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sábado, 7 de novembro de 2020

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 5º Dia com Padre Mario Sartori

 

5º dia “Hóspede Divino” - Adoração - Jesus Eucaristia Na adoração esqueço de mim mesmo, porque somente Deus é importante para mim. Na presença Eucarística, Cristo chega até nós, se oferece por nós. Olhamos para Aquele que nos ama. Nele está o nosso desejo profundo de nos libertarmos de nós mesmos, para dependermos única e exclusivamente do Senhor. O primeiro contato com Jesus, escondido na Sagrada Hóstia foi decisivo para Elisabeth. Nesse dia, Ele tomou posse do seu coração. Sua única aspiração foi entregar- Lhe a vida. “A partir da Primeira Comunhão, vimo-la mudar imediatamente. Sentimo-la tomada por Deus”, nos diz sua irmã Margarida. Assim, arrastada pela torrente de amor, na intimidade mais pura da Primeira Comunhão, Elisabeth responde ao apelo de Jesus. “A Eucaristia é a plenitude transbordante do Amor Divino. Nela, Jesus não nos dá apenas os seus méritos e as suas dores, mas nos dá plenamente a si mesmo.” “Como é triste ter de me afastar do sacrário e despedir-me do Hóspede Divino! Mas Vós estais sempre comigo, estais no meu coração, Dileto Meu, único Amor.” “Após a Comunhão, guardamos o Céu inteiro em nossa alma, menos a visão desse Céu.” “A adoração! Sim! É uma palavra do céu. Me parece que poderia defini-la assim: é o êxtase do amor. É o amor vencido pela Beleza, pela Força, pela Grandeza imensa do Objeto amado que entra no estado como se fosse um desfalecimento, em um silêncio pleno e profundo.” UR 21 “Quanto mais vivemos com este Hóspede Divino, mais felizes nos sentimos, mais fortaleza temos para entregar-nos ao sacrifício.” Reflexão... “Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a mim não terá fome, e quem crê em mim não terá mais sede.” ( Jo 6,35 )

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

História de SANTA ELISABETH DA TRINDADE

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 4º Dia com Padre Mario Sartori

4º dia “Silêncio e Solidão“ “O silêncio é a linguagem da alma para conversar com Deus.” O perfeito silêncio nunca pode estabelecer-se sem grandes esforços. Nos faz, em primeiro lugar, presentes a nós mesmos, e logo presentes a Deus, fazendo-nos atentos a sua presença. A oração se completa no silêncio. De um lado, está a escuta, de outro a unidade com Deus. Permanecer em silêncio diante de Deus faz crescer o nosso amor por Ele. O silêncio é presença, procura e encontro; é intimidade. Na medida em que a alma caminha para Deus, as palavras, as imagens e os sentimentos devem dar lugar ao silêncio. Elisabeth teve um especial atrativo por esse silêncio que foge de todo o convívio para permanecer, pela fé na presença de Deus. É a santa do silêncio. Sonhava em “viver Contigo solitária”. Mesmo em meio às festas e reuniões do mundo, sua alma elevava-se a Deus, imersa no silêncio e adoração. Demonstrava a calma alegria de quem está em paz e pode sorrir, mas seu olhar e seu sorriso manifestavam, irradiavam Nosso Senhor. “Dentro de mim existe uma solidão onde Cristo mora, que ninguém poderá tirar de mim.” “Parece-me que nada nos pode distrair Dele, quando só agimos por ele, sempre em sua santa presença, sob o olhar divino que penetra até o mais íntimo da alma; mesmo no meio do mundo, pode-se ouví-Lo no silêncio do coração que só quer pertencer a Ele”. (Carta 38) “O Carmelo é um canto do Céu: no silêncio e na oração, vive-se só com Deus só”. (Carta 142) “Permaneçamos ali em silêncio, para escutar Aquele que tem tanto para nos comunicar”. (Carta 140) Reflexão... “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á”. Mt 6,6 “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração”. Lc 2,19

domingo, 1 de novembro de 2020

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 3º Dia com Padre Mario Sartori

 

TERCEIRO DIA – Confiança e Abandono Sinal da Cruz. Vinde Espírito Santo. É a fé que nos aproxima de Deus. “Para aproximar-se de Deus é preciso crer.” (Hb 11,6). Diz o Catecismo da Igreja Católica: “o ato de fé é um ato humano, ou seja, um ato da inteligência do homem que, sob o impulso da vontade movida por Deus, dá livremente o próprio consenso à vontade divina” (153-163). É um Dom gratuito de Deus. Quando a alma sabe crer no grande Amor de Deus, nada a detém. Ela entrega-se então, sem reservas, com confiança e abandono, nesse amor. A confiança conserva a alma no equilíbrio, nos dá força e coragem no sofrimento. Na alma confiante a abandonada, o Espírito Santo agirá livremente. Elisabeth permaneceu fiel até o fim nesse caminhar para Deus na pura fé, mesmo quando gravemente enferma. É o meio de retribuir a Deus amor com amor. Mais sua alma é provada, mais aumenta sua fé, sua entrega total, afetuosa e dócil à Vontade Divina. “E de que servem as consolações, as doçuras? Estas coisas não são ele, e é Ele que buscamos. Vamos pois a Ele pela pura fé.” (Carta 53) “… a Ele me entrego e me abandono, de antemão feliz por tudo o que acontecer”. (Carta 250) “…também eu devo procurar o mestre que se esconde. Mas então, vivo na fé e fico satisfeita de não gozar de sua presença para deixá-Lo gozar do meu amor.” (Carta 298) Reflexão… “ A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se chegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram.” (Hb 11, 1. 6) “Ao abandonado, Deus prepara uma casa”. (Sl 67,7) Oração: Pai Nosso, Ave-Maria e Glória.

sábado, 31 de outubro de 2020

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 2º Dia com Padre Mario Sartori

 

SEGUNDO DIA Morro cada dia – Renúncia e Desapego Sinal da Cruz. Vinde Espírito Santo. Enquanto alguma coisa nos prender, não poderemos livremente voar para Deus. Não há nada mais tranquilo que um coração simples, livre. Importa, pois, elevar-se acima de todas as coisas, acima até de si mesmo, para unir-se cada vez mais ao Senhor. Para vivermos unidos à Jesus, precisamos nos desprender dos laços que nos prendem ao mundo. A alma que ainda não se desprendeu, “está sempre agitada, inquieta, caminha na escuridão e mil cuidados a atormentam”. Renunciar é a disposição da alma em não viver, em nada, para si; disposição sincera, contínua, firme de afastar a alma de sua inclinação natural e se fazer o centro da própria vida, de sair de si, de se desinteressar por si, de deixar-se de lado. Renunciar-se é amar! Em escravidão vivem todos os que se amam e buscam a si mesmos. Para ser um cristão de verdade, é preciso renunciar a algumas das coisas que aparentemente nos levam à felicidade, mas na verdade não passam de pura enganação. O conforto excessivo, riqueza exagerada, más companhias, ambição sem controle, egoísmo, vingança, fofocas, etc. Elisabeth chama de “conversão” o que se deu em sua primeira confissão, que deu origem a um verdadeiro despertar para as coisas divinas. Desde então resolveu lutar energicamente contra o seu defeito dominante, sem que esta aplicação de vencer-se alterasse a sua animação e alegria. Foi progredindo a passos largos. Sua vontade vinha sempre em último lugar. Quanto não teve de renunciar para dar alegria a sua mãe! Teria até mesmo deixado de entrar no seu amado Carmelo, se sua mãe não o tivesse permitido. Também o desapego da família foi algo de muito doloroso para Elisabeth. Porém, o coração livre dilata-se e tem maiores capacidades de amar: amar como Deus ama! “Jesus, meu Amor, minha Vida, ajudai-me; é Preciso absolutamente que eu consiga fazer sempre e em tudo o contrário de minha vontade. Bom Mestre, Sublime Amor, eu Vos imolo essa vontade, para que seja transformada na Vossa. Vo-lo prometo, envidarei todos os esforços para ser fiel a esta minha decisão de sempre renunciar a mim mesma. Nem sempre é tão fácil; mas convosco, ó Jesus, minha força, minha Vida, a vitória não será, porventura, certa?” (Diário 24/02/1899) “Esta doutrina de morrer a si mesmo, que é entretanto lei para toda alma cristã desde que Cristo disse: ´Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me`, esta doutrina que parece tão austera, é de uma suavidade deliciosa quando se olha o termo dessa morte, que é vida de Deus posta em lugar de nossa vida de pecados e misérias. A alma mais livre é, por certo, a que vive esquecida de si mesma. Se me perguntassem qual o segredo da felicidade, responderia que é não mais fazer caso de si, renunciar-se todo o tempo.” Carta 272 Reflexão… “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 23-24) “Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus..” (Col 3,2-3)

Novena à Santa Elisabete da Trindade | 1º Dia com Padre Mario Sartori


PRIMEIRO DIA “Agindo contra – Combate a si mesmo” Sem autodomínio, a vontade fica inconstante, e qualquer outra virtude que se queira edificar sobre ela afunda-se. Para se alcançar o domínio de si mesmo, é necessário uma luta constante, principalmente por meio do sacrifício, da mortificação. Oferecida à Deus, esse sacrifício nos ajuda a purificar os pecados, e unir-nos com mais amor aos padecimentos de Jesus. O sacrifício é apenas aparente, pois vivendo assim, com sacrifício, livra-se de muitas escravidões e no íntimo do seu coração consegue saborear todo o amor de Deus. Precisamos fortalecer a vontade, forjando-a na fornalha da Graça de Deus, e lutando por adquirir, com garra e mortificação, o autodomínio, que nos deixa verdadeiramente livres. A alma nada consegue sem o calor da Graça de Deus, por isso deve fortificar-se com as fontes de graça, que são os Sacramentos, a oração humilde ao Espírito Santo, com o cumprimento dos deveres cotidianos, “em espírito de amor de Deus, de auto-respeito e de generosidade para com os outros, sem sufocar os sentimentos e as tendências, mas canalizando-as numa vida virtuosa.” João Paulo II. Elisabeth, desde pequena tomou a resolução de impor-se a si mesmo uma vigilância constante. Conhecia seu “defeito dominante” e lutou para dominá-lo. Aprendeu a vencer-se por amor. Acompanhava regularmente retiros pregados pelos Padres da Companhia de Jesus, onde inspirou-se em seus propósitos. Habituara-se a renunciar a si mesma, estando sempre pronta a ceder e desaparecer, o que chamou de “agendo contra”. Um verdadeiro combate a si mesma: esta foi a palavra chave de sua alma generosa. “Hoje, tive a alegria de oferecer a Jesus muitos sacrifícios para vencer o meu defeito maior. Quanto me custou! Por isso, reconheço toda a minha fraqueza. Quando recebo uma observação injusta, parece-me sentir o sangue ferver nas veias, tal é a revolta do meu ser. Mas Jesus estava comigo. Ouvia-lhe a voz no fundo do coração, e então estava disposta a tudo suportar por seu amor.” (Diário 30/01/1899)

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Oração à Santíssima Trindade composta pela Santa Elisabete da Trindade


Esta oração de Santa Elisabete resume toda a sua vida de carmelita.

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente, de mim mesma, para me fixar em Vós, imóvel e calma, como se minha alma estivesse já na eternidade: que nada possa perturbar-me a paz, nem me fazer sair de Vós, ó meu Imutável, mas que cada instante me leve mais avante na profundidade de Vosso mistério.

Apaziguai-me a alma, fazei dela o Vosso céu, Vossa morada preferida, o lugar de Vosso repouso: que aí jamais Vos deixe só, mas que esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, completamente entregue à Vossa ação criadora.

Ó Cristo, meu amado crucificado por amor, quisera ser uma esposa para o Vosso coração, quisera cobrir-Vos de glória, amar-Vos…até morrer de amor. Sinto, porém, a minha fraqueza e peço-Vos me revistais de Vós mesmo, identificando a minha alma com todos os movimentos da Vossa, submergindo-me em Vós, invadindo-me, substituindo-Vos a mim para que a minha vida seja uma verdadeira irradiação da Vossa. Vinde a mim como adorador, como reparador, como salvador.

Ó Verbo eterno, palavra de meu Deus, quero passar a vida a ouvir-Vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de Vós: e, depois, através de todas as trevas, todos os vácuos, todas as fraquezas, quero fitar-Vos sempre e ficar sob a Vossa grande luz. Ó meu Astro amado, fascinai-me para que não me seja mais possível sair de Vosso clarão radioso.

Ó fogo consumidor, Espírito de amor, vinde a mim, para que se opere em minha alma como uma encarnação do Verbo: que eu seja para Ele um acréscimo de humanidade na qual renove todo o seu mistério: e Vós, ó Pai, inclinai-Vos sobre Vossa pobre criatura, só considerando nela o muito Amado, no qual pusestes todas as Vossas complacências.

Ó meu “Três”, meu tudo, minha beatitude, solidão infinita, imensidade onde me perco, entrego-me a Vós como uma presa, sepultai-Vos em mim, para que eu me sepulte em Vós, enquanto espero ir contemplar em Vossa luz o abismo de Vossas grandezas.”


https://cleofas.com.br/o-meu-deus-trindade-que-adoro/


A vida de Santa Elisabete da Trindade

sábado, 29 de agosto de 2020

Basta a cada dia o seu cuidado

 

"Em que consiste esta lei universal e absoluta de nos entregarmos a Deus? No dever do momento presente.

Santificar uma vida inteira é consagrar a Deus o momento presente. 

O passado já não existe, o futuro ainda não chegou, só o presente é real e traz consigo o dever. 

É uma insensatez sobrecarregar o espírito com a perspectiva de milhões de ações a oferecer a Deus, de sacrifícios a renovar continuamente, de dificuldades sem número a vencer. Tudo isso é a santidade encarada de modo abstrato, através das lentes de aumento da imaginação. 

A realidade, a vida concreta, é um ato que se oferece a Deus, um dever que se cumpre, uma cruz que se abraça, uma tristeza que se suporta; por vezes também um descanso sob o olhar de Deus, uma alegria que se partilha com Ele, uma tarde que se passa ao Seu lado.

Reduzir a santidade a este único dever da hora presente é torná-la fácil, é entrar nas vistas de Deus, que não quis sobrecarregar-nos com um fardo difícil de suportar. 

Vivei o dia de hoje, diz-nos Ele, e não vos preocupeis com o dia seguinte. O amanhã trará consigo os seus próprios cuidados. Basta a cada dia o seu cuidado (MT 6,34). (...)

(...) O Senhor disse bem: Fazei-vos como crianças (Cf. Mt 18,3). 

A criança não pensa no passado e ainda menos no futuro; permanece junto da mãe, brinca sob a sua vista e sabe que está aos seus cuidados.

'Alma minha, torna-te criança! Repele todas as preocupações do passado, todo o temor e expectativa inquieta em relação ao futuro, e fica com Deus no presente. Serás feliz e tranquila e disporás inteiramente das energias da tua vontade, da atenção do teu espírito, para as aplicares ao dever presente. Só o momento atual conta para ti, só ele contém bens imensos.' Podes a cada instante enriquecer-te para o céu, porque em cada instante encontrarás Deus. 

Ó cegueira das almas! Procuram a santidade exteriormente, percorrem o universo, afundam-se no passado e perscrutam o futuro, correm atrás de quimeras, quando próximo delas, no momento presente, têm a perfeição com todas as suas riquezas, todos os seus dons e todas as opulências; quando próximo delas existe um oceano de santidade, no qual podem mergulhar."

Trecho do livro: O DOM DE SI - José Schrijvers - Cultor de Livros

sábado, 8 de agosto de 2020

São Domingos de Gusmão

São Domingos de Gusmão


Domingos nasceu na Espanha, em Calaruega, perto de Burgos e da abadia de Silos, em 1170. Era filho de Félix de Guzman e de Joana de Aza, mulher que se distinguiu pela grande piedade.


A Domingos, o que o fez santo, foi a educação cristã que recebeu. Instruído primeiramente na piedade, pela bem-aventurada Joana, e depois pelo preceptor, deu-se ao estudo, com afinco, à oração, com calor, às leituras piedosas, com carinho, e às obras de caridade, com afã.

Por espírito de penitência privava-se dos divertimentos permitidos à idade. Assim, enquanto os jovens da cidade, em bandos ruidosos, buscavam o espairecimento, Domingos, recolhido, procurava a Deus.

Estudando nas escolas públicas, vigiavam, com a maior atenção, o coração e os sentidos. Sempre ocupado com as coisas de Deus, falava pouco e, quando a isto era levado, fazia-o com moderação. Conversar, conversava somente com pessoas virtuosas. Era, então, circunspecto e doce ao mesmo tempo.

Os exemplos da mãe inspiraram-lhe grande devoção a Nossa Senhora e um amor pelos pobres fora do comum. Pelos desprotegidos privava-se de tudo o que possuía. Desfazia-se de dinheiro, de livros, de roupas, para ajudar os infelizes. Destarte, aos vinte anos, já despertava, na cidade em que nasceu, a caridade dos condiscípulos e de todos os habitantes daquela Calaruega de 1190.

A todos os filhos, Joana propiciou sólida educação cristã, imprimindo-lhes o selo de Deus, tanto assim que os três filhos que teve se tornaram religiosos: Domingos seria aquele decantado Domingos que atravessaria os séculos; o mais velho professaria na ordem de São Tiago; e o caçula na ordem dos Irmãos Pregadores, fundada pelo grande irmão.

Joana de Aza, quando o trazia ainda em gestação, sonhou, certa feita, que carregava, no ventre, um cão em cuja boca se prendia, e bem preso entre os dentes, um archote de vivo fogo, fogo esse que se destinava a abrasar o mundo.

Que significava tão estranho sonho? Era um símbolo: na Idade Média, o cão designava os pregadores.

Também a madrinha de Domingos teve um presságio quanto à futura posição do afilhado: viu, uma vez, sobre a cabeça do menino, uma estrela, que dava a entender "que um dia o pequeno seria a luz das nações, e que havia de esclarecer os que jaziam nas trevas e à sombra da morte."

É a estrela que aparece nos quadros do Angélico.

Educado, pois, primeiramente pela mãe, Domingos, depois aos cuidados dum tio, que era arcipreste na vizinhança de Calaruega, aos catorze anos, foi enviado a Palência. Ali estudou com ardor, principalmente teologia, distinguindo-se pela vivacidade, amor ao trabalho e virtudes. A caridade, sobretudo, pairava acima das demais qualidades que o adornavam.

O rumor daquele mérito não tardou a chegar aos ouvidos do bispo de Osma. Assim apenas conheceu o jovem Domingos, agregou-o, sem hesitar, ao seu capítulo.

Depois do ano de 1194, terminados com sucesso os estudos, o predestinado jovem de Calaruega foi residir em Osma, onde se tornou um dos suportes da reforma introduzida pelo bispo.

Por nove anos, o Pai dos pregadores levou vida de claustro. Desta fase da vida de São Domingos nada sabemos, senão que foi para todos os que com ele privavam modelo de piedade e regularidade. Giordano da Saxônia, autor de Libellus de pincipiis ord. Praed., conta-nos que o Santo "vivia confinado ao mosteiro", donde saiu para, com Diego de Acebes, então bispo de Osma, cumprir uma nova missão delicada: pedir para o filho de Afonso IX de Castela, a mão duma princesa das Marcas.

Tudo correu maravilhosamente, e ambos tornaram à Espanha a dar conta do sucesso. O rei, satisfeito, fez com que os dois se incumbissem de trazer a princesa, de modo que o bispo e Domingos, de novo, demandaram as Marcas, para, muito tristemente, constatarem que a jovem que iria desposar o príncipe falecera repentinamente. Ao invés de buscar Castela, Diego enviou mensageiro a Afonso IX, para pô-lo ao par do acontecido, e, com Domingos, rumou para Roma.

O objetivo de Diego de Acebes, em Roma, era tratar com o Papa uma questão que, de há muito vinha acalentando: ver-se livre do bispado, porque queria dar-se todo inteiro à evangelização das tribos nômades e idólatras dos Cumanos, na região do Don e do Volga, desejo que o bom bispo não viu satisfeito, em vista das heresias que então devastavam a cristandade: Inocêncio III, simplesmente, recusara-se tratar do caso de Diego de Acebes, já que outros campos de ação se ofereciam ao zelo do bispo e do companheiro.

Em Languedoc, por exemplo, uma nova heresia surgira que devia ser combatida - a albigense.

Do século XII para o século XIII, vivia tranquila e pacificamente entre o Garona e a margem esquerda do Ródano uma população composta de homens simples, sensatos e valorosos, que a história, mais tarde, designaria com o nome de albigenses, homens que, contaminando por pregações apaixonadas que ameaçavam a Igreja, tornaram-se heréticos, rejeitando a autoridade papal e não admitindo a maior parte dos sacramentos. Pelo ano de 1200, estes hereges de Albi, achavam-se espalhados por quase toda a Europa, mas em maior número e, pois, mais perigosamente, ao longo do curso inferior do Danúbio, no norte da Itália e ao sul da França.

A doutrina filosófica da seita calcava-se num velho princípio pagão: a existência de duas divindades, uma boa, que criara as almas, e outra má, que criara o mundo dos corpos. E, ensinando que os homens deviam resguardar-se de tudo aquilo que fosse corpóreo, acabavam os seus adeptos, a rejeitar o matrimônio, a vida de família, tudo aquilo, enfim, que julgavam fosse de encontro com a pura espiritualidade.

Destarte, os mais ardorosos, os mais zelosos, passavam, muitas vezes, a desejar a morte. Tanto pela filosofia como pelo modus vivendi, tais hereges eram, pois, naturais inimigos da Igreja Católica.

O Papa Lúcio III, alarmado com a consistência que tomavam os albigenses, os valdenses, restauradores do donatismo, e outras heresias, reuniu, em 1184, um grande concílio em Verona, do qual participou, espontaneamente, o imperador Frederico I.

Aquele concílio de Verona tomou as mais severas disposições contra os hereges: decretou que os condes, barões e outros senhores jurassem ajudar, e de mão armada, a Igreja, para descobrir e castigar os hereges, sob pena de serem excomungados e perder bens e direitos.

Os demais, que prometessem, também debaixo de juramento, denunciar ao bispo ou aos delegados, todas as pessoas que se suspeitasse viviam, na heresia ou formavam sociedade secretas.

A disciplina canônica, decretada pelo concílio de Verona daquele ano de 1184, faz crer que o estabelecimento da Inquisição datava daquela época.

O advento de Inocêncio III ao pontificado, em 1198, marcou a fase memorável da história da Inquisição. Este Papa, ao ver que a heresia dos albigenses triunfava das bulas apostólicas, insatisfeito com a maneira com que os bispos e delegados executavam as medidas decretadas pelo concílio de Verona, acabou por optar pela adoção de comissários que seriam encarregados de reparar o mal que os prelados não haviam extirpado. E, se não se atreveu, prontamente, a privá-lo da intervenção nos assuntos relativos aos hereges, achou meios de fazer com que a autoridade episcopal se tornasse quase nula.

Em 1203, Inocêncio III encarregou Pedro de Castelnau e a um Raul, ambos monges de Cister, de pregar contra os albigenses. Tais pregações tiveram êxito. Assim, pareceu ao Papa ser favorável o momento para introduzir na Igreja inquisidores dependentes dos bispos, que tivessem o direito de perseguir os hereges.

Diego de Acebes e Domingos de Gusmão, tornaram-se famosos perseguindo hereges com calorosíssimas pregações.

Em 1208, na França, sob o reinado de Filipe II e sob o pontificado de Inocêncio III, teve lugar o definitivo estabelecimento da Inquisição.

Alguns meses antes da morte de Inocêncio III, São Domingos, cujo zelo em agir contra os hereges tornara-o estimadíssimo do Santo Padre, apresentou-se à corte romana com o fito de obter a autorização para fundar uma ordem destinada a pregar contra as heresias.

O Papa acolheu a ideia com grande satisfação, não escondendo a alegria que lhe ia na alma.

Dada a autorização, Domingos, imediatamente, pôs mão à obra: organizou o instituto e impôs-lhe a regra de Santo Agostinho, porque o concílio Lateranense de 1215 proibia novas Regras para ordens religiosas.

Morto Inocêncio III, Honório III subiu ao trono imperecível de São Pedro.

Satisfeito com a conduta de Domingos e dos companheiros, o novo pontífice autorizou a propagação da ordem em toda a Cristandade, de modo que, em pouco tempo, a Espanha e a Itália sentiam os seus efeitos.

Os dominicanos, pois, associados com a Inquisição, foram apóstolos da cruzada contra os albigenses, que o conde de Tolosa, senhor deudal, protegia, conde que chegou ao extremo de, em 1208, assassinar o delegado da Santa Sé, Pedro de Castelnau.

Um dos meios mais eficazes que São Domingos empregou para obter de Deus a conversão dos hereges, ao mesmo tempo, instruir os fiéis, foi a prática e a instituição do Santo Rosário, prática que consiste em se recitar quinze Pai-Nossos, e depois de cada Pai-Nosso, uma dezena de Ave-Marias, para honrar os quinze principais mistérios da vida de Jesus e de sua Santa Mãe. O terço é a sua terça parte. Rezá-lo bem é unir a oração do coração à oração vocal.

Sixto V aprovou o antigo costume de recitar o Rosário. Gregório XIII instituiu a festa do Rosário. Clemente VIII introduziu-a no Martirológio. Clemente XI estendeu-a a toda a Igreja. Benedito XIII inseriu-a depois no Breviário Romano.

Em 1217, para atrair a juventude acadêmica para dentro do clero, o fundador determinou que as Casas da Ordem fossem criadas nas principais cidades universitárias da Europa, que na época eram Bolonha e Paris. Ele se fixou na de Bolonha, na Itália, onde se dedicou ao esplêndido desenvolvimento da sua obra, presidindo, entre 1220 e 1221 os dois primeiros capítulos gerais, destinados à redação final da "carta magna" da Ordem.

No dia 8 de agosto de 1221, com apenas cinqüenta e um anos de idade, ele morreu. Foi canonizado pelo papa Gregório IX, que lhe dedicava especial estima e amizade, em 1234. São Domingos de Gusmão foi sepultado na catedral de Bolonha e é venerado, no dia de sua morte, como Padroeiro Perpétuo e Defensor dessa cidade.

Fonte: http://www.arautos.org.br/especial/17940/Sao-Domingos-de-Gusmao.html

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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