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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Santa Tereza e as distrações na oração





(Frei Patrício Sciadini, ocd – Revista Shalom Maná)

Não sei quantos cursos de oração tenho ministrado ao longo da minha vida. Nem por isso me considero capaz de rezar nem de ensinar a rezar. A melhor pedagogia da oração nos é oferecida pelo próprio Jesus, quando um dia, estando em oração, os discípulos se aproximam dele e dizem: “Mestre, ensina-nos a orar como João Batista ensinou aos seus discípulos”. Jesus simplesmente diz: “Portanto, é assim que haveis de rezar: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino, seja feita a tua vontade assim na terra, como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje, perdoa-nos nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam, e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.” (Mt 6,9-13).

A oração do Pai-nosso continua a ser o melhor método para aprender a rezar em todos os momentos. Antes de tudo, precisamos nos retirar no silêncio, na solidão, afastar-nos de tudo o que pode nos atrapalhar, desligar-nos do “mundo” para que ele não invada a nossa casa interior. É o momento de fechar todas as portas. Esta atitude não é sinônimo de fuga ou de falta de inserção, mas é o caminho pedagógico para entrar pela porta da oração que nos introduz no castelo interior da alma e nos leva aos segredos mais profundos, onde estamos a sós com Aquele que é.

Ninguém pode permanecer atento ao que acontece dentro de si se está totalmente distraído com aquilo que acontece ao seu redor. Concentrar-se na oração quer dizer dirigir os sentidos externos e internos ao único objeto da nossa oração. Contemplar a Deus no seu mistério trinitário e na presença viva e atuante das três pessoas da Santíssima Trindade, é dirigir o olhar para o Outro que sabemos que nos ama. Quando os olhos de Deus e da criatura se encontram, aí acontece a verdadeira intimidade que não pode ser traduzida com palavras, mas somente com o autêntico e verdadeiro silêncio de adoração.

Reconverter os nossos sentidos

Somos demasiadamente acostumados a não orientar os sentidos externos: a visão, a audição, o tato, o olfato, o paladar… Procuramos sempre o que mais nos agrada e isto lentamente nos afasta de uma “ascese” sadia e cristã que exige que saibamos ser senhores de nós mesmos. Lentamente percebemos que tantas coisas devem ser deixadas de ser vistas se queremos “ver” além das aparências e das coisas. Se nos acostumamos à solidão, ao silêncio com amor e se sabemos dizer “não” ao que pode nos prejudicar, vamos percebendo a necessidade cada vez maior de “disciplinar-nos” para que o homem velho possa morrer e o homem novo possa nascer e ser espiritual.

Não é tão fácil dominar e disciplinar os sentidos interiores: vontade, inteligência, imaginação. Aliás, Santa Teresa mesmo, com seu fino humorismo, chama esta – a imaginação – de “louca da casa” que, como tal, tem a força de levar-nos longe do que é essencial para estar a sós com o Senhor.



“O último remédio que encontrei, depois de sofrer longos anos, … é o de não ouvir mais a fantasia do que se ouve um louco; deixá-la com sua teimosia, que só Deus pode tirar – afinal, ela já está dominada… porque ela não pode, por mais que faça, atrair para si as outras faculdades.” (V 17,7).

“Há pouco mais de quatro anos vim a entender, por experiência, que o pensamento – ou imaginação, para que melhor se compreender –, não é a mesma coisa que o intelecto… A imaginação voa tão depressa que só Deus a pode deter, fixando-a a tal ponto que a alma parece, de certo modo, estar desligada do corpo. Eu via – segundo o meu parecer – as faculdades da alma fixadas em Deus e recolhidas Nele, e, por outro lado, a imaginação alvoroçada…

Ó Senhor, tende em conta o muito que sofremos neste caminho por falta de instrução!… Experimentamos terríveis sofrimentos por não nos entendermos. E chegamos a pensar que é grande culpa o que, longe de ser mau, é bom. Daqui provêm aflições de muitas pessoas voltadas para a oração, ao menos das que são pouco esclarecidas. Elas se queixam de sofrimentos interiores, tornam-se melancólicas, perdem a saúde e até abandonam a oração por completo, desconhecendo que há um mundo interior em nós. E assim como não podemos deter o movimento do céu, que anda a toda velocidade, tampouco podemos deter a nossa imaginação… Muitas vezes a alma está muito unida a Deus nas moradas mais elevadas, ao passo que a imaginação se encontra nos arrabaldes do castelo, padecendo com mil animais ferozes e peçonhentos e merecendo com esse padecer. Assim, nem a imaginação deve nos perturbar nem devemos deixar a oração, que é o que deseja o demônio.” (4M 1,8-9).

Reconverter os sentidos é o caminho para poder nos concentrar na oração ou em tudo o que fazemos. As distrações fazem parte da vida. Nem sempre somos capazes de dominá-las e “reuni-las” para que nos levem longe do objetivo do nosso agir, do nosso pensar e amar.

O auxílio de um bom livro

É sempre bom assumir uma atitude de discipulado e perguntar à Madre Teresa, mestra e doutora da oração, o que devemos fazer para nos concentrar com maior facilidade na oração, deixando de ser dispersivos e de ir de flor em flor sem sugar, como as abelhas, o saboroso néctar para depois transformá-lo em mel substancioso.

Um livro para se alimentar e se recolher. Ao longo dos seus anos de aridez e dificuldades na oração, Teresa encontrou ajuda no uso do livro como amigo e apoio nos seus momentos de solidão e sofrimento interior onde o seu coração estava árido e nenhum bom pensamento nascia ali. “Eu não teria conseguido perseverar na oração nos dezoito anos em que acometeram tamanhos sofrimentos e aridez, visto não poder fazer oração discursiva, sem as leituras. Por todo esse tempo, eu não me atrevia a começar a orar sem livro, exceto quando acabava de comungar; minha alma temia tanto orar sem livro que era como se tivesse de enfrentar um exército.” (V 4,9).

Esta experiência teresiana nos aconselha: “É muito útil usar um bom livro, mesmo para recolher o pensamento e vir a rezar bem vocalmente; assim, vai-se acostumando pouco a pouco a alma, com carinhos e artifícios, para não amedrontá-la.” (C 26,10).

Quais livros Teresa preferia para sua oração? Já havia superado o desejo de ler livros de “cavalaria” e buscava livros que lhe falassem e introduzissem no conhecimento de Jesus Cristo. Sabemos que ela leu e releu a Vida de Cristo do cartuxo Ludolfo de Saxônia, mas entre tantos livros, o Evangelho permaneceu o seu livro por excelência; no Evangelho ela buscou descobrir o rosto de Cristo e se concentrar na contemplação do Filho de Deus, que amava e contemplava na sacratíssima humanidade: “Sempre tive afeição pelas palavras dos Evangelhos, que me levavam a maior recolhimento do que livros muito bem redigidos – especialmente se o autor não era muito aprovado, eu não tinha vontade de lê-los. Recorro, portanto, a esse Mestre da sabedoria e talvez aprenda Dele alguma consideração que vos contente.”(Caminho 21,4).

Este conselho é válido também hoje, pois a Palavra de Deus, a Bíblia, é o livro fundamental do nosso encontro com Deus, a fonte da nossa oração.




Fonte: Portal Shalom – http://pjshalommossoro.blogspot.com

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Oração Pastoral de Aelred de Rielvaux (1110-1167)

Aelred de Rielvaux ( 1110-1167), monge cisterciense inglês
Oração Pastoral (in Revue bénédictine 1925, p. 283 ; trad. alt. Tournay)


«Minha ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço e elas me seguem»

Oh Jésus, oh Bom Pastor, pastor realmente bom, pastor cheio de clemência e de ternura, a ti grita um miserável e pobre pastor -- sim, bem fraco, bem incapaz, bem inútil, e, no entanto, com tudo isso, na realidade pastor de ovelhas.

A ti, oh Bom Pastor, grita este pobre pastor que está longe de ser bom; a ti ele grita, preocupado com ele próprio, preocupado com suas ovelhas... Senhor, tu conheces meu coração: tu sabes tudo o que deste a teu servidor, e ele não tem senão que um desejo, que é de entregá-lo totalmente às tuas ovelhas, de dedicar-me totalmente a elas. Muito mais, eu quereria entregar-me a mim mesmo a elas. Que assim seja, meu Senhor, sim, que assim seja!...

Ensina-me somente, eu te rogo, pelo teu Espírito Santo, ensina teu servidor como ele deve se dedicar a elas. Lembra-me Senhor pela tua graça inefável, de suportar com paciência suas enfermidades, de compadecer-me delas com ternura, de curá-las judiciosamente. Que eu apreenda, inspirado pelo Espírito Santo, a consolar os aflitos, a dar coragem aos que não a tem, a reerguer aqueles que caem, a me sentir fraco com os fracos,... a fazer tudo a todos para todos salvar. Coloque sempre nos meus lábios a palavra verdadeira, a palavra certa, a palavra justa, para que todos cresçam na fé, esperança e amor, em castidade e em humildade, em paciência e obediência, em fervor de espírito e pureza de coração.

Como tu lhe deste este guia cego, este mestre ignorante, este chefe incapaz, concedei, Senhor, a este mestre, ciência, luz e competência.


http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=oracoes&subsecao=diversas&artigo=rielvaux&lang=bra

Oração dos Cristeros de Jalisco

Homenagem da Associação Cultural Montfort ao mártir mexicano Anacleto González Flores, agora sendo canonizado. Ele foi assassinado em defesa da Igreja, em 1º de abril de 1927 pelo governo anticatólico do México.
Abaixo a oração que os cristeros de Jalisco faziam ao final do Rosário.

"¡Jesús misericordioso! Mis pecados son más que las gotas de sangre que derramaste por mí. No merezco pertenecer al ejército que defiende los derechos de tu Iglesia y que lucha por ti. Quisiera nunca haber pecado para que mi vida fuera una ofrenda agradable a tus ojos. Lávame de mis iniquidades y límpiame de mis pecados. Por tu santa Cruz, por mi Madre Santísima de Guadalupe, perdóname, no he sabido hacer penitencia de mis pecados; por eso quiero recibir la muerte como un castigo merecido por ellos. No quiero pelear, ni vivir ni morir, sino por ti y por tu Iglesia. ¡Madre Santa de Guadalupe!, acompaña en su agonía a este pobre pecador. Concédeme que mi último grito en la tierra y mi primer cántico en el cielo sea ¡Viva Cristo Rey!".

Al final del Rosario, los cristeros de Jalisco añadían esta oración compuesta por Anacleto González Flores.

http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=oracoes&subsecao=diversas&artigo=cristeros&lang=bra

Orações para antes e depois da meditação, com exame dela

 
Se começa desta maneira.
 
De joelhos se diz:
Per signun X crucis , deX inimicis nostris libera-nos Deus X noster. In nonime Patris X et Fílio X et Spitiui Sancto X. Amen[1][1].
 
Pelo sinal da santa cruz, livrai-nos, Deus nosso Senhor, dos nossos X inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
 
Veni, Creator Spíritus,
mentes tuórum visita,
imple supérna grátia,
quae tu creásti péctora.
 
Qui díceris Paráclitus,
altíssimi donum Dei,
fons vivus, ignis, cáritas,
et spiritális únctio.
 
Tu septifórmis múnere,
dígitus paternae déxterae,
tu rite promíssum Patris,
sermóne ditans gúttura.
 
Accénde lumen sénsibus;
infunde amórem córdibus,
infírma nostri córporis
virtúte firmans pérpeti.
 
Hostem repéllas lóngius,
pacémque dones prótinus;
ductóre sic te praevio
vitemus omne noxium.
 
Per te sciámus da Patrem,
noscamus atque Filium;
teque utriúsque Spíritum
credamus omni témpore.
 
Deo Patri sit glória,
et Fillio, qui a mórtuis
surréxit, ac Paráclito,
in saeculórum saecula. Amem.
 
V/ Emítte Spíritum tuum, et creabúntur.
R/ Et renovábis fáciem terrae.
 
Deus qui corda fidélium Sancti Spíritus illustratióne docuísti: da nobis in eódem Spíritu recta sápere; et de ejus semper consolatióne gaudére. Per Christum dominum nostrum. Amém.
 
Vinde, Espírito Criador,
visitai as almas dos Vossos,
enchei de graça celestial,
os corações que criastes.
 
Sois o Divino Consolador,
o dom do Deus Altíssimo,
fonte viva, o fogo, a caridade,
a unção dos espirituais.
 
Com os Vossos sete dons,
sois o dedo da direita de Deus,
Solene promessa do Pai,
Inspirando nossas palavras.
 
Acendei a luz nos sentidos;
insuflai o amor nos corações,
amparai na constante virtude
a nossa carne enfraquecida.
 
Afastai para longe o inimigo,
Trazei-nos prontamente a paz;
Assim guiados por Vós
Evitaremos todo o mal.
 
Por Vós explicar-se-á o Pai,
E conheceremos o Filho;
Dai-nos crer sempre em Vós
Espírito do Pai e do Filho.
 
Glória ao Pai, Senhor,
Ao Filho que ressuscitou
Assim como ao Consolador.
Por todos os séculos. Amém.
 
V/ Enviai, Senhor, o vosso espírito e tudo será criado.
R/ E renovareis a face da terra.
 
Ó Deus, que ilustrastes os corações dos fiéis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos, pelo mesmo Espírito, saber o que é reto, e nos alegrarmos sempre com a sua consolação. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.[2][2]
 
Depois se rezam três Ave-Marias à Virgem Santíssima.
 
Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta.
 
R. Amen.
 
À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.
R. Amen.[3][3]                           
 
Em seguida um Pai-Nosso e uma Ave-Maria aos santos Anjos, outro a S. Inácio, e a algum outro Santo de tua devoção, como patronos dos santos exercícios.
 
Nota. Assim se fará cada dia no primeiro ato. Nos demais atos se dirá:
 
Veni, Sancte Spiritus, reple turoum corda fidelium, et tui amoris in eis ignem accende.
 
V/ Emítte Spíritum tuum, et creabúntur.
R/ Et renovábis fáciem terrae.
 
Oremus
 
Deus qui corda fidélium Sancti Spíritus illustratióne docuísti: da nobis in eódem Spíritu recta sápere; et de ejus semper consolatióne gaudére. Per Christum dominum nostrum. Amém.
 
Três Ave-Marias à pureza de Maria santíssima.
 
 
Deus e Senhor meu, eu creio firmíssimamente que estais aqui presente.
 
Adoro-vos, Deus meu, com toda a atenção e afeto de meu coração e vos peço humildemente o perdão de todos os meus pecados.
 
Ofereço-vos, meu Senhor e meu Pai, esta meditação, e espero que me concedereis as graças de que necessito para fazê-la bem.
 
Com esse fim, recorro a Vós, Virgem Santíssima, minha Mãe, anjos e santos, para que intercedais por mim e me alcanceis aquilo que necessito para fazer com fruto esta meditação.
 
Amém.
 
Nota. Aqui se faz o primeiro preâmbulo, que é a composição de lugar conforme a meditação.
 
Em seguida o segundo preâmbulo, que consiste em pedir a graça, não em geral, mas especial, conforme a matéria da meditação.
 
Depois se começará com muita pausa a leitura da meditação, tendo-a como vinda de Deus, e aplicando seu conteúdo ao estado presente da alma, mediante o qual cada um verá em que se deve emendar, reformar ou melhorar. Fará propósitos práticos, e depois súplicas e colóquios, quer à Virgem, quer ao Filho de Deus, quer ao Pai eterno, a fim de obter a graça conveniente para executar o que propõe e para o que deseja.
 
Chegada a hora de concluir se dirá o Pai-Nosso.
 
 
Ação de graças
 
Eu vos agradeço, meu Deus, pelos bons pensamentos, afetos e inspirações que me comunicastes nesta meditação.
 
 
Eu vos ofereço os propósitos que nela formei, e vos peço graça muito eficaz para pô-los em prática, e para esse fim suplico a vós, Maria, minha Mãe, anjos e santos, que intercedais por mim e me alcanceis esta graça.
 
Amém.
 
 
1) Antes de começar a meditação pensei sobre o ato que ia fazer, e com que finalidade?
 
2) Comecei a meditação com desejo eficaz de fazê-la bem e dela tirar proveito?
 
3) Preveni os propósitos que devia fazer, e as graças que devia pedir?
 
4) Avivei a fé na presença de Deus, crendo que falaria com o próprio Deus/
 
5) Ofereci-lhe a meditação, e pedi-lhe a graça para fazê-la com fruto?
 
6) Descuidei da composição de lugar?
 
7) Li com detenção os pontos, pensando que Deus meditação falava, e apliquei o que lia ao estado presente de minha alma?
 
8) Formei propósitos práticos?
 
9) Guardei a conveniente compostura do corpo?
 
10) Deixei-me vencer pelo sono ou preguiça?
 
11) Dei lugar a pensamentos inúteis?
 
12) Envaideci-me pelo fervor sensível?
 
13) Inquietei-me pelas securas ou por desolações?
 
14) Omiti os colóquios e súplicas?
 
15) Detive-me demasiadamente em discorrer, ou em outra operação do entendimento?
 
16) Detive-me pouco na moção dos afetos?
 
17) Abreviei a meditação devido a aridez, tentação ou outro pretexto?
 
18) Que propósitos formulei? Penso pô-los em prática hoje mesmo?
 
19) Pedi para esse fim a graça e tudo mais que necessito?
 
20) Deixei de rogar por aqueles a quem estou obrigado, o por toda Igreja?
 
Se houve falta, se pedirá perdão e se proporá emenda. Se não houve falta alguma, se darão graças a Deus por isso.
Por fim, aquilo que mais houver movido se recolherá como uma flor para tê-lo no coração durante todo o dia. Se houver facilidade se escreverá a fim de não esquecer, tal como adverte Santo Inácio.
 
Examinar-se depois da meditação é utilíssimo, tanto para o fruto da mesma, como para aprender o modo prático de fazê-la. Por isso, sempre que seja possível se deve fazê-lo, não só em tempo de exercícios, mas também todos os dias do ano.


[1][1] Fórmula latina conforme apresentada no missal de Dom Gaspar Lefbre. Nota do tradutor.
[2][2] No original consta apenas a versão em latim, a tradução para o vernáculo é nossa.
[3][3] A tradução para o vernáculo é nossa.
Método para rezar com fruto o santo rosário, segundo São Luis Maria Grignion de Montfort
O Rosário é formado por 150 Ave-Marias, o Terço por 50 Ave-Marias.

 
1. Fazer o Sinal da Cruz
Em nome do Pai, (+) do Filho e do Espírito Santo. Amém.
2. Fazer o Oferecimento do Terço
Uno-me a todos os santos que estão no Céu, a todos os justos que estão sobre a Terra, a todas as almas fiéis que estão neste lugar. Uno-me a Vós, meu Jesus, para louvar dignamente Vossa Santa Mãe, e louvar-Vos a Vós, nela e por Ela. Renuncio a todas as distrações que me vierem durante este Rosário, que quero recitar com modéstia, atenção e devoção, como se fosse o último da minha vida.
Nós Vos oferecemos, Trindade Santíssima, este Credo, para honrar os mistérios todos de nossa Fé; este Pater (Pai Nosso) e estas três Ave-Marias, para honrar a unidade de vossa essência e a trindade de vossas pessoas. Pedimo-Vos uma fé viva, uma esperança firme e uma caridade ardente. Assim seja.
 
Pausa para meditar
 
3. Rezar o Credo, segurando a cruz do terço
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso,
criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho Nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu de Maria Virgem,
padeceu sob Pôncio Pilatus,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu aos infernos,
ao terceiro dia ressurgiu dos mortos,
subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e mortos.
Creio no Espírito Santo.
Na Santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna.
Amém.
4. Rezar 1 Pai Nosso, segurando a conta grande logo após a cruz
Dizer: Louvemos a Maria, Filha bem amada do Pai Eterno.
Em seguida rezar 1 Ave Maria, segurando a conta pequena que se segue.
Dizer: Louvemos a Maria, Mãe admirável de Deus Filho.
Em seguida rezar 1 Ave Maria, segurando a conta pequena que se segue.
Dizer: Esposa fidelíssima de Deus Espírito Santo.
Em seguida rezar 1 Ave Maria, segurando a conta pequena que se segue.
5. Rezar 1 Glória ao Pai.
Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos, Amém.
6. Em seguida, Ó Meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem.
 


 
Mistérios Gozosos – Rezar às segundas e quintas-feiras
 
Primeiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta primeira dezena, em honra a vossa Encarnação no seio de Maria; e vos pedimos, por esse mistério, e por sua intercessão uma profunda humildade. Assim seja.
Pausa para meditar.
Rezar 1 Pai Nosso, segurando a conta maior que se segue.
Rezar 10 Ave Mariassegurando as 10 contas menores que se seguem.
Rezar 1 Glória ao Pai.
Em seguida, Ó Meu Jesus** Proceder da mesma forma nos mistérios seguintes.
Graças ao mistério da Encarnação, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Segundo Mistério
Nos vos oferecemos, Senhor Jesus, esta segunda dezena, em honra da visitação de vossa santa Mãe à sua prima santa Isabel e da santificação de São João Batista; e vos pedimos, por esse mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a caridade para com o nosso próximo. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da visitação, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Terceiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta terceira dezena, em honra ao vosso nascimento no estábulo de Belém; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o desapego dos bens terrenos e ao amor a pobreza. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério do nascimento de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Quarto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quarta dezena, em honra a vossa apresentação ao templo, e da purificação de Maria; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, uma grande pureza de corpo de alma. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da purificação descei, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Quinto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quinta dezena, em honra ao vosso reencontro por Maria; e vos pedimos, por este mistério; e por sua intercessão, a verdadeira sabedoria.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério do reencontro de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 

 
Mistérios Dolorosos – Rezar às terças e sextas-feiras
 
Sexto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta sexta dezena, em honra a vossa agonia mortal no Jardim das Oliveiras; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a contrição de nossos pecados. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da agonia de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Sétimo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta sétima dezena, em honra a vossa sangrenta flagelação; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe santíssima, a mortificação de nossos sentidos. Assim seja.
Pausa para meditar
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da flagelação de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Oitavo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta oitava dezena, em honra de vossa coroação de espinhos; e vos pedimos por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o desprezo do mundo. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da coroação de espinhos, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Nono Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta nona dezena, em honra do carregamento da Cruz; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a paciência em todas as nossas cruzes. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério do carregamento da cruz, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima dezena, em honra a vossa crucificação e morte ignominiosa sobre o calvário; e vos pedimos por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a conversão dos pecadores, a perseverança dos justos e o alívio das almas do purgatório. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da crucificação de Jesus descei em nossas almas. Assim seja.
 

 
Mistérios Gloriosos – Rezar às quartas-feiras, sábados e domingos.
 
Décimo Primeiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta undécima dezena, em honra a vossa ressurreição gloriosa; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o amor a Deus e o fervor ao vosso serviço. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da ressurreição, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Segundo Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta duodécima dezena, em honra a vossa triunfante ascensão; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, um ardente desejo do céu, nossa cara pátria. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da ascensão descei, em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Terceiro Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima terceira dezena, em honra do mistério de Pentecostes; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a descida do Espírito Santo em nossas almas. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério de Pentecostes, descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Quarto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima quarta dezena, em honra da ressurreição e triunfal assunção de vossa Mãe ao céu; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, uma terna devoção a tão boa mãe. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças ao mistério da assunção descei em nossas almas. Assim seja.
 
Décimo Quinto Mistério
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus esta décima quinta dezena, em honra da coroação gloriosa de vossa Mãe Santíssima no céu; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, a perseverança na graça e a coroa da glória. Assim seja.
Pausa para meditar.
Pai Nosso, 10 Ave-Marias, Glória, Ó Meu Jesus.
Graças aos mistérios da coroação gloriosa de Maria, descei em nossas almas. Assim seja.
 

 
Fazer o Agradecimento ao final do terço ou do santo rosário.
 
Rezar 1 Salve Rainha.
Salve Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, Salve!
A vós bradamos os degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria!

 
V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo
 
Rezar a Ladainha de Nossa Senhora.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
 
Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
 
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das Virgens,
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intacta,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem clemente,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede de sabedoria,
Causa da nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso honorífico,
Vaso insígne de devoção,
Rosa mística,
Torre de David,
Torre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Rainha dos anjos,
Rainha dos patriarcas,
Rainha dos profetas,
Rainha dos apóstolos,
Rainha dos mártires,
Rainha dos confessores,
Rainha das virgens,
Rainha de todos os santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha elevada ao céu,
Rainha do sacratíssimo Rosário,
Rainha da paz,

 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
tende piedade de nós.

 
V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

 
Oremos.
Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria.
Por Cristo Nosso Senhor.
Amém.
(no mês de outubro)
V. Rogai por nós, Rainha do Sacratíssimo Rosário,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
Fazer a Saudação Final
Eu vos saúdo, Maria, Filha bem-amada do eterno Pai, Mãe admirável do Filho, Esposa mui fiel do Espírito Santo, templo augusto da santíssima trindade; eu vos saúdo soberana Princesa, a quem tudo está submisso no céu e na terra; eu vos saúdo, seguro refúgio dos pecadores, nossa Senhora da Misericórdia, que jamais repeliste pessoa alguma. Pecador que sou, me prostro aos vossos pés, e vos peço de me obter de Jesus, vosso amado filho, a contrição e o perdão de todos os meus pecados, e a divina sabedoria. Eu me consagro todo a vós, com tudo o que possuo. Eu vos tomo, hoje, por minha Mãe e Senhora. Tratai-me, pois, como o ultimo de vossos filhos e o mais obediente de vossos escravos. Atendei, minha Princesa, atendei aos suspiros de um coração que seja amar-vos e servi-vos fielmente. Que ninguém diga que, entre todos que a vós recorreram, seja eu o primeiro desamparado. Ó minha esperança, Ó minha vida, Ó minha fiel e imaculada Virgem Maria defendei-me, nutri-me, escutai-me, instruí-me, salvai-me. Assim seja. Em Nome do Pai, (+) do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Indulgências do Rosário 

a) Os fiéis quando recitarem a terça parte do Rosário com devoção podem lucrar:
         Uma indulgência de 5 anos (Bula "Ea quae ex fidelium", Sixto IV, 12 de maio 1479 ; S. C. Ind., 29 de agosto 1899 ; S. P. Ap., 18 de março 1932).
         Uma indulgência plenária  nas condições usuaisse eles rezarem [o terço] durante o mês inteiro(Pio XII ,22 de janeiro1952.) .
b) Se rezarem a terça parte do Rosário em companhia de outros         Uma indulgência de 10 anos, uma vez ao dia;
         Uma indulgência plenária no ultimo Domingo de cada mêsjuntamente com confissão, Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem tal recitação ao mês três vezes em alguma das semanas precedentes. 
, seja em público ou privado, podem lucrar:
 

Se, de qualquer forma, rezarem juntos em família, além da indulgência parcial de 10 anos, lhes é concedido:
  • Uma indulgência plenária duas vezes ao mês, se realizarem a recitação diariamente durante um mês, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem alguma igreja ou oratório. (S. C. Ind., 12 de maio de 1851 e 29 agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de março de 1932 e 26 de julho de 1946).
  • Os fiéis que diariamente recitam a terça parte do Rosário com devoção em um grupo familiar além das indulgências concedidas em b) também lhes é concedida uma Indulgência Plenária sob condição de Confissão, Comunhão a cada Sábado, em dois outros dias da semana  e em cada uma das Festas da Beatíssima Virgem Maria no Calendário Universal, nomeadamente – A Imaculada Conceição, a Purificação, a Aparição da Beata Senhora em Lourdes, a Anunciação, as Sete Dores (sexta-feira da semana da paixão), a Visitação, Nossa Senhora do Carmo; Nossa Senhora das Neves, a Assunção, o Imaculado Coração de Maria, a Natividade da Santíssima Virgem, as Sete Dores (15 de setembro), Nossa Senhora do Sacratíssimo Rosário, a Maternidade da Beata Virgem Maria, a Apresentação da Beata Virgem Maria (S.P. Ap. 11 de outubro d e 1959)

c) Aqueles que piamente recitarem a terça parte do Rosário na presença do Santíssimo Sacramento         Uma indulgência plenária, sob condição de confissão e Comunhão (B. Apostólico, 4 de setembro de 1927) ,publicamente exposto ou mesmo reservado no tabernáculo, nas vezes que o fizerem, poderão lucrar:
 

Notas:
1.     As dezenas podem ser separadas se o terço todo for completado no mesmo dia (S. C. Iml.., 8 de julho de 1908.)
2.     Se, como é o costume durante a recitação do Rosário, os fiéis fizeram uso do terço, eles podem lucrar outras indulgências em adição àquelas enumeradas acima, se o terço for abençoado por um religioso da Ordem dos Pregadores ou outro padre tendo faculdades especiais. (S. C. Ind., 13 de abril de 1726. 22 de Janeiro de 1858 e 29 de Agosto de 1899). Raccolta 395


 
Exercícios de Devoção 

Os fiéis que a qualquer tempo do ano devotamente oferecerem suas orações em honra a Nossa Senhora do Rosário, com a intenção de continuar as mesmas por nove dias consecutivos, podem lucrar:  
  • Uma indulgência de 5 anos uma vez a qualquer dia da novena;  
  • Uma indulgência plenária sob as condições usuais no encerramento da novena.  (Pio IX, Audiência de  3 de Janeiro de 1849; S. C. dos Bispos e Religiosos, 28 de Janeiro de 1850; S. C. Ind., 26 de novembro de 1876; S. P. Ap., 29 de junho de 1932) V Raccolta 396
 
Os fiéis que resolverem realizar um exercício de devoção em honra a Nossa Senhora do Rosário por quinze ininterruptos Sábados (ou sendo impedidos, por quantos respectivos Domingos imediatamente seguintes), se devotamente recitarem no mínimo a terça parte do Rosário ou meditarem seus mistérios em alguma outra maneira, podem lucrar:  
  • Uma indulgência plenária sob as condições usuais, em qualquer destes quinze Sábados ou Domingos correspondentes (S. C. Ind., 21 de setembro de 1889 e 17 de setembro de 1892; S. P. Ap.. 3 de agosto de 1936). Raccolta 397
Os fiéis que durante o mês de Outubro recitarem no mínimo a terça parte do Rosário, publica ou privadamente, podem lucrar:  
  • Uma indulgência de 7 anos por dia;
  • Uma indulgência plenária, se realizarem este devoto exercício na Festa do Rosário e em sua Oitava, e além disso, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem uma igreja ou oratório público;  
  • Uma indulgência plenária, juntamente com confissão, Santa Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem a mesma recitação do Santo Rosário por no mínimo dez dias depois da Oitava da supracitada Festa ((S. C. Ind.,  23 de Julho de 1898 e 29 de Agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de Março de 1932). Raccolta 398
  • Uma indulgência de 500 dias pode ser lucrada uma vez ao dia pelos fiéis que, beijando o Santo Rosário que carregam consigo, ao mesmo tempo recitarem a primeira parte da Ave Maria até “Jesus”, inclusive. (Sagrada Congregação da Penitenciária Apostólica. 30 de março de 1953)


 
Palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort sobre o Santo Rosário

"Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e quão magnânimo é ao recompensar os que trabalham para pregá-lo, estabelecê-lo e cultivá-lo. Recitado enquanto são meditados os mistérios sagrados, o Rosário é manancial de maravilhosos frutos e depósito de toda espécie de bens. Através dele, os pecadores obtêm o perdão; as almas sedentas se saciam; os que choram acham alegria; os que são tentados, a tranqüilidade; os pobres são socorridos; os religiosos, reformados; os ignorantes, instruídos; os vivos triunfam da vaidade, e as almas do purgatório (por meio de sufrágios) encontram alívio. Perseverai, portanto, nessa santa devoção, e tereis a coroa admirável preparada no Céu para a vossa fidelidade”.
 
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de, Tratado Da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Rio De Janeiro: Vozes, 28º edição.

São Luís Maria Grignion de Montfort


Luís Maria Grignion nasceu em Montfort, França, em 1673. Descendente de uma família cristã bem situada, recebeu uma excelente instrução e educação. Ainda menino, decidiu seguir o caminho da fé e vestiu o hábito de sacerdote em 1700.

Seu maior desejo era ser um missionário no Canadá, mas acabou sendo enviado a Poitiers, ali mesmo na França. Logo ficou famoso devido à sua preparação doutrinal e o discurso fácil e atraente. Todos queriam ouvir suas palavras, mas sua caridade era outra: cuidar de pacientes com doenças repugnantes.

A idéia de ser missionário não o abandonava. Mesmo contrariando seu superior, foi pedir permissão diretamente ao papa. Para tanto, fez uma viagem a pé, ida e volta, de Poitiers a Roma. Entretanto, o papa Clemente XI disse-lhe que havia urgência, naquele momento, em pregar aos franceses, que viviam sob o conflito entre Roma e a doutrina jansenista, uma nova heresia.

Luís Maria obedeceu e passou a pregar nas cidades e no meio rural e, quando necessário, confrontava os doutores jansenistas com discurso igualmente douto, munido de sua autoridade teológica. Ainda assim, sua linguagem era extremamente acessível aos mais humildes, adaptado ao seu cotidiano, à sensibilidade popular, combinada com o exemplo de uma conduta coerente e cristã. Usava de um discurso fraterno, convidando o povo a adorar e confiar num Jesus amigo, em vez de temê-lo como um rígido juiz. Outra característica muito importante de sua pregação era a devoção extremada a Maria Santíssima.

Embora a Igreja daquele tempo estivesse questionando certos aspectos do culto mariano, ele pregava a veneração sem excessos, firme e constante a Maria, a Mãe de Deus. Por meio dela é que Jesus fez o seu primeiro milagre nas bodas de Caná. Esse argumento, de fato, sempre esteve muito presente em todos os seus escritos e exortações, como o tratado da "Verdadeira devoção à Santa Virgem", e todos eles relacionados com a prática do Rosário. Seus textos foram publicados em 1842 e tornaram-se os fundamentos da piedade mariana. Em meados de 1712, Luís Maria de Montfort elaborou as Regras e fundou uma nova ordem masculina: a dos Missionários da Companhia de Maria.

Esses religiosos, chamados habitualmente de montfortianos, estenderam, aos poucos, as suas atividades pela Europa, América e África. Contudo seu fundador acompanhou apenas o seu início, porque morreu no dia 28 de abril de 1716, poucos anos depois de sua aprovação. Em 1947, o papa Pio XII proclamou-o santo.


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A via unitiva (Mística)


Vida mística é a experiência que a criatura humana faz de Deus presente no íntimo de sua alma. Este conhecimento se dá por dois modos:

Modo de conhecer:
- Natural Na base da razão apenas

Modo de conhecer: 
- Sobrenatural Na base da razão e da revelação mediante as virtudes infusas. Na base da revelação sobrenatural e mediante os dons do Espírito Santo. 

O terceiro modo é a nota mais marcante da vida mística. O estado místico é o estado em que a criatura humana, sujeita à ação do Espírito Santo, faz a experiência de Deus que lhe está intimamente presente na alma.

É principalmente por efeito do dom da sabedoria que se consegue tal experiência.

Note-se que a experiência mística constitui o plano normal do desenvolvimento da vida interior do cristão. Não é reservada a almas privilegiadas, mas vem a ser simplesmente a vocação de todo cristãos, desde o dia do seu batismo.

Os fenômenos extraordinários são um sinal da íntima união com o divino Esposo. Mas sua ausência em nada diminui tal união.
Diferenças entre mística cristã e não-cristã
  1. O místico não-cristão (hinduísta e budista) se orienta às vezes por concepções panteístas; tende a se identificar totalmente com a Divindade, substância neutra e impessoal, que vai tomando facetas na natureza e no homem. O termo final da mística não-cristã é muitas vezes a despersonalização do homem e sua fusão total com o Divino. É fruto do esforço humano. Não contam com a “graça” ou auxílio que venha de Deus.
  2.  A Mística cristã concebe um Deus pessoal (dotado de inteligência e vontade), transcendente, um Outro, diverso da sua criatura. A experiência mística é gratuito favor de Deus, que atrai o homem a Si.
Contemplação

Contemplação é um olhar sobre valores superiores ou intuição, geralmente deleitosa, do Transcendente (como quer que os homens o chamem).

No cristianismo, a meta final da contemplação é a visão de Deus face a face (1 Cor 13,12; 1 Jo 3,1-3).
A Teologia católica distingue:
  1. Contemplação adquirida: Aquele que resulta da leitura e do estudo da Palavra de Deus e dos artigos da fé. Supõe o aparato conferido pelo Batismo: a graça santificante, as virtudes teologais, as cardeais e os dons do Espírito Santo. O estudo da Palavra nunca é meramente acadêmico, mas o encontro com Deus.
  2. Contemplação infusa: Aquela que não depende tanto de leitura e estudo, mas é um precioso dom do Espírito Santo. Pode ser por intuição repentina e profunda de uma verdade muitas vezes professada, mas nunca muito significativa; o rico conteúdo dessa proposição poderá patentear-se quando menos se espera. Essa contemplação está associada à pureza de coração, da qual fala Jesus em Mt 5,8.
Elementos que favorecem a vida mística
  1. O silêncio exterior e interior, das fantasias e da memória, que devaneiam inutilmente, dispersando o orante.
  2. Frequência nos sacramentos, principalmente a Eucaristia. Ele propicia a mutua imanência do Cristo no cristão, e vice versa.
  3. Lectio divina reúne em si a contemplação adquirida e infusa; esta última sempre dependendo da abertura de coração que alguém se entrega ao Espírito Santo.

Frases seletas

"Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz." (S. Agostinho)

"Quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto no repousa em Ti." (S. Agostinho)
“Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a Sua voz? Quando é o coração que reza Ele responde”. (S. Tereza D’Ávila)

“Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda”. (S. Tereza D’Ávila)

"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida em sua liberdade e contemplação." (S. João da Cruz)

"Para possuir Deus plenamente é preciso nada ter; porque se o coração pertence a Ele, não pode voltar-se para outro." (S. João da Cruz)


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Noche Oscura San Juan de la Cruz

El silencio de un alma enamorada...

Derramaré una lluvia de rosas

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...