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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Verdadeiras e falsas cruzes

Dor que faz bem e dor que faz mal
Há um fato indiscutível, e é que o sofrimento é nosso companheiro ao longo de todo o caminho da vida. E há um segundo fato, igualmente incontestável: conforme as pessoas – conforme a qualidade da alma das pessoas -, o sofrimento esmaga ou faz crescer, destrói ou amadurece.
Essa ambivalência da dor – que pode edificar ou arrasar – indica às claras que o problema, para qualquer ser humano, não reside no sofrimento que Deus envia ou permite que apareça na nossa vida, mas na atitude com que aceitamos ou rejeitamos essa cruz, que Deus nos propõe abraçar. Como sucedeu junto de Cristo no Calvário, a cruz rejeitada afundou o mau ladrão, e a cruz aceitada com humildade, com fé e com amor, salvou o bom.
Mas, ao lado dessas cruzes enviadas ou permitidas por Deus há outras que nem Deus quer nem nós queremos, mas aparecem. São as “falsas cruzes”, que nada trazem de bom. Em que consistem?
Trata-se das “cruzes” que nós mesmos “fabricamos”, “inventamos”, e que nunca deveriam ter existido. São as que aparecem só como conseqüência da nossa mesquinhez e dos nossos defeitos. A pessoa egoísta, ciumenta, invejosa, teimosa…, sofre muito e faz sofrer os outros. Mas esses sofrimentos não são “cruzes”, no sentido cristão da palavra. São apenas a destilação amarga do nosso egoísmo. Com certeza não são a vontade de Deus; pelo contrário, trata-se de pecados mais ou menos graves, que evidentemente Deus não quer, mas nós colocamos como pedras no caminho da vida.
Se fôssemos fazer as contas, veríamos que a maioria desses sofrimentos “fabricados” indevidamente por nós brotam de uma dupla fonte: a fonte do amor-próprio e a fonte doamor pequeno.
A fonte do amor-próprio
O amor-próprio é uma fonte de péssimas cruzes. Como o orgulho nos faz sofrer! Que feridas infeccionadas não provoca! Basta uma lufada de ar – uma pequena desconsideração ou indelicadeza -, e o amor-próprio sente-se atingido como por um punhal.
Uma pessoa orgulhosa é incapaz de tolerar sem ficar magoada – sem se meter num calvário de sofrimentos íntimos – a menor humilhação, mesmo a causada involuntariamente. Fica alterada, abatida; grava a mágoa na memória e a vai remoendo lá dentro; cultiva-a na imaginação, aquece-a ao fogo da autocompaixão, vai engrossando-a à força de lhe dar importância, e termina fazendo dela uma tortura insuportável.
Bastava que fosse um pouco mais humilde, que soubesse relevar minúcias, que se esforçasse um pouco por compreender, por desculpar, por oferecer a Deus as pequenas contrariedades, e não teria nem um miligrama dessa cruz ruim, que não é a cruz de Cristo.
Se a pessoa orgulhosa sofre com tormentos fabricados pelo orgulho, que dizer da invejosa? Sempre comparando-se com os outros, sente subirem-lhe ao coração ondas de melancolia, depressões enciumadas, revoltas contra a sorte e até protestos íntimos contra a Providência de Deus. Essa pessoa invejosa, que chora frustrações, foi ela própria a criadora da sua falsa “cruz”. Se tivesse um coração mais generoso, vislumbraria, feliz e agradecida – na mesma situação em que só vê infortúnios e injustiças da vida -, dez mil bondades de Deus e motivos de ação de graças, um panorama de miúdas e saborosas alegrias, que em vez de lágrimas ou revolta lhe poriam canções dentro da alma.
A fonte do amor pequeno
Vejamos agora a segunda fonte de cruzes doentias: a do amor pequeno.
Já de início, poderíamos dizer que existe um sinal infalível de que o nosso amor é pequeno: o mau humor. Para quem ama pouco, toda a doação, toda a paciência, toda a compreensão solicitada pelo próximo é excessiva e aborrecida, qualquer sacrifício causa revolta ou malestar. O amor grande pratica generosidades grandes e nem se apercebe do sacrifício que faz. Como dizia Santo Agostinho: “Quando se ama, ou não se experimenta trabalho, ou o próprio trabalho é amado”.
Pelo contrário, o amor pequeno transforma uma palha numa “cruz” insuportável. Então, um sacrifício que caberia “dentro de um sorriso, esboçado por amor” 2, não cabe na vida e explode em forma de sofrimento irritado, com contínuos resmungos, queixas constantes e incessantes protestos. O mau humor é a sombra do amor pequeno, o sinal que o dá a conhecer.
Se olharmos de perto o que há por trás desse mau humor, veremos que, em noventa por cento dos casos, é simplesmente a pura e simples realidade da vida, com as suas incidências, lutas, dificuldades e esforços normais. Por outras palavras, o que há na raiz do mau humor é apenas a falta de aceitação da realidade, e da vontade de Deus no dia-a-dia.
É triste lamentar, como se fossem coisa do outro mundo, dificuldades que são normais. Não é nenhuma contrariedade inesperada o fato de que os outros tenham asperezas de caráter, de que o cumprimento do dever canse, de que alcançar metas profissionais custe muito, de que conseguir melhorar os nossos próprios defeitos ou os defeitos dos que nos cercam – especialmente os da mulher, do marido, dos filhos – seja algo lento e demorado. No entanto, é muito comum que, ao constatá-lo, nos sintamos indispostos, nos deixemos levar pelo aborrecimento, pela impaciência, pelo protesto, e percamos o bom humor. Reações de todo desproporcionadas e ridículas, pois lá onde nós imaginamos grandes “cruzes” está apenas a “vida”, a vida que, com um pouco mais de amor e bom humor, ficaria pontilhada de alegrias e coroada de ações de graças.
Cristo pede-nos que tomemos com amor a cruz de cada dia (Lc 9, 23), é certo, mas – lembrando o que dizia João Paulo I – essa cruz deveria ser carregada com o “sorriso cotidiano” e não fazendo dela a “tragédia cotidiana”. No entanto, muitos conseguem mudar o sorriso em tragédia.
Bastam-lhes para tanto duas coisas: em primeiro lugar, amar pouco, como já víamos. Em segundo lugar, viver mergulhados num mundo de imaginações escapistas e sonhos irreais.
Muitos são os que reclamam do real – que é a vida, sempre rica em possibilidades de amar, de crescer por dentro, de fazer o bem – e passam a instalar-se, esterilmente, no mundo irreal das hipóteses: se eu tivesse essas outras condições pessoais, essa sorte, essa oportunidade profissional…; se a minha mulher fosse mais bonita, pacífica e econômica…; se o meu país tivesse uma economia mais confiável… E, assim, enquanto vivem no mundo do “tomara que”, atolam-se no que São Josemaria Escrivá chamava a “mística do oxalá”. Desse modo, estragam a realidade, que é a única que existe e que a cada instante nos oferece ocasiões de amar e de servir e, como conseqüência, de sermos felizes.
Quem reclama sem razão da cruz cotidiana perde a cruz de Deus e encontra a “cruz” do diabo. São cheias de sabedoria aquelas palavras da Imitação de Cristo que dizem: “Se levas com gosto a cruz, ela te levará. Se a levas a contragosto, acabas por torná-la mais pesada para ti e a ti mesmo te sobrecarregas. Se rejeitas uma cruz, sem dúvida encontrarás outra, e possivelmente mais pesada” 3.
Penso que essas reflexões podem ajudar-nos a distinguir, na nossa vida, entre as “verdadeiras” e as “falsas” cruzes. Peçamos a Deus que não nos permita atolar nas cruzes falsas, para que possamos amar as verdadeiras, que nos elevam até Deus.

(Adaptação de um capítulo do livro de F. Faus Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens)

A felicidade da oração

A oração, fonte de alegria
A oração é uma grande fonte de alegria. Disso vamos tratar no presente capítulo. O título está tomado de uma catequese do Santo Cura d’Ars, São João Maria Vianney:
«Deus não tem necessidade de nós: se ele nos pede que rezemos é porque deseja a nossa felicidade, e essa felicidade só pode ser encontrada na oração…».
Vou transcrever a seguir trechos da pregação de três santos sobre a oração. Não escolhi nenhum dos grandes místicos – monges, religiosas contemplativas, etc. –, que têm muitas páginas admiráveis sobre as alegrias da oração, porque fiz questão de escolher três sacerdotes que, no meio do mundo, pregavam para cristãos comuns, gente da rua, homens e mulheres iguais aos que hoje frequentam as Missas de domingo nas cidades e na roça.
Pode ser que você se impressione ao ler estes três textos de pregação ao povo, achando que são elevados demais. Talvez lhe aconteça isso porque ainda não se convenceu de que – como a Igreja ensina – todos os batizados somos chamados à santidade, ou seja, a uma vida de muito amor e intimidade com Deus, que transborde em amor ao próximo.
Será bom, por isso, lembrar o que escrevia São João Paulo II quando entramos no terceiro milênio. Indicava que era preciso voltar a propor a todos a «medida alta» da vida cristã, com uma «pedagogia de santidade», e esclarecia: «Para essa pedagogia de santidade, há a necessidade de um cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração [...]. Seria errado pensar que o comum dos cristãos possa contentar-se com uma oração superficial, incapaz de encher a  sua vida» (Carta apostólica No início do novo milênio, nn. 33 e 34).
Sob esse foco, meditemos, pois, agora nos três testemunhos de que falava antes.
São João Crisóstomo
Nascido na primeira metade do século IV, foi ordenado Bispo, e veio a ser Patriarca de Constantinopla. Seu “sobrenome”, Crisóstomo (“boca de ouro”) lhe foi dado pelo povo pelas suas extraordinárias qualidades como pregador. As suas homilias ocupam muitos volumes. De uma delas, que trata da oração, selecionei os seguintes trechos:
«O bem supremo é a oração, o colóquio com Deus, porque é relação com Ele e união com Ele. Assim como os olhos do corpo são iluminados quando veem a luz, a alma voltada para Deus é iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude exterior, mas provém do coração; que não se limita a ocasiões ou horas determinadas, mas está dia e noite em contínua atividade…
»A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus… Pela oração, a alma se eleva aos céus e abraça o Senhor em inefáveis amplexos… Exprime seus desejos e recebe dons superiores  a toda a natureza visível.
»A oração, pela qual nos apresentamos em adoração diante de Deus, traz alegria e paz ao coração… Semelhante oração é uma riqueza que não pode ser tirada e um alimento celeste que sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se no desejo eterno de Deus, como de um fogo devorador que abrasa o coração. Entrega-te, pois, à oração…, e adorna-a com boas obras…» (Homilia n. 6 sobre a Oração).
São João Maria Vianney
Este humilde pároco da pequena cidadezinha de Ars, na França, atraiu muitos milhares de almas, que acorriam de toda a parte às suas Missas, catequeses e confissões,  porque era muito santo. Como dizia um descrente, que se converteu só de vê-lo uma vez: “Eu vi Deus num homem”.
Pregava muito aos seus paroquianos, na maioria lavradores daquele povoado perdido no mapa. Trabalhou até ao esgotamento – sobretudo atendendo horas e horas de confissões –, mas rezou ainda mais : muitas horas de oração diante do sacrário; e fez muita penitência pela conversão dos pecadores. Isso explica que um padre como ele, simples e sem muita cultura, tenha obtido frutos pastorais incríveis e seja hoje o padroeiro de todos os párocos do mundo.
Vamos meditar sobre algumas palavras das suas deliciosas catequeses:
«Prestai atenção, filhinhos meus; o tesouro do cristão não está na terra, está nos céus. Por isso, volte-se o nosso pensamento para onde está o nosso tesouro. É esta a linda profissão do homem: rezar e amar. Se orais e amais, aí está a felicidade do homem sobre a terra.
»A oração é toda a felicidade do homem. Quanto mais se reza, mais se quer rezar: é como um peixe que nada na superfície da água e logo se submerge até o mais profundo do mar. A alma se abisma, mergulha no amor do seu Deus.
»A oração é simplesmente união com Deus. Se alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente uma suavidade e doçura que inebria, envolve-o numa luz maravilhosa. Nesta íntima união, Deus e a alma são como duas ceras fundidas juntas, que ninguém pode separar. Coisa linda, a união de Deus com a sua pequenina criatura; felicidade impossível de se imaginar…
» A oração nos antecipa o gozo do céu, faz descer algo do paraíso até nós. Jamais nos deixa sem doçura; e um mel que flui na alma e tudo adoça. Na oração bem feita, os sofrimentos se dissolvem como a neve ao sol…» (Catechisme sur la prière, em A. Monnin,L’Esprit du Curé d’Ars, pp. 87-89).
São Josemaria Escrivá
            A grande luz de Deus que São Josemaria recebeu em 1928 – uma luz que ficou plasmada na fundação do Opus Dei – era um apelo divino para proclamar por todos os cantos do mundo que Deus chama todos os batizados, seus filhos, à santidade; e para anunciar que a santidade é acessível a todos, pois os cristãos comuns podem alcançar essa meta – santificar-se e fazer apostolado em meio ao mundo – através da santificação do trabalho profissional, da vida familiar e dos demais deveres cotidianos do cristão.
Bem no começo de uma homilia que intitulou Rumo à santidade, da qual citaremos a seguir alguns trechos, São Josemaria dizia: «Sentimo-nos atingidos, com um forte estremecimento no coração, ao escutarmos atentamente o grito de São Paulo: Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação (1 Ts 4, 3). É o que hoje, uma vez mais, proponho a mim mesmo, recordando-o também a quantos me ouvem e à humanidade inteira: esta é a Vontade de Deus, que sejamos santos».
Repisando esse chamado universal à santidade, explicitava a seguir que Deus «chama cada um à santidade e a cada um pede amor; a jovens e velhos, a solteiros e casados, a sãos e enfermos, a cultos e ignorantes; trabalhem onde trabalharem, estejam onde estiverem. Só há um modo de crescer na familiaridade e na confiança com Deus: ganhar intimidade com Ele na oração, falar com Ele, manifestar-lhe – de coração a coração – o nosso afeto» (Amigos de Deus, nn. 294 ss.). Apresentava assim a oração e a santidade como realidades inseparáveis. E, depois, marcava rumos:
«Começamos com orações vocais, que muitos de nós repetimos quando crianças … Primeiro, uma jaculatória, e depois outra, e mais outra…, até que parece insuficiente esse fervor, porque as palavras se tornam pobres…, e se dá passagem à intimidade divina, num olhar para Deus sem descanso e sem cansaço. Vivemos então como cativos, como prisioneiros. Enquanto realizamos com a maior perfeição possível, dentro dos nossos erros e limitações, as tarefas próprias da nossa condição e do nosso ofício, a alma anseia escapar-se. Vai-se rumo a Deus, como o ferro atraído pela força do ímã. Começa-se a amar Jesus de forma mais eficaz, com um doce sobressalto…
»Uma oração e uma conduta que não nos afastam das nossas atividades habituais e que, no meio dessas aspirações nobremente terrenas, nos conduzem ao Senhor. Elevando todos os afazeres a Deus, a criatura diviniza o mundo. Quantas vezes não tenho falado do mito do rei Midas, que convertia em ouro tudo o que tocava! Podemos converter tudo o que tocamos em ouro de méritos sobrenaturais, apesar dos nossos erros pessoais» (Ibidem, nn. 296, 308).
Após comentar diversas condições da vida de oração, sublinhava que a oração deve penetrar suave e fortemente no cotidiano, de maneira que o cristão comum não separe a vida ordinária da oração (da Missa, Comunhão, leituras cristãs, meditação, lectio divina, Santo Rosário, etc.[1]). Não são dois compartimentos separados nem separáveis:

«Quando a fé vibra na alma, descobre-se que os passos do cristão não se separam da própria vida humana corrente e habitual. E que essa santidade grande, que Deus nos reclama, se encerra aqui e agora, nas coisas pequenas de cada jornada…
» Rogo ao Senhor que nos decidamos a alimentar na alma a única ambição nobre, a única que vale a pena: caminhar ao lado de Jesus Cristo, como fizeram sua Mãe bendita e o santo Patriarca [São José], com ânsia, com abnegação, sem descuidar nada. Participaremos na felicidade da divina amizade – num recolhimento interior compatível com os nossos deveres profissionais e com os de cidadãos – e lhe agradeceremos a delicadeza e a clareza com que nos ensina a cumprir a Vontade do nosso Pai que habita nos céus» (Ibidem, nn. 300, 312).
Na Missa solene em que João Paulo II canonizou São Josemaria, lembrava à multidão de fiéis presentes na praça de São Pedro: «São Josemaria foi um mestre na prática da oração… Recomendava sempre: “Em primeiro lugar, oração; em segundo lugar, expiação; em terceiro lugar, muito em terceiro lugar, ação”(cf. Caminho, n. 82)… Este é, no fundo, o segredo da santidade e do verdadeiro sucesso dos santos» (Homilia, 6/10/2002).
Depois disso, talvez não esteja fora de lugar encerrar este capítulo com as célebre frase de Leon Bloy: «A única tristeza que existe é a de não ser santo».


[1] Sobre a oração e as suas diversas formas, vale a pena ler os números 2558 a 2865 do Catecismo da Igreja Católica, edição típica vaticana (Ed. Vozes e Loyola). Pode ajudá-lo a exercitar-se praticamente nas diversas formas de oração cristã o livro de F. Faus Para estar com Deus, Ed. Cultor de Livros/ Cléofas.

sábado, 17 de outubro de 2015

Os 7 hábitos diários das pessoas que querem ser santas

Para quem quer realmente ser "outro Cristo" nesta vida
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Ninguém nasce santo. A santidade é alcançada com muito esforço, mas também com a ajuda e a graça de Deus. Todos, sem exceção, são chamados a reproduzir em si mesmos a vida e o exemplo de Jesus Cristo, caminhar seguindo seus passos.

Se você está lendo isso, é porque tem interesse em levar a sua vida espiritual com mais seriedade de agora em diante.

O segredo da santidade é o contato contínuo com Deus. Falaremos aqui de alguns pontos que podem nos ajudar a conhecer, amar e servir Jesus, e que nos capacitam para amar e doar-nos às outras pessoas, na caridade.

Antes de expor quais são os 7 hábitos, é preciso lembrar de três aspectos que nos ajudam a vivê-los:

– Primeiro: lembre-se de que o crescimento neste hábitos é como um programa de exercícios físicos, uma academia, uma dieta, ou seja, é um trabalho de processo gradual. Não tente fazer tudo desde o começo; trabalhe um a um, e vá acrescentando mais hábitos ao longo do tempo.

– Segundo: Procure viver estes hábitos como um firme propósito, mas contanto sempre com a ajuda do Espírito Santo e dos seus intercessores especiais, para fazer dos hábitos de santidade uma prioridade na sua vida.

– Terceiro: Viver os hábitos não é uma perda de tempo. Muito pelo contrário: com eles, você ganha tempo. Nenhuma pessoa que os vive diariamente vai ser menos produtiva em seu trabalho, nem vai comprometer sua vida familiar ou social. Deus sempre recompensa aqueles que o colocam em primeiro lugar.

Os 7 hábitos da santidade

1. Oferecimento do dia pela manhã

Você pode fazer uma breve oração simples, com suas palavras, oferecendo todo o seu dia para a glória de Deus. O mais difícil aqui é conseguir fazer disso um hábito: levantar-se pontualmente, ter um momento fixo para este oferecimento, não deixar espaço para a preguiça.

2. Quinze minutos de oração em silêncio

Dedique pelo menos 15 minutos a conversar com Deus no início do dia. Esta é a sua hora da verdade e seu momento superior. Abra-se com Ele e fale daquilo que ocupa sua mente e seu coração; tente ouvir a voz de Deus em seu interior e conhecer sua vontade.

3. Quinze minutos de leitura espiritual

Você pode dividir este tempo em: 5 minutos lendo um trecho do Evangelho, para identificar-se com a Palavra e ações de Jesus, e outros 10 minutos lendo algum livro clássico de espiritualidade católica, recomendado pelo seu diretor espiritual.

4. Participar da Missa e comungar

Este é o hábito mais importante de todos. A Eucaristia é o centro da nossa vida interior e, consequentemente, do nosso dia. É o ato mais íntimo do ser humano, um encontro com Cristo vivo.

5. Rezar o Ângelus (ou Regina Coeli, no período pascal) ao meio-dia

Rezar esta breve oração é um costume católico muito antigo. O ideal é rezar três vezes ao dia (6h, 12h, 18h), mas fazer uma pausa ao meio-dia para honrar Nossa Senhora ajuda especialmente a recordar o sentido da nossa vida no meio da nossa jornada.

6. Rezar o terço

Meditar diariamente nos mistérios da vida de Jesus é um hábito que, uma vez adquirido, é difícil de abandonar. Maria é um ótimo atalho rumo a Jesus e um dos melhores exemplos que Deus nos deu a imitar.

7. Exame de consciência antes de dormir

Você pede luz ao Espírito Santo e dedica alguns minutos a revisar seu dia na presença do Senhor, identificando se seu comportamento foi digno de um filho de Deus ao longo da jornada. Depois disso, você faz um ato de gratidão pelas graças recebidas nesse dia, e um ato de contrição pelas falhas cometidas voluntariamente.

Você diante de Deus

Seja honesto com você mesmo e com Deus. Estes hábitos, se bem vividos, nos capacitam para vivenciar a segunda parte do grande mandamento de Deus: amar o próximo como a nós mesmos.

Estamos nesta vida para amar a Deus e imitar Jesus no amor ao próximo. Para isso, precisamos nos transformar em outro Cristo, por meio da oração e dos sacramentos. Vivendo estes sete hábitos, chegaremos a ser pessoas santas e apostólicas, como Deus espera de nós.

http://pt.aleteia.org/2015/09/08/os-7-habitos-diarios-das-pessoas-que-querem-ser-santas/

Tudo o que você precisa saber sobre: a leitura espiritual

Este é um hábito diário de quase todos os santos canonizados da Igreja Católica
http://pixabay.com/en/book-antique-old-bible-read-222538/



O que é a “leitura espiritual”?

Há muitos tipos de leitura religiosa, mas não vou falar agora de todos nem de vários deles. Apenas falarei de um: daquele que, na linguagem clássica cristã, se chama «leitura espiritual», em sentido estrito, e que costuma fazer parte do programa diário das pessoas que querem levar a sério a sua vida interior.

Consiste na leitura atenta e bem assimilada de um livro que trate de assuntos de «vida espiritual», com seriedade e boa doutrina, e que os focalize de maneira prática, de modo que nos ajude a aplicá-los à nossa vida diária.

Tenha em conta que, dentro do conceito estrito de «vida espiritual» ou de «vida interior», não só entram as práticas de oração, de adoração, a Eucaristia, o amor a Nossa Senhora e outras devoções… – que são, sem dúvida, elementos básicos de uma vida espiritual autêntica-, mas entram também as virtudes e o modo de melhorá-las (fé, caridade, paciência, firmeza, temperança, constância, etc.), bem como os defeitos (vaidade, preguiça, ira, inveja, desordem sensual, etc.) e o modo de vencê-los; e ainda o esforço por santificar a família, por achar Deus no trabalho, por levar Deus a outras almas, etc, etc. Em suma, entra tudo quanto nos ajuda a procurar a santidade e o apostolado no dia-a-dia.

Como fazer a leitura espiritual?

1) Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la, sempre que possível, diariamente.

2) Ao tomar essa decisão deverá ter em conta:

a) Primeiro: que é importante escolher o melhor momento do dia – o “seu” melhor momento -para essa leitura. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família…)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No ônibus ou no metrô, desde que possa sentar-se? Pense, tire experiências, e defina.

b) Pense que será mais fácil definir o horário, se tiver consciência de que a leitura não precisa ser longa: ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom fruto dessa prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido, e aproveitado, mais livros bons do que imagina.

c) É importante que você defina – volto a dizer – o lugar, o momento e a duração dessa leitura espiritual. E acrescento um conselho, fruto da experiência: se você definir dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como “norma”, nunca menos. Caso queira esticar essa leitura por mais tempo, ou deseje ler mais em outra hora, não há problema, mas considere isso como “leitura extra”. É só em relação ao seu programa diário, aos seus dez ou quinze minutos, que deve se sentir comprometido, com sincera exigência.

d) Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais daquela temporada.

e) Uma vez definido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, “debicando” por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.

f) Não importa quanto tempo demorar a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é assim gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto. Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).

g) Depois da leitura diária, ao fechar o livro e pergunte-se: O que foi que eu li, o que compreendi, o que me ficou mais gravado?

3. É muito bom ter o desejo de conhecer (de ler) as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a se aproximarem de Deus e a melhorar. Como diz São Josemaria: «A leitura tem feito muitos santos» (Caminho, n. 116). Para ter ideia de que tipo de livros estou falando, vou citar alguns, apenas alguns, dentre os mais conhecidos:

─ Tomás de Kempis: A imitação de Cristo

─ São Francisco de Sales: Introdução à vida devota (também chamado Filotéia), Tratado do Amor de Deus (mais “teológico”)

─ Santo Afonso Maria de Ligório: A oração, A prática do amor a Jesus Cristo, As glórias de Maria

─ Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha): História de uma alma (também chamadoManuscritos autobiográficos)

─ Santa Teresa de Ávila: O livro da vida, Caminho de perfeição

─ Santa Catarina de Sena: O diálogo

E muitos outros, que agora seria impossível citar, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe puder dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual. A ela se pode aplicar perfeitamente o dito de Jesus: Pelos seus frutos os conhecereis (Mt 7,16).

4. Mas, antes de encerrar esta conversa, queria dar dois esclarecimentos:

a) Não confunda a «leitura espiritual» com a «oração mental» (ou a «meditação»). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que com isso estão fazendo leitura espiritual. Misturam e confundem conceitos diferentes. Veja o que já dissemos a respeito da oração e da meditação. Para a oração mental ou meditação, cada dia, se quiser, você pode escolher à vontade textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para meditar sobre a sua vida e “falar com Deus”. A «leitura espiritual», porém, como acabamos de ver, é coisa diferente: trata-se de ler em sequência, quase que de “estudar” um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça essa distinção;

b) Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta: as que nos proporcionamformação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos: desde o Primeiro Catecismo ou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, ainda que exige certo preparo doutrinário para entendê-lo bem. Um bom livro de teologia para leigos, que não hesito em recomendar, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada; excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, pode ser usado também como “leitura espiritual”.

Todos deveríamos achar algum tempo (não precisa ser diário, pode ser semanal, mais longo nas férias) para ler obras doutrinais. Hoje, num mundo de ideias confusas, é uma necessidade vital.

http://pt.aleteia.org/2015/09/09/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-leitura-espiritual/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-10/09/2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

5 remédios de São Tomás de Aquino para acabar com a tristeza

Sim: até dormir, tomar banho e comer chocolate fazem parte da lista, vale a pena conferir!
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Todos nós já passamos pela experiência de dias tristes, nos quais é difícil superar aquele peso interior que contamina todo estado de ânimo e afeta as relações. Existe algum truque para superar o mau humor e recuperar o sorriso? São Tomás de Aquino propõe 5 remédios surpreendentemente eficazes contra a tristeza, confira:

Primeiro remédio: fazer algo prazeroso

Chocolate-Liesel Fuchs shutterstock-©

É como se o teólogo, há sete séculos, já tivesse intuído a ideia moderna de que o chocolate é um antidepressivo. Pode parecer uma visão materialista, mas é evidente que um dia cheio de amarguras pode acabar bem graças a uma cerveja, um bom filme ou um jantar com seu prato favorito, por exemplo.
Este não é um materialismo incompatível com o Evangelho: sabemos que o Senhor Jesus participou com prazer de refeições e banquetes, antes e depois da ressurreição, e aproveitou muitas coisas boas da vida.
Há também um salmo que afirma que o vinho alegra o coração do homem – mas é preciso lembrar que a Bíblia condena a embriaguez, claro!

Segundo remédio: chorar

Crying-Katya Shut shutterstock-©

Muitas vezes, um momento de melancolia pode ficar pior quando não conseguimos desabafar; é como se a tristeza se acumulasse dentro de nós, até tornar impossível fazer qualquer coisa.
O choro é uma linguagem, uma maneira de expressar e de desfazer o nó de uma dor que às vezes se torna sufocante. Jesus também chorou. E o Papa Francisco recorda que “certas realidades da vida só podem ser vistas com olhos limpos pelas lágrimas”.

Terceiro remédio: a compaixão dos amigos

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Conversar com os amigos, desabafar com eles pode ser um grande alívio para quem passa por um momento de tristeza.
Quando a pessoa se sente um pouco triste e tende a ver tudo cinza, é muito eficaz fazer um gesto de abertura a algum amigo ou conhecido de confiança. Às vezes, basta uma mensagem ou uma ligação para contar ou escutar um amigo, e o panorama da vida fica mais claro.

Quarto remédio: contemplar a verdade

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Trata-se do fulgor veritatis de que falava Santo Agostinho. Contemplar o esplendor das coisas, a natureza, uma obra de arte, escutar uma boa música, surpreender-se pela beleza de uma paisagem são coisas que podem servir como um eficaz bálsamo contra a tristeza.

Quinto remédio: tomar banho ou dormir

Sleeping-Tetyana Moshchenko shutterstock-©

É verdade! Pura sabedoria de São Tomás de Aquino. É profundamente cristão entender que, para remediar um mal espiritual, é útil buscar um alívio corporal também. Desde o momento em que Deus se fez Homem e assumiu um corpo, superou-se a separação entre matéria e espírito.
Um preconceito muito difundido, no entanto, é que a visão cristã do homem se baseia na oposição entre corpo e alma, segundo a qual o corpo seria visto como um peso ou um obstáculo para a “vida espiritual”.
Na verdade, o humanismo cristão considera que a pessoa (alma e corpo) é inteiramente “espiritualizada” quando busca a união com Deus. Como ensina São Paulo, existe um corpo animal e um corpo espiritual, e não morreremos, mas seremos transformados, porque é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista de imortalidade.
“Que ninguém considere algo estranho aconselhar que se tome como guia um médico do corpo em uma doença espiritual”, afirma São Tomás Moro, assemelhando-se ao ensinamento de Tomás de Aquino:
“Desde o momento em que corpo e alma estão unidos, a ponto de ambos formarem uma só pessoa, a distensão de um dos dois pode gerar a distensão de ambos. Por isso, assim como eu aconselharia a todos que, diante de uma doença do corpo, buscassem a confissão e um bom médico espiritual para a saúde da sua alma, também exorto a pedir, em certas doenças da alma, além do médico espiritual, o conselho do médico do corpo.”
Também por meio desses 5 remédios se realiza a promessa humana e divina de Jesus: “Vocês ficarão tristes, mas sua tristeza se transformará em alegria”.

http://pt.aleteia.org/2015/09/22/5-remedios-de-sao-tomas-de-aquino-para-acabar-com-a-tristeza/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-09/23/2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

As palavras do coração



Do alto, do princípio da Divina Escritura teve início essa oração, e são os três corifeus, apóstolos do Senhor Jesus, que falaram as palavras da oração; refiro-me a Paulo, a João e a Pedro. 


Deles recebemos essas palavras como uma herança paterna; elas são oráculos divinos e revelações do Espírito Santo, vozes de Deus, pois nós cremos que as coisas ditas e escritas pelos divinos e pneumatóforos apóstolos são todas palavras de Cristo, que ele disse pela boca dos apóstolos. 

Assim como o Nosso Senhor no santo Evangelho fez essa promessa: que ele, o Filho, junto com o Pai e o Espírito Santo viriam morar em nós [cf. Jo 14,23], não somente nos apóstolos, mas também em cada cristão que observe seus mandamentos. 

Por isso, o diviníssimo Paulo, que foi considerado digno de subir ao terceiro céu [cf. 2Cor 12,2], disse ao Senhor Jesus: Ninguém pode dizer Senhor Jesus a não ser no Espírito Santo [cf. 1Cor 12,3]…

E o teólogo João, que com voz de trovão manifestou realidades espirituais e teológicas, assumiu isso com que Paulo termina, e dele fez o princípio dizendo: Todo o que confessa Jesus Cristo vindo na carne vem de Deus [Jo 4,2]…

E também Pedro, tomou o final e fê-lo tornar-se o início, isto é, o Cristo. Quando Nosso Senhor interrogou seus discípulos: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Pedro disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus [Mt 16,15-16], o que foi revelado pelo Deus e Pai do céu, como atesta Nosso Senhor no santo Evangelho [cf. Mt 16,17]. 

Medita como esses três santíssimos apóstolos de Cristo, nas palavras que dizem, estão ligados um ao outro como numa corrente. Um toma do outro as mesmas palavras, de modo que a palavra que o primeiro diz como última, o segundo fá-la tornar-se o princípio e assim o terceiro, e formam essa oração, pois Paulo diz: “Senhor Jesus”, João: “Jesus Cristo”, e Pedro: “Cristo Filho de Deus”; forma-se, assim, uma corrente admirável e o final que é “Filho de Deus”, se encontra com o início que é “Senhor”. 

Não há nenhuma diferença entre o dizer “Senhor” e “Filho de Deus”, pois as duas expressões mostram a divindade do Unigênito Filho de Deus … Desse modo, os bem-aventurados apóstolos nos transmitiram o uso de dizer no Espírito Santo e de confessar: “Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus”.

- Anônimo (Marcos Eugênico),
[Discurso admirável, vol. V, pp. 63-64].

A aflição espiritual

Se alguém cai em pecado e não se entristece na proporção à gravidade da queda, facilmente cairá na mesma rede.
Marcos o Asceta,
Sobre aqueles que se crêem justificados 215
Antes da aflição e das lágrimas – ninguém nos engane com palavras vãs (cf. Ef 5,6) e não nos enganemos a nós mesmos – não há conversão em nós nem verdadeiro arrependimento, nem temor de Deus em nossos corações, não nos acusamos, e nossa alma não tem consciência do julgamento futuro, nem dos tormentos eternos. De fato, se nos tivéssemos acusado e tivéssemos esse estado e nele vivêssemos, logo teríamos derramado lágrimas. Sem elas, a dureza de nosso coração não poderá nunca se enternecer e nossa alma jamais adquirirá a humildade espiritual, e nem conseguiremos jamais nos tornarmos humildes. E quem não se tornou assim não pode estar unido ao Espírito Santo. Quem não está unido a ele graças à purificação, não pode alcançar a contemplação e o conhecimento de Deus, nem é digno de secretamente ser introduzido nas virtudes da humildade.
Simeão o Novo Teólogo,
Capítulos práticos e teológicos 69
Mesmo que haja alguma lágrima, ainda não se trata de aflição espiritual; há grande distância entre lágrimas e aflição espiritual. As lágrimas provêm da conversão do modo de viver e da recordação das antigas quedas da alma, como o fogo e a água fervente que purificam o coração. A aflição espiritual vem do alto, do divino orvalho do Espírito para consolar e reanimar a alma que, cheia de fervor, foi mergulhada no abismo da humildade e recebeu a contemplação da luz inacessível e que, como Davi, grita a Deus com alegria: Passamos através do fogo e da água e nos fizeste sair para dar-nos descanso (Sl 65,12).
Nicetas Stéthatos,
Capítulos práticos 71
Nada melhor dá asas à alma no seu apaixonado amor por Deus e no seu amor pelos homens do que a humildade, a aflição espiritual e a oração pura. Uma, torna o espírito contrito, faz verter torrentes de lágrimas e, tendo diante dos olhos a brevidade da vida humana, ensina a reconhecer a fragilidade da própria medida; a outra, purifica a mente da matéria e ilumina o olho do coração, e torna luminosa toda a alma. A última, enfim, une a Deus o homem inteiro e, em sua conduta, o faz semelhante aos anjos, faz com que deguste a doçura dos bens eternos, doa-lhe os tesouros dos grandes mistérios e, inflamando-o de caridade, o persuade a buscar a coragem de dar sua vida pelos seus amigos (cf. Jo 15,13), como alguém que superou a pequenez do corpo.
Nicetas Stéthatos,
Capítulos naturais 41
É impossível abrir a fonte das lágrimas sem uma profundíssima humildade, nem ser humilde sem a aflição espiritual que nasce depois que o Espírito veio até nós. A humildade gera a aflição espiritual e a aflição espiritual gera a humildade por obra do Espírito Santo. Unidas uma à outra por uma única graça como por uma corrente, estão indissoluvelmente ligadas pelo Espírito.
Nicetas Stéthatos,
Capítulos naturais 46
Quem em si mesmo semeia lágrimas de aflição espiritual com vistas à justificação recolhe, como fruto de vida, uma alegria inefável, e quem busca e escuta o Senhor até que venham os frutos da sua justificação colhe a espiga carregada do conhecimento de Deus. A luz da sabedoria o iluminará e ele se tornará lâmpada de luz eterna para iluminar todos os homens. Não negará a si mesmo e ao próximo a luz da sabedoria escondendo-a sob o alqueire (cf. Mt 5,15) da inveja, mas na assembléia dos crentes dirá palavras boas (cf. Sl 44,1) para proveito de muitos e fará ressoar coisas escondidas desde o princípio (cf. Sl 78,2): as que ouviu do alto, fazendo-se eco do Espírito divino, as que conheceu dedicando-se à contemplação dos seres,  e aquelas que seus pais lhe narraram (cf. Sl 77,3).
Nicetas Stéthatos,
Capítulos gnósticos 54
Se compreendeste que é inerte em ti o impulso da energia das paixões e se, pela humildade, de teus olhos brota a aflição espiritual, saibas que chegou a ti o reino de Deus e que concebeste por obra dos Espírito Santo (cf. Mt 1,20).
Nicetas Stéthatos,
Capítulos gnósticos 58
João, que com seus discursos revelou-nos a escada espiritual, diz: “Sede e vigília afligem o coração, mas de um coração aflito saem lágrimas, e quem as experimentou nelas encontrará objeto de sorriso” (João Clímaco, Escada 6 – PG 88,796B), daquele sorriso feliz, consolado, como o Senhor prometeu (cf. Mt 5,4). E da pobreza do corpo, amiga de Deus, nasce a aflição espiritual que torna felizes e consola aqueles que a possuem.
Gregório Pálamas,
À monja Xênia, vol. IV, p. 108
Se ainda não foste digno do dom das lágrimas, luta e pede humildemente para adquiri-lo. Através das lágrimas, de fato, somos purificados das paixões e das sujeiras e nos tornamos partícipes das coisas boas e salvíficas, segundo as palavras de João Clímaco: “Como o fogo devora os caniços, assim também as lágrimas destroem toda sujeira visível e invisível” (João Clímaco, Escada 7 – PG 88,808B). E um outro pai: “Quem quiser matar os vícios mata-os com o pranto e quem quiser adquirir as virtudes as adquire com o pranto” (Abbá Poimen 119), E se não possuis a aflição espiritual, reconhece que és vaidoso; a vanglória não permite que a alma se aflija.
Calixto e Inácio Xanthopoulos,
Método 25

http://www.ecclesia.com.br/filocalia/?page_id=836

As lágrimas


A respeito das aflições segundo Deus, disse o Salvador: Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados [Mt 5,4]. 


E ainda, a respeito das lágrimas, Santo Isaac escreve: “As lágrimas na oração são um sinal da misericórdia de Deus de que a alma, mediante seu arrependimento, tornou-se digna e um sinal de que foi acolhida e, com as lágrimas, começou a entrar na planície da pureza. 

Mas, se não são afastados os pensamentos das coisas que passam, se não rejeitam por si mesmo a esperança desse mundo, se não começam a predispor um bom viático para o êxodo dele e na alma não começam a mover-se pensamentos de eternidade, os olhos não podem chorar. 

De fato, as lágrimas provêm da meditação pura e limpa de distrações, dos muitos pensamentos que se sucedem sem interrupção e sem oscilações” 
[Isaac de Nínive, Discursos 29].

- Calixto e Inácio Xantopoulos,
[Método 81].

domingo, 11 de outubro de 2015

12 ensinamentos para sua vida espiritual

Aprenda com a sabedoria dos santos
<a href="http://www.shutterstock.com/pic.mhtml?id=209293042&src=id" target="_blank" />Young man praying</a> © Dream Perfection / Shutterstock

1 – O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios: onipotência sem poder; embriaguez sem vinho e vida sem morte.
2 – Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado… Resignação para aceitar o que não pode ser mudado… E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.
3 – Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras.
4 – Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.
5 – Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.
6 – A cortesia é irmã da caridade, que apaga o ódio e fomenta o amor.
7 – Para pregar a Paz, primeiro você deve ter a Paz dentro de você. Senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz.
8 – Quem a tudo renuncia, tudo receberá.
9 – Não vos esforceis pelas honras do mundo, mas honrai o SENHOR.
10 – Tome cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único evangelho que as pessoas leiam.
11 – Comece a fazer o que é necessário, logo estarás fazendo o possível… e, perceberás que estarás fazendo o impossível…
12 – Quem ler e entender o Evangelho em Espírito e Verdade, encontrará nele Deus e o céu, os Anjos e o próprio paraíso, tudo a nos esperar, aguardando que façamos a nossa parte, para recebermos o prêmio da felicidade.

Opção preferencial pela Eucaristia

A liturgia não é um rito qualquer, mas a máxima expressão com que traduzimos toda a nossa fé no tão sublime sacramento da Eucaristia

O pontificado do Papa Bento XVI ficou marcado na história recente da Igreja por uma atenção especial à Sagrada Liturgia. Ao longo dos oito anos em que esteve no Trono de Pedro, vimo-lo não só reforçar as normas litúrgicas vigentes, como resgatar várias práticas antigas, que — por sua natureza e segundo a opinião de renomados liturgistas — contribuíam para uma melhor manifestação do mistério eucarístico e da "autêntica natureza da verdadeira Igreja", como pede o Concílio Vaticano II [1].
O Sacramento da Eucaristia, ensina a Santa Igreja, é a "fonte e o ápice" da vida cristã [2]. Nele se encontra a totalidade de Cristo — corpo, sangue, alma e divindade —, de modo que aquele que o recebe, acolhe no próprio ser a pessoa do Filho de Deus; torna-se, assim, um sacrário vivo. À medida em que os cristãos foram se conscientizando dessa realidade (e com o surgimento de heresias contrárias à doutrina da transubstanciação), a Igreja achou necessário enriquecer o culto eucarístico com gestos e símbolos que melhor reverenciassem a grandeza de tão excelso mistério.
Atualmente, essa visão tradicional sobre a Eucaristia e sua devida celebração não é mais aceita com muita facilidade. Por causa de uma mentalidade ecumenista, é comum encontrarmos certa timidez — senão mesmo ojeriza — a tudo o que possa ser interpretado como exagero ou triunfalismo. Pede-se, ao contrário, que a devoção à Eucaristia seja resumida ao essencial, a fim de evitar "uma errônea confusão entre o Cristo histórico, como dizem, que viveu na terra, o Cristo presente no augusto sacramento do altar, e o Cristo triunfante no céu e dispensador de graças" [3].
Fica evidente a falsidade de tal pensamento, quando se lhe confronta a verdadeira doutrina católica, para a qual o Cristo da Fé e o Jesus histórico são uma única e mesma pessoa, o Verbo de Deus encarnado: é o único "Filho de Maria virgem, que sofreu na cruz, que está presente e oculto na eucaristia, e que reina no céu" [4]. Longe de induzir a erros, como temem alguns, as devoções eucarísticas — procissões, bênçãos e adorações perpétuas — fortalecem a convicção católica de que Cristo, no sacrifício da cruz, venceu a morte e abriu novamente as portas do Céu a nós. Uma liturgia bem celebrada não se trata, pois, de atitude triunfalista ou exagerada, mas de expressão autêntica da alegria do Evangelho, da graça da salvação que chegou ao homem por meio da cruz.
Uma fórmula consagrada de Santo Tomás de Aquino justifica nossa posição: Quantum potes, tantum aude. Trata-se de uma expressão retirada de um dos mais belos hinos eucarísticos do Doutor Angélico e que significa "ousar tudo o que puder para tributar-lhe o louvor devido". A mensagem é clara. O fiel não pode ser tímido na hora de dedicar seu louvor ao Senhor. Deve, por assim dizer, fazer a boa obra da mulher do Evangelho, lavando os pés de Jesus "com perfume muito caro" e, depois, enxugando-os com os próprios cabelos (cf. Mt 26, 11). Ela muito amou.
Santos reverenciados por uma vida de austeridade e pobreza não economizaram na hora de adorar o Santíssimo Sacramento. Os biógrafos de São João Maria Vianney contam-nos que uma das primeiras atividades dele na aldeia de Ars foi reformar a igreja, tornando-a mais bela e ornamentada, de modo a indicar mais claramente a Majestade que nela habitava dentro do Sacrário. "Se os palácios dos reis são embelezados pela magnificência das entradas, com maior razão as das igrejas devem ser suntuosas… Não quero poupar nada para isso", defendia o santo pároco aos fiéis [5].
A mesma atitude encontra-se em São Francisco. O poverello de Assis, comumente conhecido pela sua dedicação aos pobres e pelo amor à criação, possuía um zelo pela Eucaristia quase inaudito nos dias de hoje. Eis o que suplicava aos clérigos e confrades:
"Eu vos rogo, mais do que por mim mesmo, que, quando for conveniente e virem que é oportuno, supliqueis humildemente aos clérigos, que devam venerar sobre todas as coisas o santíssimo corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e seus santos nomes e palavras escritas que consagram o corpo. Devem ter preciosos os cálices, corporais, ornamentos do altar e tudo que pertence ao sacrifício. E se em algum lugar estiver colocado pauperrimamente o santíssimo corpo do Senhor, que por eles seja posto em lugar precioso e fechado à chave, de acordo com o mandato da Igreja, e seja levado com grande veneração e administrado aos outros com discrição." 


(...) 


"Por isso, rogo a todos vós, irmãos, com o beijo dos pés e com a caridade que posso, que manifesteis toda reverência e toda honra, tanto quanto puderdes, ao santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo." [6]
A base de toda essa apologia à Eucaristia deve-se, entre outras razões de igual ou maior importância, a uma máxima bastante popular dentro da Igreja: a opção preferencial pelos pobres.Jesus Eucarístico é o Pobre dos pobres, que se desfaz de toda a sua dignidade ao assumir a aparência de uma frágil partícula de pão, pelo que se coloca aos cuidados do ser humano. De fato, aqueles santos só puderam cuidar dos mais necessitados porque, antes, cuidaram com paixão e fervor do maior de todos os necessitados. Segundo explica Dom Athanasius Schneider, a tutela dos direitos dos pobres torna-se "mais credível e meritória aos olhos de Deus" quando "acompanhada pela defesa atenta e amorosa de Jesus Eucarístico, na medida em que Ele é verdadeiramente, nos nossos dias, o pobre por excelência, o mais frágil e o mais indefeso no momento da distribuição da comunhão" [7].
Fica-nos claro agora por que Bento XVI, na esteira do que já havia pedido seus imediatos predecessores (Paulo VI, na Encíclica Mysterium Fidei, e João Paulo II, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia), deu tanta importância à Liturgia, chegando mesmo a sugerir uma reforma da reformalitúrgica. Com justa razão, ele compreendia a Eucaristia como "a escola da vida reta": "Com seus ensinamentos, ela nos leva para perto daquele que era o único que podia dizer 'eu sou o caminho, a verdade e a vida'" [8]. Ela está na origem de toda ação social, de toda compaixão e piedade. Atestam-nos os testemunhos de Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, São Pio de Pietrelcina e tantos outros santos. A verdadeira devoção externa à Eucaristia nasce precisamente de uma devoção interior, na qual o coração do fiel é deveras a mais bela das catedrais e o mais belo dos sacrários, conforme o que explica Jesus nas Sagradas Páginas: "A boca fala do que está cheio o coração" (cf. Mt 12, 34). Por isso, faz-se importante a restauração de alguns elementos de devoção eucarística, infelizmente, abandonados nos últimos anos.
É verdade que a expressão reforma da reforma litúrgica não é bem vista em alguns ambientes.Como em outras ocasiões, pretendemos ser muito claros neste assunto. A reforma litúrgica à qual aludimos é a mesma defendida pelo Cardeal Joseph Ratzinger no livro Introdução ao Espírito da Liturgia, obra, aliás, de suma importância para o Movimento Litúrgico.
Esse projeto impulsionado pelo então cardeal, longe de constituir um ataque ao Missal de Paulo VI ou ao Concílio, tem por objetivo proporcionar a autêntica renovação espiritual auspiciada pelos padres conciliares, a qual, por meio de interpretações equivocadas, foi, de muitas maneiras, sufocada [9]. Ora, condenar tal projeto a pretexto de uma ideia superficial de "que nada no Missal jamais poderá ser mudado, como se qualquer reflexão a respeito de possíveis reformas futuras fosse necessariamente um ataque ao Concílio — a uma tal ideia, respondeu Ratzinger a seus críticos, eu só poderia dar o nome de absurda" [11].
Antes de morrer, São João Paulo II deixou-nos um verdadeiro testamento espiritual com a EncíclicaEcclesia de Eucharistia, a derradeira de seu pontificado. Neste documento, o Santo Padre insiste que"não há perigo de exagerar no cuidado" que dedicamos à Eucaristia, "porque, 'neste sacramento, se condensa todo o mistério da nossa salvação'" [12]. Está na hora de levarmos a sério o Magistério deste grande santo de nossa época. A liturgia não é um rito qualquer, mas a máxima expressão com que traduzimos toda nossa fé no tão sublime sacramento da Eucaristia, omysterium salutis.
Por Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Concílio Vaticano II, Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (4 de dezembro de 1963), n. 2. Dentre os inúmeros artigos e livros a respeito da chamada reforma da reforma de Bento XVI, tem lugar de destaque o opúsculo de seu mestre de cerimônias, Monsenhor Guido Marini. No Brasil, a obra foi publicada pela editora Paulus, sob o título de Liturgia: mistério da salvação.
  2. XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Lineamenta: A Eucaristia: fonte e ápice da missão da Igreja (25 de fevereiro de 2004).
  3. Papa Pio XII, Carta Encíclica Mediator Dei (20 de novembro de 1947), n. 120.
  4. Idem.
  5. TROCHU, Francis. O Santo Cura d'Ars. 3. ed. Contagem: Editora Líttera Maciel Ltda., 1997, p. 128.
  6. Carta aos Custódios, 2-4 (FF, 241); Carta a toda a Ordem, 12 (FF, 217).
  7. SCHNEIDER, Athanasius. Corpus Christi: A Sagrada Comunhão e a Renovação da Igreja. São Paulo: Editora Imaculada, 2014, p. 109.
  8. RATZINGER, Joseph. Ser Cristão na era neopagã. Vol I: Discursos e homilias (1986-1999). 1a. ed. Campinas: Ecclesiae, 2014, p. 59.
  9. Papa Bento XVI, Discurso ao clero de Roma (14 de fevereiro de 2013): Agora quero acrescentar ainda um terceiro ponto: havia o Concílio dos Padres – o verdadeiro Concílio – mas havia também o Concílio dos meios de comunicação, que era quase um Concílio aparte. E o mundo captou o Concílio através deles, através dos mass-media. Portanto o Concílio, que chegou de forma imediata e eficiente ao povo, foi o dos meios de comunicação, não o dos Padres. E enquanto o Concílio dos Padres se realizava no âmbito da fé [...], o Concílio dos jornalistas, naturalmente, não se realizou no âmbito da fé, mas dentro das categorias dos meios de comunicação atuais, isto é, fora da fé, com uma hermenêutica diferente [...] E o mesmo se passava com a liturgia: não interessava a liturgia como ato da fé, mas como algo onde se fazem coisas compreensíveis, algo de atividade da comunidade, algo profano. E sabemos que havia uma tendência — invocava mesmo um fundamento na história — para se dizer: A sacralidade é uma coisa pagã, eventualmente do próprio Antigo Testamento. No Novo, conta apenas que Cristo morreu fora: fora das portas, isto é, no mundo profano. Portanto há que acabar com a sacralidade, o próprio culto deve ser profano: o culto não é culto, mas um ato do todo, da participação comum, e deste modo a participação vista como atividade. Estas traduções, banalizações da ideia do Concílio, foram virulentas na prática da aplicação da reforma litúrgica; nasceram numa visão do Concílio fora da sua chave própria de interpretação, da fé.
  10. Cardeal Joseph Ratzinger, "Réponse du Cardinal Ratzinger au Père Gy". in La Maison-Dieu 230.2 (2002) 113-20.
  11. João Paulo II, Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), n. 61.

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...