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domingo, 6 de novembro de 2016

Interioridade


Vivemos numa época em que se valoriza demasiadamente a exterioridade, a aparência, o rótulo. É o mundo das marcas, das etiquetas e das grifes para o qual não importa muito a realidade interior de cada ser. Neste contexto, a felicidade e a realização humana passam a estar estreitamente ligadas às coisas exteriores tais como a aparência física, os bens materiais ou o prestígio social.

O exterior das coisas, entretanto, pode disfarçar perfeitamente o conteúdo interior. Um rótulo bem bonito, uma embalagem bem feita e uma propaganda bem elaborada chegam a nos convencer que determinado produto é maravilhoso quando, de fato, não o é. De modo semelhante, na vida pessoal e interpessoal podemos cair em tais enganos. Quem nunca se enganou com certas aparências ou miragens?

Quem permanece somente no mundo das exterioridades vive num palco de ilusões. O “parecer” se torna mais importante do que o “ser”, e a “imagem” mais do que o “eu verdadeiro”. Para ser aceito em determinados meios sociais, procura-se manter a todo custo as aparências. Para não perder o prestígio, prefere-se manter uma falsa imagem de si mesmo. 





Viver na exterioridade é viver na superficialidade. Não vale a pena. O ser humano não foi criado para viver assim. Quanto mais exterioridade, mais superficialidade. Que adianta estar todo enfeitado por fora quando lá dentro mora alguém triste e vazio? Que adianta ter prestígio e fama quando o interior não está em paz e harmonia?

As exterioridades não são capazes de dar uma resposta adequada às inquietações do coração humano. Não somos apenas um corpo material. Somos muito mais do que isso. Por esta razão, mesmo vivendo num mundo profundamente materialista, cresce o número de pessoas que buscam orientação em grupos que primam pela interioridade.

Um dos traços mais bonitos da interioridade humana é a “espiritualidade”. O homem não se conforma apenas com o conforto material ou a tranquilidade emocional. Ele sente que foi criado para algo maior. De fato, há no coração humano uma sede que não encontra saciedade a não ser em Deus. 

Como podemos cuidar de nossa interioridade? Um dos caminhos mais simples é o da meditação. O ideal é que ela se torne um hábito cotidiano (duas vezes por dia). Basta recolher-se num lugar tranquilo e, em silêncio e quietude, ficar na presença de Deus. Durante vinte a trinta minutos, o meditante permanece repetindo o santo Nome de Jesus, com toda a atenção voltada para ele. 






Quando meditamos, saímos da zona dos pensamentos, das reflexões, das análises, dos desejos, das emoções e das expectativas. Queremos, na verdade, sair das estreitezas do eu superficial e deixar que o Pai do céu cuide das camadas mais profundas do nosso ser. Os efeitos da meditação serão percebidos na vida cotidiana.

A meditação nos ajuda a enxergar melhor a nossa própria interioridade. Contemplaremos com alegria a beleza que habita o nosso ser. Perceberemos com maior nitidez aquilo que há de sombrio em nós, e que precisa ser acolhido, pacificado e integrado. Mas, acima de tudo, tomaremos consciência de que bem dentro de nós mora o Espírito de Deus.

A meditação também nos ajuda a valorizar e a respeitar a interioridade de cada pessoa. Não julgaremos mais pelas aparências. Não classificaremos mais pelas exterioridades. As individualidades não serão motivos para contendas ou conflitos, pelo contrário, elas serão admiradas e respeitadas. Cada pessoa será estimada justamente por ser única. Na convivência fraterna a maior aventura será conhecer o outro e deixar-se conhecer por ele. A meditação se torna, portanto, fonte de comunhão entre as pessoas.






Ao cuidar da própria interioridade, o meditante não despreza aquilo que lhe é exterior. A meditação não aprisiona o praticante em si mesmo. Ela o conduz às profundezas do seu ser, mas o devolve mais aberto para Deus e para os seus irmãos. Desta forma, interioridade e exterioridade estarão em harmonia, e já não destoarão uma da outra. Serão como faces de uma mesma moeda.





Paz e bem


Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.


http://escolafranciscanademeditacao.blogspot.com.br/

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Conselhos de Santa Teresa D’Ávila para uma vida de oração

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1. Dirige a Deus cada um dos teus atos; oferece-os e pede-Lhe que seja para Sua honra e glória.
2. Oferece-te a Deus cinquenta vezes por dia, e que seja com grande fervor e desejo de Deus.
3. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e Sua sabedoria, em tudo, envia-Lhe o teu louvor.
4. Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandone nem as obras de oração, nem a penitência a que está habituado. Antes, intensifica-as, e verá com que prontidão o Senhor te sustentará.
5. Nunca fale mal de quem quer que seja, nem jamais escute. A não ser que se trate de ti mesmo. E terá progredido muito, no dia em que se alegrar por isso.
6. Não diga nunca, de você mesmo, algo que mereça admiração, quer se trate do conhecimento, da virtude, do nascimento, a não ser para prestar serviço. Mas então, que isso seja feito com humildade, e considerando que esses dons vêm pelas mãos de Deus.
7. Não veja em você senão o servo de todos, e em todos contempla Cristo Nosso Senhor; assim O respeitará e O venerará.

8. A respeito de coisas que não lhe diz respeito, não se mostre curioso, nem de perto, nem de longe, nem com comentários, nem com perguntas.
9. Mostrai sua devoção interior só em caso de necessidade urgente. Lembra do que diziam São Francisco e São Bernardo: “Meu segredo pertence a mim”.oracoes_todos_os_tempos_igreja
10. Cumpra todas as coisas como se Sua Majestade estivesse realmente visível; agindo assim, muito ganhará a sua alma.
11. Que seu desejo seja ver Deus. Seu temor, perdê-Lo. A dor, não comprazer na Sua presença, a satisfação, o que pode conduzi-lo a Ele. E viverá numa grande paz.
Retirado do livro: “Orações de todos os tempos da Igreja”. Prof. Felipe Aquino (org). Ed. Cléofas.
http://cleofas.com.br/conselhos-de-santa-teresa-davila-para-uma-vida-de-oracao/

O Perdão às Ofensas e o Engodo das Honras


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Com esse Alimento celestial - a Eucaristia -, nosso bom Mestre viu que tudo se nos tornava fácil, a não ser por nossa culpa, e poderíamos muito bem cumprir o que dissemos a seu Pai:Seja feita a vossa vontade.

Continuando a oração, que nos está ensinando, agora o bom Jesus pede nos perdoe nossas ofensas, como também nós perdoamos aos que nos têm ofendido, e diz estas palavras: E perdoai-nos, Senhor, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.

Reparai, irmãs, que não diz: "Como perdoaremos". É para nos dar a entender que deve ser fato consumado. Quem pede uma dádiva tão grande como o Pão do céu, quem submeteu sua vontade ao querer divino, já perdoou tudo. E assim diz: "Como nós perdoamos", no passado.

Fique, pois, bem claro: quem sinceramente tiver dito ao Senhor: Faça-se a vossa vontade, há de ter perdoado tudo, ou ao menos, estar resolvido a fazê-lo. Por esse motivo, os santos alegravam-se com as injúrias e perseguições. Tinham algo para oferecer ao Senhor quando se apresentassem para lhe pedir perdão das ofensas cometidas contra ele.

Uma graça tão imensa e de tanta importância, como é perdoar-nos o Senhor nossas culpas, merecedoras do fogo eterno, nos é concedida a troco de tão pouca coisa como é perdoarmos também nós.

Mas, Senhor, gratuitamente me haveis de perdoar, porque tenho tão poucos desses atos insignificantes a oferecer! Aqui vossa misericórdia acha campo! Bendito sejais vós por me suportardes, a mim criatura tão pobre!

Mas, Senhor meu, será que há outras pessoas nas mesmas condições que eu e que não tenham compreendido esta verdade? Se as há, em vosso nome lhes suplico, que se lembrem desta realidade e não façam caso de umas miseriazinhas a que chamam ofensas. Até parece que, como crianças fazemos choças de palhinhas com esses pontos de honra.

Valha-me Deus, irmãs! Se soubéssemos que coisa é honra e o que é perder a honra! Agora não me refiro a vós, pois seria muito triste se já não tivésseis entendido. Refiro-me a mim, no tempo em que prezava a honra, sem entender que coisa era. Ia com os outros. Em quantas pequeninas coisas sentia-me ofendida! Agora me envergonho.

Como falou bem quem disse que honra e proveito espiritual não combinam! Todavia, não sei se o disse a esse propósito. Mas assim é ao pé da letra. Proveito da alma e aquilo a que o mundo chama honra jamais se unem. É de pasmar ver quanto o mundo anda às avessas. Bendito seja o Senhor que nos tirou dele. (...)

Praza a Deus não se condene uma alma por ter guardado esses negros pontos de honra, sem entender em que consiste a verdadeira honra!

E, depois, temos a ousadia de pensar que fizemos muito, quando perdoamos um nadinha qualquer, que nem era ofensa, nem injúria, nem coisa alguma. Como se tivéssemos feito uma proeza, muito convencidas, diremos ao Senhor que nos perdoe, porque temos perdoado! Fazei-nos, meu Deus, compreender que não nos conhecemos e que nos apresentamos diante de vós com as mãos vazias. Perdoai-nos, por vossa misericórdia!

Na verdade, Senhor, todas as coisas acabam e o castigo é eterno. Não vejo obra alguma digna de vos ser apresentada em troca da imensa graça do perdão por vós concedida. Só o podeis fazer em atenção ao vosso Filho que vos pede perdão por nós.

Mas quão apreciado deve ser pelo Senhor este amor recíproco! O bom Jesus bem pudera apresentar a seu pai outras obras e dizer-lhe: "Perdoai-nos, Senhor, porque fazemos austera penitência, ou porque rezamos muito e jejuamos, deixamos tudo por vós e muito vos amamos". Não alega ainda: "Porque daríamos a vida por vós", nem outros possíveis encarecimentos, senão somente: porque perdoamos.

Ele sabe que somos amigos desta negra honra. Por ser a coisa mais difícil de obter de nós e a mais agradável a seu Pai, oferece-a o Senhor, de nossa parte, apresentando-a para alcançar o perdão.

Verificai bem, irmãs, o que diz o bom Jesus: assim como nós perdoamos. Fala como de coisa já feita. Prestai grande atenção a este ponto. Ao sair desta oração, em que a alma recebe de Deus grandes graças na contemplação perfeita, examinai bem se ela está muito resolvida a perdoar e, quando surge a ocasião, se de fato ela perdoa qualquer injúria, por grave que seja - e não certas ninharias que chamam injúrias. Do contrário, não há que fiar de sua oração."

Sta Teresa D'Avila, Caminho de Perfeição


A Noite Escura da Alma: O Paradoxo Místico

Resultado de imagem para noite escura da almaA Noite Escura da Alma: O Paradoxo Místico
Análise da experiência mística que antecede à plena iluminação, segundo a doutrina de São João da Cruz  (Séc.16).


Sergio Carlos Covello



A “noite escura da alma” é metáfora de uma experiência mística que envolve paradoxo, porque essa experiência é iluminativa e, no entanto, obscurece a consciência e acarreta sofrimento. Para  extrair sentido dessa contradição, faz-se necessário examinar o rico simbolismo da noite no imaginário dos povos.

Entre os mitos gregos, Noite é o nome de uma deusa, filha do deus Caos, o vazio primordial antes de serem ordenados os elementos do mundo. Essa deusa personifica as trevas superiores e é representada com um manto escuro, a percorrer o céu, enquanto seu irmão, Érebo, simboliza as trevas inferiores. A deusa Noite gerou várias divindades, algumas benéficas, outras maléficas, sendo a mais importante delas o Dia (Hêmera), a divindade que trouxe a luz ao universo. Também na tradição judaica, a noite apresenta ora um aspecto negativo, ora um aspecto positivo. No Gênesis, ela denomina as trevas, sendo inferior à luz: “E viu Deus que a luz era boa, e fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus à Luz Dia e às trevas, Noite (1.4-5)” . Em outras passagens, porém, a Bíblia ressalta o aspecto positivo da noite. Por exemplo, em Jó 35.10, lê-se que “Deus inspira canções de louvor durante a noite”. A noite é, portanto, o momento da inspiração divina. E em Salmos 19.2, a noite relaciona-se com a sabedoria: ” Uma noite – diz o salmista – revela conhecimento a outra noite”. Não por outra razão a coruja, pássaro notívago, representa, de longa data, a filosofia, simbolizando o saber e a clarividência. Na arte poética, a noite é geralmente evocada como o período propício ao romance, pois à noite, cessadas as atividades laborativas do dia, o ser humano pode ir livremente em busca do outro. Neste caso, a noite exerce fascínio: “Tudo tem suave encanto quando a noite vem”, diz a canção popular. Na esfera psíquica, a noite significa a face oculta da consciência, o inconsciente, que, durante o sono, geralmente à noite, vem à tela mental através de símbolos que expressam não só os desejos, mas também a sabedoria, a criatividade e as mais belas intuições.
Na teologia mística, a noite foi aos poucos adquirindo o sentido de estado de consciência com relação à Divindade, a eterna Incógnita envolta metaforicamente no manto negro da noite. “Deus habita as trevas” – dizem os místicos, porque nunca ninguém conseguiu ver Deus, nem Moisés e o povo eleito. Tudo o que sabemos sobre Deus são conceitos humanos. O homem presume que existe uma causa inteligente para o universo e chama a essa causa de Deus, atribuindo-lhe qualidades humanas (como a bondade, a justiça e a misericórdia). Cria, assim, Deus à sua imagem e semelhança. A teologia mística, ao contrário da teologia especulativa (baseada em conceitos e teorias), objetiva um conhecimento experimental – a posse interior de Deus pela contemplação que implica o despojamento do ego, visando à união da alma com “aquele que está além de todo ser e de todo saber”. A esse estado de despojamento os místicos alemães do século 14 chamaram de “noite escura”, expressão que foi consagrada 200 anos mais tarde pelo frade carmelita São João da Cruz, num poema lírico de oito estrofes em que o poeta relata a própria passagem por essa prova que antecede a plena iluminação. Nos comentários a esse poema, diz São João da Cruz que, mediante a noite escura, a alma se dispõe e encaminha para a divina união de amor. É possível explicar a jornada mística como a busca do Eu profundo, a dimensão expandida da consciência, para além do pequeno ego, de modo que a consciência individual se transforme em universal ou cósmica. Mas os místicos cristãos (e mesmo os não-cristãos teístas) consideram a ampliação da consciência como a união da alma com Deus, por analogia com o casamento humano, que é uma experiência transformadora na vida dos nubentes. Nessa etapa do desenvolvimento consciencial só entram as pessoas espiritualmente adiantadas, isto é, as que já se converteram para a sua dimensão maior e obtiveram algum grau de luz. Não se trata de período agradável, visto que é de provação. Segundo São João da Cruz, a noite escura consiste na mortificação dos sentidos e do espírito, por isso que produz abatimento, esgotamento mental e fadiga. Mas esse transe é altamente desejável, porque faz surgir o homem novo de consciência totalmente renovada.
A passagem pela noite escura da alma encontra apoio nas escrituras bíblicas. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, há vários exemplos de pessoas santificadas que sofrem provação antes de receberem um grande benefício. A noite escura do Cristo teve início no Getsêmane, pouco antes de o Divino Mestre ser preso, e terminou na cruz com a sensação de abandono: ” Eli, Eli, lamá sabactâni” (MT 27.46).Graças, porém, à tormenta física e mental, Jesus de Nazaré ressurgiu como o Cristo Cósmico Eterno, dando ensejo a uma das mais influentes tradições religiosas do mundo.
Na expressão Noite Escura, que dá nome à poesia de São João da Cruz, estão implícitos os vários sentidos figurados da noite: o mitológico (geratriz da luz), o sapiencial ( momento da sabedoria e da inspiração divina), o poético (instante doce  do amor) e o psicológico (centro de consciência transcendente).
A análise, ainda que sumária, dos belos versos do poema permitirá a melhor compreensão dessa fase do desenvolvimento da consciência, na visão poética do monge que fez da busca do Absoluto seu ideal de vida:


NOITE ESCURA



Canções de S. João da Cruz (1542-1591) que descrevem o modo pelo qual o místico chega ao estado de perfeição espiritual.

(1578)
1. Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,     (1)
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada, (2)
Já minha casa estando sossegada. (3)

2. Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,  (4)
Oh, ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

3, Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia    (5)
Além da que no coração me ardia.

4. Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia, (6)
Em sítio onde ninguém aparecia. (7)

5. Oh, noite que me guiaste!
Oh, noite mais amável que a alvorada!
Oh, noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada! (8)

6. Em meu peito florido
Que, inteiro para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

7. Da ameia a brisa amena, (9)
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

8. Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado; (10)
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.(11)

(1) Trata-se de alma adiantada na espiritualidade, pois está incendiada do amor a Deus.
(2) Isto é, saiu de si, sem ser impedida pelos sentidos inferiores que compõem o ego.
(3) Casa sossegada: vida interior com pleno domínio das pulsões inferiores e das paixões menores.
(4) A escada mística da ascese rumo à Divindade. A escada joanina desdobra-se em 10 degraus.
(5) A luz da fé e do amor.
(6) Em sendo evoluída, a alma já conhecia a Divindade.
(7) O centro da alma, o espírito que é também sua parte mais alta.
(8) Pela união com a Luz a alma se transforma na Luz.
(9) Ameia: cada um dos arremates salientes, separados por intervalos regulares, construídos na parte mais alta do castelos, das torres e das muralhas que protegiam as cidades antigas. Vê-se que a alma subiu a escada para encontrar a Divindade.Brisa amena é sopro, símbolo do influxo espiritual de origem celeste. Mensageiro divino, o vento afasta as trevas. Na tradição bíblica, o “sopro de Deus” animou o primeiro homem. No poema, o sopro de Deus faz surgir o ser iluminado ( o novo homem que retornou à origem divina).
(10) Esquecida de si, quer dizer, com a atenção concentrada só no Amado.
(11) Sua inquietação desapareceu.

http://www.teosofia-liberdade.org.br/a-noite-escura-da-alma-o-paradoxo-mistico/

Citações úteis de Santa Teresa d’Ávila

santa-teresa-de-jesus-jose-de-ribera

Digo que muito importa, sobretudo, ter uma grande e muito decidida determinação de não parar enquanto não alcançar, sofra-se o que se sofrer, murmure quem murmurar, mesmo que não se tenham forças para prosseguir, mesmo que se morra no caminho ou não se suportem os padecimentos que nele há, ainda que o mundo venha abaixo. E quantas vezes não acontece de ouvirmos dizer: “Há perigos”, “Fulana se perdeu por aqui”, “O outro se enganou”, “Aquele que rezava muito, caiu”, “Prejudicam a virtude”, “Não é para mulheres, pois podem sobrevir-lhes ilusões”, “Será melhor que vão fiar”, “Deixem de lado essas delicadezas”, “Basta o pai-nosso e a ave-maria”! (Caminho de Perfeição, cap. 21, 2)
4. Outra razão é que o demônio fica com o seu poder para tentar enfraquecido; ele tem tão grande medo de almas determinadas, pois já tem a experiência de que elas lhe fazem grande dano, que aquilo que ordena para fazê-las se perder acaba trazendo-lhes proveito, e aos outros, ficando o inimigo com o prejuízo. Mas não devemos nos descuidar nem confiar nisso, porque tratamos com pessoas traidoras, não ousando o demônio arremeter contra quem está alerta, por ser muito covarde. Se, no entanto, perceber um descuido, provocaria grandes perdas. E, se sabe que alguém é inconstante e não está consolidado no bem, sequer com uma enorme determinação de perseverar, ele não o deixa em paz de dia nem de noite, suscitando-lhe medos e mostrando-lhe inconvenientes que nunca se acabam. Sei disso muito bem por experiência, e assim o soube explicar, e afirmo que ninguém sabe quão importante é isso.
5. A outra razão, muito relevante, é que a alma luta com mais ânimo, pois já sabe que, aconteça o que acontecer, não vai voltar atrás. É como alguém que está numa batalha e sabe que, se for vencido, não lhe perdoarão a vida, e que, se não morrer no combate, morrerá depois. Assim, peleja com maior determinação, querendo vender caro sua vida, como se diz, sem temer tanto os golpes, porque tem em mente que o importante é a vitória, pois dela depende a sua vida.  (Caminho de Perfeição, cap. 23, 4-5)
3. Tende em grande conta este aviso -que importa muito – até que vos vejais com tão grande determinação de não ofender ao Senhor que antes preferiríeis perder mil vidas a cometer um pecado mortal. Quanto aos veniais, cuidai muito para não fazê-los. Refiro-me aos que se cometem com advertência, pois, de outra maneira, quem estará livre de cometer muitos? Mas há uma advertência refletida. E há outra tão rápida que, na prática, cometer o pecado venial e refletir sobre ele são uma única coisa. Sequer chegamos a entender o que fazemos. Deus nos livre de pecado plenamente deliberado, por menor que seja! (Caminho de Perfeição cap. 41, 3)
…deixamos de ir ao côro um dia porque nos dói a cabeça, outro porque nos doeu e outros três para que não nos doa… (Caminho de Perfeição ???) 
Sem dúvida – já que aqueles a quem muito quer Deus leva por caminhos de padecimentos e, quanto mais os ama, maiores são estes (…) É absurdo crer que o Senhor admita como amigos íntimos pessoas comodistas e que não sofrem. (Caminho de Perfeição 18, 1-2

Fonte: http://www.amormariano.com.br/

sábado, 29 de outubro de 2016

Do humilde sentir de si mesmo

Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição

Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem se despreza e não se compraz em humanos louvores.

Se eu soubesse quanto há no mundo, porém me faltasse a caridade, de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras?
Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.
Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente. Não te desvaneças, pois, com qualquer arte ou conhecimento que recebeste. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. Não te presumas de alta sabedoria (Rom 11,20); antes, confessa a tua ignorância. Como tu queres a alguém te preferir, quando se acham muitos mais doutos do que tu e mais versados na lei? Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada.
Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição. Ainda quando vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem. Nós todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo.

(*) Do livro “Imitação de Cristo”.
http://www.sensusfidei.com.br/2016/10/13/do-humilde-sentir-de-si-mesmo/#.WBR59vmPvIU

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Quer aprender a rezar com Teresa D’Ávila?

São 4 conselhos preciosos - e o 3º vai fazer você querer rezar agora mesmo!

Quer aprender a rezar com Teresa D’Ávila?

Conheça algumas dicas de oração que esta grande santa e doutora da Igreja nos deixou:
Primeiro, é necessário criar um clima de oração.
É preciso fazer silêncio e nos perguntar: O que devemos fazer para experimentar a alegria da vida em comunhão com o Senhor?
Tem que ficar bem claro para nós o que ficou marcado na espiritualidade Teresiana:
1. Crer que Deus é uma pessoa que nos ama e nos procura. Deixar-se amar por Ele.
2. Tomar uma decisão corajosa, dedicando todos os dias um “tempo” à oração e ser fiéis a este tempo, custe o que custar.
3. Não se preocupar em pensar, refletir, mas em amar, sabendo que o Senhor gosta da nossa presença silenciosa.
4. Dialogar muito com Deus, como fazemos com o maior de nossos amigos.
O método teresiano-carmelitano
Caminhar sozinho é difícil; a ajuda fraterna de alguém que conhece bem o caminho nos conforta, pois faz-nos gastar menos tempo e com menos cansaço chegaremos com mais segurança à meta.
Há vários métodos de oração, assim como há vários métodos para aprender a tocar violão, piano, pintura, dirigir carro, línguas… O importante não é o método, mas sua finalidade.
Os métodos de oração têm como objetivo levar o homem a dialogo com Deus. Os métodos são passageiros, pois uma vez que aprendemos, cada um torna-se método de si mesmo.
No início da vida tudo se aprende. Também os maiores autodidatas tiveram necessidade de olhar para algum modelo e seguir os seus passos.
Seja claro. Teresa d’Ávila não escreveu nenhum método de oração; ela simplesmente relatou com simplicidade e humildade a sua experiência de Deus, através do caminho da oração.
Os Carmelitas e as Carmelitas Descalças, logo depois da morte da “Madre Teresa”, debruçando sobre seus escritos, formularam um método de oração, que foi apresentado pela primeira vez em 1591, estando presente o guia iluminado de Santa Teresa, São João da Cruz.
Em que consiste o método teresiano? – Desde o início desta nossa caminhada temos repetido mais de uma vez que para Teresa, Deus é amor e a oração é amor, é deixar-se amar. Na oração teresiana a afetividade ocupa um lugar de destaque sobre a reflexão intelectual.
No Carmelo vai-se a Deus mias com o coração, com o amor, do que com o esforço da inteligência.
O Carmelita ama através da fé, sem se preocupar demasiadamente em entender ou investigar o que ama. O amor não quer explicações: simplesmente ama. O coração embriagado e seduzido é embalado por uma força misteriosa que o faz delirar e o leva a uma entrega total, incondicionada, ao ser amado.
O método carmelitano-teresiano está alicerçado sobre duas expressões características de Santa Teresa:
– “A oração é um íntimo relacionamento de amizade, um entreter-se à sós com aquele de quem temos a certeza que nos ama”. (V. 8,5)
– “Para progredir no caminho da oração e subir às mansões a que tendemos o essencial não está no muito pensar, mas em muito amar”. (4M. 1,7)
A oração teresiana em sete momentos:

1. Colocar-se na presença de Deus, arrepender-se dos próprios pecados (rezar, confessar, fazer um ato penitencial), pedir a Deus a luz do Espírito Santo para que nos seja concedida a graça de encontrar-nos com o Senhor.
2. Leitura de um bom texto. De preferencia da Sagrada Escritura, “Imitação de Cristo, ou um livro que nos tenha feito bem. evitar livros que não conhecemos e que vamos ler pela primeira vez.

3. Reflexão sobre o texto lido, confronto com a Palavra de Deus.

4. Colóquio afetivo. É o centro da oração. Um diálogo íntimo com Deus, abertura do coração, falar com Ele face-a-face. Amar e deixar-se amar por Deus.

5. Agradecimento pelos benefícios recebidos; descobrir em nós e nos outros as maravilhas operadas por Deus.

6. Oferecimento de si mesmo, propósito. Deus é o Senhor da nossa vida. A Ele devemos oferecer-nos e entregar-nos com docilidade como o barro nas mãos do oleiro. Quem ama compromete-se: O propósito é o nosso compromisso de fidelidade, a nossa resposta á fidelidade e aliança terna de Deus conosco.

7. Pedidos de ajuda ao Senhor. Conscientes da nossa fraqueza, pedimos força e coragem ao Espírito Santo para darmos testemunho da verdade. É o último agradecimento quando já estamos prontos de novo para a luta pelo Reino de Deus.
O método carmelitano é um caminho calmo, sereno. Até no silêncio Deus fala ao homem que o procura.
“Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a sua voz? Quando é o coração que reza ele responde.” (C. 24,5).

Texto retirado do livro: Deixe-se Amar, Experiência de Deus com Teresa D’Ávila. Frei Patrício Sciadini, O.C.D.

domingo, 16 de outubro de 2016

15 pontos sobre a Oração do Coração

1 - A oração é uma das maiores e mais fortes potências que concede àquele que ora "nascer de novo", e lhe concede bem-estar corporal e espiritual.

2 - A oração são os olhos e as asas da alma; dá-nos a ousadia, a coragem e força para contemplar a Deus.

3 - Meu irmão, continue orando com a sua boca até que a graça divina ilumine-vos a orar também com o coração. Então, uma celebração divina terá lugar dentro de você de uma maneira maravilhosa, e você não vai mais orar com a boca, mas com a atenção que trabalha no coração.

4 - Se você realmente deseja expulsar todos os pensamentos anti-cristãos e purificar a sua mente, você vai conseguir isso apenas através da oração, pois nada é capaz de regular nossos pensamentos tão bem como oração.

5 - Tenha cuidado, porque se você for preguiçoso e desatento na oração, você não fará qualquer progresso, quer na sua busca de devoção ao Senhor, ou na aquisição de salvação e paz de espírito.

6 - O Nome de Jesus Cristo, que nós invocamos na oração, contém dentro dele mesmo um poder restaurador auto-existente e auto-atuante. Então não se preocupe com a imperfeição e secura de sua oração, mas com perseverança aguarde o fruto da invocação repetida do nome divino.

7 - Quando guiadas pela oração, as faculdades morais dentro de nós tornam-se mais fortes do que todas as nossas tentações e as conquistam.

8 - A frequência na oração cria um hábito de oração, que rapidamente se torna uma segunda natureza e que frequentemente traz a mente e o coração a um estado espiritual mais elevado. É a única maneira de alcançar as alturas da verdadeira e pura oração. Ela (a frequência) constitui o melhor meio de preparação eficaz para a oração e o caminho mais seguro para chegar ao destino da oração e da salvação.

9 - Cada um de nós é capaz de adquirir a oração interior e torná-la um meio de comunicação com o Senhor. Não custa nada, exceto o esforço para mergulhar no silêncio e nas profundezas de nosso coração, e o cuidado de invocar o doce Nome de Jesus Cristo o mais frequentemente possível, o que nos enche de alegria. Mergulhar em nós mesmos e examinar o mundo da nossa alma, nos dá a oportunidade de conhecer os mistérios do homem, sentir o prazer do auto-conhecimento e de derramar lágrimas amargas de arrependimento por nossas quedas e a fraqueza da nossa vontade.

10 - Possa sua alma abrir caminho com amor para o significado da oração, para que sua mente, sua voz interior, e sua vontade - estes três componentes de sua alma - tornem-se Um, e o Um torne-se Três; para que desta maneira o homem, que é uma imagem da Santíssima Trindade, entre em contato com e se una ao protótipo. Como o grande trabalhador e mestre da oração noética, o divino Gregório Palamas de Tessalônica disse: "Quando a unidade de nous (mente) torna-se trina, mas continua a ser única, então ela está unida com a Divina Unidade Triádica, e fecha a porta à todas as formas da ilusão e é levantada acima da carne, o mundo e o príncipe do mundo". ( The Philokalia, vol. IV. p.343 )

11 - Onde quer que a oração esteja ativa, há Cristo com o Pai e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade, consubstancial e indivisível. Onde quer que haja Cristo, a Luz do Mundo, há a Luz Eterna do Outro Mundo; há Paz e Alegria; há Anjos e Santos; há o Esplendor do Reino. Bem-aventurados são aqueles que na vida presente estão vestidos com a Luz do Mundo - Cristo - pois eles já colocaram as vestes da incorruptibilidade.

12 - Visto que Cristo é a Luz do Mundo, aqueles que não o vêem, que não crêem Nele, são todos certamente cegos. Por outro lado, todos os que se esforçam para praticar os mandamentos de Cristo andam na luz, confessam Cristo e o veneram e o adoram como Deus. Aquele que confessa Cristo e o respeita como seu Senhor e Deus é fortalecido pelo poder da Invocação de Seu Santo Nome para fazer a Sua vontade. Mas se ele não é fortalecido, é evidente que ele confessa Cristo apenas com a boca, enquanto que em seu coração ele está longe dele.

13 - Assim como é impossível para alguém que anda na escuridão da noite não tropeçar, da mesma forma é impossível para alguém que ainda não tenha visto a Luz Divina não pecar.

14 - O objetivo da Oração do Coração é unir Deus com o homem, trazer Cristo ao coração do homem, banindo o diabo de lá e destruindo todo o trabalho que ele realizou lá pelo pecado. Pois, como o discípulo amado diz: "Para isto o Filho de Deus se manifestou, para que pudesse destruir as obras do diabo". Só o diabo sabe o poder inexprimível dessas sete palavras da Oração de Jesus, e é por isso que ele guerreia e luta contra a oração com raiva e fúria. Inúmeras vezes os demônios confessaram pela boca de pessoas possuídas que eles são queimados pela ação da oração.

15 - Quanto mais a oração nos une a Cristo, tanto mais nos separa do diabo e do espírito do mundo, que gera e sustenta as paixões.

http://oracaodejesus.com/textos-15-pontos-sobre-a-oracao-do-coracao.html#392f216999f9444287b37788645c7dad

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Muito depressa...

"...Um explorador branco, ansioso para chegar logo ao seu destino, pagava um salário extra para que os seus índios andassem mais rápido. Durante vários dias, os carregadores apressaram o passo. Certa tarde, porém, todos sentaram-se no chão e depositaram seus fardos, recusando-se a continuar. Por mais dinheiro que lhes fosse oferecido, os índios não se moviam. Quando, finalmente, o explorador pediu uma razão para aquele comportamento, obteve a seguinte resposta: andamos muito depressa e já não sabemos mais o que estamos fazendo. Agora precisamos esperar até que nossas almas nos alcancem..."

Como amanhece a luz...

"Irmão, esforça-te um pouco em orar e vigiar, para que possas ver como brota a alegria em seu coração e como amanhece a luz no firmamento de tua mente. Não falo da alegria que desaparece antes que possas fazer parte dela, mas sim da doce felicidade, semelhante a doçura dos anjos e a luz inextinguível do mundo vindouro."
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Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...