sábado, 25 de julho de 2015

Como combater as distrações na oração?


Vimos anteriormente as distrações que atrapalham a nossa prática da oração e o desenvolvimento espiritual. Conhecendo agora as origens destas, poderemos passar a apontar conselhos adequados e eficazes.


É importante, antes de mais nada, apresentarmos os conselhos com a consciência de que não é possível, somente por nossas forças, suprimir todas as distrações. A eliminação total das distrações só ocorre por intervenção divina numa vida espiritual avançada, porém podemos fazer muito amparado pela graça do Espírito Santo.


Iniciemos pelas causas que dependem de nossa vontade. Devemos destruí-las com todas as nossas energias e forças, conforme ensina o Pe. Royo Marin:


"Quanto as causas dependem de nossa vontade, as combaterá com energia até destruí-las por completo. Não omitiremos jamais a preparação próxima, recordando sempre que o contrário seria tentar a Deus, como diz a Sagrada Escritura. E cuidemos, ademais, de uma séria preparação remota, que abarca principalmente os pontos seguintes: silêncio, fuga da curiosidade vã, guarda dos sentidos, da imaginação e do coração, e nos acostumarmos a ter o foco no que se está fazendo, sem deixar divagar voluntariamente a imaginação até outra parte."

Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana


Portanto aqui vemos que a preparação próxima e remota são completamente fundamentais.


Para fazer uma boa preparação próxima devemos iniciar por determinar o momento do dia e a quantidade de tempo que dedicaremos a oração, sendo muito recomendado não deixar perto do horário de dormir ou que você sinta sono, pois neste caso o cansaço será uma porta aberta para se omitir a oração naquele dia.


Um dos horários mais recomendados é logo quando se acorda, pois estamos descansados e com a mente limpa de qualquer pensamento.


O lugar da oração deve ser silencioso, sendo ideal uma Igreja, oratório, ou um outro espaço que não contenha coisas que chamem a atenção.


A postura deve ser orante, silenciosa e humilde. Bater palmas, fazer gestos eufóricos, rezar deitado ou andando irão contribuir para dificultar a introspecção necessária.


No caso de estar em uma atividade que exija demais do corpo ou da mente, é importante procurar reduzi-la aos poucos, conforme o horário dedicado a oração se aproxima, ou ainda, buscar um horário que não seja afetado pelos efeitos destas ocupações. É sempre importante reservar um tempo, quando necessário, para se recolher e silenciar antes de iniciar a oração.


Para a preparação remota, devemos, durante o dia, evitar falar muito, ouvir muita música (especialmente as músicas de ritmo forte) ou ainda evitar deixar a alma livre para pensar mal dos outros, suspeitar demais das coisas, ficar reclamando, buscar conhecimentos desnecessários, leituras fúteis, excesso de leitura de notícias, etc. Tudo isso é como lixo que vai se acumulando na alma durante o dia e depois torna difícil a concentração, pois atrai a atenção da alma.


Quanto as causas involuntárias, este sábio sacerdote continua:



"Pode diminuir-se o influxo pernicioso das causas independentes da vontade com várias indústrias: lendo, fixando a vista no sacrário ou em uma imagem expressiva, eligindo matérias mais concretas, entregando-se a uma oração mais afetiva, com frequentes colóquios (inclusive vocais, se preciso), etc"

Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana


Não temos condições de colocar aqui remédios práticos para todas as mínimas situações, pois elas tendem a uma quantidade inimaginável e de espécies totalmente diversas, embora o Pe. Royo Marin tenha colocado de forma magnífica alguns conselhos mais gerais.


Chamo a atenção para as causas involuntárias que provêm dos demônios: neste caso podemos e devemos utilizar a água benta.


No caso de doenças, não devemos nos angustiar, mas unir o sofrimento da doença à Cristo e já estaremos fazendo uma prática muito frutuosa.


O temperamento deve ser dominado com a prática das virtudes cristãs, enquanto que um diretor espiritual que está atrapalhando pode ser trocado por um outro mais experiente, que compreenda melhor a vida de oração.


Por fim, resta-nos saber como reagir durante a oração quando a distração se apresenta. Deixemos o grande dominicano explicar com suas palavras precisas, as quais, nada tenho a acrescentar:


"Quando, apesar de tudo, nos sintamos distraídos com frequência, não nos impacientemos. Voltemos a trazer suavemente nosso espírito ao recolhimento, mesmo que seja milhares de vezes, se for preciso; humilhemo-nos na presença de Deus, peçamos sua ajuda e não examinemos de imediato as causas que motivaram a distração. Deixemos este exame para o fim da oração, com a finalidade de prevenirmos melhor no futuro. E tenha-se bem presente que toda distração combatida (mesmo que não seja completamente vencida) em nada compromete o fruto da oração nem diminui o mérito da alma."

Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana


Que possamos pedir que o Espírito de Fortaleza venha em nosso socorro para nos impulsionar a combater contra estes obstáculos e consumir nosso coração com seu Fogo Divino.

http://domusmariae.com.br/joomla/vida-espiritual/oracao/25-porque-me-distraio-na-oracao

Porque me distraio na oração?

Uma das coisas mais comuns que acontece durante nossos momentos de oração são as distrações, que podem apenas atrapalhar a concentração ou podem chegar a tornar impossível unir-se a Cristo pela oração. É preciso, para combatê-las, entender sua origem e que também combatê-las contribui grandiosamente para nossa santificação. 

As distrações podem ter duas origens: voluntárias ou involuntárias. As voluntárias acontecem totalmente por culpa e desleixo nosso, enquanto que as involuntárias nos advém mesmo contra nossa vontade.

As voluntárias são basicamente duas:

1) Falta da devida preparação próxima; quanto ao tempo, lugar, postura, passagem excessivamente brusca a oração depois de uma ocupação absorvente...

2) Falta de preparação remota; pouco recolhimento, dissipação habitual, vida tíbia, curiosidade vã, ânsia de ler tudo...

Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana

Basicamente a preparação próxima se relaciona diretamente com a prática da oração, onde escolhemos um lugar, ficamos numa postura, escolhemos o momento preciso que dedicaremos à mesma, etc. Evidentemente que se tentarmos fazer a oração deitado na cama, escolhermos um local barulhento ou o momento do dia em que estivermos mais cansados não iremos conseguir realizar a oração de forma plena ou adequada e jamais iremos progredir nos graus de oração.

Também é necessário notar que ao sair de ocupações absorventes (a prática de um esporte que demande muito esforço, um trabalho intelectual excessivo, etc) demandam que tenhamos calma e façamos uma preparação e um momento de recolhimento antes de iniciar a oração.

A preparação remota diz respeito ao que fazemos durante o dia normalmente. Se lermos coisas demais, ficarmos atrás de informações sobre a vida dos outros, conversarmos demais (isso inclui mensagens de textos), etc, nunca nos concentrarmos por muito tempo em nada. Deste modo iremos inevitavelmente ter uma grande dificuldade de controlar nossa imaginação na hora da oração. Inúmeros são os jovens que não conseguem se concentrar no momento da oração porque passam tempo demais conversando via mensagens, Facebook, telefone ou outros meios.

Já as causas involuntárias podem são classificadas em quatro origens distintas.

1) A índole e o temperamento: Imaginação viva e instável; tendência a focar nas coisas exteriores; incapacidade de fixar a atenção ou de prorromper em afetos. Paixões vivas, mal dominadas, que atraem continuamente a atenção até os objetos amados, temidos e odiados...

2) A pouca saúde e a fatiga mental, que impede fixar a atenção ou abstrair das coisas e circunstância exteriores.

3) A direção pouco acertada do diretor espiritual, que quer impôr artificialmente suas próprias ideias a alma, sem tem em conta o influxo da graça, a índole, o estado e as necessidades da mesma, empenhando-se em fazer continuar a meditação discursiva quando Deus a move a uma oração mais simples e mais profunda ou apartando-a rapidamente do discurso quando ela necessita...

4) O demônio, as vezes diretamente, outras muitas, indiretamente, utilizando outras causas e aumentando sua eficácia perturbadora.

Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana

Como poder ser visto, as causas involuntárias ocorrem por muitos fatores externos que estão, muitas vezes, além de nossas forças, não sendo possível combatê-los todos, embora se possa aliviá-los. Para tanto precisamos conhecer e estarmos atentos a existência destes, buscando evitar as situações que venham provocá-los. 

Exporemos alguns exemplos mais claros e alguns meios com que poderíamos aliviá-los, não se tratando propriamente de remédios, pois são conselhos que dependem totalmente das circunstâncias, deixando os remédios mais gerais à um outro artigo.

Um temperamento explosivo faz a pessoa se irar facilmente e a irritação é completamente incompatível com a oração e a concentração.

Podemos acabar tendo dificuldades por excesso de atividades pessoais, como muitas obras de apostolado, um trabalho "manhã, tarde e noite", visitas excessivas e desnecessárias às pessoas (principalmente parentes), etc.

Quanto a doença não há muito o que se pode fazer a não ser buscar o tratamento de forma disciplinada e evitar as suas causas. O cansaço nem sempre pode ser evitado, mas uma disciplina no horário de dormir e levantar pode ajudar muito.

A direção espiritual mal feita pode ser um grande problema. Podemos encontrar dificuldades por sermos ensinados a nos prendermos excessivamente ao discurso racional, a afetividade ou a buscarmos o cumprimento do dever de ler determinada oração até o final.

A ação dos demônios é algo que pode ocorrer de diversos meios, seja com a apresentação de ocupações aparentemente mais importantes, a incitação violenta ou mais branda de nossas paixões, as dúvidas sobre a fé no momento da oração, etc.

Com isso vemos que existem muitas coisas que precisam e devem ser remediadas na nossa vida e prática de oração para que possamos adentrar cada vez mais no grandiosos "castelo" que é a nossa alma para encontrar a Santíssima Trindade que ali habita.

Vinde, Ò Paráclito, para impulsionar nossa oração com o sopro dos teus dons e nos fazer aprofundar-nos na verdadeira união com Cristo, nosso Salvador e Senhor.

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Nos teus invernos há sementes que germinam

Nos teus invernos há sementes que germinam, sabias?: Meditação sobre o Evangelho de Domingo


Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus. (Marcos 1, 14-20, Evangelho do 3.º Domingo do Tempo Comum)

Marcos conduz-nos ao momento primordial em que uma notícia extraordinária começa a correr pela Galileia, anunciando com a primeira palavra: o tempo cumpriu-se, o Reino de Deus está aqui.


Jesus não demonstra o Reino, mostra-o e fá-lo florir das suas mãos: liberta, cura, perdoa, derruba barreiras, volta a dar a plenitude a todos, a começar pelos últimos. O Reino é Deus que vem para curar do mal de viver, como a vida que desponta em todas as suas formas.

A segunda palavra de Jesus pede para tomar posição: convertei-vos, voltai-vos para o Reino. Há uma ideia de movimento na conversão, como no girassol que a cada manhã volta a erguer a sua corola e a orienta na direção do sol. Convertei-vos: isto é, voltai-vos para a luz porque a luz já está aqui.

A cada manhã, a cada despertar, também eu posso converter-me, dirigir pensamentos, sentimentos e escolhas para uma estrela polar do viver, para a boa notícia de que Deus está hoje mais próximo, penetrou mais profundamente no coração do mundo e no meu, com mansidão e poderosa energia para o amanhecer de novos céus e nova terra.

Também eu posso construir o meu dia sobre esta feliz certeza; deixar de ter os olhos baixos sobre os meus mil problemas, mas levantar a cabeça para a luz, para o Senhor que me assegura: Eu estou contigo, nunca te deixo, nunca serás abandonado.

Crer no Evangelho. Não basta aderir a uma doutrina; é preciso atirar-se para dentro dele, para que a nossa vida seja submersa nele e dele derivem as nossas escolhas.

Caminhando ao longo do lago, Jesus vê... Vê Simão e nele intui Pedro, a Rocha. Vê João e nele perscruta o discípulo das mais belas palavras de amor. Um dia olhará a adúltera trazida à força para diante dele e nela verá a mulher capaz de amar de novo.

O Mestre olha também para mim; nos meus invernos vê sementes que germinam, generosidade que desconhecia ter, capacidades de que não suspeitava. O olhar de Jesus alarga o coração, torna-o mais amplo. Deus tem para mim a confiança de quem contempla as estrelas ainda antes que se iluminem.

Segue-me, vem após mim. Jesus não se alonga em motivações, porque o motivo é Ele, que te coloca o Reino recém-nascido entre as mãos. E di-lo com uma palavra inédita: farei de vós pescadores de homens. Como se dissesse: farei de vós buscadores de tesouros.

Como se dissesse: o meu e o vosso tesouro são os homens. Havereis de os tirar para fora da escuridão, como peixes sob a superfície das águas, como recém-nascidos das águas maternas, como tesouro desenterrado do campo. Passá-los-eis da vida submersa à vida ao sol. Mostrareis que o Evangelho é a chave para viver melhor.

Ermes Ronchi
In "Avvenire"

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A luta com Deus - Pe. Manuel Hurtado sj (1/5)

Sobre a conquista de si mesmo




"Não há esperança para alguém que luta por obter uma virtude abstrata – uma qualidade de que não possui nenhuma experiência. Nunca poderá, eficazmente, preferir a virtude ao vício oposto, seja qual for o grau com que, aparentemente, despreza esse vício.
 
Todos possuem um desejo espontâneo de fazer coisas boas e de evitar as más. No entanto, esse desejo é estéril enquanto não temos a experiências do que significa ser bom.
 
O prazer de um ato bom é algo a ser relembrado, não para alimentar nossa vaidade, mas para nos recordar que as ações virtuosas são não somente possíveis e valiosas, mas pode tornar-se mais fáceis, mais cheias de encanto e mais frutuosas do que os atos viciosos que a elas se opõem, frustrando-as.
 
Uma falsa humildade não nos deve roubar o prazer da conquista, que nos é devido, e mesmo necessário à nossa vida espiritual, sobretudo no início.
É verdade que, mais tarde, podemos conservar ainda defeitos que não conseguimos dominar – de maneira a termos a humildade de lutar contra um adversário aparentemente invencível, sem sentirmos prazer algum pela vitória.
 
Pois pode nos ser pedido renunciar até mesmo ao prazer que sentimos ao fazer coisas boas, de maneira a termos a certeza de que as realizamos por algo mais do que esse mesmo prazer. Mas antes de podermos renunciar a esse prazer, temos de aceitá-lo. No início, o prazer vindo da conquista de si mesmo é necessário. Não tenhamos medo de desejá-lo."
 
Na liberdade da solidão, Thomas Merton (Editora Vozes), 7ª Ed. 2001, pág. 26 a 28

Precisamos de uma iniciação ao silêncio


Ao que parece, durante anos, o compositor John Cage sondou a possibilidade de elaborar uma obra completamente silenciosa, mas impedia-o duas coisas: a dúvida se uma tarefa assim não estaria, desde logo, votada ao fracasso, porque tudo é som; e a convicção de que uma composição tal seria incompreensível no espaço mental da cultura do Ocidente. Contudo, encorajado pelas experiências que se realizavam já nas artes visuais, construiu a sua peça intitulada 4’33’’.

A proposta de Cage era completamente insólita: os músicos deviam subir ao palco, saudar o público, sentar-se ao instrumento e permanecer, em silêncio, por quatro minutos e trinta e três segundos, até que, de novo, se levantassem, agradecessem à plateia e saíssem. Na assistência instalou-se a polémica e choveram as vaias. Mas ao longo de toda a sua vida, John Cage referiu-se a essa peça com sentida reverência: «A minha peça mais importante é essa silenciosa; não passa um só dia que não me sirva dela para a minha vida e para tudo o que faço. Recordo-a sempre que tenho de escrever uma nova peça».

Quando penso no contributo que a experiência poética ou religiosa possa dar num futuro próximo à humanidade, penso francamente que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Na palavra fazemos a experiência da diferenciação, experiência certamente fundante, mas também ela parcial e insuficiente. Precisamos do auxílio de outra ciência, a que recorremos pouco: o silêncio. Isaac de Nínive, lá pelos finais do século VII, ensinava: “A palavra é o órgão do mundo presente. O silêncio é o mistério do mundo que está a chegar”. Creio que é absolutamente urgente revisitarmos com outro apreço os territórios dos nossos silêncios e fazermos deles lugares de troca, de diálogos, de encontros. O silêncio é um instrumento de construção, é uma lente, uma alavanca.

As nossas sociedades investem tanto na construção de competências na ordem da palavra (e pensemos como a escolarização está ao serviço da capacitação dos indivíduos em ordem a um funcionamento eficaz com a palavra) e tão pouco nas competências que operam com o silêncio. Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos porque não sabemos viver na paz.

O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicerçar, para cada um enquanto indivíduo e para todos enquanto comunidade, os modos possíveis de nos reinventarmos. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar.

Na sociedade da comunicação há um défice de escuta. Numa cultura de avalanche como a nossa, a verdadeira escuta só pode configurar-se como uma re-significação do silêncio, um recuo crítico perante o frenesim das palavras e das mensagens que a todo o minuto pretendem aprisionar-nos. A arte da escuta é, por isso, um exercício de resistência. Ela estabelece uma descontinuidade em relação ao real aparente, à sucessão ociosa do discurso, à enxurrada que a telenovelização do quotidiano (seja ele político, económico ou cultural) comporta. A escuta constitui uma cesura, um corte simbólico, uma deslocação.

Pense-se em como o silêncio mostra o patrimônio de uma amizade. E a pergunta é: como percebemos que dois desconhecidos são amigos? Pela forma como conversam? Certamente. Pelo modo como se riem? Claro que sim. Mas ainda mais porque nitidamente acolhem o silêncio um do outro. Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa, de ocupar o espaço em branco da comunicação. Com os amigos o silêncio nada tem de embaraçoso. O silêncio é um vínculo que une.

José Tolentino Mendonça 
In "Expresso", 13.6.2015 

http://www.centroloyola.org.br/index.php/revista/outras-palavras/desdobramentos/772-precisamos-de-uma-iniciacao-ao-silencio

Oração da Unidade

Antes de tudo, Jesus, o Doutor e Senhor da unidade, , Jesus, o Doutor e Senhor da unidade, não quis que a oração fosse individual e privada, de modo que ao rezar cada um pedisse por si. Com efeito não dizemos:" Pai meu que estás no céus", nem "o pão meu". Cada um não pede que as sua dívidas lhe sejam descontadas, e não é só por si próprio que pede para não cair em tentação e ser livrado do maligno. Para nós, a oração é pública e comunitária; e quando rezamos, não intercedemos por um só, mas por todo o povo; porque nós, todo o povo, somos um.



O Deus da paz e o Senhor da concórdia, que ensinou a unidade, quis que um só rezasse por todos, tal como Ele próprio rezou com todos os homens. Os três jovens hebreus presos na fornalha ardente observaram esta lei da oração [cf. Dan 3,15]; e, depois da Ascensão do Senhor, os apóstolos e os discípulos rezavam deste modo: "perseveravam unidos na oração, com as mulheres, com Maria, Mãe de Jesus, e com seus irmãos" [cf. At 1,14]. Num só coração, perseveravam na oração; pelo seu fervor e amor mútuo, testemunhavam que Deus, faz com que os homens unânimes habitem numa mesma casa [cf. Sl 67,7], só admite na sua morada eterna aqueles cuja oração traduz a união das almas.

http://docuranossasalve.blogspot.com.br/search/label/Medita%C3%A7%C3%B5es.

O Silêncio


O silêncio é a base, a porta, a preciosa morada da alma que quer uma vida de amor. O silêncio é o eixo precioso no qual se apóia a união com Deus. A mortificação constante, a renúncia, leva a alma ao silêncio; o silêncio leva a alma à oração, onde finalmente Deus e a alma se unem em perfeito relacionamento de perfeita caridade.


O silêncio é amor vigilante. Não é um exercício para determinadas horas apenas, ou para alguns momentos e circunstâncias do dia ou da vida. É exercício de toda a vida, silêncio perpétuo exterior e interior, de tudo o que não é caridade para si e para os outros.


Depois de santos momentos de união com Nosso Senhor, no exercício das virtudes ou, especialmente, na oração, perdemos tudo pela dissipação e, sobretudo, pela loquacidade, e até damos um passo para trás. E assim não se progride nunca, não se chega àquela bendita união divina que nosso Jesus quer de nós.


Deixemos, pois, de falar por curiosidade, leviandade, ou outros egoísmos do amor próprio. O silêncio é fecundo para a vida da alma. A conversa, ao contrário, se não for motivada pela perfeita caridade, é árida, de uma aridez muito prejudicial à alma. Nisso, nosso especial modelo é nossa divina Mãe. Pensemos como deviam ser suas palavras, com que graça divina as terá pronunciado, e como terá vivido, sempre unida ao seu Eterno Sol.

http://docuranossasalve.blogspot.com.br/2015/07/o-silencio.html?spref=fb

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Os Eremitas urbanos



(Tradução e complementos, Irmã Gema - Autor : Vittorio Messori)


" Os eremitas de hoje vivem na cidade



Seu número cresce a cada dia. Passam sua vida em oração, não temem a pobreza e rejeitam qualquer hierarquia. Sua força está em contrariar o espírito atual. A Igreja decidiu reintegrar os eremitas no Direito Canônico (sejam urbanos ou rurais).  Esses eremitas não querem ser notícia, buscam o silêncio e a discrição. Sua porta ficará sempre fechada para quem se aproxime dele como jornalista ou simplesmente um curioso. Tenho o privilégio de conhecer alguns pessoalmente, porém não teria acesso algum a seus esconderijos se violasse a promessa de não dar nomes nem endereços. De toda forma se alguém quer buscar seu rastro que não busque em lugares íngremes: é muito mais provável que os encontre nos quartinhos, ou quitinetes dos centros metropolitanos. Esses eremitas estão retornando pela porta grande e seu número cresce a cada ano, ainda que poucos o sabem, como é óbvio, dado seu empenho em passar despercebidos.


A Igreja porém sim, sabe de sua existência. E decidiu voltar a dar um lugar dentro de sua estrutura. Pois o Código de Direito Canônico de 1917 os havia ignorado, não por hostilidade, senão porque parecia que formavam parte de página do Cristianismo, longa e gloriosa, porém definitivamente encerrada.        
  Uma página que se iniciou quando no Oriente milhões de crentes fugiram no deserto ou nas montanhas: grutas e ou cabanas se encheram de solitários que lutavam tanto contra leões e serpentes como contra os demônios tentadores. A fama de seus jejuns, das penitências, do silêncio ininterrupto provocava a afluência de discípulos, e com freqüência o solitário se via obrigado a acolhe-los, criando – as vezes contra a sua vontade- uma comunidade a dar uma regra. Também foi este o destino de quem no Ocidente ia a ser a origem da forma de monacato que marcaria os séculos seguintes beneficamente. São Bento de Núrsia começou como eremita, porém sua mesma fama  de santidade lhe tirou da gruta e lhe forçou a transformar-se em mestre e legislador de cenóbios.

        


  A Idade Média se encheu de eremitas, muitos dos quais encontravam seu sustento guardando cemitérios, pontes ou santuários. O declínio começou com o Concílio de Trento, que desconfiou dos anacoretas porque eram incontroláveis, e concluiu no Século das Luzes e da Revolução Francesa que perseguiu estes “parasitas anti- sociais” aos que também consideravam “fanáticos obscurantistas”. No século XIX o eremita ficará condenado a ser quase um personagem de novela romântica, ao estilo do Conde de Monte Cristo. Dentro da Igreja, a vocação a solidão havia ficado canalizada desde há muito tempo através de Ordens religiosas como as dos Cartuxos ou dos Camaldulenses, e nas que o isolamento é unido com a comunhão com os irmãos, na oração e nos atos comunitários.

          

Se dizia que o silêncio do Código eclesiástico de 1917 era significativo : já não ficam anacoretas, fora de suas regras. E em troca, esta vocação, -rara, porém insuprimível- desde logo não havia desaparecido, senão que se incubava debaixo das cinzas, de modo que o novo Código publicado em 1983 há tido que levantar uma ata, O segundo parágrafo do cânon 603, a Igreja reconhece oficialmente aos eremitas como “consagrados” se “mediante voto ou outro vínculo sagrado, professam publicamente os três conselhos evangélicos (pobreza, castidade, obediência) nas mãos do Bispo diocesano”, e se o mesmo Ordinário do lugar os aprova uma regra que eles mesmos escreveram. Uma regra equilibrada, com requisitos mínimos, porém tal como é obrigado para uma eleição de vida inspirada pela obediência a Igreja e a leitura mais rigorosa do Evangelho a vez que pela liberdade e a autonomia dos filhos de Deus que seguem uma vocação particular e de todo pessoal.

          


As estatísticas são difíceis, por não dizer impossíveis: ainda que se lhes conheçam, muito raramente os eremitas respondem a pesquisas ou questionários. Agora surgiu uma investigação dos jesuítas americanos que há tido um certo tipo de êxito,  de uma resultado de cerca de 600 eremitas em todo mundo que conseguiu cerca de 140 respostas. Uma miséria para qualquer outra categoria de eremitas, que se nos atentarmos para os valores fiáveis, contaria em todo o mundo com vinte mil pessoas. Na Itália de mil a mil e duzentos, divididos quase igual entre homens e mulheres. A imensa maioria é católica, ainda que não faltem outras confissões cristãs e outras confissões. Como alguém assinalou, o anacoreta é o mais “ecumênico” dos crentes -vivendo todos os dias- os valores que unem todas as confissões: oração, penitência, sacrifício, isolamento, contemplação.


     


Parece que entre os novos eremitas italianos também se cumpre o que revela a investigação americana, segundo a qual, apenas 2 % escolheu viver em grutas ou lugares desse estilo como galerias subterrâneas. Nem a maioria se encontra no campo ou nas montanhas. Na realidade, o maior número dos eremitas atuais  são urbanos !



     A cidade grande é o verdadeiro lugar da solidão e do anonimato, do combate silencioso contra os novos demônios. A maioria tem entre cinqüenta e sessenta anos, e são raríssimos os que estão com menos de trinta. 


Não há mais que recordar o velho provérbio: “Para um jovem eremita, um diabo velho”. Todos os mestres da vida espiritual hão ensinado sempre que uma vocação assim distingue a uma elite de homem e de mulheres particularmente experimentados. De fato, no eremitério não se tem o apoio de uma comunidade fraterna; a solidão e o silêncio constantes são uma alegria apenas para quem realmente há sido chamado;< alguns> nem sequer contam com algum hábito ou distintivo.



Não somente: a obrigada pobreza se converte muitas vezes em miséria, sobretudo para quem encontrou na cidade o seu “deserto”, dado que o anacoreta buscará fugir de toda “dissipação”, e por tanto, dos trabalhos em fábricas ou oficinas, viverá das pequenas coisas que possa fazer dentro de suas modestíssimas quatro paredes. Isto quase nunca assegura os ingressos suficientes para uma que uma vida não se deslize da pobreza para a indigência. Esta é uma das razões pela que muitos esperam ter uma idade suficiente para uma pequena aposentadoria ainda que mínima, que lhes permita cultivar em paz sua própria vocação.

  


  Em geral tem mas sorte para o sustento diário aqueles que tem sua casa no campo. Todas as experiências dão fé de que no princípio, é difícil pela desconfiança dos moradores que se perguntam quem será esse (a) “forasteiro (a)” estranho que, no geral, tem um ar distinto ( a maioria tem faculdade), que <quase> não recebe visitas, que não tem telefone, nem televisão, que dorme com as galinhas e acorda com a aurora, e que só fala com os demais – pároco inclusive- as mínimas palavras indispensáveis. De tal modo é isso que a primeira visita, em geral é da polícia local, alertado das observações dos vizinhos ! Depois, pouco a pouco, se aceita o (a) “forasteiro (a)” como um membro da comunidade, alguém singular.


Ainda que a maioria dos eremitas sejam leigos, também são numerosos aqueles sacerdotes, freis ou monjas que chegam a vida eremítica depois de muitos anos em comunidades tradicionais. São os mais afortunados, pois uma vez que lhes é concedido dar o passo a esta nova forma de vida, podem ter a ajuda da família religiosa da qual provêm.

        
  
Porém, Porque uma escolha assim?  Primeiro temos que dizer que se trata de uma vocação, um chamado, que floresceu novamente por reação a uma embriagues “comunitária”, “social”-e porque não dizer mundana- que arruinou muitos ambientes religiosos.O excesso da insistência com o compromisso com o mundo, o transbordamento das palavras, faladas e escritas, levaram a muitos a redescobrir a força da oração e o gozo do silêncio.                  
  O eremita dá sua vida por coisas “inúteis” segundo o mundo e, desgraçadamente também segundo certa “cultura da eficiência” cristã atual. A simples regra que ele mesmo escreve a si, e que quer submeter a aprovação do bispo, prevê, sobretudo, horas de oração, de leitura espiritual e de meditação. Prevê vigílias, jejuns, penitências, renúncias. No eremita há uma rejeição radical da lógica mundana, para a qual somente a ação, a política, o compromisso social, as inversões econômicas podem mudar o mundo para melhor. Ele por sua parte, respondeu a um chamado, que o fez compreender até o fim que somente quem entrega sua vida a salva, e que o modo mais eficaz de amar e de ajudar é de sepultar-se debaixo do anonimato, no silêncio, na impotência, crendo até o mais profundo no mistério da “comunhão dos
santos”.

   

 Creio que isto é o que queria dizer a inscrição que vi na parede da cela de um anacoreta em um eremitério deteriorado no coração de Turín: “O que vai ao deserto, não é um desertor”. Nada de um desertor, senão um crente que, em vez do ativismo construído apenas na aparência, decidiu praticar a forma mais alta de caridade na perspectiva evangélica: a oração ininterrupta por todos, e na solidão e no silêncio mais radicais.”

Termina o texto do autor, os que quiserem ver o texto original, basta acessar pelo computador e ver na coluna de links.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:


* O Eremita Urbano segundo o autor, nada mais é do que um eremita diocesano que mora na cidade, a diferença é apenas ambiental.Nada impede todavia, que esse eremita seja autônomo.
* A cidade não é de forma alguma impedimento para a vida eremítica, embora, haja a condição adversa da falta de silêncio e... de inúmeros e imprevisíveis vizinhos cada qual de um jeito, de um tipo, de uma maneira de viver...
 *O eremitismo não é uma vocação para crianças e amadores, requer sólida maturidade,uma boa caminhada, enfim uma vida experimentada e provada no serviço de Deus.

* Vantagens: Perto de tudo- hospital, médico, fisioterapia, banco, supermercado, farmácia, Igrejas ( que podem oferecer a missa diária, adoração perpétua, retiros, peregrinações) , opções seguras de lazer ( um parque para caminhar, etc). Uma outra boa vantagem ao diocesano é estar mais perto da Cúria e ser mais facilitada as audiências com o Bispo, caso for necessário. Apartamentos são muito seguros, é uma vantagem importante. Mais proveitoso para conseguir artigos para o trabalho, dependendo do que for o ofício e conhecer clientes. Fica mais independente de benfeitores.


* Desvantagens: pouco silêncio (ora o trânsito, ora são reformas, ora os vizinhos,ora os trabalhadores...). Em apartamentos pode se revelar mais entediante, não há jardim... e ainda há desafios com vizinhos de cima que podem gostar de televisão alta, som alto, gritar palavrões e outros maus costumes..., a solidão física (sem ver e sem ser visto) você terá mais dentro de casa. O uso do hábito, é mais desafiante, principalmente aos que moram em apartamentos e podem se deparar no elevador, com qualquer pessoa tomando qualquer atitude (já tive a experiência quando estava na cidade, que uma vizinha correu e bateu a porta do elevador para não subir comigo!!!), há muitos que não gostariam de vê-lo... Casas geminadas podem mostrar a mesma desvantagem...Considere que as pessoas querem conviver com quem tem afinidades, pelo menos externas...

Sugestões:
* Para quem escolhe apartamentos, tenha poucos móveis e faça um jardim de inverno dentro de casa. Fica um ambiente bonito para descansar a vista e ter um lugar a mais para uma breve meditação além do oratório.


*Use e abuse dos abafadores de som, de todos os tipos e tamanhos, ajuda muito naqueles momentos de caos e total poluição auditiva (eu não vivo sem eles, faz parte do meu hábito )...Pode ser adquirido facilmente no Mercado livre.

*Levante cedo, aquele silêncio das primeiras horas da manhã são os mais proveitosos, depois das 8:30 da manhã, já começa a agitação, e o silêncio da noite não é igual...

                   

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Sobre o Eremitismo parcial e secular

EREMITISMO PARCIAL E SECULAR

A Igreja Católica Apostólica Romana considera como eremitas apenas aqueles que vivem em solidão, isolamento, assídua oração e penitência, consagrando a vida a Deus e a salvação do mundo (CIC 920). O modo de vida solitária deve ser constante, contínuo e estável. Ou seja, a solidão deve ser permanente, conforme a regra de vida de cada um, na observância dos conselhos evangélicos (castidade celibatária, pobreza e obediência).


Existe, todavia uma nova corrente na espiritualidade eremítica, de pessoas leigas solteiras ou casadas, que encontram profunda afinidade com o eremitismo, e sentem grande necessidade de estarem a sós com Deus, e dedicar-se a essa solidão semanalmente ou em parte do dia. 


Retiro, solidão e oração, mesmo na vida secular 

Geralmente os solteiros e viúvos trabalham meio período num emprego secular, e no outro se retiram completamente para orar, ler, escrever, estando a sós com Deus, somente. Os casados, devido às obrigações próprias de seu estado, dedicam- se às vezes alguns fins de semana, em completo retiro, separado da família. Os momentos em que consagram a vida espiritual são de completa solidão.


Um exemplo recente é o da Serva de Deus Elisabeth Leseur (Paris - sec. XX), que mesmo sendo casada, mas sem filhos, se devotava a retiros mensais e anuais, em casas de exercícios espirituais, com a devida permissão de seu cônjuge Félix, este quando ficou viúvo converteu-se por intercessão de sua própria esposa, e ingressou no convento dos dominicanos.


Serva de Deus Elisabeth Leseur- casada- sec. XX , dedicava-se ao recolhimento ocasionalmente 

O eremitismo parcial consiste, portanto, em viver os elementos da vida eremítica, na medida do possível, sem necessariamente ser um eremita em toda sua plenitude. Tal modo de vida não tem um reconhecimento oficial da Igreja, por essas pessoas não estarem de todo livres e desimpedidas numa doação integral a solidão. O correto seria até mesmo não chama- los de eremitas, e sim contemplativos, pois ainda possuem vínculos com o século.

Algumas correntes atuais do eremitismo (Comunidade Horeb, por exemplo), porém “adotaram” essas almas, chamando de eremitas parciais ou seculares, algumas outras correntes chegam a dizer que essas pessoas são eremitas urbanos, porém aqui no Blog usaremos sempre os parâmetros do Catecismo da Igreja Católica (920-921) e Código de Direito Canônico (Cân. 603 §1 e 2), e essa modalidade do eremitismo, não consta em ambas as fontes.

“O eremita tal como está escrito no Cân 603 § 2 é um fiel que não pertence a nenhum instituto de vida consagrada, e vive uma vida eremítica com certa estabilidade”. (DICIONÁRIO DE DIREITO CANÔNICO)

Existem outras confissões católicas, como os Véteros –Católicos ou Católicos Velhos(Para quem nunca ouviu falar os véteros católicos, são desligados de Roma, tem seu próprio papa e toda uma hierarquia própria, e vive a vida católica primitiva, os padres são casados, não há celibato. São estes que regem a organização do Priorado dos Eremitas Seculares). 

Há alguns Patriarcados Ortodoxos (em especial na Argentina tem os eremitas da Santa Cruz, uma grande associação de fiéis leigos consagrados, casados ou não, que vivem uma espiritualidade contemplativa, porém sem necessariamente, viverem em solidão...), que consideram como eremitas também o leigo do povo fiel, mesmo trabalhando num emprego secular no mundo. Todavia no Oriente ortodoxo[De um modo geral Egito, Etiópia, Grécia e Rússia] o eremitismo é mais conservador, apenas para os célibes e são totalmente afastados do mundo secular. É mais conhecido o eremitismo masculino, algumas fontes mencionam o eremitismo feminino, mas até onde se sabe é bem menos radical a separação com o mundo, e elas são de um número inferior, quase sem necessidade de fazer-lhes menção ou referência. A grande maioria das consagradas mulheres são cenobitas. ... 

Já os Católicos Anglicanos admitem casados e divorciados para uma consagração eremítica, desde que abracem o celibato, também permitem empregos seculares de meio período.A elasticidade de nomear um cristão solitário de eremita é bem maior, Aliás a palavra é usual para definir qualquer pessoa que gosta da solidão, independente de sua vida externa... mas semelhante um pouco a nossa Igreja Romana, o eremita diocesano deve ser consagrado pelo (a) Bispo(a) oficialmente. 

Como foi já colocado acima, não são os casos do eremitismo da Igreja Católica Apostólica Romana, a não ser que algum bispo tenha concedido uma licença particular, que dispense o fiel do Cân 603. 

É preciso separar bem as coisas e esclarece- las para não termos um“sincretismo de espiritualidade eremítica”. Aqui não se trata de ser contra ou a favor da união dos cristãos, mas devo colocar o prisma do catolicismo romano que é a do blog. 

Não há mal algum dos leigos viverem como podem a espiritualidade eremítica, porém é arriscado, chamá-los eremitas. O costume de assim chama- los pode ter sido introduzido com uma comparação `as Ordens terceiras. Um membro Franciscano da ordem terceira é considerado Franciscano terceiro. Mas a vida eremítica tem toda uma singularidade no seu carisma, que impede tal liberdade de nomenclatura, pois o eremita só é eremita de fato se está só com Deus, exceto é claro os eremitas que se encontram em mudança ou em enfermidades, e necessitam transitoriamente do cuidado de terceiros. 

Aqui se trata de pessoas que tem suas vidas totalmente estabelecidas e enraizadas no mundo, sem a menor previsão ou intenção de assumir um eremitismo definitivo, ou seja estão impedidas, não são livres, seja por estado ou por outras obrigações de honra. 

Explicado então quem são as almas que se identificam com a vida eremítica, vamos para segunda parte onde tratamos do eremitismo parcial ou secular na sua prática.

Como participar espiritualmente do carisma eremítico ?


Os leigos também são convidados a viver  carisma eremítico ! 

Em primeiro os que querem dedicar-se a solidão de modo secular, deve saber que o momento em que escolherem ficar a sós, devem estar desligados do mundo. Deve- se evitar ao máximo as comunicações, e consagrar-se por inteiro a seus momentos solitários, louvando a Deus.

Alguns que conhecem a Liturgia das horas, dedicam seu tempo livre rezando os salmos e hinos, próprios dessa liturgia. Pode ser também ofícios breves como o ofício parvo de Nossa Senhora, da Imaculada Conceição e outros.

Uma outra parte da jornada convêm à leitura espiritual e também a Lectio Divina (Leitura orante da Bíblia). Seria interessante ler autores que falam da contemplação e solidão.

A atividade de empregar-se a meditação por meio da oração contemplativa de quietude, com o método teresiano, ou de exercícios espirituais conforme Santo Inácio, é muito perfeita. Mas o mais excelente meio de orar dentro do carisma eremítico é a Oração do coração ou Oração de Jesus (Cliquem nesse link os que não conhecem ainda), em que se invoca incessantemente o santo nome de Jesus, essa é a oração hesicasta, praticada desde os primórdios da vida eremítica e monástica.


Oração e recolhimento, fundamental para os que vivem o eremitismo parcial.

Mas, o eremitismo, não seria considerado assim, se não houvesse aquele gozo da solidão e silêncio puro, diante e Deus. Sem procurar exercitar-se positivamente em alguma devoção, mas apenas estar só diante de Deus, em simplicidade, sem procurar ser original. Sentir a solidão, estar só, embeber-se da solidão pura na santa presença de Deus. 


Solidão pura diante de Deus 

Uma vez que seus horários já são muito resumidos, convêm administrá-los sabiamente. Sem fazer de todo seu tempo um devocionário sem fim, e sem ser também um enfadonho ócio improdutivo.

O local apropriado



Lugares ermos e solitários, é o ideal




Os que vivem a solidão em meio período do dia, convêm que tenham ao menos o quarto separado, ou outra dependência da casa em que não passe muitas pessoas. Sem criar essa pequena estrutura, não será possível a solidão efetiva, ainda que temporária. Se você não tem seu espaço e está desprovido de tudo isso, há duas soluções: Ou renunciar a solidão diária e conformar-se em retirar-se apenas aos fins de semana, ou escolher uma Igreja ou convento de adoração perpétua, e se oferecer como adorador cotidiano por um período do dia ou pela noite, seria interessante todo um período completo, ou até dois. 


Ser um adorador permanente pode ser uma boa solução 

Não será uma solidão absoluta, mas terá um bom tempo para estar com Deus. Escolha os lugares da frente ou onde não costumam transitar curiosos e inquietos. Escolha um lugar com adoração silenciosa, pois nas adorações com reflexões em grupo, não terá silêncio. Se mesmo assim não há perto de você essa opção, passe o período na Igreja, até ela fechar, ou até o fim da última missa. O ponto negativo, seria que você não estaria totalmente a vontade, como no seu quarto ou sua casa, passando muitas horas, já seria necessário sair para fazer um lanche, ir ao toalete (há Igrejas que não tem...) retornar novamente... o que pode causar dissipação se tiver que sair da Igreja e se dirigir a outros estabelecimentos... mas já ajuda muito a dar uma sensação de retiro, recolhimento e solidão. 

Os que se dedicam a solidão nos fins de semana e feriados, tem mais tempo nesses dias para adentrar na solidão e oração, em todo período do dia. O melhor seria também estar numa casa de retiros, para evitar dissipação. O desafio é que a maioria das casas não proporciona retiros em solidão, sempre são retiros em grupos, o que estorva a alma eremítica. O que fazer ? 

Existe uma opção que é mais prática, para quem tem renda, pois se trabalham devem ter uma economia para si. Pode-se pagar um hotel ou pousada, perto de uma Igreja, e levar um oratório portátil, e ficar recluso no fim de semana. 


Uma pousada perto de uma Igreja em Viçosa, Ceará 





Os hotéis com refeições seria melhor. Os que tem mais renda ainda podem alugar uma chácara, e passar nela o fim de semana. Aqui tem outro desafio, pois nem todos alugam para pessoa sozinha, mas apenas em grupos... O mundo é comunitário, então temos que nos conformar e nos adaptar ! Procurando bem ao menos umas três opções você terá. Se não conseguir, o hotel que seria uma solução mais prática, para possuir uma solidão efetiva. Alguns mosteiros também possuem hospedagem, acredito que é uma boa opção, todavia há outro contratempo, o dos religiosos, querendo ser muito corteses e acolhedores, não quererem te deixar sozinho, o que é o seu mais sincero desejo ! 














O desafio de uma perfeita solidão ao menos semanal, é a luta dos que vivem o eremitismo secular 







Como podem ver ficar perfeita e absolutamente só não é assim tão fácil... Pelo menos para os que tem familiares e obrigações que impedem... Alguns tem o seu próprio quarto mas sempre tem parentes o solicitando a todo momento. 






Retiros Eremíticos






No Brasil conheço uma congregação religiosa de espiritualidade da Renovação Carismática, que promove retiros em eremitérios: As Irmãs Franciscanas da Divina Misericórdia 









As Irmãs na fazenda 










Essas religiosas possuem uma ótima fazenda: Fazenda Santa Maria dos Anjos- Cocalzinho GO, onde é viável fazer retiro de até 10 dias, totalmente gratuito (evite oferecer dinheiro, as irmãs são muito fiéis ao espírito de pobreza franciscana, as irmãs também não alugam seus eremitérios para moradia a longo prazo) em eremitérios na mais completa e absoluta solidão.









Fazenda- Convento- Santa Maria dos Anjos, GO 







Os eremitérios ficam numa parte isolada da fazenda, e cada retirante tem seu eremitério. Estive lá ainda no final do ano passado,onde fiquei retirada por três dias, e posso garantir que, os eremitérios irão transmitir a mais genuína experiência de vida eremítica. As construções são rústicas, mas bem feitas. O eremitério é uma pequena casinha isolada, com um pequeno quarto, uma salinha que serve de oratório e refeitório, banheiro e cozinha. Os retirantes devem trazer sua própria comida e cozinhar dentro do eremitério (há um pequeno fogão a gás de duas bocas -sem forno-), para assegurar ainda mais a experiência eremítica. Na parte de fora há uma pequena varanda (há possibilidade de colocar uma rede, para maior descanso e conforto do retirante), um banco grande que garante uma maravilhosa vista para as montanhas.










Um dos eremitérios para retiros na Fazenda 









Os que desejam podem ter a companhia do Santíssimo Sacramento (é necessário solicitar) em uma capela separada,bem perto do eremitério, e aí fazer suas orações.









Capela São José- para os eremitas retirantes fazerem a oração 







Os retiros são abertos a todos sem distinções. Os poucos requisitos são que tragam sua própria comida, e que se conformem com a austeridade do lugar: nos eremitérios não tem luz elétrica,nem tomadas, portanto é inútil dentro do eremitério comunicar-se com aparelhos eletrônicos (a finalidade é justamente a pessoa desligar-se por completo do mundo). A noite é a vontade o uso de velas.Não leve alimentos que necessitam de refrigeração, pois lá não tem geladeira. Atrás da porta do eremitério há instruções práticas para os eremitas hóspedes.


As irmãs moram num convento separado um pouco longe da área dos eremitérios, uns 10 minutos a pé. Lá há uma comunidade de mais ou menos 18 irmãs, a maioria são formandas (aspirantes, postulantes e noviças) por ser uma casa de noviciado. As irmãs são muito acolhedoras, alegres e simpáticas. Os que desejam retirar-se em grupos podem também fazê-lo, há uma hospedaria para retiros comunitários, mas aqui minha prioridade é destacar o que favorece a vida eremítica. 


Devido o local muito isolado, nem sempre há Santa Missa, a não ser se houver um sacerdote hospedado, porém as irmãs comungam todos os dias. Se houver missa, será sempre na capela conventual ou de celebrações públicas, e não na do eremitério, porém não há preocupações, você sempre será avisado previamente,não há obrigação em assisti-la caso alguns queiram uma solidão radical, e sempre há como comunicar-se com as irmãs caso tenha alguma dificuldade.


São cerca de quatro eremitérios disponíveis (lá todo o ambiente e decoração é franciscano,por isso pobre, despojado, sem luxos e requintes) todos muito afastados um do outro, de tal modo que não se pode ver nem ouvir o que se passa em outro eremitério. 









Um retirante no eremitério da fazenda 



Desafios: Os eremitérios são muito concorridos tanto por serem gratuitos, como também por serem utilizados para os retiros das irmãs ( Dezembro e Janeiro que seria um bom tempo para os moradores de outra cidade, é justamente a alta temporada de retiros...) , por isso os interessados devem ligar e marcar seu retiro com muita antecedência, não há tempo mínimo, para os que não podem ficar muito, mas o tempo máximo é apenas 10 dias. Para os que moram longe, talvez consigam conversando com as Irmãs, 15 dias de retiro, mas tudo dependerá da época.


Será muito difícil também você conseguir retiros em todos os fins de semana... Talvez só consiga um fim de semana por mês. Os retirantes devem arcar com a viagem para a fazenda que é de difícil acesso, é necessário comunicar-se com a superiora por celular para ir indicando o caminho (são 30 quilômetros de estrada de terra) ! O sinal de celular pega até a entrada da fazenda, mas nos eremitérios não. Você pode usar o telefone rural que fica na casa das Irmãs caso tenha que fazer alguma comunicação urgente.


Em tempos de chuva pode ser mais difícil tanto a viagem como o retiro, de um lugar a outro dentro da fazenda é totalmente aberto, por isso leve um bom guarda- chuva, e calçados próprios para o tempo.E pode ocorrer falta de água devido o entupimento dos canos na época de chuva, mas você sempre será socorrido com prontidão pelas religiosas.


Os interessados nos retiros eremíticos na fazenda das irmãs, por caridade acessar o link abaixo:












Lembrete: por ser área rural nem sempre há sinal no celular das irmãs, talvez seja preciso fazer várias tentativas de ligações.Caso houver alguma mudança no número da linha, basta ligar para qualquer outra casa das Irmãs Franciscanas da Misericórdia, e pedir mais informações. As irmãs também estão nas redes sociais, mas acredito que por telefonema é mais rápido o contato.


Pode haver no Brasil outras casas do mesmo gênero, que oferecem retiros em eremitérios separados, e ainda por cima gratuitos, porém tenho conhecimento apenas deste. Soube que a comunidade Taizé promove algo semelhante, mas nunca tive oportunidade de me aprofundar. Quem tiver mais informações de casas que promovem retiros em eremitérios (ou casinhas separadas), favor entrar em contato pelo Facebook via inbox, na página Vida Eremítica, será de grande serventia e utilidade aos demais.


Alguns mosteiros oferecem uma ótima hospedaria, porém o preço é algumas vezes exorbitante ! Para os que podem investir nessa opção, será um ótimo gasto. Podem haver mosteiros que os acolham para retiro, mas geralmente não é costume, pois o carisma da maioria dos mosteiros exceto de regra beneditina, é vida de clausura, sem grandes dedicações externas, geralmente são acolhidos vocacionados e parentes dos (das) religiosos (as), apenas. 









Hospedaria de um Mosteiro Beneditino 







Os sacerdotes já têm mais facilidade nesse ponto podem oferecer-se para a santa missa, conferências, etc, mas não desfrutaria da solidão integral, e devemos também ter consideração com as monjas (pois não tem funcionários na cozinha e lavanderia, como os mosteiros masculinos) que vão ficar em função do retirante, preparando comida e hospedagem, atrapalhando o andamento interno da comunidade.


Os eremitas diocesanos em sua maioria não recebem hóspedes, para dormir, a não ser se estiverem em eremitérios com a estrutura de uma hospedaria separada.Talvez algum, tenha na regra espírito de acolhimento a hóspedes e peregrinos, e os recebam dentro do eremitério. Deveria nesse caso conhecer o (a) eremita e se na norma de vida dele (a) é viável a hospedagem de terceiros.









Uma monja eremita da Santa Cruz, acolhendo uma hóspede 







Os que desejam em longo prazo viver esse modo de vida, podem também adquirir uma pequena propriedade rural para retirar-se. É um meio eficaz de ter uma solidão independente sem transtorno com as criaturas que cada hora tem uma vontade de te ajudar ou não. Sugiro chácaras com seu próprio terreno separado, e não dividido com outro proprietário (a não ser que seja de parentes, ou pessoas de muita confiança), de preferência que a distância das casas sejam de pelo menos 200 metros. A desvantagem pode ser a manutenção, acredito que uma chácara de até 5 mil metros é mais que suficiente, acima disso será difícil cuidar, e vai precisar de funcionários... Sempre visite (antes de alugar ou comprar), nos fins de semana ou feriados, pois algumas comunidades ou núcleos rurais são muito silenciosos durante a semana, mas nos fins de semana são um verdadeiro escândalo com música alta (se é que se pode chamar essas desarmonias modernas de música) !












Chácara pode ser um excelente investimento para retiros a longo prazo 





A última sugestão por fim é a de ter um Trailer home, funciona como uma casa portátil onde você pode ir a lugares ermos e montanhosos, tendo a comodidade de sua casa consigo (o trailer home é uma casa completa com sala, cozinha, quartos e banheiro) ! Pode ser um investimento caro, mas estável por toda vida, existem aluguéis que poderia suavizar o orçamento pesado de uma compra (os preços podem variar de 12 - se for usado - a 70 mil, mas também existem aluguéis, que são bem mais em conta, e para um leigo pode ser o suficiente, deixo este link para os interessados: http://www.motorhome.wiki.br/ ) . 















Foto de um trailer home estacionado num lugar ermo. 





O local vai se variando conforme o gosto, haveria grande vantagem da diversidade de ambientes, e simples locomoção caso precisar de qualquer coisa. A desvantagem poderia ser a segurança, ainda mais aqui no Brasil, entretanto diz o Salmo 1: “É feliz quem a Deus se confia”. Uma outra desvantagem é que as rotas a lugares ermos, costumam ser íngremes, o que pode confundir um (a) motorista menos experiente ...













Uma outra foto de um trailer por dentro num lugar ermo 


Os profissionais do ramo garantem jamais ter ocorrido qualquer coisa errada, e até afirmam que é mais seguro do que uma chácara ! O mais curioso também é que as pessoas que aderem a casa portátil, dificilmente se arrependem ! Há outros nomes e outros tipos de trailer (motor-home, casa portátil).









Trailer home, opção ousada, mas com grandes vantagens ! 



Alguns arriscam e inclusive houve até mesmo uma eremita (Sister Wendy) que assim viveu toda sua vida eremítica, foi carmelita e ao deixar o carmelo assumiu o eremitismo sobre as rodas ! Sendo assim não deve ser tão ruim nem tampouco impossível. 









Irmã Wendy, eremita, viveu solitária dentro de um trailer home ! 



Essa Eremita, talvez já seja falecida, o que indica que começou a viver assim há uns 30 anos atrás ou mais, era outra realidade social e ... fora do Brasil ( Na América é muito comum o uso dos trailers, tanto que uma a cada doze famílias tem um trailer home -estatísticas do Globo Online-)... Tudo se deve considerar, mas o ideal seria conhecer alguém que vive atualmente essa experiência. No link acima trata de várias atualidades de acampamentos em trailer home !






Correntes de Espiritualidade






Alguns tem afinidade especial com uma ordem : Beneditinos, Carmelitas, Taizé, Foucald, dentre muitas outras. Seria interessante agregar-se como terceiro, ou oblato dessas ordens, para pertencerem a uma família espiritual, conhecer mais contatos que tenham as mesmas afinidades e propósitos e assim gerar um leque maior de opções com o acréscimo da experiência de outras pessoas. Uns permitem que seus oblatos façam retiros e passem largas temporadas nas hospedarias ou portarias de seus conventos. É uma forma de estar unido a sua ordem preferida e viver seu carisma. 









Oblatos Cirstersienses 







No Brasil ainda não temos variedade para expandir a espiritualidade eremítica com sua devida estrutura tanto para os consagrados como para os leigos. O que resta é usarmos os meios que estão em nosso alcance. 


De um modo geral no que se trata de eremitismo, sempre o eremita terá que valer de suas forças e rendas, para conseguir estar só...




















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A virtude da temperança