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quinta-feira, 20 de abril de 2023

O Combate Espiritual


 Regnum caelorum vim patitur, et violenti rapiunt illud– Mat. XI, 12

 

Estas palavras revelam o combate espiritual – o combate que todo cristão deve manter a fim de entrar na posse do reino dos Céus. Céu, o belo céu, foi nos conquistado pelo preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, e para qual todos os homens são chamados a entrar, ainda que nem todos entrem, pois o reino dos céus adquire-se à força, e os violentos – as almas corajosas – arrebatam-no. É um reino a ser conquistado, e deve ser conquistado à preço de coragem e de combate. Porque também o que combate nos jogos públicos não é coroado, senão depois que combateu segundo as regras (2 Tim. II. 5). O que, então, é o combate espiritual? Quais são os inimigos que devemos combater e como devemos suportar até a vitória?

O combate espiritual do qual falamos consiste em triunfar sobre os inimigos de nossa alma, que são em número de três – o mundo, a carne e o demônio.

O Demônio

O demônio, o espírito de trevas e erro, particularmente ataca nossa mente e nossa fé, que é verdadeira luz. Ele procura obscurecer a fé levando-nos a negligenciar as instruções e pias meditações cristãs. Ele vai além: procura corromper nossa fé insinuando erros fatais, de modo que nos possa roubar inteiramente a fé. Para se ater a esse objetivo, ele forja incessantemente inúmeros erros, os quais ele vela debaixo de teorias de todas as formas; e para espalhá-las ele faz uso de duplo instrumento que, infelizmente! Realiza seu objetivo muito bem – uma imprensa injuriosa e impiedosa, além de conversas que são nada mais que seus ecos. Atentai ao primeiro inimigo de nossa alma – o demônio!

O Mundo

O segundo é o mundo, o grande ajudante do demônio. O mundo se aproveita ao máximo das fraquezas do coração humano e se esforça para seduzi-lo e intimidá-lo. Ele seduz com divertimentos, teatros, companhias perigosas, bajulação, aplausos, promessas de fortuna. E estes divertimentos e promessas são muitas armadilhas nas quais caem todos aqueles que não tem a salvação eterna de suas almas acima de todo o resto. Assusta almas tímidas com o fantasma do respeito humano, ameaçando-lhes com sua zombaria e desgraça. Agita almas interesseiras mostrando-lhes os efeitos de sua vingança na perda de posição, em negócios prejudicados, etc. Atentai ao mundo e suas táticas. Para superá-los, precisamos desprezar suas falsas promessas assim como suas ameaças, encarar suas perseguições, até as mais violentas. Elas não podem nos fazer prejuízos reais, pois Nosso Senhor nos diz: E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; mas temei antes aquele que pode lançar no inferno a alma e o corpo (Mat. X. 28).

A Carne

O terceiro inimigo é a carne – isto é, nós mesmos e nossas paixões desordenadas. Nós entendemos como paixões o orgulho, a avareza e os demais pecados capitais, cujos germes carregamos dentro de nós. Eles são répteis peçonhentos que se procriam no íntimo de nossos corações e que devem ser reprimidos enquanto ainda são fracos e relativamente inofensivos. Se nós permitirmos que eles cresçam, irão sufocar a vida de nossas almas. Eles são escravos rebeldes e se nós nos rendermos aos seus caprichos, eles se tornarão tiranos e nos reduzirão a uma escravidão que nos levará à perdição eterna. Nós devemos conquistar nossas paixões, nós precisamos conquistar nós mesmos; devemos conquistar generosamente e devemos o quanto antes nos exercitar neste bom combate.

O Combate

Mas para sermos vitoriosos, como devemos combater estes inimigos? As condições necessárias são a coragem e o uso de armas.

  1. Sem coragem não há vitória
    Aquele que deseja conquistar deve fechar seu coração a toda tristeza, desânimo ou desencorajamento e preenchê-lo com um nobre ardor que é chamado de coragem bélica. Coragem é inflamada no vislumbrar do perigo e na esperança da vitória.O perigo que nos ameaça é supremo; nossos inimigos são poderosos e empenhados em nossa ruína eterna. Mas fracos como somos, nós podemos vencê-los, pois Nosso Senhor nos oferece sua assistência. Ah! Se Deus é por nós, quem será contra nós? Tudo posso, diz o apóstolo, naquele que me conforta. Ao mesmo tempo Deus nos oferece apenas suas assistência. Ele não nos dispensa do combate a nós mesmos; Ele deseja que exerçamos todas as nossas energias, que usemos todas as armas que Ele coloca à nossa disposição.
  2. O uso das armas
    Agora, o que seriam essas armas? Primeiro, a espada da oração que devemos ter sempre em mãos. Então devemos nos cobrir com um escudo sagrado – o escudo dos sacramentos que devemos receber com frequência. Finalmente, devemos vestir a couraça da salvação – isto é, a fé, que devemos fortalecer e nutrir ouvindo a palavra de Nosso Senhor e através de leituras espirituais.Tal é o combate espiritual que devemos sustentar; tais são as táticas que nos assegurarão a vitória. E quanto maior a confiança que tivermos em Nossa Senhora, Rainha do Céu, mais fácil e mais completa será a vitória. Ela é a poderosa Virgem; Ela haverá de destronar nosso inimigo, e seus pés virginais haverão de esmagar sua cabeça.

Pe. F.X. Schouppe, S.J., em Sodality Director’s Manual (1882)
Tradução por um congregado mariano


Fuga das ocasiões de pecado



“Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!”


I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas

Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!

Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.

O Espírito Santo diz: ‘Quem ama o perigo nele perecerá’ (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Siena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.

Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: ‘Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar’ (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.

Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: ‘Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti’ (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.

Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.

É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.

Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): ‘Com temor e tremor operai a vossa salvação’. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.

II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente

Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. ‘Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma’, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: ‘Desviai vossos olhos de uma mulher adornada’ (Ecli 9, 8).

Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.

Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Siena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.

Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.

Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.

Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.

Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): ‘Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção’. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.

Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. ‘Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado’, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.

Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.

Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.

III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades

Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.

A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.

Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que ‘aquela casa é o caminho para o inferno’ (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.

Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.

Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”

(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)

domingo, 14 de novembro de 2021

Do desprezo de toda honra temporal


 


Livro III. DA CONSOLAÇÃO INTERIOR

Capítulo XLI

1. Jesus: Filho, não te entristeças por veres os outros honrados e exaltados, ao passo que tu és desprezado e humilhado. Ergue a mim o teu coração até ao céu, e não te entristecerá o desprezo humano na terra.

A alma: Senhor, vivemos na cegueira, e facilmente nos engana a vaidade. Se bem me examino, nunca recebi injúria de criatura alguma; não tenho, pois, motivo de justa queixa contra vós.

2. Mas, porque cometi tantos pecados, e tão graves, contra vós, é justo que contra mim se armem todas as criaturas. A mim, pois, com muita razão, cabe confusão e desprezo, a vós, porém, louvor, honra e glória. E enquanto não estiver disposto a querer de bom grado ser desprezado e abandonado de todas as criaturas, e ser tido absolutamente em nada, não haverá em mim paz e tranqüilidade interior, nem serei espiritualmente iluminado, nem perfeitamente unido a vós.

sábado, 7 de novembro de 2020

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 5º Dia com Padre Mario Sartori

 

5º dia “Hóspede Divino” - Adoração - Jesus Eucaristia Na adoração esqueço de mim mesmo, porque somente Deus é importante para mim. Na presença Eucarística, Cristo chega até nós, se oferece por nós. Olhamos para Aquele que nos ama. Nele está o nosso desejo profundo de nos libertarmos de nós mesmos, para dependermos única e exclusivamente do Senhor. O primeiro contato com Jesus, escondido na Sagrada Hóstia foi decisivo para Elisabeth. Nesse dia, Ele tomou posse do seu coração. Sua única aspiração foi entregar- Lhe a vida. “A partir da Primeira Comunhão, vimo-la mudar imediatamente. Sentimo-la tomada por Deus”, nos diz sua irmã Margarida. Assim, arrastada pela torrente de amor, na intimidade mais pura da Primeira Comunhão, Elisabeth responde ao apelo de Jesus. “A Eucaristia é a plenitude transbordante do Amor Divino. Nela, Jesus não nos dá apenas os seus méritos e as suas dores, mas nos dá plenamente a si mesmo.” “Como é triste ter de me afastar do sacrário e despedir-me do Hóspede Divino! Mas Vós estais sempre comigo, estais no meu coração, Dileto Meu, único Amor.” “Após a Comunhão, guardamos o Céu inteiro em nossa alma, menos a visão desse Céu.” “A adoração! Sim! É uma palavra do céu. Me parece que poderia defini-la assim: é o êxtase do amor. É o amor vencido pela Beleza, pela Força, pela Grandeza imensa do Objeto amado que entra no estado como se fosse um desfalecimento, em um silêncio pleno e profundo.” UR 21 “Quanto mais vivemos com este Hóspede Divino, mais felizes nos sentimos, mais fortaleza temos para entregar-nos ao sacrifício.” Reflexão... “Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a mim não terá fome, e quem crê em mim não terá mais sede.” ( Jo 6,35 )

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

História de SANTA ELISABETH DA TRINDADE

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 4º Dia com Padre Mario Sartori

4º dia “Silêncio e Solidão“ “O silêncio é a linguagem da alma para conversar com Deus.” O perfeito silêncio nunca pode estabelecer-se sem grandes esforços. Nos faz, em primeiro lugar, presentes a nós mesmos, e logo presentes a Deus, fazendo-nos atentos a sua presença. A oração se completa no silêncio. De um lado, está a escuta, de outro a unidade com Deus. Permanecer em silêncio diante de Deus faz crescer o nosso amor por Ele. O silêncio é presença, procura e encontro; é intimidade. Na medida em que a alma caminha para Deus, as palavras, as imagens e os sentimentos devem dar lugar ao silêncio. Elisabeth teve um especial atrativo por esse silêncio que foge de todo o convívio para permanecer, pela fé na presença de Deus. É a santa do silêncio. Sonhava em “viver Contigo solitária”. Mesmo em meio às festas e reuniões do mundo, sua alma elevava-se a Deus, imersa no silêncio e adoração. Demonstrava a calma alegria de quem está em paz e pode sorrir, mas seu olhar e seu sorriso manifestavam, irradiavam Nosso Senhor. “Dentro de mim existe uma solidão onde Cristo mora, que ninguém poderá tirar de mim.” “Parece-me que nada nos pode distrair Dele, quando só agimos por ele, sempre em sua santa presença, sob o olhar divino que penetra até o mais íntimo da alma; mesmo no meio do mundo, pode-se ouví-Lo no silêncio do coração que só quer pertencer a Ele”. (Carta 38) “O Carmelo é um canto do Céu: no silêncio e na oração, vive-se só com Deus só”. (Carta 142) “Permaneçamos ali em silêncio, para escutar Aquele que tem tanto para nos comunicar”. (Carta 140) Reflexão... “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á”. Mt 6,6 “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração”. Lc 2,19

domingo, 1 de novembro de 2020

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 3º Dia com Padre Mario Sartori

 

TERCEIRO DIA – Confiança e Abandono Sinal da Cruz. Vinde Espírito Santo. É a fé que nos aproxima de Deus. “Para aproximar-se de Deus é preciso crer.” (Hb 11,6). Diz o Catecismo da Igreja Católica: “o ato de fé é um ato humano, ou seja, um ato da inteligência do homem que, sob o impulso da vontade movida por Deus, dá livremente o próprio consenso à vontade divina” (153-163). É um Dom gratuito de Deus. Quando a alma sabe crer no grande Amor de Deus, nada a detém. Ela entrega-se então, sem reservas, com confiança e abandono, nesse amor. A confiança conserva a alma no equilíbrio, nos dá força e coragem no sofrimento. Na alma confiante a abandonada, o Espírito Santo agirá livremente. Elisabeth permaneceu fiel até o fim nesse caminhar para Deus na pura fé, mesmo quando gravemente enferma. É o meio de retribuir a Deus amor com amor. Mais sua alma é provada, mais aumenta sua fé, sua entrega total, afetuosa e dócil à Vontade Divina. “E de que servem as consolações, as doçuras? Estas coisas não são ele, e é Ele que buscamos. Vamos pois a Ele pela pura fé.” (Carta 53) “… a Ele me entrego e me abandono, de antemão feliz por tudo o que acontecer”. (Carta 250) “…também eu devo procurar o mestre que se esconde. Mas então, vivo na fé e fico satisfeita de não gozar de sua presença para deixá-Lo gozar do meu amor.” (Carta 298) Reflexão… “ A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se chegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram.” (Hb 11, 1. 6) “Ao abandonado, Deus prepara uma casa”. (Sl 67,7) Oração: Pai Nosso, Ave-Maria e Glória.

sábado, 31 de outubro de 2020

NOVENA À SANTA ELISABETE DA TRINDADE | 2º Dia com Padre Mario Sartori

 

SEGUNDO DIA Morro cada dia – Renúncia e Desapego Sinal da Cruz. Vinde Espírito Santo. Enquanto alguma coisa nos prender, não poderemos livremente voar para Deus. Não há nada mais tranquilo que um coração simples, livre. Importa, pois, elevar-se acima de todas as coisas, acima até de si mesmo, para unir-se cada vez mais ao Senhor. Para vivermos unidos à Jesus, precisamos nos desprender dos laços que nos prendem ao mundo. A alma que ainda não se desprendeu, “está sempre agitada, inquieta, caminha na escuridão e mil cuidados a atormentam”. Renunciar é a disposição da alma em não viver, em nada, para si; disposição sincera, contínua, firme de afastar a alma de sua inclinação natural e se fazer o centro da própria vida, de sair de si, de se desinteressar por si, de deixar-se de lado. Renunciar-se é amar! Em escravidão vivem todos os que se amam e buscam a si mesmos. Para ser um cristão de verdade, é preciso renunciar a algumas das coisas que aparentemente nos levam à felicidade, mas na verdade não passam de pura enganação. O conforto excessivo, riqueza exagerada, más companhias, ambição sem controle, egoísmo, vingança, fofocas, etc. Elisabeth chama de “conversão” o que se deu em sua primeira confissão, que deu origem a um verdadeiro despertar para as coisas divinas. Desde então resolveu lutar energicamente contra o seu defeito dominante, sem que esta aplicação de vencer-se alterasse a sua animação e alegria. Foi progredindo a passos largos. Sua vontade vinha sempre em último lugar. Quanto não teve de renunciar para dar alegria a sua mãe! Teria até mesmo deixado de entrar no seu amado Carmelo, se sua mãe não o tivesse permitido. Também o desapego da família foi algo de muito doloroso para Elisabeth. Porém, o coração livre dilata-se e tem maiores capacidades de amar: amar como Deus ama! “Jesus, meu Amor, minha Vida, ajudai-me; é Preciso absolutamente que eu consiga fazer sempre e em tudo o contrário de minha vontade. Bom Mestre, Sublime Amor, eu Vos imolo essa vontade, para que seja transformada na Vossa. Vo-lo prometo, envidarei todos os esforços para ser fiel a esta minha decisão de sempre renunciar a mim mesma. Nem sempre é tão fácil; mas convosco, ó Jesus, minha força, minha Vida, a vitória não será, porventura, certa?” (Diário 24/02/1899) “Esta doutrina de morrer a si mesmo, que é entretanto lei para toda alma cristã desde que Cristo disse: ´Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me`, esta doutrina que parece tão austera, é de uma suavidade deliciosa quando se olha o termo dessa morte, que é vida de Deus posta em lugar de nossa vida de pecados e misérias. A alma mais livre é, por certo, a que vive esquecida de si mesma. Se me perguntassem qual o segredo da felicidade, responderia que é não mais fazer caso de si, renunciar-se todo o tempo.” Carta 272 Reflexão… “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 23-24) “Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus..” (Col 3,2-3)

Novena à Santa Elisabete da Trindade | 1º Dia com Padre Mario Sartori


PRIMEIRO DIA “Agindo contra – Combate a si mesmo” Sem autodomínio, a vontade fica inconstante, e qualquer outra virtude que se queira edificar sobre ela afunda-se. Para se alcançar o domínio de si mesmo, é necessário uma luta constante, principalmente por meio do sacrifício, da mortificação. Oferecida à Deus, esse sacrifício nos ajuda a purificar os pecados, e unir-nos com mais amor aos padecimentos de Jesus. O sacrifício é apenas aparente, pois vivendo assim, com sacrifício, livra-se de muitas escravidões e no íntimo do seu coração consegue saborear todo o amor de Deus. Precisamos fortalecer a vontade, forjando-a na fornalha da Graça de Deus, e lutando por adquirir, com garra e mortificação, o autodomínio, que nos deixa verdadeiramente livres. A alma nada consegue sem o calor da Graça de Deus, por isso deve fortificar-se com as fontes de graça, que são os Sacramentos, a oração humilde ao Espírito Santo, com o cumprimento dos deveres cotidianos, “em espírito de amor de Deus, de auto-respeito e de generosidade para com os outros, sem sufocar os sentimentos e as tendências, mas canalizando-as numa vida virtuosa.” João Paulo II. Elisabeth, desde pequena tomou a resolução de impor-se a si mesmo uma vigilância constante. Conhecia seu “defeito dominante” e lutou para dominá-lo. Aprendeu a vencer-se por amor. Acompanhava regularmente retiros pregados pelos Padres da Companhia de Jesus, onde inspirou-se em seus propósitos. Habituara-se a renunciar a si mesma, estando sempre pronta a ceder e desaparecer, o que chamou de “agendo contra”. Um verdadeiro combate a si mesma: esta foi a palavra chave de sua alma generosa. “Hoje, tive a alegria de oferecer a Jesus muitos sacrifícios para vencer o meu defeito maior. Quanto me custou! Por isso, reconheço toda a minha fraqueza. Quando recebo uma observação injusta, parece-me sentir o sangue ferver nas veias, tal é a revolta do meu ser. Mas Jesus estava comigo. Ouvia-lhe a voz no fundo do coração, e então estava disposta a tudo suportar por seu amor.” (Diário 30/01/1899)

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...