável de oração experimentado por poucos. Que o sono te surpreenda a meditar este versículo, até que, modelado pela sua meditação incessante, te habitues a repeti-lo mesmo durante o sono. Que ele seja o primeiro pensamento a ocorrer-te ao acordares e, uma vez desperto, tenha a primazia sobre todos os outros.
(...) Sim, que a alma retenha incessantemente esta fórmula, até que, fortalecida pela sua repetição constante e meditação contínua, venha a rejeitar e a recusar as riquezas e os abundantes bens de toda a espécie de pensamentos e, assim exercitada pela pobreza deste versículo, chegue, por um declive fácil, àquela bem-aventurança evangélica que detém a primazia entre todas as outras: bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus (Mt 5,3)”.(São João Cassiano, X Conferência, cap.X e XI).



2. A NUVEM DO NÃO-SABER


Em fins do século XIV, na Inglaterra, um autor anônimo, provavelmente um monge, escreveu uma obra chamada “A Nuvem do não-saber”, dedicada especialmente a todos aqueles que desejam trilhar os caminhos da oração contemplativa. Nesta obra, o autor oferece uma maneira de lidar com os diversos pensamentos (distrações), que se fazem presentes na mente do orante, quando este deseja apenas estar na presença de Deus, em completo silêncio contemplativo:


“Levante então seu coração para Deus com um humilde impulso de amor e destine-o ao Deus que criou você e o resgatou, e que na sua graça chamou você para este exercício. (...) Escolha uma palavra que seja curta e que tenha apenas uma sílaba: uma palavra que tenha apenas uma sílaba é melhor do que a que tem duas, pois quanto mais curta a palavra, melhor concorda com o trabalho do espírito. Assim é a palavra ‘Deus’ ou a palavra ‘amor’. Escolha a que você preferir, ou qualquer outra segundo o seu gosto. Selecione, pois, a palavra de uma sílaba de sua preferência. Prenda esta palavra ao seu coração, de modo que, aconteça o que acontecer, ela jamais vá embora. Esta palavra há de ser o seu escudo e a sua espada, quer você esteja cavalgando na paz ou na guerra. (...) Com esta palavra você deverá abater toda espécie de pensamento.” (A Nuvem do não-saber, cap. VII).



3. JOHN MAIN


John Main nasceu em Londres no ano de 1926, no seio de uma família católica irlandesa. Após ter estudado Direito em Dublin, foi trabalhar para o Serviço Colonial do Governo Britânico, no Oriente (Malásia), onde conheceu um “swami” (monge hindu) que o ensinou a meditar através da repetição de um mantra.
Voltando à Europa, John Main foi lecionar Direito em Dublin e depois exercer a advocacia em Londres, onde, mais tarde, aos trinta e três anos, se fez monge beneditino. Para seu dissabor, o mestre de formação recomendou-lhe que abandonasse aquele método de meditação porque não era uma “forma cristã de oração”.
Alguns anos mais tarde, trabalhando como reitor de um colégio beneditino em Washington, ele encontrou, nas “Conferências” de João Cassiano, a tradição cristã do “mantra” (repetição de uma palavra sagrada). Após essa descoberta providencial, ele voltou com novo entusiasmo ao caminho da meditação, agora fundamentada na rica tradição contemplativa cristã.
De volta a Londres, exerceu a função de Prior e Mestre de Noviços em sua abadia de Ealing. Nessa ocasião, fundou um centro de meditação cristã com o intuito de ensinar e partilhar esse antigo e sempre novo caminho de oração.
Em 1977, a pedido da Arquidiocese de Montreal, Canadá, John Main fundou o Priorado Beneditino de Montreal para ser um mosteiro contemplativo em pleno centro urbano, dedicado à prática e ao ensino da meditação. Aí, nesse mosteiro, ele passou os últimos anos de sua vida como um incansável apóstolo da meditação.
John Main faleceu em 30 de dezembro de 1982, no mesmo mosteiro fundado por ele, a partir do qual seus ensinamentos e seus ideais se espalharam pelo mundo afora.


No seu livro “A PALAVRA QUE VEM DO SILÊNCIO” (ed. Paulus), John Main expõe o seu método de meditação:


“...Vou explicar a técnica básica da meditação. Sente-se confortavelmente e relaxe. Certifique-se de que está sentado em posição erecta. Respire calma e regularmente. Feche os olhos e depois, em sua mente, comece a repetir a palavra que você escolheu como sua palavra de meditação. (...) O que é importante lembrar a respeito do seu mantra é escolhê-lo, se possível, consultando seu mestre, e depois faz-se mister conservá-lo com perseverança. Se você começar a trocar e mudar o seu mantra, estará atrasando seu progresso na meditação.”(pág. 27-29).
“Repita a palavra ou frase calmamente, serenamente, e, sobretudo, com absoluta fidelidade ao tempo pleno de sua meditação, que deve ficar entre vinte e trinta minutos.” (pág.32).

“Por meio do mantra, deixamos atrás de nós todas as imagens que passam e aprendemos a repousar na imensidão infinita do próprio Deus.” (pág. 36).
“Lembre-se de que, para meditar bem, você precisa do lugar mais sossegado que possa encontrar. (...) Para meditar, você precisa apenas repetir o seu mantra com fidelidade perseverante. (...) Em sua meditação, você não irá concentrar-se em idéias ou em imagens. Você irá concentrar-se no mantra e no silêncio a que ele o leva.”. (pág. 82-83).


4. A ESCOLA FRANCISCANA DE MEDITAÇÃO

A Escola Franciscana de Meditação (EFRAM) pratica a meditação invocando o Santíssimo Nome de Jesus no início e no final de cada dia. Os meditantes também invocam o Santo Nome durante os afazeres cotidianos com o intuito de cultivar continuamente a “lembrança de Deus” no coração.

Frei Salvio Romero (Eremita Capuchinho).

http://escolafranciscanademeditacao.blogspot.com.br/p/como-meditar.html

Interioridade


Vivemos numa época em que se valoriza demasiadamente a exterioridade, a aparência, o rótulo. É o mundo das marcas, das etiquetas e das grifes para o qual não importa muito a realidade interior de cada ser. Neste contexto, a felicidade e a realização humana passam a estar estreitamente ligadas às coisas exteriores tais como a aparência física, os bens materiais ou o prestígio social.

O exterior das coisas, entretanto, pode disfarçar perfeitamente o conteúdo interior. Um rótulo bem bonito, uma embalagem bem feita e uma propaganda bem elaborada chegam a nos convencer que determinado produto é maravilhoso quando, de fato, não o é. De modo semelhante, na vida pessoal e interpessoal podemos cair em tais enganos. Quem nunca se enganou com certas aparências ou miragens?

Quem permanece somente no mundo das exterioridades vive num palco de ilusões. O “parecer” se torna mais importante do que o “ser”, e a “imagem” mais do que o “eu verdadeiro”. Para ser aceito em determinados meios sociais, procura-se manter a todo custo as aparências. Para não perder o prestígio, prefere-se manter uma falsa imagem de si mesmo. 





Viver na exterioridade é viver na superficialidade. Não vale a pena. O ser humano não foi criado para viver assim. Quanto mais exterioridade, mais superficialidade. Que adianta estar todo enfeitado por fora quando lá dentro mora alguém triste e vazio? Que adianta ter prestígio e fama quando o interior não está em paz e harmonia?

As exterioridades não são capazes de dar uma resposta adequada às inquietações do coração humano. Não somos apenas um corpo material. Somos muito mais do que isso. Por esta razão, mesmo vivendo num mundo profundamente materialista, cresce o número de pessoas que buscam orientação em grupos que primam pela interioridade.

Um dos traços mais bonitos da interioridade humana é a “espiritualidade”. O homem não se conforma apenas com o conforto material ou a tranquilidade emocional. Ele sente que foi criado para algo maior. De fato, há no coração humano uma sede que não encontra saciedade a não ser em Deus. 

Como podemos cuidar de nossa interioridade? Um dos caminhos mais simples é o da meditação. O ideal é que ela se torne um hábito cotidiano (duas vezes por dia). Basta recolher-se num lugar tranquilo e, em silêncio e quietude, ficar na presença de Deus. Durante vinte a trinta minutos, o meditante permanece repetindo o santo Nome de Jesus, com toda a atenção voltada para ele. 






Quando meditamos, saímos da zona dos pensamentos, das reflexões, das análises, dos desejos, das emoções e das expectativas. Queremos, na verdade, sair das estreitezas do eu superficial e deixar que o Pai do céu cuide das camadas mais profundas do nosso ser. Os efeitos da meditação serão percebidos na vida cotidiana.

A meditação nos ajuda a enxergar melhor a nossa própria interioridade. Contemplaremos com alegria a beleza que habita o nosso ser. Perceberemos com maior nitidez aquilo que há de sombrio em nós, e que precisa ser acolhido, pacificado e integrado. Mas, acima de tudo, tomaremos consciência de que bem dentro de nós mora o Espírito de Deus.

A meditação também nos ajuda a valorizar e a respeitar a interioridade de cada pessoa. Não julgaremos mais pelas aparências. Não classificaremos mais pelas exterioridades. As individualidades não serão motivos para contendas ou conflitos, pelo contrário, elas serão admiradas e respeitadas. Cada pessoa será estimada justamente por ser única. Na convivência fraterna a maior aventura será conhecer o outro e deixar-se conhecer por ele. A meditação se torna, portanto, fonte de comunhão entre as pessoas.






Ao cuidar da própria interioridade, o meditante não despreza aquilo que lhe é exterior. A meditação não aprisiona o praticante em si mesmo. Ela o conduz às profundezas do seu ser, mas o devolve mais aberto para Deus e para os seus irmãos. Desta forma, interioridade e exterioridade estarão em harmonia, e já não destoarão uma da outra. Serão como faces de uma mesma moeda.





Paz e bem


Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.


http://escolafranciscanademeditacao.blogspot.com.br/

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Conselhos de Santa Teresa D’Ávila para uma vida de oração

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1. Dirige a Deus cada um dos teus atos; oferece-os e pede-Lhe que seja para Sua honra e glória.
2. Oferece-te a Deus cinquenta vezes por dia, e que seja com grande fervor e desejo de Deus.
3. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e Sua sabedoria, em tudo, envia-Lhe o teu louvor.
4. Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandone nem as obras de oração, nem a penitência a que está habituado. Antes, intensifica-as, e verá com que prontidão o Senhor te sustentará.
5. Nunca fale mal de quem quer que seja, nem jamais escute. A não ser que se trate de ti mesmo. E terá progredido muito, no dia em que se alegrar por isso.
6. Não diga nunca, de você mesmo, algo que mereça admiração, quer se trate do conhecimento, da virtude, do nascimento, a não ser para prestar serviço. Mas então, que isso seja feito com humildade, e considerando que esses dons vêm pelas mãos de Deus.
7. Não veja em você senão o servo de todos, e em todos contempla Cristo Nosso Senhor; assim O respeitará e O venerará.

8. A respeito de coisas que não lhe diz respeito, não se mostre curioso, nem de perto, nem de longe, nem com comentários, nem com perguntas.
9. Mostrai sua devoção interior só em caso de necessidade urgente. Lembra do que diziam São Francisco e São Bernardo: “Meu segredo pertence a mim”.oracoes_todos_os_tempos_igreja
10. Cumpra todas as coisas como se Sua Majestade estivesse realmente visível; agindo assim, muito ganhará a sua alma.
11. Que seu desejo seja ver Deus. Seu temor, perdê-Lo. A dor, não comprazer na Sua presença, a satisfação, o que pode conduzi-lo a Ele. E viverá numa grande paz.
Retirado do livro: “Orações de todos os tempos da Igreja”. Prof. Felipe Aquino (org). Ed. Cléofas.
http://cleofas.com.br/conselhos-de-santa-teresa-davila-para-uma-vida-de-oracao/

A virtude da temperança