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domingo, 11 de janeiro de 2015

Como iniciar uma vida de oração

Uma das maiores dificuldades de quem faz o propósito de iniciar uma vida de oração é a perseverança
Começar não é fácil, e persistir na decisão é ainda mais difícil. Todas as decisões na vida necessitam de disciplina, caso contrário, estão condenadas ao fracasso. Na vida de oração não é diferente. A mesma requer: disciplina, perseverança e fidelidade.
Como iniciar uma vida de oração
O primeiro passo é adquirirmos a consciência da importância da oração em nossa vida espiritual. Sem uma vida orante, nossa alma desfalece. E quando isso ocorre, perdemos-nos, em primeiro lugar, de nós mesmos. Em segundo lugar, perdemo-nos de nossos irmãos e irmãs. E em terceiro lugar, de Deus.
Deus permanece fiel ao nosso lado. Nós, contudo, nos afastamos dele e de Sua presença. E uma vez afastados, peregrinamos sem rumo. Não sabemos para onde caminhamos nem qual a direção correta para os nossos passos. Uma vida de oração fecunda nos devolve ao porto seguro de nossa caminhada espiritual: o próprio Deus.
Adquirida essa consciência da importância da oração na vida espiritual, seguimos para o segundo passo: a decisão de orarmos. Esse passo é também difícil. No início, vão surgir mil e uma coisas mais importantes a serem feitas. A decisão requer coragem para avaliar quais são as verdadeiras prioridades para nosso bem estar espiritual. Muitas demandas da vida diária, que antes não eram tão importantes, surgiram como necessitadas de prioridades urgentes para o momento presente. Diante desses conflitos humano-espirituais será preciso parar, olhar com calma a realidade presente e decidir o que é mais importante para a alma naquele momento.
Uma vez decididos a dedicar um momento do dia à vida de oração, seguimos para o próximo passo: a escolha do tempo de oração. Para quem nunca cultivou uma vida assim, é preciso prudência e discernimento. No momento do impulso, poderão surgir decisões precipitadas. Muitos começam sua vida de oração com um hora diária e, depois de 5 dias, estão desesperados e não conseguem ficar nem mais um minuto em oração. É preciso equilíbrio quando o assunto é tempo. Não adianta começar uma rotina de oração com uma hora se ainda não está acostumado a rezar nem vinte e cinco minutos sozinho. Um bom tempo para se reservar, neste primeiro momento, é vinte minutos diários de oração. Antes vinte minutos bem rezados que uma hora de eterno desespero.
Comece com vinte minutos diários e, com o tempo, se sentir necessidade, aumente gradativamente este período. No entanto, este processo tem de ser realizado com muita calma e tranquilidade, respeitando seu ritmo interior e seu progresso espiritual.
No próximo artigo continuamos com as dicas!

Padre Flávio Sobreiro

Padre Flávio Sobreiro Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP. Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre - MG. Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Carmo (Cambuí-MG). Padre da Arquidiocese de Pouso Alegre - MG. Página pessoal: http://www.padreflaviosobreiro.com Facebook:http://www.facebook.com/flaviosobreiro
http://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/como-iniciar-uma-vida-de-oracao/

domingo, 4 de janeiro de 2015

A dor da crucifixão

Médico francês reconstitui a agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela. ‘Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra’. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico.
O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo.
O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra. Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.
Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura.
Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de angue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.
Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).
Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado.
Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário.
Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas.
Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.
Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz.
Quem já tirou ma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas.
Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim. O sangue começa a escorrer.
Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.
Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas. O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical.
Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio.
A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés.
Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede.
Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz.
Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.
Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.
Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá levar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas.
Todas as suas dores, a sede, as câimbras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E morre. Em meu lugar e no seu.
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Fuga das ocasiões do pecado: um dos deveres mais grave da vida espiritual

“Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!”
I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas
Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!
Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.
O Espírito Santo diz: ‘Quem ama o perigo nele perecerá’ (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Siena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.
Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: ‘Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar’ (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.
Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: ‘Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti’ (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.
Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.
É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.
Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): ‘Com temor e tremor operai a vossa salvação’. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.
II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente
Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. ‘Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma’, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: ‘Desviai vossos olhos de uma mulher adornada’ (Ecli 9, 8).
Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.
Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.
O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Siena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.
Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.
Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.
Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.
Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): ‘Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção’. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.
Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. ‘Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado’, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.
Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.
Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.
III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades
Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.
A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.
Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que ‘aquela casa é o caminho para o inferno’ (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.
Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.
Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”
(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã,Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O "catálogo" dos males, segundo o Papa Francisco


 

  1. Sentir-se "imortal", "imune" ou "indispensável" 
  2. O "martalismo" (de Marta, a excessiva operosidade)
  3. O empedramento mental e espiritual
  4. O excessivo planejamento e funcionalismo
  5. A má coordenação
  6. O Alzheimer espiritual
  7. A rivalidade e a vanglória
  8. A esquizofrenia espiritual
  9. As conversas fiadas, os murmúrios e as fofocas
  10. Divinizar os chefes
  11. A indiferença diante dos outros
  12. A cara de funeral
  13. O acumular
  14. Os círculos fechados
  15. As ambições mundanas, os exibicionismos

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

COMO DAR O MAIOR BEM

O sal da terra
Acabamos de ler, no capítulo anterior, aquele grito da velha cigana, que expressa – como um eco que reboa pelos quatro pontos cardeais – o pedido silencioso que nos dirigem muitas almas: “Dê-nos Deus!”.
Vimos também três condições que precisamos ter para podermos ser portadores de Deus ao coração dos outros: convicção, doutrina e união com Deus (vida interior).
Essa última condição é tão básica, que sem ela a nossa ajuda ficaria tão oca como um bronze que soa (1 Cor 13,1). Portanto, a coisa mais prática que devemos procurar – se quisermos fazer esse bem maior aos demais – é termos uma vida de oração e de mortificação cristã cada vez mais intensa e sincera.
Não se lembra do que Jesus dizia do sal? Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o seu sabor, com que será salgado? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens (Mt 5,13). Perguntemo-nos: Eu sou sal, eu sirvo, eu tenho em mim – impregnando os pensamentos, palavras e ações – o “sabor” de Deus?
Ao pensar nisso, compreendemos que não é egoísmo mas amor o que São Josemaria pedia quando dizia: «Alma de apóstolo: primeiro, tu». E esclarecia: «Nunca sejais homens ou mulheres de ação longa e oração curta». «É inútil que te afadigues em tantas obras exteriores, se te falta Amor. – É como costurar com agulha sem linha» (Caminho, nn. 930, 937 e 967).
Esforcemo-nos por enraizar o amor a Deus e ao próximo na nossa alma! Não nos aconteça o que o mesmo santo diz, com umas palavras que deixaram pensativo a mais de um cristão: «De longe, atrais: tens luz. – De perto, repeles: falta-te calor. – Que pena!»  (Caminho, n. 459).
Só o amor abre caminhos
Modos de fazer apostolado? Incontáveis! Tantos quantos o amor sincero a Deus e ao próximo é capaz de descobrir e inventar. Não há aqui nem trilhos, nem bitolas, nem cartilhas, nem manuais de instruções. Ame a Deus, queira de verdade a todos… e enxergará o caminho que deve seguir em cada caso.
“Queira de verdade”, acabamos de dizer. Para um cristão comum – o cidadão católico comum, solteiro ou casado −, o apostolado brota naturalmente da amizade, do carinho, do afeto para com os familiares, colegas, o namorado ou a namorada, os amigos…
Se possuímos o que Santo Tomás chamava “amor de amizade”, não falaremos das coisas de Deus – ao fazer apostolado − adotando ares de superioridade, nem nos apresentaremos como “mestres” nem como “pregadores”; não ficaremos insistindo como uma mosca pegajosa, se o outro, livremente, nos mostrar que “agora” não quer tratar disso. O bom caminho, então, será rezar mais por ele e aguardar, mas sem permitir que o afeto, a amizade sincera, esfriem nem um pouquinho. Esperaremos, confiantes em que Deus tem as suas horas.
Acontece, porém, que para alguns comodistas a hora de Deus é “nunca”. Sempre acham falsas desculpas para abandonar espiritualmente os outros: “Quem sou eu?” “Eu não sou santo” “Tenho vergonha, sou tímido” “Por que me intrometer na vida dos demais?”… Quem tem amor de amizade supera essas inibições egoístas, como o atleta olímpico que aceita o desafio de saltar com vara o sarrafo mais alto. Você tem medo? Tem respeitos humanos? Pense, então, que a “vara” do seu Amor é curtinha e quebradiça.
É claro que estou falando para cristãos que desejam fazer apostolado e, portanto, são capazes de entender essas coisas. A eles se dirige a Igreja quando ensina que, em virtude de sua união com Cristo no Batismo, é missão de todos fazer apostolado. E que o  apostolado “específico” dos leigos é o que fazem no ambiente cotidiano: na família, no trabalho, na vida em sociedade bem no meio do mundo[1].
Rumos do apostolado dos leigos
Vejamos alguns possíveis rumos desse apostolado, sugeridos por um dos maiores promotores do ideal de santidade e de apostolado dos cristãos comuns no meio do mundo: São Josemaria Escrivá.
São Josemaria não se cansava de ensinar que a amizade, o trato confiante com os outros no convívio diário, é o primeiro e principal caminho que se abre para esse apostolado. Dois textos dele são muito ilustrativos:
─ «Faze a tua vida normal; trabalha onde estás, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem as tarefas da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando dia a dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Esse será o teu apostolado. E sem saberes por que, dada a tua pobre miséria, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples − à saída do trabalho, numa reunião familiar, no ônibus, ao dar um passeio em qualquer parte − falareis de inquietações que existem na alma de todos, embora às vezes alguns não as queiram reconhecer: irão entendendo-as melhor quando começarem a procurar Deus a sério» (Amigos de Deus, n. 273).
─ «Essas palavras que tão a tempo deixas cair ao ouvido do amigo que vacila; a conversa orientadora que soubeste provocar oportunamente; e o conselho profissional que melhora o seu trabalho…; e a discreta indiscrição que te faz sugerir-lhe imprevistos horizontes de zelo… Tudo isso é “apostolado da confidência”» (Caminho, n. 973).
Outros possíveis “rumos” do apostolado dos cristãos leigos na vida cotidiana são os seguintes:
─ São Josemaria fala do “apostolado epistolar” (Caminho, n. 976). Quando escreveu essas palavras, os meios de comunicação eram as cartas, os telegramas e os telefonemas. Hoje, temos uma riqueza enorme de possibilidades na Internet e nas redes sociais. Para alguns, são um meio terrível de matar o tempo e de perder a alma. Procuremos que, para nós, sejam um meio esplêndido de diálogo, de amizade e de apostolado. Como é que utilizamos essa arma preciosa que Deus põe à nossa disposição?
─ Também fala do “apostolado do almoço” (Ibidem, n. 974). Hoje é tão comum almoçar com colegas da universidade, da empresa, da fábrica, do escritório. É bonito ver como muitos aproveitam esses breves intervalos para consolidar a amizade, puxar com naturalidade assuntos que despertam o interesse por temas éticos e cristãos…, e bastantes deles acabam por conseguir –em uma sala do próprio local de trabalho − reunir vários colegas para estudarem juntos temas sobre o sentido da vida, sobre a ética das virtudes, sobre os Evangelhos, sobre o Catecismo da Igreja Católica, etc. Você já tentou algo disso?
─ Mais um meio eficaz de apostolado. O que descreve o número 467 de Caminho: «Livros. – Estendi a mão, como um pobrezinho de Cristo, e pedi livros. Livros! Que são alimento para a inteligência católica, apostólica e romana de muitos jovens universitários. − Estendi a mão, como um pobrezinho de Cristo… e sofri cada decepção! − Por que será que não entendem, Jesus, a profunda caridade cristã dessa esmola, mais eficaz do que dar pão de bom trigo?». Isso, que foi escrito para estudantes, serve para todos em qualquer situação e idade. Que fazemos?
─ Por fim, não esqueçamos que – como repetia incansavelmente São Josemaria − «todo apostolado deve estar precedido, acompanhado e seguido pela oração». Queremos eficácia no apostolado? Sigamos então o roteiro que ele indica, e que São João Paulo II citou como ensinamento fundamental  na homilia da cerimônia de canonização de São Josemaria: « Primeiro, oração; depois, expiação; em terceiro lugar, muito em “terceiro lugar”, ação». (Caminho, n. 82).
O Salmo 118(119),32, fala de que Deus dilata o nosso coração, para «corrermos»  pelos seus caminhos. Tomara que dilate o nosso, faça surgir nele planos e iniciativas, para assim chegarmos mais longe no nosso apostolado.

[1] Concílio Vaticano II: Constituição Lumen Gentium nn. 30 e ss; Decreto Apostolicam actuositatem, sobre o apostolado dos leigos, nn. 3 e ss.
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domingo, 16 de novembro de 2014

Desapego do Mundo




Para consagrar-se ou viver a consagração, São Luis Maria Montfort nos orienta libertar-nos do Espírito do mundo, remover do nosso coração tudo aquilo que nos impede de cumprir os ensinamentos do senhor, tudo o que não é de Deus.
Deus nos convida a sermos Santos!
Lv 19,02: “Santificai-vos, sede Santos, pra que eu, vosso Deus e senhor, sou Santo”.
I Tes 4,3: “Esta é a vontade de Deus, vossa santificação”.
Devemos dirigir todas as palavras, ações, pensamentos a alcançar a perfeição cristã, em todos os momentos.
No livro segredo de Maria, São Luís Maria de Montfort explica: Que farás? Quais meios? Através da marianização da alma.
Os meios de salvação nos conhecemos, mas é necessário a graça de Deus que é concedida a todos em maior ou menor abundância, suficiente a cada um.
São Luís Maria Grignion de Montfort
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
108. Profunda humildade, fé viva, obediência cega, contínua oração, mortificação universal, pureza divina, ardente caridade, paciência heróica, doçura angélica e sabedoria divina.
Precisamos encontrar Maria Santíssima:
Só ela encontrou graça diante de Deus, nem mesmo os patriarcas e profetas a conseguiram por maiores que fossem as suas súplicas;
Mãe do autor de toda graça, o deu ser e vida, que a encheu para distribuir a quem quer, como e quanto quer as graças;
Na natureza temos pai e mãe, ela é mãe da cabeça e do corpo, forma, cuida e alimenta os membros como verdadeiros filhos;
É o molde vivo de Deus, que não perdeu nenhum traço divino;
A dificuldade é achar a Virgem Maria; é um dom de Deus necessário para unirmos- nos a Ele, usando o mesmo meio que Ele usou para unir-se a nós. Precisamos encontrar a graça da verdadeira devoção a Santíssima Virgem;
Precisamos nos afastar do mundo, que não é o conjunto de irmãos, cidades, a terra, a galera!. Ter o Espírito de Deus.
O mundo é o Espírito do mal que não quis receber Jesus e se opõe. 101.10- E o mundo não o conheceu.
Tg 4,4: “Quem quer ser amigo do mundo, constituiu-se inimigo de Deus. “vos não sois deste mundo”.
Mt 6,24: “É impossível servir a dois senhores. "conciliar é impossível". O príncipe deste mundo é o demônio, tentador, mentiroso”.
Mt 6. 1-11: “Proporciona prazeres, riquezas, honras, glórias e até a Jesus, se ele o adorasse, mas ele não o serviu”.
Jo 16,33: “Tende confiança, eu venci o mundo”.
Tomás Kempis
Imitação de Cristo
LL,C XIII,103 - "Tentação"
Em 1380, o monge agostiniano Tomas de Kempis, na Alemanha enquanto vivemos no mundo não podemos está sem tentações,todos devem ser cuidadosos nas tentações e vigilante na oração.
1Pd 5,8: “Cuidado com o demônio,que nunca dorme,não cessa de andar a roda de quem possa devorar”.
Ninguém é tão santo que não tenha algumas tentações, que não podemos nem devemos viver sem ela. São utilíssimas, nelas se é humilhado, instruídos e purificado, passada uma tentação vem outra, por que se perdeu o bem da primeira felicidade (pecado original).
Muitos querem fugir, sexo, drogas, poder dependências, e caem gravemente, mas com paciência e verdadeira humildade venceremos.
São Luís Maria Grignion de Montfort
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
52. Refere-se à Gn 3,15. Deus só criou uma inimizade, irreconciliável, que deve durar e aumentar nos séculos, é a entre os filhos, servos, discípulos, raça da mulher, (Santíssima Virgem) e os seguidores de lúcifer. O que lúcifer perdeu por orgulho, Maria salvou pela obediência. Eva obedeceu à serpente houve a perdição dos seus filhos. Maria Santíssima obediente e fiel a Deus salvou todos os seus filhos.
Deus nos fez perfeitos, equilibrados, o pecado original destruiu isso. O corpo quer dominar o espírito, o corpo reclama satisfações egoístas, impurezas,concupiscência, sensualidade, aos olhos e ouvidos, contra a razão e a fé.
Rm 7,23: “Sinto em meus membros uma lei contraria que se revolta contra a lei do espírito e me prende as leis do pecado”.
Tomás Kempis
Imitação de Cristo
L1,c XIII,4,55 – “Namoro,Casamento,Trabalho”.
“Quem evita ocasiões exteriores não Arranca o mal pela raiz,pouco aproveitará,voltarão mais depressa e mais fortes calma, ajudando Deus pouco a pouco, com paciência, constância e ânimo conseguiremos, confiança em Deus”.
O fogo prova o ferro, a tentação o justo!
Eis os modos que a tentação surge:
Primeiro oferece-se um simples pensamento, depois a importuna imaginação. Logo o deleite, e dai o consentimento, depois da importuna imaginação, só consentimento. Quanto mais preguiçoso for o homem em resisti-lhe, o inimigo ficará mais poderoso. Alguns sofrem grandes tentações no principio da conversão, outros no fim, outros por toda a vida. Outros são tentados brandamente, outros mais intensamente. Não nos inquietemos quando tentados, mas antes clamemos a Deus com maior fervor por ajuda.
Cor 10,13: “Nos dará o auxilio junto com a tentação para que lhe possamos repartir”.
Pd 5,6: “Humilhemos nossas Almas debaixo da mão de Deus,em toda tribulação e tentação por que ele há de salvar e engrandecer os humildes de espírito”.


"O manto de Deus é o manto da sua Mãe santíssima."


São Luís Maria Grignion de Montfort
O Amor da Sabedoria eterna - cap. XVI art.196-200:
A fim de possuir a sabedoria: dicas, Sugestões.
1º Deixar realmente os bens do mundo, com os apóstolos, discípulos, primeiros cristãos, comunidade de vida ou pelo menos o desapego os bens, possuí-los como se não os tivesse, sem solicitude para consegui-los, sem inquietação para conservá-los, sem queixas ou impaciência ao perdê-los;
2º Não se conformar, igualar aos mandamos no modo de vestir (moda), de decorar suas casas, refeições, festas ou outras atividades ;
3° Não acreditar nem obedecer às máximas do mundo, não falar gírias, fazer sinais, pensar e agir como eles, eles tem doutrina adversa à sabedoria encarnada (aborto, casamento, sexo, tatuagens, anticonceptivos, piercings, namoro, preservem seus corpos). Eles pensam e falam mal de grandes verdades não "mentem" abertamente, disfarçam a mentira é a aparência de verdade;
I Jo 5,19 “todo o mundo e penetrado de malicia”. Crêem não mentir,mas mentem,ensinam o pecado mas o chamam de virtudes,honra,decência ou qualquer coisa,mentirosos!;
4° Fugir da companhia dos homens, não só dos mundanos perigosos, mas de pessoas de voltas quando para sua conversão são inúteis e o faz perde tempo.
Fugi quanto possível dos homens, escondei-vos, calai-vos, Cl 3 “esteja vossa vida escondida em cristo em Deus”.
Eclo 20,5: “Um homem silencioso é um homem sábio”.


O Amor da Sabedoria eterna - cap. III art. 70:
Mandamentos do mundo:
1- Conhecer o mundo, estar o par das finezas, amaneiradas dos séculos e demonstrar este conhecimento. (artistas, internet, etiquetas, notícias, novelas);
2- Viver aparentando honestidade, não rouba não mato, não traio... E traem Jesus todos os dias;
3-Ter o dinheiro como fim ultimo do negócio, sem deixar transparecer;
4- Conserva o que e seu, ignorar a caridade, pelo pretexto de direto de propriedade, interesses da família, etc..;
5- Adiantar na vida, ambição, ousadia, conseguir dinheiro fácil, sem mérito pessoal (trabalhar), propina, percentil, jogos;
6- Fazer amigos para obter fins, interesseiro;
7- Freqüentar altas rodas, andar atrás de pessoas eminentes ou em evidencia a fim de brilhar pelos outros;
8- Viver confortavelmente, pretexto de manter a saúde ou o nível social, padrão, não piso no chão, ir mato, chuveiro elétrico, não comer alguns alimentos, só saborear coisas caras e boas para glorificar o Senhor;
9- Não ser desmanchar prazer, cultivar o bom humor diante de situações culpáveis, negligenciarem o próprio estado, se casado, consagrado, etc;
10- Evitar singularidade, piedade, obras de caridade religião, exagero das pessoas devotas.


Rm 8,7: “A sabedoria da carne é inimiga de Deus”.
Mandamentos contrários a sabedorias: "Questão de honra”, o que vão dizer, não fica bem, todos fazem assim, é preciso aproveitar a vida, bons negócios são acontecem uma vez, é preciso aparecer, que mico, careta, não quer ser ridículo. Seja sábio, seja autêntico e verdadeiro.
Virtudes mundanas: Bravuras, destemor, habilidades, política, elegância, sociabilidade, arte de fazer amigos.
Ecl 1,2: “Vaidades das vaidades tudo é vaidade, exceto amar a deus e só a ele servir”.


Tomás Kempis
Imitação de Cristo l1, c1, 305
Vaidade e busca riqueza merecedora e por nelas a esperança (Idolatrar pessoas, cargos, carros, modas), desejar honras e desvanecer-se com elas, seguir os apetites da carne, gula, prazer.
- Desejar vida fácil, larga, cuida pouco para ser boa, olhar somente a vida presente, buscar o que depressa passa, devemos procurar desapegar o coração das coisas visíveis e afeiçoá-lo as invisíveis, são alto.


São Luís Maria Grignion de Montfort
O Amor da Sabedoria eterna - cap.VII, art. 80,82:
O sábio do mundo reveste-se das aparências de cristão e honesto, sem se preocupar em agradar a deus, conhece bem seus negócios e sabe tirar proveito, sem dar a perceber, conhecer a arte de enganar sem que os outros suspeitem, enganar os pais, os professores, os padres, sabe vender, atender, consultar.
1. A sabedoria do mundo é terrestre, apegam-se ao que possuem e empenham-se a tornarem-se ricos, intentam processos para obter lucro ou conservar dinheiro, tudo para ter ganhado, não se empenham na oração, confissão, adoração.
2. A sabedoria do mundo é carnal, amor do prazer, do corpo, só pensam em comer, beber, divertirem-se, rir, passar tempo festa agradáveis jogos que divirtam, companhias mundanas irão atrás de um padre o menos escrupuloso que encontrarem para conseguirem por pouco preço o perdão dos pecados, a paz e indulgencias.
3. Sabedoria é diabólica: Amor as estimas e as, espiram secretamente grandezas, honras, cargos elevados, se esforçam para serem elogiados, visas, estimados e louvados, aplaudidos pelos homens, para que sejam tipo como honestos, sábios, grandes lideres, sábios consultores, pessoas de infinitos mérito e consideração, a verdadeira sabedoria busca o interesse comum e não pessoal.


Mt 5,1-11: “Busquemos ser bem aventurados e não bem sucedidos”.
“Bem aventurados os pobres de espírito”: Não procurar bens deste mundo, senão na medida do necessário ao cumprimento dos meus deveres. Se tiver em abundância ai não prenderes meu coração ao contrario se me privar, agradecerei por não tê-los em comunhão com meus irmãos falo em particular da minha riqueza e de minha pobreza.
Na consagração entregamos os bens espirituais e materiais a Virgem Maria e fico pobre de espírito.
“Bem aventurados os mansos”: Contra o egoísmo favor dos mundanos, o espírito de Jesus é de caridades terem paciência, benignidade, não ter inveja. Não irar, não alimentar ambição. Procurar o bem dos outros, tudo suportar, condescender em tudo, menos no pecado, consagrado vive a caridade ardente.
“Bem aventurados os que choram e desejam justiça”: Chorar primeiro os próprios pecados, em sincera conversão, fome e sede de justiça e santidade chorem junto com os nossos irmãos perseguidos e sofredor, feliz as lagrima que lavam os pecados.
“Bem aventurado os puros de coração”: Aos de olhos do mundo a pureza é impossível, os mundanos a rejeitam em nome da natureza, ciência, arte, aceitando e tornando o ambiente uma perpetua ocasião de pecado nas casas, ruas, TVs, cinema, roupas e outros menos de comunicação.
Não pode haver continência, se Deus a não der, a promessa é que verão a Deus!
“Bem aventurados os misericordiosos e os pacíficos”: Para o mundo a misericórdia é imoral, são indignos os que não sabem viver em guerra, o instinto do egoísmo e de fechar nosso coração ante as misérias do irmão, recusar dar e pedir perdão, pugnar pelos nossos direitos, fechar os olhos ante as injustiças sociais, pobreza, doença, marginalização e opressões.
Acolher sempre, perdoar, compadecer-se da pobreza, enfermidade, miséria moral, rezar pelos abandonados, ampará-los, defendê-los, sufragar as almas do purgatório, na consagração entregamos o valos satisfatório e impetratórios das nossas boas obras a santíssima Virgem para ela usar para quem e como quiser.
“Bem aventurado os que sofrem perseguição”: Para assegurar tranquilidade, fama e poder os do mundo recorrer a todas as armas, mesmo as ilícitas, como a fraude, calunia, venalidade, opressão.
Jo 15,20: Jesus foi perseguido, seus discípulos também, a fidelidade e obediência a lei de Deus e da Igreja, tudo é causa de perseguição. Como consagrados a Virgem Maria,ela entrega a todos os seus filhos pedaços da cruz, que é a arvore da vida.


Tomás Kempis
Imitação de Cristo L1,C XII:
Proveito nas adversidades: Bom é que de tempos em tempos nos ocorra coisas adversas pensem mal de nós, mesmo que falamos o bem, para que reconheçamos a nós mesmos, o homem que está no nosso coração e para não por esperanças no mundo, nas pessoas.
Essas coisas nos ajudam a ser humildes e nos defender da vangloria do orgulho, quando o homem de boa vida é atribulado ou tentado, ou combatido por maus pensamentos, tem maior necessidade de Deus, então se entristecer e geme, e pede ao senhor que o livre do mal que parece, no mundo não tem segurança completa.


Livro I, cap. XII:
Toda vez que o homem deseja desordenadamente algo, perde o sossego, o soberbo e o avarento nunca estão sossegados o pobre e o humilde vive em paz. Não há paz no coração do homem carnal nem do que se ocupa das coisas exteriores, mas há paz no que é fervoroso e espiritual.
Como sofrem, que aflição, que angústia para os que não querem se separar do mundo, por que nele colocam toda a sua felicidade, festa e amigos. Para o escravo da virgem Maria a certeza da morte é a certeza do paraíso, do fim das dores, do pecado, das trevas, certeza de vida.
O mundano na incerteza do mundo:
Na juventude pensam em aproveitar a mocidade, sexo e drogas, na maturidade a sabedoria de reunir riqueza e segurança e na velhice só formas de lhe prolongar a existência.
O escravo de amor todos os dias renova seu exame de consciência, seus atos e rogam a Maria Santíssima que interceda agora e na hora de nossa morte.
Vivem em castidade, choram como se não chorassem, riem como se não tivesse alegria, usam deste mundo como se não usassem. Para os do mundo: seguro contra incêndio, contra acidentes, contra (saúde)-morte, para evitar resultados funestos. A consagração a Virgem Maria é o maior seguro contra a morte. No julgamento final o escravo do mundo ficará a pensar Deus nada ignora, pensamentos, ações, pecados não confessados, tudo será visto num instante, de luz, todos os erros, todas as omissões, tudo o que causamos, escândalos, desamor, temem ao juízo dos homens e ao juízo de Deus.
Verá a insensatez com que ridicularizava os servos de Jesus e Maria. Já o escravo de amor que desprezou o espírito do mundo, agora, senta misericórdia de Deus, no exame de minuciosas e pequeninas vitórias, nas prenuncias, mortificações que Nossa Senhora em embeleza e aumenta com seus méritos e virtudes. Ele também vislumbra a alegria da sua boa escolha de dedicar-se a Jesus, a Maria, e aos irmãos. O escravo amor é apresentado ao juiz pela Virgem Maria,ornado de seus pequenos méritos e Virtudes,quem Nossa Senhora embelezou com suas mãos imaculadas,de Mãe de Deus.


Tomás Kempis
Imitação de Cristo VL1 C XXIV 3,4,6 – “Meditações sobre o Inferno”:
O que faz consumir aquele fogo, os teus, os meus pecados, quanto, mas te perdoas e segues os apetites da carne, tanto mais sofrerás e serás atormentado,no que o homem mais peca,será castigado. Gulosos terão fome e sede, calor, violentados, abusados, chicoteados, luxuriosos serão abrasados com fétido enxofre, os invejosos viverão como cães raivosos,implorando,mendigando, não há vicio que não tenha seu especial tormento, os soberbos estarão cheios de confusão, os avarentos passarão necessidades, desprezo e ali não tens sossego nem consolação.
Aprenda agora a padecer e sofrer um pouco agora para ser livre de muito, prova neste mundo o que poderás sofrer no outro, se agora não podes! Imagine depois... Se agora uma pequena moléstia te faz tão impaciente, o que farás então no inferno?
Na verdade não podes ter dois gozos, deleitar-se neste mundo e reinar depois em Cristo no céu. Quem ama a Deus de todo o coração não teme a morte e o juízo.


Meditações sobre o paraíso:
A felicidade é a soma de todos os bens, com a remoção de todos os males!
1Cor 2,9: “Nenhum olho jamais viu,nenhum ouvido jamais ouviu,nenhuma inteligências pode escutar,o que Deus prepara para os que o amam”. Jesus descreve o céu como uma sociedade, onde há muitas moradas, uma cidade, inúmeros convidados. A alegria de encontrarmos os nossos familiares, nosso amigos, nosso anjos da guarda, nosso santo de devoção.
E o nosso esperado encontro com a Virgem Maria, nossa Mãe,como escravos de amor seus,que nos orgulhamos de ser,que êxtase,saudades,emoção,vê-la,receber seus dengos, beijos, abraços, colo materno... Ela vai nos conduzir pessoalmente ao seu filho Jesus.


Referências:
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.
KEMPIS, Tomas de. Imitação de Cristo. São Paulo: Paulus, 1979.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. O amor da Sabedoria Eterna. João Molenvade: Missionários Monfortinos, 1998.


Para citar esse artigo:
César Mariano - "Desapego do Mundo".
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://consagracaomontfortina.blogspot.com/2011/07/desapego-do-mundo.html

Online, 26/07/2011

Carta de Santo Efrém da Síria a um monge

(306-373 d.C. aprox.), Padre da Igreja, expõe nesta epístola a um monge uma série de questões espirituais referentes à vida monástica, entre elas a humildade, a vivência da caridade e a exortação para que o cristão seja sempre fiel à fé que recebeu da Igreja Católica.

Meu bem-amado no Senhor,

Quando desejardes dar alguma resposta, deves por em tua boca, antes de mais nada, a humildade uma vez que sabes muito bem que, por ela, todo o poder do inimigo se reduz a nada. Tu conheces a bondade do teu Mestre, que foi blasfemado, e como Ele se fez humilde e obediente inclusive até a morte. Filho meu, trabalha por ti mesmo para firmar a humildade em tua boca, em teu coração e em teu colo, pois há um mandamento que a exige. Lembra-te de Davi, que vangloriava-se por sua humildade e disse: “Porque me humilho, o Senhor me libertou e me abençoou” (Sal 29 [30], 8-12). Filho meu, apega-te à humildade e farás com que as virtudes de Deus te acompanhem. E se permanecerdes no estado de humildade, nenhuma paixão, qualquer que seja, poderá dominar-te. Não existe medida para a beleza do homem que é humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de dominar o homem humilde; e não há medida para a sua beleza. O homem humilde é um sacrifício a Deus. O coração de Deus e de seus anjos descansam naquele que é humilde. Mais ainda: quando os anjos o glorificam, é porque houve uma razão para ele obter todas as virtudes; porém, aquele que se revestiu da humildade não necessita de nenhuma razão além de se Ter feito humilde.


Filho meu, estas são as virtudes da humildade. Filho meu, conserva a paz, pois está escrito: “Aquele que é sábio, nesse momento conservará a paz” (Am 5, 13). Mantém a paz até que te questionem. E quando te questionarem, fale usando palavras humildes; comporta-te também de maneira humilde. Não lamentes. Se a pergunta exigir extensa resposta, senta-te. Nunca fales enquanto os outros estiverem usando palavras de desprezo; mas, alegremente, não esqueças que teus pensamentos devem ser estes: “não escutei [as palavras de desprezo]”. Prestai tua máxima atenção, porém, à toda palavra valiosa, pois está escrito: “Se tu deixas passar a palavra e não a escuta, te enganas a ti mesmo, filho meu no Senhor”. Te dei mandamentos desde o princípio; guarda-os desde a juventude. Examina o que diz Paulo; disse: “Desde o tempo em que eras um menino, conhecias a Santa Escritura, que tem o poder para te salvar” (2Tim 3,15). Aprende toda regra dos preceitos do monge, e faz-te querido em todos os teus trabalhos. Se tu, que sois jovem, vais para o deserto e te estabeleces em um local muito grande para ti e vês que Deus ali está, não deixes esse lugar para ir para outro, porque estais descontente. Deixa que o deserto em que te estabeleceste te seja suficiente, não deixeis que Ele se ofenda, pois está escrito: “Não é uma pequena coisa contrária que provocará a ira nos homens”.


No deserto em que te estabeleceste mantém esta maneira de agir e não fujas de um lugar para outro. Não te dirija à morada de ninguém para lamentar no que crês, muito menos por causa dos desejos do teu estômago. Não estejas em companhia do homem agitado e problemático, mas assegura-te em continuar com tua vida silenciosa; não estejas também na boca dos teus irmãos. Te suplico, meu amado no Senhor, que deixeis que tua meta principal seja aprender; escutar com atenção (ou obedecer) te dará a paz, pois está escrito: “O proveito da instrução não é a prata”. Cuida-te para jamais deixar de escutar (ou desobedecer). Que a palavra de Saul não se realize em ti, nem em tua geração, pois Deus é mais facilmente persuadido pela obediência do que pelo sacrifício (cf. 1 Sam 15, 22).


Estas são, então, as regras do ofício do monge: deves comer com os irmãos; não levantes a cabeça enquanto não tiver terminado de comer; come com a roupa que te deixas ver em público; se acontecer de serdes o último a ser servido, não digas: “Traga-me logo, pois aqui está sentado alguém maior que tu”; quando desejares beber da garrafa de água, não deixes que tua garganta cause confusão como um homem comum; quando estiverdes sentado no meio dos irmãos e desejares cuspir, não o faça no meio deles, mas afasta-te a certa distância e então cospe.


Quando estiverdes dormindo em algum lugar com os irmãos, não permitas que pessoa alguma se aproxime a menos de um cotovelo de distância. Se o trabalho for tranqüilo, não durmas sobre a esteira, mas dobra-a pois sois um homem jovem. Não durmas estendido, nem tampouco de costas, para que teus sonhos não te molestem.


Quando estiverdes caminhando com os irmãos, mantém-te sempre a alguma distância deles, pois quando caminhas com um irmão fazes com que teu coração esteja ocioso. Se estiverdes usando sandálias nos pés e o que caminha contigo não as têm, desata-as e caminha como ele, pois está escrito: “Sofrereis”.


Faz o trabalho do pregador. Faça-o cuidadosamente enquanto estiverdes em tua habitação. Não comas enquanto o sol estiver brilhando. Não acendas a fogueira para ti apenas, ou te transformarás num homem exibido. Quando for necessário aquecer-se, chama algum homem pobre e miserável que está contigo no deserto, e serás elogiado, ao dizer: “Não posso comer sozinho o meu pão”.

Se estiverdes numa montanha ou em um lugar onde há algum irmão doente, visita-o duas vezes ao dia: de manhã, antes de começardes a trabalhar com tuas mãos, e à tarde; pois está escrito, meu amado no Senhor: “Estive doente e tu me visitaste” (Mt 25, 36. 43). Quando um irmão morre na montanha onde estás, não te sentes na cela onde consegues ouvir a notícia, mas vai sentar-te com ele e chora sobre ele; pois está escrito: “Chora pelo homem falecido e caminha com ele até que seja enterrado”, pois esta é a última coisa que se pode fazer por seu irmão. Saúda seu corpo com compaixão, dizendo: “Lembra-te de mim diante do Senhor”.

Filho meu, faz tudo o possível para observar as coisas que escrevi para ti, pois elas são as regras do ofício do monge. Deixa que a morte se aproxime de ti de dia e de noite, pois tu sabes que conheces ela e te dirá: “Eu nunca a pus em meu coração. Meus pés estão no umbral e viverei até cruzar o umbral da porta”. Filho meu, põe sempre toda a tua mente diante de Deus e não deixes que todos estes pensamentos instáveis te desviem do caminho. Tem sempre em vista os castigos que vêm. Enquanto estiverdes em tua habitação, faz-te semelhante a Deus.

Se um irmão vem até ti, regozija-te com ele. Saúda-o. Prepara água para seus pés. Não esqueça isto. Que ele reze. Ficai sentado. Saúda suas mãos e seus pés. Não o incomodes com perguntas como: “De onde vens?”; pois está escrito: “Desta maneira, alguns, sem saber, têm recebido anjos em sua morada” (Heb 12, 2). Crê naquele que veio a ti da mesma forma como crerias em Deus. Se ele for um homem mais virtuoso que tu, diga-lhe humildemente: “Que teu favor esteja sobre mim”, o que equivale a dizer: “Tu és meu mestre”. Guarda tua comida e come com ele. E se tiverdes algum compromisso, desmarca-o; pois está escrito: “Filho meu, sempre me traz prazer acompanhar o homem que quer caminhar”. Deves regozijar-te com ele e estar feliz. Fazei o máximo que puder para que te bendiga três vezes, para que a bênção do anjo que entrou com ele venha sobre ti.


E como exige a mesma fé da Igreja Católica, não te desvies dela, nem te ponhas fora dela. Cremos em só Deus, Pai todo-poderoso, e em seu Filho único, Jesus Cristo, nosso Senhor, por quem foi feito o universo, e no Espírito Santo, ou seja, [cremos] na Santíssima Trindade, a divindade plena. Ele [Jesus] é Deus, Ele estava com Deus, Ele é a Luz que vem da Luz, Ele é o Senhor que vem do Senhor. Ele foi gerado, não criado. Foi gerado como homem. Ele não é uma criatura, é Deus. Foi gerado pela Santíssima Virgem Maria, a mulher que levou Deus em seu seio. Ele tomou a carne do homem para o nosso bem, [veio] à terra e dela ascendeu. Escolheu pregadores, os Santos Apóstolos, cujas vozes, conforme o que está escrito, têm sido ouvidas em toda a terra (Sal 18 [19],4). Fui crucificado e traspassado com uma lança. Daí veio a nossa salvação, Água e Sangue, isto é, o Batismo e o glorioso Sangue; quem não recebeu o Sangue, não foi batizado.


Faz isto, filho meu. Mantém esta fé e o Deus da paz estará contigo, e te salvará, e te libertará, e estarás em paz pelo resto dos teus dias. A salvação está no Senhor, filho querido, no Senhor. Lembra-te de mim, amado no Senhor, por Jesus, o Cristo, nosso Senhor, a quem pertencem a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.


Fonte: No Coração da Igreja – Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.


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Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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