sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
A mão sagrada que batizou mais de 700 mil pessoas

Através das mãos deste santo, muitas pessoas foram apresentadas ao Evangelho de Jesus
Para os visitantes da Igreja de Gesù, a primeira igreja jesuíta de Roma, uma característica marcante é a capela dedicada a uma relíquia peculiar de São Francisco Xavier: sua mão. Para ser mais específico, é o antebraço direito e a mão direita.
Mas por que, em meio a tantas relíquias para exibir, os jesuítas escolheram a mão de São Francisco Xavier?
Depois de se juntar a Inácio de Loyola em sua nova ordem religiosa chamada Companhia de Jesus, Xavier foi encarregado de navegar para o leste. Ele saiu de Roma em 1540 e viajou para vários lugares da Ásia, como China e Japão. Aonde quer que fosse, Xavier recebia inúmeras almas, que nunca tinham ouvido falar de Jesus.
Sem conhecer todos os idiomas, Xavier pregava o Evangelho com a ajuda de intérpretes. Os milagres da cura também o acompanharam nas viagens para as aldeias e isso o tornou uma figura muito popular.
Ele estava sempre rodeado por multidões de almas que queriam ser curadas e salvas pelas águas do batismo. Os registros relatam que a mão de Xavier batizou mais de 700 mil almas. A frequência era tal que, de acordo com um relato que ele mais tarde deu, “às vezes, te tão cansado por administrar esse sacramento, era incapaz de mover o braço”.
Depois que Xavier morreu em sua jornada missionária, os jesuítas levaram para Roma uma relíquia para a veneração dos fiéis. O superior geral na época escolheu o antebraço direito e a mão direita de Xavier, a mesma mão que batizou todos aqueles que foram até ele.
Embora possa parecer estranho guardar esse tipo de relíquia, essa é uma forma de lembrar como cada um de nós é um instrumento de Deus. Podemos não receber o chamado para sermos missionários na Ásia, batizando milhares de almas. Mas Deus ainda usa nossas mãos para levar seu amor a outras pessoas. Pode ser um toque suave ou um abraço sincero, não importa. O certo é que somos o instrumento de Deus e nossas mãos podem levar sua presença para os outros.
https://pt.aleteia.org/2017/12/05/a-mao-sagrada-que-batizou-mais-de-700-mil-pessoas/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
"Espelho de Justiça."
Todas as criaturas revelam Deus de algum modo, são como espelhos da divindade. Alguém já disse que “Deus não fala, mas tudo fala de Deus”.
Maria é um espelho especialíssimo de Deus, diz São Tomás de Aquino. “Os outros santos”, ele diz, “são exemplos de virtudes particulares: um foi humilde, outro casto, outro misericordioso, e assim nos são oferecidos como exemplos de uma virtude.
Mas a bem-aventurada Virgem é exemplo de todas as virtudes”
REMÉDIOS PARA CURAR A IMPUREZA

1- De manhã e a noite pede a Mãe da Pureza , a santíssima Virgem, esta preciosa joia , saudando-a para esse fim com 3 Ave Marias.
2- Logo que tiveres algum pensamento impuro, despreza-o imediatamente e dize a Maria: Virgem Santíssima , valei-me, assisti-me.
3- Aparta-te das más companhias, de bailes e galanteios; nem pelas capas hás de tocar em livros ou papéis desonestos, não olhes para pinturas , estampas ou outros objetos provocativos, e , sobre tudo ,guarda-te de fazer acenos ou ações escandalosas .
4- Veste com modéstia, come e bebe com temperança, não profiras palavras indecentes, não escutes nem acompanhes más conversas, e não dês liberdade a teus olhos.
5- Lembra-te que DEUS te vê,e que tem poder para tirar-te a vida aqui mesmo e lançar-te aos infernos, como aconteceu, entre outros a Onão, que morreu no ATO de cometer um pecado desonesto e SE CONDENOU.
6- Frequenta os Santos Sacramentos
Livro: O CAMINHO RETO
(Sto Antônio Maria Claret)
domingo, 19 de novembro de 2017
COMBATENDO O SUICÍDIO, A DEPRESSÃO E TODOS OS MALES.
MEDITAÇÃO 1 (TOBIAS 12, 1-3) 1. Então Tobit chamou seu filho e disse-lhe: Que havemos nós de dar a esse santo homem que te acompanhou? 2. Meu pai, respondeu ele, que gratificação lhe havemos de dar? Que presente poderá igualar os seus benefícios? 3. Ele levou-me e trouxe-me em boa saúde; foi receber o dinheiro de Gabael; fez-me ter uma mulher e afugentou dela o demônio; encheu de alegria os seus pais; livrou-me de ser devorado pelo peixe, e fez-te rever a luz do céu; enfim, ele cumulou-nos de toda a sorte de benefícios. Que presente poderia igualar a tudo isso? SÃO RAFAEL ARCANJO, CURAI-NOS DE TUDO QUANTO VEM A SER MAL: DA DOENÇA FÍSICA, PSÍQUICA, ESPIRITUAL E DIABÓLICA. (10 X). GLÓRIA. NOSSA SENHORA RAINHA DOS ANJOS, ROGAI POR NÓS.
MEDITAÇÃO 2 (TOBIAS 12, 14-17) 14. Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho. 15. Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor. 16. Ao ouvir estas palavras, eles ficaram fora de si, e, tremendo, prostraram-se com o rosto por terra. 17. Mas o anjo disse-lhes: A paz seja convosco: não temais. SÃO RAFAEL ARCANJO, CURAI-NOS DE TUDO QUANTO VEM A SER MAL: DA DOENÇA FÍSICA, PSÍQUICA, ESPIRITUAL E DIABÓLICA. (10 X). GLÓRIA. NOSSA SENHORA RAINHA DOS ANJOS, ROGAI POR NÓS.
MEDITAÇÃO 3 (TOBIAS 12, 18-19) 18. Quando eu estava convosco, eu o estava por vontade de Deus: rendei-lhe graças, pois, com cânticos de louvor. 19. Parecia-vos que eu comia e bebia convosco, mas o meu alimento é um manjar invisível, e minha bebida não pode ser vista pelos homens. SÃO RAFAEL ARCANJO, CURAI-NOS DE TUDO QUANTO VEM A SER MAL: DA DOENÇA FÍSICA, PSÍQUICA, ESPIRITUAL E DIABÓLICA. (10 X). GLÓRIA. NOSSA SENHORA RAINHA DOS ANJOS, ROGAI POR NÓS.
MEDITAÇÃO 4 (TOBIAS 12, 20-21) 20. É chegado o tempo de voltar para aquele que me enviou: vós, porém, bendizei a Deus e publicai todas as suas maravilhas. 21. Acabando de dizer estas palavras, desapareceu diante deles, e eles não viram mais nada. SÃO RAFAEL ARCANJO, CURAI-NOS DE TUDO QUANTO VEM A SER MAL: DA DOENÇA FÍSICA, PSÍQUICA, ESPIRITUAL E DIABÓLICA. (10 X). GLÓRIA. NOSSA SENHORA RAINHA DOS ANJOS, ROGAI POR NÓS.
MEDITAÇÃO 5 (TOBIAS 12, 18) 22. Durante três horas permaneceram prostrados por terra, bendizendo a Deus. Depois levantaram-se e publicaram todas essas maravilhas. SÃO RAFAEL ARCANJO, CURAI-NOS DE TUDO QUANTO VEM A SER MAL: DA DOENÇA FÍSICA, PSÍQUICA, ESPIRITUAL E DIABÓLICA. (10 X). GLÓRIA. NOSSA SENHORA RAINHA DOS ANJOS, ROGAI POR NÓS.
São Rafael Arcanjo Glorioso Arcanjo São Rafael, que vos dignastes tornar a aparência de um simples viajante para vos fazer o protetor do jovem Tobias. Ensinai-nos a viver sobrenaturalmente elevando sem cessar nossas almas, acima das coisas terrenas. Vinde em nosso socorro no momento das tentações e ajudai-nos a afastar de nossas almas e de nossos trabalhos todas as influências do inferno. Ensinai-nos a viver neste espírito de fé que sabe reconhecer a misericórdia Divina em todas as provações e as utilizar para a salvação de nossas almas. Obtende-nos a graça de uma inteira conformidade à vontade Divina, seja que ela nos conceda a cura dos nossos males ou que recuse o que lhe pedimos. São Rafael guia protetor e companheiro de Tobias, dirigi-nos no caminho da salvação, preservai-nos de todo perigo e conduzi-nos ao Céu. São Rafael Arcanjo, rogai por nós. Amém.
Fonte: Youtube
Tormento divino em que o amor é a espada! - São João da Cruz

Amemos, minha irmã, e que tudo desapareça.
A alma amando se identifica a seu Deus.
Não esperemos que sua glória apareça
Para contemplar como os bem-aventurados!
Ele está em nós, nós temo-lo por sua graça,
E como no Céu já O adoramos!
Mas logo ao contemplar Sua Face,
Seu Nome divino brilhará sobre nossas frontes!
Quando, então, será o fim da espera?
Quando poderemos, enfim, nos imolar?
Esperando, sejamos totalmente adorantes,
Porque nosso Cordeiro quer nos purificar.
Não percebes a paixão suprema
De dar ao Cristo um pouco de seu amor?
Eu quero morrer, para Lhe dizer: “Eu te amo,
E como tu, eu me entrego neste dia!”
Santa Teresa no Céu deve-nos sorrir
Porque ela também quis fugir um dia.
Deus reservou-lhe outro martírio,
Ela morreu “Vítima do Amor!”
Oh! Como é belo o martírio das virgens
Aquele dos corações feridos pelo Infinito,
Tormento divino em que o amor é a espada!
Dardo inflamado, transpassa-nos também!
SÃO JOÃO DA CRUZ
Confiança em vossas provas

"Tende confiança em vossas provas.
Não esqueçais que convém que a folha caia,
para que reverdeça a árvore;
que convém que a semente morra no seio da terra,
para que se transforme em haste rejuvenescida e renovada.
Ainda algum tempo de dor bem pacientemente suportada,
e essa mortalidade se transformará em imortalidade gloriosa,
essa decomposição que nos espera,
há de transformar-se em luz brilhante!
E reunidos com os bons no lugar de doce alívio e eterna paz,
onde não há luto, nem gemido, nem dor de espécie alguma, sereis felizes,
de uma felicidade serena e imperturbável,
pois não vos preocupareis com o pensamento
de que ela possa terminar, diminuir, arrefecer.
Então direis: bem empregado o sofrimento
que durante a vida eu padeci,
abençoadas as minhas dores, lutos e aflições.
Instantes passageiros, minutos fugitivos,
benditos para sempre sejais,
pois me granjeastes a felicidade eterna!"
(São Francisco de Sales - Pensamentos consoladores)
domingo, 12 de novembro de 2017
Rezar na intimidade

Para rezar em profundidade, são muito úteis formas breves, que abram o caminho direto para olhar para ELE, para amá-LO e adorá-LO. A freqüente repetição, no caminhar, no descansar, na solidão, de noite e de dia, criará o hábito desta intimidade como clima constante da alma, como meta sempre almejada.
Fórmulas possíveis, entre outras:
Pai de Jesus, meu Pai, eu vos adoro e vos amo!
Jesus Salvador, sabes que eu Te amo!
Jesus, tudo por amor a Ti!
Jesus, trago-vos em meu coração; ficai sempre em mim!
Jesus, consagro-vos e ofereço-vos o meu profundo amor virginal.
Jesus, Salvador, desejo ser sempre vosso(a) apóstolo(a).
Jesus, Salvador do mundo, eu me sacrifico a vós e convosco ao Pai.
Sacratíssimo Coração de Jesus, confio eternamente em vós!
Jesus, tenha compaixão de mim pecador!
Vinde Espírito Santo, vivei em meu coração!
Espírito Santo, que habitais em mim, eu vos adoro.
Jesus e Maria, eu vos amo; salvai-me!
Pai, Jesus quer que, onde ELE está, estejam com ELE os que TU lhe deste, para que vejam a SUA glória que lhe concedeste (Jo 17,24).
Adoro-Te, Jesus! Salvaste-me para me introduzir na Tua comunhão com o Pai.
Jesus, as Tuas santas chagas são sinais de teu amor por nós; guarda-me em Tuas chagas!
Abandono-me a Ti! Confio só em Ti e desejo amar-Te sem fim!
Jesus divino, Tu estás em nós, e o Pai está em Ti.
Jesus, Filho eterno de Deus, Tu em mim, e eu em ti.
Convosco e em vós, ó JESUS, posso adorar o Pai com amor trinitário.
Textos bíblicos que nos animam a esta oração íntima:
Jo 6,37- 39: 37 “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora. 38 Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia.”
(Tudo é graça do Pai, em Jesus e por Ele)
Jo 6,44: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia.”
(A absoluta novidade da fé em Jesus)
Jo 17,22-25: “Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23 eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. 24 Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. 25 Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste.”
A glória divina é nossa / nisto somos um como Jesus e o Pai são um (“Eu neles e Tu em mim) / que estejam comigo e vejam a minha glória/ estes sabem que tu me enviaste.
Parar e deixar a alma rezar:
“Adoro-Te, Jesus! Salvaste-me para me introduzir na Tua comunhão com o Pai. Tuas chagas são sinais de teu amor obediente ao Pai; guarda-me em Tuas chagas! Abandono-me a Ti! Confio só em Ti e desejo amar-Te sem fim!
Tu és maior do que toda a capacidade de minha mente. Mas deixo-me amar por este Teu amor, cuja profunda razão de ser o mundo não conhece. Amo-Te e Te adoro, Tu em mim, e eu em Ti. Que direi eu, sou eu o teu santuário?
Em Jesus e com Jesus até o Pai
Jesus, segura-me; eu coloco minha mão em Tua mão. Assim a minha alma se eleva. Porque contigo, Jesus, e em Ti eu posso adorar o Pai. Posso amá-LO através do Teu eterno amor, Jesus. Em ti estou abrigado, em ti e por Ti falo ao Pai e o adoro.
Convosco e em vós, ó JESUS, posso adorar o Pai com o Vosso amor trinitário,.
R. Schnackenburg, o eminente exegeta, escreve em seu comentário II,94 (alemão): “A obtenção da vida divina em nós, prometida na Eucaristia, se dá pela unificação permanente com Jesus, o Portador da Vida.”
Gravai em meu coração
Gravai em
meu coração, ó Deus, a Vossa face,
ideal de
todos os meus desejos!
Abalai a
fortaleza de minha covardia,
fechada
aos solícitos apelos de Vossa bondade!
Queimai
as futilidades de minha vaidade,
para que
seja pura em mim a mina do Vosso amor!
Tirai-me
de mim mesmo! Tomai-me para Vós!
Dai-me
somente Vossa graça, Vosso perdão.
Para Vós
me criastes;
somente
quero Vos amar, conhecer, louvar, adorar!
Para
Vossos servos no deserto hasteastes a serpente;
para nós
erguestes, numa Cruz, Vosso único Amado!
Perscruto
meu passado, encontro Vosso amor.
Ofereço-Vos
meu futuro.
Renovai
em mim o coração confiante!
Em mim,
completai a obra que Vossa graça começou!
Meu
Senhor, Deus amado … Santo!
(+ Karl Josef
Romer)
Você deve pensar em Cristo como alguém que vive
Para refletir com o texto de François Mauriac (tradução de D. Marcos Barbosa, OSB)
Você deve pensar no Cristo como alguém que vive – que vive atualmente, que está no mundo – e que, entre milhões de outros, escolheu você. Sim, pois o simples fato de você conhecê-lo já é sinal de uma escolha.
Você deve pensar em Cristo como o único amigo cujo olhar penetra o mais íntimo de sua vida, e até mesmo aquela região inacessível a qualquer criatura – região que talvez você mesmo ignore.
Ele tem planos a seu respeito, tal como você é: ele conhece o santo, diferente de qualquer outro, do qual você traz a semente – e que ele criará, com o melhor e pior que há em você, se você não opuser resistência ao seu amor.
O drama da sua vida decorrerá de sua resistência ao paciente trabalho do Cristo sobre sua alma e seu destino, pois destruímos constantemente em nós essa obra que ele, eternamente, recomeça.
Você vive num tempo em que não é difícil encontrar o Cristo: ele é alguém que está só. A sua solidão o torna reconhecível, ele se revela ao seu amor.
A exigência do Cristo está longe de ser pequena. Ele aceita tudo o que você lhe der; mas ele pede tudo.
O seu amor é tal que basta um pensamento, um olhar, um suspiro, para já o estarmos traindo. Pois não quer de nós apenas uma atitude externa e fórmulas e ritos, mas um coração inteiro e puro.
Nós sabemos o que ele espera de nós: o nosso ponto fraco, a falha imperceptível que é preciso encher e tapar. Há uma certa exigência que é só nossa. Leve ou pesada, a cruz que você carrega tem o seu tamanho e não se parece com nenhuma outra.
Nas menores circunstâncias da vida, é a sua amizade que deve determinar sua atitude. Não pense que você pode resolver coisa alguma sem ele, mesmo que se trate de coisa sem importância. Aliás, nada é sem importância para o cristão: tudo repercute na eternidade.
Deus dar-lhe-á a clara consciência daquilo que você é: uma alma imortal, não isolada, mas cercada de muitas outras, sobre as quais você tem um certo poder, para o bem ou para o mal. Quando a graça diminui em sua alma, diminui também em muitos outros, que se apoiam em você.
Se você for amigo de Cristo, muitos se aquecerão nesse fogo, tomarão parte em sua luz. As trevas do seu pecado cegariam aqueles que você agora ilumina. E o dia em que não mais arder em você a chama do amor, muitos outros morrerão de frio.
Não pense que o Cristo o condena a dormir. Ele fará de você (e de todos que o amam) gente desperta e vigilante. Obrigá-los-á a terem nas mãos as rédeas do coração, de modo que suas paixões não os arrastem, mas sejam conduzidas por vocês, como belos cavalos garbosos e contidos.
O pecado é que é rotina. O pecado é que “mecaniza” a vida. A amizade do Cristo, ao contrário, rompe o insípido encadeamento do mal. O que surpreende num vício é a sua monotonia, pois a estrada parece longa ao caminharmos no escuro!
Mas você caminha em plena luz, talvez com dificuldade ainda, e talvez, mais tarde, com certo dilaceramento. Pois amar o Cristo é preferi-lo. E quem diz “preferência” dá a entender hesitações, árduo combate, talvez uma ruptura... O próprio Cristo nos advertiu que veio trazer o fogo à terra – que ele veio separar.
Não, não peça o repouso. Porque a religião do Cristo não se reduz a um sistema de limitações, de preservações, de defesas. Se ele fosse só isto, um vivo coração de moço não encontraria nele o seu alimento, e logo se afastaria. Sim, é preciso dizê-lo: esta religião convida ao amor essencial e comporta, pois, aos olhos do mundo, o maior dos riscos: o da total entrega.
O que Cristo pede e obtém da criatura humana, quem jamais o conseguiu, senão ele? Quem jamais o obteve, senão ele? Penso em alguns padres da roça, em certas monjas, naquela irmã de caridade...
E é dos jovens que ele consegue mais. Vi, na Trapa, monges silenciosos com apenas dezoito anos! Mas os velhos pareciam tão jovens quanto eles... Ante a falsa sabedoria do mundo, de que “é preciso gozar a mocidade”, o Cristo parece responder: “é preciso que a juventude seja eterna...” Nós temos a idade dos nossos pecados, e todo o nosso desgaste é de ordem espiritual.
Jovens, amigos de Cristo, depende de vocês que sua juventude seja eterna. Depende de você não ser, um dia, aquele homem maduro, aquele velho, que vem trazer ao Cristo um coração que o mundo já não quer mais, os destroços deixados pelas feras.
domingo, 8 de outubro de 2017
EVÁGRIO PÔNTICO (345-397)
Vida e Pensamentos:
Evágrio foi um monge, nascido por volta de 345, originário da Capadócia, em Ibora, no Ponto, e por isso ele é chamado de Pôntico. Passou dezesseis anos de sua vida no deserto do Egito, como anacoreta. Foi discípulo e amigo de São Gregório Nazianzeno. Evágrio conheceu bem cedo os três capadócios: São Basílio, São Gregório de Nissa e São Gregório de Nazianzo, sendo ordenado diácono por este último. Herdeiro dos grandes Padres Alexandrinos, Clemente e Orígenes, ele conduziu uma das grandes correntes da espiritualidade bizantina. Foram seus herdeiros, João Clímaco, Máximo, o Confessor, Simeão o Novo Teólogo, os Hesicastas…
Evágrio foi implicado na condenação do origenismo em 553; alguns acham incômodo citá-lo, no entanto, ele penetra e está presente em toda parte. Para Evágrio a ascenção espiritual consiste em contemplar a Deus em si mesmo, de modo que se vê a Deus como num espelho. O caminho consiste em despojar-se dos pensamentos apaixonados, depois, mesmo dos pensamentos simples, até a completa nudez de imagens e conceitos.
Evágrio morreu por volta de 397, deixando inúmeras obras sobre a oração, a vida monástica e ascética.
Pensamentos De Evágrio Pôntico
«Não imagines possuir a Divindade em ti, quando oras, nem deixes tua inteligência aceitar a marca de uma forma qualquer; mantém-te como imaterial diante do Imaterial e compreenderás».«Não poderias possuir a oração pura, estando perturbado com coisas materiais e agitado por inquietações contínuas, pois a oração é abandono dos pensamentos»,«A oração é produto da doçura e da ausência de ira».«Esforça-te por manter teu intelecto surdo e mudo durante a oração: assim poderás orar».«Se oras verdadeiramente, sentirás uma grande segurança: os anjos te escoltarão como a Daniel e te iluminarão sobre as razões dos seres».«Se queres orar como convém não entristeças nenhuma alma; senão, corres em vão».«Bem-aventurada a inteligência que, no momento da oração, torna-se imaterial e despojada de tudo».«A oração é uma ascenção da inteligência para Deus».«A oração é a atividade que convém à dignidade da inteligência; é a aplicação mais admirável e mais completa desta».«Se és teólogo, vais orar verdadeiramente; e se oras verdadeiramente, és teólogo».«A salmodia depende da sabedoria multiforme; a oração é o prelúdio do conhecimento imaterial e uniforme».«Quanto mais perto estiver de Deus, tanto melhor será o homem».«A oração é fruto da alegria e do reconhecimento».«Enquanto ainda tens atenção para o que provém do corpo; enquanto tua inteligência considera os atrativos externos, ainda não viste o lugar da oração; estás mesmo longe do caminho abençoado que conduz a ele».«O corpo tem o pão por alimento; a alma, a virtude; a inteligência, a oração espiritual».«Na hora de orar, encontrarás o fruto de todo sofrimento aceito com sabedoria».«Os sentimentos mal orientados atrapalham a oração».«Feliz o espírito livre de qualquer forma durante a oração».«O rancor cega a faculdade mestra de quem ora e derrama-lhe trevas sobre as orações».«Aspira a ver a face do Pai, que está no céu: não procure, por nada deste mundo, perceber forma ou rosto durante a oração».«Pois, quando em tua oração tiveres conseguido ultrapassar qualquer outra alegria, é que finalmente, em toda verdade, terás encontrado a oração».«Armado contra a ira, não admitas jamais a cobiça, pois é a cobiça que alimenta a ira, esta por sua vez, turva os olhos da inteligência e destrói assim, o estado de oração».«A oração é uma conversa da inteligência com Deus: que estado não é, pois, necessário, para essa tensão sem retorno, para ir a seu Senhor e conversar com Ele, sem nenhum intermediário?»«Mantém-te corajoso e ora com energia; afasta as preocupações e e as reflexões que se apresentarem, pois elas te perturbam e te agitam, debilitando o teu vigor».«Se queres orar dignamente, renuncia-te a todo instante; se suportas toda sorte de provações, resigna-te sabiamente por amor da oração».«Não te contentes de orar nas atitudes exeriores, mas leva tua inteligência ao sentimento da oração espiritual, com grande temor».«Não ores para que tuas vontades se cumpram: elas não concordam necessariamente com a vontade de Deus. Ora, sim, segundo o ensinamento recebido, dizendo: ‘que vossa vontade se cumpra em mim’. Em tudo, pede-lhe que se faça a sua vontade, pois Ele quer o bem e o benefício para tua alma; tu, porém, não é isso necessariamente que procuras».«A oração sem distração é a intelecção mais alta da inteligência».«Orando com teus irmãos ou orando só, esforça-te por orar, não por hábito, mas com sentimento».«Quem ama a Deus conversa incessantemente com Ele, como com um Pai, despojando-se de todo pensamento apaixonado».«Quem ora em espírito e em verdade, não tira mais das criaturas os louvores que dá ao Criador: é do próprio Deus que ele louva Deus».«O rancor cega a faculdade mestra de quem ora e derrama-lhe trevas sobre asorações».«A oração é a exclusão da tristeza e do desalento».
Evágrio Pôntico (345-397)
http://www.ecclesia.org.br/biblioteca/sophia/2009/08/10/evagrio-pontico-345-397/
O ESPÍRITO DE DEUS EM NÓS

"Se temos o Espírito de Deus em nosso coração, viveremos pela sua lei de caridade sempre mais inclinados à paz do que a dissensões; mais à humildade do que à arrogância; mais à obediência do que à rebeldia; tendendo à pureza e temperança; à simplicidade, quietude e calma; à força, generosidade, sabedoria e prudência; à justiça que a tudo abraça; e amaremos os outros mais do que a nós mesmos, porque este é o mandamento de Jesus: que amemos um ao outro como Ele nos amou (cf. Jo 15,12).
Nada disso pode ser feito sem a oração, e o nosso primeiro movimento em tudo deve ser para a oração, não só para descobrirmos a vontade de Deus, mas, sobretudo, para ganharmos a graça de levá-la a termo, com toda a força do nosso desejo."
Thomas Merton, "Homem Algum é uma Ilha", Verus 2003, pág. 65.
A ORAÇÃO

“A oração é inspirada por Deus nas profundezas do nosso nada. Ela é o movimento de confiança, gratidão, adoração ou pesar, que nos coloca diante de Deus, vendo tanto a Ele como a nós mesmos à luz de sua verdade infinita e nos move a pedir-Lhe a sua misericórdia, a força espiritual, o auxílio material de que todos precisamos.”
Thomas Merton - “Homem algum é uma ilha” Capítulo III Consciência, Liberdade e Oração” § 13.
POR QUE ORAMOS

"Não oramos simplesmente para orar, e sim para sermos ouvidos. Não oramos para ouvir-nos orar, mas a fim de que Deus nos possa ouvir e responder. Tampouco oramos para receber apenas qualquer resposta: tem de ser a resposta de Deus."
Thomas Merton, "Na Liberdade da Solidão", Vozes 2014, pág. 81.
sábado, 7 de outubro de 2017
HUMILDADE E SANTIDADE = CAMINHO PESSOAL E INTRANSFERÍVEL
"O homem humilde é capaz de ver com toda clareza que aquilo que é útil para ele pode ser inútil para outro e o que ajuda a outros a serem santos poderia arruiná-lo.
Não é humildade insistir em ser algo que não se é... Como pode esperar chegar ao final da própria viagem se se toma o caminho que leva à cidade de outro? Como pode esperar alcançar a própria perfeição levando a vida de outra pessoa? A santidade de outro nunca pode ser a própria; é preciso ter a humildade de realizar a própria vida em uma obscuridade em que se está absolutamente sozinho."
Citação de Thomas Merton por Maria Luísa López Laguna, em "Thomas Merton, Uma vida com horizonte", Ed. Santuário, 2010, pág. 99.
COMUNHÃO DOS SANTOS
"Cristo orou para que todos fossem Um como ele e o Pai são Um, na Unidade do Espírito Santo. Quando, portanto, você e eu nos tornamos aquilo que estamos destinados a ser, descobrimos não apenas que nos amamos mutuamente com perfeição, mas que estamos ambos vivendo em Cristo e Cristo em nós e que somos todos Um em Cristo. E veremos que é ele que ama em nós.
A perfeição última da vida contemplativa não consiste num paraíso de indivíduos separados, atento cada qual à sua própria intuição particular de Deus; é um oceano de Amor que flui através do único Corpo de todos os eleitos, todos os anjos e santos, e a contemplação deles seria incompleta se não fosse partilhada ou se o fosse com menor número de almas ou com espíritos suscetíveis de menor visão e de menos alegria."
Thomas Merton, Novas Sementes de Contemplação, Editora Fisus, 1999, pág. 70.
CAMINHAR O PRÓPRIO CAMINHO
"Como esperar alcançar o fim de nossa viagem se tomamos o caminho que leva à cidade de outros? Como esperar atingir nossa própria perfeição, levando a vida de outros? A santidade deles jamais será a nossa.
É necessário, portanto, haver humildade heroica para sermos nós mesmos e para não sermos nenhum outro senão o homem ou o artista que Deus nos destinou ser."
Thomas Merton, "Novas Sementes de Contemplação", Fisus 1999, pág. 103.

Foto: A ponte tibetana em Claviere, Piemonte, Itália.
As cruzes da Providência são as mais agradáveis a Deus

"Se alguém quer vir atrás de mim, diz Nosso Senhor, tome a sua cruz e siga-me." Tomar a sua cruz significa receber e sofrer todas as nossas penas, contradições, aflições e mortificações, que nesta vida nos acontecem, sem exceção alguma, com uma inteira submissão e indiferença. Imolemos muitas vezes o nosso coração do nosso amor de Jesus Cristo sobre o próprio altar da cruz, onde Ele imolou o seu amor pelo nosso. A cruz, é a porta real para entrar no templo da santidade; aquele que a busca fora daí, não a encontra. As melhores cruzes são as mais pesadas e as mais pesadas são as que mais incomodam a parte inferior da alma.
As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e ainda mais as que encontramos em casa, e quanto mais importunas melhores; valem mais do que as disciplinas, os jejuns e o mais que inventou a austeridade. É ai que resplandece a generosidade dos filhos da cruz e dos habitantes do Calvário.
As cruzes que a nós mesmos impomos são inferiores, por serem nossas e tem menos mérito. Humilhai-vos e recebei com alegria as que vos impuserem contra vossa vontade. O cumprimento da cruz aumenta muito o seu preço: sede fiéis até à morte e tereis a coroa da glória. Amais muito o crucifixo; que quereis pois senão ser crucificados?
Nosso Senhor deu a escolher a Davi o castigo que queria, e bendito seja Ele! Mas parece-me que eu não escolheria e teria deixado a escolha à sua divina Majestade. Quanto mais a cruz é de Deus, tanto mais a devemos amar.
Recebamos com amor as cruzes que não escolhemos e que Deus nos deu; bendiga- mo-las, ame-mo-las, estão todas perfumadas com a excelência do lugar donde vêm. Onde houver menos escolha há mais agrado de Deus. Amo muito mais o mal, que vem do nosso Pai celeste do que aquele, vem da nossa própria vontade.
Nosso Senhor mostrou-nos bem que não é preciso que escolhamos as cruzes, mas sim que as tomemos como nos vierem; porque quando Ele quis morrer para nos resgatar e satisfazer a vontade de seu Pai celeste, não escolheu a cruz, mas recebeu humildemente a que lhe tinham preparado os judeus.
Estimo muito mais o mal que nos envia o nosso Pai celeste do que aquele que nós escolhemos. Oh! eis a virtude verdadeira, e é assim que convém exercê-la.
Sêneca disse o seguinte, e eu queria que o tivesse dito Santo Agostinho: "A perfeição do homem consiste em sofrer bem todas as coisas, como se lhe chegasse por escolha sua".
Sofrer por Deus é ter nas mãos o ouro mais puro e mais precioso para comprar o céu. Uma só parcela deste ouro divino basta para possuirmos a glória do paraíso. "Um instante duma leve tribulação, diz São Paulo, opera em nós um peso imenso de glória". As nossas ações ordinárias não são assim; podemos dizer que as mais virtuosas, comparadas com as aflições, são pequena moeda dum metal inferior. É preciso pois ganhar coisa de valor; e muitas vezes acontece que esta tem uma aparência enganadora, porque na maioria das nossas boas obras encontra-se o nosso amor próprio, que lhes altera a pureza.
A perfeição cristã consiste em sofrer bem. Não lastimeis as vossas penas para adquirirdes virtudes sólidas. Sofrei com paciência as tribulações que se opuserem a este desígnio. Deus dá-vos uma ocasião de praticardes a paciência; querereis deixá-la passar? Talvez na vossa vida não encontreis outra situação semelhante; talvez seja o último serviço que presteis à sua divina Majestade. Tende constância, e Ele vos aliviará nos trabalhos que sobrevierem.
Amemos nossas cruzes; são de ouro, vistas com olhos de amor; e embora Nosso Senhor aí esteja morto entre espinhos e cravos, encontra-se uma reunião de pedras preciosas, que nos guarnecerão uma coroa de glória, se suportarmos com coragem a de espinhos. O tempo das aflições e contradições é o da boa colheita, em que a alma recolhe as mais ricas bênçãos do céu, um dia deste tempo vale mais do que seis doutro. Estejamos pois sempre unidos à cruz, e trespassem muito embora as nossas carnes com mil flechas contanto que a seta inflamada do amor de Deus nos tenha antes trespassado o coração; faça-nos esta divina ferida morrer com santa morte, que vale mais do que mil vidas. Em que testemunharemos o nosso amor Àquele que tanto por nós sofreu, senão nas contradições, repugnâncias e aversões? Lancemo-nos através dos espinhos das dificuldades; deixemos trespassar o nosso coração com a lança das contradições; comamos absinto; bebamos o fel e vinagre das amarguras temporais, já que o nosso doce Salvador assim o quer.
Assim como as flores crescem entre espinhos, o amor divino cresce de preferência mais entre as tribulações do que entre as alegrias.
Oh! como são ditosas as almas que bebem corajosamente o cálice dos sofrimentos com Jesus Cristo que se mortificam, levando a sua cruz e sofrem e recebem de sua divina mão toda a qualidade de sucessos com submissão ao seu gosto! Mas, Deus meu, quão pouco se encontram, que façam isto como devem! Muitas vezes encontram-se almas que desejam sofrer e levar a cruz, e sei que há muitos que pedem a Deus aflições, mas é com a condição de as visitar e consolar muitas vezes nas suas penas e sofrimentos, e de lhes testemunhar que lhes agradam e se compraz em as ver sofrer por seu amor, e que afinal as recompensará com uma glória imortal. Também há muitos que desejam como os dois discípulos saber o grau da glória que terão no céu, com certeza que este desejo é impertinente; porque nunca devemos por forma alguma, importar-nos com isso, mas ocupar-nos sempre em servir a sua divina Majestade com a maior fidelidade que pudermos, observando os seus divinos mandamentos, conselhos e vontades, exatamente e com a maior perfeição, pureza e amor que nos for possível, deixando o cuidado do resto à sua infinita bondade, que não nos faltará se cumprimos o nosso dever, e nos recompensará com uma glória imortal, e incompreensível, dando-nos a si mesmo tanta estima o que por Ele obramos. Em suma, é um Senhor: basta só que sejamos servos e servas muito fiéis, e Ele será fiel remunerador. Oh! se soubéssemos que felicidade é servir fielmente este divino Salvador de nossas almas, e beber com Ele o cálice! Oh! abraçaríamos de bom gosto as penas e sofrimentos, imitando Santa Catarina de Sena, que preferiu a coroa de espinhos à coroa de ouro!
Assim devemos nós praticar, porque enfim o caminho da cruz e aflições é um caminho seguro, que nos conduz diretamente à Deus e à perfeição do seu amor. Se formos pois fiéis em beber corajosamente o seu cálice crucificando-nos com Ele nesta vida, a sua eterna bondade glorificar-nos-á eternamente na outra.
(Retirado do livro, pensamentos consoladores de São Francisco de Sales)
Fonte: São Pio V
Fonte: São Pio V
sábado, 16 de setembro de 2017
São Próspero de Aquitânia
Professor da FéSéculos IV e V
Próspero estudou na sua cidade natal, Aquitânia, atual Limoges, França, e logo se tornou escritor e teólogo. As suas obras são quase as únicas fontes de informação sobre ele próprio. Escrevia tanto em verso como em prosa. Por causa do poema "De um esposo a sua mulher", atribuído à sua autoria, chegou-se a supor que ele pudesse ter sido casado. Porém é certo que ele nunca se ordenou sacerdote, embora tenha vivido no mosteiro de Marselha, desde 426. Até morrer, manteve-se apenas um monge leigo. Também não foi mártir e nem patrocinou prodígio algum. Entretanto a Igreja o venera como "Professor da Fé".
No meio dos sacerdotes marselheses, Próspero viu difundir-se a doutrina herética apregoada por Pelágio, que negava o pecado original e a necessidade da graça divina para a salvação humana. Portanto o ser humano seria capaz de salvar-se apenas praticando o bem e segundo a sua própria vontade, pois a graça divina era importante, mas não indispensável.
Próspero, desde o seu ingresso no mosteiro, tomou parte ativa na luta contra os erros doutrinais divulgados por Pelágio, que os monges marselheses se interessavam em sua propagação. Próspero defendeu e trabalhou pessoalmente com Agostinho, pois tinha o mesmo entendimento que ele sobre a graça divina. Por isso contou a Agostinho que os "marselheses" eram-lhe os novos opositores doutrinais. Instigado, Agostinho escreveu aquela que foi a sua maior obra: "Da predestinação dos santos e dom da perseverança". Agostinho morreu logo após, em 430.
Mas nem mesmo após sua morte as críticas dos "marselheses" à sua doutrina atenuaram. Por isso, um ano depois, Próspero decidiu ir a Roma para pedir a intervenção do papa Celestino I. que mandou uma carta aos bispos da França para que acabassem de vez com as críticas ao grande mestre e doutor da Igreja, Agostinho.
Só então Próspero transferiu-se para Roma, em 435, onde continuou com suas obras. Escreveu um comentário sobre os salmos e, principalmente, sobre seu mestre Agostinho, assentando-lhe a doutrina e corrigindo certos exageros encontrados nos seus textos. Próspero captava com facilidade o pensamento muitas vezes obscuro de Agostinho, devido à sua apurada educação literária e filosófica. Ele próprio se tornou um teólogo de rara grandeza para a Igreja.
A partir de 440, Próspero foi convocado pelo papa Leão Magno para ser seu secretário, exercendo a função até depois de 463, quando faleceu. Deixou um grande número de escritos teológicos eclesiásticos, sempre em resposta às diversas calúnias e objeções à rígida doutrina de Agostinho. Aliás, o conteúdo era tão apurado e preciso que continuaram convencendo também os outros pontífices que se sucederam em Roma durante séculos.
O único indício de homenagem a são Próspero de Aquitânia remonta à Antigüidade, que é uma pintura na igreja de São Clemente, em Roma. Sem dúvida, trata-se deste santo, porque naquela igreja o papa Zózimo, em 417, condenou o "pelagianismo", heresia que o grande teólogo combateu ferrenhamente por meio de suas obras.
Próspero de Aquitânia só foi canonizado no século VIII, por isso foi inserido erroneamente no Martirológio Romano por César Baronio, que o confundiu com o bispo de Régio Emilia, seu homônimo, que foi martirizado pela fé no século VIII.
Motivo pelo qual os dois santos recebem as homenagens litúrgicas no mesmo dia, 25 de junho.
http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Os%20Santos%20do%20Dia/Santos%20do%20Mês%20de%20Junho/25-06%20São%20Próspero%20de%20Aquitânia%20%20.htm
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
COMO A DISCIPLINA NA ALIMENTAÇÃO MELHORA SUA ESPIRITUALIDADE
Olá,
eu sei que você deve estar pensando "será que estou no blog certo"? Bom acredite, está. E sim, vamos falar de alimentação.
Como você já deve ter visto no vídeo sobre gula, aqui, a espiritualidade e a alimentação tem uma intima relação.

Como vimos, a gula não é só comer demais, mas também devemos notar que se relaciona com a qualidade e agora, indo além, podemos ver outras faces desse comportamento.
Atualmente, vivemos numa interessante relação com a comida, comemos coisas comestíveis e não alimentos. Para me fazer compreender e poder expressar as virtudes desempenhadas nesse processo, vou lhe contar o que aconteceu na minha história.
Nunca tive problemas com comida, minha alimentação sempre foi boa, em casa fomos educados a comer de tudo e "tudo" inclui vegetais, mas com a vida cotidiana trabalhista (rs) comecei a "me esquecer" de comer. Muitos podem achar isso bom (rs), mas não é, afinal comer é uma necessidade do corpo e é necessário para manter a vida saudável do mesmo, logo se esquecer de disso demonstrava que eu preferia submeter meu corpo a um stress desse tipo em prol de um trabalho adiantado.
Logo minha primeira lição foi: comer nos horários. Sei que isso é a fala de muitos profissionais, mas no meu caso e talvez no seu, era uma forma de exercer a constância, digo isso porque comia sem fome e sem vontade de comer (não, não era anoréxica rsrs era uma pessoa que trabalhava e estudava demais e entre comer e dormir, preferia dormir rs), mas consegui e comia nos horários.
Claro que esse jejum, sem nenhum suporte espiritual e sem nenhum objetivo espiritual (sim, o jejum com proposito, é bem feito e consciente), saiu caro e fiquei com uma pangastrite (gastrite é a inflamação de uma parede do estomago, pangastrite do estomago todo), mas eu não sentia dor (não, não sei por qual razão). Fiz um tratamento com 60 antibióticos semanal e fiquei bem, não passei mal, e consegui comer direito :).
Bom essa fase, comecei a notar o quê eu comia e como comia. Pois é, o fato é que, obviamente, precisei mudar minha alimentação por conta do estomago que havia se cansado de tanto lixo e ficado bem seletivo quanto a lactose (sim, intolerância a lactose, que não é alergia, só intolerância). Assim comecei a me fazer uma pergunta quando vou comer: isso é comestível ou alimenta? - no caso, isso engana ou nutri.
Sabe, quando escrevi o No Principio, baixe aqui, precisei estudar o Gênesis novamente e novamente, sempre parava nos alimentos que Deus havia nos dado, o quanto eram nutritivos e nos aproximavam da natureza. Confesso, não sou vegetariana, mas como alimentos que nutrem em maior quantidade e mais vezes ao dia.
Quem passa por aqui, assiste os meus vídeos, sabe que sempre falo da necessidade de fazer o pequeno, ir pela pequena via como diz Santa Terezinha. Quando escolhemos o que comemos (não com frescura, mas numa ação consciente e prudente, comendo comida mesmo), a quantidade que comemos, fazemos uso da prudência, que é a arte de escolher. Quantas vezes comemos para satisfazer um gosto e isso é bom, MAS muitas vezes aquilo que foi ingerido nos fará mal e esse fato é muitas vezes consciente, sabemos que fará mal. E ainda vou além, muitas vezes fazemos isso com a comida e com outras áreas da vida, não é mesmo? Vamos, agimos e falamos mesmo sabendo que é ruim, não fará bem.
Assim é possível na prática de pequenas coisas aprender a escolher, a ser prudente.
E por fim, chegamos ao como. Já reparou que não comemos na mesa? E que fazemos muitas coisas em lugares que não lhe são próprios? Eu por exemplo, tinha o péssimo hábito de comer em pé, andando, fazendo as coisas. Hoje vou te falar que preciso me esforçar pra montar a mesa, o prato, sentar, me desligar do que precisa ser feito e comer. Assim é também um treino da constância.
Todos esses pontos e outros que podem surgir aí na sua mente com essa reflexão, nos levam a treinar também a temperança, que é capacidade de buscar o equilíbrio.
Agora vou além, sabia que a castidade, que é a capacidade do auto domínio da sexualidade, é filha da temperança? Da mesma forma que a a gula pode abrir espaço para a luxuria, a temperança abre para a castidade.
Pois é, não se deixe levar! Como disse no vídeo, aqui, é comum que sejamos assaltados por pensamentos de que já estou tão estressado se fizer isso vou ficar doente, minha vida já é tão difícil e eu ainda vou fazer isso? Não são pensamentos que vem de Deus, podem ser simplesmente a comodidade humana ou, se você tem dificuldades na sexualidade, um forma de impedir que feche essa porta.
Lembre-se, se for fiel no pouco Ele te confiará mais.
Paz e bem.
http://salusincaritate.blogspot.com.br/2016/03/espiritualidade-diaria-alimentacao.html
50 conselhos de um monge do deserto para a sua vida

Muito temos a aprender com esses homens que viveram no deserto e lá se tornaram grandes mestres
Esses apotegmas – ditos – são do Padre do Deserto Pai Antônio, O Grande.
Muito temos a aprender com esses homens que enebriados pelos amor a Deus e pelo desejo de tornar real o motivo da nossa existência, ou seja, conhecer, amar e servir a Deus; foram para o deserto e lá se encontraram consigo mesmos e sua limitações, travaram inúmeras batalhas, principalmente com os maus pensamentos e comportamentos e por fim se tornaram grandes mestres. É realmente uma pena que muitos tenham se esquecido da grande fonte de ensinamentos que os padres nos oferecem, ensinamentos fundamentados na experiência, em vivências reais de homens santos.
É importante lembrar que os Padres viveram por volta de 300 depois de Cristo, o mais conhecido é Santo Antão, mas haviam muitos outros, padres e madres do deserto. Esse ponto faz com que a doutrina dos padres, quanto a espiritualidade, seja mais apurada e mística. Também devemos nos atentar para o fato de que esses homens e mulheres tinham uma dimensão muito elevada da sua decisão em viver no deserto, pois acreditavam que estavam se apresentando em nome dos homens para combater os inimigos dos homens e de Deus, eles fugiam do mundo e iam batalhar internamente e muitos externamentos com a concupiscência da carne e o demônio. É importante esse apontamento pois, muitos acham que eles eram fugitivos do mundo, num sentido pejorativo, mas não é o caso, eles eram homens muito corajosos, assim como o são os enclausurados de hoje – que também estão em um deserto – pois se entregam em nome dos homens para fazer oposição ao demônio e sua ação maligna no mundo.
Assim os ditos dos Padres podem nos ajudar muito em nossa vida espiritual, pois os Padres sempre partiam da prática, do cotiano para guiar seus discípulo até Deus:
Se o ferro é negligenciado e não recebe a manutenção devida, à força de permanecer sempre abandonado sem servir a nada, acaba comido pela ferrugem e já não tem mais nem utilidade nem beleza. O mesmo acontece com a alma. Se ela permanece inerte, se não se dedica a viver na virtude e a se voltar para Deus, se ela se priva da proteção divina por causa de suas más ações, em sua negligência ela se destrói sob o efeito do mal que ataca a matéria do corpo como o ferro se destrói sob o efeito da ferrugem, e não possui mais nem beleza, nem utilidade em vista da salvação.
Deus é bom, impassível, imutável. Mas se nós consideramos razoável e verdadeiro que Deus não muda, podemos nos perguntar como Ele se alegra com os bons e se zanga com os maus, como se irrita com os pecadores e é benevolente quando homenageado. A resposta é que Deus não se alegra nem se irrita, pois alegrar-se e entristecer-se são paixões. Da mesma forma, não há como homenageá-lO com presentes, pois então Ele seria dominado pelo prazer. Ora, é impossível, a partir das coisas humanas, ver no Divino o bem e o mal. Deus é Bom, e Ele não nos faz senão o bem, jamais o mal, pois em tudo isto Ele permanece sempre igual. Também nós, se, por nossa semelhança, perseveramos no bem, também nós nos unimos a Deus. Mas se, por dissenso, nos entregamos ao mal, nós nos separamos de Deus. Vivendo na virtude, ligamo-nos a Deus; mas levados ao mal, fazemos dEle nosso inimigo, cuja irritação não é gratuita, uma vez que os pecados impedem a Deus de brilhar em nós e nos atiram aos demônios que nos castigam. Se, pelas orações e pelo bem que fazemos, obtemos a absolvição de nossas faltas, não é por termos honrado a Deus ou tê-lO feito mudar, mas porque, curando nosso próprio mal com nossas ações e nosso retorno ao divino, desfrutamos novamente de sua bondade. Isto equivale a dizer então que Deus se afasta dos desonestos, e que o sol se esconde diante dos que são privados de visão.
A alma verdadeiramente dotada de razão, quando vê a felicidade dos bandidos e a prosperidade dos indignos, não se perturba imaginando aquilo que eles desfrutam nesta vida, como aqueles que, dentre os homens, são desprovidos de razão. Pois ela conhece claramente a instabilidade da fortuna, a incerteza da vida presente, a brevidade da existência e a integridade do Juízo. Esta alma crê que Deus não a esquecerá e lhe dará o alimento de que ela necessita.
A alma dotada de razão, que mantém firmemente sua boa resolução, conduz como um cavalo o ardor e o desejo, suas paixões privadas de razão. Se ela as domina, pressiona, se assenhora delas, ela é coroada e julgada digna da vida no céu. Ela recebe de Deus que a criou a recompensa por sua vitória e suas provações.
O bem não é visível, assim como as coisas do Céu. Mas o mal é visível, como as coisas da terra. O bem é aquilo que não se pode comparar. Assim, o homem que possui inteligência escolhe o melhor.
O corpo unido à alma passa das trevas do seio materno à luz do dia. Mas a alma unida ao corpo permanece ligada às trevas do corpo. Assim, convém ter aversão e endireitar o corpo, na medida em que ele se mostra adversário e inimigo da alma. A abundância e o prazer das comidas despertam no homem as paixões do mal. Mas a temperança reabsorve as paixões e salva a alma.
Pelo corpo, o homem é mortal. Mas pelo intelecto e pela palavra, ele é imortal. Mesmo se você se cala, você pensa. E se você pensa você fala. Pois é no silêncio que a inteligência engendra a palavra. E a palavra de reconhecimento dirigida a Deus é a salvação do homem.
A alma está no corpo. A inteligência está na alma. E a razão está na inteligência. Quando é concebido e glorificado por ela, Deus imortaliza a alma atribuindo-lhe a incorruptibilidade e as delícias eternas, Ele que por sua simples bondade fez existir todas as criaturas.
Nosso Deus deu a imortalidade às coisas do Céu e fez mutáveis as coisas da terra. Ele colocou a vida e o movimento no universo. A tudo Ele criou para o homem. Assim, não se deixe cativar pelas imagens deste mundo que lhe chegam pelo demônio, quando ele introduz em sua alma maus pensamentos. Mas procure imediatamente os bens celestiais, e diga a si mesmo: “Se eu quiser, eu tenho em mim o poder de rechaçar também este ataque da paixão. Mas se eu não o fizer, é porque quero satisfazer meu desejo.” Continue assim com este combate, que pode salvar sua alma.
O mal anda de mãos dadas com a natureza, como a ferrugem com o ferro, ou as excreções com o corpo. Mas não foi o ferreiro quem fez a ferrugem, nem os pais que fizeram a excreção. Da mesma forma, Deus não criou o mal. Ao contrário, Ele deu ao homem o conhecimento e o discernimento, para que ele pudesse fugir do mal, sabendo que este é nocivo e condenável. Assim, quando você ver alguém feliz por ser rico e poderoso, cuidado para não invejá-lo. É o demônio que cria esta ilusão. Mas tenha imediatamente a morte diante dos olhos, e você não cobiçará jamais nem o mal, nem as coisas deste mundo.
Aquele que faz da piedade a companhia de sua vida não permite ao mal entrar em sua alma. E se o mal não penetra nela, a alma permanece ao abrigo do perigo e da infelicidade. Nem as enganações do demônio, nem os golpes da sorte prevalecerão nestes homens. Pois Deus os livra do mal. Eles vivem sob sua guarda, longe de toda infelicidade, semelhantes a Ele. Se os elogiarem, eles rirão de quem os elogia; se os ofenderem, não responderão aos insultos. Pois eles não se comovem com o que é dito ou não dito a respeito deles.
O mal é uma afecção da matéria. Deus não está em causa. Ele deu aos homens o conhecimento, o saber, o discernimento do bem e do mal, e a liberdade. É a negligência e a irresponsabilidade dos homens que engendram as paixões do mal. Portanto, Deus não é sua causa. Os demônios caíram na maldade depois de uma escolha deliberada. O mesmo acontece com a maior parte dos homens.
Conceba as coisas de Deus. Seja piedoso, sem inveja, bom, casto, doce, contente tanto quanto possível, afável, alheio às disputas. Possua estas virtudes e as que lhes assemelham. Pois esta é a fortuna inviolável da alma: agradar a Deus pelo exercício dessas virtudes, não julgar ninguém, não dizer de ninguém: “Fulano é mau, ele pecou”. É melhor nos ocuparmos de nossos próprios males e examinarmos se nossa própria conduta agrada a Deus. Porque afinal, que sentido faz nos preocuparmos se o outro é mau?
A alma se compadece do corpo, mas o corpo não se compadece da alma. Assim, quando o corpo está moribundo, a alma sofre com ele. E quando o corpo está vigoroso e se sente bem, a alma experimenta a mesma alegria. Mas quando a alma se põe a refletir, o corpo não acompanha esta reflexão. Ele permanece abandonado a si mesmo. Pois a reflexão é um estado da alma, assim como a ignorância, o orgulho, a perfídia, a cupidez, o ódio, a inveja, a cólera, o desdém, a vanglória, a estima, a discórdia, o sentido do bem. Tudo isto é suscitado pela alma.
Dentre aqueles que se encontram num albergue, alguns recebem um leito, outros não o obtêm e deitam-se no chão, onde roncam tanto quanto os que dormem em sua cama. Após passarem a noite e deixarem pela manhã os leitos, eles partem juntos, cada qual levando apenas o que possui. O mesmo acontece com todos os que chegam a este mundo. Tanto os que viveram pobremente quanto aqueles que passaram a vida entre a glória e a riqueza, todos saem da vida como do albergue. Eles não levam consigo nada daquilo que fazia as delícias e a riqueza do mundo. Eles não levam senão suas próprias obras, boas ou más: aquilo que fizeram durante a vida.
O homem dotado de razão é combatido pelos sentidos de sua natureza racional, por meio das paixões da alma. Ora, existem cinco sentidos no corpo: a vista, o olfato, a audição, o paladar e o tato. A infeliz alma é capturada pelos cinco sentidos quando ela se submete às quatro paixões que lhes correspondem. Estas quatro paixões são a vanglória, a loucura insensata, a cólera e a lassidão. Portanto, a partir do momento em que, com prudência e reflexão, o homem levou a bom termo o combate e dominou as paixões, ele não é mais combatido. Sua alma está em paz, e ele recebe a coroa de Deus por sua vitória.
Não convém que a alma que é dotada de razão e que combate, se deixe ficar facilmente apreensiva e medrosa diante das provas que lhe acontecem, se ela não quiser ser ridicularizada por sua preguiça. Pois a alma perturbada pela imaginação das coisas do mundo esquece o que ela deve a si mesma. São as virtudes da alma que nos abrem o caminho aos bens eternos. A causa dos castigos está no mal que os homens fazem a si mesmos.
Os sábios devem lembrar-se continuamente: se suportamos nesta vida as pequenas penas passageiras, nós os homens usufruiremos após a morte de um imenso prazer e de delícias eternas. Desde logo, aquele que combate as paixões e que quer ser coroado por Deus, se ele cair, não deve se desencorajar, nem permanecer em sua queda desesperando de si. Mas é preciso que ele se levante, retome o combate, e busque novamente a coroa. Até o último suspiro é preciso lembrar-se desta queda que lhe sucedeu. Pois os golpes que o corpo recebe são a armadura das virtudes e asseguram a salvação da alma.
Aqueles que participam dos Jogos Olímpicos não recebem a coroa por vencerem um, dois ou três adversários, mas após terem vencido a todos os que enfrentaram. O mesmo acontece com o homem que quer ser coroado por Deus. Sua alma deve dedicar-se à sabedoria, não somente nas coisas do corpo, mas em tudo o que se refere a perdas e ganhos, invejas, alimentos, a vanglória, as injúrias, a morte e as afecções análogas.
Saiba que as dores físicas são naturais do corpo, uma vez que este é corruptível e material. Diante de tais sofrimentos, a alma instruída deve armar-se de perseverança e paciência, e não reprovar a Deus por haver criado o corpo.
Os homens não devem adquirir nada de mais. Se por acaso eles têm muito, será bom para eles saber que tudo nesta vida é, por natureza, corruptível, tudo desaparece facilmente, se degrada e se destrói. Assim, eles não devem se inquietar com o que quer que aconteça.
Se você quiser, você será escravo das paixões. Se você quiser, e você é livre, você não será sujeito às paixões. Pois Deus o criou livre. E aquele que sobrepuja as paixões da carne recebe a coroa da incorruptibilidade. Pois se não houvesse paixões não haveria virtudes, nem as coroas dadas por Deus aos homens que delas são dignos.
Se nos esforçamos para cuidar das paixões do corpo para evitar a zombaria daqueles com quem encontramos, com mais razão devemos nos esforçar para curar as paixões da alma, uma vez que seremos julgados na presença de Deus, para que não sejamos submetidos à desonra e ao ridículo. Pois nós somos livres. Assim, mesmo quando sentimos em nós o desejo de más ações, não querer fazê-las é possível, está ao nosso alcance levar uma vida que agrade a Deus. Jamais alguém poderá nos forçar a fazer algo de mal, se não quisermos. Combatendo assim, seremos de fato homens dignos de Deus, e viveremos como anjos no céu.
A gratidão e a conduta virtuosa são os frutos do homem que mais agradam a Deus. Ora, os frutos da terra não amadurecem em uma hora: é preciso tempo, a chuva, cuidados. Da mesma forma, os frutos do homem não brilham senão pela ascese, o estudo, o tempo, a perseverança, a obstinação e a paciência. Mas mesmo que, ao ver em você estes frutos, alguns o considerem um homem piedoso, desconfie sempre de si mesmo enquanto você viver em um corpo, e considere que nada daquilo que vem de você agrada a Deus. Saiba que, de fato, não é fácil um homem permanecer até o fim puro de toda falta.
Quando você fecha a porta de sua casa e fica só, saiba que um anjo designado por Deus a cada homem estará com você. É este anjo que os gregos chamam de daimon interior. Ele não dorme jamais. É impossível enganá-lo. Ele está sempre com você, ele vê tudo e a escuridão não o atrapalha. Com ele, Deus está em toda parte. Pois não existe lugar nem matéria aonde Deus não esteja, uma vez que ele é maior do que tudo e tem todos os seres em sua mão.
O que é conforme a natureza não é pecado. O pecado é a escolha do mal. Comer não é pecado. Pecado é comer sem dar graças, sem decência nem temperança. Pois convém guardar em vida o corpo fora de toda imaginação perversa. O olhar, se é puro, tampouco é pecado. O pecado está em olhar com inveja, com orgulho ou com indiscrição. É não escutar pacificamente, mas com hostilidade. É não guardar a língua para a ação de graças e a prece, mas deixá-la dizer não importa o quê. É não usar as mãos para socorrer os outros, mas servir-se delas para matar e roubar. Desta forma, cada um dos nossos membros peca por si só, fazendo mal em lugar do bem, contra a vontade de Deus.
As condições nas quais nos encontramos malgrado nós mesmos e sem que o desejemos são uma prisão e um castigo. Assim, ame aquilo que você possui atualmente. Pois se você o assumir de má vontade, você estará punindo a si mesmo por sua própria conta. Na verdade, não existe senão um caminho: o desprezo pelas coisas do mundo.
Quem não se satisfaz com o que possui presentemente para viver, mas quer sempre mais, sujeita-se às paixões que perturbam a alma e lhe impõem pensamentos e imaginações. Pois possuir mais é um mal em si. Assim como uma túnica grande demais atrapalha quem disputa uma corrida, também o desejo de aumentar as riquezas impede a alma de combater e ser salva.
Aqueles que conhecem a Deus enchem-se de todas as bem-aventuranças da bondade. Aspirando às coisas do céu, eles desdenham as coisas desta vida. Tais homens não agradam à maioria, nem tentam agradá-la. Assim, muitos dentre os que não compreendem nada, não apenas os detestam, como zombam deles. Em sua pobreza, eles aceitam suportar tudo isso, sabendo que o que parece um mal à maioria, aos seus olhos é o bem. Pois aquele cujo intelecto se abre às coisas celestes, crê em Deus e compreende que todas as coisas são criações de sua vontade, enquanto que aquele cujo intelecto não se abre, jamais acreditará que este mundo é obra de Deus e que ele foi feito para a salvação do homem.
Deus, com sua palavra, destinou as espécies animais a diferentes usos sucessivos. Algumas devem ser comidas, outras devem servir. E ele criou o homem para contemplar suas vidas e suas obras e para reconhecê-las e interpretá-las. Que os homens se apliquem, assim, a não morrer sem antes contemplar e entender Deus e suas obras, como os animais desprovidos de razão. O homem deve saber que Deus tudo pode, e que nada se opõe Àquele que pode tudo. A partir do nada ele fez, e fez tudo o que quis com sua simples palavra, para a salvação dos homens.
Quando você tiver que se haver com alguém que disputa e combate a verdade e a evidência, corte imediatamente a disputa e afaste-se deste homem cuja inteligência está petrificada. Da mesma forma, com efeito, com que uma água ruim estraga os melhores vinhos, também as conversas sem sentido corrompem aqueles que consagram a vida e o pensamento à virtude.
Não convém aos menos dotados dos homens, os que se desesperam de si mesmos, tratar com negligência e desdém a conduta virtuosa amada por Deus, sob pretexto de ser-lhes inacessível e fora de alcance. Ao contrário, eles devem colocar nisso todas as suas forças e cuidar de si, pois mesmo que não possam atingir os cumes da virtude e da salvação, entretanto, por seu esforço e seu desejo, ou eles se tornam melhores, ou ao menos não se tornam piores, o que para a alma não é pouco benefício.
Os que consideram como uma infelicidade a perda de dinheiro, de filhos, de servidores ou de qualquer outro bem, saibam que devemos antes de tudo contentarmo-nos com o que Deus dá, e devolver-lhe com entusiasmo e gratidão, quando preciso, sem sermos afetados por esta privação, ou antes por esta restituição, pois aqueles que se servem daquilo que não lhes pertence não cessam de devolver.
Os homens bons e amados por Deus não denunciam o mal de outrem senão na sua presença, e cara a cara. Eles jamais reprovam os ausentes. E eles não aceitam escutar os que assim acusam os outros.
Os que se perderam por causa das esperanças desta vida e não sabem senão em palavras levar a vida mais bela, são um pouco como pacientes que buscam os remédios e os instrumentos da medicina, mas que não sabem servir-se deles nem se inquietam com isto. É por isso que, quando estamos em falta, não devemos jamais acusar nossos pais ou qualquer outra pessoa, mas apenas a nós mesmos. Pois se a alma se abandona à negligência, torna-se para ela impossível vencer.
A marca da alma dotada de razão e virtuosa está no olhar, no caminhar, na voz, no riso, nas ocupações e nas conversas. Pois tudo se transforma e se readapta para se tornar mais nobre. O intelecto amado por Deus guarda suas portas, vigilante e sóbrio, interditando a entrada à infâmia dos maus pensamentos.
É preciso que os homens se conduzam em verdade como convém a seu comportamento e sua conduta. Uma vez operado este redirecionamento, torna-se fácil conhecer as coisas de Deus. Com efeito, aquele que venera a Deus com todo seu coração e com toda sua fé, recebe da providência divina a possibilidade de dominar a cólera e a cobiça. Ora, a cobiça e a cólera são a fonte de todos os males.
Devemos chamar “criador de homens” àquele que é capaz de domar as naturezas incultas a ponto de fazê-las amar a instrução e a cultura. Da mesma maneira, aqueles que transformam os desviados inspirando-lhes uma conduta virtuosa que agrada a Deus, também devem ser chamados “criadores de homens”, pois eles remodelam os homens. Pois a doçura e a temperança são para as almas humanas uma felicidade e uma boa esperança.
Aqueles que desejam levar uma vida virtuosa, piedosa e louvável, não devem ser julgados por seu comportamento, que pode ser simulado, nem por sua conduta, que pode ser enganadora. Mas como os artistas, os pintores e os escultores, é por suas obras que eles revelam sua conduta virtuosa e amada por Deus, e que eles rejeitam como armadilhas todos os prazeres maus.
Não se deve dizer que é impossível ao homem alcançar uma vida virtuosa, mas sim que isto não é fácil. Esta vida não está ao alcance de qualquer um. Mas partilham a vida virtuosa aqueles, dentre os homens, que se consagram à piedade e cujo intelecto é amado por Deus. Pois o intelecto comum está voltado para o mundo, ele é mutante, ele nutre tanto bons como maus pensamentos, ele se altera por natureza e se dirige para a matéria. Mas o intelecto amado por Deus sabe preservar-se do mal que a negligência suscita no homem.
É examinando a si mesmo que o homem dotado de razão experimenta o que lhe convém e lhe é útil, o que é apropriado à alma e lhe é vantajoso, e o que lhe é estranho. E é assim que ele evita o mal que é nocivo à alma, por ser-lhe estranho e separá-la da imortalidade.
Se você pensa que ter dinheiro e mostrar opulência não passam de aparência ilusória e passageira, se você sabe que a vida virtuosa que agrada a Deus o resgata das riquezas, e se você refletir seriamente nisto e guardar na lembrança, você não mais gemerá, nem se lamentará, você não acusará ninguém, mas em tudo dará graças a Deus, vendo aqueles que são piores do que você apoiarem-se sobre a eloqüência e o dinheiro. Pois este é para a alma um mal tão grave como a cobiça, a ambição e a ignorância.
A temperança, a resignação, a castidade, a perseverança, a paciência e similares, são as correspondentes potências virtuosas consideráveis que recebemos de Deus para resistir às dificuldades do momento, fazer-lhes frente e nos socorrer. Se exercermos e mantivermos estas potências, perceberemos que daí em diante nada mais de difícil, doloroso e intolerável nos acontece, com o pensamento de que tudo é humano e pode ser dominado pelas virtudes que estão em nós. Os que não têm a inteligência da alma não pensam assim, pois eles não compreendem que tudo acontece para o bem e como se deve, para nosso benefício, a fim de que brilhem as virtudes, e que sejamos coroados por Deus.
O homem dotado de razão na verdade não tem senão uma coisa no coração: obedecer e agradar ao Deus do universo, e conformar sua alma com a única preocupação de Lhe ser agradável, dando-Lhe graças pela realidade e a força de sua providência por meio da qual Ele dirige todas as coisas, seja o que for que lhe aconteça durante a vida. De fato, seria fora de propósito agradecer pela saúde do corpo aos médicos que nos prescrevem remédios amargos e desagradáveis, enquanto recusamos a Deus a gratidão por coisas que nos parecem penosas, como se não soubéssemos que tudo o que acontece é como deve ser, e para nosso bem, pelos cuidados da providência. Pois o conhecimento de Deus e a fé nele são a salvação e a perfeição da alma.
Quando a idéia de um prazer se apoderar da sua imaginação, vigie para não se deixar invadir por ela. Apresse-se a se lembrar da morte e observe o quanto será melhor para você saber que superou mais esta perdição do prazer.
O homem conhece a Deus e é conhecido por Deus na medida em que se esforça para jamais separar-se dele. E o homem não se separa de Deus quando é bom e domina todo prazer, não por falta de recursos, mas por vontade e temperança.
O homem é o único ser capaz de receber a Deus. Ele é o único, dentre os seres vivos, com quem Deus conversa, à noite por meio dos sonhos, de dia através da inteligência. Assim, continuamente, Ele anuncia e apresenta previamente aos homens que são dignos disto os bens que os esperam.
É a providência divina que dirige o mundo. Nenhum lugar está privado dela. A providência é a razão absoluta que modelou a matéria para dela fazer o mundo. Ela é o criador e o artesão de tudo o que existe. Pois é impossível que a matéria tenha sido organizada sem o poder decisivo da razão, que é a imagem, a inteligência, a sabedoria e a providência de Deus.
A coroa da incorruptibilidade, a virtude, a salvação do homem, consiste em suportar as adversidades com coragem e gratidão. Dominar a cólera, a língua, o ventre e os prazeres, é também um grande auxílio para a alma.
Filocalia Tomo I Volume 1
ANTÔNIO
O GRANDE
330 dc
(via Salus in Caritate)
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