sábado, 28 de maio de 2016

São Leonardo de Porto Maurício

Vida de São Leonardo de Porto Maurício

São Leonardo de Porto Maurício era um frade franciscano mais sagrado que viviam no mosteiro de Saint Bonaventure, em Roma. Ele foi um dos maiores missionários na história da Igreja. Ele costumava pregar para milhares de pessoas na praça de cada cidade. Tão brilhante e santo era a sua eloquência que uma vez quando ele deu uma missão de duas semanas em Roma, o Papa e o Colégio dos Cardeais chegou a ouvi-lo. Mas o trabalho mais famoso de São Leonardo foi sua devoção à Via Sacra. Morreu… em seu septuagésimo quinto ano, após vinte e quatro anos de pregação contínua.
Um dos sermões mais famosos de São Leonardo de Porto Maurício era “o pequeno número de aqueles que são salvos.” Foi o que ele invocado para a conversão dos pecadores grande. Este sermão, como seus outros escritos, foi submetida a exame canônico durante o processo de canonização. Nele, ele examina os diversos estados de vida dos cristãos e conclui com o pequeno número daqueles que são salvos, em relação à totalidade dos homens.
“…Não é verdade que há duas estradas que levam ao céu: a inocência e arrependimento? ”

Biografia de São Leonardo Porto Maurício por Felipe Aquino

O santo da via-sacra e da Imaculada Conceição, o frade que salvou o Coliseu de uma ruína total, o pregador inflamado da Paixão de Cristo. São esses os títulos de são Leonardo de Porto Maurício. Lígure nasceu em 1676, filho de um capitão da marinha, Domingos Casanova, que o deixou órfão em tenra idade. Levado a Roma, fez os seus estudos no Colégio Romano e depois entrou no reino de são Boaventura, sobre o Palatino, vestindo aí hábito franciscano. Desenvolveu sua atividade sacerdotal prevalecendo em Florença. As cruzes plantadas por seus confrades fora da Porta de são Miniato tornaram-se para ele outros tantos púlpitos ao aberto. Sobre a eficácia de sua palavra fundam-se alguns episódios da vida do santo. No fim de uma prédica sobre a Paixão, na Córsega, os homens, endurecidos pelo ódio secular, descarregaram seus fuzis para cima e se abraçaram em sinal de paz.
Em Florença suas pregações constituíam uma advertência para todos os cidadãos. No jubileu de 1750, proclamado por Bento XIV, o papa Lambertini de Bolonha, fez muito sucesso a via-sacra pregada por frei Leonardo aos 27 de dezembro no Coliseu. Era a primeira vez que se celebrava um rito religioso no anfiteatro Flávio. Desde aquele ano a piedosa tradição se mantém até aos nossos dias e toda a Sexta-feira Santa o papa faz pessoalmente o rito penitencial.
Aquela primeira via-sacra teve também um grande merecimento para a arte: o Coliseu até aquele ano tinha servido como pedreira, mas depois daquela memorável via-sacra foi considerado lugar sagrado, meta de devotas peregrinações, e a sua demolição parou. Frei Leonardo era um grande devoto de Nossa Senhora e um apaixonado defensor da Imaculada Conceição. Convenceu o próprio pontífice a convocar um Concílio, isto é, um referendum entre os bispos, para proceder depois a proclamação do dogma.
O papa Lambertini preparou para este fim uma Bula que por várias causas. Nunca foi publicada. Em 1751 frei Leonardo morria no predileto retiro de são Boaventura sobre o Palatino, e o próprio para foi ajoelhar-se ao lado de seu corpo. Sobre o túmulo do santo foi exposta a carta profética escrita por são Leonardo pouco antes da morte. Nela preconizava-se a proclamação do dogma da Imaculada Conceição.
Segundo João Paulo II: “São Leonardo de Porto Maurício, franciscano de palavra ardente, que percorreu a Itália para admoestar e converter multidões imensas, chamando à penitência e à piedade, e vivendo em íntima união com Deus.”
Via-Sacra
Também chamada Via Cru­cis, é, segundo o Directório da Piedade Popular e Liturgia (DPPL 131-135), o mais apreciado exercício de piedade em louvor da Paixão de J. C., pelo que se pratica sobretudo nos tempos penitenciais. Consiste em acompanhar espiritualmente o trajecto de Jesus desde a agonia no Getsémani até à morte e se­pul­tura no Calvário, com momentos de meditação e oração em várias estações. Síntese de várias devoções, a sua prática desenvolveu-se a seguir às Cruzadas, promovida pelos Franciscanos e parti­cularmente por S. Leonardo de Porto Mau­rício (+1751).Presentemente conta 14 estações baseadas em passagens dos Evangelhos ou em tradições populares: 1) Jesus condenado à morte; 2) Toma a cruz; 3) Cai pela primeira vez; 4) En­con­tra sua Mãe; 5) O Cireneu ajuda-o a levar a cruz; 6) A Verónica enxuga-lhe o rosto; 7) Cai pela segunda vez; 8) Con­­sola as filhas de Jerusalém; 9) Cai pela terceira vez; 10) É despojado das ves­tes; 11) É pregado na cruz; 12) Mor­re na cruz; 13) É descido da cruz e en­tre­gue a sua Mãe; 14) É depositado no sepulcro. Os títulos das esta­ções podem ser criteriosamente alte­ra­dos, como o fez várias vezes João Pau­lo II na V.-S. de Sexta-Feira Santa no Coliseu, p.ex., em 1992: 1) Jesus no Horto das Oli­vei­ras; 2) Traído por Ju­das, é preso; 3) É con­denado; 4) É negado por Pedro; 5) É levado a Pilatos; 6) É flagelado e coroa­do de espinhos; 7) Carrega a cruz; 8) É ajudado pelo Cireneu; 9) Fala às mu­lheres de Jeru­sa­lém; 10) É crucifica­do; 11) Fala ao bom ladrão; 12) Tem Maria e João ao pé da cruz; 13) Morre na cruz; 14) É depos­to no sepulcro.

A Via-Sacra e São Leonardo de Porto-Maurício

Uma popularização dessa devoção só se deu, efetivamente, no século XVI, quando o Papa Inocêncio XI (1686) concedeu a possibilidade de se conseguir as grandes indulgências _ já concedidas aos peregrinos que visitavam Jerusalém _ também àqueles que, nas igrejas dos Franciscanos, fizessem o exercício da Via-sacra. Mais tarde (1731), Clemente XII permitiu que, em todas as igrejas seculares, se erigissem as Estações, fixando o número em 14.
Foram os Franciscanos, fiéis guardiões dos Lugares Santos, que muito colaboraram para a difusão dessa devoção em toda a Igreja. Entre eles se destaca São Leonardo de Porto Maurício (falecido em 1751). Por sua sugestão o Papa Bento XIV, em 1750, determinou a instituição das estações no Coliseu e que ali, a cada sexta-feira, fosse praticada a Via-sacra. Daí a tradição _ a cada Sexta-feira Santa _ dos fiéis de Roma, de se juntarem ao Pontífice romano para, juntos, ali celebrarem a Via-sacra. (MZ)
São Leonardo de Porto Mauricio deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos que se viam impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os Santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Tem um caráter penitencial e está acostumado a rezá-los dias sexta-feira, sobre tudo na Quaresma. Em muitos templos estão expostos quadros ou baixos-relevos com ilustrações que ajudam os fiéis a realizar este exercício.
Fonte:http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/etimologia.htm 

Vida de Santa Angela Merici



… É a história de uma Santa. Uma Santa  … que deveria agradar, especialmente às moças e as senhoras do séc. XX e XXI. Uma Sta. Que plantou uma sementinha na Igreja do seu tempo; E esta semente transformou-se numa grande árvore de ramos numerosos.
As filhas de Sta. Ângela estão espalhadas no mundo inteiro: Ursulinas seculares, Ursulinas religiosas, todas unidas, fraternalmente no amor da mesma Mãe, Ângela Merici.
 Ângela nasce por volta de 1474, em Desenzano, Itália. Cresceu na liberdade dos campos, trabalhando, brincando ou… nas tarefas cotidianas com seus três irmãos e uma irmã.
Após a perda da irmã mais velha e pouco tempo depois da morte inesperada dos pais, Ângela vai viver em Saló com seu tio.
Ângela faz-se terceira franciscana para seguir Jesus mais de perto.
Volta para Desenzano e retoma a vida de sempre. Uma vez teve uma visão – uma escada entre Céu e Terra: Intenção Profética da Companhia de Virgens que ela deveria, um dia instituir na Igreja.
Ângela … se preparou através de uma profunda vida de piedade e de um apostolado constante, congregando todos os que dela se acercavam num trabalho de cristianização da sociedade…
Ângela, movida pelo Espírito Santo e confiante na capacidade da mulher, institui outro estado de vida. Ela aponta um terceiro caminho: o das mulheres vivendo no mundo como consagradas à Deus…
A fundação da companhia de Sta. Úrsula realiza-se no dia 25 de Novembro de 1535.
Ângela morre no dia 27 de Janeiro de 1540 em Bréscia.
MENSAGEM DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DO CENTENÁRIO DO
INSTITUTO DE SANTA ÚRSULA
 À Reverenda Madre Colete LIGNON
Priora-Geral da União romana
da Ordem de Santa Úrsula
Tendes a alegria de celebrar o primeiro centenário do vosso Instituto no coração do ano do grande Jubileu do nascimento do Salvador. Este aniversário lembra a feliz iniciativa do meu venerado predecessor, o Papa Leão XIII, de reunir numa só União numerosos mosteiros de Ursulinas, que se tinham espalhado no mundo inteiro desde a fundação da primeira comunidade por Santa Ângela Merici em 1535. O nascimento da vossa União, a 28 de Novembro de 1900, e o seu rápido sucesso permitiram um novo impulso para a vossa família religiosa, que assim se enriqueceu de diversas experiências apostólicas. A comemoração deste acontecimento é para a vossa Ordem um convite a aprofundar o vosso carisma, na fidelidade ao exemplo e aos ensinamentos de Santa Angela, mas também para construir e preparar o futuro, mobilizando as vossas forças em ordem à evangelização.
2. Desde o século XVI, as necessidades da evangelização e os apelos do Senhor conduziram as vossas Religiosas a quase todos os continentes, fazendo-vos viver hoje uma verdadeira dimensão internacional. Esta experiência marca a vida da vossa União e faz-vos partilhar em verdade a experiência da própria Igreja, comunhão de fé e de vida entre todos os crentes, de sorte que “aquele que vive em Roma sabe que os das Índias são para ele um dos seus membros” (Cf. São João Crisóstomo, Homilias sobre São João, 65, 1). Se o cuidado da unidade e da comunhão incumbe a todos os cristãos, lembrando sem cessar o anseio do próprio Senhor:  “que todos sejam um” (Jo 17, 21), esta missão diz respeito ainda àqueles e àquelas que escolheram, para responder a um apelo particular do Senhor, viver em comum, segundo as regras da vida em fraternidade. Eu vos exorto, pois, a estar sempre e cada vez mais atentas a esta dimensão da comunhão eclesial, velando também pela qualidade da vossa inserção nas Igrejas locais, colocando as vossas dádivas ao seu serviço, com o cuidado de uma colaboração cada vez mais intensa.
3. Com o passar do tempo, as Irmãs Ursulinas adquiriram uma sólida experiência educativa, muito particularmente no serviço dos jovens, quer se trate do vasto domínio da catequese, directamente ou através de catequistas competentes e cuidadosos em transmitir uma experiência de vida cristã e ao mesmo tempo um sólido ensinamento, quer se trate dos múltiplos sectores da educação. Este trabalho de transmissão da fé, através de uma palavra forte, argumentada e coerente, que dá conta da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15), mas também pelo testemunho e exemplo de uma vida dada ao serviço do Senhor e da sua Igreja, é essencial no mundo de hoje onde tantos jovens já não têm as referências sólidas que dava a educação familiar. É, pois, a escola e toda a comunidade educativa que se devem encarregar de uma parte importante desta educação global num espírito verdadeiramente evangélico, não somente pela catequese, mas também por muitas outras maneiras de acompanhar os jovens, como por exemplo nos movimentos apropriados ou nos grupos de reflexão e partilha. Formar assim discípulos de Cristo, capazes de testemunhar na sua vida familiar, profissional e social, os valores espirituais e morais que o Evangelho semeou no coração do homem é um trabalho indispensável para que a nova evangelização dê frutos abundantes no século que está surgindo. Nesta perspectiva, é particularmente importante o serviço dos mais pobres, estes “pequeninos” que o Senhor quer pôr no primeiro lugar e que as nossas sociedades, muitas vezes marcadas pelo desejo da riqueza e da concorrência, têm tendência a excluir do crescimento económico e da organização social.
4. Anunciar o Reino de Deus é a primeira missão que a Igreja confia a todos aqueles que o sacramento do Baptismo faz comungar na morte e ressurreição de Cristo, Profeta, Sacerdote e Rei. A vida consagrada, que vós escolhestes, é na Igreja um caminho privilegiado para manifestar a dimensão profética e escatológica da mensagem evangélica:  ela “manifesta também mais claramente a todos os fiéis os bens celestes, já presentes neste mundo; é assim testemunha da vida nova e eterna, adquirida com a redenção de Cristo, e preanuncia a ressurreição futura e a glória do reino celeste” (Lumen gentium, n. 44). Encorajo-vos a aprofundar esta dimensão profética para o mundo contemporâneo e a tornar visiveis, pelo gosto da oração que é sempre a fonte da nossa vida cristã, pela vida fraterna que é, em si mesma, um profecia em acção (cfr Vita consecrata, n. 85), pelo testemunho  explícito  e  pelo  vosso  cuidado missionário,  os  sinais  do  Reino  que há-de vir.
5. Anunciar o Reino não afasta a Igreja da sua missão no mundo. Pelo contrário, como o profeta estabelecido vigilante para a casa de Israel (cfr Eze 3, 17), ela “insiste no tempo oportuno e inoportuno, advertindo, reprovando e aconselhando com toda a paciência e doutrina” (2 Tm 4, 2). Como o próprio Senhor Jesus com os peregrinos de Emaús (cf. Luc 24, 13-35), a Igreja caminha pelas estradas dos homens e, com eles, partilha as suas interrogações sobre o sentido da existência, faz-lhes ouvir a palavra do Senhor e revela-lhes pouco a pouco a sua presença, para os conduzir ao pleno conhecimento do seu amor, manifestado no tesouro da vida sacramental que lhe foi confiada. Exorto-vos a viver sem temor esta peregrinação da fé com os vossos irmãos, deixando-vos transformar pouco a pouco pela Palavra do Senhor. Tendo sempre no coração a sede do Deus vivo que leva a viver em intimidade amorosa com Ele (cf. Sl 62, 2), mas também escutando os apelos dos vossos irmãos e entregando-vos por eles em cada dia, vós anunciareis o amor misericordioso do Senhor que se faz dom de Si mesmo.
6. O centenário que festejais é ocasião para cada um das vossas comunidades agradecerem ao Senhor todos os seus benefícios. Que a graça do Jubileu avive em cada uma das Irmãs da vossa União o desejo da santidade, para uma conversão renovada! Formulando votos particulares para o vosso próximo capítulo geral, confio os membros da União romana da Ordem de Santa Úrsula à protecção maternal da Virgem Maria e concedo-lhes de todo o coração a Bênção apostólica.
Vaticano, 10 de Novembro de 2000.

sábado, 21 de maio de 2016

Como ser constante na oração?


MUITOS CATÓLICOS vivem em um dualismo que faz com que se perguntem: “devo separar um tempo especial para a oração dentro do meu dia, ou, devo apenas trabalhar e agir sem cessar?” A resposta é: devemos unir os dois! No Evangelho segundo S. Mateus, Jesus diz: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.” (26, 41), e na Primeira Carta aos Tessalonicenses, S. Paulo afirma que devemos “orar sem cessar” (5, 17).

Visto que não devemos cessar de rezar, como então é possível cumprir com o trabalho que deve ser realizado? Como conciliar a vida de oração com os compromissos e tarefas do dia a dia? É simples, basta transformar o trabalho e as tarefas em oração!

Os católicos devem ser “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14), esse chamado é evidenciado pela Constituição Dogmática Lumen Gentium1, que deixa claro que os leigos também têm o seu papel na obra de salvação do mundo realizada por Cristo através da Igreja Católica, e, por isso precisam assumir suas responsabilidades com mais fervor e não deixar tudo apenas para Padres, Religiosos e Consagrados. Para melhor compreender esse chamado, vejamos alguns de seus pontos:

31. Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo. (...) Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e atividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor.

(...)

33. Unidos no Povo de Deus, e constituídos no corpo único de Cristo sob uma só cabeça, os leigos, sejam quais forem, todos são chamados a concorrer como membros vivos, com todas as forças que receberam da bondade do Criador e por graça do Redentor, para o crescimento da Igreja e sua contínua santificação. O apostolado dos leigos é participação na própria missão salvadora da Igreja, e para ele todos são destinados pelo Senhor, por meio do Batismo e da Confirmação. E os sacramentos, sobretudo a sagrada Eucaristia, comunicam e alimentam aquele amor para com Deus e para com os homens, que é a alma de todo o apostolado.
Mas os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra (112). Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7).
Os leigos também são chamados a trabalhar e rezar pela santificação do mundo e podem se espelhar especialmente no lema dos Monges Beneditinos, que diz: “Ora et labora!”, traduzido para o português como: “Reza e trabalha!”.

Para poder transformar o trabalho em oração, é necessário que os católicos não vejam o trabalho como castigo divino imputado ao ser humano devido ao Pecado Original. Não!O trabalho não é castigo, é antes ferramenta de santificação para o católico, desde que não se torne um "ídolo" e não seja indigno da pessoa humana, e que aquele que trabalha mantenha sempre em mente que o trabalho é um meio e não um fim em si mesmo. (Para aprofundar no assunto, leia-se a enc. Rerum Novarum2 e a Doutrina Social da Igreja3, ambos disponíveis gratuitamente na internet).

Nessa tarefa de transformar o trabalho em oração, São Josemaria Escrivá nos auxilia muito com diversos ensinamentos, eis alguns deles:

Põe-me louco de contente essa certeza de que eu, manejando o torno e cantando, cantando muito – por dentro e por fora –, posso fazer-me santo... Que bondade a do nosso Deus!"
(Sulco, 517)

"Tens de permanecer vigilante, para que os teus êxitos profissionais ou os teus fracassos - que hão-de vir! - não te façam esquecer, ainda que seja só momentaneamente, qual o verdadeiro fim do teu trabalho: a glória de Deus!"
(Forja, 704)

"Trabalhemos, e trabalhemos muito e bem, sem esquecer que a nossa melhor arma é a oração. Por isso, não me canso de repetir que havemos de ser almas contemplativas no meio do mundo que procuram converter o seu trabalho em oração."
(Sulco, 497)

"Interessa que lutes, que arrimes o ombro... De qualquer modo, coloca os afazeres profissionais no seu lugar: constituem apenas meios para chegar ao fim; nunca podem tomar-se, de modo nenhum, como o fundamental. Quantas "profissionalites" impedem a união com Deus!"
(Sulco, 502)

(...) Bem podem alcançar os êxitos mais espetaculares no terreno profissional, na atuação pública, nos afazeres profissionais, mas se se descuidarem interiormente e se afastarem de Nosso Senhor, o fim será um fracasso rotundo.
(Amigos de Deus, 12)

É preciso se espelhar em Nosso Senhor Jesus Cristo que nunca perdeu intimidade com O Pai e o Espírito Santo (as 3 Pessoas da Santíssima Trindade, Um só Deus), mesmo durante os 30 anos de vida oculta que foram vividos, em grande parte, dentro de uma oficina em Nazaré exercendo o ofício da carpintaria, em que os menores atos foram feitos com amor sublime para com Deus. Devemos encontrar um equilíbrio na vida que permita transformar o trabalho em um caminho de santificação para maior glória do Senhor, sem jamais deixar de lado os momentos particulares de intimidade com Deus e prática da oração mental!

Deve-se valorizar o pouco e pequeno, como diz São Josemaria: "Persevera no cumprimento exato das obrigações de agora. Esse trabalho – humilde, monótono, pequeno –, é oração plasmada em obras que te preparam para receber a graça do outro trabalho – grande, vasto e profundo –, com que sonhas (Caminho 825).

Além de ter um carinho todo especial para com os deveres de cada dia, o católico nunca pode se esquecer que o relacionamento que nutre com Deus é pessoal, porque adoramos um Deus Pessoal. Em muitos filmes e estórias, Deus é mostrado como uma "energia" ou uma "força" impessoal que age no mundo. Essa não é a verdade da Fé cristã. O Criador não nos fez e abandonou a nossa própria sorte. Antes, nos criou e ainda nos sustenta, a cada instante!

Quando interagimos com Deus, devemos nos lembrar que estamos interagindo com Alguém que ama e que, mesmo sem precisar de nosso amor, deseja ser amado por nós. Nosso amor para com o Senhor é sempre uma resposta ao Amor que Ele nos dá em primeiro lugar. Assim como muitos casais se organizam durante dias e horas, agendando e planejando encontros, o católico deve também planejar momentos especiais de intimidade com Deus.

Quanto mais há diálogo e encontro em um relacionamento, mais ele se fortalece, e quanto mais faltam esses fatores, mais o relacionamento se definha. Isso também é válido para o católico que quer ter uma vida de Intimidade real com Deus, sem farisaísmos. Além de evitar a soberba e o exibicionismo, Jesus Cristo também quis ensinar que devemos ter familiaridade com Deus e que há uma forma correta de nos relacionarmos com Ele, principalmente no Evangelho segundo S. Mateus 6, 6: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará”.

Para que esses momentos existam, é necessário planejamento. Sim, planejamento! Ora, tanto se planeja para a realização de viagens e outros projetos, por que não deve haver planejamento para o assunto mais importante de todos – o centro da vida do católico –, isto é, Deus? É preciso organizar, durante o dia, quais momentos serão separados especialmente para o encontro com o Senhor: durante a manhã, antes de ir para o estudo ou trabalho; na parte da noite, antes de dormir. Desligam-se as televisões e celulares e então aplica-se tempo para uma real conversa com O Grande Amigo.

Enfim, dentro de sua agenda, o fiel deve se organizar e lutar para ter encontros com Deus. Encontros reais que podem ser concretizados através das seguintes práticas:

1) Oração mental: abrir-se diante de Deus, mentalmente, em um diálogo sincero e sem reservas e medos;
2) Oração do Santo Terço e/ou do Santo Rosário;

3) Leitura dos Santos Evangelhos;
4) Leitura das biografias dos Santos;
5) Leitura de escritos de Santos;
6) Adoração ao Santíssimo Sacramento.

Não se pode esquecer também que, como grande Auxiliadora junto ao Cristo, devemos contar sempre com Nossa Mãe, Maria Santíssima, e recorrer a ela para que possamos, através do seu exemplo, fazer sempre a Vontade de Deus. Eis o que São Luís Maria Grignion de Montfort ensina, na página 115 de sua obra, práticas de devoção à Nossa Senhora que nos auxiliam na intimidade com Deus:

Rezar o Ofício da Santíssima Virgem, tão universalmente aceito e recitado na Igreja. Ou o pequeno Saltério de Nossa Senhora, composto por São Boaventura em sua honra e que é tão terno e devoto que não se pode rezar sem comoção. Ou quatorze Pai-Nossos e Ave-Marias em honra das suas catorze alegrias. Enfim, podem rezar-se quaisquer outras orações, hinos e cânticos da Igreja, tais como: o 'Salve Rainha', o 'Alma Redemptoris Mater', o 'Ave Regina Coelorum', ou o 'Regina Caeli', segundo os diferentes tempos, o 'Ave Maris Stella', o 'O Gloriosa Domina', o 'Magnificat' ou outras fórmulas de devoção das quais os livros estão cheios(...)”4

Lembrando sempre que convém antes ter poucas devoções, e ser fiel nelas, do que ter várias devoções e não as praticar. Como ensina Nosso Senhor Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito” (MT 25, 21).

Devemos tomar muito cuidado também com a armadilha do ativismo. É necessário entender que a oração precede a ação e Deus não quer ativistas, mas sim, filhos e filhas que sejam discípulos. Como ensina o papa emérito Bento XVI: “Sem a oração cotidiana vivida com fidelidade, o nosso fazer se esvazia, perde o sentido profundo, se reduz a um simples ativismo que, no final, nos deixa insatisfeitos. (...) Cada passo da nossa vida, toda ação, também na Igreja, deve ser feita diante de Deus, à luz da sua Palavra”5. Isto é visível também na obra intitulada "A alma de todo apostolado", de Dom J. B. Chautard, que ensina que “a vida interior é condição para a fecundidade das obras”6.

Contemos com o auxílio da Theotokos, que de tão intima de Deus se tornou a Mãe do Salvador, sabendo que, como S. Luís Montfort ensina: “Foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dEla que deve reinar no mundo”4.

Acolhendo de tal modo a Palavra de Deus (Jesus), que possamos "gerar" o Cristo em nosso íntimo e clamar como filhos: "Abba! Pai!". Sendo sempre perseverantes no pouco, pois “começar é de todos; perseverar, de santos. Que a tua perseverança não seja consequência cega do primeiro impulso, fruto da inércia; que seja uma perseverança refletida”7.

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Notas e referências:
1. Constituição Apostólica Lumen Gentium, disponível em: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html
2. Carta Encíclica Rerum Novarum do papa Leão XIII, disponível em: http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html
3. Doutrina Social da Igreja, disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html
4. Montfort, São Luís Maria Grignion de. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 44 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2014
5. Bento XVI: Sem oração a vida se converte em ativismo que sufoca e não satisfaz, disponível em: http://www.acidigital.com/noticias/bento-xvi-sem-oracao-a-vida-se-converte-em-ativismo-que-sufoca-e-nao-satisfaz-43392/
6. Disponível para compra pelo site da Cultor de Livros, link: http://www.cultordelivros.com.br/produto.php?id=628672
7. São Josemaria Escrivá. Caminho 983.

À procura de Cristo na oração, programa de oração – dicas preciosas para rezar sempre e bem – parte 1


O presente artigo é uma adaptação do terceiro capítulo da obra clássica "Amor Sublime" ('This Tremendous Lover'), de Dom Eugene Boylan, OCR (1904 - 1964), intitulada "A procura de Cristo na oração". Boylan foi um monge trapista de origem irlandesa e destacado autor dos temas espirituais. Iniciou sua obra na década de 1940, quando publicou este "Amor Sublime" e "Dificuldades na Oração Mental", que foram traduzidos em diversas línguas. Em 1962 ele foi eleito o quarto Abade do Monte St. Joseph Abbey em Roscrea, Irlanda. Dois anos depois, veio a falecer num acidente de automóvel. 

A direção espiritual que Eugene Boylan nos transmite, em uma obra escrita há mais de seis décadas, é, por suas palavras e maneiras, impressionantemente atual e maravilhosamente útil a todo cristão católico honestamente empenhado em progredir na vida espiritual. Rezamos a Deus que por aqui também sejam úteis na edificação e salvação das almas. Por ser longo, publicaremos o capítulo em duas partes; segue a primeira:


O NOSSO EXAME da vida sobrenatural, que é conferida a todas as almas no Batismo, chegou ao ponto de termos que considerar mais minuciosamente o programa que deve ser seguido por quem deseja viver essa vida. Já vimos que no Batismo se estabelece uma união íntima entre Deus e a alma da pessoa batizada. Deus concede ao neófito – ao recém-convertido, recém-batizado ou o batizado que andou afastado da Igreja e agora procura retomar uma vida mais espiritual e santificada –, uma participação na sua própria Natureza; derrama na sua alma as virtudes infusas da fé, esperança e caridade, e torna-o membro do Corpo Místico de Cristo. O dever fundamental de todo o cristão é amar a Deus com todo o seu coração, e ao seu próximo por amor de Deus. O plano geral do programa que esse cristão deve seguir é tomar uma atitude de humildade e seguir a prática da conformidade com a Vontade de Deus na fé, na esperança e na caridade.

De fato, esta última sentença resume quase tudo, mas deve ser bem compreendida em si mesma, e também é preciso compreender bem as suas implicações. Se é preciso entender como é que se pode cumprir esse programa de oração, surgem de imediato as perguntas: a quem se destina? A quem se aplicam os seus princípios? A resposta é que se aplica a toda alma batizada, e nossa intenção ao formular estes princípios é aplicá-los a todos, sejam leigos (cujo estado já foi definido quer pelas circunstâncias, quer pela sua própria escolha, tenham ou não contraído o Matrimônio) ou sacerdotes, seculares ou religiosos. Não excluímos nenhum batizado disposto a procurar evitar o pecado mortal. Pouco importa a idade ou o sexo, nem suas condições gerais, sua educação e/ou sua história. Não importa quais pecados tenha cometido no passado ou quais oportunidades de progredir na vida espiritual não tenha aproveitado, nem quais graças tenha recusado; desde que se trate de pessoa batizada, que esteja disposta a procurar evitar os pecados mortais, toda a doutrina que explicaremos a partir deste ponto pode ser aplicada ao seu caso.

A razão dessa certeza vamos encontrá-la no Nome dado ao Filho de Deus, em sua Encarnação: “o Nome de Jesus, porque Ele salvará o Seu povo dos seus pecados”(Mt 1,21). Lembremo-nos que a maior censura que os falsos fariseus se lembraram de lançar contra Nosso Senhor foi exatamente a de apelar para uma sua característica já bem conhecida: “Ele recebe os pecadores” (Lc 15,2).

Sendo a vida espiritual uma muito especial sociedade com Jesus, e também uma tendência de todo o se do cristão para Jesus, ninguém deve ter receio de ser repelido por Ele, pois não há ninguém a quem Ele não receba. Portanto, quer o leitor seja um daqueles que buscaram sempre a Presença divina, desde a juventude, e queira viver melhor, ou seja um dos que reconhecem que a sua vida tem sido de mediocridade e tibieza, ou ainda um daqueles que mal se ergueram do atoleiro do pecado mortal, nada disso importa; estas orientações são também para eles e para eles estão abertas todas as possibilidades aqui tratadas. 

Apenas pedimos ao leitor que não se glorie de qualquer bem que já praticou (ou dos seus êxitos em evitar o mal), que se arrependa do mal que praticou e do bem que deixou de fazer e que se prepare para fazer melhor no futuro, confiando no Auxílio e Sociedade de Jesus, seu Salvador.

O programa a seguir, desde o princípio, é entrar em contato, o mais depressa possível e o mais íntimo possível, com Nosso Senhor. O Cristo é, Ele mesmo, a própria Revelação de Deus; é o modelo de Deus para os homens; é o Mestre vindo de Deus para os homens; é o Sócio e o Salvador dos homens; é, de fato, o Caminho, a Verdade e a Vida.

No entanto – e entender isto é muito importante –, o seu apelo a cada um dos homens não é o mesmo; depende do temperamento e de certas características particulares e das capacidades (físicas, mentais e espirituais) dadas de cada um. Por exemplo, aqueles que são dotados de natureza afetiva comovem-se mais com a Bondade e o Amor do Cristo, Deus feito homem por amor a cada um de nós; já os mais austeros tendem mais para ver nEle um Mestre, um Guia e um Rei. Mas o apelo divino é geral, é para todos os homens e mulheres, jovens e velhos, ricos e pobres, solteiros e casados, sacerdotes, religiosos e leitos, consagrados ou não, e não há coração ao qual Ele não possa satisfazer.

São quatro os meios de entrar em com Ele:

A oração, os Sacramentos, a leitura espiritual e a conformidade com a Vontade de Deus. Este último inclui os outros todos, mas, num primeiro momento, apenas queremos nos referir às obrigações impostas pelos Mandamentos e deveres do próprio estado de cada um.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

17 graus da perfeição, segundo São João da Cruz


Dicas permanentes de um santo para sermos santos

Cristo de S Joao da Cruz

1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.
2. Procurar andar sempre na presença de Deus, segundo as obras que se está fazendo.
3. Nada fazer nem dizer coisa de importância que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.
4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.
5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.
6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.
7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que tenha escapado sem amar a Deus.
8. Em todas as coisas, altas e baixas, ter a Deus por fim, pois de outro modo não se crescerá em perfeição e mérito.
9. Nunca faltar à oração e, quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo perseverar nela, porque Deus quer muitas vezes ver o que há na alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.
10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.
11. Nunca se intrometer naquilo de que não se foi encarregado, nem discutir sobre alguma coisa ainda que se esteja com a razão. E, no que tiver sido ordenado, não imaginar que se tem obrigação de fazer aquilo a que, bem examinado, nada obriga.
12. Não ocupar-se das coisas alheias, sejam elas boas ou más, porque, além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.
13. Procurar sempre confessar-se com profundo conhecimento da própria miséria e com sinceridade cristalina.
14. Ainda que as coisas de obrigação e ofício se tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanimar-se, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), em breve a fará sentir o bem e o ganho.
15. Lembrar-se sempre de que tudo quanto se passa, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem se caia em soberba por um lado, nem no desânimo por outro.
16. Recordar-se sempre de que não se veio senão para ser santo, e, assim, não consentir que reine na alma o que não leve à santidade.
17. Ser sempre mais amigo de dar alegria aos outros do que a si mesmo, e, assim, com relação ao próximo, não ter inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isto se refere ao que está de acordo com a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplácito dos homens.
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São João da Cruz, em Pequenos Tratados Espirituais

11 conselhos de Santa Teresa para uma vida de oração

Dicas simples e eficazes para quem deseja crescer em intimidade com Deus

Santa Teresa de Avila

1. Dirige a Deus cada um dos teus atos; oferece-os e pede-lhe que seja para Sua honra e glória.
2. Oferece-te a Deus cinquenta vezes por dia, e que seja com grande fervor e desejo de Deus.
3. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e Sua sabedoria, em tudo, envia-Lhe o teu louvor.
4. Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandone nem as obras de oração, nem a penitência a que está habituado. Antes, intensifica-as, e verá com que prontidão o Senhor te sustentará.
5. Nunca fale mal de quem quer que seja, nem jamais escute. A não ser que se trate de ti mesmo. E terá progredido muito, no dia em que se alegrar por isso.
6. Não diga nunca, de você mesmo, algo que mereça admiração, quer se trate do conhecimento, da virtude, do nascimento, a não ser para prestar serviço. Mas então, que isso seja feito com humildade, e considerando que esses dons vêm pelas mãos de Deus.

7. Não veja em você senão o servo de todos, e em todos contempla Cristo Nosso Senhor; assim O respeitará e O venerará.
8. A respeito de coisas que não lhe diz respeito, não se mostre curioso, nem de perto, nem de longe, nem com comentários, nem com perguntas.
9. Mostrai sua devoção interior só em caso de necessidade urgente. Lembra do que diziam São Francisco e São Bernardo: “Meu segredo pertence a mim”.
10. Cumpra todas as coisas como se Sua Majestade estivesse realmente visível; agindo assim, muito ganhará a sua alma.
11. Que seu desejo seja ver Deus. Seu temor, perdê-Lo. A dor, não comprazer na Sua presença, a satisfação, o que pode conduzi-lo a Ele. E viverá numa grande paz.
(Santa teresa D´Ávila)

Retirado do livro: “Orações de todos os tempos da Igreja”.Prof.Felipe Aquino (org). Ed. Cléofas.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Dies irae: uma meditação sobre o fim dos tempos



AS HORAS SÃO SÉCULOS


São. Paulo da Cruz, estando uma noite para meter-se na cama, ouviu de repente um grande ruído perto de seu quarto. Crendo ser uma visita do demônio, que vinha, como de costume, perturbar o seu sono, aliás brevíssimo, deu-lhe ordem para retirar-se... Mas, repetindo-se por três vezes o estranho ruído, perguntou que era e o que queria.
- Sou, disse ao apresentar-se, a alma do sacerdote que faleceu esta tarde às seis e meia e venho comunicar-lhe que estou no Purgatório por não me haver emendado dos defeitos de que o sr. me repreendeu muitas vezes. Oh! quanto sofro! Parece-me ter passado já mil anos neste oceano de fogo.
Comovido até às lágrimas, levanta-se o Santo, olha o relógio que marcava seis e três quartos, e diz ao sacerdote:
- Como? Faz um quarto de hora que falecestes e parece-vos que são mil anos?!
- Oh! respondeu o outro, como é longo o tempo no Purgatório!
E pedindo com instância que o aliviasse, não se afastou enquanto o Santo não lho prometeu.
Tomando sua disciplina de ferro, S. Paulo da Cruz açoita-se até o sangue, ora e chora pedindo a Deus que livre aquela alma de tão grandes tormentos.
Não recebendo nenhum aviso do céu, como soía acontecer, toma de novo seus rudes instrumentos de penitência, querendo fazer violência à divina Misericórdia. Como a resposta não viesse, disse num transporte de confiança filial: - "Senhor, meu Deus, rogo-vos que livreis esta alma pelo amor que tendes à minha".
Vencido por seus rogos, prometeu-lhe o Senhor que, no dia seguinte, antes do meio-dia, a alma do sacerdote sairia do Purgatório.
Apenas amanheceu subiu S. Paulo ao altar e celebrou com mais fervor que nunca o Santo Sacrifício, oferecendo a Deus por aquela alma o precioso sangue de Jesus Cristo.
Ó maravilha! No momento da comunhão, viu o Santo passar diante de si, alegre e resplandecente de luz, a alma daquele sacerdote que subia ao céu.

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terça-feira, 10 de maio de 2016

Chegada a hora de passar deste mundo para o Pai, Jesus rezou deste modo.

O Senhor proferiu esta oração na véspera da sua Paixão. Mas não é despropositado aplicá-la ao dia da Ascensão, ao momento em que Ele Se preparava para deixar para sempre os seus «filhinhos» (Jo 13,33), que confiou ao Pai. Ele, que no Céu dirige a multidão dos anjos que criou, ligou-Se na Terra a um «pequeno rebanho» (Lc 12,32) de discípulos, a fim de os instruir enquanto estava presente na carne, até ao momento em que, tendo-se-lhes alargado o coração, eles pudessem ser conduzidos pelo Espírito. Ele amava estes pequeninos com um amor digno da sua grandeza. Depois de os ter levado a distanciar-se dos amores deste mundo, viu-os renunciar a qualquer esperança humana e depender apenas dele. Mas, enquanto vivia com eles no seu corpo, não lhes prodigou demasiadas provas do seu afecto, mostrando-Se mais firme do que terno, como convém a um mestre e pai. 

Quando, porém, chegou o momento de os abandonar, pareceu ser vencido pela terna afeição que lhes tinha e deixou de conseguir simular a imensidão da sua bondade. [...] Donde as palavras: «Tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim» (Jo 13,1). Pois nessa altura deixou que toda a força do seu amor se derramasse sobre os seus amigos, antes de Ele próprio Se derramar como água sobre os seus inimigos (Sl 21,15). Assim, entregou-lhes o sacramento do seu corpo e do seu sangue, ordenando-lhes que o celebrassem. Não sei o que é mais admirável: se o seu poder ou a sua caridade, ao inventar esta nova maneira de permanecer com eles, a fim de os consolar pela sua partida.


http://evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=commentary&localdate=20160510

Beato José Allamano



De nacionalidade italiana, nasceu em Castelnuovo, a 21 de Janeiro de 1851.
Desde jovem seminarista, distinguiu-se por ter uma visão ampla dos problemas do mundo e da Evangelização. Ordenado sacerdote, inteirou-se ainda mais dos desafios da sociedade e da Igreja do seu tempo e imediatamente pôs mãos à obra com coragem e até ousadia para aquela época...
Em 1887, em Roma, encontrou-se com o velho missionário, o cardeal Massaia, expulso definitivamente da Etiópia (África). Já naquela ocasião o Pe. Allamano manifestava seu ardente desejo de ser missionário. Infelizmente, sua saúde era muito frágil e isto não lhe permitiu chegar, em termos geográficos, onde seus anseios e ideais o teriam levado.
No segredo do seu coração e para alguns mais íntimos, o Pe. Allamano tinha um grande sonho: dar início a um Instituto que agregasse padres e irmãos, dispostos a darem a vida pela Evangelização, da África inicialmente, e depois também dos outros continentes.
Superadas uma a uma as muitas dificuldades a respeito desse projecto, especialmente a mentalidade da época, chegou a hora da concretização do grande sonho. Dia 29 de Janeiro de 1901, era oficializado, o Instituto Missionário da Consolata, para padres e irmãos. Apenas dois anos mais tarde, ele já estava enviando os primeiros quatro missionários (2 padres e 2 irmãos) para as missões do Quénia, país do Sudeste da África.
O trabalho de Evangelização expandia-se e as forças não eram suficientes. Bem cedo os missionários sentiram a necessidade da presença missionária feminina e pediram ao Fundador que enviasse religiosas para um trabalho complementar. Não era tão simples atender a este pedido, tendo em vista também, que as congregações femininas de então, não haviam despertado ainda para o carisma missionário além-fronteiras. Diante do impasse, o Pe. Allamano, indo para Roma, expôs a dificuldade ao Papa Pio X. Este logo lhe perguntou:
"Por que não funda você mesmo um instituto missionário feminino?"
"Eu não tenho vocação para isto, Santidade".
"Não a tem? Pois bem, eu lha dou. Vá e comece a pensar nisto".
Para o Pe. Allamano aquela ordem manifestava a vontade de Deus e imediatamente começou a tomar as devidas providências. O novo projecto custou-lhe vários anos de trabalho árduo, muita reflexão, dificuldades e sacrifícios. Mas, os santos são assim. Diante do que sentem ser vontade de Deus, nada os detém.
A 16 de Fevereiro de 1926, o Pe. Allamano foi chamado à Casa do Pai; mas sua obra, que tinha sólidos alicerces, foi continuando. Muitos outros caminhos se foram abrindo e o Instituto foi alargando suas fronteiras.

http://evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&id=10298&fd=0

A virtude da temperança