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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Os Apotegmas dos Padres do Deserto (Parte I)



Capítulo Primeiro: Do Progresso Espiritual segundo os Padres

1. Perguntou alguém ao abade Antão: “- Que observância devo guardar para agradar a Deus?” Respondeu-lhe o ancião: “- Observa o que te prescreverei: onde quer que vás, tem sempre a Deus por diante dos olhos; e nos teus atos consegue a aprovação das Escrituras Santas; onde quer que permaneças, não te saias de lá facilmente. Observa esses três pontos e serás salvo”. (Antão, 3).

2. O abade Pambo perguntou ao abade Antão: “- Que devo fazer?” “- Não te fies na tua justiça, respondeu o ancião, não deplores sobre o passado e detém a língua e os desejos do ventre”. (Antão, 6).

3. Disse São Gregório: “Deus exige três coisas de todo homem que recebeu o batismo: a fé direita para a alma, a franqueza para a língua, a castidade para o corpo”. (Gregório, 1).

4. O abade Evagro conta esta palavra dos Padres: “Tomar regularmente alimento não-cozido junto com a castidade conduz o monge num átimo ao porto da apatéia". [apatéia, impassibilidade, total domínio das paixões] (Evagro, 6).

5. Disse também ele: “- Respondeu um monge ao mensageiro que lhe anunciava a morte do pai: ‘- Pára de blasfemar, meu Pai é imortal’”.

6. O abade Macário disse ao abade Zacarias: “- Dize-me qual é a obra do monge?” “- Como, Pai, tu a me perguntares?”, respondeu ele. “- Experimento uma plena confiança plerofórica em ti, meu filho Zacarias, pois há alguém que me obriga a interrogar-te”. “- Pai, em minha opinião, é em tudo se fazer violência – eis o monge”. [pleroforia, confiança sentida na embalagem do espírito da verdade] (Zacarias, 1).

7. Conta-se que o abade Teodoro de Farméia observava acima de muitos outros estes três princípios: a pobreza, a ascese, a fuga dos homens (Teodoro de Farméia, 5).

8. Disse o abade João o Nanico: “- No meu parecer o homem deve ter algo de todas as virtudes. Assim ao te levantares a cada manhã, recomeça a perseguir as virtudes e os mandamentos de Deus com grande perseverança, com temor e paciência, no amor de Deus, com transporte de corpo e alma e muita humildade; sê constante na aflição do coração e guarda-a para ti mesmo com numerosas orações, invocações e gemidos, sempre conservando a pureza e o bom siso das palavras, bem como a modéstia do olhar. Suporta a injúria sem te pores em cólera, sê pacífico e não pagues o mal com o mal, não atentes aos defeitos alheios. Não te meças a ti mas humildemente te submete a toda criatura. Renuncia a tudo quanto é material e conforme a carne pelo sofrimento, pela luta, pela pobreza de espírito, por uma vontade determinada e pela mortificação espiritual. Pelo jejum conquista a paciência e as lágrimas; pela aspereza do combate o discernimento, a pureza d’alma. Recolhe o bem, trabalha com tuas mãos guardando a hesequia (2 Th., 3, 12) . Vela, jejua, suporta a fome e a sede, o frio e a nudez e os trabalhos. Encerra-te no sepulcro como se já fosses morto, de modo que penses a cada instante que é próxima tua morte”. [hesequia, tranqüilidade d’alma, quietação, seja a do cenobita ou a do anacoreta] (João o Nanico, 34).

9. Disse o abade José de Tebas: “- Aos olhos de Deus, três castas de gentes são honradas: em primeiro os doentes que padecem as tentações e aceitam os males rendendo ações de graças; em segundo os de ação pura diante de Deus, sem que haja mescla do humano; enfim os que permanecem na submissão (hipótage) do pai espiritual e renunciam a todas as vontades próprias (José de Tebas).

10. O abade Cassiano conta este passo do abade João, outrora higúmeno do Grande Monastério: estava ele às portas da morte e ia-se alegremente e de bom coração para o Senhor; os irmãos o cercavam e lhe imploravam para lhes deixar por herança uma palavra curta e útil que lhes permitisse elevarem-se até à perfeição em Cristo. Ele gemeu e disse: “- Jamais fiz minha própria vontade e nada ensinei que antes não houvesse eu mesmo praticado”. (Cassiano, 5).

11. Um irmão perguntou a um ancião: “- Que é o bem, para que eu o faça e tenha a vida?” “- Deus só sabe o que o bem, respondeu o ancião, todavia escutei dizer que um padre perguntara ao abade Nisteros o Grande, o amigo do abade Antão: ‘- Que boa obra devo fazer?’, ao que lhe respondeu: ‘-Não são iguais todas as obras? Diz a Escritura: Abraão foi hospitaleiro e Deus estava com ele; Elias amava a hesequia e Deus estava com ele; Davi era humilde e Deus estava com ele'. Logo, ao que quer que aspires tua alma segundo Deus, fá-lo e guarda teu coração”. (Nisteros, 2).

12. Disse o abade Pastor: “A guarda (do coração), a atenção e o discernimento são as três virtudes guias da alma. (Poemão, 35).

13. Um irmão perguntou ao abade Pastor: “- Como deve viver o homem?” “- Temos o exemplo de Daniel, respondeu ele, contra quem a única acusação era o culto que rendia a seu Deus”. (cf. Dn. 6, 5-6) (Poemão, 53).

14. Disse ele ainda: “- A pobreza, as provações e a discrição são as três obras da vida solitária. Com efeito, diz a Escritura: ‘- Se estes três homens – Noé, Jó e Daniel – estivessem lá...’ (Ex., 14, 14-20). Noé representa os despossuídos, Jó os macerados, Daniel enfim os discretos. Se essas três obras se encontram num homem, Deus habita nele”. (Poemão, 60).

15. Disse o abade Pastor: “Se o monge odeia duas coisas, liberta-se deste mundo.” “- Quais são?” “- O bem-estar e a vã glória”. (Pormão, 66).

16. Conta-se que o abade Pambo, no instante que abandonava esta vida, disse aos irmãos que o assistiam: “- Desde que estou neste deserto e me erigi uma cela e nela habitei, não me lembra ter comido pão sem havê-lo ganho com minhas mãos nem até agora ter lamentado uma palavra dita. E eis contudo que me vou ao Senhor como se não houvera começado a servir a Deus”. (Pambo, 8).

17. Disse o abade Sisóes: “- Reputa-te por nada, lança tua vontade atrás de ti, permanece sem preocupações – e repousarás”. (Sisóes, 43).

18. O abade Chamé, perto de morrer, disse aos discípulos: “- Não habiteis com os heréticos, não tenhais relações com os grandes, não estendais as mãos para receber mas antes para dar”. (Chamé).

19. Um irmão interrogou um ancião: “- Pai, como o temor de Deus vem ao homem?” “- Se alguém, respondeu ele, possui a humildade e a pobreza e não julga os outros, o temor de Deus virá sobre ele”. (N. 137).

20. Disse um ancião: “- Que o temor, a humildade, a privação de alimento e o pentos façam morada em ti”. [pentos, luto pela morte dum próximo. Em linguagem espiritual, tristeza pela morte d’alma após o pecado cometido por si ou por outrem] (Euprépios, 6).

21. Disse um ancião: “Não faças a outrem o que detestas. Se tu detestas quem diz mal de ti, não digas mais mal dos outros; se tu detestas quem te calunia, não calunies os outros; se tu detestas quem te despreza, quem te injuria, quem te rouba os bens ou comete outra torpeza, não o faças igualmente a outrem. Basta observar esta palavra para ser salvo”. (N. 253).

22. Disse um ancião: “- A vida do monge é o trabalho, a obediência e a meditação (meletê); é não julgar, nem reclamar, nem murmurar. De fato está escrito: ‘Vós que amais o Senhor, odiai o mal.’ (Ps. 96, 10). Consiste a vida do monge em não seguir o exemplo do pecador. Os olhos do monge são cegos para o mal. Não age nem olha com curiosidade, não escuta o que lhe não respeita. Suas mãos não roubam, antes distribuem. Seu coração é sem orgulho, seu pensamento sem malícia, seu ventre não fica saciado: tudo faz com discrição. Sim, em tudo isso está o monge”. (N. 225).

23. Disse um ancião: “- Ora a Deus para que te meta no coração o pentos e a humildade. Observa incessantemente teus pecados. Não julgues a outrem, mas a todos te submete. Não tenhas familiaridade com mulheres, nem com crianças, nem com heréticos. Arreda de ti toda parrésia. Detém a língua e o apetite; priva-te do vinho. Se te falam dum trato qualquer, não discutas. Se for bom, diz: ‘- Bom’. Se for mal, diz: ‘- Isto lá é contigo!’ Mas não discutas sobre o que te falam. Assim tua alma será em paz”. [parrésia, pode ter sentido bom ou mau; em sentido bom é o espírito de quem fala a palavra de verdade; no sentido mau - que é o caso presente -, vaniloquacidade] (N.330).




Do site JesuMarie.com

Seguimento de Cristo


SEGUIMENTO DE CRISTO
  1. Cristo deu-te o poder de ser como Ele segundo as tuas forças. Não te assustes ao ouvires isto. O que deve espantar-te é não seres como Ele. (Homilias sobre São Mateus, 78, 4)
  2. Daniel era jovem; José, escravo; Áquila exercia uma profissão manual; a vendedora de púrpura encarregava-se de uma loja; outro era guarda de uma prisão; outro centurião, como Cornélio; outro estava doente, como Timóteo; outro era um escravo fugitivo, como Onésimo. E, no entanto, nada disso foi obstáculo para nenhum deles, e todos brilharam pela sua virtude: homens e mulheres, jovens e velhos, escravos e livres; soldados e civis. (Homilias sobre São Marcos, 43, 5)
  3. Não é absurdo pores tanto cuidado nas coisas do corpo, a ponto de já desde muitos dias antes da festa preparares uma roupa belíssima, e te adornares e embelezares de todas as maneiras possíveis, e, no entanto, não tomares nenhum cuidado com a tua alma, abandonada, suja, esquálida, consumida de fome...? (Homilias sobre as estátuas, 6)
  4. Quando o espiritual nos chama, não há ocupação alguma necessária. (Homilias sobre São Mateus, 69, 1)
  5. Não te peço pagamento algum pelo que te dou - diz-nos [o Senhor] -, antes Eu mesmo quero ser teu devedor, com a única condição de que queiras beneficiar-te de tudo o que é meu. A que se pode comparar esta honra? Eu sou pai, irmão, esposo, casa, alimento, vestido, raiz, fundamento; Eu sou tudo quanto tu quiseres; por isso, não te vejas necessitado de coisa alguma. Até te servirei, pois vim para servir, e não para ser servido (cfr. Mc 10,45). Eu sou amigo, membro, cabeça, irmão, irmã e mãe; sou tudo isso, e apenas quero contigo intimidade. Eu, pobre por ti, mendigo por ti, crucificado por ti, sepultado por ti; no céu, por ti, diante de Deus Pai; e na terra sou seu legado diante de ti. És tudo para Mim, irmão e co-herdeiro, amigo e membro. Que mais queres? (Homilias sobre São Mateus, 76)
  6. O amor [de Deus] é grande. Se desejas emprestar-lhe, Ele está disposto a receber. Se queres semear, Ele te vende a semente; se queres construir, Ele te diz: edifica nos meus terrenos. Por que corres atrás das coisas dos homens, que são pobres mendigos e nada podem? Corre atrás de Deus, que, em troca de coisas pequenas, te dá outras grandes. (Homilias sobre São Mateus, 76, 4)
  7. Não vos recomendo nada pesado. Não vos digo: "Não caseis". Não vos digo: "Abandonai a cidade e afastai-vos dos negócios civis". Não. Permanecei onde estais, mas praticai a virtude. Na verdade, eu preferiria que aqueles que vivem nas cidades brilhassem pela sua virtude a que o fizessem os que foram viver nos montes. Por quê? Porque daí resultaria um bem imenso, pois ninguém acende uma lâmpada e a põe debaixo do alqueire (Mt 5, 15). É por isso que eu quereria que todas as luzes estivessem sobre os candeeiros, para que a claridade fosse maior. Acendamos, pois, o fogo, façamos com que aqueles que se encontram sentados nas trevas se vejam livres do erro. E não me venhas dizer: "Tenho filhos, tenho mulher, tenho que cuidar da casa e não posso cumprir o que me dizes". Se não tivesses nenhuma dessas coisas e fosses tíbio, tudo estaria perdido; mas, mesmo que todas essas coisas te rodeiem, se fores fervoroso, praticarás a virtude. Só uma coisa é necessária: uma disposição generosa. Se a tiveres, nem a idade, nem a pobreza, nem a riqueza, nem os negócios, nem qualquer outra coisa pode constituir um obstáculo para a virtude. (Homilias sobre São Mateus, 43, 5)
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Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...