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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Uma sabedoria diferente

“ Deve haver um momento no dia em que o homem que faz planos os esqueça e aja como se não tivesse feito plano algum.

Deve haver uma hora do dia em que o homem que precisa falar fique em total silêncio. E que sua mente não mais formule raciocínios e ele se pergunte: tinham algum sentido?

Deve haver um tempo em que o homem de oração vai orar como se fosse a primeira vez que ora na vida; quando um homem resoluto põe suas resoluções de lado como se todas tivessem sido quebradas e aprende uma sabedoria diferente: distinguir entre o sol e a luz, entre as estrelas e as trevas, entre o mar e a terra firme, entre o céu noturno e a encosta da colina. ”





No Man is an Island, de Thomas Merton
(Harcourt Brace Jovanovich, Publishers, New York), 1955. p. 260
No Brasil: Homem algum é uma ilha, (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 218

http://reflexoes-merton.blogspot.com.br/search/label/%C3%81udio

domingo, 10 de janeiro de 2016

Os 25 segredos da luta espiritual que Jesus revelou a Santa Faustina

Como proteger-se dos ataques do demônio

<a href="http://www.shutterstock.com/pic.mhtml?id=120197827&src=id" target="_blank" />Praying with a rosary</a> © Ruggiero Scardigno / Shutterstock

Em Cracóvia, no dia 2 de junho de 1938, o Senhor Jesus ditou a uma jovem Irmã da Misericórdia um retiro de três dias. Faustina Kowalska registrou minuciosamente as instruções de Cristo em seu diário, que é um manual de mística na oração e na misericórdia divina.
Este diário guarda as revelações de Cristo sobre o tema da luta espiritual, sobre como proteger-se dos ataques do demônio. Estas instruções se tornaram a arma de Faustina na luta contra o maligno inimigo.
Jesus começou dizendo: ” Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual”. E estes foram seus conselhos:
1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.
A confiança é uma arma espiritual. Ela é parte do escudo da fé que São Paulo menciona na Carta aos Efésios (6, 10-17): a armadura do cristão. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.
2. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome.
Em tempos de guerra espiritual, reze imediatamente a Jesus. Invoque seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leve as trevas à luz contando tudo ao seu diretor espiritual ou confessor, e siga suas instruções.
3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.
No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de dar as costas ao demônio.
4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.
Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isso não falha!
5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.
O amor próprio é natural, mas precisa ser ordenado, livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás nos tenta no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.
6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.
A paciência é uma grande arma secreta que nos ajuda a manter a paz da nossa alma, inclusive nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo nos tenta à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, de maneira que fiquemos com raiva. Olhe para você mesmo com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.
7. Não descuides as mortificações interiores.
A Escritura nos ensina que alguns demônios só podem ser expulsos com oração e jejum. As mortificações interiores são armas de guerra. Podem ser pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.
8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.
Cristo falava a Santa Faustina, que morava em um convento. Mas todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.
9. Foge dos que murmuram, como se da peste.
A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Estar murmurando ou fazendo fofoca nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas e fofocas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeite as murmurações.
10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.
A mente da pessoa é a chave na guerra espiritual. O diabo é um intrometido que tenta arrastar todo mundo. Procure agradar Deus e deixe de lado as opiniões dos outros.
11. Observa a Regra o mais fielmente possível.
Jesus se refere à Regra de uma ordem religiosa aqui. Mas todos nós já fizemos algum tipo de voto ou promessa diante de Deus e da Igreja e precisamos ser fiéis a isso: promessas batismais, votos matrimoniais etc. Satanás nos tenta para nos levar à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória.
12. Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.
Ser um canal da misericórdia divina é uma arma para fazer o bem e derrotar o mal. O diabo trabalha usando o ódio, a raiva, a vingança, a falta de perdão. Muitas pessoas já nos ofenderam. O que devolveremos em troca? Responder com uma bênção destrói maldições.
13. Evita a dissipação.
Uma alma faladeira será mais facilmente atacada pelo demônio. Derrame seus sentimentos somente diante do Senhor. Os sentimentos são efêmeros. A verdade é sua bússola. O recolhimento interior é uma armadura espiritual.
14. Cala-te quando te repreenderem.
Todos nós já fomos repreendidos em algum momento. Não temos nenhum controle sobre isso, mas podemos controlar nossa resposta. A necessidade de ter a razão o tempo todo pode nos levar a armadilhas demoníacas. Deus sabe a verdade. Deixe-a ir. O silêncio é uma proteção. O diabo pode utilizar a justiça própria para nos fazer tropeçar também.
15. Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança.
A simplicidade da vida pode expulsar os demônios. a honestidade é uma arma para derrotar Satanás, o mentiroso. Quando mentimos, colocamos um pé no terreno dele, e ele tentará nos seduzir mais ainda.
16. Não te desencorajes com a ingratidão.
Ninguém gosta de ser subestimado. Mas quando nos encontramos com a ingratidão ou com a insensibilidade, o espírito de desânimo pode ser um peso para nós. Resista a todo desânimo, porque isso nunca vem de Deus. É uma das tentações mais eficazes do diabo. Seja grato diante de todas as coisas do dia e você sairá ganhando.
17. Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.
A necessidade de conhecer e a curiosidade pelo futuro são tentações que levaram muitas pessoas aos quartos escuros do ocultismo. Escolha caminhar na fé. Decida confiar em Deus, que o leva ao caminho do céu. Resista sempre ao espírito de curiosidade.
18. Quando o enfado e o desânimo bateram à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração.
Jesus entrega a mesma mensagem pela segunda vez. Agora Ele se refere ao tédio. No começo do Diário, Ele disse a Santa Faustina que o diabo tenta mais facilmente as almas ociosas. Tenha cuidado com isso, porque as almas ociosas são presa fácil do demônio.
19. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.
O medo é a segunda tática mais comum do diabo (a primeira é o orgulho). A coragem intimida o diabo; ele fugirá diante da perseverante coragem que se encontra em Jesus, a rocha. Todas as pessoas lutam, e Deus é nossa provisão.
20. Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.
Jesus pede a Santa Faustina que lute com convicção. Ela pode fazer isso porque Cristo a acompanha. Nós, cristãos, somos chamados a lutar com convicção contra todas as táticas demoníacas. O diabo tenta aterrorizar as almas, mas precisamos resistir ao seu terrorismo. Invoque o Espírito Santo ao longo do dia.
21. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade.
Todo mérito radica na vontade, porque o amor é um ato da vontade. Somos completamente livres em Cristo. Precisamos fazer uma escolha, uma decisão para bem ou para mal. Em que lado vivemos?
22. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.
Aqui, Jesus está instruindo uma freira. Todos nós temos o Senhor como nosso superior (representado também pelos padres, confessores, diretores espirituais). A dependência de Deus é uma arma de guerra espiritual, porque não podemos ganhar por nossos próprios meios.
23. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.
Santa Faustina sofreu física e espiritualmente. Ela estava preparada para grande batalhas, pela graça de Deus. Cristo nos instrui claramente na Bíblia a estar preparados para grandes batalhas, para revestir-nos da armadura de Deus e resistir ao diabo (Ef 6, 11).
24. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam.
Estamos todos em um grande cenário no qual o céu e a terra nos olham. Que mensagem estamos dando com nossa forma de vida? Que tonalidades irradiamos: luz? Escuridão? Cinza? A forma como vivemos atrai mais luz ou escuridão? Se o diabo não conseguir nos levar para a escuridão, tentará nos manter na categoria dos medíocres, do cinza, que não é agradável a Deus.
25. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.
As palavras do Senhor a Santa Faustina podem se transformar em nosso lema: “Lute como um cavaleiro!”. Um soldado de Cristo sabe bem a causa pela qual luta, a nobreza da sua missão, conhece o Rei ao qual serve; e luta até o final, com a abençoada certeza da vitória.
Se uma jovem polonesa, sem formação, uma simples freira, unida a Cristo, pode lutar como um cavaleiro, um soldado, todo cristão pode fazer o mesmo. A confiança é vitoriosa.
* * *
Para guardar as palavras de Jesus:
“Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração e, na primeira oportunidade, conta-a ao confessor. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma. Não descuides as mortificações interiores. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor. Foge dos que murmuram, como se da peste. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.
Observa a Regra o mais fielmente possível. E, se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer. Evita a dissipação. Cala-te, quando te repreenderem; não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança. Não te desencorajes com a ingratidão; não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo; quando o enfado e o desânimo bateram á porta do teu coração. Foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.
Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.” (D.1760)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Alerta


É a voz de comando dada ao soldado…!
É a recomendação do Senhor a seus discípulos: “Vigiai! Vigiai!”
Alerta!
Os mais valentes são tão fracos!
Não somos mais santos do que Davi…! e Davi caiu em pecado sensual. Não somos tão sábios como Salomão…! e Salomão caiu no pecado da carne.
Não praticamos os rigores de penitência como um Jerônimo, no deserto. E se S. Jerônimo não caiu na culpa da impureza, lembremo-nos contudo de que sua memória era assaltada pelas lembranças das danças romanas.

Não somos mais eloquentes do que Lutero…! e Lutero caiu no pecado sensual. Estava certa noite o firmamento belo e esplêndido, e ele com Catarina de Bora, por ele seduzida, contemplava esse céu imenso, matizado por miríades de estrelas… Foi então que ele, arrancando do peito um suspiro, exclamou: “Estás vendo o que não é para nós! Nós não iremos, ambos, para aquele lado”.
Toma pois cuidado, meu jovem! Quem ama o perigo, perecerá nele.
Foge do que pode atear a chama da concupiscência.
A lenda nos conta que as salamandras vivem intactas no fogo. Mas o teu caso é exatamente o contrário do das salamandras: és um ser eminentemente inflamável. Sendo-se isca deve-se ter o maior cuidado com a centelha, nem se passa com fogo junto dos paióis de pólvora.

http://a-grande-guerra.blogspot.com.br/2015/12/alerta-parte-i.html#more
No Amado acho as montanhas,
Os vales solitários, povoados de árvores,
As ilhas mais estranhas, os rios rumorosos,
E o sussurro dos ares amorosos;
A noite sossegada,
Quase aos levantes do raiar da aurora;
A música calada, a solidão sonora,
A ceia que recreia e que enamora.

(São João da Cruz)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Litaniae Sanctorum



Kyrie, eleison (Kyrie, eleison.)
Christe, eleison (Christe, eleison.)
Kyrie, eleison (Kyrie, eleison.)

Christe, audi nos (Christe, audi nos.)
Christe, exaudi nos. (Christe, exaudi nos.)

Pater de caelis, Deus, (miserere nobis.)
Fili, Redemptor mundi, Deus, (miserere nobis.)
Spiritus Sancte, Deus, (miserere nobis.)
Sancta Trinitas, unus Deus, (miserere nobis.)
Sancta Maria,
Sancta Dei Genetrix,
Sancta Virgo virginum,

Sancte Michael,
Sancte Gabriel,
Sancte Raphael,
Omnes sancti Angeli et Archangeli,
Omnes sancti beatorum Spirituum ordines,

Sancte Ioannes Baptista,
Sancte Ioseph,
Omnes sancti Patriarchae et Prophetae,

Sancte Petre,
Sancte Paule,
Sancte Andrea,
Sancte Iacobe,
Sancte Ioannes,
Sancte Thoma,
Sancte Iacobe,
Sancte Philippe,
Sancte Bartolomaee,
Sancte Matthaee,
Sancte Simon,
Sancte Thaddaee,
Sancte Matthia,
Sancte Barnaba,
Sancte Luca,
Sancte Marce,
Omnes sancti Apostoli et Evangelistae,
Omnes sancti discipuli Domini,

Omnes sancti Innocentes,
Sancte Stephane,
Sancte Laurenti,
Sancte Vincenti,
Sancti Fabiane et Sebastiane,
Sancti Iohannes et Paule,
Sancti Cosma et Damiane,
Sancti Gervasi et Protasi,
Omnes sancti martyres,

Sancte Sylvester,
Sancte Gregori,
Sancte Ambrosi,
Sancte Augustine,
Sancte Hieronyme,
Sancte Martine,
Sancte Nicolae,
Omnes sancti Pontifices et Confessores,
Omnes sancti Doctores,

Sancte Antoni,
Sancte Benedicte,
Sancte Bernarde,
Sancte Dominice,
Sancte Francisce,
Omnes sancti Sacerdotes et Levitae,
Omnes sancti Monachi et Eremitae,

Sancta Maria Magdalena,
Sancta Agatha,
Sancta Lucia,
Sancta Agnes,
Sancta Caecilia,
Sancta Catharina,
Sancta Anastasia,
Omnes sanctae Virgines et Viduae
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Omnes Sancti et Sanctae Dei, (intercedite pro nobis.)
Propitius esto, (parce nos, Domine.)
Propitius esto, (exaudi nos, Domine.)
Ab omni malo,
Ab omni peccato,
Ab ira tua,
A subitanea et improvisa morte,
Ab insidiis diaboli,
Ab ira et odio et omni mala voluntate,
A spiritu fornicationis,
A fulgure et tempestate,
A flagello terraemotus,
A peste, fame et bello,
A morte perpetua,
Per mysterium sanctae Incarnationis tuae,
Per adventum tuum,
Per nativitatem tuam,
Per baptismum et sanctum ieiunium tuum,
Per crucem et passionem tuam,
Per mortem et sepulturam tuam,
Per sanctam resurrectionem tuam,
Per admirabilem ascensionem tuam,
Per adventum Spiritus Sancti Paracliti,
In die iudicii,
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Peccatores,

Ut nobis parcas,

Ut nobis indulgeas,

Ut ad veram paenitentiam nos perducere digneris,

Ut Ecclesiam tuam sanctam regere et conservare digneris,

Ut domum Apostolicum et omnes ecclesiasticos ordines in sancta religione conservare digneris,
.
Ut inimicos sanctae Ecclesiae humiliare digneris,

Ut regibus et principibus christianis pacem et veram concordiam donare digneris,

Ut cuncto populo christiano pacem et unitatem largiri digneris,

Ut omnes errantes ad unitatem Ecclesiae revocare, et infideles universos ad Evangelii lumen perducere digneris,

Ut nosmetipsos in tuo sancto servitio confortare et conservare digneris,

Ut mentes nostras ad caelestia desideria erigas,

Ut omnibus benefactoribus nostris sempiterna bona retribuas,

Ut animas nostras, fratrum, propinquorum et benefactorum nostrorum ab aeterna damnatione eripias,

Ut fructus terrae dare et conservare digneris,

Ut omnibus fidelibus defunctis requiem aeternam donare digneris,

Ut nos exaudire digneris,

Fili Dei,

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

São Tomás de Aquino e o dia em que um boi voou no convento

Uma breve lição sobre o dom da palavra e o que fazemos com ela

tomas de aquino

Conta-se na ordem de São Domingos que, certa vez, estando São Tomás de Aquino em sua cela no convento de São Jacques, estudando e trabalhando sobre obscuros manuscritos medievais, entrou de repente um frade folgazão que foi logo exclamando com escândalo:
– Vinde ver, irmão Tomás, vinde ver um boi voando!
O grande doutor da Igreja, muito serenamente, ergueu-se do seu banco, saiu da cela e, dirigindo-se ao átrio do mosteiro, se pôs a olhar o céu, com a mão em pala sobre os olhos fatigados do estudo.
Ao assim o ver, o frade jovial desatou a rir com estrépito.
– Ora, irmão Tomás, então sois tão crédulo a ponto de acreditardes que um boi pudesse voar?
– Por que não, meu amigo? – tornou o santo.
E, com a mesma singeleza, flor da sabedoria, completou:
– Eu preferi admitir que um boi voasse a acreditar que um religioso pudesse mentir.
__________________
Relato recopilado por Malba Tahan em “Lendas do Céu e da Terra”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A ORAÇÃO DO CONVERTIDO - Uma luminosa inspiração de Santo Agostinho de Hipona.

Oh Deus, criador de todas as coisas! 
Concedei-me primeiro o dom de saber pedir-vos; 
depois, o de fazer-me digno de ser escutado, 
e, finalmente, o de ser livre. 

Escutai, escutai, escutai-me, oh Deus meu! 
Meu Pai, causa minha, esperança minha, 
posse minha, honra minha, 
minha casa, minha pátria, 
minha saúde, minha luz e minha vida. 

Escuta, escuta, escuta-me! 
Dessa maneira tua, tão pouco conhecida. 
Amo somente a ti, 
só sigo a ti, 
só busco a ti, 
e só a ti estou disposto a servir, 
porque és o único que tem o direito de mandar, 
e só a ti desejo pertencer. 

Dá-me ordens, te peço; 
Sim, manda-me o que queiras, 
mas cura-me antes e abre meus ouvidos 
para que possa ouvir tu voz. 

Cura e abre meus olhos 
para que possa ver as indicações de tua vontade; 
afasta de mim a ignorância, 
para que te conheça. 

Diz-me onde tenho que olhar para ver-te, 
e confio em que cumprirei fielmente tudo o que me mandes. 
Amém, amém. 


(Texto: Soliloquios 1, 1, 2.4-5).

domingo, 6 de dezembro de 2015

A oração de Tomás

A vida de Santo Tomás de Aquino é a prova: não se pode ser sábio sem estar na presença de Deus.


O que explica o gênio extraordinário de Santo Tomás de Aquino? Livros? Disciplina? Dedicação aos estudos? Muitas respostas podem ser dadas a esta pergunta, mas nenhuma será completa, se ignorar a principal ferramenta de trabalho do Doutor Angélico: a oração. Todas as obras de Tomás – desde os seus comentários às Escrituras, até a grande Summa contra Gentiles e a incompletaSumma Theologiae – só são o que são, porque nasceram de uma profunda amizade de seu autor com a própria Verdade, que é Deus.
À sua época, de fato, ainda não tinha acontecido a cisão – tão danosa à modernidade – entre a fé e as ciências, entre a vida interior e a vida intelectual. Quando surgiram as universidades, o conceito que se tinha de um erudito era que fosse também uma pessoa de intensa oração e busca de santidade pessoal. Não sem razão, os bons pensadores e filósofos do passado eram profundamente religiosos – como foi Santo Alberto Magno, São Boaventura ou Santo Tomás de Aquino. Para o homem medieval, esta unidade era bastante lógica: quem procurava a verdade por meio dos estudos, devia também viver de acordo com ela, com retidão e integridade.
Hoje, no entanto, os assim chamados "cientistas" ousam fazer suas pesquisas e trabalhos acadêmicos prescindindo de Deus. Em alguns ambientes, o ateísmo chega a ser obrigatório para integrar um currículo ou alavancar uma carreira de prestígio. As universidades, que, fundadas pela Igreja e envolvidas por um resplendor sobrenatural, engendravam verdadeiros santos, infelizmente se tornaram fábricas de deformação moral em série, às quais as pessoas vão, não mais para aprender a verdade, senão para montar os seus próprios sistemas e ideias – perfeitamente lógicos... e completamente falsos.
Neste sentido, a vida de Tomás de Aquino lança um grande ponto de interrogação sobre todo o pensamento contemporâneo, em cuja base está tão somente o homem – artífice do universo e de si mesmo. É realmente intrigante que queiramos investigar e compreender as criaturas sem nos dirigirmos – ou sequer lançarmos o olhar – Àquele que as projetou e criou.
Era isto o que fazia assiduamente o Aquinate, como atesta o seu biógrafo e discípulo, Guillelmus de Tocco:
"Durante o tempo da noite dedicado pelos homens ao repouso, Tomás, após um breve sono, permanecia em seu quarto ou na igreja imerso em oração, para que orando merecesse aprender aquilo que deveria após a oração escrever ou ditar. (...) Todas as vezes em que queria estudar, disputar, ler, escrever, ditar, antes se entregava ao segredo da oração, para que encontrasse as coisas de Deus no segredo da verdade; pelo mérito de sua oração, assim como se aproximava com as questões de que tinha dúvida, do mesmo modo saía dela ensinado" [1].
Mesmo com tantos momentos de oração pessoal, a devoção de Tomás alcançava seu cume na celebração diária da Santa Missa, quando o monge comungava da própria Sabedoria que o iluminava. Importa apresentar, como corolário desta verdade, o que se passou durante os seus últimos meses de vida:
"No convento de Nápoles frei Domingos de Caserta repara que Tomás desce de seu quarto antes das matinas e vai até à igreja. Apenas o sino toca e supõe os companheiros prestes a despertar, volta para cima, como se não quisesse ser descoberto. 

Frei Domingos resolve um dia saber o que se passa. Levanta-se mais cedo e, ao ver o Doutor Angélico sair da cela, segue-o, oculto, à capela de São Nicolau. Aí surpreende o mestre dominicano imerso em profunda oração. E, com grande espanto, observa que seu corpo se levanta no ar, dois palmos acima do nível do solo. Dentro de alguns momentos, na penumbra silenciosa da capela, soa uma voz misteriosa, que vem do crucifixo erguido no altar: 'Tomás, escreveste bem sobre mim. Que receberás de mim como recompensa pelo teu trabalho?'

De joelhos, transportado de fé, Tomás exprime na resposta a plenitude de seu ardor místico: ' Senhor, nada senão Vós!'" [2]
Pouco depois disto, no dia 6 de dezembro de 1273, após rezar o Santo Sacrifício da Missa, acontece em Tomás "uma grande mudança, que impressiona a todos os assistentes". Depois daquele dia, de fato, o santo não mais colocará as mãos em sua Suma Teológica, a qual ele passa a considerar como unicamente palha, em comparação com aquilo que viu e lhe foi revelado [3].
O que viu Tomás? O que lhe foi revelado? Tais perguntas só podem ser respondidas com propriedade pelos santos, que associam o fenômeno místico experimentado pelo Doutor Angélico à promessa de Nosso Senhor: "Aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a mim mesmo a ele" (Jo 24, 20). Assim, Cristo dava ao Aquinate aquilo por que tanto aspirava, desde a sua juventude: Ele próprio.
Quaerere Deum – procurar Deus": o que viviam os primeiros monges cristãos, foi o que viveu Santo Tomás de Aquino. Que, do Céu, ele nos alcance a graça de buscar perseverante e incessantemente o Senhor, sem o qual qualquer Summa é "palha" e qualquer vida não tem, absolutamente, nenhum sentido.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências:

  1. Vita Sancti Thomae Aquinatis, XXIX. XXX in A Educação segundo a Filosofia Perene,I, 5, Santo Tomás e a Vida Contemplativa
  2. A Educação segundo a Filosofia Perene,I, 6, A morte de Tomás de Aquino
  3. Ameal, João: São Tomás de Aquino; Porto, Livraria Tavares Martins, 1956; pgs. 143-5 in A Educação segundo a Filosofia Perene,I, 6, A morte de Tomás de Aquino

Ser devoto de Santo Tomás More hoje



De Conselheiro do Rei a "traidor" da Coroa. Conheça a vida de Santo Tomás More, “o homem que não vendeu a sua alma”.

O que a história de um leigo que viveu há 480 anos tem a ensinar ao homem moderno? É a pergunta que devem fazer todos os católicos, ao celebrarem a memória de Santo Tomás More (22/06) – ao qual foi reservado o epíteto de "o homem que não vendeu a sua alma".
Antes de qualquer coisa, cabe fazer uma breve narrativa de sua vida, contando como a sua cabeça foi parar na bandeja por ordem do então príncipe da Inglaterra, o Rei Henrique VIII.
Homem erudito, esposo fiel e pai de quatro filhos, More foi nomeado Conselheiro do Rei (Lord Chancellor, em inglês) no ano de 1529, em meio a uma crise moral na Coroa. Henrique VIII era casado com Catarina de Aragão, mas tentava junto ao Papa conseguir a dissolução de seu casamento. A desculpa para a sanha adúltera do príncipe era o argumento de que Catarina não lhe dava um herdeiro homem. Como o Papa não lhe concedia o rompimento de seu matrimônio – fiel à palavra de Cristo, segundo a qual não se pode separar o que Deus uniu (cf. Mt 19, 6) –, ele mesmo fez questão de casar-se com Ana Bolena, então dama de companhia de sua legítima consorte. Sem autoridade espiritual que confirmasse as suas novas núpcias, Henrique VIII – o qual anos antes defendera a Igreja Católica das heresias do protestantismo – se autoproclamou líder da Igreja da Inglaterra.
Quando tudo isso aconteceu, Tomás More, tendo previsto o desastre que se anunciava, já havia renunciado às suas funções públicas junto à Coroa, em 1532. Não querendo entrar em imbróglios, ele saiu da política, silenciosamente. Sendo um homem justo, decidiu abandonar o Rei em segredo.O seu silêncio, porém, a sua recusa em aprovar o adultério de Henrique, falavam alto demais. Mesmo não pertencendo mais ao governo inglês, More foi perseguido pelo Rei e, negando-se a obedecer às suas arbitrariedades, foi condenado por alta traição à Coroa. No dia 6 de julho de 1535, aprisionado na Torre de Londres, More acabou decapitado, simplesmente por não se prostrar às determinações tirânicas do Rei. (Um ano mais tarde, incapaz de dar um herdeiro aos Tudors, também Ana Bolena seria executada por Henrique, que ainda se casaria com outras 4 mulheres antes de morrer.)
A história de Tomás lembra, mutatis mutandis, o martírio de São João Batista. A criminosa em questão era Herodíades, que, não suportando ouvir de João a reprovação de sua vida de adultério, pediu ao Rei Herodes a sua cabeça em uma bandeja (cf. Mt 14, 1-12). Por defender a verdade até o fim, entregando com isso a sua própria vida, João Batista não é venerado apenas como profeta, mas principalmente como mártir.
Importa reconhecer, porém, que as vidas desses dois grandes santos, separadas por aproximados 15 séculos, está unida por um martírio diferente dos martírios comuns. Quem ouve as glórias dos primeiros cristãos, mortos nas arenas do Coliseu por não prestarem culto a César, pode ser tentado a ter em pouca conta a decapitação de João e Tomás porque, afinal, nem Herodes nem Henrique pediram a eles que os adorassem, no sentido próprio do termo. Contudo, "o cristão sofre – lembra Santo Tomás – não apenas sofrendo por uma confissão de fé em palavras, mas também cada vez que sofre para realizar um bem qualquer, ou para evitar um pecado qualquer por causa de Cristo". Por isso, "as obras de todas as virtudes, enquanto se referem a Deus (...) podem ser causa de martírio" [1].
Eis, portanto, a primeira grande lição que se pode extrair da vida de Santo Tomás More e de São João Fisher, seu companheiro mártir. Por amor à verdade do Evangelho, eles não temeram sacrificar as suas próprias existências neste mundo. Em um século dominado pelo relativismo e por uma aguda decadência moral, que ameaça a própria família, os exemplos desses homens desafiam o nosso tempo a preservar com coragem e destemor todas as verdades da nossa fé, sem adaptações, nem conveniências. A mensagem da família não é palavra humana ou "opinião", para que possa ser modificada ou "reinventada" ao bel prazer. É, ao contrário, palavra divina – palavra veraz, fora da qual não pode haver verdadeira caridade, como indica o Papa Bento XVI: "Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida" [2].
A segunda importante lição da vida de More é ensinar aos cristãos quais são os limites do poder das autoridades civis. "Precisamente por causa do testemunho que Santo Tomás More deu, até ao derramamento do sangue, do primado da verdade sobre o poder, é que ele é venerado como exemplo imperecível de coerência moral" [3]. A respeito disso, as Escrituras já oferecem conselhos preciosos: "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mt 22, 21), diz Jesus; e, exortam os Apóstolos, "importa obedecer antes a Deus do que aos homens" (At 5, 29). Diante de ditaduras que tentam sufocar a própria verdade; face a César, Herodes, Henrique ou Stálin, é preciso reafirmar, sempre e categoricamente, o primado de Deus – primado este que, no fim das contas, redunda em benefício do próprio homem.
Afinal, quando todo o poder é colocado nas mãos do Estado, quando este se torna "a medida de todas as coisas", não demora muito para que se cortem as cabeças e os seres humanos sejam executados no paredón ou jogados em campos de concentração. Foi assim na Inglaterra de Henrique VIII, foi assim na Cuba de Fidel Castro e na Alemanha de Hitler. Será sempre assim, quando César pretender tomar para si o poder que cabe somente a Deus.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Suma Teológica, II-II, q. 124, a. 5.
  2. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Caritas in Veritate (29 de junho de 2009), n. 3.
  3. Papa João Paulo II, Carta Apostólica E Sancti Thomae Mori (31 de outubro de 2000), n. 1.

A conversão de São Bernardo de Claraval



Para fugir do pecado da impureza, São Bernardo de Claraval se lançou sem hesitar em um lago gelado. A atitude do santo deixa evidente a natureza da batalha que trava todo aquele que se faz eunuco “por causa do Reino dos céus”.

Tendo recebido desde cedo uma sólida formação religiosa, Bernardo foi aluno notável em sua mocidade. Quando recebia alguma lição que contrariasse os mistérios da fé e a doutrina cristã, "recorria à oração e à meditação das Sagradas Escrituras para neutralizar o veneno inalado nas aulas" [1]. (Nenhum conselho pode ser tão útil para os nossos dias.) Mais tarde, o mesmo Bernardo será visto debatendo e debelando os erros dos professores de sua antiga escola.
Depois da morte de sua piedosa mãe, no entanto, o jovem rapaz foi atingido por uma tristeza acabrunhante. O luto se tinha apoderado totalmente de sua alma e ele não achava consolação em nada do que fazia, nem mesmo na oração, à qual já estava tão habituado, apesar da breve idade. Era final de agosto de 1110 e Bernardo contava cerca de 20 anos.
Instado por sua irmã Umbelina a distrair-se e passar tempo com os jovens que frequentavam o castelo, Bernardo começou a acercar-se de más companhias e brincar à beira do precipício dos maus costumes (cf. 1 Cor 15, 33). Como mais tarde escreveu ele ao Papa Eugênio III:
"No princípio, algumas coisas podem parecer insuportáveis, mas com o passar do tempo, se te acostumas a elas, não as julgarás tão pesadas; pouco depois, já te serão suportáveis; em seguida, não as notarás e, no fim, terminarão deleitáveis.Assim, paulatinamente, se chega à dureza do coração e, dela, à aversão." [2]
Para acordar Bernardo e impedir que a sua alma se perdesse, Deus permitiu que lhe sobreviessem fortes tentações, das quais a última, relativa ao pecado da impureza, fê-lo mudar totalmente de vida:
"Esquecido de sua vigilância habitual, permitiu que os seus olhos pousassem por um momento em um objetivo perigoso. Pela primeira vez, experimentou a rebelião da carne. Alarmado, então, perante o espectro do mal e pleno de remorsos pela sua falta, implorou imediatamente o auxílio do céu e, afastando-se do local, foi mergulhar em um pequeno lago e ali se manteve, meio morto de frio, até que a perturbação interna desapareceu totalmente. Das palavras de seus primeiros biógrafos conclui-se que decidiu naquele momento permanecer perpetuamente casto." [3]
Esse episódio da vida de São Bernardo deve servir de inspiração a todos os cristãos na luta pela castidade, principalmente no mundo de hoje, tão avesso a essa virtude.
O fato de que o santo se tenha lançado em um lago gelado para não pecar contra a castidade mostra a natureza da batalha que aqui se trava. Como diz Nosso Senhor no Evangelho (Mt 19, 12), "existem eunucos que nasceram assim do ventre materno" e "outros foram feitos eunucos por mão humana", isto é, alguns foram privados do sexo por natureza e outros por necessidade. Há, porém – e só assim se pode falar propriamente de "virtude" –, aqueles que se tornaram "eunucos por causa do Reino dos céus". Embora aqui Cristo esteja se referindo especificamente ao celibato, a sua consideração é válida para todos os cristãos, chamados que são a viver a santa pureza: porque o "ser eunuco" só é louvável e recompensado por Deus na medida em que é escolhido livremente pelo homem [4].
Os santos não eram "eunucos físicos", sem sensibilidade e sem paixões humanas, mas "homens de carne e osso", como quaisquer outros. A sua diferença é que, auxiliados pela graça divina, eles se fizeram "eunucos espirituais". Mas, isso (atenção!) por causa do Reino dos céus – e só por causa desse Reino (presente em suas almas pela graça santificante), eles estavam dispostos a tudo: a revolver-se na neve, como fez São Francisco de Assis; a jogar-se em um arbusto de espinhos, como fez São Bento; a mergulhar em um lago gelado, como São Bernardo [5]; ou mesmo a morrer, como fizeram tantos mártires ao longo da história da Igreja.
Pela vida dos santos, é possível concluir que a castidade não é um mero jogo de cálculos humanos: fosse assim, todas essas mortificações – recomendadas pelo próprio Evangelho (cf. Mt 5, 29-30) – não teriam sentido algum. Por que privar-se de algo prazeroso e, ao mesmo tempo, fazer arder o corpo no frio ou mesmo perder a própria vida? Por que tanto "radicalismo" com essa história de "castidade"? Porque, ontem, assim como hoje, os seguidores de Cristo não se fizeram eunucos "por mãos humanas": eles viveram (e vivem) a pureza por causa do Céu – e só a vida eterna pode explicar a sua abnegação e os seus sacrifícios, em que pese todo o desprezo do mundo.
Depois do episódio acima referido, como se sabe, Bernardo consagrou-se por inteiro a Deus e entrou na vida religiosa como monge cisterciense. Em 20 de agosto de 1153, partiu deste mundo, deixando na terra a sua notável fama de santidade, além de obras de incalculável valor espiritual.
No dia em que a Igreja celebra a memória deste grande doutor da Igreja, peçamos a sua intercessão. Que ele nos ajude a viver inteiramente para Deus, independentemente do estado de vida em que o Senhor nos colocou: na vida leiga ou consagrada, na vida sacerdotal ou matrimonial, todos são convocados à castidade, à entrega total do próprio ser e à santidade – porque, afinal, todos são chamados para amar.
São Bernardo de Claraval,
rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Recomendações

  • DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja das Catedrais e das Cruzadas (trad. Emérico da Gama). 2. ed. São Paulo: Quadrante, 2011, pp. 94-135.
  • LUDDY, Ailbe J.. Bernardo de Claraval (trad. Eduardo Saló). Lisboa: Editorial Aster, 1959.
  • RAYMOND, Pe. M.. Amor sem Medida: Crônica de uma Família (trad. Pe. Ivo Montanhese). Petrópolis: Vozes, 1964.
  • RIBADENEIRA, Pe. Pedro de. Vida de São Bernardo. In: Cristianismo.

Referências

  1. A conversão de São Bernardo, II, 9.
  2. Da Consideração (trad. Ricardo da Costa), I, 2 (PL 182, 730).
  3. A conversão de São Bernardo, III, 6.
  4. Cf. Santo Hilário apud Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea in Matthaeum, XIX, 3.
  5. Cf. São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 143.

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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