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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dificuldades da Vida Cristã

Dificuldades da vida cristã - O que fazer diante dos ataques dos outros e diante da constatação da nossa própria fraqueza?


Escrevo este texto em resposta à pergunta que uma cara amiga me fez recentemente e que basicamente se resumia a duas partes: 1- por que, se nos decidimos por Cristo de fato, tantas são as pessoas que ficam contra nós, nos fazendo contínua oposição, e somos expostos à perda de "tudo"? 2- Isto significa que, para ser um bom cristão, é preciso ser masoquista, ser de ferro ou ser divino?

***

Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir.
Por tua causa e por teu nome estão todos contra mim (Jer 20,7)

Para que vivemos? Vivemos para nos santificarmos, dirá Sto Afonso. Este é o grande motivo pelo qual Deus nos mantém nesta vida, o que significa que tudo o mais, comparado a isto, é bastante secundário.

A santidade acontece quando há união de vontades, isto é, quando a vontade de Deus se torna a minha, de modo que eu queira o que Deus quer e deteste o que Deus detesta. No entanto, é preciso entender que há uma desordem em nós, fruto do pecado. Este é um fator importantíssimo para entendermos as dificuldades práticas que enfrentamos no decorrer da vida e na luta por sermos pessoas boas.

Esta desordem na alma nos inclina sempre ao egoísmo, explícito ou disfarçado. Isto se torna como que uma tendência natural nossa. Acontece que o egoísmo é o que há de mais oposto à santidade. Logo, se somos egoístas, estamos frustrando a única razão pela qual vivemos. E, no entanto, é um fato que somos fortemente inclinados ao egoísmo. Como resolver este problema?

Negando-nos a nós mesmos. "Quem quiser me seguir - se quiser - negue-se a si mesmo""Quem não faz pouco caso da própria vida, não é digno de mim". São expressões e mandamentos difíceis, mas profundamente curativos e necessários a uma alma que pretenda adquirir saúde. A "vida em plenitude" que Jesus promete não se alcança de qualquer modo. O nosso egoísmo sufoca a nossa alma e não lhe permite fruir da autêntica alegria. Portanto, é preciso dilatá-la - à alma -, arrancando as raízes do egoísmo nela. De início, isto não é confortável; é dolorido, é enfadonho e cansativo, do mesmo modo que é dolorido, enfadonho e cansativo que um doente tenha de fazer exercícios físicos. E, no entanto, é necessário. Submeter-se a esta violência contra si mesmo é o caminho do despertar. "O reino dos céus pertence aos violentos". 

Há que se ter, portanto, um desprendimento de si mesmo, e entender bem todo este contexto: o centro de tudo deve ser Deus, e todo o resto - as amizades, os compromissos, as brincadeiras, os lazeres - deve estar em harmonia com Deus. A aquisição, porém, de uma vontade aguerrida, de um olhar claro sobre o que se deva fazer e de uma compreensão profunda da própria alma, é algo um tanto difícil - na verdade impossível - de se alcançar sozinho. É por isso que precisamos de auxílio. Deus muitas vezes nos ajuda, seja incidindo diretamente sobre nós os seus dons, seja nos tocando indiretamente, através de outras pessoas. Neste último caso, haverá quem nos console e dê forças; mas haverá, também, quem nos importune e incomode, ajudando-nos, dependendo do modo como lidamos com isto, a acelerar o processo de extirpação do nosso egoísmo.

Já dizia um santo: "existimos para amar e tudo quanto existe, existe para tornar o amor possível". S. João da Cruz diz a mesma coisa: "estás aqui para te santificares. Considera que todos estes que te importunam são ajudadores que Deus enviou para que te libertes de ti mesmo".

Além disto, há os que efetivamente nos querem derrubar e estranham quando o nosso discurso alcança o grau de uma firmeza irredutível; sentem-se sutilmente atacados, denunciados na sua tibieza e isto às vezes se transveste, neles, de sobriedade, de realismo e tolerância. Chamam-nos logo de arrogantes e duvidam das nossas intenções. Muitas vezes são sujeitos pretensiosos, afetados de falsa humildade, que entendem ser a virtude um certo tipo de moleza e bom mocismo - uma coisa cosmética que a ninguém deve incomodar - e que fazem as vezes do próprio demônio. Mas, ainda que nos queiram e possam, objetivamente, prejudicar, se estivermos com as devidas disposições de alma, serão, antes, preciosas ajudas.

S. Francisco de Assis, quando atacado por demônios, gritava-lhes o seguinte: "isso mesmo! Meu maior inimigo sou eu mesmo. Se vocês surram este meu inimigo, só estão me fazendo um grande bem."

S. João da Cruz, por sua vez, após passar extremos sofrimentos, aos quais se referia pelo termo "noite", poetizou:

"Oh noite mais amável que a alvorada; oh noite que juntaste Amado com amada, amada já no Amado transformada".

E aí, eu retomo a pergunta: é preciso, então, ser de ferro, masoquista ou ser divino demais?

É preciso, primeiramente, entender que tudo isso é muito real:
a) o nosso orgulho, que precisa ser extirpado da alma e cuja remoção só se consegue com luta;
b) a necessidade de alcançarmos um conhecimento agudo da nossa própria fraqueza, o que nos motivará a pedir com sinceridade o auxílio divino.

Entender ainda que, se a nossa natureza reclama e o nosso ânimo se abate, talvez isto se deva também por estarmos viciados nalguma suposição equivocada, ou presos por caprichos pessoais. A soberba tenta fazer com que o mundo se adéque aos nossos gostos subjetivos. Se, porém, isto não se dá - e não pode se dar - a alma se abate. Daí o grande e salutar segredo do abandono em Deus; da espiritualidade da Pequena Via; do amor aos desígnios de Cristo, sejam eles quais forem. Este tipo de amor, que se entrega, torna-se amor adorante, oblativo, pois nele há uma atitude de sacrifício, de auto-desapego, e de Fé real na bondade divina.

Deus sabe da nossa dor e está disposto a nos ajudar se a Ele nos achegarmos. Para suprir essa nossa necessidade, fez-Se acessível, seja pelos sacramentos, seja pela oração individual. Mas é preciso entender que o Seu amor por nós não pode privá-Lo de trabalhar em nosso favor e isto, muitas vezes, implicará em espremer a ferida purulenta da alma, ainda que doa, para que dela se desprenda a sujeira que a infecta.
Além de tudo isto, Deus às vezes quer ver a nossa fidelidade. Amá-Lo quando todos nos aplaudem seria fácil. Porém, o verdadeiro amor trará sempre a marca da Cruz, pois é este um sinal muito amado por Jesus e com o qual ele marca tudo quanto seja verdadeiramente Seu. Mas é a Cruz a nossa esperança. É como diz a Igreja: Ave Crux Spes Unica.

E quanto aos que se nos opõem? O que fazer a respeito?

Primeiramente, não deixar de rezar por eles e pedir a Deus a graça de amá-los. Depois, não pensar que amá-los significa dar-lhes crédito ou levá-los a sério; às vezes, o correto será dizer-lhes umas boas verdades, ou ignorá-los ou até dar-lhes uma banana. Frequentemente, esses sujeitos são só pessoas infladas de falsa virtude. Penso que o que se deve fazer é não se incomodar com eles, nem ficar a considerá-los interiormente. Se for possível ajudá-los, ajudemo-los. Se não, recomendemo-los a Deus. Mas, no geral, eles podem contribuir para que nos desapeguemos ainda mais de nós mesmos, e isto é o segredo da liberdade.

Já dizia S. Francisco de Assis que a verdadeira alegria existe quando, ainda que apanhando e recebendo ofensas pessoais, sequer movemos interiormente qualquer pensamento raivoso em relação ao sujeito que nos insultou. Isto, claro, é uma realidade muita alta; mas a verdadeira alegria não é, mesmo, qualquer coisa. Não à toa, Jesus fala que devemos nascer de novo. Isto significa, contudo, que devemos trabalhar para que o que antes nos incomodava - porque feria o nosso egoísmo - chegue, então, a não causar sequer qualquer repercussão interior. É o que os espirituais chamam de "santa indiferença", e os orientais chamavam de "apathia". E essa graça só se consegue com muita disciplina e a ajuda de Deus.

Respondendo, então, diretamente às perguntas:

É preciso ser masoquista? Não. Nem devemos sê-lo.

É preciso ser de ferro? Não; e é preciso saber que não somos. Muitas vezes, Jesus permite que caiamos repetidas vezes para que possamos desenvolver a certeza da nossa própria fraqueza, sem a qual Ele mal encontra espaço para fazer qualquer coisa em nós.

É preciso ser divino? Sim, e este é o ponto! Todo o cristianismo é a imitação de um Deus humanado. Se imitamos a um Deus, precisamos agir de modo divino. Porém, isto não depende somente das nossas forças. É algo que Deus realiza em nós, se nos abandonamos. E para alcançarmos esta realidade, cumpre começarmos e, paulatinamente, irmos destruindo esse falso eu ao qual nos habituamos e nos apegamos, mas que não conhece nada do que seja a vida verdadeira. É preciso que nos submetamos, gradativamente, a uma espécie de morte para que, mais e mais, seja o Cristo a viver em nós. E, contudo, isto é uma aventura saborosa; deliciosa; de uma arrebatadora felicidade.

O cristão deve ter uma visão sobrenatural da vida, do mundo, das amizades, de tudo. Deve ter cuidado para não naturalizar as coisas; essa imanência moderna é a causa de todo mal no mundo e o motivo de haverem tantos "cegos guiando cegos", pois faz parte da cegueira espiritual que o cego não se saiba cego e que reduza toda a realidade ao estreito corredor do seu pequeno mundinho.

O cristão deve ter ainda uma disposição aguerrida, dada à luta, entendendo que o que se está buscando não visa, primeiramente, ao conforto da sensibilidade nem à satisfação dos caprichos do ego. Muito pelo contrário, é deste ego que temos de nos livrar. Devemos compreender que o que estamos a seguir e a defender é algo que ultrapassa infinitamente e abismalmente o pequeno pontinho inútil que são os nossos desejos egoístas. É  só quando entendemos esta verdade - quando a entendemos de verdade - que podemos alcançar a liberdade necessária para abrir mão dos nossos caprichos - bem como dos nossos medos -, e elevar os nossos olhos à imensidão infinita do céu; é a livre, suave e deleitosa contemplação desinteressada da Beleza.

Para chegarmos aí, sofreremos. Teremos a cruz como uma companheira diária. Choraremos, também. Seremos incompreendidos. Amigos queridos e familiares nos acusarão de tudo quanto seja. Mas isso Jesus mesmo já dizia: "Por minha causa, em uma mesma casa ficarão três contra dois e dois contra três". No entanto, é pela nossa fidelidade - conquistada com sangue, suor e lágrimas, mas também uma alegria descomunal que, vez ou outra, Ele nos permite vislumbrar - que podemos ter a legítima esperança de que o amor destilado pelo nosso coração alcance estes mesmos que, hoje, nos lançam pedras.

O que digo, enfim, é: coragem! Se poucos levam a sério o cristianismo, seja destes poucos. Também a Elias, o único que estava cuidadoso das coisas de Deus e que se dizia "devorado de amor pelo Senhor dos Exércitos", tentaram ferir. É assim mesmo. 

Já dizia S. João da Cruz:

"Sofrer pelo Amado é melhor do que fazer milagres"

Já dizia Sta Teresa D'Avila:

"As prisões, as ignomínias e afrontas por meu Cristo e por minha religião, são regalos e mercês para mim... cruz busquemos, cruz desejemos, trabalhos abracemos!"

"Não haja, entre nós, covarde! Aventuremos a vida: Não há quem melhor a guarde que o que a deu por já perdida."

"O amor quando já crescido não pode ocioso ficar, nem o forte sem lutar por amor de seu Querido"

Já dizia Sta Teresinha de Lisieux:

"Morrerei no campo de batalhas, de armas na mão".

Já dizia S. Paulo Apóstolo:

"Deus me livre de gloriar-me em outra coisa a não ser na Cruz de Nosso Senhor"

Força, aí! Embora tudo isso pareça meio pesado, a porta estreita tem a propriedade de nos livrar de todo peso inútil. O que nos cansa não é a doutrina de Nosso Senhor, mas a soberba que trazemos conosco. Se dela nos livrarmos, descansamos e tudo fica fácil. Aquele que se dispõe a viver a autêntica vida cristã, esvaziado de toda inutilidade, haverá de fazer a experiência de como o jugo do Senhor é leve e de como é suave o Seu peso.


Medos e Desejos - causas da agitação na alma



A Santa Igreja e os seus santos nos ensinam e recomendam a cultivar a paz interior. É o que diz, por exemplo, S. João da Cruz: "dá-te à tranquilidade", Sta Teresinha de Lisieux, S. Pio de Pietrelcina, entre tantos outros. Há, na espiritualidade católica, grande estima pelo silêncio, pela quietude, pela solidão. O Céu mesmo é, às vezes, retratado como um repouso.

A agitação, ao contrário, perturba a alma. Podemos observar a diferença abismal entre uma alma em paz e outras que se deixam agitar, no evento evangélico da tempestade. As ondas se agitam, os Apóstolos imitam-lhes com o coração e, enquanto isto, o que faz Jesus? Dorme... Uma vez despertado, Jesus faz que o mar se assemelhe à quietude e ordem do seu interior, e tudo silencia....

No mesmo sentido, na casa de Marta e Maria, Jesus elogia esta última por manter-se em paz quieta, afirmando que esta é a melhor parte.

A agitação está na multiplicidade. A paz na unidade e totalidade. Um dos demônios expulsos por Jesus se chamava legião, pois, na verdade, eram muitos. A multiplicidade agita. A unicidade acalma. Quando destacamos algo na multidão, não estamos seguindo a unicidade, pois estabelecemos, no mínimo, uma dualidade entre o que escolhemos e os demais objetos. A multiplicidade permanece. É preciso prezar pela totalidade e, como dizia Sta Clara a S. Francisco de Assis, se notarmos bem, veremos que só existe uma verdade: "Deus é"...

Na mística sanjuanista, a virtude teologal da caridade exige-nos que concentremos todo o nosso afeto em Deus; só assim, amando-O somente, amaremos ordenadamente tudo o que por meio dEle se fez. Quando, porém, não O amamos, perdemo-nos na multiplicidade de objetos, ignorando os laços comuns que os unem e, consequentemente, nosso afeto se dirige a mil direções.

Daí surgem o desejo e o medo. O desejo, agindo sobre a vontade, impele-nos a mil coisas; agita-nos enquanto nos denuncia a falta de algo e se lança, de forma irrefletida, sobre qualquer brilho que perceba nas criaturas. O medo, como um desejo inverso, impele-nos, não em direção a certas coisas, mas em direção oposta; ele nos põe em fuga... O medo nada mais é do que o desejo de que tal situação não se dê.

E, escravos destes dois, do desejo e do medo, nos comportamos como marionetes, passando o dia perseguindo certas coisas e fugindo de outras e, enquanto isto, passa o tempo, e do silêncio somente conhecemos o nome, e da solidão somente sabemos a existência. Nossos inimigos movem-nos à força de ilusões... O amor próprio brinca conosco; sugere ameaças inexistentes, como miragens no deserto, para que nos cansemos numa corrida inútil; enquanto isto, nos apresenta falsos brilhos, sólidos como fumaça, para que, ridiculamente, nos distraiamos com o nosso nada... Verdade suprema é o que disse, certa vez, um anjo a S. Francisco: "Espumas.. Eis quanto pesam os sonhos dos homens".

"Não goste nem desgoste", foi o que li certa vez, e vários paralelos de mesmíssimo sentido se encontram distribuídos nos bons livros espirituais. É preciso educar bem a nossa vontade, a nossa imaginação que, como dizia Sta Teresa D'Avila, "é a louca da casa", disciplinar o nosso interior para que não se tensione em fantasias, medos ilusórios, desejos fúteis, mas, ao contrário, se atenha sobre a Verdade. Esta não muda, abrange toda substância e, se nos firmarmos sobre ela, poderemos, enfim, descansar e silenciar...

"A nada ame com particularidade" S. João da Cruz
"Cessai, e vede que sou Deus" (Sl 45,11)

A ação de Deus na alma quieta

Um pouquinho que Deus opere na alma, neste santo ócio e soledade, é um bem inapreciável, por vezes muito maior do que a própria alma ou quem a dirige possam imaginar. E embora não se veja tanto na ocasião, a seu tempo manifestar-se-á. O mínimo que a alma então pode alcançar, é sentir um alheamento e estranheza em relação a tudo, algumas vezes com maior intensidade do que em outras; ao mesmo tempo sente inclinação para soledade, e tédio de todas as criaturas deste mundo, enquanto respira suavemente amor e vida no espírito. E, assim, tudo quanto não é este alheamento e estranheza causa-lhe dissabor; pois, como se costuma dizer, quando goza o espírito, a carne fica sem prazer. 

São João da Cruz, Chama Viva do Amor

A Perfeita Pobreza Interior por S. João da Cruz

"Cuide de conservar o espírito de pobreza e desprezo de tudo; de outra forma, saiba V. Rev. que cairão em mil necessidades espirituais e temporais. Todas hão de contentar-se com Deus somente. Saibam que só haverão de provar e padecer as necessidades a que sujeitarem o coração: o pobre de espírito, vendo-se à míngua, está mais contente e alegre, porque pôs seu tudo em nada, em coisa alguma; e assim em tudo ele encontra largueza de coração. Feliz é esse nada, feliz esse esconderijo do coração: tem tanto poder que a tudo domina, sem nada querer sujeitar a si próprio e desfazendo-se de preocupações para poder arder em maior amor. As irmãs aproveitem-se dessas primícias de espírito que Deus concede nesse início, para retomar com muita renovação o caminho da perfeição em total humildade e desapego, interior e exterior, não com ânimo pueril, mas com vontade robusta. Sigam a mortificação e a penitência, querendo que Cristo lhes custe algo, e não sendo como os que buscam, em Deus, ou fora dele, seu próprio conforto e sossego; procurem o padecer em Deus e fora dele, por seu amor, no silêncio, na esperança e na lembrança amorosa..."

S. João da Cruz em Carta à priora do recém fundado convento de Córdoba.

Um Pastorinho

Um Pastorinho, só, está penando,
privado de prazer e de contento,
Posto na pastorinha o pensamento,
Seu peito de amor ferido, pranteando.

Não chora por tê-lo o amor chagado,
Que não lhe dói o ver-se assim dorido,
Embora o coração esteja ferido,
Mas chora por pensar que é olvidado.

Que só o pensar que está esquecido
Por sua bela pastora, é dor tamanha,
Que se deixa maltratar em terra estranha,
Seu peito por amor mui dolorido.

E disse o Pastorinho: Ai, desditado!
De quem do meu amor se faz ausente
E não quer gozar de mim presente!
Seu peito por amor tão magoado!

Passado tempo em árvore subido
Ali seus belos braços alargou,
E preso a eles o Pastor ali ficou,
Seu peito por amor mui dolorido.

S. João da Cruz

***
Só esclarecendo:

- O Pastorinho é Jesus;
- A pastorinha é a alma humana;
- A terra estranha é esta terra, chamada pelos místicos de exílio; aqui o santo faz referência à Encarnação de Jesus;
- A árvore é a Cruz.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

São Jerônimo


A Santa Igreja Católica reconheceu sempre a São Jerônimo como um homem eleito por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia Sagrada, por isso foi
declarado Patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender 
e amar mais a Palavra de Deus gravadas nas Escrituras Sagradas

"E as portas do inferno não prevalecerão contra Ela"! Nas eras conturbadas para a Igreja é que aparecem os grandes guias. O período situado entre o final do século IV e meados do século V foi uma dessas eras. Erros e heresias pululavam no seio da Cristandade. Então, surgiram grandes luzeiros de santidade e ciência: Santo Hilário, de Poitiers, Santo Ambrósio, de Milão, o grande Santo Agostinho. HaviaSão Jeronimo_1.jpg ainda um outro luminar que, com os anteriores, formou o conjunto dos "Santos Padres da Igreja": São Jerônimo, cuja festa celebra-se no dia 30 de setembro, o "mês da Bíblia".
Jerônimo de Stridon
Jeronimo nasceu no ano de 342. Era filho de Eusébio, da cidade de Stridon, já na divisa entre a Panomia e a Dalmácia, em terras não distantes de Aquileia, na Itália. Sua família era cristã, nobre e rica. Acompanhando o costume da época, foi batizado apenas aos 18 anos, contudo, teve uma educação cristã desde criança.
Seu pai percebeu logo as precoces aptidões que Jerônimo tinha para os estudos e apenas esperou que ele chegasse à adolescência para enviá-lo a estudar em Roma. Ali usando a pequena fortuna que seu pai lhe deu, procurou os melhores mestres. Tendo, porém, uma juventude um tanto livre.
No centro do mundo civilizado de então, o jovem dedicou-se com afinco aos estudos da gramática, da retórica e da filosofia. Estudou latim tendo como professor de línguas um famoso pagão chamado Donato.
Jerônimo tornou-se um grande latinista, sendo também muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas mais.
Jerônimo e os clássicos romanos e gregos
Ele dedicava horas e horas de seus dias lendo, estudando e até decorando livros de grandes autores latinos: Cícero, Virgílio, Horácio, Tácito, E ainda encontrava disposição para conhecer autores gregos. Entre eles Homero e Platão. Tal era seu entusiasmo e admiração pelos escritores clássicos que logo formou uma biblioteca só com obras deles, chegando até a copiar a mão vários desses livros.
Dedicando tanto tempo a esses autores, quase nunca encontrava ocasião para as leituras cristãs. Totalmente posto nessa situação nada conveniente, ele, contudo, não tinha rompido com os princípios que conhecera na infância, não havia, de todo, cortado os laços com suas raízes cristãs.
Foi, certamente, sua inexperiência juvenil que o levou a mergulhar sem censuras no ambiente mundano e decadente da Roma de seu tempo. Mais que um extraviado exacerbado, ele foi uma vítima do modismo da época.
Tempos mais tarde, Jerônimo admitiu que essa sua atitude o tinha colocado fora do verdadeiro caminho. Apesar disso ele recordava também que Deus não o havia abandonado nunca e que o guiava constantemente. Foi por essa ocasião que ele tornou-se catecúmeno. Continuava seus estudos e preparava-se para ser batizado. Seus domingos em Roma consistiam em constantes visitas às catacumbas. Ali ele meditava sobre a fé dos mártires, admirava a atitude deles e venerava suas relíquias.
Jerônimo batizado
Jerônimo recebeu o santo batismo na idade adulta. Ele foi batizado pelo Papa Libério. Já como cristão batizado, ele fez uma viagem de estudos pelas Gálias. Para acompanhá-lo levou consigo seu irmão de leite Bonoso.
Nessa viagem, em Treveris, ele decidiu entregar-se ao serviço de Deus e, depois de conhecer aSão Jerônimo_3.jpgli uma das mais afamadas academias que existiam no Ocidente, ele continuou sua viagem. Foi primeiramente para a Grécia, depois visitou parte do Oriente Médio. Ali, numa região desértica perto de Antioquia, viveu alguns anos em plena solidão.
Por essa ocasião, ele já tinha começado a dirigir seus estudos para outros pontos do saber humano, fora dos clássicos. Então, ele aproveitou seu tempo para estudar hebreu com um judeu convertido. Sua intenção era poder estudar as Sagradas Escrituras em seu idioma original. Isso não foi fácil: só o fim a que agora destinava seus estudos e o seu constante desejo de conhecimento lhe mantiveram nesse intento.
Ele chega a afirmar que "As fadigas que isto me causou e os esforços que me custaram, só Deus sabe. Quantas vezes desanimei e quantas voltei atrás e tornei a começar pelo desejo de saber; sei-o eu que passei por isso, e sabem-no também os que viviam na minha companhia. Agora dou graças ao Senhor, pois que colho os saborosos frutos das raízes amargas dos estudos" (Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 104. )
Jerônimo: tentações e consolo
Nesse período, as dificuldades e cansaços que estes estudos lhe traziam não eram todo o sofrimento pelo qual ele teve que passar. Para ele, foi necessário enfrentar um inimigo mais sutil, inteligente e mau.
Deus permitiu que o demônio o torturasse. A cada instante o maligno o assaltava com tentações e desejos imundos contra o sexto mandamento. Para combatê-los, Jerônimo entregava-se à oração e à penitência. Eram jejuns que, às vezes, duravam semanas inteiras. Mas Deus não o abandonava!
Em meio às tentações, o Senhor o consolava: "depois de chorar muito e contemplar o céu, sucedia-me, por vezes, ser introduzido dentro dos coros dos anjos. Louco de alegria, eu cantava... (Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 105)
Cristão, não: Ciceroniano!
Jerônimo quis visitar Jerusalém. Queria caminhar pela Terra Santa, venerar os lugares que foram santificados pela presença de Nosso Senhor. Aproveitou a ocasião de sua estada em Jerusalém para aprofundar seus conhecimentos da língua hebraica, ele desejava ter um meio a mais para conhecer melhor as Sagradas Escrituras. Assim, poderia ter mais segurança nas respostas às questões que o Papa São Dâmaso lhe fazia constantemente a respeito de passagens difíceis dos Livros Sagrados.
No entanto, ler a Sagrada Escritura não lhe trazia prazer. Para Jerônimo, o texto bíblico era simples demais e não tinha ornato... Ele  tinha sido formado na leitura dos clássicos latinos e gregos e se acostumara com a "eloquência" e "elegância" da literatura de estilo pagão. Ele sentia muita aridez na leitura da Bíblia. Apesar de ser um sábio para o mundo, um conhecedor com ampla visão das ciências de então, continuava cego para as coisas mais elevadas, as coisas divinas.
Para que ele mudasse de vida, foi necessário que o próprio Deus chamasse sua atenção. Jerônimo, anos mais tarde, contou em carta a uma de suas discípulas, Santa Eustóquia, o que foi que se passou com ele:
Era o ano 374, ele estava na Antiópia e fazia austeras penitencias. Estando em oração, Jerônimo teve uma visão. Ele tinha sido arrebatado aos céus, e se via diante do Juízo de Deus. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo presidia o Tribunal e perguntava sobre seu estado de alma e sua Fé.
- Sou cristão. Responde Jerônimo.  Ao que o Juiz lhe replicou com severidade:
- Mentira!... Você não é cristão, mas ciceroniano...
Isso seria o mesmo que dizer: "Não sois de Cristo, sois de Cícero."
O Juiz mandou que ele fosse açoitado. Os assistentes pediram clemência argumentando que ele ainda era jovem e poderia corrigir-se, arrepender-se e salvar-se. Diante do que lhe acontecia, Jerônimo reconheceu o estado de alma em que se encontrava e nessa situação tomou a única atitude que lhe seria conveniente: reconheceu seu erro, pediu perdão.
É certo que ele percebeu que tinha sido perdoado, então, naquele instante, ele fez o firme propósito de emendar-se, saindo do arrebatamento cheio de compunção e muito arrependido e pleno do amor de Deus.
"Desde aquela hora eu me entreguei com tanta diligência e atenção a ler as coisas divinas, como jamais havia tido nas humanas", conclui o Santo em sua cartSan Jerónimo_Museo-Louvre_Paris.jpga a Santa Eustáquia. (Pe. Ribadaneira, in La Leyenda de Oro, op. cit., p. 644)

Jerônimo convive com Santos
Ele foi, então, para Chalcis, no deserto da Síria e lá passou quatro anos. Tinha uma vida de monge e aproveitou o tempo para aprofundar seus conhecimentos de hebreu e estudar os escritos de São Paulo de Tebas. Jerônimo deixou o ambiente monacal e dirigiu-se a Constantinopla. Ele queria ver e ouvir São Gregório Nanzianzeno. Devido a sua oratória e erudição, esse Santo era conhecido como sendo "o Teólogo".
Durante três anos ele ali permaneceu estudando com São Gregório. Foi ele quem lhe abriu o espírito ao amor pela exegese das Sagradas Escrituras. Foi nessa ocasião também que Jerônimo teve oportunidade de fazer uma grande e profunda amizade com dois outros luzeiros que brilhavam na Igreja do Oriente: São Basílio e seu irmão São Gregório de Nissa.
Jerônimo Sacerdote
Ele esteve algum tempo também na Antioquia da Síria. Ali prestou serviços ao Bispo Paulino que o incentivou a receber o sacramento da Ordem.
Estava com mais de trinta anos quando tornou-se sacerdote. Ele obteve condições especiais de vida sacerdotal. Poderia continuar sua vida como monge e não estar sujeito à jurisdição de nenhuma diocese. Quase nunca exerceu o ministério sacerdotal. Tornou-se um monge para quem o isolamento monacal seria ocasião para dedicação total ao estudo, à reflexão, à oração, tendo em vista a difusão do cristianismo.
Ele pôde nessa ocasião, com muita dificuldade, estudar hebraico e aperfeiçoar seus conhecimentos do grego tendo em vista poder compreender melhor as escrituras em suas línguas originais.
Jerônimo pensou em ir para o deserto a fim de penitenciar-se de seus pecados. Ele pensava especialmente sacrificar-se para afastar de si as fortes tendências e os grandes desejos que o impeliam para a sensualidade. Naquele lugar de silencio e isolamento ele rezava. Jejuava muito e passava noites sem dormir, em oração e sacrifícios. Ali, porém, ele não encontrou a paz. Deus reservava para ele o encontro com uma descoberta: sua missão não era viver na solidão. Jerônimo voltou para Roma.
Jerônimo secretário do Papa
Por causa do modo de ser e da mentalidade dos povos orientais, na Igreja do Oriente havia vários ambientes onde os erros doutrinários encontravam terreno propício para germinarem. As heresias se difundiam e causavam confusão em todo o corpo social.
Era tal a situação que tornou-se necessária uma reação da autoridade espiritual e da temporal. Elas tinham que se unir para defender-se dos erros que ali pululavam.  Para isso o Imperador Teodósio e o Papa São Dâmaso resolveram convocar um sínodo em Roma.
O secretário do evento deveria ser Santo Ambrósio, porém, o culto e famoso bispo de Milão adoeceu gravemente. Para substituí-lo, o Papa convidou Jerônimo. Ele desempenhou esse cargo com muita eficiência e sabedoria. Reconhecendo em São Jerônimo seus dotes extraordinários e seu grande saber, o Papa São Dâmaso quis tê-lo junto de si e o nomeou como seu secretário, assim que terminou o sínodo.
Como secretário Jerônimo tornou-se o encarregado de redigir as cartas enviadas pelo Pontífice. Era dele uma outra atribuição muito importante dentro do governo da Igreja: "responder a todas as questões que se referissem à reSão Jerônimo.jpgligião, de esclarecer as dificuldades das Igrejas particulares [dioceses], das assembleias sinodais, de prescrever àqueles que voltavam das heresias o que eles deveriam crer ou não, e de estabelecer, para isso, regras e fórmulas" (Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d'après le Père Giry, par Mgr. Paul Guérin, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo XI, p. 565)
Jerônimo e as Escrituras Sagradas
O Papa desejava ter uma tradução da Bíblia que fosse o mais fiel possível aos textos originais.
Os textos bíblicos até então existentes tinham imperfeições de linguagem e imprecisões de traduções. O Papa percebia a necessidade de uma tradução que pudesse servir de texto único e uniforme para servir de base para na liturgia, nos estudos e orações dos fiéis, já que as versões populares eram imperfeitas e passiveis de criar confusão entre os fiéis.
Foi então que o Papa São Dâmaso encarregou São Jerônimo de verter o texto das Escrituras Sagradas para o latim. O Papa sabia que seu secretário teria condições para levar a cabo esse importante projeto. Ele já tinha provas do profundo conhecimento que Jerônimo tinha dos textos bíblicos. Sua fama de latinista erudito e poliglota consumado era sabida por todos. Além do latim, ele conhecia bem o grego e o hebraico, e ainda entendia bem o aramaico; línguas muito ligadas aos textos Sagrados.
O trabalho de São Jerônimo abrangeu praticamente sua vida toda. Ele escrevia com elegância clássica o latim e traduziu a Bíblia inteira. Daí foi que surgiu a texto da Bíblia conhecido como "Vulgata", que significa "de uso comum". Essa tradução foi usada largamente em quase quinze séculos. Seu texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar nos últimos tempos, depois de estudos linguísticos exegéticos mais recentes.
No trabalho deixado por São Jerônimo, ele mostra seu agudo senso crítico, um amor extraordinário à Palavra de Deus e uma grande riqueza de informações sobre tempos, usos e lugares relativos à Bíblia Sagrada. O Papa Clemente VIII afirmou que São Jerônimo, nesse trabalho de suma importância, foi assistido e inspirado pelo Espírito Santo.
A dedicação extraordinária que São Jerônimo teve na tradução das Escrituras Sagradas só pode ter, de fato, um motivo de origem sobrenatural. E é o que se confirma ao ver as explicações que ele mesmo deu ao justificar seu empenho nesse importantíssimo trabalho: "Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos de Cristo que diz: ‘Examinai as Escrituras e procurai e encontrareis' para que não tenhais de ouvir o que foi dito aos judeus: ‘Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus'. Se, de fato, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria. Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo". (Pe. José Leite, op. Cit., p. 106.)
Jerônimo perseguido em Roma
Até a morte de São Dâmaso, em 384, Jerônimo permaneceu em Roma. "Todos acorriam a ele, e cada qual procurava ganhar-lhe a vontade: uns louvavam sua santidade, outros a doutrina, outros sua doçura e trato suave e benigno, e finalmente todos tinham postos os olhos nele como em um espelho de toda virtude, de penitência, e oráculo de sabedoria" .(Pe. Ribadaneira, op. cit. p. 645.)
Em Roma, criou-se em torno de Jerônimo amplo círculo de amizades, sobretudo de matronas da alta sociedade que o ajudavam comSan Jerónimo_Catedral-Colonia-Alemania.jpg seus recursos para custear seus trabalhos e que lhe orientava nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico.
Porém, os altos cargos que exercia, a dureza com a qual tinha que corrigir os defeitos existentes no seio da alta classe social lhe trouxeram também todo tipo de invejas. Em Roma, onde não aceitavam seu modo enérgico de correção, Jerônimo sentia-se incompreendido e caluniado. Após a morte do Papa São Damaso, os inimigos de São Jerônimo iniciaram uma verdadeira campanha de difamação e perseguição contra ele.
erônimo troca Roma por Belém
Tal era o ambiente que se criou em Roma contra Jerônimo que ele decidiu afastar-se da Cidade Eterna indo, definitivamente, para a Terra Santa. Estabeleceu-se em Belém onde ficou com Santo Eustáquio, Santa Paula e sua filha Eudóxia e outros mais seguidores pregando na Palestina e no Egito.
Várias das ricas senhoras romanas que haviam se convertido através de seus ensinamentos e conselhos o acompanharam e foram morar junto à Gruta do Presépio, sob sua orientação espiritual Fundaram, sob a direção do Santo, um mosteiro masculino e um feminino, este dirigido por Santa Paula. Estas senhoras haviam vendido tudo que tinham em Roma. Com o dinheiro obtido ajudaram São Jerônimo na construção de um convento para homens e três para mulheres, além de construir uma casa para atender peregrinos que chegavam de todas as partes do mundo para visitar o lugar onde havia nascido Jesus.
São Jerônimo, porém, levava vida como monge de penitencias rígidas. Seus últimos 35 anos ele os passou em uma grande cova, próxima à Gruta do Presépio. Ali continuou, até a morte, seus estudos e trabalhos bíblicos e com muita energia ainda escrevia contra os herege que se atreviam a negar as verdades da Santa Igreja Católica, entre eles Helvídio e Joviano.
São Jerônimo e Santo Agostinho
Houve um princípio de polêmica entre os dois grandes Doutores da Igreja, Santo Agostinho e São Jerônimo. Tudo porém foi explicado: tratava-se de um mal-entendido entre esses dois luminares do cristianismo. Tudo foi explicado, as coisas se puseram em seu devido lugar e uma amizade que nunca havia se rompido, continuou cheia de respeito. Eles continuaram unidos até a morte, melhor seria dizer até no Céu.
São Jerônimo dizia que Santo Agostinho era "seu filho em idade, e seu pai em dignidade", uma vez que era Bispo. Por seu lado, o Bispo de Hipona escreveu-lhe: "Li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que não quereria, para aproveitar em meus estudos, senão poder estar sempre a vosso lado". (7 - Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 307.)
No dia 30 do mês de setembro do ano 420, falece São Jerônimo. Estava avançado em idade e crescido em virtude faleceu. No mesmo dia, em visão, ele aparecia a Santo Agostinho e descrevia como era o estado das almas bem-aventuradas no Céu...
O Leão de São Jerônimo
Numa certa tarde, como faziam todos os dias nas horas canônicas, os monges estavam reunidos ouvindo as lições do dia durante. São Jerônimo estava entre eles e ouvia atento. De repente, todos perceberam que um leão se aproximava. Foi uma correria geral. São Jerônimo manteve a calma: foi o único. Ele levantou-se e foi encontrar-se com aquele hospede não convidado...
Era um animal enorme que usava somente três patas para caminhar. A quarta pata ele a trazia levantada. Claro que o leão não poderia falar, mas dava a impressão de querer comunicar alguma coisa e ofereceu a Jerônimo a pata que trazia levantada. O monge aSão Jeronimo_4.jpgexaminou e percebeu que o animal estava gravemente ferido.
Jerônimo chamou o menos medroso dos monges para ajudá-lo a limpar e cuidar do ferimento que estava em carne viva, infeccionado e ainda cheio de espinhos. Jerônimo tratou do animal, retirou-lhe os espinhos e o medicou com unguentos. O animal sarou.
Os cuidados oferecidos ao animal amansaram a "besta fera". O leão passou, então a caminhar pacificamente pelo mosteiro. Onde estivesse São Jerônimo, junto estava o animal que se comportava como um animal doméstico.
Jerônimo mostrou aos monges uma primeira lição do episódio: "Pensem sobre isto e vocês poderão encontrar lições de vida. Eu creio que não foi tanto para a cura de sua pata que Deus o enviou até nós, pois, o leão se curaria sem a nossa ajuda. Deus nos enviou esse leão para mostrar quanto a Providencia estava ansiosa para nos prover do que necessitamos para nosso bem."
 jumento foi roubado ou comido pelo Leão?
Os monges sugeriram então que o leão fosse usado para acompanhar e proteger o jumento que carregava a lenha para o mosteiro. E, por muito tempo, assim foi: o leão guardava o jumento enquanto este trabalhava.
Um dia, porém, o leão dormiu enquanto o jumento pastava e alguns mercadores que por ali passavam roubaram o jumento. O leão acordou e passou a procurar o jumento. Procurou todo o dia, sem encontrá-lo. Voltou para o mosteiro e ficou diante do portão. Parecia ter consciência de sua culpa: não tinha mais o andar imponente que parecia quando andava ao lado do burrico.
Alguns monges concluíram que o leão tinha comido o jumento. E se recusaram a alimentá-lo, enviando de volta para comece o resto de sua vítima. Será que havia sido o leão que dera cabo do jumento? Jerônimo mandou que procurassem a carcaça do jumento. Eles não encontraram nada e não viram sinais de violência.
Ao saber disso São Jerônimo disse: " Eu fico triste com a perda do asno, mas não façam isto com o leão. Tratem dele como antes, deem comida para ele. Ele fará o serviço do jumento: deverá trazer em seu lombo a lenha que necessitamos." E assim aconteceu.
Um Leão que cumpre a vontade de Deus
O leão regularmente fazia a sua tarefa, mas continuava a procurar o seu velho companheiro. Um dia do alto de uma colina e viu na estrada homens montados em camelos e um deles montando um jumento.
O leão foi ao encontro a eles. Aproximando-se, reconheceu o seu amigo e começou a rugir. Os mercadores assustados correram deixando para trás o jumento, os camelos e a carga que traziam.  Como faria um cão pastor, o leão conduziu os animais para o mosteiro.
Quando os monges viram aquele desfile inusitada correram até São Jerônimo. E foi até os portões e os abriu dizendo: "Tirem a carga dos camelos e do jumento, lavem suas patas e deem comida para eles. Esperemos para ver o que Deus queria mostrar a este seu servo quando nos deu o leão".
Confie na sua Ovelha
Os monges seguiram as instruções de Jerônimo. O leão começou a rugir de novo e a balançar sua cauda, alegremente. Pesarosos por causa do que pensaram sobre o Leão, relembraram um pensamento conhecido na região: "Irmão, confie na sua ovelha, mesmo que se por um tempo ela pareça um ganancioso rufião. Deus fará um milagre para curar o seu caráter".
Jerônimo, sabendo o que iria acontecer disse: "Meus irmãos, preparem boa água, refrescos e frutas pois, chegarão novos hóspedes que deverão ser bem tratados'. Tudo aconteceu como o Santo pediu. E logo um grupo de mercadores estava diante do portão. Embora tivessem sido bem recebidos pelos monges, correram até São Jerônimo e prostraram-se a seus pés, pedindo perdão e agradecendo o acolhimento.
Jerônimo ainda disse aos monges: "deem os refrescos a eles e deixem partir com os seu camelos e suas cargas". Através do Leão, Deus supre as necessidades do mosteiro.
Os mercadores, como retribuição e gratidão, ofereceram metade do óleo que os seus camelos carregavam para que fosse usado nas lâmpadas do mosteiro e ainda deixaram alimentos para os monges. Então, o chefe dos mercadores ainda disse: "Nós daremos todo óleo que vocês precisarem durante todo ano e nossos filhos e netos serão instruídos de também seguirem esta ordem: nada de sua propriedade será jamais tocada por qualquer de nós ".
São Jerônimo aceitou a oferta e os mercadores de sua parte aceitaram os refrescos e partiram com a benção do Santo, voltaram alegres para o seu povo.
São Jerônimo, tirando uma lição de toda essa história, respondeu a pergunta que ele mesmo havia feito anteriormente: "vejam meus irmãos o que Deus tinha em mente quando nos mandou o seu leão"!
Esta narração foi adaptada por nós. Ela procura dar uma breve explicação do porque a iconografia costuma apresentar São Jerônimo com um leão junto dele.
No livro "Vita Divi Hieronymi" (Migne. P.L., XXII, c. 209ff.) traduzido para o Inglês por Helen Waddell em "Beasts and Saints" (NY: Henry Holtand Co., 1934), é onde podemos encontrar essa narração por inteiro. (JSG)
Fontes:
http://www.acidigital.com/santos/santo.php?n=96 
http://www.franciscanos.org.br/carisma/artigos/saojeronimo.php 
http://evangelizacaoefe.blogspot.com/2009/10/vida-de-sao-jeronimo.html

domingo, 20 de abril de 2014

Alimentos e Espiritualidade



Então lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. (Marcos 7:19-20)

O que comida tem a ver com espiritualidade? Muita coisa, para dizer a verdade. A alimentação saudável é um dos pilares do adventismo do sétimo dia e das igrejas messiânicas. A abstinência de certos alimentos também é uma marca do judaísmo e do islamismo. Muitas ofertas feitas nas religiões afro-brasileiras envolvem comida. E até mesmo o cristianismo trata do assunto, quando aponta a gula (ou glutonaria) como um pecado:
invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. (Gálatas 5:21)


E por que a comida é tão importante? Ela não é apenas uma forma do corpo obter energia para a execução de suas atividades? O que algo tão "material" tem de tão importante?
Em primeiro lugar, não podemos esquecer que alimentação é um assunto de vida ou morte. Por causa da fome, conflitos ainda hoje eclodem no mundo. Por outro lado, a obesidade e a má alimentação provocam uma série de problemas de saúde, como doenças do coração, pressão alta e até mesmo ajudam a formar cânceres. A nossa relação com a comida também pode dizer muita coisa sobre o nosso caráter e emoções. Carência e tristeza podem ser compensadas com dois litros de sorvete de chocolate. Por outro lado, seguir uma dieta à risca é uma grande prova de persistência e disciplina.

No entanto, há um aspecto em que o cristianismo se diferencia de outras religiões. Judaísmo, islamismo, adventismo e messianismo tendem a enxergar algo de mal nos alimentos em si, daí a abstinência. A picanha gorda, o toucinho, os vegetais com agrotóxicos e a cachaça fazem mal, logo, o ato de consumi-las é um pecado ou, no mínimo, uma falta de respeito com o próprio corpo, uma forma de desequilibrá-lo. Abster-se dessas coisas é, simbolicamente falando, uma forma de se abster de tudo aquilo que é mal.

A Bíblia, ao contrário, condena o excesso (glutonaria), mas permite o livre acesso a todo tipo de alimento, inclusive ao pernil de porco natalino. O que isso ensina?

1) O verdadeiro problema do homem é interior, e não exterior.Espiritualizar demais os alimentos é atacar o problema errado. O pecado, o desequilíbrio, a enfermidade (segundo a Bíblia, a morte entra no mundo pelo pecado)...em última análise, tudo isso encontra a sua raiz no pecado do coração humano, e não em coisas exteriores, como a comida. O alimento, por si só, é puro. Como disse Jesus:

E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos esses males vêm de dentro e contaminam o homem. (Marcos 7:20-23).


2) A matéria não é má. Tudo o que Deus criou é bom. Uma outra conseqüência da abstinência de alimentos é que esse comportamento reforça a crença de que a matéria (ou parte dela) é má. Abster-se de certas comidas é uma forma de se desligar deste mundo e se tornar mais "espiritual". Mas, quando se age desta maneira, acaba-se condenando algo BOM que foi criado por Deus. Como diz Paulo:

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios (...) que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações
de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade. (1 Timóteo 4:1-3)Cabe aqui lembrar que mesmo vilões como o colesterol, a gordura e os açúcares são necessários a todo ser humano. O atleta mais "seco" da Terra possui algum percentual de gordura e se vale dos carboidratos como fonte de energia. O problema não está na picanha em si, está no seu consumo exagerado (glutonaria). Um outro problema é o sedentarismo, que pode perfeitamente ser chamado de preguiça (um pecado no qual tenho caído). Mas não o alimento em si.

3) Nem excesso e nem abstinência, mas equilíbrio. No que diz respeito às coisas materiais (sexo, comida, álcool e até dinheiro ) os extremos são errados. A Bìblia condena uma vida de prostituição, glutonaria, bebedices e avareza. Mas ela não exige o celibato e a pobreza de todos. A anorexia, com certeza, é pecado. Em todas essas matérias, o segredo da espiritualidade (e da saúde) é o equilíbrio: casamento, comida e bebida com moderação e contentamento com o que se tem.
Gostaria, no entanto, de fazer um esclarecimento sobre agrotóxicos e certos elementos industrializados, como a gordura trans. Hoje, um número muito maior de pessoas se alimenta graças aos agrotóxicos, que permitem uma redução de pragas. Claro, esse uso precisa ser controlado e ambientalmente responsável, senão é pecado, e dos grandes, o de matar pessoas por causa de lucro. O mesmo pode ser dito de certos componentes criados industrialmente que não trazem nenhum benefício nutricional real.

No entanto, isso não significa que abister-se de certos alimentos seja sinal de espiritualidade. Não é. Mas também, nada contra os cristãos se envolverem com campanhas de reeducação alimentar saudável. Até porque os valores bíblicos de moderação tem MUITO a ensinar sobre este assunto.

sábado, 19 de abril de 2014

Profecias de Marie-Julie Jahenny (Mística da Santa Igreja Católica)

A mística e estigmatizada de La Fraudais, talvez a mística mais importante da história da Igreja, nasceu em 12 de fevereiro de 1850, em uma aldeia chamada Blain, na Bretanha (oeste da França). Ela era a mais velha de cinco filhos, e foi criada por pais humildes e bons, com uma fé forte, pela qual são conhecidos os nativos da Grã-Bretanha. Nosso Senhor a tratou com muitas graças desde o momento de sua Primeira Comunhão, graças às quais ela respondeu com uma crescente devoção. Ingressou na Ordem Terceira Franciscana com um pouco mais de 20 anos, a fim de santificar-se no mundo.
Em 1873, recebeu do Céu este dom místico tão singular, os estigmas. A partir dos 23 anos até sua morte, cerca de sessenta anos depois, trouxe no seu corpo as Chagas de Nosso Senhor de uma forma mais visível do que qualquer outro estigmatizado na história da Igreja. Além das Cinco Chagas das Santas Mãos, Pés e no Lado, Marie-Julie sofreu as Feridas infligidas pela Coroa de Espinhos e a Cruz na Santa Cabeça e nos Ombros de Nosso Senhor, respectivamente, as Feridas da sua Flagelação, as causados pelas cordas com as quais foi atado, bem como outras Feridas de natureza mística.
A partir desse momento, Marie-Julie viveu sua vida de sofrimento corredentor (como uma alma vítima) em uma pequena cabana na aldeia de La Fraudais, perto de Blain. Assim, cumpriu com o desejo de Nosso Santíssimo Senhor para fazer reparação pelos pecados da França e do mundo. Ela foi agraciada com visões frequentes de Jesus e Maria, e com muitas luzes proféticas.
A veracidade das advertências do Céu das quais ia ser a humilde mensageira foi vindicada por sua simplicidade e honestidade, sua obediência exemplar a seus diretores espirituais e a seu Bispo, e, claro, pelo cumprimento de tudo o que profetizou durante sua longa a vida. Com precisão infalível, profetizou as duas Guerras Mundiais, a eleição do Papa São Pio X, as diversas perseguições à Igreja, o castigo e o destino da França apóstata. Ainda há muito a ser divulgado. Suas advertências sobre o fim dos tempos deveriam ser lidas por “todos os que têm ouvidos”.
Ela tinha o dom maravilhoso de distinguir o pão Eucarístico do pão comum; objetos que haviam sido abençoados e aqueles que não tinham sido; de reconhecer relíquias e saber de onde se originaram, e, finalmente, de entender em vários idiomas hinos e orações litúrgicas. Durante um período de cinco anos, a partir de 28 de dezembro de 1875, sobreviveu apenas da Santa Eucaristia. De acordo com as anotações do Dr. Imbert-Gourbeyre, ao longo deste período, não houve secreções líquidas nem sólidas. Durante seus êxtases estava totalmente insensível à dor e à luz intensa. Alguns de seus êxtases eram acompanhados por levitação; naqueles momentos se encontrava extaticamente leve.
Marie-Julie foi um verdadeiro assombro para os inúmeros cientistas que a examinavam o tempo todo; desprezada pelos incrédulos e os soberbos, tinha a admiração de seu amigo ao longo da vida, Monsenhor Fourier, Bispo de Nantes, e do círculo de devotos que dedicaram suas vidas para espalhar a sua mensagem para um mundo ingrato e surdo. Ela foi à sua recompensa celestial em 04 de março de 1941 (com 91 anos).
Cega, surda, muda e deficiente, sobreviveu milagrosamente apenas com o Santíssimo, nos numerosos últimos anos de sua vida. É claro, então, que não podemos deixar passar levemente o que lhe foi confiado por Deus para nosso benefício nestes tristes dia.
As Profecias
Ela teve uma visão de um diálogo entre Nosso Senhor e Lúcifer, e o segundo disse: “Atacarei a Igreja. Tirarei a Cruz, dizimarei a gente, depositarei uma grande fraqueza da Fé em seus corações. Haverá um GRANDE REPÚDIO DA RELIGIÃO. Por um tempo, serei o DONO de tudo, e tudo estará sob MEU CONTROLE, até mesmo Teu templo e todo o teu povo”.
“San Miguel diz que Satanás fará tudo por um tempo e que reinará completamente sobre tudo; que toda a bondade, Fé, Religião será enterrada no túmulo… Satanás e os seus triunfarão com alegria, mas depois deste triunfo, o Senhor, por Sua vez, reunirá o Seu povo e REINARÁ e TRIUNFARÁ SOBRE O MAL LEVANTARÁ do túmulo a Igreja enterrada, a Cruz prostrada…”.
Marie-Julie viu que “não restará vestígio do Santo Sacrifício, nem traço aparente de Fé existirá a CONFUSÃO em toda parte…”.
“Todas as obras aprovadas tais como existem hoje pela Igreja infalível cessarão por um tempo. Nesta triste aniquilação, sinais brilhantes se manifestarão na Terra. Se por causa da maldade dos homens a Santa Igreja se encontrará na escuridão, o Senhor também enviará a escuridão para impedir os maus em suas busca do mal…”.
Em 27 de novembro de 1902 e 10 de maio de 1904, Nosso Senhor e Nossa Senhora anunciaram a conspiração para inventar a “Missa Nova”:
“E os ADVIRTO. Os discípulos que não são do Meu Evangelho estão trabalhando duro para refazê-lo segundo as suas ideias e sob a influência do inimigo das almas uma MISSA que conterá palavras que são ODIOSAS à minha vista”.
“Quando chegar a hora fatídica quando os meus sacerdotes serão postos à prova, serão (estes textos) os que serão celebrados neste SEGUNDO período… O PRIMEIRO período é o do Meu sacerdócio que existe desde que Eu o fundei. O SEGUNDO é o da perseguição, quando os inimigos da Fé e da Santa Religião, que imporão suas fórmulas, no livro da segunda celebração… Esses espíritos infames são aqueles que Me crucificaram e estão esperando o reinado DO NOVO MESSIAS” da nossa vida.
Marie-Julie Jahenny (junho 1881).
“Nesta aberração, os sacerdotes quebrarão seus juramentos. O Livro da Vida contém a lista dos nomes que quebram seu coração”.
“Pelo pouco respeito que tem para com os Apóstolos de Deus, o rebanho se torna indiferente e deixa de observar as leis. O próprio sacerdote é responsável por esta falta de respeito, porque ele próprio não respeita seu sagrado ministério, e o lugar que ocupa nas suas funções sagradas. O rebanho segue os passos de seus pastores; e isso é uma grande tragédia”.
“O clero será severamente castigado por sua veleidade inconcebível e sua grande covardia que ele é incompatível com suas funções”.
“Um terrível castigo está preparado para aqueles que erguem todas as manhãs a pedra do Santo Sacrifício. Eu não vim para seus altares para ser torturado. Sofro mil vezes mais por esses corações do que nenhum outro. Vos absolvo dos vossos pecados grandes, Meus filhos, mas não pode conceder nenhum perdão a estes sacerdotes”.
Ela (Marie-Julie Jahenny) diz: “aqueles que governam o rebanho” serão os culpados pela crise que virá. Parece que o comunismo não teria triunfado se a Igreja tivesse permanecido fiel. Ela menciona um Papa que, no último momento, inverterá a sua política e fará um apelo solene ao Clero.
Mas não será obedecido; pelo contrário, uma Assembleia de Bispos vai exigir ainda mais liberdade, declarando que já não obedecerão ao Papa.
Marie-Julie, então, diz que a Revolução Vermelha estourará. Ela fala de uma “religião horrível” que substituirá a Fé Católica, e vê “muitos, muitos Bispos” abraçando esta “religião sacrílega e infame”.
As profecias de Marie-Julie sobre a nova liturgia:


Em 27 de novembro de 1902 (Nota do Editor: o 72º aniversário da Aparição da Medalha Milagrosa [27 de novembro de 1830]) e no dia 10 de maio de 1904, Nosso Senhor advertiu sobre a nova liturgia que um dia seria instituída:

“Os advirto. Os discípulos que não são do Meu Evangelho estão trabalhando duro para refazê-lo segundo as suas ideias e sob a influência do inimigo das almas uma Missa que conterá palavras que Me são odiosas Quando chegar a hora fatídica quando a fé de Meus sacerdotes será posta à prova, serão estes textos que serão celebrados neste segundo período…”.
“O primeiro período é o do Meu Sacerdócio, existente desde Mim. O segundo é o da perseguição, quando os inimigos da Fé e da Santa Religião irão impor suas fórmulas no livro da segunda celebração. Muitos dos Meus santos sacerdotes rejeitarão este livro, selado com as palavras do abismo. Infelizmente, entre eles haverão os que o aceitarão”.
Em 10 de maio de 1904, Nossa Senhora descreve o novo clero e sua liturgia:
“Não deixarão neste caminho odioso e sacrílego. Irão ainda mais longe para envolver tudo no instante, e de um só golpe, a Santa Igreja, o clero e a Fé de meus filhos”.
Ela anuncia a “dispersão dos Pastores” pela própria Igreja, verdadeiros pastores, que serão substituídos por outros do inferno: “… Novos pregadores com novos sacramentos, novos templos, novos batismos, novas confraternidades”.
07 de julho de 1880, Jesus diz a Marie-Julie: “A Igreja será privada de seu chefe supremo, agora que o governo (…). O Chefe da Igreja será ofendido de maneira escandalosa”.
Durante o êxtase de 04 de novembro de 1880, Marie-Julie nos descreve o martírio do Papa: “A voz da Igreja, com um suspiro velado, vem a romper as portas de minha alma com o eco do som de sua voz moribunda. O Sumo Pontífice lança uma oração agonizante a seu povo, aos filhos dos quais é o Pai. É uma espada para a minha alma… Eu vejo aves brancas que levam em seus bicos seu sangue e pedaços de sua carne. Eu vejo a mão de Pedro quebrada pelo prego como o de DEUS. Vejo suas roupas cerimoniais em farrapos, roupas que vestem sua dignidade para derrubar DEUS do altar. Eu vejo tudo em meu sol (Nota… a palavra poderia ser ‘filho’ em vez de sol – em Inglês a palavra ‘sun’é sol e ‘son’ é filho). Oh, como eu sofro!”.
Três dias de escuridão
Os três dias de escuridão tem sido profetizados por muitos santos, incluindo Padre Pio. Marie-Julie Jahenny está entre os muitos santos que passaram por esta terra e que nos alertaram deste castigo vindouro.
Marie-Julie anunciou os três dias de escuridão durante os quais os poderes do inferno serão desencadeados e correrão todos os inimigos de Deus. “A crise explodirá repentinamente, os castigos serão compartilhados por todos e acontecerão um após o outro sem interrupção…”. (04 de janeiro de 1884).
Os três dias de escuridão “será a QUINTA, SEXTA E SÁBADO. Os dias do Santíssimo, da Cruz e de Nossa Senhora…”. Três dias menos uma noite.
“A terra será coberta de escuridão”, diz Nossa Senhora em 20 de setembro de 1882, “E O INFERNO SERÁ LIBERTADO NA TERRA. Trovões e relâmpagos farão com que aqueles que não têm fé nem confiança em Meu Poder morram de medo”.
“Durante esses três dias de escuridão aterradora, nenhuma janela deverá ser aberta, porque ninguém será capaz de ver a terra e a terrível cor que terá nesses dias de castigo sem morrer no ato…”.
“O céu estará ardendo, a terra se partirá… Durante esses três dias de trevas que se acenda a vela abençoada em toda parte, nenhuma outra luz brilhará…”.
“NINGUÉM FORA DE UM ABRIGO… sobreviverá. A terra tremerá como no juízo e o terror será enorme. Sim, ouviremos as orações de vossos amigos; NENHUM PERECERÁ. Precisaremos deles para publicar a glória da Cruz…”. (08 de dezembro de 1882).
“APENAS AS VELAS DE CERA BENTA DARÃO LUZ durante essa terrível escuridão. UMA VELA só bastará para a noite dessa noite de inferno… nas casas dos ímpios e dos que blasfemam estas velas NÃO DARÃO NENHUMA LUZ”.
E Nossa Senhora declara: “Tudo será sacudido menos o móvel em que repousa a vela benta Não tremerá Vocês vos juntareis ao redor do crucifixo e minha santa imagem. Isto é o que manterá afastado esse terror…”.
“Durante esta escuridão, os demônios e os ímpios tomar FORMAS DAS MAIS HORRIVEIS… nuvens vermelhas como sangue se moverão pelo céu. O trovão estrepitoso estremecerá a terra e sinistros relâmpagos riscarão os céus fora do tempo. A terra será sacudida desde seus alicerces. O mar se levantará e suas ondas furiosas se estenderão sobre os continentes…”.
“A TERRA SE TORNARÁ UM ENORME CEMITÉRIO. Os corpos dos ímpios e dos justos cobrirão o solo”.
“Três quartos da população mundial desaparecerão. Metade da população da França será destruída”
(Marquês de Franquerie, Marie-Julie Jahenny).
OBS> Estão aqui algumas das revelações mais sérias sobre a nossa Igreja e nosso tempo. Está acontecendo tudo conforme ela disse, e faz mais de 100 anos que a Igreja sabe disso, mas infelizmente não alerta o povo, que será pego praticamente na totalidade, de surpresa.
Jesus mesmo falou que seria como nos tempos do dilúvio, e hoje, para ser bem magnânimo eu diria que nem um em cada mil católicos sabe do que o espera. E sobre o resto da humanidade, diria que nem um em um milhão está plenamente consciente do que virá a este mundo de pecados.
No último artigo citei já alguns sinais da batalha que virá entre a Igreja de Pedro – onde nós deveremos estar agarrados – e a antiigreja dos homens, voltada para a terra. Está bem claro isso em nosso Catecismo, prevendo que no fim dos tempos haveria uma falsa igreja que glorificaria o homem, mas quantos sacerdotes nós temos entre os mais de 400 mil que estudam o Catecismo de nossa Santa Igreja, E O SEGUEM?
Acima vimos como a santa prevê castigos terríveis para estes maus sacerdotes, que se voltam exclusivamente para o bem estar físico das pessoas, ação que tem um único objetivo: justificar o PRÓPRIO BEM ESTAR. Falam e se esbaldam em pobres e em marginalizados, mas vivem como nababos, gordos, lustrosos, em roupas de marca ao invés de sandália despregada e batina surrada. Somente assim teriam moral para estar com os pobres.
Hoje mesmo recebi a carta de uma leitora que me enviava a resposta de um sacerdote que disse ter lido o texto ALGO O DETÉM, e nos mandava ao invés de pensar desta forma e rezar ir buscar os drogados e os usuários de crack. Ao que lhe disse: se ele ensinasse as pessoas a rezar o Rosário em família, a viver uma vida sacramental santa, se pregasse uma boa e santa catequese como era sua obrigação, não haveria famílias desestruturadas e menos ainda usuários de crack. Que combata as causas, não os efeitos. Afinal, uma casa cheia de AVE MARIA é uma casa cheia de graças.
Mas é esta a falsa igreja que em breve se apresentará, mudando a fórmula sagrada da consagração e cometendo o horrível sacrilégio, conforme previu o profeta Daniel. Quando isso acontecer, o braço da Justiça Eterna desabará sobre este planeta. Como disse a santa, ¾ partes da humanidade, desaparecerão… E podem sobrar apenas ¼ dos filhos. Se não acreditarmos numa pessoa que viveu esta mística, merecemos é a vara da Justiça.
Termino com mais um extrato da mema mística:
O Santo Padre solicitará à juventude para que combata pela salvação da Igreja. A terra inteira sofrerá crises terríveis, na fé e na religião. Será estabelecido um regime democrático popular, com leis ímpias e perseguições à Igreja, ao nome de cristãos e à liberdade.
Deus castigará com vara de ferro a apostasia das massas e das nações. Será o império de satã em toda a terra, com perseguições religiosas desapiedadas, pilhagens e carnificinas sem conta. Haverá uma apostasia geral. Haverá um pequeno número de fiéis que sustentará a fé. Estes serão contraditados, expulsos, ridicularizados, insultados e postos na prisão. Toda a juventude será enganada e imediatamente cairá em uma podridão cujo fedor será insuportável.
Acreditem, o mundo está muito pior do que estes 1 em 1000 acreditam. Só um cego ou louco nao percebe que a juventude mundial está nesta podridão, sinal dos tempos. Fedem a bebidas, drogas, piercings, tatuagens, girias, sexo livre e todo tipo de pecado que ofende a Deus. (Aarão)

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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