Páginas

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Espiritualidade e Vida Cristã

Se pudéssemos definir espiritualidade, poderíamos dizer que a mesma trata dos movimentos da alma rumo a Deus. Por isso, espiritualidade não é algo iminentemente cristã. Temos espiritualidade budista, kardecista, Islâmica etc. Não vamos entrar aqui no mérito da questão de qual é a verdadeira, qual é a falsa, se todas são verdadeiras e coisas desse gênero. Apesar de crer que a espiritualidade cristã, fundamentada num relacionamento com o Cristo vivo – único caminho que nos conduz ao Pai – seja a única genuína, o propósito do texto não nos abre espaço para tais considerações.
Quando refletimos acerca do que a espiritualidade cristã é, isso faz-nos deslumbrar o grande milagre da salvação da alma humana através de nosso Santo e Bendito Senhor Jesus Cristo. As Escrituras nos afirmam a deplorável situação de toda a humanidade, no que diz respeito à sua condição espiritual, sem Cristo. Em Rm 6:17 o apóstolo São Paulo nos fala da realidade que caracterizava a vida daqueles cristãos, e também de todo ser humano, ates da experiência de conversão:
“Mas graças a Deus porque, embora tendo sidos ESCRAVOS do pecado, obedecestes de coração à forma de ensino a que fostes entregues”
Aqui somos informados de que a condição do homem antes de sua união ao Cristo de Deus é o de escravo do pecado. O que se traduz uma natureza, uma inclinação moral e espiritual na direção de uma experiência de vida em franca rebelião à Lei do Criador. O apóstolo fala de “pecado” e não “pecados”, mostrando o mesmo se tratar de uma condição inerente da natureza humana.
Continuando, o mesmo apóstolo nos dá novas informações da condição humana sem Cristo. Em Ef 2:1 ele escreve as seguintes palavras:
“Eles vos deu vida, estando vós MORTOS nas vossas transgressões e pecados”
Neste trecho das Escrituras a notícia que recebemos é que a condição humana é a de morte espiritual que se traduz numa separação no relacionamento com Deus. Nas Bíblia morte tem o significado de separação. Que é a morte física senão a separação da parte material da espiritual que nos compõem? Logo, a morte espiritual, por causa do pecado inerente a toda a raça humana (cf. Rm3:23;  5:12) faz parte da realidade de todos independente de cor, etnia, condição social etc.
Dito isso acerca da deplorável condição espiritual do homem perante o Santo Deus, fica-nos ainda mais evidenciado a glória de Cristo como propiciação pelos pecados e a dramática transformação a que o homem se vê perante Deus quando o mesmo é colocado debaixo de um relacionamento redentor com o Unigênito Filho de Deus.   
As Sagradas Escrituras dizem-nos que ao homem em Cristo é concedido o privilégio de ser tornado filho de Deus por adoção (Jo 1:12). O Santo Espírito da parte do Pai vem habitar no corpo do ser humano preenchendo-o com o amor do Pai (Rm 5:5) e testificando no nosso coração  a respeito dessa neo relação filial com o Eterno (Rm 8:16).
Uma nova vida, fruto de um novo coração, que é a própria vida de Jesus acontecendo, tem início na vida dos que entregaram-se em fé a Cristo. No entanto, mesmo à luz de toda esta glória nem tudo são rosas. Existem sombras em meio ao sol do meio-dia. As Escrituras são igualmente realistas e pródigas em nos informar acerca da luta diária que todo cristão tem que travar afim de que essa nova vida (a vida do próprio Jesus) possa se desdobrar em todos os seguimentos da existência humana.
É-nos revelado, da parte do Pai que, apesar de hoje sermos seus filhos em Cristo, livres de toda e qualquer condenação do pecado, ainda carregamos dentro de nós um impostor: a natureza humana corrompida, maculada pelo pecado a que a Bíblia chama de carne. A qual segundo São Paulo luta diariamente contra o Espírito Santo tentando nos levar a desvirtuar-nos do novo Caminho (Gl 5:17).
Diante disso entra a doutrina da cruz diária, a cruz de nosso bendito Senhor e Salvador Jesus, e a mortificação dessa carne afim de que o falso eu (velho homem) nascido em pecado,  progressivamente seja vencido, dando lugar ao verdadeiro eu (novo homem) criado por Deus à semelhança do Seu Filho.
Acerca disso o apóstolo das gentes nos escreve em Gl 5:24 –  
“Os que são de Cristo Jesus CRUCIFICARAM A CARNE juntamente com suas paixões e desejos” 
A crucificação da carne aparece como obra pretérita porquanto na morte de Jesus, na sua cruz, todo o poder do pecado que antes escravizava o homem foi vencido, tornando-lhe possível a vitória diária sobre os desejos carnais. Em razão disso que nosso bendito Senhor nos fez o convite da cruz diária como parte integrante do seu seguimento. Em Mt 16:24 o apóstolo registrou as sagradas palavras de tão glorioso chamamento:
“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”
O convite é o de tomarmos a nossa cruz porquanto ele levou a dele. O chamado é o de morremos diariamente para o nosso falso eu, ressurgindo na glória do novo eu que faz do verdadeiro discípulo do crucificado sal da terra e luz do mundo. Contudo, nesse momento surge-nos uma pergunta: De que forma esse crucificar, carregar diário da cruz, se dá na prática? A essa pergunta o grande apóstolo nos responde em Gl 5:16 -
“Mas eu afirmo: ANDAI PELO ESPÍRITO  e nunca satisfareis os desejos da carne.”
A  notícia a que somos expostos no texto acima referendado é de que se andarmos pelo Espírito, ou seja se vivermos guiados, influenciados e em franca obediência aos comando da gloriosa Terceira Pessoa da Bendita e misteriosa Trindade, o Consolador, mortificaremos a carne com seus desejos e apetites pecaminosos.
Conquanto isso seja verdadeiro, devemos agora arguir de que maneira em nosso viver diário podemos abrir-nos à obra imprescindível do Espírito de Deus na mortificação da carne. Como se dá essa entrega diária ao controle do Espírito Santo. É nesta gloriosa empresa que a espiritualidade vem nos fornecer os meios para alcançarmos tão desejável objetivo. No tocante à mortificação da carne, o efeito da cruz diária, podemos, à guisa de uma maior compreensão, considerar a mortificação em duas áreas principais da vida humana: a mortificação da mente carnal e a mortificação do corpo. Não se faz necessário o mencionar de alma e espírito porquanto os mesmos fazem parte do nosso homem interior o qual está firmado em Deus, sem que o demônio possa causar dano aos mesmos (cf. 1Jo 5:18).
A ASCESE
Já vimos acima que apesar da nova natureza em Cristo ainda carregamos uma velha natureza em nós contrária aos mandamento de Deus. A grande verdade é que a cruz diária (mortificação) do nosso falso eu se faz necessária porquanto antes de conhecer Jesus vivemos uma vida inteira no hábito da prática do pecado. Nossa mente e corpo estão “viciados” na prática do pecado. A inclinação deles é para pecar, ainda. Assim, a necessidade que temos de treinar (ascese) mente e corpo para a nova vida espirital que está acontecendo dentro deles é de gritante urgência.
A espiritualidade com suas disciplinas ascéticas podem nos ajudar nesse sentido. Não me aterei no detalhamento das mesmas visto existirem outros textos que tratam de sua descrição em caráter detalhado:
A MORTIFICAÇÃO DA MENTE
A Bíblia diz que o homem é aquilo que ele pensa (cf. Pv 23:7). Sabedor disso o apóstolo São Paulo nos instrui acerca da necessidade de renovação da mente (Rm 12:2). Para esse propósito temos a meditação nas escrituras e o estudo acadêmico das mesmas como disciplinas fundamentais para a obra da mortificação dos padrões malignos de pensamentos que ainda existem em nós herdados de nossa vida espiritual pregressa.
A primeira disciplina (meditação) visa atingir o coração, os afetos e emoções. Temos na prática da Lectio Divina um caminho profícuo e comprovadamente eficaz nesse sentido.
Na segunda disciplina (estudo) visamos atingir a razão, o intelecto, o entendimento. Nesta área existe uma gama de métodos como estudo indutivo, estudo analítico que são formas de se estudar a Bíblia numa dimensão estritamente intelectual.
O contato com a Palavra de Deus, viva e eficaz,  através das disciplinas da meditação e do estudo visam nos colocar perante aquela que é lampada para os pés e luz para o caminho (Sl 119:105). Aquela que é a Verdade que santifica (cf. Jo 17:17)  e que nos liberta de toda a mentira espiritual (2Tm 3:16).
A MORTIFICAÇÃO DO CORPO
São Paulo nos fala de uma lei do pecado que opera nos membros de nosso corpo (cf. Rm 7:22,23) que guerreia contra o homem interior que tem prazer na Lei de Deus. Portanto, necessário nos é mortificarmos nosso corpo humano, habitação do Espírito, e sujeitá-lo ao Senhor para que o mesmo não apenas more nele, mas, acima de tudo, faça acontecer em nós a gloriosa simbiose espiritual de que as Escrituras nos informam (Gl 2:20; Gl 5:22,23).
Aqui nos é imperiosa a incorporação das chamadas disciplinas de abstenção para a proposta obra de mortificação de nossos corpos. Temos no jejum, no silêncio e na solitudetrês disciplinas que podem nos auxiliar nisso.
No jejum abstemo-nos de alimentos e às vezes, por período bem pequeno, de líquidos também visando ensinar nosso corpo a não tornar-se escravo das necessidades fisiológicas. Com essa prática estamos dizendo ao corpo: “Corpo sou eu (em Cristo) que te domino; e não você a mim”. Através do jejum percebemos e acessamos a realidade de que existe uma substância fundamental, maior do que comida e bebida, que sustenta a nossa vida e existência (Mt 4:4; Jo 4:31,32).
No silêncio temos a busca pela ausência de sons, ruídos e vozes, tanto externas quanto internas, para que dessa forma possamos nos colocar em amorosa atenção à presença e voz de Deus. E na solitude nos colocamos a parte da presença de pessoas para estarmos sozinhos com Deus. Silêncio e solitude andam de mãos dadas. Uma não existe sem a outra. E ambas visam privar nosso corpo de sons, imagens e interações humanas afim de que sejamos libertos das compulsões que caracterizam a sociedade apressada dos dias de hoje. No silêncio/solitude vencemos o vício do desejo de  ter e fazer e acessamos o tesouro da simplicidade do apenas ser. Simplesmente ser quem somos perante a face amorosa do Pai. E assim estarmos totalmente presentes no momento, não mais fragmentados.
Oh! Esta é a verdadeira glória da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, através da qual estamos crucificados para o mundo e o mundo para nós: através da experiência fundamental da cruz do calvário que salva e vivifica o homem morto em delitos e pecados, ser-nos possível a obra diária da crucificação, mortificação do nosso falso eu (carne), repugnante e impostor aos olhos do Deus Santo. Deveras somente debaixo da obra regenerativa da Graça de Cristo é que podemos fazer uso das disciplinas acima comentadas com o proveito santo de caminharmos em direção a genuína metanóia/metamorfose em imagem de Jesus. Se não for assim meditar não vai passar de um emocionalismo piegas; o estudo, atividade intelectual árida e o jejum, silêncio e solitude o tolo privar-se pelo privar-se.
“Mas longe de mim orgulhar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus  Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl 6:14)
Finalizo a presente exposição lembrando-me da conversa que um pastor amigo teve com um monge ancião beneditino por ocasião de sua visita ao mosteiro. Em dado momento do diálogo o pastor impressionado com a lucidez do ancião lhe questionou o porque do mesmo não voltar a estudar teologia e filosofia. O ancião fez um período de silêncio, olhou para seu interlocutor e lhe deu uma resposta que impactou sua vida profundamente: “Há mais de trinta anos estudo e contemplo a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Se ela  não puder me ensinar nada, nada mais o poderá”.  
https://vidacontemplativa.wordpress.com/2012/05/11/espiritualidade-e-a-cruz-diaria/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Comportamento na Santa Missa

Sim, igreja é lugar para nos sentirmos bem e em profunda paz. Mas isto não significa perder de vista a reverência pelo Sagrado. 



HOJE EM DIA, infelizmente, muitos não se importam com as maneiras de se vestir e de agir no Santo Sacrifício da Missa. Alguns afirmam que “tanto faz, o que importa é o coração”. Mas o que realmente diz a santa Igreja de Cristo, em seus documentos, a este respeito?

O Catecismo diz que, no momento da Sagrada Comunhão,“a atitude corporal, – gestos, roupa, – há de traduzir o respeitoa solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede"(§1387). Por que o Catecismo mencionaria algo aparentemente tão secundário quanto o modo de vestir? Por que a Santa Missa é a renovação do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus, que nos resgatou dos nossos pecados e da morte na Cruz; tal Sacrifício se torna verdadeiramentepresente na Santa Missa, no momento em que pão e vinho se tornam, verdadeiramente, Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor (CIC §1373 - §1381).

Sendo assim, a orientação é para que as pessoas não usem, nesse momento tão sagrado, roupas exageradamente informais, ou que mostrem demais o corpo, que marquem os seus contornos de forma provocativa, como decotes profundos, shorts, miniblusas, etc. Afinal, vamos à igreja para encontrar Deus ou para seduzir as pessoas do sexo oposto? Por acaso é a Missa uma ocasião para desfilar sensualidade, para atrair olhares cobiçosos? Evidente que não. – Ocorre que, às vezes, até sem perceber uma mulher é capaz de desviar a atenção de um homem (ou de diversos homens), que compareceram àquele lugar com intenções de santidade. Convém evitar tudo o que contrarie a alegria pura, a solenidade e o respeito da Celebração.

Outro ponto muito interessante a se observar é que o mais elementar bom senso, partindo do princípio desolenidade que o Catecismo menciona, avisa que é muito melhor usar calça do que bermuda ou shorts. Não se vai a uma entrevista de emprego, por exemplo, usando bermuda. Não se entra num tribunal usando shorts. Então, por que tantos acham muito "normal" ir à Casa de Deus vestidos assim? – Partindo do princípio do respeito pelo Sagrado e da não banalização da celebração sagrada, é muito simples entender porque é melhor que uma mulher use uma saia abaixo do joelho ou vestido sóbrio, – ou pelo menos uma calça discreta, – do que uma calça colante, apertadíssima. E porque é melhor que um homem use camisa ou camiseta tipo polo do que uma camiseta modelo regata.

Obviamente, essas orientações devem ser levadas ainda mais a sério por aqueles que exercem funções litúrgicas, como leitores, músicos e, especialmente, os ministros extraordinários da Comunhão Eucarística. Estes acabam servindo como modelo de comportamento para toda a assembleia.


Até há pouco tempo era comum a expressão popular “roupa de Missa”. Em algumas cidades do interior ainda se chama assim à melhor roupa que uma pessoa tem. Como seria bom se todos os católicos recuperassem essa consciência, de que é preciso se apresentar da melhor maneira diante da Casa de Deus!

Vale lembrar, ainda, que o modo de se vestir e de se comportar na igreja deve ser integrado às normas e símbolos litúrgicos, como os paramentos, as velas, o incenso, o gestual... Tudo é parte da necessidade de manifestar, com sinais externos, à fé no que acontece no Santo Sacrifício da Missa, bem como de manifestar externamente a honra devida a Deus. A atitude interna é fundamental e mais importante, isto é indiscutível, mas desprezar as atitudes externas é um erro. Essa atenção e esse carinho também são necessários ao entrar na Igreja.

Neste ponto faz-se necessário um esclarecimento: aqui não se está afirmando, absolutamente, que é preciso estar soberbamente trajado para adentrar um templo católico: é evidente que não. A Celebração Eucarística, se não é ocasião para seduções sensuais e para a descontração inadequada, também não é desfile de moda. Existe uma diferença imensa entre usar roupas caras e chiques, com as grifes do momento, e se vestir com a dignidade que é possível a cada um.

Algumas outras admoestações importantes, que de tão óbvias parecem ridículas, de detalhes que se andam esquecendo por aí: se você estiver comendo algo ao entrar na igreja, guarde para comer depois, por uma simples questão de respeito. Temos ouvido o testemunho de padres sobre pessoas que entram na fila da Eucaristia e se aproximam para comungar, – a hora mais sagrada de toda a Celebração, – mascando chicletes! Nunca, jamais faça isso! A Eucaristia não é apenas um símbolo, é Deus (verdadeiramente) Conosco; a igreja não é playground; a Missa é infinitamente mais do que uma reunião festiva entre bons amigos: é a maior ocasião de adoração e de comunhão com o Sagrado que nos foi concedida, e exige reverência.

O telefone celular daria um capítulo à parte. Em nome de todos os que querem rezar, suplicamos: desligue-o ao entrar na igreja! – A humanidade sobreviveu milhares de anos sem este abençoado aparelhinho, e você não vai morrer se ficar sem ele uma por hora, aos domingos. – Mas, se desligar for um sacrifício assim tão insuportável para você, pelo menos mude a chamada para o modovibracall. Faça-o, por favor, logo ao entrar na igreja, este é o melhor jeito de não esquecer depois, para que não toque durante a Celebração; sacerdote nenhum merece ter a Homilia interrompida por uma chamada.

Também devemos prestar atenção ao levar crianças muito pequenas à igreja. Os pequeninos são sempre muito bem vindos ao encontro com Nosso Senhor, mas se o bebê chora ou grita demais, talvez não seja conveniente ir sentar nos primeiros bancos, à frente de todos, de onde o barulho vai incomodar muito mais do que se você estivesse mais atrás. É muito importante levar nossos filhos o mais cedo para a igreja, mas também é fundamental explicar, o quanto antes, o que é a Missa. Assim, daqui há alguns anos, ele estará pronto para desfrutar as maravilhas que Cristo nos preparou.

Devemos lembrar sempre que a Missa é sagrada. Temos momentos de alegria nas celebrações, mas alegria não é sinônimo de bagunça. Celebrar o Sacrifício da nossa salvação é coisa muito séria, e ultimamente têm-se perdido o senso crítico ao entrar na Casa do Senhor, e talvez a consciência de que a Missa é importante em todas as suas partes. Lembremos que é Nosso Senhor Jesus Cristo sendo oferecido pela nossa salvação, – que nós vemos, tocamos e provamos.




"Lembro-me de como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em arrumar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume. Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e retas, que sabiam pagar Amor com amor. (...) Quando na terra se recebem autoridades, preparam-se luzes, música e vestes de gala. Para hospedarmos Jesus Cristo em nossa alma, de que maneira não devemos nos preparar?” (São José Maria Escrivá – “Homilias sobre a Eucaristia”, Ed. Quadrante)

 http://www.ofielcatolico.com.br/2005/01/comportamento-na-santa-missa.html

7 modos de enfrentar as dificuldade da vida

1.Tenha a convicção de que Deus está no controle de tudo. 2.Não tenha medo de situações novas. 3.Tire proveito das dificuldades. 4.Não escute palavras de desânimo e dúvida. 5.Lembre-se de que você próprio é uma solução. 6.Esteja se fortalecendo interiormente cada manhã. 7.Agradeça a Deus pela oportunidade de lutar e vencer.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

COMO PASSAR O DIA DE MANEIRA CRISTÃ

O nobre presidente do Equador, Gabriel García Moreno, assassinado pela Maçonaria que não lhe perdoou o apoio à Igreja, a busca pela ilegalidade das sociedades secretas e sobretudo a Consagração do País ao Sagrado Coração de Jesus. No momento em que foi assassinado, os que o socorriam encontraram em um de seus bolsos a Imitação de Cristo, com uma série de anotações feitas pelo próprio presidente, que havia criado um programa diário de como viver como um bom cristão.
Segue abaixo o programa, e verifiquemos quão espiritualmente elevado era o presidente da nação equatoriana; um homem bom, competente, humilde, inteligente e corajoso.
Presidente Gabriel García Moreno: morto por ser um católico de verdade, que ao invés de confinar à fé dentro das paredes das igrejas, agiu como se espera de um cristão verdadeiro, e confessou Nosso Senhor Jesus Gristo em todos os ambientes, fomentando ao máximo as máximas evangélicas, a caridade e todas as virtudes de maneira clara e combativa!
“Cada manhã, enquanto faço minhas orações, pedirei especialmente a virtude da humildade.
“Cada dia ouvirei Missa, rezarei o rosário e lerei, além de um capítulo da Imitação, esta regra e as instruções anexas.
“Procurarei manter-me, tanto quanto me for possível, na presença de Deus, especialmente na conversação, de modo a não dizer palavras inúteis. Oferecerei constantemente meu coração a Deus, principalmente no início de cada ação.
“Em meu quarto, nunca rezar sentado quando puder fazê-lo de joelhos ou de pé. Praticar pequenos atos diários de humildade, como oscular o chão, por exemplo. Desejar toda sorte de humilhações, mas ao mesmo tempo tomar cuidado para não as merecer. Regozijar-me quando minhas ações ou minha pessoa forem insultadas e censuradas.
“Nunca falar de mim mesmo, a não ser para reconhecer meus defeitos ou faltas.
“Fazer todo esforço, pelo pensamento de Jesus e Maria, para controlar minha impaciência e contradizer minhas inclinações naturais. Ser paciente e amável, mesmo quando quiserem abusar de mim; nunca falar mal de meus inimigos.
“Cada manhã, antes de começar meu trabalho, escreverei o que tenho que fazer, sendo muito cuidadoso em distribuir bem meu tempo, entregar-me somente a coisas úteis e necessárias, e continuá-las com zelo e perseverança. Observarei escrupulosamente as leis da justiça e da verdade, e não terei intenção, em todas as minhas ações, senão em buscar a maior glória de Deus.
“Farei exame particular duas vezes por dia do meu exercício das diferentes virtudes, e um exame geral cada noite. Confessar-me-ei toda semana”.(*)

SENTENÇAS E AVISOS ÚTEIS PARA A DIREÇÃO DA ALMA NO CAMINHO DA PERFEIÇÃO CRISTÃ

Não é minha intenção que este volume cresça nimiamente, e me acho já muito adiante, quando ainda restam doutrinas em outras matérias não menos importantes que as passadas. Pelo que, mudando de estilo, reduzirei a documentos breves os que podiam ser discursos mais difusos. Espero que assim seja mais grato e útil aos leitores, em razão da brevidade e variedade amigas da natureza humana. Por isso porventura seguiram esta forma de escrever S. Martinho Dumiense Arcebispo de Braga, S. Diadoco Bispo Foticense, João Bispo de Carpácia, S. Nilo Abade, S. Hesíquio, S. Isaac Siro, S. Hiperíquio Presbíteros, S. Simeão Júnior, S. Máximo Mártir Constantinopolitano, Talássio, Evágrio Monges, S. Marcos Eremita e outros Padres. Dos quais, e de outros autores espirituais famigerados são excertos pela maior parte os avisos que aqui damos, omitindo outros, cuja luz por ser muito alta e forte, poderia ofender os olhos menos puros. Vão distribuídos em seis classes:
I – Dos que são mais especulativos ou teóricos. 09/04/2014
II — Algumas outras sentenças notáveis por sua brevidade e substância. 16/04/2014
III — Avisos e Documentos práticos que respeitam o trato da alma com Deus. 23/04/2014
IV — Os que respeitam o trato da alma consigo. 30/04/2014
V — Os que respeitam o trato da alma com os próximos. 07/05/2014.
VI — Os que pertencem ao conflito da alma com o tentador. 14/05/2014
III — Avisos e Documentos práticos que respeitam o trato da alma com Deus.

1. Andar em presença de Deus, observar silêncio e não reparar em faltas alheias, desarraigam da alma inumeráveis imperfeições e lhe granjeiam grandes virtudes.
2. A mosca que se senta no mel, impede o seu voo; e a alma que busca sabores do espírito, impede a sua contemplação.
3. Enquanto estás atribulado, e em desamparo, não busques consolação na criatura. Porque como essa tribulação é enviada da mão de Deus para prova, ou exercício, ou castigo teu, e não há de durar sempre: não a tirando a criatura, Deus a tirará. E como Deus quando vem, sempre deixa dons na alma; impedes estes dons, atalhando a sua visita. Portanto, importa ser forte e sustentar a Deus, até que ele mesmo nasça dentro em nós, e nos alegre e vivifique. "Sustine sustentationes Dei (diz o Espírito Santo pelo Eclesiastes) conjungere Deo, et sustine; ut crescat in novissimo vita tua. Omne quod tibi applicitum fuerit, accipe, et in dolore sustine, et in humilitate tua patientiam gabe. Quoniam in igne probatur aurum, et argentum: homines vero receptibiles in camino humiliationis" [Ecl. 2,v.3 e seg.]
4. Se conformes tens conhecimento da Majestade Divina e experiência de seus favores, não lhe tiveres sujeição e reverência, virão sobre ti pensamentos de blasfêmia. E se regares o corpo com muito comer e beber, até os pensamentos santos hão de degenerar em carnais: como as sementes boas, com a nímia chuva, dão em folhagens e espinhos, muito viço e pouco fruto.
5. Toda a obra boa, feita conforme ao agrado de Deus, ou leva diante, ou se lhe segue depois, alguma tentação ou tribulação; e senão houver este sinal, tenhamos por certo que não foi muito do seu agrado. Porque a sua fazenda, ao passar pela alfândega deste mundo, toda leva esta real marca da sua Cruz.
6. Por isso aproveitamos pouco no caminho espiritual, porque não sofremos quietos a mão de Deus que em nós obra, ainda que não ao nosso modo; antes nos afligimos e turbamos com os trabalhos e tentações e lhe furtamos os ombros, quanto podemos, e nesciamente queremos ajuntar virtudes e pouco custo.
7. Não peças a Deus com modo impaciente e imperioso, e querendo o despacho para logo; porque isto mais parece mandar, ou demandar, do que pedir. Além do que Deus Nosso Senhor te quer perseverante na Oração e que te detenhas em sua presença; e isto é excelentíssimo benefício de sua graça. Se a entrada de um vassalo à presença de seu Rei fosse tanto ou mais proveitosa do que a mercê que lhe vai pedir, o Rei que amasse a este vassalo, dilataria o despacho, só por lhe ocasionar as entradas mais frequentes.
8. Quem faz a vontade de Deus, porque o ama, faz virtualmente todas as coisas. Quem faz a vontade de Deus, ainda que ore, prega; ainda que ande em negócios, ora; ainda que esteja entrevado, anda em negócios; confessando estuda, estudando faz missões, andando em missões serve na cozinha, servindo na cozinha converte almas. E não pode deixar de ser assim; porque a vontade de Deus, com a qual está unido, é tudo; e tudo fora da vontade de Deus, é nada.
9. Se não és amante da divina Escritura, sabe que nenhum espírito tens: porque qual é a pessoa, que ama a outra, e não gosta muito de ouvir a sua voz, receber os seus recados e ler as suas cartas? Devemos tratar a sagrada Escritura com grandíssimo respeito. S. Carlos a lia com os joelhos em terra. S. Pedro de Alcântara (que a sabia toda de memória) quando ouvia alguma palavra dela, fazia profunda reverência, e dizia que o Evangelho se havia de ouvir com as mãos levantadas ao Céu, e a cabeça inclinada.
10. Se a alma não for acompanhada de grande moderação, recato e abstração de acidentes, nas coisas que se percebem pelos sentidos, nunca poderá entrar na familiaridade com Deus, nem levantar-se às coisas invisíveis, nem vir ao conhecimento de sua própria dignidade.
11. As faculdades do corpo não se purificam, nem habilitam para servir a Deus, sem jejum e desvelo; nem as da alma, sem verdade e misericórdia; nem as do espírito, sem meditação e trato interior com o mesmo Senhor. Chamo verdade a intenção reta e coração simples; chamo misericórdia ao coração brando e pacífico com todos, e condição caritativa.
12. A vida do homem verdadeiramente espiritual, e modo com que emprega as horas do dia, parece-se com uma Missa. Porque nenhum intervalo se lhe passa sem obrar, já neste, já naquele exercício, servindo a Deus, já com os membros do corpo, já com os sentidos e potências da alma; e todas as suas ações interiores e exteriores, vão com ordem, decoro, madureza e devoção, sucedendo umas a outras conforme o dirigem as rubricas dos Santos e Padres espirituais, e assistido das luzes da Fé e razão o que sem dúvida é um contínuo sacrifício da vontade própria em honra do Altíssimo. E deste modo parece que podem também os Leigos ter alguma denominação de Sacerdotes; segundo aquilo de S. Pedro: Vos autem genus electum, regale Sacerdotium, gens sancta [I Pedro, 2,9]; e de S. João: Pecit vos regnum, et Sacerdotes Deo, et Patri sul [Ap. 1,6]. Pelo que disse S. Agostinho: Sacrificium est omne opus quod agitur, ut sancta societate inhaerear Deo, reatum ad illum finem, quo beati esse possimus [10 De Civit., 6].
13. O que se adquire com o trabalho e dificuldade, guardar-se com estimação e cautela; e o que pouco nos custou a haver, pouco se nos dá de o demitir como coisa que facilmente nos tornará à mão. Daqui se mostra que o retardar-nos Deus o benefício, é preveni-lo com outro novo benefício; porque serve de nos preparar, para que recolhamos bem o que nos der e lhe pedimos. Olhe para este ponto o impaciente das tardanças do Senhor em lhe conceder as virtudes que pede; parecendo-lhe que quanto a petição tem de honesta, tanto o despacho havia de ter de pronto. O estilo de Deus é dar mais do que se lhe pede; e assim retarda a dádiva para dar, além dela, a firmeza em a lograrmos.
14. Costuma-te a referir, ou encaminhar todas as obras boas que fizeres, em ordem até dispor mais com elas para receber a Comunhão sagrada. Assim se escreve e praticava a Rainha das virtudes Maria Santíssima Senhora Nossa, desde que seu benditíssimo Filho lhe revelou havia de obrar esta portentosa fineza de amor em proveito dos homens; até que comungou a primeira vez no Cenáculo.
15. Corrente de negócios seculares, e remanso de contemplação divina, não se dão juntos. Marta e Maria, sim, são irmãs no sangue, mas não costumam ser irmanadas no espírito. Ter um olho no Céu, outro na terra, custa violência e mostra fealdade. Em uma Anuário da Companhia de Jesus se refere de um China que era cego só quando olhava para a terra, mas para ver o Céu nenhum impedimento tinha; assim devem ser os contemplativos. El-Rei de Babilônia vazou os olhos a el-Rei Sedécias em Rablata; nome que (segundo alguns padres interpretam) significa: Estas muitas coisas, Multa haec[S. Greg. 7, Mor. S. Petr. Dam., lib. 1, epist. 5]. Estas muitas coisas do mundo visível e seus negócios, são as com que o demônio nos priva da vista e contemplação das celestiais e eternas. Negócios (na opinião de S. Agostinho) são brincos, ou joguetes de gente maior: Maiorum nugas [1 Confess., 9]. Deixe brincos quem anda na presença do Altíssimo e perto de sua cortina.
16. Acautela-te muito de esperar, ou desejar ver na Oração alguma forma ou figura dos Anjos, ou Santos, ou de Cristo Senhor Nosso. Porque merecerá tua soberba que despache o Senhor os memoriais que contra nós lhe mete continuamente nosso inimigo; e este se tornará fátuo, de modo que recebas o lobo por pastor e estimes a lata por ouro. Quando vires alguma representação semelhante, converte depressa teu espírito a Deus, que é o teu princípio, rogando-lhe te assista e alumie. E está de bom ânimo; que se pegares firmemente da Oração, os demônios fogem dela, como os cães do pau; e o poder, para quem te chegas, é maior que todos os poderes.
17. Senão curas de evitar os pecados veniais, parece que não tens a Deus amor de filho; porque os filhos nisto se distinguem dos servos; que fazem a vontade aos pais em coisas muito miúdas. E assim, contra os veniais, observa os seguintes avisos: 1o. Confessa-te e comunga a miúdo; 2o. Fala pouco, e com pessoas ou perfeitas ou timoratas; 3o. Procura ter amor ao desprezo, pobreza e dor; 4o. Não te introduzas no que te não pertence, nem te empenhes demasiado em negócio ou pretensão alguma; 5o. Anda em presença de Deus; 6o. Faz antes o pouco, e bem feito; 7o. Guarda na mesa e no sono as regras da abstinência e modéstia.
18. Há uns pobres que pedem pelas ruas, gemendo, queixando-se e exclamando; e há outros (os estrangeiros têm este uso) que pedem cantando devotamente alguma Oração ou as Ladainhas. Estes não movem menos que aqueles, nem tiram menos esmola. Todos nós somos mendigos de Deus: omnes mendici Dei sumus (disse Sto. Agostinho). Nem sempre lhe havemos pedir com vozes e angústias e exclamações; senão também com alegria e sossego, deleitando-nos primeiro na sua bondade, e fazendo regozijo da nossa penúria e comodidade dos nossos trapos e remendos; e esperando com paz a esmola que nos vier de cima, quando o Senhor for servido.
19. Uma das indústrias que mais manualmente encaminham a alma à presença de Deus, sem quebradeiro de cabeça nem fábrica de considerações, é ter cuidado de mortificar-se a si, e deixar mortificar-se por outros. Porque como ninguém faz boa cara à Cruz se não é por amor de Deus, o mesmo nosso amor-próprio faz, que a alma, por sarar, ou mitigar sua dor, vá buscar a Deus, querendo comunicar com ele e metendo-se em companhia de Cristo, e fazendo-lhe oferta daquele donzinho de sua paciência, e esperando de sua bondade o prêmio.
20. Quando a alma está em desamparo e sente a Deus muito ausente de si, ou quase perdido, não lhe valem penitências para se consolar. O que lhe vale é humildade, aniquilação própria, paciência e sujeição ao Padre espiritual. E tanto maior será depois a consolação quanto mais rigoroso foi o desamparo. A Venerável Madre Maria de la Antígua escreve de si, dizendo: "Acontece-me muitas vezes não poder levantar o coração a Deus, não só com ânsias incendidas e amorosas, mas nem ainda com um conhecimento de Cristã. Neste tempo, sem perder os exercícios de Oração, ponho-me diante de meu senhor como uma pessoa ociosa ou vadia sem aproveitar para nada; e ali olho para ele, a ver o que de mim quer por então".
21. Não puxes pela devoção porque te achas em dias de festa, em que a Igreja Católica celebra os mais devotos mistérios. Prepara-te sem ansiedade nem cobiça; fecha os sentidos à multidão de objetos ainda os que parecem podiam conduzir à piedade; humilha-te quanto puderes em presença do Senhor, reconhecendo-te indigno de tua graça; e depois recebe o que te derem com ação de graças; ou tem paciência, se nada te derem; e por isso louva também a Deus. De outra sorte, quanto mais espremeres, mais seco te sentirás.
22. A soledade de espírito consiste em abstrair este de cuidados vãos, de fantasias e implicações do pensamento em coisas inúteis, ou ainda que úteis, escusadas, de ocupação nímia em ações externas, de afeições e vontades do amor-próprio, e de muitas locuções interiores. De sorte que o entendimento, memória, vontade, fantasia e apetite estejam desertos, e de vago para tudo o que não é atender a Deus em simplicidade de fé, e amá-lo em chama espiritual do coração. Nesta solidão fala Deus, não com vozes, mas com luzes; e é tanta a que a alma recebe, que os de fora, que não estão costumados a semelhante região de ar tão puro, estranham talvez a pessoa, e se lhe faz gravoso o seu trato, pela diferença que em tudo acham de ditames, ações, exercícios, intenções etc. E quando o tal homem solitário condescende com algum dos seus modos, então lhes é aprazível, e respiram como o peixe que achou água onde nadar. Deste modo Moisés estando só com Deus quarenta dias, caiu com o rosto tão resplandecente que o povo não podia endireitar para ele a vista, até que se cobriu com um véu.
23. Se desejamos comungar com fruto, presenteemos a nosso Esposo celestial e Cordeiro de Deus, que se deleita entre as açucenas, uma açucena, cujas folhas sejam estas seis qualidades principais para a perfeição deste exercício. Duas antes de comungar: Desejo e Pureza; duas comungando: Humildade e Caridade; duas depois da Comunhão: Ação de graças e Renovação, ou transformação do homem interior, com pacto de fidelidade. [Do P. Caussino, lib. 3, da Corte Santa, s. 12].
24. Por causa de várias fantasias (dizia meu Padre S. Filipe Néri) que nos conturbam na Oração, a não devemos deixar: Porque se fielmente insistimos no trabalho de as expelir, às vezes dá Deus em um momento, o que se não pode alcançar em muito tempo.
25. Quando pedimos alguma coisa a Deus, e no continuar a Oração, sentimos grande quietação de espírito, é bom sinal, que o Senhor concederá, ou tem já concedido o que se lhe pede.
26. Ainda que percas todos teus santos exercícios por inconstância tua e tentação do diabo; ainda que já deixasses a lição pia, a Comunhão frequente, o uso das penitências, a companhia dos bons e tudo o mais que Deus em ti havia edificado, nunca deixes o culto, devoção e invocação da Virgem, que nesta tábua se salvam muitos náufragos.
27. Para curar uma pessoa que houver caído em algum pecado, depois de haver caminhado largo tempo virtuosamente, é bom remédio obrigá-la a que faça alguma mortificação solene; como seria manifestar a sua queda a outras pessoas de grande virtude, e de quem se tenha segurança. Porque desta humildade se obrigará Deus para a restituir ao primeiro estado.
28. Não se façam votos sem direção do Confessor prudente; e levem suas modificações que sirvam depois de arrimo à nossa inconstância, respiração à liberdade e quietação à consciência. Exemplo: Voto jejuar tantos dias, ou dar tantas esmolas, enquanto a saúde, ou os cabedais não padecerem grave detrimento; ou, se não sentir grave dificuldade em o fazer assim; ou pelo tempo que parecer a quem governar o meu espírito, etc.
29. Quando visitamos as Igrejas ou Altares, peçamos afetuosamente àquele Santo, a quem são dedicados, esmola espiritual de virtudes; porque este é um excelente meio de granjear espírito e devoção.
30. Para que as perseguições e injúrias deixem na alma fruto e ganância, é bom considerar que primeiro se fazem a Deus que a mim; porque quando chega a nós o golpe, já está dado em sua Divina Majestade pelo pecado. Além de que o verdadeiro amante de Cristo, já de antes há de ter feito concerto com ele, de ser todo seu e nada querer de si; pelo que, se o Senhor sofre a sua ofensa, por que não sofrerei eu a minha? havendo de ser o sentimento justo pelo que a minha injúria tem de ofensa sua.
31. Para ler com fruto a Escritura Sagrada será de grande utilidade observar os seguintes avisos: 1o. Antes de ler, examinar brevemente a consciência e fazer ato de contrição; 2o. Invocar o Divino Espírito, para que me conceda luz com que entenda do que ler o que me convém entender; 3o. Ler com pausa e atenção, aplicando ao meu proveito o que leio: as repreensões, aos meus pecados e vícios; as grandezas de Deus, ao seu amor e louvores; os benefícios, à ação de graças; os castigos ao temor; os prêmios à esperança; os mistérios à Fé; os conselhos ao ensino; 4o. No que não entender, ou buscarei exposição que o declare, ou passarei adiante, venerando o mistério que ali encerra; 5o. Quando sentir alguma luz de inteligência, ou moção do afeto, aceitarei com agradecimento e guardarei no tesouro da memória para as utilidades próprias ou do próximo; 6o. Acabando de ler, beijarei com reverência o sagrado texto, e colocarei a Bíblia com mais alguma atenção e decência que os outros livros, onde não ande por baixo das outras coisas do meu uso; porque as Escrituras santas são cartas de Deus para o homem e palavras de vida eterna; e antigamente em algumas Igrejas havia dois Sacrários: um para o Santíssimo Sacramento, outro para a sagrada Bíblia; 7o. Ultimamente recapacitar na memória ao menos um ponto do que se leu e render a Deus graças pelo benefício de me ensinar com a preciosa palavra da sua boca.
32. De tal sorte te é necessário ter fome e sede de justiça, ou virtudes, que leves com igualdade de ânimo a pobreza espiritual que em ti experimentas, e a falta dos dons da graça para venceres a tua natureza. Para sublevação desta pobreza, acomoda-te a andar pelo Céu mendigando esmola quotidiana pelos Santos; isto, não com brados impacientes e longos arrazoados, senão com insinuação humilde de tua necessidade, alegre esperança do teu remédio e constante paciência na sua tardança. E entende que não és capaz de mais, porque te não ensoberbeças; nem de receber a humildade (vaso dos outros dons) porque não tens disposições para as humilhações e Cruzes em que o Senhor costuma dar envolvida essa humildade; e se ele te quiser lavrar mais rijamente, em vez de dobrares, quebrarás debaixo do seu martelo.
33. A Venerável Mariana de Jesus, Terceira de S. Francisco em Toledo, ensinou o seu Anjo da Guarda quatro diligências, que haviam de usar os que lutam com Deus para dele alcançar alguma graça que lhe pedem; que são quatro tretas de que os lutadores usam para derrubar seu competidor. A primeira é levantá-lo ao alto, para que possa cair; e isto faz quem na Oração se humilha muito; porque tanto mais levanta a Deus. A segunda é usar de sacadilha; que é furtar o arrimo, em que o contrário faz finca-pé para resistir. E isto faz quem purifica a consciência, tirando os pecados e a ocasião deles; porque no nosso pecado é que Deus faz força para se não render. A terceira é cansar ao competidor com repetidas entradas e saídas; porque deste modo, ainda que seja mais robusto, poderá ser vencido do mais fraco. E isto faz quem ora muitas vezes com importunação, ainda que de cada vez ore pouco tempo. a quarta é deixar-se cair sobre o competidor, para o levar debaixo. E isto faz quem se lança nos braços de Deus, resignando-se totalmente no que for sua vontade. Porque como este Senhor faz a vontade dos que o amam, o melhor modo de o render ao que nós queremos, é render-lhe ao que ele quer.
34. O dom das lágrimas está posto como um marco ou baliza no caminho da Oração, entre as coisas corporais e as espirituais; e entre a viciosidade e a pureza. Enquanto o homem não recebe este dom, ainda fica no homem exterior a propriedade da sua obra; nem sentiu ainda a eficácia das coisas ocultas do homem interno e espiritual. Mas quando alguém começa a alongar-se, e deixar atrás as coisas corporais deste século, e passou o termo que define, ou é raia da natureza, então chega a tocar nesta graça das lágrimas, pela qual é levado ao perfeito amor de Deus. E quanto mais vai caminhando, mais se vai enriquecendo neste dom, até chegar a bebê-las misturadas no que bebe e come: Potum meum cum fletu miscebam! [Sal. 101, 10] E este é o sinal certo de que o espírito deixo este mundo, e entrou no mundo do espiritual que tem dentro em si mesmo.
35. Há umas lágrimas que dissecam e queimam; e há outras que regam e fertilizam. As que procedem do coração por causa dos pecados dissecam e queimam o corpo, e ofendem o cérebro. Mas por estas se passa a outra melhor ordem de lágrimas, que sem violência manam do entendimento e trazem gosto, alegria e fertilidade de virtudes. Com as primeiras se lava a alma, como em banho quente. Com as segundas se adorna, como com pérolas netas.
36. O velar alta noite em santos exercícios, estima-o como coisa muito preciosa: para que aches a divina consolação propínqua à tua alma. Persevera em lição santa, solitário contigo; para que teu espírito tenha condutor que o leve às maravilhas e grandezas de Deus. Ama de coração a paciência e pobreza; para que o teu ânimo se ajunte, una e recolha, de onde andava vago e espalhado. Aborrece a nímia e prazenteira afabilidade; para que conserves sem turbação e confusão teus pensamentos. retira-te de muitos e trata da tua alma; para que se não estrague sua interior tranquilidade. Ama a castidade e sobriedade; para que te não confundas no tempo da Oração, e se acenda em teu coração alegria viva, com as memórias da morte.
37. Muito grosseira e feia desatenção é, acabando de receber a Comunhão sagrada, divertir-se a falar com alguém, ou empregar os sentidos em quaisquer criaturas. Recolha-se logo a alma a tomar a visita de seu Deus, com a maior humildade e paz que lhe for possível; avivando a fé da presença do Senhor que tem dentro em seu peito; e crendo que ao redor de si estão muitos Anjos, que estranham suas distrações e tibiezas, e se alegram com seu fervor e aplicação devota.
38. Quando te preparas com lição espiritual para orar, repara no ponto, conceito, verdade, ou palavra que mais te moveu o coração; e por ali começarás a tua Oração; porque desta faísca, que já tinha saltado, prenderá o fogo em toda a mais matéria.
39. O maior obstáculo que tem a vida espiritual é não seguirmos as luzes e impulsos da Graça. Se deixamos obrar Deus em nós, voaremos. Por isso importa muito conhecer-lhe a voz e acudir fielmente; porque como o seu modo de obrar é suavíssimo, alumia o entendimento ou toca a vontade; mas não constrange, nem violenta. Nem uma só venialidade ou imperfeição vamos a cometer (especialmente se são almas a quem o Senhor tomou mais à sua conta), que, se bem advertirmos, se não atravesse velocissimamente, antes de nos deliberarmos, algum raiozinho de luz, que lá dentro da consciência diz um Ta, como quem a proíbe. E quanto a alma mais flexivelmente obedece a este Ta, tanto o vai ouvindo mais distintamente, e em coisas mais miúdas; e de caminho adquire paz mais alta, e discrição de espíritos, e notícia dos labirintos do amor-próprio, e roscas da serpente antiga.
40. Quando uma alma tem Oração infusa e quieta, não pode deixar de entender que Deus está dentro dela; porque claramente o está sentindo, e o seu recolhimento então é muito maior, e os efeitos muito diferentes do que em outro modo de Oração costuma experimentar. É uma linguagem do Céu, que por mais que se queira cá dar a explicar, não se fará conceito dela, se o Senhor o não mostrar por experiência. Põem sua Divina Majestade no íntimo da alma, o que o Senhor quer que ela entenda e lho representa vivamente, sem imagens ou forma alguma de palavras; e ali se vê a alma num momento sábia; e fica muito espantada quando experimenta que basta uma destas palavras intelectuais para trocar uma alma toda, e fazer que não ame coisa alguma, senão aquele Senhor a quem vê que sem trabalho algum seu a faz capaz de tão soberanos bens, e lhe comunica secretos admiráveis, e trata com ela com tal amor, lhaneza e familiaridade, que não é possível explicar-se.
41. A Doutora e Virgem Santa Teresa de Jesus dá esta doutrina aos que praticam o exercício de Oração. Toda a pretensão de quem começa a Oração (e não esqueça isto, que importa muito) há de ser trabalhar, e determinar-se, e dispor-se com quantas diligências pode, por conformar sua vontade com a de Deus; e estejamos muito certos, que nisto consiste toda a maior perfeição que se pode alcançar no caminho espiritual. Quem mais perfeitamente tiver isto, mais receberá do Senhor, e mais adiante está neste caminho. Não imaginemos que aqui há mais algaravias, nem coisas escondidas e secretas; que nisto consiste todo nosso bem.
42. Quem leva a mira em chegar à perfeição, e deseja gozar o íntimo abraço da divina união, deve insistir valorosamente na abnegação de si mesmo, e aplicar-se com diligência à santa introversão habitando diante de Deus dentro em si, e aspirar a este Senhor por contínuas e ardentes jaculatórias. Deve em tudo o que faz, ou deixa de fazer, ter por fim e motivo o agrado de Deus, buscando-o com intenção reta e simples. Este é, e não outro, o caminho de chegar à perfeição e união mística com Deus.
43. Na obra do espírito que é a Oração espiritual, quem menos imagina e pretende obrar, obra mais. As obras interiores devem ser todas suaves e pacíficas; fazer coisa penosa, antes dana, que aproveita. Chamo penosa qualquer força que nós queiramos fazer, como reprimir o fôlego. Deixe-se a alma nas mãos de Deus (faça dela o que quiser) no maior descuido que puder do seu aproveitamento e na maior resignação na vontade de Deus. Esta doutrina é de Santa Teresa; mas advirta-se que fala na Oração já espiritual dos aproveitados; e não na material, ou imaginária dos principiantes; que estes hão de trabalhar mais da sua parte.
44. Toda a graça espiritual, dom natural e qualquer coisa feita com acerto, devemos referi-la a Deus Nosso Senhor, dando-lhe por isso graças e louvores; e não atribuir a nós outra coisa senão os pecados e defeitos.
45. Hei de ter muito fixo e assentado na minha alma que nenhuma coisa devo desejar, nem por coisa alguma me hei de afadigar, senão pela graça e amor de meu Senhor Jesus Cristo, e por não ofendê-lo em coisa alguma, senão agradar-lhe; ou venha a morte, ou a vida; a enfermidade, ou a saúde; a tristeza, ou a alegria; a honra, ou a desonra; o lugar alto, ou o baixo; aqui, ou no cabo do mundo; atendendo ao que mais me chega para Deus.
46. Lembra-te, alma, muitas vezes entre dia (especialmente quando fazes o exame de consciência) de dar graças a Nosso Senhor Jesus Cristo, porque te remiu, e fez amiga com Deus, e te ganhou tantos bens à custa de sua Paixão e trabalhos. E a Deus Nosso Senhor dá muitas graças, porque te deu a seu Filho por Irmão, Esposo, Pai, Mestre, Redentor, e sustento teu, e causa de todos teus bens.
47. O fruto da Comunhão, e de outro qualquer exercício espiritual há de ser adquirir maiores forças para servir e amar a Nosso Senhor com maiores veras, e para resistir às tentações e suportar os trabalhos com paciência; e não por gostos e sentimentos, os quais costumam ser sinais de imperfeitos e talvez pode vir do demônio para nos enganar; e assim não nos havemos de cansar muito por eles, se Nosso Senhor os não envia; e tendo-os, não desprezar aos outros que os não têm; que será cair em soberba e presunção; porque ainda que os não tenham, podem ser mais santos e amigos de Deus.
48. Jamais se há de falar de Deus, ou dos Santos, assim levemente, e por modo de entretenimento, e com os termos de facilidade que usamos na prática de coisas humanas; senão sempre com grande respeito, estimação e sentimento do espírito.
49. Está escrito que com os simples é a conversação de Deus. Se alguém pergunta, que coisa é simplicidade de coração, e como se adquire, responde-se: Que a simplicidade, em parte, é realmente o mesmo que a verdade e só difere em que a verdade consiste em concordarem os sinais com os significados; e a simplicidade em que não busca fins diversos, um no interior e outro no exterior. O meio de alcançar esta virtude é andar pegado a Deus (que é o espírito simplicíssimo e puríssimo) por Oração e presença sua contínua.
50. Gastar mal o tempo que era para a Oração, é furtá-lo a Deus. Oh que preciosas horas perdes, alma tíbia e descuidada! Lanças ouro e diamantes no mar; derramas bálsamos pelo chão. Para que é esta perdição e estrago? algum dia chorarás o erro; porém nunca recobrarás a perda.
51. Dizes que desejas amar a Deus; e arremessas ao Céu abrasadas jaculatórias, pedindo afetuosamente este amor. Bem fazer; porém adverte, que amar a Deus é padecer por ele de boamente; é não se amar a si próprio; é amar as Cruzes do desprezo, afronta, dor, pobreza, etc., é perdoar as injúrias e ainda desejá-las e agradecê-las; é dar bem por mal, sofrendo e metendo no coração a todos os próximos. Trabalha por fazer isto, que isto é amar a Deus.
52. Os Bem-aventurados apreendem a Deus, mas não o compreendem; como se por outros termos disséramos, que abraçam a Deus, mas não o abarcam; porque não é abraço que o feche, ou cinja todo. Veem a Essência Divina; mas não a sua definição: suposto que a sua definição é a sua mesma Essência. Como quem está no meio do mar alto, emprega toda sua vista, quão longe pode, no mesmo mar; porém não alcança a definição do mar, que são as praias. Fica o entendimento difuso e satisfeito, porque vê quanto pode, e vê que resta que ver infinitamente.
53. Alguns de entendimento sutil e coração altivo são muito dados a especular as coisas da Teologia mística, e tratam pouco da prática das virtudes; como que querem ganhar para si a Deus por uns jeitos e segredos que pertencem à notícia do entendimento, adquirida por estudo de livros espirituais e trato com pessoas amigas de Deus. E entretanto se descuidam dos pontos lhanos e substanciais do Evangelho, que são abrenunciação de tudo, resignação da vontade própria, insistência na Oração, e presença de Deus, aplicação das forças a fazer frutos dignos de penitência, caridade geral para com todos os próximos, etc. É erro capital que necessita de emenda.
54. Se alguém pergunta que sinais tem a consolação espiritual quando é de Deus, ouça ao glorioso S. Francisco de Sales [Introdução à vida devota, p. 4, c. 13], o qual comparando o coração humano à árvore, os afetos aos ramos, e as obras aos frutos, diz assim: Se as suavidades, ternuras e consolações nos fazem mais humildes, pacientes, tratáveis, caritativos e compassivos com os próximos; mais fervorosos em mortificar nossas concupiscências e perversas inclinações, mais constantes em nossos exercícios, mais sujeitos e rendidos aos que devemos obedecer, mais singelos em nosso procedimento, é sem dúvida que são de Deus. Mas se estas doçuras não têm doçura mais que para nós mesmos; se nos fazem curiosos, azedos, homens de pontinhos, impacientes, duros com os próximos, porfiosos, ferozes, presumidos, e que na suposição de que somos já uns Santos pequenos não queremos sujeitar-nos mais à correção e direção; indubitavelmente estas consolações são falsas e perniciosas; porque a árvore boa não leva senão bons frutos. Tudo isto é destes grande mestre de espírito.
55. As mulheres costumam ser mais frequentemente favorecidas de Deus na Oração com êxtases, raptos e visões; sem que isto seja sinal certo de estarem em mais alto grau de santidade, do que alguns homens servos de Deus que não logram semelhantes favores. As razões disto parecem ser as seguintes: 1o. Porque são mais amorosas e enternecidas; e a graça de Deus se acomoda ao modo da nossa natureza, conforme o axioma dos Filósofos: Omne quod recipitur, ad modum accipientis recipitur; 2o. Porque na sua Oração caminham mais por afetos, que por discursos, os quais não são aptos para acender a alma, e uni-la com Deus; 3o. Porque são mais singelas, e com menos reflexões; e com os tais é a conversação do Senhor: Cum simplicibus sermocinatio ejus; 4o. Porque são mais fracas; e assim necessitam deste conduto para a sua natureza aturar os trabalhos da vida espiritual; 5o. Porque parecia razão que Deus lhes compensasse com estes dons e favores, os merecimentos que lhes não concede nos graus e ofícios do Sacerdócio, Pregação Apostólica, governo Eclesiástico, administração de Sacramentos, etc. Contudo deve a pessoa que tem estas coisas extraordinárias (ou, para melhor dizer, quem assiste à sua direção espiritual), proceder com grande cautela e circunspeção. Porque, como disse a Seráfica Madre Santa Teresa, falando especialmente das Revelações: Aun que es verdad que muchas son verdaderas; pero tambien se sabe que son muchas falsas y mentirosas: y es cosa rezia andar sacando una verdad entre cien mentiras. Nestas palavas são dignas de notar-se três coisas: 1o. Serem de uma tão sábia e experimentada Doutora e ditas quando já vivia no Reino da verdade, vendo o rosto de Deus claramente; 2o. Serem dirigidas ao ensino das suas Religiosas, que floresciam no primeiro vigor da Reforma; 3o. Fazerem comparação das revelações verdadeiras com as falsas. Como pois não será arriscado calcularem por verdade quaisquer diretores, quaisquer revelações, em quaisquer pessoas.

__________________________________________
Tirado do livro "Luz e Calor", do Pe. Manuel Bernardes.

http://meninamariadenazareth.blogspot.com.br/2014/04/sentencas-e-avisos-uteis-para-direcao_26.html

domingo, 8 de fevereiro de 2015

História de São Jerônimo Emiliano


São Jerônimo Emiliano
São Jerônimo Emiliano, protetor dos órfãos e dos jovens abandonados.
Jerônimo Emiliano nasceu em Veneza, Itália, no ano de 1841. Era filho de família rica. Seu pai era um Senador e sua mãe, chamada Eleonora, ensinou as virtudes cristãs quando ele ainda era uma criança.

Perigo de perdição

Quando seu pai morreu, ele tinha 15 anos e quis entrar para o exército. Assim, tornou-se um valoroso soldado, conquistando todos os postos militares de Veneza até se tornar um general.
Por causa do "glamour" do exército, Jerônimo passou a levar uma vida desregrada, cheia de vícios, comuns para os homens da época, principalmente os militares. E Jerônimo passou a ser  muito violento e rude.

Prisão

Os reis Luis XII da França, Maximiliano da Alemanha, Fernando da Espanha, junto com o Papa, formavam a liga de Cambrav. Esta liga entrou em guerra com os venezianos. Por isso, Jerônimo ficou em Veneza para defender Castel Nuovo, lutando até o final. Assim, ele foi preso, torturado e levado para uma torre, onde ficou acorrentado o tempo todo, passando a pão e água.

Conversão de São Jerônimo

Começava ali a conversão de Jerônimo. Lembrando dos ensinamentos de sua mãe, arrependeu-se de seus pecados, dizendo para Deus que aceitava aquele sofrimento por causa da vida desregrada que sempre levou ao longo se sua vida, e passou a oferecer aquele sacrifício pela sua conversão.

Milagre de Nossa Senhora de Treviso

Jerônimo passou a dedicar todo seu tempo na prisão à oração pela sua conversão e pelo perdão de seus inúmeros pecados. Foi, então, que Nossa Senhora de Treviso apareceu para ele, entregando-lhe as chaves das correntes e das portas da torre para que ele fugisse de Lá. Milagrosamente, ele saiu pela porta da frente, caminhou pelo campo sem ser visto por ninguém. Por fim, ele foi parar na Igreja de Treviso. Lá, colocou as chaves e as correntes sobre o altar e confirmou ali sua conversão a Deus. Sào Jerônimo pediu para que fosse registrado este ato e que fosse pintado um quadro daquele momento histórico para ele e para a Igreja.

A oração de sua vida

Diante do altar ele fez esta oração, que o seguiria por toda a sua vida: "Ó Senhor Jesus, não sejais um juiz para mim, sede antes o meu salvador". Aos poucos, ele foi abandonando a vida de riquezas que tinha. Quando uma peste e uma grande fome assolaram a Itália, no ano de 1528, ele vendeu seus móveis e transformou sua casa em um hospital para ajudar aos mais necessitados.

Doença e cura

São Jerônimo ficou gravemente doente na época da peste. Porém, fez um pedido a Deus e uma promessa: se ficasse curado, iria trabalhar muito mais para a conversão dos pecadores. Ele foi milagrosamente curado e passou a trabalhar somente para o reino de Deus.

Cuidando das crianças órfãs

Por causa da guerra, da peste e da fome, muitas pessoas morreram deixando órfãos um grande número de crianças. Então, São Jerônimo começou um trabalho que no futuro iria levá-lo a fundar uma casa de religiosos.
Passou a pegar todos os abandonados nas ruas e levá-los para sua casa. Lá, os ensinava, tratava e alimentava. Rezava com eles, participava de missas, e principalmente dava o apoio que os órfãos necessitavam. Passado algum tempo, ele foi ordenado sacerdote e levou seu trabalho para outras cidades da região de Veneza.

Ordem religiosa

Fundou, então, na cidade de Somasca, um seminário junto a um convento, criando a Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca, a chamada Companhia dos Servos dos Pobres, pautando todo o ensinamento da nova ordem sobre a pobreza, com trabalho voltado para os órfãos,  moribundos das cidades e a instrução dos jovens.

Trabalho com mulheres prostituídas

São Jerônimo Emiliano fundou também uma casa para mulheres na cidade de Bérgamo. Ali, acolhiam meninas, moças e mulheres que eles tiraram das ruas e das casas de prostituição, criando uma espécie de convento para as mulheres arrependidas. Estas, por sua vez, passaram também a ajudar os órfãos e desamparados que encontravam pelo caminho. O Papa Paulo III aprovou a fundação da congregação de São Jerônimo e se tornou um grande amigo do Santo.

Hospital dos incuráveis

Vendo o grande trabalho que São Jerônimo fazia com os doentes, o governador de Veneza deu a direção do "Hospital dos Incuráveis" para que ele tomasse conta. O santo viu nisso mais uma oportunidade para ajudar aos necessitados. Assim, assumiu a direção do hospital e, com isso, atraiu muitos doadores, revitalizando o lugar e aumentado o numero de seguidores no seu seminário. Depois disso, ele fundou vários orfanatos por toda a Itália.

Morte de São Jerônimo

São Jerônimo Emiliano sentiu que sua morte se aproximava. Por isso, consolidou a fundação de sua ordem, designando seu sucessor e deixando tudo pronto para que seu trabalho nunca terminasse. E de fato, no ano de 1537 com 56 anos de idade, ficou gravemente doente, por estar cuidando dos doentes de uma grande peste que assolou a Itália. E, e no dia 8 de fevereiro, após a Sagrada Comunhão, entregou sua alma a Deus.

Beatificação e canonização

São Jerônimo Emiliano foi Beatificado no ano de 1747. Vinte anos depois, foi canonizado  no ano de 1767. No ano de 1928, o Papa Pio XI o proclamou "Patrono universal dos órfãos e da juventude abandonada" por causa da maravilhosa missão de sua vida.

Oração a São Jerônimo Emiliano

"Graças e louvores sejam dadas ao Deus de todas as consolações pelas inúmeras graças concedidas a São Jerônimo Emiliano, fazendo-o fundador da Sociedade dos Clérigos Regulares, ajudando a muitos desvalidos e doentes, entre tantos necessitados. Dai-nos Senhor, amor por Vós e por todas as coisas Santas. São Jerônimo Emiliano, rogai por nós. Amém."

http://www.cruzterrasanta.com.br/historia/sao-emiliano

Santo Jerônimo Emiliano

Pertencente a uma família nobre, fez rápida carreira como militar e como político. Aprisionado pelos franceses, du­rante o cativeiro resolveu renun­ciar ao mundo e consagrar-se por inteiro a Deus. Foi libertado pro­digiosamente por Nossa Senhora e retomou a sua cidade natal, onde foi ordenado sacerdote e se dedi­cou ao cuidado dos órfãos pobres. Fundou a Ordem dos Clérigos Regulares.
Jerônimo Emiliani, nasceu em Veneza, Itália, em 1486. Sua juventude foi bastante tumultuada, com comportamentos mundanos e desregrados. Desde os quinze anos serviu como soldado e durante muito tempo foi mantido como prisioneiro pelo exército imperial de Treviso. Neste período, ele foi envolvido numa forte experiência de conversão. Atormentado pela memória de seus pecados, reconheceu em Cristo Crucificado o amor misericordioso do Pai.

Quando saiu em liberdade, se desfez de toda a fortuna e se consagrou a uma missão muito especial, baseada na revelação da paternidade divina: compartilhar e viver em comunidade com os órfãos, os pobres e os doentes.
Em 1531 fundou um instituto de religiosos na cidade de Somasca, Itália. Logo foram chamados de "padres Somascos". Jerônimo Emiliani permaneceu leigo e dedicou sua existência a Deus e à caridade. Seus trabalhos solidários se estendiam aos doentes e miseráveis como também as crianças órfãs e às prostitutas.

A motivação da sua vida espiritual foi o desejo de devolver a Igreja ao estado de santidade das primeiras comunidades cristãs. Este mesmo ideal determinou o modo de organizar a vida das casas que acolhiam os órfãos. O grupo religioso se destacou por proporcionar educação gratuita aos menores abandonados e órfãos. Dos muitos colaboradores que se aproximaram dele, alguns tomaram a decisão de seguir o seu estilo de vida. Assim nascia a Companhia dos Servos dos Pobres.

Prestes a morrer, Jerônimo Emiliani transmitiu a seus discípulos um testamento que sintetizava sua experiência espiritual e representava, ao mesmo tempo, um itinerário de vida cristã: "Segui o caminho do Crucificado, desprezai a iniqüidade, amai-vos uns aos outros e servi aos pobres".

Afetado por uma peste que contraíra servindo aos doentes durante uma epidemia que se espalhou pela cidade; Jerônimo Emiliani acabou falecendo na cidade de Somasca, Itália, no dia 8 de fevereiro de 1537.

O papa São Pio V, em 1568 oficializou a Ordem dos Religiosos de Somasca.
Jerônimo Emiliani foi canonizado em 1767 e o dia 8 de Fevereiro escolhido para a sua homenagem.
Em 1928, o Papa Pio XI o declarou Padroeiro dos órfãos e das crianças abandonadas.

 http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Os%20Santos%20do%20Dia/Santos%20do%20M%C3%AAs%20de%20Fevereiro/08.02%20Santo%20Jer%C3%B4nimo%20Emiliano%20-%20%20.htm

sábado, 7 de fevereiro de 2015

PORQUE NOS LAMENTARMOS POR NÃO SERMOS ATENDIDOS?

2735. Antes de mais, uma constatação deveria surpreender-nos. É que, quando louvamos a Deus ou Lhe damos graças pelos seus benefícios em geral, não nos importamos nada com saber se a nossa oração Lhe é agradável, ao passo que exigimos ver o resultado da nossa petição. Qual é, então, a imagem de Deus que motiva a nossa oração: um meio a utilizar ou o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo?
2736. Será que estamos convencidos de que «não sabemos o que pedir, para rezar como devemos» (Rm 8, 26)? Será que pedimos a Deus «os bens convenientes»? O nosso Pai sabe muito bem do que precisamos, antes que Lho peçamos (21), mas espera o nosso pedido, porque a dignidade dos seus filhos está na sua liberdade. Devemos, pois, orar com o seu Espírito de liberdade para podermos conhecer de verdade qual é o seu desejo (22).
2737. «Não tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões» (Tg 4, 2-3) (23). Se pedirmos com um coração dividido, «adúltero» (24), Deus não pode atender-nos, pois quer o nosso bem, a nossa vida. «Ou pensais que a Escritura diz em vão: "o Espírito que habita em nós ama-nos com ciúme"?» (Tg 4, 5). O nosso Deus é «ciumento» de nós e isso é sinal da verdade do seu amor. Entremos no desejo do seu Espírito e seremos atendidos:
«Não te aflijas, se não recebes logo de Deus o que Lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te ainda mais pela tua perseverança em permanecer com Ele na oração» (25).
Ele quer «que o nosso desejo se exercite na oração dilatando-nos, de modo a termos capacidade para receber o que Ele prepara para nos dar» (26).
COMO É QUE A NOSSA ORAÇÃO SERIA EFICAZ?
2738. A revelação da oração na economia da salvação ensina-nos que a fé se apoia na acção de Deus na história. A confiança filial é suscitada pela sua acção por excelência: a paixão e ressurreição do seu Filho. A oração cristã é cooperação com a sua providência, com o seu desígnio de amor para com os homens.
2739. Em São Paulo, esta confiança é audaciosa (27), apoiando-se na oração do Espírito em nós e no amor fiel do Pai que nos deu o seu Filho Único (28). A transformação do coração que ora é a primeira resposta ao nosso pedido.
2740. A oração de Jesus faz da oração cristã uma petição eficaz. Jesus é o modelo da oração cristã; Ele ora em nós e connosco. Uma vez que o coração do Filho não procura senão o que agrada ao Pai, como poderia o dos filhos adoptivos apegar-se mais aos dons que ao Doador?
2741. Jesus também ora por nós, em nosso lugar e em nosso favor. Todos os nossos pedidos foram reunidos, de uma vez por todas, no seu brado sobre a cruz e atendidos pelo Pai na sua ressurreição; e é por isso que Ele não cessa de interceder por nós junto do Pai (29). Se a nossa oração estiver resolutamente unida à de Jesus na confiança e na audácia filial, obteremos tudo o que pedirmos em seu nome e muito mais do que isto ou aquilo: o próprio Espírito Santo que inclui todos os dons.
IV. Perseverar no amor
2742. «Orai sem cessar» (1 Ts 5, 17), «dai sempre graças por tudo a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 5, 20), «servindo-vos de toda a espécie de orações e preces, orai em todo o tempo no Espírito Santo; e, para isso, vigiai com toda a perseverança e com preces por todos os santos» (Ef 6, 18). «Não nos foi mandado que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar» (30) Este fervor incansável só pode vir do amor. Contra a nossa lentidão e preguiça, o combate da oração é o do amorhumilde, confiante e perseverante. Este amor abre os nossos corações a três evidências de fé, luminosas e vivificantes:
2743. Orar é sempre possível: O tempo do cristão é o de Cristo Ressuscitado, que está «connosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades (31). O nosso tempo está na mão de Deus:
«É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio solitário, fazer oração frequente e fervorosa; sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar» (32).
2744. Orar é uma necessidade vital. A demonstração do contrário não é menos convincente: se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recairemos na escravidão do pecado (33). Ora, como pode o Espírito Santo ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d'Ele?
«Nada iguala o valor da oração; ela torna possível o impossível, fácil o difícil. [...] É impossível [...] que o homem que ora caia no pecado» (34). «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza»».
2745. Oração e vida cristã são inseparáveis, porque se trata do mesmo amor e da mesma renúncia que procede do amor; da mesma conformidade filial e amorosa com o desígnio de amor do Pai; da mesma união transformante no Espírito Santo que nos conforma sempre mais com Cristo Jesus; do mesmo amor para com todos os homens, desse amor com que Jesus nos amou. «Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros» (Jo 15, 16-17).
«Ora sem cessar, aquele que une a oração às obras e as obras à oração. Só assim é que podemos considerar como realizável o preceito de orar incessantemente»(36).
V. A oração da Hora de Jesus
2746. Ao chegar a sua «Hora», Jesus ora ao Pai (37). A sua oração, a mais longa que nos é transmitida pelo Evangelho, abraça toda a economia da criação e da salvação, bem como a sua morte e ressurreição. A oração da «Hora» de Jesus continua sempre sua, tal como a sua Páscoa, acontecida «uma vez por todas», continua presente na liturgia da sua Igreja.
2747. A tradição cristã chama-lhe, a justo título, a oração «sacerdotal» de Jesus. Ela é, de facto, a oração do nosso Sumo-Sacerdote, inseparável do seu sacrifício, da sua «passagem» (páscoa) deste mundo para o Pai, em que é inteiramente «consagrado» ao Pai (38).
2748. Nesta oração pascal, sacrificial, tudo está «recapitulado» n'Ele (39): Deus e o mundo, o Verbo e a carne, a vida eterna e o tempo, o amor que se entrega e o pecado que o atraiçoa, os discípulos presentes e os que n'Ele hão-de crer pela palavra deles, a humilhação e a glória. É a Oração da Unidade.
2749. Jesus cumpriu perfeitamente a obra do Pai e a sua oração, como o seu sacrifício estende-se até à consumação do tempo. A oração da «Hora» preenche os últimos tempos e leva-os à sua consumação. Jesus, o Filho a Quem o Pai tudo deu, entrega-Se todo ao Pai; e, ao mesmo tempo, exprime-Se com uma liberdade soberana (40), segundo o poder que o Pai Lhe deu sobre toda a carne. O Filho, que Se fez Servo, é o Senhor, o Pantocrátor. O nosso Sumo-Sacerdote que ora por nós é também Aquele que em nós ora e o Deus que nos atende.
2750. É entrando no santo nome do Senhor Jesus que podemos acolher, desde dentro, a oração que Ele nos ensina: «Pai nosso!». A sua oração sacerdotal inspira, a partir de dentro, as grandes petições do Pai-nosso: a preocupação com o nome do Pai  (41), a paixão pelo seu Reino (a glória) (42), o cumprimento da vontade do Pai, do seu desígnio de salvação (43) e a libertação do mal (44).
2751. Finalmente, é nesta oração que Jesus nos revela e nos dá o «conhecimento» indissociável do Pai e do Filho (45), que é o próprio mistério da vida de oração.
Resumindo:
2752. A oração pressupõe esforço e luta contra nós mesmos e contra as ciladas do Tentador. O combate da oração é inseparável do «combate espiritual» necessário para agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo: ora-se como se vive, porque se vive como se ora.
2753. No combate da oração, devemos enfrentar concepções erróneas, diversas correntes de mentalidades e a experiência dos nossos fracassos. A estas tentações, que lançam a dúvida sobre a utilidade ou até mesmo a possibilidade da oração, convém responder com humildade, confiança e perseverança.
2754. As principais dificuldades no exercício da oração são a distracção e a aridez. O remédio está na fé, na conversão e na vigilância do coração.
2755. Duas tentações frequentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acédia, que é uma espécie de depressão devida ao relaxamento da ascese e que leva ao desânimo.
2756A confiança filial é posta à prova quando temos a sensação de nem sempre ser atendidos. O Evangelho convida-nos a interrogarmo-nos sobre a conformidade da nossa oração com o desejo do Espírito.
2757. «Orai sem cessar» (1 Ts 5, 17). Orar é sempre possível. É, até, uma necessidade vital. Oração e vida cristã são inseparáveis.
2758. A oração da «Hora» de Jesus, justamente chamada «oração sacerdotal» (46),recapitula toda a economia da criação e da salvação. É ela que inspira as grandes petições do «Pai-nosso».



1. São Gregório Nazianzo, Oratio 27 (theologica 1), 4: SC 250, 78 (PG 36, 16).
2. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 2, 2: PG 54, 646.
3. Cf. Mt 11, 25-26.
4. Cf. Mc 14, 36.
5. Santa Teresa de Jesus, Camino de perfección, 25: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 3 (Burgos 1916) p. 122. [Cf. Santa Teresa de Jesus, Caminho de perfeição, 25: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1994) p. 494].
6. Cf. Mc 4, 4-7. 15-19.
7. Santa Teresa de Jesus, Libro de la vida, 8: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 1 (Burgos 1915) p. 57. [Cf. Santa Teresa de Jesus, Livro da vida, 8: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1994) p. 56].
8. Cf. Ct 3, 1-4.
9. Cf. Lc 7, 36-50; 19, 1-10.
10. Cf. Jr 31, 33.
11. Cf. Ef 3, 16-17.
12. Cf. F. Trochu, Le Curé d'Ars Saint Jean-Marie Vianney (Lyon-Paris 1927) p. 223-224.
13. Cf. Santo Inácio de Loyola, Exercitia spiritualia, 104: MHSI 100, 224.
14. Santo Isaac de Nínive, Tractatus mystici, 66: ed. A. J. Wensinck (Amsterdam 1923) p. 315; ed. P. Bedjan (Parisiis-Lipsiae 1909) p. 470.
15. São João da Cruz, Carta, 6: Biblioteca Mística carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 262.[Cf. São João da Cruz, Carta Sexta: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 967].
16. Cf. Mt 26, 40-41.
17. Cf. Mc 10, 22.
18. Cf. Mt 6, 21.24.
19. Cf. Lc 8, 6.13.
20. Cf. Rm 5, 3-5.
21. Cf. Mt 6, 8.
22. Cf. Rm 8, 27.
23. Cf. todo o contexto de Tg 1, 5-8; 4, 1-10; 5, 16.
24. Cf. Tg 4, 4.
25. Evágrio do Ponto, De Oratione, 34: PG 79, 1173.
26. Santo Agostinho, Epistula 130, 8, 17: CSEL 44, 59 (PL 33, 500).
27. Cf. Rm 10, 12-13.
28. Cf. Rm 8, 26-39.
29. Cf. Heb 5, 7; 7, 25; 9, 24.
30.  Evágrio do Ponto, Capita practica ad Anatolium, 49: SC 171, 610 (PG 40, 1245).
31. Cf. Lc 8, 24.
32. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 4, 6: PG 54, 668.
33. Cf. Gl 5, 16-25.
34. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 4, 5: PG 54, 666.
35. Santo Afonso de Ligório, Del gran mezzo della preghiera, parte I, c. 1: ed. G. Cacciatore (Roma 1962) p. 32.
36. Orígenes, De oratione, 12, 2: GCS 3, 324-325 (PG 11, 452).
37.  Cf. Jo 17.
38. Cf. Jo 17, 11.13.19.
39. Cf. Ef 1, 10.
40. Cf. Jo 17, 11.13.19.24.
41. Cf. Jo 17, 6.11.12.26.
42. Cf. Jo 17, 1.5.10.22.23-26.
43. Cf. Jo 17, 2.4.6.9.11.12.24.
44 Cf. Jo 17, 15. 4.
45. Cf. Jo 17, 3.6-10.25.
46. Cf. Jo 17.

O COMBATE DA ORAÇÃO

2725. A oração é um dom da graça e uma resposta decidida da nossa parte. Pressupõe sempre um esforço. Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, bem como a Mãe de Deus e os santos com Ele no-lo ensinam: a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra as astúcias do Tentador que tudo faz para desviar o homem da oração e da união com o seu Deus. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não se quiser agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo, também não se pode orar habitualmente em seu nome. O «combate espiritual» da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração.
I. As objecções à oração
2726. No combate da oração, temos de enfrentar, em nós e à nossa volta, concepções erróneas da oração. Alguns vêem nela uma simples operação psicológica; outros, um esforço de concentração para chegar ao vazio mental; outros ainda, reduzem-na a atitudes e palavras rituais. No inconsciente de muitos cristãos, rezar é uma ocupação incompatível com tudo o que têm de fazer: não têm tempo. Os que procuram a Deus na oração desanimam depressa, porque não sabem que a oração também vem do Espírito Santo e não somente de si próprios.
2727. Temos de enfrentar também certas mentalidades «deste mundo» que nos invadem, se não estivermos atentos. Por exemplo: só é verdadeiro o que se pode verificar pela razão e pela ciência (mas orar é um mistério que ultrapassa a nossa consciência e o nosso inconsciente); os valores são a produção e o rendimento (mas a oração é improdutiva, logo inútil); o sensualismo e o conforto são os critérios do verdadeiro, do bem e do belo (mas a oração, «amor da beleza» – philocália – deixa-se encantar pela glória do Deus vivo e verdadeiro); em reacção ao activismo, temos a oração apresentada como fuga do mundo (mas a oração cristã não é uma saída da história nem um divórcio da vida).
2728. Finalmente, o nosso combate tem de enfrentar aquilo que sentimos como sendo os nossos fracassos na oração: desânimo na aridez, tristeza por não dar tudo ao Senhor, porque temos «muitos bens» decepção por não sermos atendidos segundo a nossa própria vontade, o nosso orgulho ferido que se endurece perante a nossa indignidade de pecadores, alergia à gratuitidade da oração, etc... A conclusão é sempre a mesma: de que serve orar? Para vencer tais obstáculos, é preciso combater com humildade, confiança e perseverança.
II. A humilde vigilância do coração
PERANTE AS DIFICULDADES DA ORAÇÃO
2729. A dificuldade habitual da nossa oração é a distracção. Pode ter por objecto as palavras e o seu sentido, na oração vocal; mais profundamente, pode incidir sobre Aquele a Quem rezamos, na oração vocal (litúrgica ou pessoal), na meditação e na contemplação. Partir à caça das distracções seria cair nas suas ciladas; basta regressar ao nosso coração: uma distracção revela-nos aquilo a que estamos apegados e esta humilde tomada de consciência diante do Senhor deve despertar o nosso amor preferencial por Ele, oferecendo-Lhe resolutamente o nosso coração para que Ele o purifique. É aí que se situa o combate: na escolha do Senhor a quem servir (18).
2730. Positivamente, o combate contra o nosso eu, possessivo e dominador, consiste navigilância, a sobriedade do coração. Quando Jesus insiste na vigilância, esta refere-se sempre a Ele, à sua vinda, no último dia e em cada dia: «hoje». O Esposo chega a meio da noite. A luz que não se deve extinguir é a da fé: «Diz-me o coração: "Procura a sua face"» (Sl 27, 8).
2731. Outra dificuldade, especialmente para os que querem rezar com sinceridade, é a aridez.Faz parte da oração em que o coração está seco, sem gosto pelos pensamentos, lembranças e sentimentos, mesmo espirituais. É o momento da fé pura, que se aguenta fielmente ao lado de Jesus na agonia e no sepulcro. «Se o grão de trigo morrer, dará muito fruto» (Jo 12, 24). Se a aridez for devida à falta de raiz, por a Palavra ter caído em terreno pedregoso, o combate entra no campo da conversão (19).
PERANTE AS TENTAÇÕES NA ORAÇÃO
2732. A tentação mais comum e a mais oculta é a nossa falta de fé. Exprime-se menos por uma incredulidade declarada do que por uma preferência de facto. Quando começamos a orar, mil trabalhos e preocupações, julgados urgentes, apresentam-se-nos como prioritários. É mais uma vez o momento da verdade do coração e do seu amor preferencial. Umas vezes, voltamo-nos para o Senhor como nosso último recurso: mas será que acreditamos mesmo n'Ele? Outras vezes, tomamos o Senhor como aliado, mas conservamos o coração cheio de presunção. Em todos os casos, a nossa falta de fé revela que ainda não temos as disposições de um coração humilde: «Sem Mim, nada podereis fazer» (Jo 15, 5).
2733. Outra tentação, à qual a presunção abre a porta, é a acédia. Os Padres espirituais entendem por ela uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. «O espírito está decidido, mas a carne é fraca» (Mt 26, 41). Quanto de mais alto se cai, mais magoado se fica. O desânimo doloroso é o reverso da presunção. Quem é humilde não se admira da sua miséria; ela leva-o a ter mais confiança e a manter-se firme na constância.

http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p4s1cap3_2697-2758_po.html

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...