Páginas

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SÃO JOÃO DA CRUZ DUBLADO

João da Cruz nasceu na Espanha, em 1542, de família pobre, ficando órfão ainda criança. Revelou-se um jovem criativo e inteligente. Por sua capacidade, foi admitido no Colégio dos Jesuítas para completar sua formação. Aos 21 anos, ingressou na Ordem dos Frades Carmelitas. Depois de ordenado sacerdote, encontrou-se com Madre Teresa de Ávila que o introduziu no projeto de reforma dos Frades Carmelitas. Este plano e o ideal de perfeição causaram-lhe grande e intenso sofrimento. Expulso da Ordem e condenado a 8 meses de prisão. Durante este período escreveu os mais belos poemas místicos de sua vida, descobriu a riqueza do mistério da cruz e o caminho da mais alta perfeição. Morreu em 1591, canonizado em 1726 pelo Papa Bento XIII e declarado doutor da Igreja em 1926, pelo Papa Pio XI.

domingo, 19 de outubro de 2014

"A Nuvem do Não-Saber"

"Nós fomos feitos para amar e todo o resto foi criado para tornar o amor possível" 
"Aquele que a mente não pode compreender, o coração pode abraçar."
(Autor anônimo, em "A Nuvem do Não-Saber")

A Oração Centrante é um pouco baseada nos escritos de Santa Teresa de Ávila, especialmente na 'Oração de Quietude', em São João da Cruz mas principalmente no livrinho "A Nuvem do Não-Saber" (Ed. Paulinas, coleção "A Oração dos Pobres"), de autor desconhecido da Idade Média, provavelmente um monge do século XIV que por sua vez se baseou nos Santos Padres do Deserto. Os monges trapistas Pe. Thomas Keating, OCSO, Dom Basil Pennington, OCSO, e padre William Meninger, OCSO, retiraram o método desse livro, que é um pouco difícil de se entender, pois a literatura da época é um tanto cheia de meandros, os autores dão muitas voltas para dizer o que querem. O próprio autor nos aconselha a lê-lo várias vezes. Quando li Santa Teresa de Ávila tive a mesma dificuldade que ao ler a "Nuvem" e outros livros da mesma época. Mas, vale a pena ler!
Para aqueles que tiverem a curiosidade e o tempo, estou colocando aqui alguns trechinhos desse livro que irão assegurar a todos que a Oração Centrante, embora tendo um "nome novo", não é nenhuma "novidade" na Igreja. Apenas ficou esquecida, no meio de tantos tesouros. O nome foi inspirado nos escritos do também trapista, grande escritor católico, Thomas Merton, OCSO.
Cap. III:
"Eleve seu coração para Deus com um humilde impulso de amor; e tome Ele mesmo como seu objetivo e não como qualquer um de seus bens. Tenha cuidado: evite pensar em outra coisa que não seja nele mesmo, de maneira que não haja coisa alguma em que a sua razão ou a sua vontade trabalhe, exceto Ele mesmo. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para esquecer todas as criaturas que Deus já criou, para que, nem o seu pensamento, nem o seu desejo, em geral ou em particular, sejam dirigidos ou estendidos a qualquer uma delas. Deixe-as em paz e não preste atenção nelas. Esta é a obra que mais agrada a Deus. Todos os santos e anjos sentem alegria com este exercício (o "trabalho do amor", como o autor a chama e nós chamamos de Oração Centrante), e estão desejosos em ajudar com todo o seu poder para que prossiga. Quando você se encarrega deste exercício, todos os demônios ficam furiosos e se propõem, na medida do possível a destruí-lo. Nós não podemos nem imaginar o quanto é maravilhoso o modo como todas as pessoas que habitam a terra são ajudadas por este exercício. Sim, e as almas do purgatório são aliviadas do peso de suas penas, e também você é purificado e se torna virtuoso e isto tudo muito mais por esta obra do que por outra qualquer. Entretanto, este é o exercício mais fácil de todos e se realiza com maior presteza quando uma alma, ajudada pela graça, tem consciência deste desejo; caso contrário, seria extraordinariamente difícil para você fazer este exercício. Não se retraia então, mas trabalhe nele até você sentir o desejo. Pois quando você começa a executá-lo pela primeira vez, tudo quanto você encontra é escuridão, uma espécie de nuvem do "não-saber"; você não pode dizer o que é, exceto que você sente, através de sua vontade, um simples desejo de alcançar Deus. Esta escuridão com a nuvem está sempre entre você e o seu Deus, não importa o que você faça, e é esta que o impede de ver Deus claramente através da luz do entendimento de sua razão, ou ainda que o impede de conhecer Deus na doçura do amor em sua própria afeição. Portanto, comece a descansar nesta escuridão enquanto você puder, gritando sempre por Ele, a quem você ama. Porque, se você vai conhecê-lo ou vê-lo de qualquer maneira, na medida em que isto seja possível aqui, terá que ser sempre nesta nuvem e nesta escuridão. Portanto, se você trabalhar neste exercício com toda a sua atenção como eu mandei, tenho plena confiança que, pela misericórdia de Deus, você atingirá este objetivo."
Cap. IV:
...
"Portanto, organize bem o seu tempo e a forma como o utiliza. Nada é mais precioso que o tempo. Uma pequena partícula de tempo, por menor que seja, é preciosa, pois devido a ela o céu pode ser ganho ou perdido."
...
"Ligue-se a Ele pelo amor e pela fé."...
...
"Portanto, preste cuidadosa atenção a este exercício e ao modo maravilhoso como ele age dentro de sua alma. Pois quando é bem compreendido, ele nada mais é do que um súbito impulso, algo que chega sem avisar, elevando-se, voando rapidamente até chegar a Deus, como a faísca voa para cima partindo do carvão ardente. (Sta. Teresa de Ávila fala de modo bem semelhante em relação à oração). Maravilhoso também é a quantidade desses impulsos que podem ocorrer dentre uma hora, numa alma que esteja adequadamente preparada para este exercício. Todavia, sobressaindo-se numa atividade dentre todas estas, um homem pode perfeitamente, de repente, ter esquecido toda coisa criada. E, como a mesma rapidez, após cada impulso, e por causa da corrupção da carne, a alma cai novamente até chegar a atingir algum pensamento ou alguma ação já executada ou inacabada. Mas que importa? Pois prontamente ela se eleva novamente, tão de repente como aconteceu da vez anterior."
(A cada vez que se conscientizar de algo, (pensamento, emoção, sentimento, etc, simplesmente retorne à sua Palavra Sagrada - Thomas Keating)
"Assim, portanto, pode-se entender logo o método deste trabalho e perceber claramente que ele se encontra muito afastado de qualquer fantasia ou falsa imaginação ou opinião sutil: uma vez que todas estas não são ocasionadas por aquele simples, devoto e humilde impulso do amor, mas por um raciocínio orgulhoso, especulativo e excessivamente imaginativo...."
"Quem quer que leia ou ouça este exercício, poderá pensar que pode ou que deveria realizá-lo por meio de um trabalho intelectual. Assim, ele pára e fica quebrando a cabeça procurando um modo de realizá-lo e, com tais engenhosos raciocínios, ele violenta a sua imaginação, talvez até além da sua habilidade natural, de modo a planejar um meio falso de agir que não se adapta nem ao corpo nem à alma. Realmente tal homem, seja ele quem for, está perigosamente iludido; e é assim, a não ser que Deus, na sua grande bondade, lhe mostre a sua maravilhosa misericórdia e, rapidamente, o conduza para longe de suas imaginações, a fim de colocá-lo humildemente sob a direção daqueles experientes neste exercício... Portanto, pelo amor de Deus, tome cuidado neste exercício e de nenhum modo trabalhe com seus sentidos ou com a sua imaginação. Pois, eu lhe digo sinceramente, este exercício não pode ser alcançado através do trabalho deles; assim, pois, deixe-os e não trabalhe com eles."
Cap. V:
"Tenho algo a lhe dizer: tudo quanto você pensar está acima de você durante este espaço de tempo, e está entre você e o seu Deus. Na medida em que houver alguma coisa em sua mente exceto Deus só, nesse mesmo instante você estará longe de Deus."
".... neste exercício é de pouca ou nenhuma valia pensar na bondade ou na dignidade de Deus, ou de Nossa Senhora ou dos anjos e santos do céu, ou até nas alegrias celestes; quer dizer, através de uma concentração especial, como se você quisesse, por essa concentração, alimentar e aumentar seu propósito. Acredito que isso, de maneira alguma aconteceria neste caso e neste exercício porque, embora seja bom pensar na bondade de Deus e amá-lo e louvá-lo por esta mesma bondade, contudo, é muito melhor pensar em seu simples Ser e amá-lo e louvá-lo por Ele mesmo."
Cap. VI:
"Agora, porém, você me faz uma pergunta dizendo: "Como eu poderia pensar nele mesmo e o que Ele é?" A isto eu só posso responder nestes termos: "Não tenho a menor ideia". Pois, com esta pergunta, você me introduziu nessa mesma escuridão, nessa mesma nuvem do não-saber onde eu gostaria qu você mesmo estivesse. Porque um homem pode, pela graça, possuir a plenitude do conhecimento de todas as criaturas e das suas obras como também das obras do próprio Deus, e ele é bem capaz de refletir sobre elas. Mas homem nenhum pode pensar em Deus como Ele mesmo. Por isso, é meu desejo abandonar tudo sobre o que eu possa pensar e escolher para o meu amor a coisa na qual eu não possa pensar. Porque Ele pode certamente, ser amado, mas não pensado. Ele pode ser arrebatado e retido por amor, mas não pelo pensamento. Portanto, embora o pensamento seja uma luz e uma parte da contemplação, mesmo assim neste exercício, ele deve ser rejeitado e coberto com uma nuvem do esquecimento. Você deve pisar por cima dela corajosamente mas com amor, e munido de um amor devoto, agradável e impulsivo esforçar-se para atravessar essa escuridão acima de você. Você tem que bater nessa nuvem do não-saber com um dardo afiado de amor ardente. Não deixe esse trabalho por nada que possa acontecer."
Cap. VII:
"Se surgir algum pensamento que continue a pressionar, acima de você e entre você e essa escuridão, e lhe perguntar: "O que você procura e o que gostaria de ter?", você deve dizer que é a Deus que gostaria de ter: "É Ele que eu almejo, Ele a quem eu procuro, e nada além dele". E caso o seu pensamento indagar quem é esse Deus, você deve responder que é o Deus que criou você e o resgatou, e que, com a sua graça o chamou para seu amor. E diga: "Você não tem nenhum papel para representar". Portanto, diga ao pensamento: "Vá para baixo novamente". Esmague-o rapidamente com um impulso de amor, mesmo que este pareça ser muito santo; ainda assim, parece que ele poderia ajudar você a procurar Deus. Talvez o pensamento traga à sua mente uma variedade de excelentes e maravilhosos exemplos de sua benevolência; dirá que Deus é muito doce e muito amorosos, benevolente, misericordioso. O pensamento não desejará nada além de que você o escute; pois no fim aumentará cada vez mais a sua loquacidade até que o leve mais para baixo, até a reminiscência de sua paixão. É aí que lhe será permitido ver a maravilhosa benevolência de Deus; e talvez, enquanto você o vê e pensa sobre isto, o pensamento trará à sua mente algum lugar onde você costumava viver. E assim, no final, antes mesmo que você percebesse a sua concentração se evaporou, espalhando-se por onde você nem faz idéia. A causa desta dispersão é que, no início, você deliberadamente deu ouvidos ao pensamento, respondeu-lhe, tomou-o para si e deixou-o continuar despercebido."
.....
"Portanto, quando você iniciar este exercício, e souber por experiência, através da graça, que você está sendo chamado por Deus para isso, levante então seu coração para Deus com um humilde impulso de amor e destine-o ao Deus que criou você e o resgatou, e que na sua graça chamou você para este exercícioNão tenho outro pensamento sobre Deus; nem mesmo qualquer um destes pensamentos, a menos que seja de seu agrado. Pois uma simples aproximação em linha reta a Deus é suficiente, sem nenhuma outra causa exceto Ele próprio. Se você quiser, pode ter esta extensão envolvida e cingida em uma só palavra. Por isso, a fim de obter melhor compreensão disto, tome só uma palavrinha, de uma sílaba, preferivelmente, ou de duas; pois quanto mais curta, melhor, de acordo com este exercício do espírito. Assim é a palavra "DEUS' ou a palavra "amor". Escolha a que você preferir, ou qualquer outra segundo o seu gosto a palavra de uma sílaba de sua preferência. Prenda esta palavra ao seu coração, de modo que, aconteça o que acontecer, ela jamais vá embora. Esta palavra há de ser o seu escudo e a sua espada, quer você esteja cavalgando na paz ou na guerra. Com esta palavra você açoitará esta nuvem e essa escuridão acima de você. Com esta palavra você deverá abater toda sorte de pensamento sob a nuvem do esquecimento; isto para o caso de algum pensamento exercer pressão sobre você, perguntando-lhe o que você gostaria de ter, responda só com esta palavra e nada mais. Se o pensamento lhe propuser, de acordo com seu grande saber, analisar essa palavra e dizer-lhe o que significa, diga ao pensamento que você quer guardá-la como um todo e não em fragmentos ou solta. Se você quiser manter-se firme neste propósito, pode ter certeza de que o pensamento não permanecerá por muito tempo."
Cap. LXX:
"O silenciar dos nossos sentidos físicos conduz muito mais facilmente à experiência das coisas espirituais; da mesma maneira, o silenciar de nossas faculdades espirituais conduz a um conhecimento experimental de Deus, tanto quanto este seja possível, através da graça, na vida presente."
"Trabalhe com afinco neste "nada" e neste em "parte alguma", e abandone seus sentidos físicos externos como também os objetivos de sua atividade. Pois eu lhe digo sinceramente que este exercício não pode ser compreendido por eles.
Através dos seus sentidos físicos de percepção você nada pode compreender a não ser quanto ao comprimento e largura, à pequenez e grandeza, ao que é redondo e o que é quadrado, à sua distância e sua proximidade e também à sua cor; através de seus ouvidos, nada além do ruído ou alguma espécie de som; através do seu nariz, nada além do mau cheiro ou aroma; atravéz do gosto, nada além do azedo ou doce, o salgado ou fresco, o amargo ou agradável; e através do tato, nada além do quente ou frio, duro ou mole, macio ou áspero. E, na verdade, nem Deus nem as coisas espirituais possuem nenhuma destas qualidades e quantidades. Portanto, abandone seus sentidos externos e não trabalhe com eles, nem externa, nem internamente. Porque todos aqueles que se dispõem a serem trabalhadores espirituais interiormente, e ainda julgam que deveria ouvir, cheirar, ver, provar ou tocar coisas espirituais, seja dentro ou fora deles mesmos, certamente estão enganados e trabalham de modo errado, contra a natureza. Pois está determinado pela natureza que através dos sentidos físicos os homens tenham conhecimento de todas as coisas físicas, e não que através destas tomem conhecimento de coisas espirituais.
Estou falando a respeito de sua atividade positiva. Pois podemos chegar ao conhecimento das coisas espirituais através de sua falta de atividade. Quando, por exemplo, lemos ou ouvimos falar de determinadas coisas, e percebemos que nossos sentidos físicos não nos podem informar sobre o que são estas coisas através de suas qualidades, então podemos, sem nenhuma dúvida, estar seguros de que estas coisas são espirituais e não materiais.
Espiritualmente o mesmo é verdade acerca de nossas faculdades espirituais, quando estivermos trabalhando em relação ao conhecimento do próprio Deus. Pois não importa o volume de compreensão espiritual que um homem possa ter quanto ao conhecimento de todas as coisas espirituais criadas, ele jamais poderá chegar, pelo esforço de sua compreensão, ao conhecimento de uma coisa não criada, que nada é a não ser Deus. Mas, pela falha desta compreensão ele pode chegar a esse conhecimento. Pois onde a sua compreensão falha nada mais há além de Deus só; e foi por este motivo que São Dionísio disse: "O saber verdadeiramente divino de Deus é aquele que é conhecido pelo não-saber". ...
Cap. LXXIV:
"Mas se você julgar que este modo de trabalhar não está de acordo com a sua disposição física ou espiritual, pode deixá-lo e escolher outro em segurança e sem repreensão, desde que seja de bom conselho espiritual. E nesse caso, rogo-lhe que me considere perdoado. Pois, realmente, o meu objetivo ao escrever este livro foi o de ajudar você a fazer progressos de acordo com meu modesto conhecimento. Foi esse o meu propósito. Portanto, leia-o novamente duas ou três vezes; e quanto mais vezes você o ler, melhor o entenderá; assim talvez, se alguma frase foi muito difícil pra você entender na primeira ou segunda leitura, depois lhe parecerá bastante fácil. (Realmente, o próprio autor reconhece que o livro é de difícil leitura.)
Sim, de fato. Segundo meu critério, parece impossível que qualquer alma que esteja preparada para este exercício leia o livro, para si ou em voz alta, sem sentir durante esse tempo uma real afinidade com o resultado deste livro. Portanto, se você achar que lhe faz bem, agradeça a Deus sinceramente, e pelo amor de Deus reze por mim."
Cap. LXXV:
"Sobre os sinais decisivos pelos quais o homem pode comprovar se é chamado ou não por Deus e empreender este exercício."
"Todos aqueles que leem a matéria deste livro, ou o ouvem quando é lido ou quando se fala a respeito dele, e durante a sua leitura ou quando ouvem falar acerca dele julgam que este livro seja bom e apropriado para eles, nem por isto são eles chamados por Deus a empreender este exercício, simplesmente por causa desta sensação, própria da natureza, que eles têm durante a sua leitura. Pode acontecer que esta sensação provenha mais de uma curiosidade intelectual natural do que qualquer chamado da graça.
Se, entretanto, eles desejarem descobrir de onde provém esta sensação, e se quiserem de fato, podem averiguá-lo da seguinte maneira: Antes de mais nada, verifiquem primeiro se fizeram tudo quando deles depende para se prepararem para este exercício: - pela purificação de suas consciências, de acordo com o julgamento da Santa Igreja e ainda com a aprovação do seu diretor espiritual. Até aqui, tudo bem. Mas, se desejarem saber mais, verifiquem se este impulso está sempre fazendo pressão em suas mentes, com maior regularidade do que acontece com qualquer outro exercício espiritual. E e lhes parecer que nada do que eles fazem, física ou espiritualmente, tem qualquer valor, segundo o testemunho de suas consciências, a não ser este pequeno amor secreto orientado de um modo espiritual como sendo o principal de todos os seus exercícios: se esse for o sentimento deles, então é um sinal e que são chamados por Deus para este exercício; do contrário, não.
(Em suma, se sentirem um apelo interior, forte, para praticarem a Oração Centrante, façam-no. Se não, busquem outro método. Comigo foi "amor à primeira vista"!)
Para aqueles que são chamados a executar este exercício, não falo que este impulso de amor existirá para sempre e habitará continuamente suas mentes. Não, não é assim. Porque, frequentemente, a experiência atual deste impulso é por vários motivos retirada do jovem aprendiz espiritual deste exercício: às vezes, a fim de que ele não se torne muito familiarizado com ele e assim presuma que, na maioria dos casos, depende dele ter esta experiência quando queira e como queira. Uma convicção como esta seria orgulho. Todas as vezes que o conhecimento desta graça for revogado, a causa disto será o orgulho. Quer dizer, não o verdadeiro orgulho mas o orgulho que lá estaria se este conhecimento da graça não fosse revogado. E frequentemente os jovens, em sua insensatez, pensam que Deus é o seu inimigo quando Ele é o seu melhor amigo.
(Nem sempre vamos ter a "consolação espiritual", quer façamos este exercício ou outro qualquer. Não podemos achar que fazemos progressos porque somos "eficientes", etc.... Deus muitas vezes nos deixa na total aridez espiritual para provar nossa fé, nosso amor, nossa fidelidade. Devemos perseverar, continuar nossa prática espiritual, sempre!) "Ao vencedor darei a coroa da vida", nos diz o Senhor no Apocalipse.)
"Às vezes são privados desta experiência por causa de sua negligência; quando isto acontece, eles sentem imediatamente uma dor aguda que os atormenta bastante. De vez em quando Nosso Senhor propositadamente atrasa a experiência, porque é de sua vontade ampliar a experiência por meio desta demora e fazer com que haja mais interesse por esta quando for reencontrada e posta à prova novamente, após ter sido perdida durante muito tempo. Este é um dos sinais mais evidentes e simples que uma alma pode ter para saber se é chamada a realizar este exercício ou não; se ela sentir após certa demora e um longo afastamento desta experiência, ao chegar de repente, como chega, realizada sem nenhum intermediário, que ela tem um fervor do desejo e um anseio de continuar com este exercício, maiores do que jamais tivera antes; tanto assim que muitas vezes, eu imagino que todo o pesar que a alma sentiu pela perda dessa graça não é nada, comparado com a alegria de redescobri-la. Se assim for, então é realmente um autêntico indício de que ele é chamado por Deus para realizar este exercício, qualquer que seja ou tenha sido o seu estado.
Porque Deus não olha com seus olhos misericordiosos para o que você é ou para o que você foi, mas sim para o que você deseja ser. Podemos dizer que São Gregório é testemunha de que: "todos os desejos santos aumentam com a demora; mas se diminuem com a demora então jamais foram desejos santos". E aquele que sente cada vez menos alegria nas novas experiências e nas repentinas exposições dos seus próprios desejos, embora todos devam ser chamados desejos naturais para o bem, estes no entanto jamais foram desejos santos. É deste desejo santo que fala Santo Agostinho, quando diz que: "a vida inteira de homens bons cristãos nada mais é do que desejos santos".
Adeus, amigo espiritual, na bênção de Deus e na minha. E eu suplico a Deus Todo-Poderoso que a verdadeira paz, o saudável conselho e o conforto espiritual em Deus com abundância da graça sempre estejam com você e como aqueles que, na terra, amam a Deus."
Amém."
****

http://www.oracaocentrante.org/nuvem.htm

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aprendendo a viver

(Autor desconhecido)

Você receberá um corpo físico.
Você pode amá-lo ou detestá-lo, mas ele será seu ao longo de toda a sua existência.
Você receberá lições.
Você estará matriculado na escola da vida em período integral.
Você terá oportunidades para aprender a cada dia que passa.
Você poderá usar estas oportunidades ou deixá-las passar simplesmente.
Não há erros, apenas lições.
O crescimento é resultado de um processo de tentativa e erro: Uma experimentação.
Os experimentos fracassados são tão parte do processo, quanto os experimentos que funcionam.
Uma lição se repetirá até que tenha sido aprendida.
Esta lição será apresentada a você sob várias formas até que você a tenha aprendido.
Quando conseguir isso, poderá então passar para a próxima lição.
Aprender lições é um processo interminável.
Não há nenhum evento na vida que não contenha uma lição.
Se você está vivo, sempre haverá uma lição para aprender.
Lá não é melhor que aqui.
Quando o seu lá se transformar em aqui, você apenas estará obtendo outro lá que, mais uma vez, parecerá melhor que aqui.
Os outros são apenas espelhos da sua própria imagem.
Você não pode amar ou detestar alguma coisa em outra pessoa, sem que isso reflita alguma coisa que você ama, ou detesta em si mesmo.
É você quem escolhe o que quer fazer da sua vida.
Você tem todas as ferramentas e recursos de que precisa.
O que faz com eles, é problema seu.
A escolha é sua.
As respostas estão dentro de você.
As respostas às questões da vida estão dentro de você.
Tudo que você tem a fazer é:

PRESTAR ATENÇÃO, OUVIR E CONFIAR.

http://cmopssvp.blogspot.com.br/p/leituras-espirituais-para-conferencias.html

O verdadeiro amor

Um homem foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe que já não amava mais a sua esposa e que pensava em separar-se.

O sábio escutou-o, olhou nos olhos e disse-lhe apenas uma palavra:

-"Ame-a!" E logo se calou.

- Mas, já não sinto nada por ela!

- " Ame-a", disse-lhe novamente o sábio.

E diante do desconcerto do senhor, depois de um breve silêncio, o sábio explicou:

- Amar é uma decisão, não um sentimento; amar é uma dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim... Ame seu par, ou seja; aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê-lhe afeto e ternura, admire e compreenda-o... Isso é tudo: ame!

E concluiu: Veja o que é a vida sem amor:

- A inteligência sem amor, te faz perverso.

- A justiça sem amor, te faz implacável.

- A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.

- O êxito sem amor, te faz arrogante.

- A riqueza sem amor, te faz avaro.

- A docilidade sem amor te faz servil.

- A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.

- A beleza sem amor, te faz ridículo.

- A autoridade sem amor, te faz tirano.

- O trabalho sem amor, te faz escravo.

- A simplicidade sem amor, te deprecia.

- A oração sem amor, te faz introvertido.

- A lei sem amor, te escraviza.

- A política sem amor, te deixa egoísta.

- A fé sem amor te deixa fanático.

- A cruz sem amor se converte em tortura,

e a vida sem amor... não tem sentido.

http://cmopssvp.blogspot.com.br/p/leituras-espirituais-para-conferencias.html

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Elizabeth Canori Mora

Os princípios básicos:

Nascida 21 de novembro de 1774, em Roma
Morreu 05 de fevereiro de 1825, em Roma
Casada 10 de janeiro de 1796
Mãe de duas filhas
Beatificada em 24 de abril de 1994, pelo Papa João Paulo II

Em Santíssimo Elizabeth Canori Mora, temos um exemplo impressionante de amor conjugal que permanece "até a morte", mesmo no meio de profundo sofrimento. Nascida em uma rica família romana em 1774, Elizabeth passou a maior parte de sua infância sob os cuidados de freiras agostinianas na zona rural de Cássia. Em seus anos felizes lá, seu amor por Jesus floresceu, e muitos pensavam que ela poderia ter uma vocação religiosa.

No entanto, em sua adolescência, Elizabeth desenvolvera tuberculose e voltou para a casa dos pais para se recuperar. Longe do convento, seu desejo de profissão religiosa desapareceu, assim como o seu interesse em um determinado estudante de direito jovem, Cristoforo Mora, cresceu. Discernir que Deus a chamava para o estado de casado, Elizabeth trocaram votos de casamento com Cristofero em 1796.

Os primeiros meses de sua vida de casados ​​eram doce e alegre. Cristoforo encantado em mostrar sua noiva jovem, bonita. No entanto, suas afeições começou a ficar ofuscado por ciúmes, e ele começou a restringir as correspondências de Elizabeth, querendo ter sua esposa "só para ele." Jealously eventualmente degenerou em desinteresse e desinteresse em rejeição, e por isso ainda dentro de poucos anos, Cristoforo esfriou com a esposa , e deu início ao que seria uma longa cadeia de infidelidades.

Uma jovem mãe agora com duas filhas, Elizabeth deu à luz a crueldade e a rejeição de seu marido bravamente, oferecendo todos os seus sofrimentos para o seu arrependimento e conversão. Como Cristoforo passou seu tempo mulherengo e desperdiçar os seus recursos, Elizabeth pacientemente lutava para sobreviver e garantir que suas filhas, Marianna e Lucina, foram devidamente cuidadas e educadas. Mesmo como amigos e conselheiros pediu Elizabeth deixar o marido infiel, ela agarrou-se aos votos que ela tinha feito e da graça de Deus que ela confiava para sustentá-la.

Puxando-a força da oração, massa e sua devoção à Santíssima Trindade, Elizabeth nunca deixou amar Cristoforo e orando por ele. Ela incentivou suas filhas a fazerem o mesmo, rancor ou raiva nunca permitindo que será dirigido pelo seu marido e seu pai. Fiel até o último, Elizabeth ofereceu-lhe as últimas palavras para a conversão de seu marido. E, finalmente, depois de testemunhar a morte de sua esposa, Cristoforo experimentou profunda remorso para a angústia que tinha causado a sua família. Arrependendo-se de seus pecados, ele alterou a sua vida, e de uma sucessão de eventos que se deveu em grande medida à intercessão de sua esposa, Cristoforo viveu os últimos anos de sua vida como um sacerdote franciscano.

Na beatificação de Elizabeth 24 de abril de 1994 (durante o Ano da Família), João Paulo II disse o seguinte sobre a santa esposa e mãe:

"Por sua vez Elizabeth Canori Mora, em meio a muitas dificuldades conjugais, mostrou total fidelidade ao compromisso que tinha feito no sacramento do matrimônio, e à responsabilidade decorrente disso. Constante na oração e na sua dedicação heróica de sua família, ela foi capaz de criar os filhos como cristãos e conseguiu converter seu marido "(fonte original , em italiano).

E, durante a recitação do Regina Caeli no dia beatificação de Isabel, o Santo Padre destacou a Elizabeth como um lembrete a todos que " o amor é forte como a morte "(Cântico dos Cânticos 8, 6) (fonte original disponível em italiano ou espanhol ).

A oração: Bendita Elizabeth Canori Mora, confiamos a você todos os casamentos que lutam, e especialmente os cônjuges que foram abandonados. Que eles saibam que o seu testemunho de fidelidade conjugal é um tesouro para o mundo e um sinal de amor nunca falha de Deus para seus filhos amados. Traga os cônjuges infiéis de volta para suas famílias, e curar todas as feridas do pecado e traição.

http://www.marriageuniqueforareason.org/2012/02/09/national-marriage-week-an-example-of-faithful-love-enduring-unto-death-bl-elizabeth-canori-mora/

Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825)

O grande mal na Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 1

A Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) foi uma leiga romana beneficiada com extraordinários fenômenos místicos. 

Em 1996, a Libreria Editrice Vaticana, com o Imprimatur da diocese de Roma, editou tais escritos na íntegra, seguindo a ortografia e a gramática italiana moderna (La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre, Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995). 

Tivemos também ocasião de compulsar o seu Diário Espiritual, escrito por ordem de seus confessores e preservado na igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, em Roma (manuscrito MS —132), dos padres trinitários, numa versão completa xerografada. 

O texto completo do Diário está disponível em italiano online em Intratext.
Já tivemos ocasião de tratar de algumas de suas visões e revelações nos posts: “Décadas antes de La Salette, Deus anunciava grandes castigos ‒ Beata Isabel Canori Mora 1”  e “Deus revela a extensão atingida pelo pecado ‒ Beata Elizabeth Canori Mora 2”..

A nota dominante da vida da bem-aventurada foi dada pelo pedido que Deus lhe fez, de oferecer-se como vítima pela preservação do Papado em Roma.

Tal pedido ocorreu no início do pontificado de Leão XII (28.9.1823–10.2.1829), quando a beata teve umarevelação sobre uma futura restauração da Igreja.

Diário espiritual da Bem-aventurada
Diário espiritual da Bem-aventurada
Deus, que costumava falar a ela com uma franqueza inusual sobre o Papado, então lhe fez ver que essa renovação da Igreja não dependia tanto dos ocupantes da Cátedra de Pedro quanto da erradicação dos erros que envenenam a sociedades civil e eclesial.

Esses erros afiguravam-se na visão como cinco imensas árvores que intoxicam e matam espiritualmente grandes multidões de homens.

A indispensável tarefa de erradicação desses erros tem um lado angélico sobrenatural. 

Essa visão reveste-se de interesse todo especial para os nossos dias, marcados pelo debate em torno da sucessão pontifícia, quando os efeitos maléficos dos erros simbolizados pelas cinco árvores parecem ter atingido um auge de expansão.

http://aparicaodelasalette.blogspot.com.br/2013/03/o-grande-mal-na-igreja-sacrificio-da.html

quinta-feira, 17 de julho de 2014



Thomas Merton, conhecido em seu mosteiro como Pe. Luís, nasceu em 31 de janeiro de 1915, em Prades, no sul da França. O jovem Merton freqüentou escolas na França, Inglaterra e Estados Unidos. Na Universidade de Columbia, em Nova York, sofreu influência de alguns notáveis professores de literatura tais como Mark Van Doren, Daniel C. Walsh e Joseph Wood Kruch. Merton entrou na Igreja católica em 1938 no rastro de uma dramática experiência de conversão. Logo depois, ele completou sua tese de mestrado, "On Nature and Art in William Blake." [Sobre a Natureza e Arte em William Blake].

Após lecionar cursos de extensão na Universidade de Columbia e no "St. Bonaventure's College", Merton ingressou na comunidade monástica da Abadia de Gethsemani, no Kentucky, em 10 de dezembro de 1941. Ele foi acolhido pelo abade Frederic Dunne que incentivou o jovem Irmão Luís a traduzir obras da tradição cisterciense e escrever biografias históricas visando tornar sua Ordem melhor conhecida.

O abade também insistiu para que o jovem monge escrevesse sua autobiografia que foi publicada sob o título de "The Seven Storey Mountain (1948)" [A montanha dos sete patamares (1948)] que tornou-se um best-seller e um clássico. Durantes os próximos 20 anos, Merton escreveu de forma prolífica sobre uma vasta gama de tópicos, incluindo vida contemplativa, oração, e biografias religiosas. Mais tarde, seus escritos se dirigiram para questões controvertidas (por exemplo, problemas sociais e responsabilidade cristã: relações raciais, violência, guerra nuclear, injustiça econômica) e incluíram uma crescente preocupação ecumênica. Ele foi um dos primeiros católicos a tecer comentários sobre as grandes religiões do Oriente para os católicos romanos do Ocidente.

Merton morreu eletrocutado acidentalmente em Bangkok, Tailândia, quando participava de uma conferência de líderes religiosos em 10 de dezembro de 1968, exatos 27 anos da data da sua entrada na Abadia de Gethsemani.

Muitos admiram Thomas Merton como um mestre espiritual, um escritor brilhante e um homem que incorporou a busca de Deus e a da solidariedade humana. Desde sua morte, inúmeros livros seus foram publicados, inclusive cinco volumes de suas cartas e sete dos seus diários pessoais. Pelas últimas contagens, mais do que 60 títulos de escritos de Merton continuam sendo publicados em inglês, além de numerosas teses de doutoramento e livros sobre o homem, sua vida e seus escritos.

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...