domingo, 31 de janeiro de 2016

Minha derrota, minha salvação

“Se minha natureza tivesse teimado mais em agarrar-se aos prazeres que me desgostavam; se ela se tivesse recusado a admitir que fora derrotada por esta procura fútil de satisfação onde não podia ser encontrada, e se minha constituição moral e nervosa tivesse sucumbido ao peso de meu próprio vazio, quem sabe o que poderia ter acontecido comigo? Quem poderia dizer onde eu teria acabado? 

Tinha ido longe demais para encontrar-me agora neste beco sem saída; mas a angústia e a impotência de minha situação foi algo a que sucumbi rapidamente. E minha derrota tornou-se a causa de minha salvação.”

http://reflexoes-merton.blogspot.com.br/2013/03/minha-derrota-minha-salvacao.html

Sobre o sofrimento

“Na verdade, o que muitos não entendem até ser tarde demais é que quanto mais você tenta evitar o sofrimento, mais você sofre, porque coisas pequenas e insignificantes começam a torturá-lo na proporção de seu medo de ser ferido. Aquele que mais se esforça para evitar o sofrimento é, afinal, o que mais sofre, e seu sofrimento vem de coisas tão pequenas e triviais que se pode dizer que já não é de forma nenhuma objetivo. É sua própria existência, seu próprio ser o sujeito e a fonte de sua dor, e sua existência e sua consciência serão sua maior tortura.”

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O plano de vida espiritual: II – Finalidade



Um fim ou um meio?
Na reflexão anterior, começamos a falar do Plano de vida espiritual. Vimos o que é e lembramos a importância de vencer algumas tentações, dificuldades e desculpas que atrapalham o seu cumprimento.
Depois de termos refletido sobre o que é, vamos perguntar-nos agora a respeito do para que, quer dizer, sobre a finalidade do Plano de vida espiritual.
Como fizemos em outras reflexões, acho bom começarmos com um «esclarecimento prévio». É o seguinte: o Plano de vida espiritual não é um fim em si mesmo, mas um meio(veremos para quê).
a) Muitos erram transformando, sem reparar, o Plano de vida em um fim. Acham que o mais importante é cumpri-lo, não deixar de praticar as «normas espirituais» que o integram (oração, leitura, Terço, etc.). Por isso, ficam aflitos se alguma vez chega a noite e percebem que deixaram penduradas algumas das «normas» do Plano. Então, afobados e ansiosos por completá-lo, fazem-nas atabalhoadamente, distraídos ou sonolentos, só para cumprir.
Não vou lhe dizer que não seja importante o empenho por cumprir o Plano de vida completo. É importante. Os cristãos responsáveis deveríam colocar todo o empenho em não deixar de fazer essas «normas espirituais», ainda que muitas vezes custem e exijam sacrifícios. Mas cumprir não é a finalidade. Também o fariseu da parábola do capítulo dezoito do Evangelho de São Lucas «cumpria» – Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucrosI, etc. (Luc 18,12) -, mas fazia-o só para ficar «quites» com Deus. Por isso, Jesus diz que saiu do Templo reprovado.
b) Com o que acabamos de lembrar, você compreenderá melhor algo que, no íntimo, já sabia: que o Plano de vida é um meio.
Mas… um meio para que? Para a única coisa que importa, aquela que Jesus, falando com Marta na casa de Betânia, chamou a única coisa necessária (cf. Lc 10,42): amar a Deus!
Entende-se, por isso, que São Paulo, falando de oração, de fé e de alguns sacrifícios heróicos, diga: Se não tiver amor, nada disso me aproveita (1 Cor 13, 1-3).

Um meio para amar e viver com Deus
Eu diria que o Plano de vida é um grande meio para viver algo que Jesus nos pedia na Última Ceia: Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor (Jo 15, 9). Este é o fim: permanecer no seu amor. O Plano de vida é, portanto, um meio – eficaz, praticado desde o começo do Cristianismo – para amar a Deus, para amar a Cristo e para perseverar sempre nesse amor.
Lembre-se de que o amor que Jesus nos pede é muito grande, e requer muita intimidade com Ele, com Deus. Baste agora recordar algumas palavras de Nosso Senhor. Por exemplo: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). E ainda essas outras: Se me amais, guardareis os meus preceitos. E eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito [o Espírito Santo], para que fique eternamente convosco [...], Ele permanecerá convosco e estará em vós (Jo 14, 16-17).
Como é maravilhoso o que Cristo nos promete, se lhe formos fiéis, se o amarmos e cumprirmos os seus mandamentos: chegar a ter uma intimidade de amor intensíssima, incrível, com o Pai, o Filho e o Espírito Santo; viver de modo a termos Deus – a Trindade Santíssima – dentro de nós, sendo o seus «templos» vivos (ver 1 Cor 3,16 e 6,19).
Pois bem, é justamente para alcançar essa maravilhosa realidade que procuramos ter e viver um Plano de vida espiritual.
Tudo é «coisa» de amor
Não custa muito perceber como é que as «normas» do Plano de vida nos levam a fazer o que acabamos de comentar.
Dizíamos que tudo é questão de amor, «coisa» de amor. Vamos pensar, então, no ideal do amor humano como um guia para entender isso.
O amor, todo grande amor humano, requer:
1) Aprofundar no conhecimento da pessoa amada.  Que os que se amam se conheçam cada vez mais e melhor. É claro que essa é, em grande parte, a finalidade de várias «normas» do Plano como a leitura meditada da Bíblia (especialmente do Evangelho)a leitura de livros de formação e de espiritualidade cristã; meditação…? Meios para conhecer a Deus, conhecer a Cristo, conhecer a Palavra de Deus, não só teoricamente, mas também com o coração, com um carinho vivo e prático.
2) Para amar, é preciso ganhar sensibilidade a fim de ir evitando tudo o que possa magoar ou ofender a pessoa querida. Aí está a razão dos exames de consciência, daconfissão frequente, das mortificações que fazemos para vencer – com a ajuda da graça – defeitos e indelicadezas que ofendem a Deus.
3) O amor exige dialogar, conversar com o coração aberto e sincero, ouvir com carinho e falar com carinho, oferecer e pedir com confiança. Isso é o que nos propomos com ameditação, a oração mental, a visita ao Santíssimo Sacramento…; e, em geral, com todo tipo de orações, dentre as quais merece um especial destaque o Santo Rosário.
4) Não existe amor sem que os que se querem bem tenham, um para com o outro, muitos detalhes delicados, como palavras afetuosas, pequenos presentes e atenções. As «normas» que cumprem essa finalidade são, entre outras, o oferecimento do dia a Deus, a recitação do Anjo do Senhor pelo menos ao meio-dia, as jaculatórias e outras orações breves espalhadas ao longo do dia, as pequenas mortificações “de aperfeiçoamento”, que ajudem a fazer melhor o que já fazemos por Deus, etc.
5) O máximo anseio dos que se amam é chegarem a ser um só coração, uma só vida, a terem uma união perfeita e feliz. Para nós, não há maior união com Deus – com Jesus – do que a Eucaristia: a Santa Missa e a Comunhão.
Você percebeu? Falando de «coisas de amor», como diz «A banda» do Chico Buarque, foram aparecendo, como práticas naturais e muito convenientes (em maior ou menor medida, conforme as pessoas), as «normas» que constituem um bom Plano de vida espiritual. Meios, em suma, para um único fim: amar a Deus e, com a força de seu amor, amar ao próximo. Isto é a santidade.
http://www.padrefaus.org/archives/839

O plano de vida espiritual:I – O que é



O que é um “plano de vida espiritual”?
O “plano de vida espiritual” consiste, simplesmente, em programar as práticas da vida espiritual (oração, comunhão, leituras, terço, etc.) de modo a garantir que sejam realizadas com ordem e constância. Esse “plano” tem dois aspectos:
1º) A definição do “tipo” de práticas espirituais que nos propomos a exercitar. Quer o tipo, quer o número e a frequência dessas práticas não tem que ser o mesmo para todos: para uns, o plano consistirá em rezar algumas orações breves ao acordar e ao deitar e em ler diariamente o Evangelho durante cinco ou dez minutos; para outros, além disso, o plano incluirá a Comunhão frequente e, diariamente, a meditação, o Terço, uma leitura formativa, o exame de consciência, etc. Dependerá das circunstâncias espirituais de cada pessoa.
Uma boa direção espiritual pessoal poderá aconselhá-lo sobre o tipo e o número de práticas que lhe convém em cada momento da vida, sobre a frequência delas, e sobre a conveniência, lógica e natural, de ir aumentando-as um pouco, por um plano inclinado, à medida que a alma amadurece. Nisso do “aumento” também não há regras fixas: cada alma é “uma” alma.
2) O segundo aspecto consiste em definir, de modo claro e concreto, o momento do dia em que cada prática será cumprida, ou seja, definir um horário, que garanta que o “plano” não fique inutilmente só nos desejos gerais, mas seja um meio eficaz de formação e de crescimento espiritual.
Monotonia e amor
É interessante, a esse respeito, ler as seguintes palavras de “Caminho“: «Sujeitar-se a um plano de vida, a um horário, é tão monótono!, disseste-me. – E eu te respondi: há monotonia porque falta Amor» (n. 77).
1) A “monotonia”! Fazer todos os dias as mesmas coisas é tão monótono – podemos pensar -, acaba tornando-se rotina, prática mecânica. Não seria melhor rezar, ler, comungar, etc. só de vez em quando, nos momentos em que nos sentirmos mais dispostos, com mais condições de aproveitar esses meios, ou mais necessitados de Deus?
Com Camões, vou-lhe responder: «ledo engano!», ou seja, não. O problema da “monotonia” ou da “rotina” não procede da repetição, mas do vazio de amor do coração. Talvez entenda isso, tomando como referência um fato real:
Uma boa senhora de família minha conhecida veio conversar comigo, para desabafar e pedir conselho. Nem tinha começado a falar, e já chorava. Quando lhe perguntei por que, respondeu: “Durante vinte anos, meu marido, todos os dias, ao sair de casa para o trabalho, se despedia de mim com um beijo. Desde faz dois meses, ele sai sem nem avisar”. Andava mal aquele amor. Tão mal, que o drama da separação veio pouco depois. Deu para entender? Havendo amor, a repetição da mesma prática diária não é rotineira. Isso é o que devemos procurar, e pedir a Deus: amor. “Mas… e se não sinto esse amor?”
2) Aí vem um segundo ponto. Será que amar é sentir? Quando uma mãe, fatigada e morta de sono, levanta três, quatro, cinco vezes à noite para amamentar ou acalmar o seu bebê, duvido que “sinta” uma grande emoção ou alegria. Mas ela ama seu filho, e esse seu amor – quer sinta, quer não sinta – justifica todos os seus sacrifícios. “Sentir amor”, muitas vezes significa “sentir-me bem a mim mesmo…, ter prazer (como quando “sinto” vontade de beber cerveja, e então bebo; e quando não sinto, não bebo)
O amor daquela mãe é mil vezes mais autêntico que o amor de uma mulher superficial, que logo pensa em separação quando nota que a convivência com o marido já não lhe dá prazer, não lhe traz satisfações. A esse falso amor, chama-se “egoísmo”.
«Passou-me o entusiasmo”, escreveste-me. – Tu não deves trabalhar por entusiasmo, mas por Amor; com consciência do dever, que é abnegação» – lemos também em“Caminho” (n. 994). É isso o que faz a mãe do bebê chorão. E Deus será menos? Não estaremos dispostos a dar-lhe o que daríamos a uma pessoa querida, sendo que, ao rezar, comungar, etc, na realidade é Ele quem nos ama e nos dá, é Ele quem se entrega a nós.
Amar é “querer”
Não caiamos, portanto, na cilada da falsa autenticidade. Amar é “querer” bem (o bem, o que é bom), custe o que custar. Por isso, pergunto-lhe ainda com “Caminho“: «Dizes que sim, que queres. – Está bem. -Mas queres como um avaro quer o seu ouro, como a mãe quer ao seu filho, como um ambicioso quer as honras, ou como um pobre sensual quer o seu prazer? – Não? Então não queres».
Pense um pouco nos sacrifícios que é capaz de fazer, nos compromissos a que não falta de jeito nenhum, nas despesas que não mede aquele que “quer” mesmo ficar rico, ou ganhar uma posição política elevada, ou satisfazer um prazer que o traz alucinado… Então? Deus não merece mais?
Se medita nisso, compreenderá a grande importância de ter e seguir um plano de vida espiritual, definindo-o bem claramente por escrito na sua agenda, e ficará precavido contra os “grandes inimigos” do plano de vida espiritual:
a) os sentimentalismo egoísta e a autenticidade falsa, já mencionados;
b) o engano perigosíssimo de quem diz a si mesmo: “agora, na hora prevista no plano para a oração, não vou fazer; faço depois”. Quase sempre, o “depois” não existe. É muito melhor, quando se prevê dificuldade, fazê-lo “antes”, ou seja, adiantar uma prática, que você prevê que não poderá cumprir no horário previsto. São Josemaria dizia, meio brincando e muito a sério, que os grandes inimigos da alma são: “amanhã, depois, achei que, pensei que”… Quer dizer, as desculpas, que continuam sendo desculpas por mais que queiramos justificá-las. Quase sempre, o momento em que Deus nos concede mais graça é precisamente o “mau momento”, aquela hora em que nos custa cumprir o nosso compromisso de fé e amor a Deus, e, mesmo assim, nos vencemos e o cumprimos;
c) também é um inimigo o desânimo de achar que não serve de nada cumprir fielmente o plano, ao vermos que, por mais que o cumpramos não melhoramos. Creio que basta outro ponto de Caminho para responder a isso: «Quantos anos comungando diariamente! Qualquer outro seria santo – disseste-me -, e eu, sempre na mesma! -Meu filho – respondi-te -, continua com a Comunhão diária e pensa: Que seria de mim se não tivesse comungado?».
Se tiver oportunidade de ler alguma vida de Santa Teresa de Ávila, a mulher admirável, forte, dinâmica e empreendedora, que era ao mesmo tempo uma alma mística, de elevadíssima oração, verá como a santa conta que as horas de oração que lhe trouxeram mais proveito espiritual foram aquelas (muitas!), em que se sentia incapaz de pensar e de sentir na capela, mas perseverava nos seus horários de oração, entregando-se assim humildemente nas mãos de Deus.

http://www.padrefaus.org/archives/824

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Os “10 Degraus do Amor” segundo o grande místico São João da Cruz

O carmelita Doutor da Igreja é um dos maiores nomes da espiritualidade católica de todos os séculos

S João da Cruz

O primeiro degrau faz a alma enfermar-se proveitosamente… porque nele a alma morre para o pecado e para todas as coisas que não são de Deus.

O segundo degrau faz a alma buscar a Deus sem cessar.

O terceiro degrau da escala amorosa é o que faz a alma agir e lhe dá calor e ardor para não pecar. Diz o salmista: “Feliz quem teme o Senhor e se entusiasma com seus mandamentos” (Salmo 11,1)… Considera pequenas as grandes obras que fazes pelo Amado; as que são muitas, considera poucas.

O quarto degrau é o constante sofrimento sem desânimo.

O quinto degrau do amor impele a alma a desejar a Deus impacientemente.

O sexto degrau faz a alma correr com leveza para Deus e tocá-lo muitas vezes e, sem desfalecer, correr pela esperança. O amor a faz tão forte que a leva a voar suave. Diz Isaías: “Os que esperam no Senhor renovam suas forças, abrem as asas como as águias, correm sem cansar-se, caminham sem desfalecer” (Isaías 40, 31).

O sétimo degrau desta escada torna a alma atrevida e veemente. É o que diz o Apóstolo: “A caridade tudo crê, tudo espera e tudo pode” (1Cor 13, 7). Os que alcançaram este grau conseguem de Deus o que lhe pedem com gosto: “Será o Senhor a tua delícia e te dará o que pede o teu coração”.

O oitavo degrau do amor leva a alma a segurar-se no Amado sem soltar-se dele, como diz a esposa: “Encontrei o amor da minha alma; agarrei-o e não mais o soltarei” (Ct, 3, 4).

O nono degrau faz a alma arder suavemente. Este é o degrau dos perfeitos, que ardem suavemente, porque o Espírito Santo produz neles este ardor suave e deleitoso, consequência da união que têm com Deus.

O décimo degrau já não é desta vida. O décimo e último degrau desta escada secreta do amor torna a alma totalmente semelhante a Deus pela clara visão de Deus que a alma possui imediatamente, pois, havendo chegado nesta vida ao nono grau, ela sai do corpo. Estes poucos que o alcançam não entram no purgatório, pois já estão mais do que purificados pelo amor.

http://pt.aleteia.org/2015/12/14/os-10-degraus-do-amor-segundo-o-grande-mistico-sao-joao-da-cruz/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Dec%2014,%202015%2007:41%20pm

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Uma sabedoria diferente

“ Deve haver um momento no dia em que o homem que faz planos os esqueça e aja como se não tivesse feito plano algum.

Deve haver uma hora do dia em que o homem que precisa falar fique em total silêncio. E que sua mente não mais formule raciocínios e ele se pergunte: tinham algum sentido?

Deve haver um tempo em que o homem de oração vai orar como se fosse a primeira vez que ora na vida; quando um homem resoluto põe suas resoluções de lado como se todas tivessem sido quebradas e aprende uma sabedoria diferente: distinguir entre o sol e a luz, entre as estrelas e as trevas, entre o mar e a terra firme, entre o céu noturno e a encosta da colina. ”





No Man is an Island, de Thomas Merton
(Harcourt Brace Jovanovich, Publishers, New York), 1955. p. 260
No Brasil: Homem algum é uma ilha, (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 218

http://reflexoes-merton.blogspot.com.br/search/label/%C3%81udio

domingo, 10 de janeiro de 2016

Os 25 segredos da luta espiritual que Jesus revelou a Santa Faustina

Como proteger-se dos ataques do demônio

<a href="http://www.shutterstock.com/pic.mhtml?id=120197827&src=id" target="_blank" />Praying with a rosary</a> © Ruggiero Scardigno / Shutterstock

Em Cracóvia, no dia 2 de junho de 1938, o Senhor Jesus ditou a uma jovem Irmã da Misericórdia um retiro de três dias. Faustina Kowalska registrou minuciosamente as instruções de Cristo em seu diário, que é um manual de mística na oração e na misericórdia divina.
Este diário guarda as revelações de Cristo sobre o tema da luta espiritual, sobre como proteger-se dos ataques do demônio. Estas instruções se tornaram a arma de Faustina na luta contra o maligno inimigo.
Jesus começou dizendo: ” Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual”. E estes foram seus conselhos:
1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.
A confiança é uma arma espiritual. Ela é parte do escudo da fé que São Paulo menciona na Carta aos Efésios (6, 10-17): a armadura do cristão. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.
2. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome.
Em tempos de guerra espiritual, reze imediatamente a Jesus. Invoque seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leve as trevas à luz contando tudo ao seu diretor espiritual ou confessor, e siga suas instruções.
3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.
No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de dar as costas ao demônio.
4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.
Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isso não falha!
5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.
O amor próprio é natural, mas precisa ser ordenado, livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás nos tenta no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.
6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.
A paciência é uma grande arma secreta que nos ajuda a manter a paz da nossa alma, inclusive nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo nos tenta à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, de maneira que fiquemos com raiva. Olhe para você mesmo com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.
7. Não descuides as mortificações interiores.
A Escritura nos ensina que alguns demônios só podem ser expulsos com oração e jejum. As mortificações interiores são armas de guerra. Podem ser pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.
8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.
Cristo falava a Santa Faustina, que morava em um convento. Mas todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.
9. Foge dos que murmuram, como se da peste.
A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Estar murmurando ou fazendo fofoca nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas e fofocas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeite as murmurações.
10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.
A mente da pessoa é a chave na guerra espiritual. O diabo é um intrometido que tenta arrastar todo mundo. Procure agradar Deus e deixe de lado as opiniões dos outros.
11. Observa a Regra o mais fielmente possível.
Jesus se refere à Regra de uma ordem religiosa aqui. Mas todos nós já fizemos algum tipo de voto ou promessa diante de Deus e da Igreja e precisamos ser fiéis a isso: promessas batismais, votos matrimoniais etc. Satanás nos tenta para nos levar à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória.
12. Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.
Ser um canal da misericórdia divina é uma arma para fazer o bem e derrotar o mal. O diabo trabalha usando o ódio, a raiva, a vingança, a falta de perdão. Muitas pessoas já nos ofenderam. O que devolveremos em troca? Responder com uma bênção destrói maldições.
13. Evita a dissipação.
Uma alma faladeira será mais facilmente atacada pelo demônio. Derrame seus sentimentos somente diante do Senhor. Os sentimentos são efêmeros. A verdade é sua bússola. O recolhimento interior é uma armadura espiritual.
14. Cala-te quando te repreenderem.
Todos nós já fomos repreendidos em algum momento. Não temos nenhum controle sobre isso, mas podemos controlar nossa resposta. A necessidade de ter a razão o tempo todo pode nos levar a armadilhas demoníacas. Deus sabe a verdade. Deixe-a ir. O silêncio é uma proteção. O diabo pode utilizar a justiça própria para nos fazer tropeçar também.
15. Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança.
A simplicidade da vida pode expulsar os demônios. a honestidade é uma arma para derrotar Satanás, o mentiroso. Quando mentimos, colocamos um pé no terreno dele, e ele tentará nos seduzir mais ainda.
16. Não te desencorajes com a ingratidão.
Ninguém gosta de ser subestimado. Mas quando nos encontramos com a ingratidão ou com a insensibilidade, o espírito de desânimo pode ser um peso para nós. Resista a todo desânimo, porque isso nunca vem de Deus. É uma das tentações mais eficazes do diabo. Seja grato diante de todas as coisas do dia e você sairá ganhando.
17. Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.
A necessidade de conhecer e a curiosidade pelo futuro são tentações que levaram muitas pessoas aos quartos escuros do ocultismo. Escolha caminhar na fé. Decida confiar em Deus, que o leva ao caminho do céu. Resista sempre ao espírito de curiosidade.
18. Quando o enfado e o desânimo bateram à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração.
Jesus entrega a mesma mensagem pela segunda vez. Agora Ele se refere ao tédio. No começo do Diário, Ele disse a Santa Faustina que o diabo tenta mais facilmente as almas ociosas. Tenha cuidado com isso, porque as almas ociosas são presa fácil do demônio.
19. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.
O medo é a segunda tática mais comum do diabo (a primeira é o orgulho). A coragem intimida o diabo; ele fugirá diante da perseverante coragem que se encontra em Jesus, a rocha. Todas as pessoas lutam, e Deus é nossa provisão.
20. Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.
Jesus pede a Santa Faustina que lute com convicção. Ela pode fazer isso porque Cristo a acompanha. Nós, cristãos, somos chamados a lutar com convicção contra todas as táticas demoníacas. O diabo tenta aterrorizar as almas, mas precisamos resistir ao seu terrorismo. Invoque o Espírito Santo ao longo do dia.
21. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade.
Todo mérito radica na vontade, porque o amor é um ato da vontade. Somos completamente livres em Cristo. Precisamos fazer uma escolha, uma decisão para bem ou para mal. Em que lado vivemos?
22. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.
Aqui, Jesus está instruindo uma freira. Todos nós temos o Senhor como nosso superior (representado também pelos padres, confessores, diretores espirituais). A dependência de Deus é uma arma de guerra espiritual, porque não podemos ganhar por nossos próprios meios.
23. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.
Santa Faustina sofreu física e espiritualmente. Ela estava preparada para grande batalhas, pela graça de Deus. Cristo nos instrui claramente na Bíblia a estar preparados para grandes batalhas, para revestir-nos da armadura de Deus e resistir ao diabo (Ef 6, 11).
24. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam.
Estamos todos em um grande cenário no qual o céu e a terra nos olham. Que mensagem estamos dando com nossa forma de vida? Que tonalidades irradiamos: luz? Escuridão? Cinza? A forma como vivemos atrai mais luz ou escuridão? Se o diabo não conseguir nos levar para a escuridão, tentará nos manter na categoria dos medíocres, do cinza, que não é agradável a Deus.
25. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.
As palavras do Senhor a Santa Faustina podem se transformar em nosso lema: “Lute como um cavaleiro!”. Um soldado de Cristo sabe bem a causa pela qual luta, a nobreza da sua missão, conhece o Rei ao qual serve; e luta até o final, com a abençoada certeza da vitória.
Se uma jovem polonesa, sem formação, uma simples freira, unida a Cristo, pode lutar como um cavaleiro, um soldado, todo cristão pode fazer o mesmo. A confiança é vitoriosa.
* * *
Para guardar as palavras de Jesus:
“Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração e, na primeira oportunidade, conta-a ao confessor. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma. Não descuides as mortificações interiores. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor. Foge dos que murmuram, como se da peste. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.
Observa a Regra o mais fielmente possível. E, se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer. Evita a dissipação. Cala-te, quando te repreenderem; não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança. Não te desencorajes com a ingratidão; não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo; quando o enfado e o desânimo bateram á porta do teu coração. Foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.
Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.” (D.1760)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Alerta


É a voz de comando dada ao soldado…!
É a recomendação do Senhor a seus discípulos: “Vigiai! Vigiai!”
Alerta!
Os mais valentes são tão fracos!
Não somos mais santos do que Davi…! e Davi caiu em pecado sensual. Não somos tão sábios como Salomão…! e Salomão caiu no pecado da carne.
Não praticamos os rigores de penitência como um Jerônimo, no deserto. E se S. Jerônimo não caiu na culpa da impureza, lembremo-nos contudo de que sua memória era assaltada pelas lembranças das danças romanas.

Não somos mais eloquentes do que Lutero…! e Lutero caiu no pecado sensual. Estava certa noite o firmamento belo e esplêndido, e ele com Catarina de Bora, por ele seduzida, contemplava esse céu imenso, matizado por miríades de estrelas… Foi então que ele, arrancando do peito um suspiro, exclamou: “Estás vendo o que não é para nós! Nós não iremos, ambos, para aquele lado”.
Toma pois cuidado, meu jovem! Quem ama o perigo, perecerá nele.
Foge do que pode atear a chama da concupiscência.
A lenda nos conta que as salamandras vivem intactas no fogo. Mas o teu caso é exatamente o contrário do das salamandras: és um ser eminentemente inflamável. Sendo-se isca deve-se ter o maior cuidado com a centelha, nem se passa com fogo junto dos paióis de pólvora.

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No Amado acho as montanhas,
Os vales solitários, povoados de árvores,
As ilhas mais estranhas, os rios rumorosos,
E o sussurro dos ares amorosos;
A noite sossegada,
Quase aos levantes do raiar da aurora;
A música calada, a solidão sonora,
A ceia que recreia e que enamora.

(São João da Cruz)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Litaniae Sanctorum



Kyrie, eleison (Kyrie, eleison.)
Christe, eleison (Christe, eleison.)
Kyrie, eleison (Kyrie, eleison.)

Christe, audi nos (Christe, audi nos.)
Christe, exaudi nos. (Christe, exaudi nos.)

Pater de caelis, Deus, (miserere nobis.)
Fili, Redemptor mundi, Deus, (miserere nobis.)
Spiritus Sancte, Deus, (miserere nobis.)
Sancta Trinitas, unus Deus, (miserere nobis.)
Sancta Maria,
Sancta Dei Genetrix,
Sancta Virgo virginum,

Sancte Michael,
Sancte Gabriel,
Sancte Raphael,
Omnes sancti Angeli et Archangeli,
Omnes sancti beatorum Spirituum ordines,

Sancte Ioannes Baptista,
Sancte Ioseph,
Omnes sancti Patriarchae et Prophetae,

Sancte Petre,
Sancte Paule,
Sancte Andrea,
Sancte Iacobe,
Sancte Ioannes,
Sancte Thoma,
Sancte Iacobe,
Sancte Philippe,
Sancte Bartolomaee,
Sancte Matthaee,
Sancte Simon,
Sancte Thaddaee,
Sancte Matthia,
Sancte Barnaba,
Sancte Luca,
Sancte Marce,
Omnes sancti Apostoli et Evangelistae,
Omnes sancti discipuli Domini,

Omnes sancti Innocentes,
Sancte Stephane,
Sancte Laurenti,
Sancte Vincenti,
Sancti Fabiane et Sebastiane,
Sancti Iohannes et Paule,
Sancti Cosma et Damiane,
Sancti Gervasi et Protasi,
Omnes sancti martyres,

Sancte Sylvester,
Sancte Gregori,
Sancte Ambrosi,
Sancte Augustine,
Sancte Hieronyme,
Sancte Martine,
Sancte Nicolae,
Omnes sancti Pontifices et Confessores,
Omnes sancti Doctores,

Sancte Antoni,
Sancte Benedicte,
Sancte Bernarde,
Sancte Dominice,
Sancte Francisce,
Omnes sancti Sacerdotes et Levitae,
Omnes sancti Monachi et Eremitae,

Sancta Maria Magdalena,
Sancta Agatha,
Sancta Lucia,
Sancta Agnes,
Sancta Caecilia,
Sancta Catharina,
Sancta Anastasia,
Omnes sanctae Virgines et Viduae
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Omnes Sancti et Sanctae Dei, (intercedite pro nobis.)
Propitius esto, (parce nos, Domine.)
Propitius esto, (exaudi nos, Domine.)
Ab omni malo,
Ab omni peccato,
Ab ira tua,
A subitanea et improvisa morte,
Ab insidiis diaboli,
Ab ira et odio et omni mala voluntate,
A spiritu fornicationis,
A fulgure et tempestate,
A flagello terraemotus,
A peste, fame et bello,
A morte perpetua,
Per mysterium sanctae Incarnationis tuae,
Per adventum tuum,
Per nativitatem tuam,
Per baptismum et sanctum ieiunium tuum,
Per crucem et passionem tuam,
Per mortem et sepulturam tuam,
Per sanctam resurrectionem tuam,
Per admirabilem ascensionem tuam,
Per adventum Spiritus Sancti Paracliti,
In die iudicii,
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Peccatores,

Ut nobis parcas,

Ut nobis indulgeas,

Ut ad veram paenitentiam nos perducere digneris,

Ut Ecclesiam tuam sanctam regere et conservare digneris,

Ut domum Apostolicum et omnes ecclesiasticos ordines in sancta religione conservare digneris,
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Ut inimicos sanctae Ecclesiae humiliare digneris,

Ut regibus et principibus christianis pacem et veram concordiam donare digneris,

Ut cuncto populo christiano pacem et unitatem largiri digneris,

Ut omnes errantes ad unitatem Ecclesiae revocare, et infideles universos ad Evangelii lumen perducere digneris,

Ut nosmetipsos in tuo sancto servitio confortare et conservare digneris,

Ut mentes nostras ad caelestia desideria erigas,

Ut omnibus benefactoribus nostris sempiterna bona retribuas,

Ut animas nostras, fratrum, propinquorum et benefactorum nostrorum ab aeterna damnatione eripias,

Ut fructus terrae dare et conservare digneris,

Ut omnibus fidelibus defunctis requiem aeternam donare digneris,

Ut nos exaudire digneris,

Fili Dei,

A virtude da temperança