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terça-feira, 19 de junho de 2018

- Feliz na Solidão -


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Sem o filho que eu tanto desejava;
sem os beijos de uma mulher companheira;
lidando todo dia com o austero.
Assim a solidão me fixou.

E Deus me faz feliz de outra maneira.
Dentro de paredes de rigorosa clausura
o céu e a terra minhas fronteiras,
na rotina monástica e séria,
apenas com a aventura da fé.

E Deus me faz feliz de outra maneira.
Como uma nuvem que voa solitária,
bela parábola do grão de trigo,
assim vivo na minha cela sem testemunha,
nenhum outro entretenimento que a minha oração.

E Deus me faz feliz, e eu o bendigo.
Vibro com o meu corpo consagrado
como pedra esculpida na mineira;
à espera da Eterna Primavera
suspirando assim tanto como eu sonhava.

E Deus me faz feliz de outra maneira.
Domino o coração com a castidade,
a humanidade sem qualquer dificuldade;
em silêncio na minha cela, à espera
sem nada que suavize a minha solidão.

E Deus me faz feliz, e como!!!

(um cartuxo)

A verdadeira devoção

A verdadeira devoção, Filotéia, pressupõe o amor de Deus, ou, melhor, ela mesma é o mais perfeito amor a Deus. Esse amor chama-se graça, porque adereça a nossa alma e a torna bela aos olhos de Deus. Se nos dá força e vigor para praticar o bem, assume o nome de caridade. E, se nos faz praticar o bem frequente, pronta e cuidadosamente, chamam-se devoção e atinge então ao maior grau de perfeição. Vou esclarecê-lo com uma explicação tão simples quão natural.
Os avestruzes tem asas, mas nunca se elevam acima da terra. As galinhas voam, mas tem um voo pesado e o levantam raras vezes e a pouca altura. O voo das águias, das pombas, das andorinhas é veloz e alto e quase contínuo. De modo semelhante, os pecadores são homens terrenos e vão se arrastando de contínuo à flor da terra. Os justos, que são ainda imperfeitos, elevam-se para o céu pelas obras, mas fazem-no lenta e raramente, com uma espécie de peso no coração.
São só as almas possuidoras de uma devoção sólida que, à semelhança das águias e das pombas, se exalçam a Deus por um voo vivo, sublime e, por assim dizer, incansável. Numa palavra, a devoção não é nada mais do que uma agilidade e viveza espiritual, da qual ou a caridade opera em nós, ou nós mesmos, levados pela caridade, operamos todo o bem de que somos capazes.
A caridade nos faz observar todos os mandamentos de Deus sem exceção, e a devoção faz com que os observemos com toda a diligencia e fervor possíveis. Todo aquele, portanto, que não cumpre os mandamentos de Deus não é justo e, muito menos, devoto; para se ser justo, é necessário que se tenha caridade e, para se ser devoto, é necessário ainda por cima que se pratique com um fervor vivo e pronto todo o bem que se pode.
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Fonte: Facebook

domingo, 10 de junho de 2018

Como queres receber de Deus os castigos por teus pecados? Aplicados com misericórdia ainda neste mundo, ou no outro com punição da justiça rigorosa


Com efeito, queridos Amigos da Cruz, sois todos pecadores. Não há um só dentre vós que não mereça o inferno, e eu mais que ninguém. É preciso que nossos pecados sejam castigados neste mundo ou no outro. Se o forem neste, não o serão no outro.

Se Deus os castigar neste mundo de acordo conosco, esta punição será amorosa: quem há de castigar será a misericórdia, que reina neste mundo, e não a justiça rigorosa. O castigo será leve e passageiro, acompanhado de atenuantes e de méritos, seguido de recompensas no tempo e na eternidade.

Mas se o castigo necessário dos pecados que cometemos for no tempo reservado para o outro mundo, a punição caberá à justiça vingadora de Deus, que leva tudo a fogo e sangue! Castigo espantoso, horrendo, inefável, incompreensível: Quem conhece o poder de tua cólera?” ( Sl 89, 2). Castigo sem misericórdia, sem piedade, sem alívio, sem méritos, sem limite e sem fim. Sim, sem fim: esse pecado mortal de um momento, que cometestes; esse pensamento mau e voluntário, que escapou a vosso conhecimento, essa palavra que o vento levou; essa açãozinha contra a lei de Deus, que durou tão pouco, será punida eternamente, enquanto Deus for Deus, com os demônios no inferno, sem que o Deus das vinganças tenha piedade de vossos soluços e de vossas lágrimas, capazes de fender as pedras! Sofrer para sempre sem mérito, sem misericórdia e sem fim!

Será que pensamos nisto, queridos Irmãos e Irmãs, quando sofremos alguma pena neste mundo? Como somos felizes de poder trocar tão vantajosamente uma pena eterna e infrutífera por outra, passageira e meritória, carregando nossa cruz com paciência! Quantas dívidas temos a pagar! Quantos pecados temos, cuja expiação, mesmo após amarga contrição e confissão sincera, será preciso que soframos no purgatório durante séculos inteiros, porque nos contentamos, neste mundo, de penitências leves demais! Ah! Paguemos neste mundo de forma amigável, levando bem nossa cruz! Tudo deverá ser pago rigorosamente no outro, até o último centavo, mesmo uma palavra ociosa. “No dia do castigo deveremos dar conta de toda palavra ociosa que houvermos dito” (Mt 12, 36). Se pudéssemos arrebatar ao demônio o livro de morte, onde anotou os nossos pecados todos e a pena que lhes corresponde, que grande “debet” verificaríamos, e como nos sentiríamos encantados de sofrer durante anos inteiros neste mundo, para não sofrer um só dia no outro!


Por São Luiz Maria Grignion de Montfort em CARTA AOS AMIGOS DA CRUZ


https://arenadateologia.blogspot.com/2018/06/como-queres-receber-de-deus-os-castigos.html?d=126744311

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Ao Anjo da Guarda


Ao anjo da guarda

Ó tu que cruzas o espaço
Mais veloz do que os relâmpagos,
Peço-te, em meu lugar,
Voa até aqueles que amo!
Com as asas seca seu pranto,
Canta que Jesus é bom
E que a dor tem seus encantos
E sussurra-lhes meu nome...


#SantaTeresinhaDoMeninoJesus

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Santa Catarina de Bolonha



Virgem da Segunda Ordem (1413-1463). Canonizada por Clemente XI no dia 22 de maio de 1712.

Filha de Benvenuta Mamolim e de Giovani Vigri, Catarina nasceu em Bolonha no ano de 1413. Foi educada na corte de Ferrara, como dama de companhia de Margarida, filha de Nicolau III, marquês D’Este, a serviço de quem estava seu pai como diplomata. Aos treze anos de idade, após ter ficado órfã de pai e depois do casamento de Margarida com Roberto Malatesta de Rimini, Catarina decide-se pela vida religiosa.

Foi exatamente na corte de Ferrara, num ambiente moralmente deturpado, que a semente da vocação religiosa germinou no coração de Catarina. Deixando a mãe, uma irmã e um irmão, ingressou num mosteiro de Terciárias Agostinianas (1427) aos catorze anos. Era uma comunidade fundada por uma grande dama de Ferrara, tia Lúcia Mascaroni que na época a dirigia. Durante sua permanência na corte de Ferrara, Catarina mantivera estreito contato com os Frades Menores da Observância no convento do Santo Espírito, onde recebia a orientação espiritual que solidificou o seu desejo de servir a Deus.

Percebendo que a comunidade na qual ingressara não vivia com radicalidade evangélica sua opção, sentia cada vez mais o anseio de que de comum acordo passassem a viver a Regra de Santa Clara, e que tivessem a orientação dos Observantes, cujo testemunho de vida sempre a impressionara. Com o apoio sincero e confiante da senhora Lúcia Mascaroni, depois de inúmeras dificuldades e vicissitudes motivadas por divisões internas do grupo de mulheres que viviam então no Mosteiro Corpus Christi, mas por influência decisiva de Catarina, adotam finalmente a Regra própria de Santa Clara.

O Papa Eugênio IV, em uma bula de abril de 1431, enviou algumas Clarissas de Mântua para que formassem as componentes da nova comunidade clariana, estimulando a exata observância da Regra no seu primitivo rigor, atendendo assim às santas aspirações de Catarina e das suas companheiras. Depois de algum tempo de aprofundamento neste estilo de vida – o que considerou como o seu noviciado – Catarina professou em 1432, com dezenove anos, a Regra de Santa Clara, pela qual tanto lutara.

Catarina era de saúde muito delicada, mas esquecia-se complemente de si mesma, impondo a si mesma os trabalhos mais pesados e difíceis para poupar as demais. Desempenhou muitas funções a serviço de sua comunidade, entre elas a de padeira e de enfermeira. Foi exemplar na humildade e na obediência, em meio a inúmeras tentações de rebelião e de desespero, durante boa parte de sua vida em Ferrara. Era sempre pródiga na caridade para com suas irmãs.

Dotada de uma inteligência e de uma sensibilidade e perspicácia únicas, destacou-se como grande escritora, poetisa, pintora e mística do renascimento italiano. Seu estilo literário é original, precioso para o estudo da própria língua italiana da época, no dialeto de sua região. Jamais quis aceitar o ofício de abadessa em Ferrara, mas foi longamente mestra de noviças. O seu livro “As Sete Armas Espirituais” é uma síntese belíssima de sua pedagogia espiritual.

Na perspectiva de realizar uma nova fundação em Bolonha, Catarina foi escolhida como abadessa, nas véspera da partida das fundadoras, em cujo grupo ela já se contava. O temor em relação à difícil missão que o Senhor lhe pedia fez com que adoecesse gravemente naquela noite, tanto que pensavam as Irmãs que não sobreviveria. Mas na manhã seguinte, como por um milagre, partia com quinze companheiras para Bolonha, numa viagem memorável, em carruagem adaptada como clausura, que o povo acompanhava ou aclamava com júbilo. É o ano de 1456. Em pouco tempo o número de Irmãs em Bolonha se vê multiplicado.

A fama de santidade de Catarina atrai muitas jovens. A própria mãe de Catarina e sua irmã se fazem clarissas. O Mosteiro Corpus Domini de Bolonha torna-se um verdadeiro centro espiritual naquela cidade de douta cultura. O número de Clarissas rapidamente chega a sessenta. Dentre as mais fiéis colaboradoras que Catarina teve no trabalho de implantação do ideal de Santa Clara, estão as Bem-aventuradas: Giovana Lambertini (+1476), Paula Mezzavaca (1426-1482) e Iluminata Bembo (+1496).

Todas elas ingressaram em Ferrara, antes da observância da Regra de Santa Clara; participaram do grupo que fundou o Mosteiro de Bolonha e foram exemplares em seu testemunho de vida. Iluminata foi a primeira biógrafa de Santa Catarina. Seu manuscrito “Espelho de Iluminação” conserva-se atualmente no Mosteiro Corpus Domini de Bolonha, com as obras pessoais de Catarina: As Armas necessárias às batalhas espirituais, Breviário, Tratado sobre o modo de comportar-se nas tentações, Regras de vida religiosa, Louvores e dovoções, Cartas, Louvores espirituais e poesias, todos manuscritos autógrafos, alguns inéditos.

A partir de 1461, Catarina passa por períodos sucessivos de grave doença, até sua morte a 9 de março de 1463. Foi beatificada pelo Papa Clemente VII. Em 1712, Clemente XI declarou-a santa. Seu corpo se conserva incorrupto, em perfeito estado de conservação e flexível, na Igreja do Mosteiro Corpus Domini. Está sentada, com a Regra de Santa Clara nas mãos. É um dos casos mais interessantes na história! A festa de Santa Catarina se celebra no dia 9 de maio.

BIBLIOGRAFIA
LAINATI, Chiara Augusta – Temi Spirituali dagli Scritti del Secondo Ordine Francescano. Santa Maria degli Angeli, Assisi 1970.
RICCIARDI, Renzo, Santa Caterine da Bologne Scuola Grafica Salesiana, Bologna 1970
MUCCIOLI, Maurizio – Santa Caterine da Bologne – M¡stica del Quattrocento. Antoniano Ed Nigrizia. Bologna 1963


http://franciscanos.org.br/?p=17324

As 7 armas espirituais contra o demônio


Santa Catarina era constantemente tentada pelo demônio. Ela usou estas 7 armas para vencê-lo

Santa Catarina de Bolonha era de uma família nobre. Na corte, começou a receber aulas de artes e cultura desde muito jovem. Mas era muito notável sua tendência à vida de oração e piedade, além de sua grande compaixão para com os pobres.
Catarina ganhou a simpatia de todos por causa de seus dotes físicos e espirituais. Entretanto, a cada dia, ia crescendo nela o desejo de se consagrar ao Senhor.
Ela tinha só 14 anos quando decidiu abandonar a corte. E, depois da morte de seu pai, ficou sozinha com uma grande fortuna. Porém, embora tivesse muitos pretendentes, sentia que não tinha nascido para se casar.
Ela se juntou a um grupo de mulheres piedosas orientadas à espiritualidade agostiniana. Com isso, conseguiu aprofundar sua fé e a vida de oração. Não foi nada fácil, já que ela era constantemente atentada pelo demônio, que a enchia de dúvidas quanto à sua vocação. Porém, no fim, essas provas fortaleceram o seu espírito e iluminaram sua mente para que ela fosse capaz de diferenciar aquilo que vinha de Deus e o que era obra do demônio. Desses sofrimentos surgiram vários escritos biográficos, entre eles “As sete armas espirituais”.
Bento XVI, em uma de suas ilustres catequeses sobre os santos, nos conta detalhadamente a vida de Santa Catarina e resume o tratado de “As sete armas espirituais”. Confira:
  1. Ter o cuidado e a solicitude em fazer sempre o bem;
  2. Acreditar que, sozinhos, nunca poderemos fazer algo verdadeiramente bom;
  3. Confiar em Deus e, por amor a Ele, não temer nunca a batalha contra o mal tanto no mundo quanto em nós mesmos;
  4. Sempre refletir sobre os fatos e as palavras da vida de Jesus, sobretudo sobre a Paixão e Morte;
  5. Lembrar que devemos morrer;
  6. Ter fixa na mente a memória dos bens do Paraíso;
  7. Ter familiaridade com a Santa Escritura, levando-a sempre ao coração para que ela oriente todos os nossos pensamentos e ações.
O Santo Padre também acrescentou uma recomendação:
 “Um bom programa de vida espiritual, também hoje, para cada um de nós!”

Fonte: Bento XVI, Audiência Geral de 29 de dezembro de 2010

Esta é a oração que Padre Pio fazia quando rezava por alguém

PADRE PIO

Milhares de milagres foram obtidos através desta simples oração

Normalmente, temos nossa oração “de cabeceira” para fazer quando alguém nos pede que rezemos por uma intenção específica, né? Pode ser o Terço, o Pai Nosso ou simplesmente uma súplica sincera a Deus.
São Pio de Pietrelcina – mais conhecido como Padre Pio – tinha sua oração favorita, que ele rezava para todos que pediam. E, muitas vezes, a intenção era milagrosamente respondida por Deus.
Abaixo, reproduzimos esta oração poderosa. Na realidade, a oração foi composta por Santa Margarida Maria Alacoque e é conhecida como “Novena do Sagrado Coração de Jesus”.
O coração de Jesus é cheio de amor e compaixão. E esta oração é uma declaração de confiança neste amor, na crença de que Ele pode atender nossos pedidos, se for de sua santa vontade.
Mas devemos rezar com uma fé sincera, como o Padre Pio fazia. Esta oração não é mágica, e Deus não é um gênio que nos concede tudo o que pedimos. Mas ele sabe exatamente do que precisamos.

I. Ó, meu Jesus, que disseste: “Peçam, e lhes será dadobusquem, e encontrarãobatam, e a portalhes será aberta”, eis me aqui que, confiando em tuas santas palavras, bato à porta, busco e peço a graça …. (formular o pedido).
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
II. Ó, meu Jesus, que disseste: “Céus e terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão”, eis me aqui, e, confiando na infalibilidade de tuas santas peço a graça… (formular o pedido). 
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
III. Ó, meu Deus, que disseste: “Tudo o que pedires a meu Pai em meu nome vo-lo farei”, eis me aqui, e ao Pai Eterno e em teu nome peço a graça… (formular o pedido). 
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
Ó, Sagrado Coração de Jesus, que é incapaz de não sentir compaixão pelos infelizes, tem piedade de nós, pobres pecadores, e concede-nos as graças que pedimos em nome do Imaculado Coração de Maria, nossa Mãe. São José, pai adotivo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. Amém.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Não ostente

Não viva de ostentações. é tornar-se escravo de si mesmo endividar-se por bens e coisas para mostrar aos outros. Isso é cobrir-se com o véu da fantasia material. Todos veem seu cabedal e você vê suas dívidas e angústias para pegá-las. Não se iluda que pode tornar-se maior ou melhor mostrando possuir belas roupas, joias, carros... Você ouvirá elogios, mas no íntimo das pessoas será um desvairado, Não crie necessidade de objetos caros, dos quais jamais vai usá-los, ou que são voltáveis e supérfluos. Você irá sobrecarregar-se de trabalho para honrá-los, e ao final vai perceber que o tempo voou e você passou a melhor parte da sua vida pagando contas... Tenha posses para viver confortável, mas na exatidão do que a vida lhe permitir. Nesse contexto você será verdadeiro com o mundo e viverá em paz consigo mesmo. 

Inácio Dantas

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Que é um oblato secular?

MAN LOOKING OFF

Dentre as oblações de Nosso Senhor destaca-se a oração

A palavra oblato, em quaisquer modalidades que apareça no decorrer da história monástica, vem do latim oblatus e significa “oferecido” ou “ofertado”. É secular, se vive no mundo, ou regular, se mora no mosteiro.
Escreve a propósito, Dom Filipe da Silva, OSB, Abade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro (RJ), que “o vocábulo oblação aparece 63 vezes na Sagrada Escritura. Expressões sinônimas, como oferenda (19), oferta (98), entrega (13), sacrifício (247), totalizam 440 vezes. Esta grande incidência revela que a mesma teve uma presença viva na história sagrada, atingindo seu ponto alto na [oferta] realizada por Jesus” (Oblação: oferta a Deus e aos irmãos in Oblação: oferta a Deus e aos irmãos, 2012, p. 92).
A explicação oferecida por Dom Filipe sobre o assunto é importante e merece ser aqui resumida, pois, a nosso ver, expressa bem o sentido bíblico-teológico da oblação. Com efeito, começa demonstrando que, já no Antigo Testamento, eram oferecidos ao Senhor animais, frutos ou bens da terra com a intenção de louvá-Lo, agradecer-Lhe ou pedir-Lhe perdão pelos pecados cometidos.
Nesses sacrifícios, destaca-se o uso do sangue de animais derramados em locais apropriados, especialmente nos casos de pedidos de perdão ou de expiação pelos pecados do homem que, não podendo derramar seu próprio sangue – Deus a ninguém permite tirar a própria vida ou a de outrem –, fazia sua oblação pelo sangue de um bicho a fim de demonstrar arrependimento e, desse modo, unir-se, novamente, ao Senhor. No entanto, tais sacrifícios eram precários, imperfeitos e, por isso mesmo, incapazes de tirar o ser humano do pecado (cf. Am 5,21-27). Afinal, como poderia o sangue de animais irracionais, inferiores ao ser humano e inconscientes do pecado, obter a pureza da consciência humana?
É por essa razão que Deus, na “plenitude dos tempos” (Gl 4,4), enviou seu Filho para que oferecesse o seu próprio corpo e sangue em nome de toda a humanidade a fim de redimi-la do pecado e abrir-lhe as portas do céu. Nesse sacrifício já não são mais seres irracionais as ofertas, mas o próprio Cordeiro sem defeitos que se oferece, ou seja, o Filho mesmo de Deus, Jesus Cristo (cf. 1Pd 1,18-19).
Pode-se dizer, todavia, que o sacrifício de Cristo na Cruz foi o coroamento de suas oblações anteriores em uma vida toda ofertada ao Pai pela salvação do mundo (o nascimento em Belém, a fuga para o Egito, o trabalho em Nazaré, a pregação, os milagres etc.) a fim de reparar pela obediência a desobediência de Adão (ver: Estêvão Bettencourt, OSB, Curso de Iniciação Teológica. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2013, p. 152-158).
Mais: dentre as oblações de Nosso Senhor destaca-se a oração, pois é nesses momentos que aparece o homem unido ao Pai a fim de nutrir-se das forças d’Ele e, assim, oferecer-se aos irmãos. Os Evangelhos nos atestam o quanto Jesus rezava (cf. 6,12; 9,28; 22,41-44), mesmo de madrugada (cf. Mc 1,35; 6,46; Lc 5,16), assim como ensinou os próprios discípulos a rezarem (cf. Lc 11,1) e recomendou o ideal da oração contínua (cf. Lc 18,1) e também recolhida em nossa profundidade interior, onde se dá o verdadeiro encontro com Deus em favor dos irmãos (cf. Mt 6,6), conforme Ele mesmo nos oferece o exemplo.
Portanto, o (a) oblato(a) imita a Cristo que se doou ao Pai por nós. É ele o modelo primeiro de oferta a Deus e aos irmãos e deve, na oblação, imitá-Lo, não deixando que nada, absolutamente nada, se anteponha ao amor de Cristo (cf. Regra de S. Bento 58,7; 4,21) para com o próximo.
O (a) oblato(a) – que a grande maioria dos mosteiros aceita – é, portanto, chamado a ser essa testemunha viva de Cristo no contexto em que está inserido(a), pela oração, pelo exemplo e pela palavra.

https://pt.aleteia.org/2018/05/15/que-e-um-oblato-secular/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 13 de maio de 2018

Servir a Deus

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"Se você quer servir a Deus, faça poucas coisas, mas as faça bem.Pedra por pedra, com esperança de ver Jesus.Dia após dia, com alegria sempre buscando além."

São Francisco de Assis

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...