quinta-feira, 27 de julho de 2017

Os 7 hábitos diários das pessoas que querem ser santas

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Para quem quer realmente ser "outro Cristo" nesta vida

Ninguém nasce santo. A santidade é alcançada com muito esforço, mas também com a ajuda e a graça de Deus. Todos, sem exceção, são chamados a reproduzir em si mesmos a vida e o exemplo de Jesus Cristo, caminhar seguindo seus passos.
Se você está lendo isso, é porque tem interesse em levar a sua vida espiritual com mais seriedade de agora em diante.
O segredo da santidade é o contato contínuo com Deus. Falaremos aqui de alguns pontos que podem nos ajudar a conhecer, amar e servir Jesus, e que nos capacitam para amar e doar-nos às outras pessoas, na caridade.
Antes de expor quais são os 7 hábitos, é preciso lembrar de três aspectosque nos ajudam a vivê-los:
– Primeiro: lembre-se de que o crescimento neste hábitos é como um programa de exercícios físicos, uma academia, uma dieta, ou seja, é um trabalho de processo gradual. Não tente fazer tudo desde o começo; trabalhe um a um, e vá acrescentando mais hábitos ao longo do tempo.
– Segundo: Procure viver estes hábitos como um firme propósito, mas contanto sempre com a ajuda do Espírito Santo e dos seus intercessores especiais, para fazer dos hábitos de santidade uma prioridade na sua vida.
– Terceiro: Viver os hábitos não é uma perda de tempo. Muito pelo contrário: com eles, você ganha tempo. Nenhuma pessoa que os vive diariamente vai ser menos produtiva em seu trabalho, nem vai comprometer sua vida familiar ou social. Deus sempre recompensa aqueles que o colocam em primeiro lugar.
Os 7 hábitos da santidade
1. Oferecimento do dia pela manhã
Você pode fazer uma breve oração simples, com suas palavras, oferecendo todo o seu dia para a glória de Deus. O mais difícil aqui é conseguir fazer disso um hábito: levantar-se pontualmente, ter um momento fixo para este oferecimento, não deixar espaço para a preguiça.
2. Quinze minutos de oração em silêncio
Dedique pelo menos 15 minutos a conversar com Deus no início do dia. Esta é a sua hora da verdade e seu momento superior. Abra-se com Ele e fale daquilo que ocupa sua mente e seu coração; tente ouvir a voz de Deus em seu interior e conhecer sua vontade.
3. Quinze minutos de leitura espiritual
Você pode dividir este tempo em: 5 minutos lendo um trecho do Evangelho, para identificar-se com a Palavra e ações de Jesus, e outros 10 minutos lendo algum livro clássico de espiritualidade católica, recomendado pelo seu diretor espiritual.
4. Participar da Missa e comungar
Este é o hábito mais importante de todos. A Eucaristia é o centro da nossa vida interior e, consequentemente, do nosso dia. É o ato mais íntimo do ser humano, um encontro com Cristo vivo.
5. Rezar o Ângelus (ou Regina Coeli, no período pascal) ao meio-dia
Rezar esta breve oração é um costume católico muito antigo. O ideal é rezar três vezes ao dia (6h, 12h, 18h), mas fazer uma pausa ao meio-dia para honrar Nossa Senhora ajuda especialmente a recordar o sentido da nossa vida no meio da nossa jornada.
6. Rezar o terço
Meditar diariamente nos mistérios da vida de Jesus é um hábito que, uma vez adquirido, é difícil de abandonar. Maria é um ótimo atalho rumo a Jesus e um dos melhores exemplos que Deus nos deu a imitar.
7. Exame de consciência antes de dormir
Você pede luz ao Espírito Santo e dedica alguns minutos a revisar seu dia na presença do Senhor, identificando se seu comportamento foi digno de um filho de Deus ao longo da jornada. Depois disso, você faz um ato de gratidão pelas graças recebidas nesse dia, e um ato de contrição pelas falhas cometidas voluntariamente.
Você diante de Deus
Seja honesto com você mesmo e com Deus. Estes hábitos, se bem vividos, nos capacitam para vivenciar a segunda parte do grande mandamento de Deus: amar o próximo como a nós mesmos.
Estamos nesta vida para amar a Deus e imitar Jesus no amor ao próximo. Para isso, precisamos nos transformar em outro Cristo, por meio da oração e dos sacramentos. Vivendo estes sete hábitos, chegaremos a ser pessoas santas e apostólicas, como Deus espera de nós.

Tudo o que você precisa saber sobre: a leitura espiritual


Este é um hábito diário de quase todos os santos canonizados da Igreja Católica

O que é a “leitura espiritual”?
Há muitos tipos de leitura religiosa, mas não vou falar agora de todos nem de vários deles. Apenas falarei de um: daquele que, na linguagem clássica cristã, se chama «leitura espiritual», em sentido estrito, e que costuma fazer parte do programa diário das pessoas que querem levar a sério a sua vida interior.
Consiste na leitura atenta e bem assimilada de um livro que trate de assuntos de «vida espiritual», com seriedade e boa doutrina, e que os focalize de maneira prática, de modo que nos ajude a aplicá-los à nossa vida diária.
Tenha em conta que, dentro do conceito estrito de «vida espiritual» ou de «vida interior», não só entram as práticas de oração, de adoração, a Eucaristia, o amor a Nossa Senhora e outras devoções… – que são, sem dúvida, elementos básicos de uma vida espiritual autêntica-, mas entram também as virtudes e o modo de melhorá-las (fé, caridade, paciência, firmeza, temperança, constância, etc.), bem como os defeitos (vaidade, preguiça, ira, inveja, desordem sensual, etc.) e o modo de vencê-los; e ainda o esforço por santificar a família, por achar Deus no trabalho, por levar Deus a outras almas, etc, etc. Em suma, entra tudo quanto nos ajuda a procurar a santidade e o apostolado no dia-a-dia.
Como fazer a leitura espiritual?
1) Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la, sempre que possível, diariamente.
2) Ao tomar essa decisão deverá ter em conta:
a) Primeiro: que é importante escolher o melhor momento do dia – o “seu” melhor momento -para essa leitura. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família…)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No ônibus ou no metrô, desde que possa sentar-se? Pense, tire experiências, e defina.
b) Pense que será mais fácil definir o horário, se tiver consciência de que a leitura não precisa ser longa: ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom fruto dessa prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido, e aproveitado, mais livros bons do que imagina.
c) É importante que você defina – volto a dizer – o lugar, o momento e a duração dessa leitura espiritual. E acrescento um conselho, fruto da experiência: se você definir dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como “norma”, nunca menos. Caso queira esticar essa leitura por mais tempo, ou deseje ler mais em outra hora, não há problema, mas considere isso como “leitura extra”. É só em relação ao seu programa diário, aos seus dez ou quinze minutos, que deve se sentir comprometido, com sincera exigência.
d) Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais daquela temporada.
e) Uma vez definido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, “debicando” por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.
f) Não importa quanto tempo demorar a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é assim gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto. Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).
g) Depois da leitura diária, ao fechar o livro e pergunte-se: O que foi que eu li, o que compreendi, o que me ficou mais gravado?
3. É muito bom ter o desejo de conhecer (de ler) as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a se aproximarem de Deus e a melhorar. Como diz São Josemaria: «A leitura tem feito muitos santos» (Caminho, n. 116). Para ter ideia de que tipo de livros estou falando, vou citar alguns, apenas alguns, dentre os mais conhecidos:
─ Tomás de Kempis: A imitação de Cristo
─ São Francisco de Sales: Introdução à vida devota (também chamado Filotéia), Tratado do Amor de Deus (mais “teológico”)
─ Santo Afonso Maria de Ligório: A oraçãoA prática do amor a Jesus CristoAs glórias de Maria
─ Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha): História de uma alma(também chamadoManuscritos autobiográficos)
─ Santa Teresa de Ávila: O livro da vidaCaminho de perfeição
─ Santa Catarina de Sena: O diálogo
E muitos outros, que agora seria impossível citar, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe puder dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual. A ela se pode aplicar perfeitamente o dito de Jesus: Pelos seus frutos os conhecereis (Mt 7,16).
4. Mas, antes de encerrar esta conversa, queria dar dois esclarecimentos:
a) Não confunda a «leitura espiritual» com a «oração mental» (ou a «meditação»). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que com isso estão fazendo leitura espiritual. Misturam e confundem conceitos diferentes. Veja o que já dissemos a respeito da oração e da meditação. Para a oração mental ou meditação, cada dia, se quiser, você pode escolher à vontade textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para meditar sobre a sua vida e “falar com Deus”. A «leitura espiritual», porém, como acabamos de ver, é coisa diferente: trata-se de ler em sequência, quase que de “estudar” um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça essa distinção;
b) Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta: as que nos proporcionam formação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos: desde o Primeiro Catecismo ou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, ainda que exige certo preparo doutrinário para entendê-lo bem. Um bom livro de teologia para leigos, que não hesito em recomendar, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada; excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, pode ser usado também como “leitura espiritual”.
Todos deveríamos achar algum tempo (não precisa ser diário, pode ser semanal, mais longo nas férias) para ler obras doutrinais. Hoje, num mundo de ideias confusas, é uma necessidade vital.
https://pt.aleteia.org/2017/07/16/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-leitura-espiritual/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sexta-feira, 14 de julho de 2017

«Prefiro a misericórdia»


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Ao amares o teu inimigo, desejas que ele seja para ti um irmão. Não amas o que ele é, mas aquilo em que queres que ele se torne. Imaginemos um pedaço de madeira de carvalho em bruto. Um artesão hábil vê essa madeira, cortada na floresta; a madeira agrada-lhe; não sei o que quer fazer dela, mas não é para a deixar como está que o artista gosta dela. A sua arte faz com quepense em que é que se pode transformar essa madeira; o seu amor não é dirigido à madeira em bruto: ele ama o que fará com ela e não a madeira em bruto. 

Foi assim que Deus nos amou quando éramos pecadores. Na verdade, Ele disse: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes». Ter-nos-á Ele amado pecadores para que permaneçamos pecadores? O Artesão viu-nos como um pedaço de madeira em bruto, vindo da floresta; porém, o que Ele tinha em vista era a obra que nela faria e não a madeira em si, nem a floresta. 

Contigo passa-se a mesma coisa: vês o teu inimigo opor-se a ti, encher-te de palavras mordazes, tornar-se rude nas afrontas que te faz, perseguir-te com o seu ódio. Mas tu sabes que ele é um homem. Vês tudo o que esse homem fez contra ti, mas também vês nele aquilo que foi feito por Deus. Aquilo que ele é, enquanto homem, é obra de Deus; o ódio que te tem é obra dele. E que dizes tu para contigo? «Senhor sê benevolente para com ele, perdoa-lhe os pecados, inspira-lhe o teu temor, converte-o.» Não amas nesse homem aquilo que ele é, mas aquilo que queres que ele venha a ser. Assim, quando amas um inimigo, amas nele um irmão.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Comentário sobre a primeira carta de João, § 8,10

7 coisas que você não sabia sobre São Camilo de Léllis

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Queremos te apresentar 7 coisas que talvez não conhecia sobre São Camilo de Lélis, este grande santo padroeiro dos enfermos.

1. Seu nascimento foi considerado um milagre

A mãe de Camilo, quando estava grávida, sonhou que seu filho encabeçava um grupo em que todos levavam uma cruz vermelha no peito. Quando São Camilo nasceu, sua mãe tinha quase 60 anos e este fato foi considerado um milagre.

2. Seu pai foi mercenário

Seu pai era mercenário ao serviço da Espanha ou de Veneza e levou Camilo aos 18 anos para as batalhas.

3. Iniciou seus estudos aos 32 anos

Com 32 anos ingressou no Colégio Romano dos jesuítas, onde progrediu rapidamente nos estudos. Foi ordenado sacerdote em 26 de maio de 1584 na Basílica de São João de Latrão.

4. Conheceu São Felipe Neri

Diz-se que com o acompanhamento de São Felipe Neri, passou a suavizar seu caráter rude. Com os franciscanos capuchinhos, aprendeu a humildade e o amor ao sacrifício e, com os jesuítas, compreendeu a forte exigência da vida espiritual.

5. Rezava o Rosário todos os dias

Não só rezava o Rosário diariamente, como também incentivavam os outros a fazerem o mesmo. Celebrava a Missa todos os dias (algo que não era costume naquele tempo) e tinha uma grande piedade Eucarística.

6. Foi precursor da Cruz Vermelha

O Santo fundou os Servos dos Enfermos e os enviou aos campos de batalha. Assim, 250 anos antes do nascimento da Cruz Vermelha Internacional, a “cruz vermelha” estampada nos hábitos dos filhos de São Camilo já brilhava nos campos de batalha como sinal de fraternidade.

7. Profetizou a sua morte

Profetizou que morreria em Roma na festa de São Boaventura (14 de julho segundo o antigo calendário litúrgico) e assim aconteceu. Seu corpo foi embalsamado e retiraram o seu coração, o qual ainda hoje se encontra em um relicário.

São Camilo de Léllis, servia a Cristo na pessoa do doente

São Camilo de LéllisFoi brotando em São Camilo de Léllis o carisma de servir a Cristo na pessoa do doente, do peregrino

Nasceu no ano de 1550 na Itália. Filho de pai militar, também seguiu essa carreira, mas não pode prosseguir devido a um tumor em um dos pés. Recorreu ao hospital de São Tiago em Roma, onde viveu sua compaixão pelos outros doentes.

Porém, ele deu um ‘sim’ ao pecado, entregando-se ao vício do jogo, onde perdeu tudo e ficou na miséria total. Saiu do hospital devido o seu temperamento. Foi de hospital em hospital para cuidar de sua ferida, até bater na porta dos franciscanos capuchinhos e ali quis trabalhar na obra de Deus.

Com 25 anos começou o seu processo de conversão. No hospital em Roma, Deus suscitou nele a santidade de ver nos doentes a pessoa de Cristo e também o carisma dos ‘Camilianos’. Camilo também viveu uma bela amizade com São Felipe Néri.

Entrou para os estudos, foi ordenado sacerdote, e vendo a realidade dos peregrinos de Roma, que não tinham uma assistência médica digna, foi brotando nele o carisma de servir a Cristo na pessoa do doente, do peregrino. E muitos se juntaram a ele nessa obra. Em cada sofredor está a presença do Crucificado.

São Camilo partiu para o céu em 1614.

São Camilo de Léllis, rogai por nós!

7 fatos sobre a vida dos leigos nos primeiros séculos do cristianismo

Nos primeiros passos da Igreja, estava claríssimo que a sua missão era responsabilidade tanto dos ministros ordenados quanto dos leigos

Apesar de costumeiramente não receber uma descrição melhor do que “o leigo é aquele que não é padre nem religioso”, é da vida leiga que a Igreja é principalmente composta. O ministério ordenado, como sabemos, não é um fim em si mesmo. Bispos, padres e diáconos estão a serviço do crescimento na fé, na esperança e no amor daquela multidão de homens e mulheres que fecundam com o Espírito de Deus a vida do mundo.
O protagonismo do leigo na vida da Igreja é um tema que foi retomado com mais força em tempos recentes pelo Concílio Vaticano II, sobretudo nas constituições Lumen Gentium e Gaudium et Spes e no decreto Apostolicam Actuositatem. Por “vida da Igreja”, entenda-se tanto a sua participação na sociedade realizada a partir do Evangelho e, assim, como presença de Cristo no mundo, quanto a sua colaboração, ao lado de clérigos e religiosos, na missão evangelizadora da Igreja, assumindo serviços pastorais.
Desde o Concílio, leigos têm lentamente assumido postos na Cúria Romana e nas dioceses. São mais numerosas – mas ainda tímidas – as beatificações e canonizações de leigos. Os leigos passaram a poder estudar teologia e lecionar nessa área. Mas como vivia o laicato nos primórdios da Igreja? Confira aqui sete fatos sobre como era a vida dos leigos nos primeiros séculos do cristianismo.
  1. Laikós
A palavra “leigo” – do grego λαϊκός (“laikós”), que vem de λαός (“laós”), “povo” – não aparece no Novo Testamento. Seu primeiro registro em contexto cristão está na carta de Clemente aos coríntios, no final do século I.
  1. Eles anunciam, ensinam e participam
Mas é claro que leigos e leigas estão presentes na Igreja nascente: eles participam da eleição de Matias para a vaga que surgiu entre os doze apóstolos com a morte de Judas (cf. At 1, 23), bem como da escolha dos sete primeiros diáconos (cf. At 6, 1-6). Anunciam o Evangelho, até aproveitando as dispersões que as perseguições ocasionam (cf. At 8,4; 11,19), e assumem ministérios como o de didáscalos (mestre, doutor), como o casal Áquila e Priscila, que dá uma formação mais aprofundada da fé a Apolo (cf. At 18,26).
  1. “Já enchemos tudo”
Estava claríssimo que a missão evangelizadora da Igreja era responsabilidade tanto dos ministros ordenados quanto dos leigos. Era nas conversas do dia-a-dia, nas cidades e nos campos, que o nome de Jesus era anunciado. Tertuliano, no final do século II, louvava diante dos pagãos os frutos do testemunho cristão no meio do mundo: “Nós somos de ontem e já enchemos tudo que é vosso: cidades, ilhas, fortalezas, prefeituras, aldeias, os próprios campos, tribos, decúrias, palácio, senado, fórum; deixamo-vos apenas os templos…”
  1. Trindade
O teólogo africano Tertuliano (+220), aliás, era um dos grandes escritores da Igreja dos primeiros séculos – foi ele quem registrou pela primeira vez o termo “Trindade” e quem fez a mais antiga exposição formal sobre a teologia trinitária. E era um leigo.
  1. Apologetas
O filósofo e mártir Justino (+165) também era leigo, bem como Minúcio Félix, Lactâncio e outros escritores cristãos. Outro personagem fundamental da Igreja dos primeiros séculos, Orígenes (+ 254), já era um teólogo renomado e estava na ativa há mais de vinte anos quando foi ordenado presbítero.
  1. Pregação
Até o século III, não era raro ver leigos pregando em público nas assembleias, de forma oficial. “Onde se encontram homens em condição de ajudar os irmãos, eles são convidados pelos santos bispos a pregar para o povo”, escrevem Teoctisto de Cesareia e Alexandre de Jerusalém, bispos, em uma carta defendendo o ministério de Orígenes como pregador, na qual citam outros diversos casos. A epístola é reproduzida por Eusébio em sua História eclesiástica.
  1. A eleição dos bispos
É só no decorrer dos séculos III e IV que começam a aparecer escritos que criam um abismo entre ministros ordenados e leigos, como a Didascália e as Constituições Apostólicas. Há uma função da qual os leigos participam que, porém, é mantida religiosamente ainda por muito tempo: a eleição dos bispos. A praxe é considerar a participação de todo o povo cristão na escolha do seu bispo como uma regra indispensável. Tanto é assim que Santo Agostinho – uma exceção, pois foi apontado como bispo pelo seu antecessor, Valério –, bem como o primaz da Numídia, Megalio de Calama, que presidiu sua ordenação, se desculparam posteriormente pela eleição episcopal realizada sem a participação do povo.
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Por Felipe Koller (teólogo, com mestrado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É catequista há 12 anos e prega em retiros de jovens. Pela Editora Apostolado da Divina Misericórdia, lançou uma série de livros infantis), via Sempre Família.

sábado, 1 de julho de 2017

Encontro de Santa Teresa D’Ávila com o demônio provou o poder da água benta


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Santa Teresa D’Ávila é uma das maiores santas da história da Igreja. Uma religiosa do século XVI, mística e doutora da Igreja, e ensina que “não há nada como água benta para afugentar os demônios”.

O que poucos sabem são as experiências que a levaram a essa conclusão, que ela escreve em sua autobiografia.
No capítulo 31, ela conta um momento em que foi assediada por um demônio:
“Fora de seu corpo parecia haver uma grande chama, era imensamente brilhante e não fazia sombra. Ele me disse de uma maneira horrível que consegui escapar de suas mãos, mas que ainda me seguraria.”
Amedrontada, tentou distraí-lo com o sinal da cruz. O demônio a deixou, mas logo retornou. Isso aconteceu várias vezes, até que Teresa percebeu que tinha água benta ali perto. “Então eu lancei um pouco na direção da aparição”, ela escreveu, “e nunca voltou”.
Em outro trecho ela escreveu: “o diabo estava comigo por cinco horas, me torturando com dores tão terríveis e com a inquietação interna e externa que eu não acredito que poderia ter sofrido por mais tempo. As irmãs que estavam comigo ficaram muito assustas e não tinham idéia do que fazer comigo”. “Ela só encontrou alívio depois que pediu água benta e atirou no lugar onde viu o demônio.
É na sua explicação de tudo isso que a famosa citação vem.
“Por uma longa experiência aprendi que não há nada como água benta para afugentar os demônios  e evitar que voltem novamente. Eles também fogem da Cruz, mas retornam; a água benta deve ter uma grande virtude”.
Ela continua: “Por minha parte, sempre que a tomo, minha alma sente um consolo particular e notável. Na verdade, é bastante habitual que eu sinta um refrigério que não consigo descrever, assemelhando-se a uma alegria interior que conforta toda a minha alma.”
“Isso não é uma coisa extravagante, ou algo que me aconteceu apenas uma vez, foram mais de uma vez e eu observei com muita atenção. É, digamos, como se alguém com muito calor e sede bebesse de uma jarra de água gelada, ele sentiria refrescar todo o corpo. Muitas vezes, reflito sobre a grande importância de tudo ordenado pela Igreja e me agrada muito achar que essas palavras da Igreja são tão poderosas que dão seu poder a água e a tornam tão diferente da água que não foi abençoada”

As ideias de Santo Agostinho - Parte 3

As ideias de Santo Agostinho - Parte 2

As ideias de Santo Agostinho - Parte 1

A virtude da temperança