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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

São Boaventura, o teólogo de Cristo – I


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Nascido provavelmente em 1217 e falecido em 1274, ele viveu no século XIII, uma época em que a fé cristã, penetrada profundamente na cultura e na sociedade da Europa, inspirou obras imperecíveis no campo da literatura, das artes visuais, da filosofia e da teologia. Entre as grandes figuras cristãs que contribuíram para a composição desta harmonia entre fé e cultura, destaca-se precisamente Boaventura, homem de ação e de contemplação, de profunda piedade e de prudência no governo.

Ele se chamava Giovanni da Fidanza. Um episódio que ocorreu quando ele ainda era menino marcou profundamente sua vida, como ele mesmo relata. Ele tinha contraído uma grave doença e nem sequer seu pai, que era médico, esperava salvá-lo da morte. Sua mãe, então, recorreu à intercessão de São Francisco de Assis, canonizado há pouco. E Giovanni foi curado. A figura do Pobrezinho de Assis se tornou ainda mais familiar para ele alguns anos depois, quando se encontrava em Paris, por razões de estudo. Havia obtido o diploma de Professor de Artes, que poderíamos comparar ao de um prestigioso Liceu da nossa época. Nesse ponto, como tantos jovens do passado e também de hoje, Giovanni se fez uma pergunta crucial: “O que vou fazer com a minha vida?”.

Fascinado pelo testemunho de fervor e radicalidade evangélica dos Frades Menores, que haviam chegado a Paris em 1219, Giovanni bateu à porta do convento franciscano dessa cidade e pediu para ser acolhido na grande família dos discípulos de São Francisco.

Muitos anos depois, explicou as razões da sua escolha: em São Francisco e no movimento iniciado por ele, reconheceu a ação de Cristo. De fato, escreveu em uma carta dirigida a outro religioso: “Confesso diante de Deus que a razão que me fez amar mais a vida do beato Francisco é que se parece com o início e com o crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores e se enriqueceu imediatamente com doutores muito ilustres e sábios; a religião do beato Francisco não foi estabelecida pela prudência dos homens, mas por Cristo” (Epistula de tribus quaestionibus ad magistrum innominatum, em Opere di San Bonaventura. Introduzione generale, Roma 1990, p. 29).

Portanto, por volta de 1243, Giovanni vestiu o hábito franciscano e assumiu o nome de Boaventura. Foi imediatamente dirigido aos estudos e frequentou a Faculdade de Teologia da Universidade de Paris, seguindo um conjunto de cursos muito difíceis. Recebeu os diversos títulos requeridos pela carreira acadêmica, os de “bacharel bíblico” e o de “bacharel sentenciário”. Assim, Boaventura estudou profundamente a Sagrada Escritura, as Sentenças de Pietro Lombardo, o manual de teologia daquela época e os mais importantes autores de teologia; e, em contato com os professores e estudantes que chegavam a Paris de toda a Europa, amadureceu sua própria reflexão pessoal e uma sensibilidade espiritual de grande valor que, no decorrer dos seguintes anos, ele soube mostrar em suas obras e sermões, convertendo-se, assim, em um dos teólogos mais importantes da história da Igreja. É significativo recordar o título da tese que ele defendeu para recebera habilitação no ensino da teologia, a licentia ubique docendi, como se dizia na época. Sua dissertação intitulava-se “Questões sobre o conhecimento de Cristo”. Este tema mostra o papel central que Cristo teve sempre na vida e nos ensinamentos de Boaventura. Podemos dizer sem hesitar que todo o seu pensamento foi profundamente cristocêntrico.

Naqueles anos, em Paris, a cidade adotiva de Boaventura, começou uma violenta polêmica contra os Frades Menores de São Francisco de Assis e os Frades Pregadores de São Domingos de Gusmão. Discutia-se seu direito de lecionar na Universidade e se duvidava inclusive da autenticidade da sua vida consagrada. Certamente, as mudanças introduzidas pelas Ordens Mendicantes na forma de entender a vida religiosa, das quais falei nas catequeses anteriores, eram tão inovadoras que nem todos chegavam a compreendê-las. Acrescentavam-se também, como às vezes acontece entre pessoas sinceramente religiosas, motivos de fraqueza humana, como a inveja e o ciúme.

Boaventura, ainda que cercado pela oposição dos demais professores universitários, já havia começado a lecionar na cátedra de teologia dos Franciscanos e, para responder àqueles que criticavam as Ordens Mendicantes, compôs um escrito intitulado “A perfeição evangélica”. Nele, demonstra como as Ordens Mendicantes, especialmente os Frades Menores, praticando os votos de pobreza, castidade e obediência, seguiam os conselhos do próprio Evangelho. Muito além destas circunstâncias históricas, o ensinamento proporcionado por Boaventura nesta obra e em sua vida permanece sempre atual: A Igreja se torna luminosa e bela pela fidelidade à vocação desses filhos seus e dessas filhas suas que não somente colocam em prática os preceitos evangélicos, mas que, por graça de Deus, estão chamados a observar seus conselhos e, assim, dão testemunho, com seu estilo de vida pobre, casto e obediente, de que o Evangelho é fonte de alegria e de perfeição.

O conflito se apaziguou, pelo menos por certo tempo e, por intervenção pessoal do Papa Alexandre IV, em 1257, Boaventura foi reconhecido oficialmente como doutor e professor da universidade parisiense. Contudo, teve de renunciar a este prestigioso cargo, porque nesse mesmo ano o capítulo geral da ordem o elegeu como ministro geral.

Ele desempenhou este cargo durante 17 anos, com sabedoria e dedicação, visitando as províncias, escrevendo aos irmãos, intervindo às vezes com certa severidade para eliminar os abusos. Quando Boaventura começou este serviço, a Ordem dos Frades Menores havia se desenvolvido de maneira prodigiosa: eram mais de 30 mil os frades dispersos em todo o Ocidente, com presenças missionárias no norte da África, no Oriente Médio e também em Pequim. Era preciso consolidar esta expansão e sobretudo conferir-lhe, em plena fidelidade ao carisma de Francisco, unidade de ação e de espírito.

De fato, entre os seguidores do santo de Assis, registravam-se diversas formas de interpretar sua mensagem e existia realmente o risco de uma fratura interna. Para evitar esse perigo, o capítulo geral da ordem em Narbona, em 1260, aceitou e ratificou um texto proposto por Boaventura, no qual se unificavam as normas que regulavam a vida cotidiana dos Frades Menores. Boaventura intuía, contudo, que as disposições legislativas, ainda inspiradas na sabedoria e na moderação, não eram suficientes para garantir a comunhão do espírito e dos corações. Era necessário compartilhar os mesmos ideais e as mesmas motivações. Por esta razão, Boaventura quis apresentar o autêntico carisma de Francisco, sua vida e seus ensinamentos. Por isso, recolheu com grande zelo documentos relativos ao Pobrezinho e escutou com atenção as lembranças daqueles que haviam conhecido diretamente Francisco. Daí nasceu uma biografia, historicamente bem fundada, do Santo de Assis, intitulada Legenda Maior, redigida também de maneira mais sucinta e chamada, por isso, de Legenda Minor. A palavra latina, ao contrário da italiana (e também do termo em português, “lenda”, N. do T.), não indica um fruto da fantasia, mas, pelo contrário, legenda significa um texto autorizado, a “ser lido” oficialmente. De fato, o capítulo geral dos Frades Menores, em 1263, reunido em Pisa, reconheceu na biografia de São Boaventura o retrato mais fiel do fundador e esta se converteu, assim, na biografia oficial do Santo.

Qual é a imagem de São Francisco que surge do coração e da caneta do seu filho devoto e sucessor, São Boaventura? O ponto essencial: Francisco é um alter Christus, um homem que buscou Cristo apaixonadamente. No amor que conduz à imitação, ele se conformou inteiramente com Ele. Este ideal, válido para todo cristão, ontem, hoje e sempre, foi indicado como programa também para a Igreja do terceiro milênio pelo meu predecessor, o venerável João Paulo II. Este programa, escrevia na carta Tertio Millennio ineunte, centra-se “no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n’Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até sua plenitude na Jerusalém celeste” (n. 29).

Em 1273, a vida de São Boaventura teve outra mudança. O Papa Gregório X quis consagrá-lo bispo e nomeá-lo como cardeal. Pediu-lhe também que preparasse um importantíssimo acontecimento eclesial: o II Concílio Ecumênico de Lion, que tinha como objetivo o restabelecimento da comunhão entre a Igreja latina e a grega. Ele se dedicou a esta tarefa com diligência, mas não chegou a ver a conclusão daquela cúpula ecumênica, porque morreu durante sua realização. Um anônimo notário pontifício compôs um elogio a Boaventura, que nos oferece um retrato conclusivo deste grande santo e excelente teólogo: “Homem bom, afável, piedoso e misericordioso, repleto de virtudes, amado por Deus e pelos homens (…). Deus, de fato, havia lhe dado tal graça, que todos aqueles que o viam eram invadidos por um amor que o coração não podia ocultar” (cf. J.G. Bougerol, Bonaventura, en A. Vauchez (vv.aa.), Storia dei santi e della santità cristiana. Vol. VI. L’epoca del rinnovamento evangelico, Milão, 1991, p. 91).

Recolhamos a herança deste santo doutor da Igreja, que nos recorda o sentido da nossa vida com estas palavras: “Na terra, podemos contemplar a imensidão divina através da razão e do assombro; já na pátria celeste – onde seremos semelhantes a Deus –, por meio da visão e do êxtase, entraremos na alegria de Deus” (La conoscenza di Cristo, q. 6, conclusione, em Opere di San Bonaventura. Opuscoli Teologici /1, Roma 1993, p. 187).

Texto do Papa Bento 16 na audiência do dia 3 de março

Modéstia conhecida

"Exerce-te numa perfeita modéstia para que, segundo a doutrina do Apóstolo, "a tua modéstia seja conhecida por todos os homens" (Phil. 4, 5).
Depois exerce-te na modéstia da disciplina, com moderação no silêncio e no falar, na tristeza e na alegria, na clemência e no rigor, conforme as circunstâncias o exigem e a sã razão o prescreve. Para praticares tudo isto, o meio melhor, eu o creio, é a lembrança do Crucificado, afim de que o teu Dileto, como um ramalhete de mirra (Cântico dos C. 1, 12), descanse sempre junto ao teu coração.
Isto te queira prestar Aquele que é bendito por todos os séculos dos séculos".


(Livro: A vida perfeita - São Boaventura)

domingo, 29 de janeiro de 2017

São Paulo da Cruz, Apóstolo da Paixão de Cristo

Aos 21 anos alistou-se na cruzada contra os muçulmanos; fundador da Congregação dos Passionistas, “arrancou inumeráveis  almas ao inferno, e obteve as mais brilhantes vitórias sobre o erro, o vício e Satanás. Curou doentes, obteve a vista para cegos, a audição para surdos, a palavra a mudos, o uso dos membros a paralíticos, ressuscitou mortos, aplacou tempestades, penetrou em segredos das consciências e no futuro.”(1)



· Plinio Maria Solimeo

São Paulo da Cruz
Paulo Francisco foi o segundo dos 16 filhos do casal Lucas Danei e Ana Maria Massari, ambos de fidalgas famílias empobrecidas, na região do Piemonte, ao norte da Itália. A 3 de janeiro de 1694, “uma luz extraordinária iluminou o quarto onde ele nasceu, de noite, de maneira que as lâmpadas que lá estavam acesas pareciam apagadas”(2).
Os pais, que exerciam o pequeno comércio de tecidos na localidade de Ovada, Diocese de Alessandria, no Piemonte, eram sobretudo modelo de casal cristão, vivendo numa santa afeição e no temor de Deus. “Homem de fé antiga e de costumes sem mancha, de rara piedade, Lucas encontrava suas delícias na oração, na leitura de livros de piedade, sobretudo na Vida dos Santos. .... Para seu Deus ele teria sacrificado voluntariamente seus interesses mais caros, suas afeições mais puras, e mesmo sua vida. Tal era sua fé que, esposo e pai, ele aspirava o martírio”.
Sua esposa não lhe ficava atrás: “humilde e modesta, piedosa, não amando senão a solidão do lar ou dos altares, dividindo seu tempo entre Deus e sua família. Olhava os cuidados da casa e educação de seus filhos como uma missão santa; sem jamais se lastimar, carregava o fardo com uma paciência inalterável”.(3) De pais assim, nasceu um grande santo!
Ainda muito pequeno, a piedade de Paulo Francisco era tão profunda, que bastava a mãe lhe apresentar o Crucifixo para que ele deixasse de se lastimar ou então fizesse algo de que não gostava. Incutindo-lhe uma profunda devoção à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a mãe seguia um impulso divino, preparando aquele que seria o grande apóstolo desse Santo Mistério. O próprio Cristo crucificado mostrava-se a ele em freqüentes visões, às vezes coroado de espinhos, com o corpo retalhado pela flagelação, e mesmo como um ser que se contorce de dores, um corpo que não é senão uma chaga.
A Mãe de Deus também lhe aparecia, algumas vezes para socorrê-lo. Isso ocorreu, por exemplo, quando ao atravessar o rio Orba com seu irmãozinho, João Batista, caíram  ambos na água. Debatendo-se os dois entre as ondas, apareceu-lhes, andando sobre as águas revoltas, a formosa Senhora, que dando-lhes a mão tirou-os para fora.
O Menino Jesus apareceu-lhe também uma vez para fazer-lhe companhia quando ele rezava o terço, devoção à qual se afeiçoou desde muito pequeno.
Aos 10 anos foi enviado a Cremolino para os estudos, lá permanecendo por cinco anos. Sua vida nesse período foi mais a de um consumado asceta do que a de um menino na primeira adolescência. Ele “passava parte da noite na contemplação das divinas bondades de seu Deus, nas dolorosas cenas de sua paixão. Não as interrompia senão para dilacerar sua carne virginal com cruéis flagelações, e não se permitia senão poucas horas de repouso sobre pranchas. Ele jejuava freqüentemente. .... Sua terna e viva devoção à Santíssima Virgem não se igualava senão à proteção especial com a qual essa Mãe de misericórdia o circundava”(4).
Não só seus condiscípulos, mas os habitantes do lugar passaram a designá-lo como o Santo. Muitos de seus colegas, levados pelo seu exemplo, entregaram-se à vida de piedade e depois entraram em Ordens religiosas, então focos de piedade cristã.
Terminados os estudos, voltou Paulo Francisco  para casa. Enquanto aguardava os desígnios de Deus a seu respeito, continuava a levar vida de intensa piedade.
Alista-se na Cruzada contra os turcos muçulmanos
Aos 21 anos, em 1715, Paulo Francisco tomou conhecimento de duas bulas de Clemente XI que promovia uma liga entre os Príncipes católicos e animava também os fiéis a se engajarem na luta contra os turcos muçulmanos que preparavam grande investida contra a Europa. Aconselhava-os ainda a aplacar a cólera de Deus e implorar seu auxílio por meio de jejuns, penitências e orações públicas.
Paulo Francisco, vendo nisso não só a oportunidade de possivelmente derramar seu sangue pela Fé, mas também a de lutar por ela, partiu para Crema como voluntário no exército cristão.
Mas outro era o combate que Deus queria dele, e o fez compreender isso durante a oração. Paulo Francisco pediu dispensa do exército e voltou à sua terra.
Um tio seu, sacerdote, propôs-lhe então vantajoso casamento com uma moça rica e virtuosa, e, para assegurar-lhe o futuro, fê-lo seu herdeiro. Paulo recusou as duas propostas, pois decidira-se a servir somente a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Conduzido em espírito ao inferno
Certo dia em que Paulo Francisco, devido a uma contusão na perna, encontrava-se no leito fazendo sua meditação, foi levado em espírito ao inferno. “Ele perdeu os sentidos, e de seu peito escaparam grandes gritos: era como uma mistura incoerente de escárnios e de cruel desespero. Seu irmão João Batista, e sua irmã Teresa, que acorreram para o despertar e acalmar, foram tomados de pânico. Voltando a si pouco a pouco, ele disse, com um sentimento de horror pintado em sua face: ‘Não, eu jamais direi o que vi’. ... Mais tarde o Santo confiou a uma pessoa que, nessa circunstância, tinha sido transportado pelos Anjos ao inferno, e que havia visto, com temor e tremor, as penas eternas dos danados”.(5)
Congregação dos Passionistas: revelação ao fundador
São Vicente Maria Strambi, discípulo amado de São Paulo da Cruz e primeiro biógrafo do grande fundador
No ano de 1720, durante um êxtase, Nosso Senhor mostrou-lhe o hábito passionista, ao mesmo tempo em que lhe imprimiu na alma as regras que a Congregação deveria seguir. Noutro dia, a Santíssima Virgem apareceu-lhe trazendo na mão o mesmo hábito, e nesse instante Paulo viu-se com ele revestido. Nascia assim a Congregação dos Passionistas. Paulo confiou a seu confessor, o Bispo de Alessandria, a visão que tivera. Manifestou-lhe, então, o desejo de portar o hábito a ele revelado, o que ocorreu em novembro do mesmo ano.
A primeira pessoa que se juntou a Paulo Francisco foi seu irmão João Batista, seu companheiro de penitências e orações na juventude, e que seria até o fim da vida seu mais firme apoio. Ambos receberam o sacerdócio em 1727, estabelecendo-se 10 anos depois no Monte Argentaro, onde foi fundado o primeiro convento e noviciado da nova Congregação.
Seus membros, além dos três votos (pobreza, obediência e castidade), pronunciavam um quarto: o de propagar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Somente em 1746 as regras da Congregação foram aprovadas por Bento XIV. Nelas estão aliadas a vida contemplativa e a ativa. Se o passionista deve ser um apóstolo da palavra, tem que haurir na contemplação o espírito que vivifique essa palavra. Mas nisso tem que haver justo equilíbrio: “Foi o que o Espírito divino inspirou admiravelmente a Paulo da Cruz. Muita solidão, contemplação e mortificação para manter o fogo sagrado na alma; mas não demais, para não enervar o corpo nem lhe tirar as forças que o apostolado exige: eis a solução do problema; eis o passionista, tal qual o faz seu Instituto”.(6) A pregação de Missões e os exercícios espirituais tornaram-se a meta da Congregação, tudo com muita ênfase posta na sagrada Paixão de Cristo.
Durante 50 anos São Paulo da Cruz consagrou sua vida a converter os pecadores, a santificar os corações arrependidos, a aperfeiçoar as almas dos justos”.(7)
Por obediência ao Papa, pede e obtém sua própria cura
Casa Generalícia dos Passionistas (1773), em Roma. Nesse local morreu o fundador da Congregação em 18 de outubro de 1775
Enfraquecido pela extrema fadiga e contínua penitência, em 1771 Pe. Paulo da Cruz foi acometido por uma doença que os médicos anunciaram ser mortal. Dois de seus religiosos apresentaram-se então ao Papa a fim de pedir uma bênção especial para o moribundo. Clemente XIV, que media bem a extensão que essa perda representaria para a Igreja, mandou-os dizer ao doente que o Papa lhe ordenava, sob obediência, que não morresse então. Ao receber a ordem, Paulo da Cruz pegou seu Crucifixo e, com lágrimas, pediu a vida, para obedecer ao Papa. Desde esse instante, começou a melhorar até ficar completamente são.
Nesse mesmo ano, o santo fundou o ramo feminino dos Passionistas.
Grande pregador com fama de santidade, procurado por todos, desde o Papa até o mais humilde pescador, aclamado pelas multidões, São Paulo da Cruz parecia insensível a qualquer pensamento de vanglória. Ele afirmou com toda simplicidade a seu diretor espiritual: “Graças a Deus, jamais um pensamento de orgulho se aproxima de mim. Eu me creria um danado se me viesse um pensamento de orgulho”.
Seu espírito de obediência ia tão longe, que ele fizera um voto de obedecer a todo mundo naquilo que não fosse contra a lei de Deus. Sua pureza era ilibada, e ele conservou sua inocência batismal até o último suspiro. Um dia, não sabendo estar sendo observado, ouviram-no dizer: “Vós sabeis bem, Senhor, que com o concurso de vossa graça eu jamais sujei minha alma com uma falta deliberada”.(8)
São Paulo da Cruz morreu nos braços de seu discípulo amado Vicente Maria Strambi, que dele havia recebido o hábito e com ele convivera. Também elevado à honra dos altares, São Vicente foi o primeiro biógrafo do grande fundador.
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Notas:
1. Pe. Louis-Thérèse de Jésus Agonisant, Histoire de Saint Paul de la Croix, Librairie H. Oudin, Éditeur, Paris, 1888, p. 5.
2. Pe. Pio do Nome de Maria, Vida de São Paulo da Cruz, Imprensa Pontifícia do Instituto Pio IX, Roma, tradução portuguesa, 1914, p. 4.
3. Pe. Louis-Th. de Jésus Agonisant, op. cit., pp. 22 e 23.
4. Les Petits Bollandistes – Vies des Saints, d’après le Père Giry, par Mgr. Paul Guérin, Paris, Bloud et Barral, Librairies-Éditeurs, 1882, tomo XIII, p. 453.
5. P. Louis-Th. de Jésus Agonisant, op. cit., p. 57.

6. Id. ib., p. 9.

7. Les Petits Bollandistes, op. cit., p. 455.

8. P. Louis-Th. De Jésus Agonisant, op. cit., pp. 577-578.


http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=8C6CD2F5-0889-18F5-1F263DA28E9E8134&mes=Abril2000

São Paulo da Cruz e a Santa Missa.

“Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas copiosas umedeciam os paramentos sagrados. Com o decorrer dos tempos, diminuíram as lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de chorar depois da Consagração.”

 Este grande Santo, fundador da Congregação da Paixão de Jesus Cristo, comumente conhecidos como os passionistas, nasceu com o nome de Francisco Danei Massari, em Ovada, Itália, aos 3 de Janeiro de 1694.

Apaixonado pela Paixão de Cristo, dedicou-se a uma vida de solidão e pobreza e idealizou a fundação de uma congregação. Foi ordenado sacerdote pelas mãos do Papa Bento XIII em 07/06/1727, na Basílica de São Pedro, onde futuramente foi canonizado, em 1866, pelo Papa Pio IX. As Regras foram aprovadas pelo Papa Bento XIV em 1741.

Gostaria de transcrever algumas passagens de uma biografia sua, em que se fala de seu amor zeloso pela Sagrada Liturgia.

Há quem tente identificar o zelo pelas rubricas com um espírito distante do amor ao próximo ou superficial na vida espiritual. Neste caro Santo encontramos o contrário: uma profunda caridade para com o próximo, aliada a uma vida intensamente mística e um zelo ardente pela Sagrada Liturgia. Seja ele um modelo para todos os sacerdotes de Cristo! Eu diria que esta é a forma mais completa e autêntica da ARS CELEBRANDI!São Paulo da Cruz, rogai por nós!

O SANTO NO ALTAR

O nosso santo é, pois, sacerdote!... Vai tomar nas mãos o sangue do Cordeiro divino e oferecer a Vítima imaculada... Tudo eram transportes de alegria e êxtases de amor... (...) Imaginemos com que fé e amor subiria Paulo ao altar!

Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas copiosas umedeciam os paramentos sagrados. Com o decorrer dos tempos, diminuíram as lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de chorar depois da Consagração.

Qual a fonte misteriosa e inesgotável dessas lágrimas? Ouçamo-lo em palestra com seus filhos. Acompanhai a Jesus em sua Paixão e Morte, porque a missa é a renovação do Sacrifício da Cruz. Antes de celebrardes revesti-vos dos sofrimentos de Jesus Crucificado e levai ao altar as necessidades de todo o mundo.

Quando celebrava, afigurava-se-lhe estar no Calvário, ao pé da Cruz, em companhia da Mãe das Dores e do Discípulo predileto, a contemplar Jesus em suas penas. Essa a causa de tantas lágrimas, verdadeiro sangue da alma que, mesclado com o Sangue divino do Cordeiro, eram oferecidas ao Eterno Pai para aplacá-Lo e atrair sobre os homens graças e benefícios.

Revestir-se de Jesus Crucificado antes do santo Sacrifício, Paulo o fazia diariamente, pois não subia ao altar sem macerar com disciplina terminada em agudas pontas, enquanto meditava a dolorosa Paixão do Senhor, unindo-se espiritual e corporalmente aos tormentos do seu Deus. Terminada a santa missa, retirava-se a lugar solitário, entregando-se aos mais vivos sentimentos de gratidão e amor.

E prescreveu nas santas Regras este método de preparação e ação de graças à santa missa.

Ao comentar as palavras do Evangelho COENACULUM STRATUM, dizia ser o cenáculo o coração do padre, cuja integridade deve ser defendida a todo custo, mantendo-se sempre acesas as lâmpadas da fé e da caridade. Comparava também o coração sacerdotal ao sepulcro de N. Senhor, sepulcro virgem, onde ninguém fora depositado. E acrescentava: O coração do sacerdote deve ser puro e animado de viva fé, de grande esperança, de ardentíssima caridade e veemente desejo da glória de Deus e da salvação das almas.

Zeloso da rigorosa observância das rubricas, corrigia as menores faltas. Velava outrossim pelo asseio das alfaias sagradas. Tudo o que serve ao santo Sacrifício, dizia, deve ser limpo, sem a menor mancha. Vez por outra mostrou N. Senhor com prodígios quão agradável lhe era a missa celebrada pelo seu fiel servo.

Celebrava certo dia na capela do mosteiro de Santa Luzia, em Corneto. Tinha como ajudante o ilustre personagem Domingos Constantini. Pouco antes da Consagração, envolveu-o tênue nuvem de incenso, embalsamando o santuário de perfume desconhecido, enquanto o santo se elevava a cerca de dois palmos acima do supedâneo. Terminada a Consagração, envolto sempre naquela misteriosa nuvem, alçou-se novamente ao ar, com os braços abertos. Dir-se-ia um Serafim em oração.

O piedoso Constantini de volta à casa, maravilhado, relatou o fato, glorificando a Deus, tão admirável nos seus santos.

Fonte: Pe. Luís Teresa de Jesus Agonizante, Vida de São Paulo da Cruz, Capítulo XII.

Estamos no Exílio: sobre o Vazio Interior

As pessoas sentem-se infelizes e não sabem o porquê. Elas sentem que algo está errado, mas não sabem apontar exatamente o quê. Elas se sentem desconfortáveis no mundo, confusas e frustradas, alienadas e afastadas, e elas não podem explicar. Elas têm tudo, e ainda querem mais. E quando conquistam, sentem-se ainda vazias e insatisfeitas. Elas querem felicidade e paz, e nada parece trazer. Elas querem realização, e nunca parece vir. Tudo está bem, e ainda assim tudo está errado. Isto é uma doença mundial. As pessoas estão cobertas pela atividade frenética e a corrida sem fim. Elas estão enterradas em atividades e eventos. Estão cercadas por programas de televisão e jogos. Mas quando o movimento cessa e a tela é desligada e tudo está tranquilo... então a ansiedade se instala, e a falta de sentido de tudo isso, e o tédio e o medo.   Por que isto é assim? 

Porque não estamos realmente em casa. Estamos no exílio. Estamos alienados e afastados de nossa verdadeira pátria. Nós não estamos com Deus, nosso Pai na terra dos vivos. Estamos espiritualmente doentes. E alguns de nós já estão mortos.

Nossos corações são feitos para Deus, disse Santo Agostinho, e nós estaremos sempre inquietos até que descansemos n'Ele. Nossas vidas são feitas para Deus, e vamos estar insatisfeitos e descontentes e frustrados até que voltemos para Ele. Somente Ele pode preencher nosso grande Vazio Interior, dar-nos a Paz, porque Ele é nosso Lar e nós somos d'Ele.

A Quaresma é o tempo para o nosso retorno consciente ao nosso verdadeiro lar. É o tempo reservado para voltarmo-nos para nós mesmos, erguer-nos e irmos na direção da realidade divina a que realmente pertencemos.

-- Tradução livre do inglês de um excerto da obra "The Lenten Spring" de  Fr. Thomas Hopko.

Integrar Meditação e Oração em suas Atividades Diárias

A maioria de nós quer paz e felicidade em nossas vidas; é para isso que vivemos. Às vezes podemos sentir que a verdadeira paz e contentamento espiritual são impossíveis neste mundo caótico de estresse, pressa, excesso de estímulos externos e preocupações financeiras. O desejo de fugir para um lugar distante pode ser altamente tentador.
A maioria de nós não pode simplesmente retirar-se para uma caverna ou mosteiro, onde possamos ser totalmente contemplativos, meditando e orando com Deus sem interrupções. Não podemos nos dar ao luxo de deixar tudo para trás. A resposta é integrar meditação e oração em todas as suas atividades diárias. Como o Apóstolo Paulo sugeriu, orar incessantemente. A oração de Jesus é a meditação perfeita.

Monges, monjas e eremitas espirituais tem deixado seus problemas do "mundo civilizado" para trás há séculos, inicialmente retirando-se para o deserto egípcio. Um dos primeiros monges cristãos foi Santo Antônio do Deserto ou Antão do Egito, um homem determinado a encontrar Deus no silêncio e isolamento. Nascido em uma rica família mercante, um dia, ele passou por uma igreja e ouviu o ministro recitando as palavras de Jesus: "Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e vem e segue-me." Aquelas palavras penetraram-lhe o coração e com a idade de 34 anos, doou toda a sua herança e se retirou para o deserto. Ele encontrou um sepulcro abandonado e viveu sozinho ali por muitos anos. No deserto, ele não só encontrou uma maneira de abandonar seus desejos materiais, ele aprendeu a viver com muito pouco de água ou alimentos, procurando apenas a oração como sustento. Santo Antão, considerado por alguns como o pai de todos os monges, recitou a Oração de Jesus mais e mais, buscando apenas a misericórdia de seu Senhor Jesus Cristo.
Esta antiga oração foi transmitida através de gerações. Inicialmente de forma verbal, foi depois escrita em manuais de instruções obscuros destinados apenas a monges. Ela foi mantida em segredo, apenas para ser revelada como parte de uma vida dedicada ao isolamento.

Ainda em uso cerca de 2.000 anos depois, em mosteiros e igrejas que nasceram à partir do deserto egípcio e se espalharam para a Grécia, Mediterrâneo, Europa Oriental, terras eslavas, e da Rússia, a Oração de Jesus continua agora a ser revelada para aqueles de nós no mundo ocidental. A oração, Kyrie Eleison em grego (senhor tende piedade), ou Oração de Jesus, tem grande poder.

Aqueles que verdadeiramente anelam amar e servir a Deus devem praticar a Lembrança de Deus através da repetição ininterrupta da Oração de Jesus, sussurrando ou dizendo mentalmente: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador.

Não há mais a necessidade de se tornar um monge ou freira para conhecer e usar esta oração. Não é necessário deixar a sua família, nem trabalho ou casa para trás e renunciar a tudo. Na verdade, a verdadeira renúncia é uma questão muito mais interna do que externa. Podemos viver no mundo sem ser do mundo, tendo a Oração de Jesus como como âncora e como guia.

http://www.oracaodejesus.com/textos-integrar-meditacao-e-oracao-em-suas-atividades-diarias.html#1511b744e4cafc3779a61d2ff029c64b

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Mente e equilíbrio

"A oração não consiste apenas em ficar em pé e curvar o corpo ou em ler orações escritas... é possível orar em todos os momentos, em todos os lugares, com mente e espírito. Você pode elevar sua mente e coração à Deus enquanto está andando, sentado, trabalhando, na solidão ou em uma multidão. Sua porta está sempre aberta, ao contrário da nossa. Podemos sempre, a todo instante, dizer a Ele em nossos corações: Senhor, Senhor, tende misericórdia."

-- São Tikhon de Zadonsk

Ao Nome Divino


Presta atenção ao Nome Divino, e com coração contrito invoca-o sem cessar: "Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim".

No descanso verás Sua divindade repousar em ti; o nome de Jesus expulsará as trevas das paixões que estão em ti, purificará o Homem Interior com a purificação de Adão quando estava no Paraíso; esse nome bendito que João Evangelista invocou, dizendo: "Luz do mundo", "doçura que não sacia" e "verdadeiro pão de vida".

-- Baseado em São Macário, o Grande 

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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