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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Sobre o Eremitismo parcial e secular

EREMITISMO PARCIAL E SECULAR

A Igreja Católica Apostólica Romana considera como eremitas apenas aqueles que vivem em solidão, isolamento, assídua oração e penitência, consagrando a vida a Deus e a salvação do mundo (CIC 920). O modo de vida solitária deve ser constante, contínuo e estável. Ou seja, a solidão deve ser permanente, conforme a regra de vida de cada um, na observância dos conselhos evangélicos (castidade celibatária, pobreza e obediência).


Existe, todavia uma nova corrente na espiritualidade eremítica, de pessoas leigas solteiras ou casadas, que encontram profunda afinidade com o eremitismo, e sentem grande necessidade de estarem a sós com Deus, e dedicar-se a essa solidão semanalmente ou em parte do dia. 


Retiro, solidão e oração, mesmo na vida secular 

Geralmente os solteiros e viúvos trabalham meio período num emprego secular, e no outro se retiram completamente para orar, ler, escrever, estando a sós com Deus, somente. Os casados, devido às obrigações próprias de seu estado, dedicam- se às vezes alguns fins de semana, em completo retiro, separado da família. Os momentos em que consagram a vida espiritual são de completa solidão.


Um exemplo recente é o da Serva de Deus Elisabeth Leseur (Paris - sec. XX), que mesmo sendo casada, mas sem filhos, se devotava a retiros mensais e anuais, em casas de exercícios espirituais, com a devida permissão de seu cônjuge Félix, este quando ficou viúvo converteu-se por intercessão de sua própria esposa, e ingressou no convento dos dominicanos.


Serva de Deus Elisabeth Leseur- casada- sec. XX , dedicava-se ao recolhimento ocasionalmente 

O eremitismo parcial consiste, portanto, em viver os elementos da vida eremítica, na medida do possível, sem necessariamente ser um eremita em toda sua plenitude. Tal modo de vida não tem um reconhecimento oficial da Igreja, por essas pessoas não estarem de todo livres e desimpedidas numa doação integral a solidão. O correto seria até mesmo não chama- los de eremitas, e sim contemplativos, pois ainda possuem vínculos com o século.

Algumas correntes atuais do eremitismo (Comunidade Horeb, por exemplo), porém “adotaram” essas almas, chamando de eremitas parciais ou seculares, algumas outras correntes chegam a dizer que essas pessoas são eremitas urbanos, porém aqui no Blog usaremos sempre os parâmetros do Catecismo da Igreja Católica (920-921) e Código de Direito Canônico (Cân. 603 §1 e 2), e essa modalidade do eremitismo, não consta em ambas as fontes.

“O eremita tal como está escrito no Cân 603 § 2 é um fiel que não pertence a nenhum instituto de vida consagrada, e vive uma vida eremítica com certa estabilidade”. (DICIONÁRIO DE DIREITO CANÔNICO)

Existem outras confissões católicas, como os Véteros –Católicos ou Católicos Velhos(Para quem nunca ouviu falar os véteros católicos, são desligados de Roma, tem seu próprio papa e toda uma hierarquia própria, e vive a vida católica primitiva, os padres são casados, não há celibato. São estes que regem a organização do Priorado dos Eremitas Seculares). 

Há alguns Patriarcados Ortodoxos (em especial na Argentina tem os eremitas da Santa Cruz, uma grande associação de fiéis leigos consagrados, casados ou não, que vivem uma espiritualidade contemplativa, porém sem necessariamente, viverem em solidão...), que consideram como eremitas também o leigo do povo fiel, mesmo trabalhando num emprego secular no mundo. Todavia no Oriente ortodoxo[De um modo geral Egito, Etiópia, Grécia e Rússia] o eremitismo é mais conservador, apenas para os célibes e são totalmente afastados do mundo secular. É mais conhecido o eremitismo masculino, algumas fontes mencionam o eremitismo feminino, mas até onde se sabe é bem menos radical a separação com o mundo, e elas são de um número inferior, quase sem necessidade de fazer-lhes menção ou referência. A grande maioria das consagradas mulheres são cenobitas. ... 

Já os Católicos Anglicanos admitem casados e divorciados para uma consagração eremítica, desde que abracem o celibato, também permitem empregos seculares de meio período.A elasticidade de nomear um cristão solitário de eremita é bem maior, Aliás a palavra é usual para definir qualquer pessoa que gosta da solidão, independente de sua vida externa... mas semelhante um pouco a nossa Igreja Romana, o eremita diocesano deve ser consagrado pelo (a) Bispo(a) oficialmente. 

Como foi já colocado acima, não são os casos do eremitismo da Igreja Católica Apostólica Romana, a não ser que algum bispo tenha concedido uma licença particular, que dispense o fiel do Cân 603. 

É preciso separar bem as coisas e esclarece- las para não termos um“sincretismo de espiritualidade eremítica”. Aqui não se trata de ser contra ou a favor da união dos cristãos, mas devo colocar o prisma do catolicismo romano que é a do blog. 

Não há mal algum dos leigos viverem como podem a espiritualidade eremítica, porém é arriscado, chamá-los eremitas. O costume de assim chama- los pode ter sido introduzido com uma comparação `as Ordens terceiras. Um membro Franciscano da ordem terceira é considerado Franciscano terceiro. Mas a vida eremítica tem toda uma singularidade no seu carisma, que impede tal liberdade de nomenclatura, pois o eremita só é eremita de fato se está só com Deus, exceto é claro os eremitas que se encontram em mudança ou em enfermidades, e necessitam transitoriamente do cuidado de terceiros. 

Aqui se trata de pessoas que tem suas vidas totalmente estabelecidas e enraizadas no mundo, sem a menor previsão ou intenção de assumir um eremitismo definitivo, ou seja estão impedidas, não são livres, seja por estado ou por outras obrigações de honra. 

Explicado então quem são as almas que se identificam com a vida eremítica, vamos para segunda parte onde tratamos do eremitismo parcial ou secular na sua prática.

Como participar espiritualmente do carisma eremítico ?


Os leigos também são convidados a viver  carisma eremítico ! 

Em primeiro os que querem dedicar-se a solidão de modo secular, deve saber que o momento em que escolherem ficar a sós, devem estar desligados do mundo. Deve- se evitar ao máximo as comunicações, e consagrar-se por inteiro a seus momentos solitários, louvando a Deus.

Alguns que conhecem a Liturgia das horas, dedicam seu tempo livre rezando os salmos e hinos, próprios dessa liturgia. Pode ser também ofícios breves como o ofício parvo de Nossa Senhora, da Imaculada Conceição e outros.

Uma outra parte da jornada convêm à leitura espiritual e também a Lectio Divina (Leitura orante da Bíblia). Seria interessante ler autores que falam da contemplação e solidão.

A atividade de empregar-se a meditação por meio da oração contemplativa de quietude, com o método teresiano, ou de exercícios espirituais conforme Santo Inácio, é muito perfeita. Mas o mais excelente meio de orar dentro do carisma eremítico é a Oração do coração ou Oração de Jesus (Cliquem nesse link os que não conhecem ainda), em que se invoca incessantemente o santo nome de Jesus, essa é a oração hesicasta, praticada desde os primórdios da vida eremítica e monástica.


Oração e recolhimento, fundamental para os que vivem o eremitismo parcial.

Mas, o eremitismo, não seria considerado assim, se não houvesse aquele gozo da solidão e silêncio puro, diante e Deus. Sem procurar exercitar-se positivamente em alguma devoção, mas apenas estar só diante de Deus, em simplicidade, sem procurar ser original. Sentir a solidão, estar só, embeber-se da solidão pura na santa presença de Deus. 


Solidão pura diante de Deus 

Uma vez que seus horários já são muito resumidos, convêm administrá-los sabiamente. Sem fazer de todo seu tempo um devocionário sem fim, e sem ser também um enfadonho ócio improdutivo.

O local apropriado



Lugares ermos e solitários, é o ideal




Os que vivem a solidão em meio período do dia, convêm que tenham ao menos o quarto separado, ou outra dependência da casa em que não passe muitas pessoas. Sem criar essa pequena estrutura, não será possível a solidão efetiva, ainda que temporária. Se você não tem seu espaço e está desprovido de tudo isso, há duas soluções: Ou renunciar a solidão diária e conformar-se em retirar-se apenas aos fins de semana, ou escolher uma Igreja ou convento de adoração perpétua, e se oferecer como adorador cotidiano por um período do dia ou pela noite, seria interessante todo um período completo, ou até dois. 


Ser um adorador permanente pode ser uma boa solução 

Não será uma solidão absoluta, mas terá um bom tempo para estar com Deus. Escolha os lugares da frente ou onde não costumam transitar curiosos e inquietos. Escolha um lugar com adoração silenciosa, pois nas adorações com reflexões em grupo, não terá silêncio. Se mesmo assim não há perto de você essa opção, passe o período na Igreja, até ela fechar, ou até o fim da última missa. O ponto negativo, seria que você não estaria totalmente a vontade, como no seu quarto ou sua casa, passando muitas horas, já seria necessário sair para fazer um lanche, ir ao toalete (há Igrejas que não tem...) retornar novamente... o que pode causar dissipação se tiver que sair da Igreja e se dirigir a outros estabelecimentos... mas já ajuda muito a dar uma sensação de retiro, recolhimento e solidão. 

Os que se dedicam a solidão nos fins de semana e feriados, tem mais tempo nesses dias para adentrar na solidão e oração, em todo período do dia. O melhor seria também estar numa casa de retiros, para evitar dissipação. O desafio é que a maioria das casas não proporciona retiros em solidão, sempre são retiros em grupos, o que estorva a alma eremítica. O que fazer ? 

Existe uma opção que é mais prática, para quem tem renda, pois se trabalham devem ter uma economia para si. Pode-se pagar um hotel ou pousada, perto de uma Igreja, e levar um oratório portátil, e ficar recluso no fim de semana. 


Uma pousada perto de uma Igreja em Viçosa, Ceará 





Os hotéis com refeições seria melhor. Os que tem mais renda ainda podem alugar uma chácara, e passar nela o fim de semana. Aqui tem outro desafio, pois nem todos alugam para pessoa sozinha, mas apenas em grupos... O mundo é comunitário, então temos que nos conformar e nos adaptar ! Procurando bem ao menos umas três opções você terá. Se não conseguir, o hotel que seria uma solução mais prática, para possuir uma solidão efetiva. Alguns mosteiros também possuem hospedagem, acredito que é uma boa opção, todavia há outro contratempo, o dos religiosos, querendo ser muito corteses e acolhedores, não quererem te deixar sozinho, o que é o seu mais sincero desejo ! 














O desafio de uma perfeita solidão ao menos semanal, é a luta dos que vivem o eremitismo secular 







Como podem ver ficar perfeita e absolutamente só não é assim tão fácil... Pelo menos para os que tem familiares e obrigações que impedem... Alguns tem o seu próprio quarto mas sempre tem parentes o solicitando a todo momento. 






Retiros Eremíticos






No Brasil conheço uma congregação religiosa de espiritualidade da Renovação Carismática, que promove retiros em eremitérios: As Irmãs Franciscanas da Divina Misericórdia 









As Irmãs na fazenda 










Essas religiosas possuem uma ótima fazenda: Fazenda Santa Maria dos Anjos- Cocalzinho GO, onde é viável fazer retiro de até 10 dias, totalmente gratuito (evite oferecer dinheiro, as irmãs são muito fiéis ao espírito de pobreza franciscana, as irmãs também não alugam seus eremitérios para moradia a longo prazo) em eremitérios na mais completa e absoluta solidão.









Fazenda- Convento- Santa Maria dos Anjos, GO 







Os eremitérios ficam numa parte isolada da fazenda, e cada retirante tem seu eremitério. Estive lá ainda no final do ano passado,onde fiquei retirada por três dias, e posso garantir que, os eremitérios irão transmitir a mais genuína experiência de vida eremítica. As construções são rústicas, mas bem feitas. O eremitério é uma pequena casinha isolada, com um pequeno quarto, uma salinha que serve de oratório e refeitório, banheiro e cozinha. Os retirantes devem trazer sua própria comida e cozinhar dentro do eremitério (há um pequeno fogão a gás de duas bocas -sem forno-), para assegurar ainda mais a experiência eremítica. Na parte de fora há uma pequena varanda (há possibilidade de colocar uma rede, para maior descanso e conforto do retirante), um banco grande que garante uma maravilhosa vista para as montanhas.










Um dos eremitérios para retiros na Fazenda 









Os que desejam podem ter a companhia do Santíssimo Sacramento (é necessário solicitar) em uma capela separada,bem perto do eremitério, e aí fazer suas orações.









Capela São José- para os eremitas retirantes fazerem a oração 







Os retiros são abertos a todos sem distinções. Os poucos requisitos são que tragam sua própria comida, e que se conformem com a austeridade do lugar: nos eremitérios não tem luz elétrica,nem tomadas, portanto é inútil dentro do eremitério comunicar-se com aparelhos eletrônicos (a finalidade é justamente a pessoa desligar-se por completo do mundo). A noite é a vontade o uso de velas.Não leve alimentos que necessitam de refrigeração, pois lá não tem geladeira. Atrás da porta do eremitério há instruções práticas para os eremitas hóspedes.


As irmãs moram num convento separado um pouco longe da área dos eremitérios, uns 10 minutos a pé. Lá há uma comunidade de mais ou menos 18 irmãs, a maioria são formandas (aspirantes, postulantes e noviças) por ser uma casa de noviciado. As irmãs são muito acolhedoras, alegres e simpáticas. Os que desejam retirar-se em grupos podem também fazê-lo, há uma hospedaria para retiros comunitários, mas aqui minha prioridade é destacar o que favorece a vida eremítica. 


Devido o local muito isolado, nem sempre há Santa Missa, a não ser se houver um sacerdote hospedado, porém as irmãs comungam todos os dias. Se houver missa, será sempre na capela conventual ou de celebrações públicas, e não na do eremitério, porém não há preocupações, você sempre será avisado previamente,não há obrigação em assisti-la caso alguns queiram uma solidão radical, e sempre há como comunicar-se com as irmãs caso tenha alguma dificuldade.


São cerca de quatro eremitérios disponíveis (lá todo o ambiente e decoração é franciscano,por isso pobre, despojado, sem luxos e requintes) todos muito afastados um do outro, de tal modo que não se pode ver nem ouvir o que se passa em outro eremitério. 









Um retirante no eremitério da fazenda 



Desafios: Os eremitérios são muito concorridos tanto por serem gratuitos, como também por serem utilizados para os retiros das irmãs ( Dezembro e Janeiro que seria um bom tempo para os moradores de outra cidade, é justamente a alta temporada de retiros...) , por isso os interessados devem ligar e marcar seu retiro com muita antecedência, não há tempo mínimo, para os que não podem ficar muito, mas o tempo máximo é apenas 10 dias. Para os que moram longe, talvez consigam conversando com as Irmãs, 15 dias de retiro, mas tudo dependerá da época.


Será muito difícil também você conseguir retiros em todos os fins de semana... Talvez só consiga um fim de semana por mês. Os retirantes devem arcar com a viagem para a fazenda que é de difícil acesso, é necessário comunicar-se com a superiora por celular para ir indicando o caminho (são 30 quilômetros de estrada de terra) ! O sinal de celular pega até a entrada da fazenda, mas nos eremitérios não. Você pode usar o telefone rural que fica na casa das Irmãs caso tenha que fazer alguma comunicação urgente.


Em tempos de chuva pode ser mais difícil tanto a viagem como o retiro, de um lugar a outro dentro da fazenda é totalmente aberto, por isso leve um bom guarda- chuva, e calçados próprios para o tempo.E pode ocorrer falta de água devido o entupimento dos canos na época de chuva, mas você sempre será socorrido com prontidão pelas religiosas.


Os interessados nos retiros eremíticos na fazenda das irmãs, por caridade acessar o link abaixo:












Lembrete: por ser área rural nem sempre há sinal no celular das irmãs, talvez seja preciso fazer várias tentativas de ligações.Caso houver alguma mudança no número da linha, basta ligar para qualquer outra casa das Irmãs Franciscanas da Misericórdia, e pedir mais informações. As irmãs também estão nas redes sociais, mas acredito que por telefonema é mais rápido o contato.


Pode haver no Brasil outras casas do mesmo gênero, que oferecem retiros em eremitérios separados, e ainda por cima gratuitos, porém tenho conhecimento apenas deste. Soube que a comunidade Taizé promove algo semelhante, mas nunca tive oportunidade de me aprofundar. Quem tiver mais informações de casas que promovem retiros em eremitérios (ou casinhas separadas), favor entrar em contato pelo Facebook via inbox, na página Vida Eremítica, será de grande serventia e utilidade aos demais.


Alguns mosteiros oferecem uma ótima hospedaria, porém o preço é algumas vezes exorbitante ! Para os que podem investir nessa opção, será um ótimo gasto. Podem haver mosteiros que os acolham para retiro, mas geralmente não é costume, pois o carisma da maioria dos mosteiros exceto de regra beneditina, é vida de clausura, sem grandes dedicações externas, geralmente são acolhidos vocacionados e parentes dos (das) religiosos (as), apenas. 









Hospedaria de um Mosteiro Beneditino 







Os sacerdotes já têm mais facilidade nesse ponto podem oferecer-se para a santa missa, conferências, etc, mas não desfrutaria da solidão integral, e devemos também ter consideração com as monjas (pois não tem funcionários na cozinha e lavanderia, como os mosteiros masculinos) que vão ficar em função do retirante, preparando comida e hospedagem, atrapalhando o andamento interno da comunidade.


Os eremitas diocesanos em sua maioria não recebem hóspedes, para dormir, a não ser se estiverem em eremitérios com a estrutura de uma hospedaria separada.Talvez algum, tenha na regra espírito de acolhimento a hóspedes e peregrinos, e os recebam dentro do eremitério. Deveria nesse caso conhecer o (a) eremita e se na norma de vida dele (a) é viável a hospedagem de terceiros.









Uma monja eremita da Santa Cruz, acolhendo uma hóspede 







Os que desejam em longo prazo viver esse modo de vida, podem também adquirir uma pequena propriedade rural para retirar-se. É um meio eficaz de ter uma solidão independente sem transtorno com as criaturas que cada hora tem uma vontade de te ajudar ou não. Sugiro chácaras com seu próprio terreno separado, e não dividido com outro proprietário (a não ser que seja de parentes, ou pessoas de muita confiança), de preferência que a distância das casas sejam de pelo menos 200 metros. A desvantagem pode ser a manutenção, acredito que uma chácara de até 5 mil metros é mais que suficiente, acima disso será difícil cuidar, e vai precisar de funcionários... Sempre visite (antes de alugar ou comprar), nos fins de semana ou feriados, pois algumas comunidades ou núcleos rurais são muito silenciosos durante a semana, mas nos fins de semana são um verdadeiro escândalo com música alta (se é que se pode chamar essas desarmonias modernas de música) !












Chácara pode ser um excelente investimento para retiros a longo prazo 





A última sugestão por fim é a de ter um Trailer home, funciona como uma casa portátil onde você pode ir a lugares ermos e montanhosos, tendo a comodidade de sua casa consigo (o trailer home é uma casa completa com sala, cozinha, quartos e banheiro) ! Pode ser um investimento caro, mas estável por toda vida, existem aluguéis que poderia suavizar o orçamento pesado de uma compra (os preços podem variar de 12 - se for usado - a 70 mil, mas também existem aluguéis, que são bem mais em conta, e para um leigo pode ser o suficiente, deixo este link para os interessados: http://www.motorhome.wiki.br/ ) . 















Foto de um trailer home estacionado num lugar ermo. 





O local vai se variando conforme o gosto, haveria grande vantagem da diversidade de ambientes, e simples locomoção caso precisar de qualquer coisa. A desvantagem poderia ser a segurança, ainda mais aqui no Brasil, entretanto diz o Salmo 1: “É feliz quem a Deus se confia”. Uma outra desvantagem é que as rotas a lugares ermos, costumam ser íngremes, o que pode confundir um (a) motorista menos experiente ...













Uma outra foto de um trailer por dentro num lugar ermo 


Os profissionais do ramo garantem jamais ter ocorrido qualquer coisa errada, e até afirmam que é mais seguro do que uma chácara ! O mais curioso também é que as pessoas que aderem a casa portátil, dificilmente se arrependem ! Há outros nomes e outros tipos de trailer (motor-home, casa portátil).









Trailer home, opção ousada, mas com grandes vantagens ! 



Alguns arriscam e inclusive houve até mesmo uma eremita (Sister Wendy) que assim viveu toda sua vida eremítica, foi carmelita e ao deixar o carmelo assumiu o eremitismo sobre as rodas ! Sendo assim não deve ser tão ruim nem tampouco impossível. 









Irmã Wendy, eremita, viveu solitária dentro de um trailer home ! 



Essa Eremita, talvez já seja falecida, o que indica que começou a viver assim há uns 30 anos atrás ou mais, era outra realidade social e ... fora do Brasil ( Na América é muito comum o uso dos trailers, tanto que uma a cada doze famílias tem um trailer home -estatísticas do Globo Online-)... Tudo se deve considerar, mas o ideal seria conhecer alguém que vive atualmente essa experiência. No link acima trata de várias atualidades de acampamentos em trailer home !






Correntes de Espiritualidade






Alguns tem afinidade especial com uma ordem : Beneditinos, Carmelitas, Taizé, Foucald, dentre muitas outras. Seria interessante agregar-se como terceiro, ou oblato dessas ordens, para pertencerem a uma família espiritual, conhecer mais contatos que tenham as mesmas afinidades e propósitos e assim gerar um leque maior de opções com o acréscimo da experiência de outras pessoas. Uns permitem que seus oblatos façam retiros e passem largas temporadas nas hospedarias ou portarias de seus conventos. É uma forma de estar unido a sua ordem preferida e viver seu carisma. 









Oblatos Cirstersienses 







No Brasil ainda não temos variedade para expandir a espiritualidade eremítica com sua devida estrutura tanto para os consagrados como para os leigos. O que resta é usarmos os meios que estão em nosso alcance. 


De um modo geral no que se trata de eremitismo, sempre o eremita terá que valer de suas forças e rendas, para conseguir estar só...




















http://vidaeremitica.blogspot.com.br/


domingo, 28 de junho de 2015

Entrevista com Santo Inácio de Loyola no Céu... (2)


Repórter: Quais foram as grandes descobertas que você fez na sua caminhada espiritual?

Inácio: No início eu estava meio perdido, não sabia nada, não entendia nada a não ser que ele me amava incondicionalmente. Depois eu percebi que ele me ensinava como um professor faz com seu discípulo. A primeira coisa que aprendi foi o discernimento. Foi um aprendizado lento, mas me marcou para sempre. O díscernimento é uma mescla de oração, abnegação e auto-análise. Você me entende?

Repórter: Não. Eu não entendo!

Inácio: Bem, o discernimento é um dom do Senhor, uma experiência que acontece e você só percebe. Veja só! Quando eu fazia coisas erradas, que nada tinham a ver com o Projeto de Deus sobre mim, como você acha que eu me "sentia" por dentro?

Repórter: Mal! Com remorsos... Vazio, talvez. Seco e descontente, não é?

Inácio: Exato! E, quando tentava, com a ajuda do Ressuscitado, vencer minhas fraquezas, concretizando um pouco os valores do Evangelho, como você acha que eu me sentia?

Repórter: Ah! Eu me sentiria feliz. Certamente contente e realizado!

Inácio: Certo! O discernimento se faz assim, analisando o que se "sente" por dentro e por fora, nos acontecimentos históricos que nos rodeiam. Procurar as causas, ver se são boas ou não e optar sempre por aquilo que está de acordo com os valores do Evangelho de Jesus.

Repórter: Jesus Cristo é o grande referencial da sua vida!

Inácio: Jesus pobre, humilde e humilhado... Imagem visível de Deus invisível. Aquele que nos ama, perdoa e chama para que o sigamos e sejamos os seus companheiros. Ele é o único e grande fundamento da nossa vida, da história toda e deste imenso e misterioso universo que nos rodeia. Por ele tudo procede do Pai, todo dom, toda graça e também por ele tudo retoma. O pai nos ama porque estamos unidos ao seu Filho e nele somos salvos. Deus sempre chegará a nós por meio de Jesus Cristo. Não existe outro caminho para ele vir a nós e para nós irmos a ele. Jesus é realmente fundamental. Nada teria sentido sem ele!

Repórter: Você é mesmo um apaixonado de Jesus! Ele verdadeiramente o cativou!

Inácio: Me cativou e salvou! Também descobri que a vida não tem sentido se não colocada a serviço dos outros. Jesus Cristo veio para servir, não para ser servido. Assim como o Pai enviou o seu Filho para dar-nos vida nova, também Jesus nos envia, pelo mundo afora, para que ajudemos na libertação de todos os homens, nossos irmãos. Fé e justiça são cara e coroa de uma mesma moeda!

Repórter: Quando você chegou aqui em 1556, havia no mundo 1.000 jesuítas. Hoje parece que são mais de 18.000 os jesuítas, padres e irmãos, espalhados por mais de 127 países. Como surgiu esse grupo de apóstolos e Companheiros de Jesus?

Inácio: Eu já disse que fiz em Manresa uma experiência de Deus inesquecível. Ele veio ao meu encontro gratuitamente... Foram 6 meses de oração, abnegação e auto-análise, colocando sempre a minha realidade em contato direto com a Palavra de Deus... Aprendi que rezar é se deixar amar... e a me assumir por inteiro. Analisei, uma e outra vez, as moções percebidas, meus sentimentos e a causa de tudo isso... Foi uma experiência maravilhosa estes "Exercícios Espirituais". Foi, verdadeiramente, uma "ginástica Espiritual".

Repórter: E o que tem a ver essa "ginástica espiritual" com a fundação da Companhia de Jesus?

Inácio: Foi uma surpresa muito agradável perceber que outros jovens experimentaram o que eu mesmo experimentei! Jovens desejosos de "algo a mais"... Alguns deles optaram por viver  radicalmente comigo o Evangelho de Jesus em pobreza, castidade e obediência e colocar-se a serviço dos outros na Igreja, sob a orientação do Papa. Eles e eu queríamos a mesma coisa e então nos perguntamos por que não viver juntos, para ajudar-nos mutuamente no seguimento do Senhor e no serviço ao próximo. Decidimos chamar-nos "Companheiros de Jesus", pois era isso mesmo que queríamos: estar sempre com o Senhor, como companheiros...
Os primeiros jesuítas surgiram de um grupo de jovens de diversos países que estudavam na Universidade de Paris. O Papa Paulo III nos aprovou oficialmente como ordem religiosa em 1540...

Repórter: Há leigos solteiros e casados que fazem os Exercícios Espirituais e não são jesuítas. Como se explica isso?

Inácio: É verdade! O que faz um jesuíta é a graça dos Exercícios Espirituais, somada a um certo modo próprio de viver especificado nas Constituições da Companhia de Jesus. Existem leigos que fazem também o caminho interior dos Exercícios Espirituais, mas percebem que o Senhor os chama a viver de outro modo o Evangelho... Eles e nós temos traços muito parecidos e evidentemente algumas diferenças. Esses leigos, eles e elas, geralmente formam a Comunidade de Vida Cristã, geralmente chamada de CVX.

Repórter: Agradeço sinceramente esta nossa conversa. Sabe de uma coisa? Gostei imensamente de você, da sua sinceridade, da sua proposta tão atual, tão engajada para todos. Para terminar uma última pergunta:como definir um jesuíta?

Inácio: Oh! Isso é muito simples, um jesuíta, padre ou irmão, é um homem apaixonado por Jesus e que deseja ajudar os outros...

Repórter: Inácio foi se retirando, como o sol no seu ocaso. Creio poder acrescentar alguma coisa à minha última pergunta. O jesuíta deve ser um homem muito parecido com Inácio de Loyola. Não acham que deve ser assim?

http://www.terraboa.blog.br/2015/06/entrevista-com-santo-inacio-de-loyola_27.html

Entrevista com Santo Inácio de Loyola no Céu... (1)

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Certo dia, um repórter conseguiu, não sei como, entrar na imensa e bela Corte Celestial. Depois de fazer algumas adorações ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo e mil e uma reverências aos santos, escolhidos do Senhor, aproximou-se curioso de um homem de barba e bigode que não se afastava, nem por segundos, do lado do Senhor Jesus.

Repórter: Psiu! Sim, você. Podemos conversar um pouco? Inácio se aproximou. Não era nem alto, nem baixo. Tinha aquela estatura média do comum dos humanos.

Repórter: Os jovens latino-americanos me enviaram para lhe fazer algumas perguntas. Queremos conhecê-lo melhor. Estamos descobrindo que embora esteja muito longe de nós pelo tempo, fez-se muito próximo pela sua caminhada na vida. É verdade que a metade da sua vida não foi grande coisa?

Inácio: É verdade! Veja só, até os 30 anos de idade deixei-me envolver pela doce e corrompida proposta do sistema que nos envolvia. Fui um homem mundano e cheio de vaidades... Meus interesses não iam muito longe: o que queria era ganhar prestígio dentro da classe dominante, conquistar amorosamente algumas mulheres interessantes e fazer uma boa carreira nos caminhos do poder. 

Houve um breve silêncio. Pensei comigo mesmo: Experiências fúteis e alienantes, bem parecidas com o que vemos na maioria dos jovens de hoje.

Repórter: Mas seus pais, Beltrão Yañez de Oñaz e D. Marina Saenz de Licona eram católicos, pertencentes à pequena nobreza camponesa do País Basco.

Inácio: Oh, sim! Na nossa casa de Loyola, tínhamos até um pequeno oratório onde rezávamos quando éramos pequenos. Fui o caçula dentre 13 irmãos. Alguns deles nem cheguei a conhecer, pois morreram na guerra, lutando por aquilo que achavam que era melhor. Parece-me que tínhamos outros 3 irmãos por parte de pai. Todos éramos católicos, mas freqüentemente não vivíamos a fé que professávamos... Você me entende? Havia um divórcio sério entre fé e vida. Falávamos uma coisa e fazíamos outra, por desgraça, bem diferente.

Tínhamos um irmão padre, Pedro, orgulho da família, mas, mal-influenciado, foi pai de dois filhos. Como vê, a moral nunca foi o prato forte da família.

Repórter: Não leve a maI o que vou perguntar, mas sabemos que um dia, um tribunal civil o citou para depor, pois fora acusado de um crime.
Inácio fixou mansamente seu olhar no meu. Por um momento senti que tinha tocado em "terreno minado". Fechou, por uns segundos, seus profundos olhos. Seu rosto pareceu esvair. Recordava?.. Sofria?...

Inácio: Minha vida foi, por bastante tempo, muito superficial, sobretudo depois que saí da casa dos meus pais com 15 anos de idade. Meus pais já tinham falecido. Fui, então, morar com um parente rico, chamado João Velasquez de Cuellar, casado com Maria de Velasco. Eles também tinham uma família numerosa: 12 filhos. Trataram-me como um a mais da família. Morei com eles 10 anos. Toda minha juventude! Lá eu me fiz homem! Mais tarde, quando eles perderam tudo o que possuíam, passei três anos morando sozinho em Nájera, uma bela cidade onde a religião e o pecado se misturavam de forma estranha.

Que mais posso dizer? Por um certo tempo, o ambiente que me rodeava girava apenas sobre sexo, poder e dinheiro. Três grandes ídolos que exerceram sobre mim um forte atrativo. Mas Jesus foi muito bom e teve misericórdia para comigo, que ia por caminhos que não levaram a lugar nenhum. Fez-me parar, voltar a retomar a estrada principal.

Inácio sorriu. Uma brisa suave parecia envolvê-lo numa imensa felicidade. Seu sorriso era tranqüilo, bonito, como ondas cansadas, arrebentando mansamente numa praia solitária.

Repórter: Desculpe voltar sobre o assunto, mas nossa juventude acha muito difícil deixar de lado tantas propostas baratas que embriagam momentaneamente os sentidos.

Inácio: Eu entendo bem o que você quer dizer. Eu também cheguei a pensar assim. Estava cego. Mas, num belo dia descobri um "valor maior" que relativizava, com sua presença, todos os outros valores e, desde então, perderam seu mágico fascínio diante do Criador deles. Deus entrou de cheio em minha vida insensata dando-lhe um sentido novo, que antes não tinha. Isso aconteceu comigo...

Repórter: Conte como foi. Quem sabe você abre um caminho para que outras pessoas possam mudar o seu rumo de vida e de valores?

Inácio: Aconteceu em 1521, tão longe no tempo, tão próximo na lembrança. Enquanto Lutero, perdido na sua consciência escrupulosa, rompia definitivamente com a Igreja eu lutava em Pamplona, contra os franceses. Uma bala de canhão passou entre minhas pernas, destroçando a direita e quebrando a esquerda. Caí! Tive dores terríveis, e uma infecção local levou-me à beira da morte. Invadiu-me uma febre espantosa, e no meio do meu delírio cheguei a escutar o que meus amigos e familiares diziam: 'Ele não passa de amanhã, festa deS. Pedro!'

Passei um mês entre a vida e a morte. Daquela dor nasceu um novo InácioComecei a ler a Bíblia... No início pouco entendia, apenas sentia que era chuva suave caindo em terra muito seca.
Aprendi a orar, a dialogar e me encontrar com Jesus como um amigo o faz com outro. À medida que o tempo ia passando, afeiçoava-me mais e mais à pessoa de Jesus. Os homens quebraram-me as pernas, mas Deus tocava e curava profundamente o meu coração.

Repórter: Como é possível surgirem homens novos de vidas tão deterioradas? Esta possibilidade é muito importante para todos nós. Se aconteceu com você, pode acontecer com outros também... Realmente para Deus nada é impossível!

Inácio: O estar presente diante de Jesus me fortalecia e cicatrizava todas aquelas feridas morais de minha vida passada. Comecei a criar novas formas, para romper de uma vez por todas com as antigas atrações mundanas e colocar Jesus, e só ele, no centro de minha vida, como único Senhor e Deus.
Percebi que minha vida espiritual crescia à medida que renunciava ao meu próprio querer e interesse.Comecei a confessar e comungar freqüentemente... Enfim, certo dia, estando cheio de paz profunda e uma alegria imensa, entreguei-me definitivamente ao Senhor Jesus, dizendo:
Tomai, Senhor, e recebei, toda minha liberdade, a minha memória, também, meu entendimento e toda a minha vontade, tudo, que tenho e possuo, Tu me destes com amor. Todos os dons que destes com gratidão os devolvo, dispõe deles, Senhor, segundo a vossa vontade. Dái-me, somente, o vosso amor, vossa graça. Isto me basta! Nada mais quero pedir...

Inácio estava extasiado, belamente transfigurado. Temi quebrar aquele místico silêncio que nos envolvia. Sua vida se me fez transparente. Vi-o pobre com os pobres, trocando suas roupas com um mendigo, para ocultar a nobreza do seu sobrenome e ocupar o lugar social dos pequeninos, amados de Jesus... Vi-o em Jerusalém e em Belém, contemplando com olhar de menino os lugares por onde Jesus, o Nazareno tinha passado, curado e perdoado. Vi-o na cadeia, preso pela Inquisição, suspeito de ser radical demais por causado Senhor. Vi-o caminhar incansavelmente falando a todos do Salvador. Vi Inácio estudando na Universidade de Paris, fazendo apostolado com seus colegas de sala, movido pelo seu desejo de querer ajudar...

http://www.terraboa.blog.br/2015/06/entrevista-com-santo-inacio-de-loyola.html

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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