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sábado, 1 de agosto de 2026

Nove dados sobre a vida de santo Inácio de Loyola que você deve conhecer

 

Ontem (31), quando a Igreja celebra a festa de santo Inácio de Loyola, este artigo apresenta alguns dados que marcaram a vida de um dos santos mais famosos da Igreja, fundador da Companhia de Jesus e criador dos exercícios espirituais.

A seguir, alguns dados que todo católico deve saber sobre a vida deste santo:

1. Foi um nobre

Iñigo de Loyola (não adotaria o nome “Inácio” até depois de seus estudos em Paris) vinha de uma família nobre e antiga do País Basco.

Dessa família, um cronista escreveria mais tarde: “Os Loyola foram uma das famílias mais desastrosas que nosso país teve que suportar, uma dessas famílias bascas que portava um escudo de armas sobre sua porta principal, para justificar melhor os erros que eram o tecido e o padrão de sua vida”.

2. Foi libertino

A situação sociopolítica no País Basco feudal do século XVI, na parte mais ocidental dos Pirineus, era extremamente violenta. Como alguns nobres da época, Inácio era conflitivo, violento e vivia uma sexualidade irresponsável.

O soldado espanhol convertido em místico pode ser o único santo com antecedentes policiais de brigas noturnas (obviamente antes de sua conversão).

3. Quase morreu em batalha

Em 1519, aos 28 anos, Inácio exigiu que seu pequeno grupo de soldados lutasse contra uma força invencível de 12 mil tropas francesas em Pamplona, Espanha. Seu valor (ou obstinação) lhe rendeu uma bala de canhão nas pernas, que destroçou uma afetou gravemente a outra.

Os valores de cavaleiro que possuía eram tão elevados que resultaram em um longo período de convalescência na casa familiar Loyola. Este período mudou sua vida, e o mundo, para sempre.

4. Converteu-se ao catolicismo lendo livros espirituais

Enquanto convalescência, leu textos sobre a vida de Cristo e dos santos e decidiu imitá-los. Uma noite, apareceu-lhe a Virgem Maria com seu Filho e, desde então, colocou-se a servir ao Rei dos céus.

Um dado curioso é que antes da invenção de marcadores, copiou passagens da vida de Cristo e dos santos: as palavras de Jesus foram inscritas em vermelho e as de sua Santíssima Mãe em azul.

5. Sua congregação ia se chamar a “Companha de Maria”

Depois de sua conversão, a Virgem apareceu a ele em até trinta ocasiões. Foram tantas que Inácio quis chamar sua nova ordem originalmente “A Companhia de Maria”.

Logo que terminou sua convalescência, foi em peregrinação ao famoso santuário da Virgem de Montserrat, onde adotou o sério propósito de dedicar-se a fazer penitência por seus pecados. Mudou suas luxuosas vestes pelos de um mendigo, consagrou-se à Virgem Santíssima e fez confissão geral de toda sua vida.

6. Tornou-se um mendigo

Inácio pensou muito sobre os “espíritos” em sua vida: os espíritos que conduzem a Deus e os espíritos nascidos do diabo. Isso o estimulou a viver de uma maneira que os historiadores chamaram seu período de peregrinação.

Durante este tempo, estava decidido a renunciar aos prazeres mundanos. Vestiu-se com um pano de saco e colocou um sapato com sola de corda.

7. Quis converter muçulmanos

Logo depois de completar os exercícios espirituais, Inácio declarou: “Deus quer que converta os muçulmanos!”. Foi até a Terra Santa em 1523, onde pregava nas ruas energicamente e evangelizava a todos os que podia.

Apesar do entusiasmo, só ficou um ano, porque a presença dos maometanos o enfurecia. Regressou para a Espanha e estudou latim, lógica, física e teologia. Também evangelizava as crianças e organizava encontros.

8. Seus companheiros foram chamados “Diabos”

Os primeiros companheiros que teve na Companhia de Jesus, fundada em 1540, foram descritos como os Sete Diabos Espanhóis, não nesse momento, mas no século XIX por um historiador inglês.

Os companheiros (na verdade eram seis e nem todos eram espanhóis) tinha se encontrado com Inácio durante seus estudos em Paris e se reuniram em Roma para tornar-se o núcleo da futura Companhia. Em menos de um século, Inácio de Francisco Xavier seriam canonizados.

9. Quando morreu, já havia milhares de jesuítas

Inácio viveu seus últimos anos em um pequeno quarto de Roma. Dali, governou a Companhia de Jesus e foi testemunho de seu crescimento: de apenas 6 jesuítas em 1541, passaram a 10 mil em 1556, ano de seu falecimento.

Os jesuítas se espalharam por toda Europa, Índia e Brasil durante esses anos.


Fonte: ACI Digital

As 20 melhores frases de Santo Inácio de Loyola

 49 ideias de Santo Inácio de Loyola | santo inácio de loyola, inácio de loyola, jesuítas

Você já parou para pensar como um soldado orgulhoso e ferido em batalha se transformou em um dos maiores mestres espirituais da história da Igreja? 

Após ter sua perna estilhaçada por uma bala de canhão, Inácio de Loyola trocou as armas da guerra pelas armas da fé. Fundador da Companhia de Jesus e criador dos imortais Exercícios Espirituais, ele nos ensinou que a verdadeira e mais difícil batalha acontece dentro do nosso próprio coração.

Se você busca clareza para tomar decisões difíceis e deseja encontrar a vontade de Deus em meio às distrações do mundo moderno, meditar sobre as frases de Santo Inácio de Loyola pode ser um exercício interessante. Seus ensinamentos formam um verdadeiro manual de disciplina, autodomínio e caridade.

Para ajudar você a cultivar uma alma forte e atenta aos movimentos do Espírito Santo, selecionamos as mais inspiradoras frases de Santo Inácio de Loyola para servirem como bússola na sua jornada diária:

  1. “Tudo para a maior glória de Deus.”
  2. “O homem é criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isto, salvar a sua alma.” 
  3. “Não o muito saber sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente.” 
  4. “O amor deve ser posto mais nas obras do que nas palavras.”  
  5. “Orai como se tudo dependesse de Deus, e trabalhai como se tudo dependesse de vós.”  
  6. “Para em tudo acertarmos, devemos ter sempre este propósito: eu creio que o branco que vejo é negro, se a hierarquia da Igreja assim o determinar.”  
  7. “Em tempo de desolação, nunca fazer mudança, mas estar firme e constante nos propósitos.” 
  8. “Encontrar Deus em todas as coisas e ver que todas as coisas vêm do alto.”  
  9. “A vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo.”  
  10. “Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade.”  
  11. “A ingratidão é o mais abominável dos pecados e a origem de todos os males.”
  12. “É perigoso querer levar todos pelo mesmo caminho.”
  13. “Ninguém sabe o que Deus faria de nós, se não opuséssemos tantos obstáculos à sua graça.” 
  14. “Ide e incendiai o mundo.”
  15. “Não há árvore mais apropriada para produzir e conservar o amor de Deus do que a árvore da cruz.”  
  16. “A humildade consiste em alegrar-nos com tudo o que nos leva a reconhecer o nosso nada.”  
  17. “É incalculável o bem que podemos fazer se estamos cheios de Deus, se vivemos na dependência dele.”  
  18. “Lembrem-se de que os Anjos fazem o que podem para defender os homens do pecado para que Deus seja assim honrado.”
  19. “Dai-me somente o vosso amor e a vossa graça, que isso me basta, e nada mais vos peço.”
  20. “Ensina-nos, bom Senhor, a servir-Te como mereces; a dar, sem contar o custo; a lutar, sem dar atenção às feridas; a trabalhar, sem buscar descanso…”  
  21.  
  22. https://blog.lumine.tv/frases-de-santo-inacio-de-loyola/ 

sábado, 9 de maio de 2020

MINHA IDENTIDADE "escondida em Cristo"


Nos evangelhos sinóticos, esta pergunta sobre a identidade de Jesus ocupa um lugar destacado. Ela nos oferece as respostas do povo e da comunidade de discípulos, personalizados em Pedro.

 

Como seus seguidores, devemos continuar nos perguntar “quem é Jesus?”. Aqui não se trata do conhecimento externo da pessoa de Jesus: quando e como viveu, quem são seus pais, em que cultura viveu, qual era seu entorno social e religioso; nem sequer se trata de conhecer e aceitar sua doutrina.

Nosso seguimento está fundamentado no Jesus que encarna o ideal do ser humano querido por Deus, Aquele que nos revela, ao mesmo tempo, quem é Deus e quem é o ser humano. Por isso, a pergunta que devemos responder é: “quê significa Jesus, para mim?”

 

É preciso deixar muito claro que não se pode responder a essa pergunta se não nos perguntamos ao mesmo tempo: “quem sou eu?” . O encontro com a identidade de Jesus desvela nossa própria identidade.

 

Na realidade, a pergunta pela identidade é a mais importante de todas aquelas que podemos nos fazer: “Quem sou eu?” A rigor, essa é a primeira e essencial pergunta. A resposta adequada à mesma nos liberta da ignorância, da confusão e do sofrimento. Faz-nos livres e nos possibilita viver na luz.

Porque o objetivo de nossa vida não pode ser outro que o de viver o que somos. E isso não é algo que devemos “alcançar”, “conseguir” ou “conquistar”..., mas, simplesmente, reconhecer. Trata-se de cair na conta ou compreender quem somos. Ao compreender isso, emerge a plenitude, a sabedoria e a alegria.

 

Dito de outro modo: a causa de muitos sofrimentos existenciais não é outra que a ignorância ou inconsciência de nossa identidade profunda. O grande místico cristão do séc. XIII, Mestre Eckhart, repetia essa expressão contundente: “Meu solo e o de Deus são o mesmo”.

 

Em outras palavras: a Rocha é o divino que nos habita. No caminho do Seguimento de Jesus vamos tirando os véus que bloqueiam e obscurecem nossa visão, permitindo que aflore resplandecente nossa radiante identidade. 

 

No evangelho de hoje, Jesus revela sua identidade (“Messias, o Filho do Deus vivo”) e, ao mesmo tempo, desvela a identidade de Pedro: “Tu és “petros” (pedregulho) e sobre esta “petra”(rocha) edificarei minha igreja”. Pedro se torna rocha firme (“petra”) quando se apoia na identidade de Jesus (a verdadeira Rocha).

 

Pedro, que era “petros” (pedra de tropeço no caminho), foi sendo transformado, através da identificação com Jesus, em “petra”, rocha firme da primitiva comunidade cristã. Dessa forma, o Simão que era “petros”/pedra se converte em “Petra”/rocha firme, porque o mestre desvelou a nobreza que estava escondida no coração dele, ou seja, sua verdadeira identidade sobre a qual o mesmo Jesus iria edificar sua igreja.

 

Todo ser humano possui dentro de si uma profundidade que é o seu mistério íntimo e pessoal; trata-se do “EU original”, aquele lugar santo, intocável, onde reside o lado mais positivo da pessoa. É aqui onde a pessoa encontra a sua identidade pessoal; trata-se do CORAÇÃO,  da dimensão mais verdadeira de si, da sede das decisões vitais, lugar das riquezas pessoais, onde vive o melhor de si mesma, onde se encontram os dinamismos do seu crescimento, de onde parte as suas aspirações e desejos fundamentais, onde percebe as dimensões do Absoluto e do Infinito da sua vida.

 

O próprio ser é a rocha consistente e firme, bem talhada e preciosa que cada pessoa tem para encontrar segurança e caminhar na vida superando as dificuldades e os inevitáveis golpes da luta pela vida. Com confiança em si e na rocha do próprio interior todas as forças vitais se acham disponíveis para crescer dia-a-dia, para a pessoa se tornar aquilo que originalmente é chamada a ser.

 

Descobrir a própria identidade pessoal é situar-se na linha da orientação e sentido da vida. A pessoa deve ter a capacidade de voltar sobre si mesma e perceber por onde está sendo conduzida e porquê. Concretamente, isso pressupõe uma atitude de atenção e escuta que permitem à pessoa situar-se diante do “para onde” e “para quê”,  diante da motivação básica do viver e do agir, diante da “intenção”  com que faz as coisas...

 

“Viver em profundidade” significa “entrar” no âmago da própria vida, “descer” até às fontes do próprio ser, até às raízes mais profundas. Aí se pode encontrar o sentido de tudo aquilo que é, o porquê do que se faz, se espera, busca e deseja.

 

“Descobrir a si mesmo” é descobrir que no próprio interior há um movimento infinito de construção de si, de identidade em expansão... que se torna possível graças a um constante arrancar-se do imobilismo e da paralisia existencial que impedem o fluxo da vida.

        

Nossa existência não pode ser de anonimato e indefinição. Ela exige identidade clara e bem definida. Normalmente confunde-se a identidade com certas “marcas distintivas”: o nome, a profissão, a posição social, política ou religiosa, a função...

 

A identidade, no entanto, é dinâmica, histórica, fecunda, aberta ao desconhecido, aventureira...; ela é lugar de expansão e de manifestação da livre circulação do impulso vital, que faz de cada ser humano um “sopro divino vivo”.

 

Esse movimento não permite mais que se responda à pergunta: “Quem sou eu?”, pois o ser humano não é, ele se “torna”. O ser humano é um contínuo “tornar-se”, um “vir-a-ser”, um “ek-sistir”, capacidade de ir além de si e adiante de si, no movimento de infinita transcendência.

 

Só transcende quem se aproxima da própria interioridade, do próprio coração.

 

Ter identidade é viver em contato com as raízes que nos sustentam. Em contato com a fonte e na viagem para dentro, clareia-se a visão de nós mesmos, da nossa originalidade e dignidade. Há uma força de gravidade que nos atrai progressivamente para o mais profundo de nós mesmos, onde Deus nos espera e nos acolhe, e onde encontraremos a nossa própria identidade e a verdadeira paz.

 

“Que eu me conheça e que te conheça, Senhor! Quantas riquezas entesoura o homem em seu interior! Mas de que lhe servem, se não se sondam e investigam” (S. Agostinho).

 

De “petros” a “petra”: esse é o desvelamento que acontece em todo seguidor de Jesus quando escuta e vive sua Palavra, proclamada no Sermão da Montanha.

Nossa identidade profunda é constituída pela fragilidade/petros e pela fortaleza/petra. Só no encontro com Aquele que é a Rocha firme é que transparece a “petra” que está oculta em nosso interior.

 

Texto bíblico:   Mt 16,13-19 

                                                                                             

 Na oração: A oração é o caminho interior que faz a pessoa chegar até o próprio “eu original”, aquele lugar santo, intocável, onde reside não só o lado mais positivo da pessoa, mas o mesmo Deus. Este é o nível da graça, da gratuidade, da abundancia, onde a pessoa “mergulha” no silêncio à escuta de todo o seu ser.

 

Através da oração a pessoa desce a uma dimensão mais profunda e assim chega à corrente subterrânea.

Aqui ela experimenta a unidade  de seu ser.

Coloque-se diante da verdade de Deus, na verdade de si mesmo:

- que resposta você daria, agora, se um repórter lhe entrevistasse e lhe perguntasse: “quem é você?”

- o que você colocaria na sua carteira de identidade que lhe diferenciasse de todas as outras pessoas? Quais seriam os seus sinais digitais mais originais? Quais os seus sinais digitais divinos? (as “marcas” de Deus);

- o que em você é “rocha” consistente, fundamento inabalável?

 

Pe. Adroaldo Palaoro sj


https://www.centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/939-minha-identidade-escondida-em-cristo


domingo, 28 de junho de 2015

Entrevista com Santo Inácio de Loyola no Céu... (2)


Repórter: Quais foram as grandes descobertas que você fez na sua caminhada espiritual?

Inácio: No início eu estava meio perdido, não sabia nada, não entendia nada a não ser que ele me amava incondicionalmente. Depois eu percebi que ele me ensinava como um professor faz com seu discípulo. A primeira coisa que aprendi foi o discernimento. Foi um aprendizado lento, mas me marcou para sempre. O díscernimento é uma mescla de oração, abnegação e auto-análise. Você me entende?

Repórter: Não. Eu não entendo!

Inácio: Bem, o discernimento é um dom do Senhor, uma experiência que acontece e você só percebe. Veja só! Quando eu fazia coisas erradas, que nada tinham a ver com o Projeto de Deus sobre mim, como você acha que eu me "sentia" por dentro?

Repórter: Mal! Com remorsos... Vazio, talvez. Seco e descontente, não é?

Inácio: Exato! E, quando tentava, com a ajuda do Ressuscitado, vencer minhas fraquezas, concretizando um pouco os valores do Evangelho, como você acha que eu me sentia?

Repórter: Ah! Eu me sentiria feliz. Certamente contente e realizado!

Inácio: Certo! O discernimento se faz assim, analisando o que se "sente" por dentro e por fora, nos acontecimentos históricos que nos rodeiam. Procurar as causas, ver se são boas ou não e optar sempre por aquilo que está de acordo com os valores do Evangelho de Jesus.

Repórter: Jesus Cristo é o grande referencial da sua vida!

Inácio: Jesus pobre, humilde e humilhado... Imagem visível de Deus invisível. Aquele que nos ama, perdoa e chama para que o sigamos e sejamos os seus companheiros. Ele é o único e grande fundamento da nossa vida, da história toda e deste imenso e misterioso universo que nos rodeia. Por ele tudo procede do Pai, todo dom, toda graça e também por ele tudo retoma. O pai nos ama porque estamos unidos ao seu Filho e nele somos salvos. Deus sempre chegará a nós por meio de Jesus Cristo. Não existe outro caminho para ele vir a nós e para nós irmos a ele. Jesus é realmente fundamental. Nada teria sentido sem ele!

Repórter: Você é mesmo um apaixonado de Jesus! Ele verdadeiramente o cativou!

Inácio: Me cativou e salvou! Também descobri que a vida não tem sentido se não colocada a serviço dos outros. Jesus Cristo veio para servir, não para ser servido. Assim como o Pai enviou o seu Filho para dar-nos vida nova, também Jesus nos envia, pelo mundo afora, para que ajudemos na libertação de todos os homens, nossos irmãos. Fé e justiça são cara e coroa de uma mesma moeda!

Repórter: Quando você chegou aqui em 1556, havia no mundo 1.000 jesuítas. Hoje parece que são mais de 18.000 os jesuítas, padres e irmãos, espalhados por mais de 127 países. Como surgiu esse grupo de apóstolos e Companheiros de Jesus?

Inácio: Eu já disse que fiz em Manresa uma experiência de Deus inesquecível. Ele veio ao meu encontro gratuitamente... Foram 6 meses de oração, abnegação e auto-análise, colocando sempre a minha realidade em contato direto com a Palavra de Deus... Aprendi que rezar é se deixar amar... e a me assumir por inteiro. Analisei, uma e outra vez, as moções percebidas, meus sentimentos e a causa de tudo isso... Foi uma experiência maravilhosa estes "Exercícios Espirituais". Foi, verdadeiramente, uma "ginástica Espiritual".

Repórter: E o que tem a ver essa "ginástica espiritual" com a fundação da Companhia de Jesus?

Inácio: Foi uma surpresa muito agradável perceber que outros jovens experimentaram o que eu mesmo experimentei! Jovens desejosos de "algo a mais"... Alguns deles optaram por viver  radicalmente comigo o Evangelho de Jesus em pobreza, castidade e obediência e colocar-se a serviço dos outros na Igreja, sob a orientação do Papa. Eles e eu queríamos a mesma coisa e então nos perguntamos por que não viver juntos, para ajudar-nos mutuamente no seguimento do Senhor e no serviço ao próximo. Decidimos chamar-nos "Companheiros de Jesus", pois era isso mesmo que queríamos: estar sempre com o Senhor, como companheiros...
Os primeiros jesuítas surgiram de um grupo de jovens de diversos países que estudavam na Universidade de Paris. O Papa Paulo III nos aprovou oficialmente como ordem religiosa em 1540...

Repórter: Há leigos solteiros e casados que fazem os Exercícios Espirituais e não são jesuítas. Como se explica isso?

Inácio: É verdade! O que faz um jesuíta é a graça dos Exercícios Espirituais, somada a um certo modo próprio de viver especificado nas Constituições da Companhia de Jesus. Existem leigos que fazem também o caminho interior dos Exercícios Espirituais, mas percebem que o Senhor os chama a viver de outro modo o Evangelho... Eles e nós temos traços muito parecidos e evidentemente algumas diferenças. Esses leigos, eles e elas, geralmente formam a Comunidade de Vida Cristã, geralmente chamada de CVX.

Repórter: Agradeço sinceramente esta nossa conversa. Sabe de uma coisa? Gostei imensamente de você, da sua sinceridade, da sua proposta tão atual, tão engajada para todos. Para terminar uma última pergunta:como definir um jesuíta?

Inácio: Oh! Isso é muito simples, um jesuíta, padre ou irmão, é um homem apaixonado por Jesus e que deseja ajudar os outros...

Repórter: Inácio foi se retirando, como o sol no seu ocaso. Creio poder acrescentar alguma coisa à minha última pergunta. O jesuíta deve ser um homem muito parecido com Inácio de Loyola. Não acham que deve ser assim?

http://www.terraboa.blog.br/2015/06/entrevista-com-santo-inacio-de-loyola_27.html

Entrevista com Santo Inácio de Loyola no Céu... (1)

by  00:30  5 comentários  
Certo dia, um repórter conseguiu, não sei como, entrar na imensa e bela Corte Celestial. Depois de fazer algumas adorações ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo e mil e uma reverências aos santos, escolhidos do Senhor, aproximou-se curioso de um homem de barba e bigode que não se afastava, nem por segundos, do lado do Senhor Jesus.

Repórter: Psiu! Sim, você. Podemos conversar um pouco? Inácio se aproximou. Não era nem alto, nem baixo. Tinha aquela estatura média do comum dos humanos.

Repórter: Os jovens latino-americanos me enviaram para lhe fazer algumas perguntas. Queremos conhecê-lo melhor. Estamos descobrindo que embora esteja muito longe de nós pelo tempo, fez-se muito próximo pela sua caminhada na vida. É verdade que a metade da sua vida não foi grande coisa?

Inácio: É verdade! Veja só, até os 30 anos de idade deixei-me envolver pela doce e corrompida proposta do sistema que nos envolvia. Fui um homem mundano e cheio de vaidades... Meus interesses não iam muito longe: o que queria era ganhar prestígio dentro da classe dominante, conquistar amorosamente algumas mulheres interessantes e fazer uma boa carreira nos caminhos do poder. 

Houve um breve silêncio. Pensei comigo mesmo: Experiências fúteis e alienantes, bem parecidas com o que vemos na maioria dos jovens de hoje.

Repórter: Mas seus pais, Beltrão Yañez de Oñaz e D. Marina Saenz de Licona eram católicos, pertencentes à pequena nobreza camponesa do País Basco.

Inácio: Oh, sim! Na nossa casa de Loyola, tínhamos até um pequeno oratório onde rezávamos quando éramos pequenos. Fui o caçula dentre 13 irmãos. Alguns deles nem cheguei a conhecer, pois morreram na guerra, lutando por aquilo que achavam que era melhor. Parece-me que tínhamos outros 3 irmãos por parte de pai. Todos éramos católicos, mas freqüentemente não vivíamos a fé que professávamos... Você me entende? Havia um divórcio sério entre fé e vida. Falávamos uma coisa e fazíamos outra, por desgraça, bem diferente.

Tínhamos um irmão padre, Pedro, orgulho da família, mas, mal-influenciado, foi pai de dois filhos. Como vê, a moral nunca foi o prato forte da família.

Repórter: Não leve a maI o que vou perguntar, mas sabemos que um dia, um tribunal civil o citou para depor, pois fora acusado de um crime.
Inácio fixou mansamente seu olhar no meu. Por um momento senti que tinha tocado em "terreno minado". Fechou, por uns segundos, seus profundos olhos. Seu rosto pareceu esvair. Recordava?.. Sofria?...

Inácio: Minha vida foi, por bastante tempo, muito superficial, sobretudo depois que saí da casa dos meus pais com 15 anos de idade. Meus pais já tinham falecido. Fui, então, morar com um parente rico, chamado João Velasquez de Cuellar, casado com Maria de Velasco. Eles também tinham uma família numerosa: 12 filhos. Trataram-me como um a mais da família. Morei com eles 10 anos. Toda minha juventude! Lá eu me fiz homem! Mais tarde, quando eles perderam tudo o que possuíam, passei três anos morando sozinho em Nájera, uma bela cidade onde a religião e o pecado se misturavam de forma estranha.

Que mais posso dizer? Por um certo tempo, o ambiente que me rodeava girava apenas sobre sexo, poder e dinheiro. Três grandes ídolos que exerceram sobre mim um forte atrativo. Mas Jesus foi muito bom e teve misericórdia para comigo, que ia por caminhos que não levaram a lugar nenhum. Fez-me parar, voltar a retomar a estrada principal.

Inácio sorriu. Uma brisa suave parecia envolvê-lo numa imensa felicidade. Seu sorriso era tranqüilo, bonito, como ondas cansadas, arrebentando mansamente numa praia solitária.

Repórter: Desculpe voltar sobre o assunto, mas nossa juventude acha muito difícil deixar de lado tantas propostas baratas que embriagam momentaneamente os sentidos.

Inácio: Eu entendo bem o que você quer dizer. Eu também cheguei a pensar assim. Estava cego. Mas, num belo dia descobri um "valor maior" que relativizava, com sua presença, todos os outros valores e, desde então, perderam seu mágico fascínio diante do Criador deles. Deus entrou de cheio em minha vida insensata dando-lhe um sentido novo, que antes não tinha. Isso aconteceu comigo...

Repórter: Conte como foi. Quem sabe você abre um caminho para que outras pessoas possam mudar o seu rumo de vida e de valores?

Inácio: Aconteceu em 1521, tão longe no tempo, tão próximo na lembrança. Enquanto Lutero, perdido na sua consciência escrupulosa, rompia definitivamente com a Igreja eu lutava em Pamplona, contra os franceses. Uma bala de canhão passou entre minhas pernas, destroçando a direita e quebrando a esquerda. Caí! Tive dores terríveis, e uma infecção local levou-me à beira da morte. Invadiu-me uma febre espantosa, e no meio do meu delírio cheguei a escutar o que meus amigos e familiares diziam: 'Ele não passa de amanhã, festa deS. Pedro!'

Passei um mês entre a vida e a morte. Daquela dor nasceu um novo InácioComecei a ler a Bíblia... No início pouco entendia, apenas sentia que era chuva suave caindo em terra muito seca.
Aprendi a orar, a dialogar e me encontrar com Jesus como um amigo o faz com outro. À medida que o tempo ia passando, afeiçoava-me mais e mais à pessoa de Jesus. Os homens quebraram-me as pernas, mas Deus tocava e curava profundamente o meu coração.

Repórter: Como é possível surgirem homens novos de vidas tão deterioradas? Esta possibilidade é muito importante para todos nós. Se aconteceu com você, pode acontecer com outros também... Realmente para Deus nada é impossível!

Inácio: O estar presente diante de Jesus me fortalecia e cicatrizava todas aquelas feridas morais de minha vida passada. Comecei a criar novas formas, para romper de uma vez por todas com as antigas atrações mundanas e colocar Jesus, e só ele, no centro de minha vida, como único Senhor e Deus.
Percebi que minha vida espiritual crescia à medida que renunciava ao meu próprio querer e interesse.Comecei a confessar e comungar freqüentemente... Enfim, certo dia, estando cheio de paz profunda e uma alegria imensa, entreguei-me definitivamente ao Senhor Jesus, dizendo:
Tomai, Senhor, e recebei, toda minha liberdade, a minha memória, também, meu entendimento e toda a minha vontade, tudo, que tenho e possuo, Tu me destes com amor. Todos os dons que destes com gratidão os devolvo, dispõe deles, Senhor, segundo a vossa vontade. Dái-me, somente, o vosso amor, vossa graça. Isto me basta! Nada mais quero pedir...

Inácio estava extasiado, belamente transfigurado. Temi quebrar aquele místico silêncio que nos envolvia. Sua vida se me fez transparente. Vi-o pobre com os pobres, trocando suas roupas com um mendigo, para ocultar a nobreza do seu sobrenome e ocupar o lugar social dos pequeninos, amados de Jesus... Vi-o em Jerusalém e em Belém, contemplando com olhar de menino os lugares por onde Jesus, o Nazareno tinha passado, curado e perdoado. Vi-o na cadeia, preso pela Inquisição, suspeito de ser radical demais por causado Senhor. Vi-o caminhar incansavelmente falando a todos do Salvador. Vi Inácio estudando na Universidade de Paris, fazendo apostolado com seus colegas de sala, movido pelo seu desejo de querer ajudar...

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Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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