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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Vigilância e Oração


A cura de nossa mente doente começa com o sacrifício do nosso "homem velho", o corte das paixões, o arrependimento. Ao falar da cura da mente (nous), os Santos Padres colocam muita ênfase na prática da vigilância. Devemos em todos os momentos vigiar nossos pensamentos, de modo a rejeitar - para cortar - pensamentos pecaminosos e apaixonados. Quando um pensamento pecaminoso vem à nós e nós o extirpamos de uma só vez, não é um pecado. Mas quando nos entretemos em um pensamento pecaminoso, quando o estimamos e o desenvolvemos, porque nós somos atraídos à ele, então ele se torna pecado, então ele nos separa de Deus. Quando entretemos pensamentos cheios de paixão, a nossa mente torna-se escura, privada da luz da graça divina. Estes pensamentos levam a sentimentos apaixonados, e os sentimentos incendeiam mais pensamentos. Logo estamos presos em uma paixão, e a paixão se torna habitual. É por isso que devemos extirpar a doença onde começa, em nossos pensamentos.

Para cortar pensamentos pecaminosos, precisamos primeiro reconhecer tais pensamentos como nosso inimigo. Temos de perceber que eles podem nos separar de Deus. Por exemplo, quando temos um pensamento de ódio e julgamento contra nosso próximo, devemos reconhecer que entreter esse pensamento nos colocará em inimizade com Deus. Por isso, nos recusamos a entretê-lo. Nós apenas o deixamos ir. E se ele voltar uma hora mais tarde, ou mesmo (como muitas vezes acontece) alguns minutos depois, novamente devemos extirpá-lo.
Na Igreja Ortodoxa, temos um meio especial de cortar pensamentos: a Oração de Jesus. Os efeitos dessa oração são dois. Em primeiro lugar, a oração nos ajuda a cortar e afastar pensamentos cheios de paixão. E em segundo lugar, a oração nos ajuda a voltar continuamente à Cristo, nosso Salvador em todos os momentos. Quando praticamos a vigilância com a ajuda da Oração de Jesus, nós tornamos a nossa alma aberta para receber a Graça do Espírito Santo, que nos transforma e nos diviniza. Nós já não estamos repelindo Graça, mas atraíndo-a. Estamos convidando Cristo para ter misericórdia de nossas almas escuras, para habitar em nós mais plenamente, para encher-nos com a sua vida sem fim, com a luz do Espírito Santo, enviado do Pai. Assim, a nossa mente obscurecida é iluminada pela luz da Graça de Deus. "Somente o Espírito Santo pode purificar a mente", escreve Diádoco de Foticéia na Philokalia. "Em todos os sentidos, em especial através de paz da alma, devemos nos tornar uma habitação para o Espírito Santo. Então teremos a lâmpada do conhecimento espiritual queimando sempre dentro de nós."
Juntamente com a repetição da Oração de Jesus todos os dias durante nossas tarefas diárias, é importante dedicar alguns momentos do dia para a oração, isto é, à uma regra de oração. O conteúdo desta regra de oração varia com cada pessoa, e às vezes ele muda. É bom ter a bênção de um padre ou pai espiritual em sua regra de oração. A regra pode consistir em orações do Livro de Orações ortodoxo, ou a Oração de Jesus, ou ainda melhor, uma combinação destes. São Teófano, o Recluso observa que, enquanto estamos lendo orações a partir de um livro de orações ou repetindo a Oração de Jesus, pode acontecer de sermos movidos pelo desejo sincero de apenas ficarmos em silêncio diante de Deus. Ele recomenda que então paremos de ler ou recitar as orações em tais ocasiões, e em seguida, as retomemos um pouco mais tarde.
Ter um tempo reservado para a oração diária é uma parte indispensável da vida espiritual. Nas famílias deve haver oração em comum diariamente diante de seu altar, canto de oração ou ícone. Mesmo que apenas um pouco de tempo seja reservado para isso, ele pode fazer uma enorme diferença na vida de uma família. Mas para que isso faça a diferença, deve ser regular e não esporádico.
A chave para regras de oração é a constância. Se pularmos nossa regra de oração, nossas leituras bíblicas e as nossas leituras espirituais por um dia, veremos que o mundo já começa a nos invadir: o mundo das paixões, o mundo das distrações. Se ignorarmos nossas orações por dois dias, seremos invadidos ainda mais, e assim por diante. Conforme o tempo passa, teremos menos da mente de Cristo e mais da mente do mundo. Vamos nos encontrar mais e mais "conformados com este mundo".
Para crescer na vida espiritual e colher frutos, precisamos criar raízes, como na parábola do semeador de Cristo. E, a fim de criar raízes, precisamos ter constância, consistência, em nossa oração diária e leitura espiritual. Nesta prática, também, nós podemos "nos renovar dia a dia", como São João Crisóstomo diz.
A prática diária, contínua de vigilância e oração, é claro, não pode tomar o lugar dos sacramentos da Igreja. Mas esta prática pode nos preparar para receber os Sacramentos, e pode aprofundar a nossa experiência deles. São Simeão, o Novo Teólogo diz que receber a Sagrada Comunhão é em si uma espécie de deificação - porque estamos recebendo o Corpo deificado e Sangue de nosso Salvador. A prática de vigilância e oração, juntamente com o nosso arrependimento, pode ajudar-nos a participar desta deificação mais plenamente.

http://oracaodejesus.com/textos-vigilancia-e-oracao.html#a73b0c12c27cb215616226b5ee062701

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Lutar sempre - Desânimo na vida espiritual

Lutar sempre

Labora sicut bonus miles Christi (II Tim 2,3)
Trabalha como um bom soldado de Cristo

Os combates pelo amor são longos e por vezes difíceis, e toda alma, por pouco generosa que seja, verifica em si mesma, em dados momentos, um movimento de depressão que se chamadesânimo.

Essa depressão nasce insensivelmente da acumulação de contratempos e reveses sucessivos. A alma sente-se abatida, depois, de repente, um acidente qualquer, uma pequena indisposição, uma fadiga corporal, uma palavra de repreensão, uma falta de atenção sobrevêm a nosso respeito e a alma desanima.

Então tudo se torna pesado. A conversação espiritual é insípida, os livros que de ordinário a estimulavam perdem o sabor, os exercícios espirituais tornam-se um ônus intolerável. Nada a encoraja, tudo a aborrece e a desgosta.

 
A vida espiritual parece uma ilusão; atingir-lhe o cimo, uma impossibilidadeE ela senta-se tristemente a meia encosta sem forças para as alturas. Eis, por certo, um sério obstáculo, que impede por vezes o caminho às almas mais resolutas. Importa procurar as causas do desânimo e os meios de frustrar-lhes a influência paralisante.

Antes de tudo, o que deve consolar-te, alma piedosa, é não seres tu a única, sujeita a essas depressões passageiras. As melhores almas sofrem por vezes desse mal... Jesus, em sua infinita sabedoria, permite de bom grado que as almas mais dispostas sintam algumas vezes sua impotência pessoal.
Aliás “não é extraordinário, como diz São Francisco de Sales, que a miséria se sinta por vezes miserável”. 

Não é de estranhar que a natureza se canse e não queira mais avançar. Não é de admirar que o nosso corpo, como o asno de Balaão, recuse às vezes, seus serviços e, insensível aos golpes, se deixe abater antes que nos conduzir.
A razão dessa canseira é quase sempre uma série de exercícios espirituais e trabalhos exteriores por demais longa. É preciso que tudo se faça com medida e não exigir do corpo e do espírito senão o que eles podem razoavelmente dar. É preciso, pois, repousar, confortar-se a tempo, e depois dizer com nova energia: 

Vamos! Ainda um pouco de tempo, o cimo já não está tão longe, Deus ajudará. Para frente!

Os sentidos do homem são inclinados, desde tenra idade, para o sensível e fascinados pelos objetos exteriores. A razão não conhece a existência de Deus, senão por um trabalho de educação. Tudo que ele sabe do mundo sobrenatural sabe-o por ouvir dizer!
E esse ser tão ínfimo, tão ignorante e tão inclinado para o mal, que somos nós, quer aspirar, por um esforço contínuo, a tornar-se amante apaixonado de uma beleza superior. Quer esgotar, para atingir esse ideal, todas as forças de sua alma e de seu corpo, e a cada inspiração, e a cada inspiração, a cada apelo apenas perceptível, de uma graça invisível, quer elevar-se ainda mais alto.
Esse homem fraco, feito de sangue e de pó, propõe-se renunciar a todas as aspirações animais, modificar-se, contradizer-se, corrigir seu raciocínio e seu coração, não uma vez por acaso, mas sempre, e isso sob a influência de um agente misterioso que ele não vê e no qual crê e cujo socorro implora.


Oh! Não, uma vida tão heróica só pode ser levada graças a uma luta incessante.
Como é belo ver esse homem, exposto a todas as seduções, a todos os ataques do mundo e do inferno, a todas as conivências íntimas, voltar-se para Deus, impertubavelmente, apesar de suas fraquezas!

Também a santidade não exclui a luta, ela a supõe e a exige. A perfeição na terra não é o repouso nem o prazer. Não é um estado fixo. É uma ascensão para Deus, uma continuidade de esforços, uma tendência incessante para aproximar-se do ideal sobrenatural: Ad ea quae priora sunt extendens meipsum (Filip 3,13). Toda santidade no mundo é relativa; pode e deve aumentar continuamente. 

Quanto mais a alma se une a Deus, e afunda-se na sua infinidade, tanto mais os espaços se estendem e os horizontes se ampliam. É o infinito a atravessar.

Afasta, pois, de teu espírito essa falsa idéia de que aqui na terra encontrarás repouso. Não estás no mundo para gozar de Deus, mas para amá-Lo no trabalho, no sofrimento e na luta.

E se há luta, haverá quedas algumas vezes... o soldado que combate valorosamente expõe-se a golpes e ferimentos, porém suas cicatrizes são para ele títulos de glóriaMuitos há que não distinguem, na vida espiritual, a parte que lhes pertence e a que pertence a Deus. 

... A deles consiste, antes de tudo, em amar a Deus, esforçar-se por pertencer-lhe, pedir-lhe mais amor, e, em seguida, em levantar-se sempre com simplicidade após suas faltas, e purificar-se no sangue de Jesus.
 
Quanto ao mais, tudo é obra do Mestre. Enquanto a alma luta e geme pelas suas faltas e lamenta-se por não saber amar a Deus, esse Deus invisivelmente, enriquece-a com graças, orna-a de virtudes, cava nela a humildade e a paciência e une-se-lhe por tantas cadeias quantas ela faz de atos de amor e contrição.

E esse trabalho a dois prossegue até ao último instante da vida. A alma não viu senão faltas, e, com efeito, ela recaiu muitas vezes, e Deus não quis contar senão os atos de amor.
...Alma de boa vontade, não te aflijas, pois, por tuas faltas. Pede sempre perdão a Jesus e recomeça, sem te cansar, tua vida de amor.

Bem vês, o indispensável é amar, amar sempre. O amor dar-te-á constância na luta, como te dará a compunção e o espírito de oração. 

- O amor te ensinará a purificar tua vontade pelo desapego, disciplinar tua liberdade pela obediência, desembaraçar tua inteligência dos pensamentos inúteis.
- O amor te excitará à reflexão, retificará teu raciocínio pela humildade, dirigirá tua imaginação e acalmará tuas paixões.
- O amor reprimirá teus sentidos na pureza, desprenderá tua alma de todos os bens terrestres.
- O amor te conduzirá à intimidade de Jesus, revelando-te o mistério de sua paixão, de sua vida eucarística, de sua vida mística, que continua em ti.
- O amor te ensinará, enfim, a desapegar-te de ti mesmo para seres um com Jesus, viver Dele, agir com Ele, sofrer com Ele, e continuar, por Ele, a obra da redenção.

Assim, tudo começa, aperfeiçoa-se e acaba no amor.
Ó minha alma!...renova a Jesus a resolução de ser constante no amor.
Se o cansaço, o desânimo ou a desconfiança buscam invadir-te, olharás para o céu.

Jesus lá está e cuida de ti. Ninguém te arrancará de suas divinas mãosEle é o Amigo fiel, que começou e terminará a obra de tua santificação. Terminá-la-á não obstante as dificuldades exteriores e interiores, contanto que tenhas confiança Nele e que o deixes agir em tua alma.

Ama-O muito. Repete constantemente que o amas. Pede-Lhe sempre mais graças, mais luzes, mais força. Volve a Ele sem jamais te cansar. Tua santidade estará garantida.
(Excertos do livro: O Divino Amigo – Pe. Schrijvers)

Fonte
Retirado do blog: http://osegredodorosario.blogspot.com.br/

São Domingo de Gusmão

O 1º Apóstolo do Rosário da Virgem Maria

“...antes que no seio fosses formado, eu já te conheci; antes de teu nascimento eu já te havia consagrado, e te havia designado Profeta das Nações (Jer. 1, 5)”.

Sua vida!

Na noite de 24 de junho do ano de 1170, na pequena cidade de Caleruega, em Castela, Província de Burgos na Espanha, nascia Domingos, o filho caçula do Conde, Dom Félix de Gusmão e Dona Joana D’Aza. Antes de nascer, sua mãe, profundamente religiosa, teve um sonho misterioso: viu um cão que trazia na boca uma tocha acesa que irradiava uma grande luz sobre o mundo (assim como o cão é fiel ao dono, São Domingos seria fiel a Deus, e com a tocha acesa, incendiou o mundo no amor de Deus).
Na Pia Batismal recebe o nome de Domingos, em homenagem ao Santo Abade Domingos de Silos. Ainda pequeno, porém, já em idade escolar, foi confiado aos cuidados de um tio padre que lhe ensinou as matérias elementares, além das funções litúrgicas e pastorais.
Quando completa 15 anos, aluga um quarto de pensão na cidade de Valência, e lá, dedica-se integralmente aos estudos na célebre Universidade de Valência. Destaca-se nas ciências liberais, cujo programa era a gramática, dialética, lógica, retórica, aritmética, música, geometria e astronomia. Cursou também filosofia, teologia e assim, obedecendo às aspirações de seu coração e ao chamado de Deus, tornou-se sacerdote.
Como sacerdote acompanhou o Bispo de Osma e, na viagem, pôde sentir de perto o problema religioso do sul da França e de outras regiões européias, infestadas por grupos religiosos, fanáticos e subversivos. Domingos decidiu permanecer no sul da França, dedicando-se junto com alguns sacerdotes, na simplicidade e na pobreza, ao ensinamento da Doutrina Cristã.
Deste grupo de pregadores surgiu a Ordem dos Pregadores ou Dominicanos, cujas características fundamentais eram: a espiritualidade sacerdotal com profunda formação teológica; o devotamento a Igreja, as almas, ao culto da verdade; a vida comunitária como meio ascético de santificação para maior desempenho da vida e ação sacerdotal; a espiritualidade apostólica, sobretudo na pregação.
Domingos era apaixonado pela música, e disto fez uso muitas vezes durante sua vida. No entanto, a grande alegria do jovem Pe. Domingos era caminhar por estradas, bosques e montes, cantando a “Salva Rainha”, meio pelo qual não cessava de louvar e enaltecer a Mãe do Filho de Deus, cantando-lhe as maravilhas dentro de uma poesia rica de lirismo e sentimento, muito próprio de sua época.
Nossa Santo reconhecia o valor dos que se enclausuravam, mas sabia que era também preciso agir, falar, fazer algo para que o Evangelho fosse anunciado. Assim, ele compreendeu a contemplação como meio principal pelo qual se formaria o missionário, o apostolo, através da oração, do estudo e da reflexão. É como se o dominicano fosse um vasilhame que colheu água da fonte para que os outros pudessem depois bebê-la. Por isso é que a Ordem tem por lema: “Dar aos outros o fruto da nossa contemplação”.

São Domingos e o Santo Rosário

Domingos de Gusmão, por meio de suas ardorosas pregações, tentou durante longos anos trazer de volta a Igreja todos aqueles que tinham se desviado da verdade do Evangelho. Porém, os eloqüentes sermões de São Domingos não conseguiam penetrar naqueles corações endurecidos e entregues a muitos vícios.
Domingos intensificou suas orações, aumentou suas penitências, porém pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram raras e de efêmera duração. Vários, por pressão do ambiente, voltavam às práticas de seus erros.
Certo dia, São Domingos saiu de seu convento em Toulouse, no sul da França, decidido a obter de Deus as respostas para tantos fracassos. Entrou na floresta e entregou-se a oração e a penitência, disposto a não sair dali sem as devidas respostas.
Era ele muito devoto de Maria Santíssima e suas preces subiram até o trono do Altíssimo pelas mãos virginais da Mãe de Deus. Após três dias e três noites de incessante oração, quando as forças físicas já quase o abandonavam, apareceu-lhe a Virgem Maria, manifestando seu afeto maternal e sua grande predileção.
- Meu querido Domingos – disse-lhe Nossa Senhora com inefável suavidade – sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para transformar o mundo?
- Senhora – respondeu São Domingos – vós sabeis melhor do que eu, porque depois de Vosso Filho Jesus Cristo, fostes vós o principal instrumento de nossa salvação.
- Eu te digo, então – continuou Maria Santíssima – que o instrumento mais importante foi à saudação angélica, ou a Ave Maria, que é o fundamento do Novo Testamento e portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza e propaga o meu Saltério (Minha Coroa de Rosas) .
São Domingos saiu dali com novo ânimo e imediatamente se dirigiu a Catedral de Toulouse para fazer uma pregação. Assim que Domingos começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e uma terrível tempestade abateu-se sobre a cidade.
São Domingos implorou a misericórdia de Deus e a proteção de Maria Santíssima, e por fim a tempestade acalmou, permitindo-lhe que falasse com toda a alma e todo o coração sobre as maravilhas do Rosário.
Os habitantes de Toulouse arrependeram-se de seus pecados, abandonaram seus erros e começaram a rezar o Rosário. Grande foi a mudança dos costumes na cidade.
Domingos tornou-se o Grande Apóstolo do rosário, e por meio do Rosário, Maria foi a verdadeira vencedora, pois ela reconduziu à fé católica todo aquele povo, salvando a França.
Foi São Domingos que compôs o cordão com as continhas, nas quais se rezavam Pais-Nossos e Ave-Marias, que são as orações evangélicas.
Encontrou-se com Francisco de Assis em Roma, quando ambos foram ao Papa pedir aprovação de suas ordens recém fundadas.
Domingos caminhou incansavelmente por toda a Europa, a pé, pregando a Evangelho, anunciando o Reino e propagando o Rosário.
São Domingos entregou sua Santa Vida ao Senhor no dia 06 de agosto de 1221, com a idade de 51 anos. No ano de 1234 foi canonizado pelo Papa Gragório IX. 

Oremos

Ó São Domingos, zeloso pregador do Evangelho, que sempre foste sensível diante das misérias alheias, estende até nós as promessas que fizeste aos que choravam a tua derradeira partida, de ajudar-nos lá dos céus com tuas preces.
Ó Deus, que fizestes resplandecer a Vossa Igreja com a obra da pregação de vosso servo São Domingos, concedeis a todos os homens os bens necessários para viveram dignamente, mas sobretudo, abundância de bens espirituais.

Amém
Paz e Bem!

http://marcioreiser.blogspot.com.br/2008/08/so-domingos-de-gusmo-08-de-agosto-o-1.html

sábado, 30 de julho de 2016

Fora do coração

"A maioria de nós vive fora do coração e nossa mente permanece em um constante estado de confusão. Alguns bons pensamentos podem vir à tona de vez em quando, mas a maioria será prejudicial, e esta condição destrutiva irá prevalecer durante o tempo que continuarmos a ignorar nosso coração... As orações de uma mente fragmentada não têm nem clareza nem profundidade, mas uma mente reunida com o coração transborda de oração humilde e tem tal força que chega aos ouvidos do Senhor de Sabaoth."

-- Arquimandrita Zacharias de Essex

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Grandes forças

" A minha alma ganhou grandes forças da Divina Majestade, que deve ter ouvido minhas súplicas e ter-se condoído por tantas lágrimas. Aumentou em mim a vontade de ficar mais tempo com Ele; passei a fugir das ocasiões de pecado porque, livre delas, logo voltava a amar Sua Majestade. Eu bem sabia que O amava,mas não compreendia, como iria entender, o que é amá-Lo verdadeiramente".

Santa Teresa de Jesus

Reduzir sua paixão

No Monte Athos havia um monge que vivia em Karyes. Ele bebia e ficava bêbado todos os dias e era causa de escândalo para os peregrinos. Eventualmente ele morreu e isso aliviou um pouco os fiéis, que disseram a Elder Paisios que eles estavam muito aliviados porque este enorme problema tinha sido finalmente resolvido.
Elder Paisios lhes respondeu que ele soube sobre a morte do monge, depois de ver as hostes de anjos que vieram recolher sua alma. Os peregrinos ficaram surpresos e alguns protestaram e tentaram explicar à Elder Paisios exatamente sobre quem eles estavam falando, pensando que ele não havia entendido.
Elder Paisios explicou-lhes: Este monge especial nasceu na Ásia Menor, pouco antes da destruição pelos turcos quando eles reuniram juntos todos os meninos. Então, para não tirá-lo de seus pais, eles o levavam com eles para a colheita, e para ele não ficar chorando, eles colocavam raki (uma bebida alcoólica) em seu leite, para que ele dormisse. Portanto, ele cresceu como um alcoólatra. Lá ele encontrou um ancião e disse-lhe que ele era um alcoólatra. O ancião lhe disse para fazer prostrações e orações todas as noites e implorar a Panagia (A Mãe de Deus) para ajudá-lo a reduzir em um, os copos que ele bebia.
Depois de um ano ele conseguiu com luta e arrependimento reduzir os 20 copos que ele bebia para 19 copos. A luta continuou ao longo dos anos e ele conseguiu reduzir para 2-3 copos, com os quais ele ainda ficava bêbado. O mundo por anos viu um monge alcoólatra que escandalizou os peregrinos, mas Deus viu um lutador que lutou uma longa batalha para reduzir a sua paixão.

https://www.facebook.com/A.Oracao.do.Coracao/?notif_t=notify_me_page&notif_id=1469563528436235

Mudança interior

"Você sabe, é claro, que o seu único propósito no momento é mudar a si mesmo interiormente. E assim, o que corresponde a essas mudanças internas e obedecendo o impulso que vem delas, as coisas externas devem ser mudadas também."

São Teófano, o Eremita

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Itinerário para a unidade interior

O primeiro degrau do homem interior, do homem novo, como diz Santo Agostinho, é aquele em que ele procura viver à imitação de homens bons e santos, mas ainda anda segurando-se nas cadeiras ou nas paredes e ainda se nutre de leite. 

O segundo degrau é aquele em que ele não fixa os olhos unicamente nos modelos exteriores ou ainda em homens bons, mas corre a buscar agora, pressuroso, os ensinamentos e os conselhos de Deus e da Sabedoria Divina. Ele vira as costas aos homens e volta o rosto para Deus, abandona o colo da mãe e sorri para seu Pai Celeste. 

No terceiro degrau, o homem se livra cada vez mais da influência da mãe e se afasta cada vez mais do seio materno, escapa à solicitude e rejeita qualquer temor. Se tivesse possibilidade de fazer o mal ou prejudicar alguém, mesmo sem sofrer nenhum dano da parte do ofendido, nem assim teria vontade de fazê-lo. Com efeito, pelo Amor ele está ligado e confiado a Deus num zelo constante de tal forma que Deus o colocou e estabeleceu na alegria e na doçura, e neste estado lhe repugna tudo o que é dissemelhante e estanho, tudo que não convém a Deus. 

No quarto degrau, o homem cresce cada vez mais e se aprofunda no amor de Deus, a ponto de estar sempre pronto a assumir, de boa vontade e de bom coração, avidamente e com alegria, todos os tipos de tribulações e de provas, de contrariedades e de penas. 

No quinto degrau, o homem vive em toda parte e espontaneamente na paz, calma e tranquila, na riqueza e no gozo da suprema e indizível Sabedoria. 

No sexto degrau, o homem é despojado de si mesmo e revestido da eternidade de Deus, chegando à perfeição completa. Ele esqueceu a vida temporal com tudo que ela tem de perecível; foi arrebatado e transformado numa imagem divina, tomando-se um filho de Deus. Degrau ulterior e mais elevado não há. Aqui ele atingiu o repouso eterno, a bem-aventurança, porque o fim último do homem interior, do homem novo, é a Vida eterna. 

Mestre Eckart, Místico Dominicano do séc. XIV

A misericórdia de Deus

"Somente a misericórdia e o amor infinito de Deus evitaram que nós nos tivéssemos dilacerado mutuamente e tivéssemos destruído toda sua criação há muito tempo. Muitos pensam que as muitas guerras são de certa forma um prova de que não existe um Deus de misericórdia. Pelo contrário, considere-se como, apesar dos séculos de pecado, ganância, luxúria, crueldade, ódio, avareza, opressão e injustiça, engendrados e reproduzidos pela livre vontade das pessoas, a raça humana consegue recuperar-se cada vez e ainda produzir homens e mulheres que vencem o mal com o bem, o ódio com o amor, a ganância com a caridade, a luxúria e a crueldade com a santidade. Como seria isso possível sem que o amor misericordioso de Deus derramasse sua graça sobre nós? Pode haver alguma dúvida sobre a procedência das guerras e da paz, quando os filhos deste mundo, excluindo Deus de suas conferências de paz, produzem guerras sempre maiores enquanto vão falando de paz?

Basta abrir os olhos e dirigi-los ao nosso redor para vermos o que os nossos pecados estão fazendo ao mundo e já fizeram. Mas não conseguimos enxergar. Somos aqueles de quem disse o profeta Isaías: “Ouvireis com os ouvidos e não compreendereis, olhareis com os olhos e não enxergareis”.

The Seven Storey Mountain, de Thomas Merton
(Harcourt, Brace, New York), 1948

http://reflexoes-merton.blogspot.com.br/2013/03/a-misericordia-de-deus.html

Oração, fonte de espiritualidade



Ao longo dos números de 2012 estamos tentando refletir sobre as fontes da vida espiritual. No número precedente fizemos uma longa reflexão a respeito da oração. Precisamos ainda nos debruçar sobre o tema da conversão e do seguimento de Cristo entre os outros. Continuamos, neste número, a tecer algumas considerações ainda sobre o tema da oração. Desejamos transcrever aqui, nesta leitura espiritual, alguns testemunhos sobre a difícil e belíssima aventura da oração.

1. Começamos com um pensamento do cardeal Martini, antigo arcebispo de Milão e incentivador de grupos seletos de Leitura Orante da Bíblia em sua diocese: “A oração é, antes de tudo, resposta à Palavra de Deus que, por primeiro me interpela e me atinge em minha fraqueza, mas também no meu silêncio e na minha capacidade de escuta. A oração é deixar-se acolher pelo mistério santo indo pelo Cristo, no Espírito, rumo ao Pai. Mais do que rezar a um Deus estranho e longínquo, o cristão reza em Deus, reza escondido com Cristo na Trindade, fonte e germe de vida. Então, quando rezares, antes de pensar que és tu que amas a Deus, deixa-te amar por ele, docilmente, cegamente, abandonando-te totalmente a ele, tudo lhe confiando, num espírito de louvor e de ação de graças. Comigo, pergunta a ti mesmo: será que eu encontro momentos em que me coloco face a face com Deus, ouvindo-o e abrindo-me a ele? (Carta Pastoral de 1996). Rezar é deixar-se acolher pelo Mistério. Onde? Na vida, de modo especial na ruminação dos salmos, na meditação antes da aurora explodir, nos dias de retiro que sejam efetivamente de retiro, na tentativa de instaurar grupos sólidos de leitura orante da Palavra.


2. Na linha da escuta da Palavra e oração, um pensamento do Ministro Geral dos Frades Menores: “Se rezar é entrar em relação pessoal com Deus, escutá-lo, far-lhe-a agir segundo Deus na Escritura, o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala. Se rezar é responder a Deus depois de tê-lo escutado, na proclamação ou leitura da Palavra o escutamos e lhe respondemos quando devolvemos a Deus a palavra que ele mesmo nos entregou. Se rezar é fazer a experiência de encontro com o Senhor, toda a Sagrada Escritura é uma história de encontros: a grande epopeia do encontro de Deus com os homens e do homem com Deus” (Fr. José Rodriguez Carballo, OFM. Guiados pela Palavra/ Mendicantes de Sentido, n. 12). Ora, o discípulo que ama o Senhor vive na frequência e na persistência desses encontros suculentos com a Palavra no mistério da oração. E na oração responde aos sinais amorosos do Esposo.


3. No dia a dia da vida, o homem não está espontaneamente em consonância com o Senhor. A vida interior cristã é muito mais do que um fenômeno psicológico, de experiência ou contágio de massa, uma exacerbação nervosa da voz e dos gestos. A compreensão definitiva da oração vem da frase lapidar de Paulo aos Gálatas: “Deus enviou aos nossos corações o espírito de seu Filho, que clama: ‘Abba! Pai’ (Gl 4,6)”. Para entrar e perseverar na vida de oração temos que ter a convicção de sermos habitados pelo Espírito que clama, murmura, inspira, respira, intercede e adora no coração humano. A oração é tarefa do Espírito que habita em nós e no coração da Igreja. Michel Hubaut, refletindo sobre a oração de São Francisco, assim escreve: “O Espírito Santo ocupa um lugar importante nos escritos de São Francisco que falam com frequência das “visitas” do Senhor” e da “inspiração” de Deus. Para ele, a vida de oração não é em primeiro lugar alguma coisa que faço, mas uma presença que recebo. Presença que é mais poderosa do que nossos pobres esforços ou sentimentos humanos, que não depende da riqueza de nosso vocabulário nem de nossas formas de viver. As biografias de Francisco estão pontilhadas de expressões chaves como as seguintes: “Movido e fortalecido pelo Espírito”, “no fervor do Espírito”. O segredo da fecundidade de sua vida apostólica e contemplativa é, sem dúvida alguma, sua disponibilidade à ação do Espírito em seu interior. Boaventura escreve: “Toda sua vida interior foi hospitalidade total ao Espírito, uma perfeita docilidade a seus ensinamentos” (cf. Michel Hubaut, El camino franciscano, Estella (Navarra), 1984, p. 54).


4. Sim, não se trata de praticar uma oração mecânica, formal, legalista. Homens e mulheres que vivem no mundo, religiosos contemplativos, consagrados preocupados com a evangelização, entramos na movimento do Espírito. Simples, sinceros, fraternos vivemos em comunidades ou fraternidades e vamos nos esvaziando de nós mesmos e deixando de lado acertos que mais são desacertos e esperamos juntos, na humildade e na confiança, que o Espírito que vive em nós possa nos apontar para o amanha da paróquia, da vida consagrada da Igreja. O Espírito Santo abriu os horizontes de Francisco para um porvir imprevisto. Desperta-se em Francisco uma faculdade interior e ele descobre: o homem está dotado de um sentido interior que ele chama de coração. Se custa ao homem entrar em relação com Deus é porque perdeu o sentido do coração. Francisco encontrou um caminho novo em que o Espírito se une ao nosso espírito.


5. Já insistimos na questão do desejo. Sem desejo de Deus não há oração. Santo Agostinho já dizia: “Um desejo que clama por Deus já é oração. Se queres rezar sempre, nunca deixes de desejar”. Não há dúvida. Cada um organizará sua vida de oração comunitária e pessoal. Temos que consagrar tempo à oração: leitura de um breve texto bíblico, repetição muito singela de palavras que dirigimos ao Senhor que nos ama e nos vê, manter-nos em silêncio num canto, deixando que nosso corpo expresse sua espera por Deus e por sua visita. Há, é claro, esses momentos longos e demorados de aridez e de desgosto na oração: “O tempo que consagro à oração não é tempo que experimento proximidade especial de Deus. Nem consigo fixar minha atenção nos mistérios divinos. Quem dera que assim o fosse! Pelo contrário, os momentos que reservo para a oração estão cheios de distrações, inquietude interior, sonhos, confusão e enfado. Raramente vejo meus sentidos gratificados. Mas o simples fato de me colocar na presença do Senhor e mostrar-lhe tudo o que sinto, percebo e experimento, sem nada esconder, que devo agradar a Deus. No meio de tudo isso, sei que ele me ama mesmo que eu não sinta seu abraço como um abraço humano e não ouça sua voz como ouço uma voz humana” (Henry Nouwen). Vivemos a cultura do entretenimento. Quando não fazemos nada temos a impressão de viver tempos vazios. Por isso fugimos desse “tempo perdido” que para muitos é o tempo da oração. Expressar a Deus nossa espera por ele com palavras simples e mesmo com silêncio pode dar a impressão de ser tempo perdido. Nesses instantes estamos dando tempo ao Senhor para que ele transpareça na trama dos acontecimentos. Sem o que somos seres banais. Sem o que, como cristãos ou religiosos, simplesmente fazemos rodar a máquina fria da organização. Vidas sem alma.


6. O ser humano não foi feito para a mediocridade. Ele é chamado a transcender-se. Não pode perder-se numa horizontalidade de posse ou da satisfação imediata de seus desejos no âmbito do que vai conseguindo obter e ter. Foi escolhido para ruminar no coração a semente da Palavra que aí foi lançada. O orante é aquele que se aplica com zelo à leitura amorosa da Escritura. Os que permanecem na palavra dizem palavras boas, têm um coração bom. Desta forma, vive uma vida em abundância, que vai da ação de graças à súplica até a contemplação. Os cristãos que rezam de verdade atingem maturidade. São seres unificados pelo Espírito. Thomas Merton: “A contemplação é uma compreensão profunda do fato de que, em nós, a vida e o ser procedem de uma Fonte invisível, transcendente e ilimitadamente abundante. A contemplação consiste em ter consciência dessa Fonte… É ser tocado por aquele que não tem mãos, mas é Realidade pura e fonte de tudo o que é real”. Os corações humildes e pequenos ouvem a Palavra e são capazes de alojá-la no mais íntimo de suas vidas, no dia a dia de suas existências e na perseverança àquele que é ontem, hoje e amanhã.


7. Encerro estas reflexões transcrevendo linhas de advertência do Ministro Geral dos OFM sobre a vida de oração: “Penso que seja indispensável avaliar o âmbito (tempo e modalidade) da oração mental no projeto de vida pessoal e fraterna. A fidelidade aos horários e a perseverança são indispensáveis para a vida de oração. Considero também fundamental avaliar com seriedade nossa prática sacramental – Eucaristia e Reconciliação – como também a qualidade e até a frequência de nossas celebrações eucarísticas e a fidelidade à celebração da Liturgia das Horas, conscientes da diferença que existe entre dizer o Ofício divino e celebrar a Liturgia das Horas. Como a vida fraterna, também a vida de oração precisa ser submetida a uma regular avaliação. Seu crescimento depende de uma crítica construtiva: tempo, ritmo, sentido do sagrado. Trata-se de fundamentar o projeto franciscano no tempo de Deus e de convertê-lo numa experiência orante” (Com lucidez e audácia, n. 28)



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Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

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