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segunda-feira, 18 de julho de 2016

DIFERENÇA ENTRE SOLITUDE E SOLIDÃO

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Há uma palavra muito usada por Thomas Merton em suas obras, cuja tradução para o português é na verdade uma “traição”, pois encobre seu verdadeiro sentido. Trata-se da palavra solitude, traduzida invariavelmente por solidão em nosso país.


Por exemplo, o livro de Merton em inglês “Thoughts in Solitude” seria em Português “Pensamentos em Solitude”, porém foi traduzido como “Na Liberdade da Solidão”, e praticamente todas as vezes que aparece a palavra solidão no livro em português, a referência em inglês é solitude.


Qual é a diferença então entre solidão e solitude?


Essa pergunta foi feita num comentário a uma postagem nesta página e obteve a resposta da amiga Danielle Neroni, que citou uma frase muito esclarecedora de Paul Tillich, teólogo alemão:


“A linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho.” (Tillich)


Para Thomas Merton, somente a solitude permite experimentar a alegria do silêncio, do mergulho em si mesmo e do encontro com a Natureza e com Deus na contemplação. Trata-se portanto de uma palavra que, longe de expressar isolamento, nos remete ao Encontro.


Por isso, há tantas diferenças entre as palavras solitude e solidão quantas há entre silêncio e ruído, plenitude e vazio, alegria e tristeza, serenidade e ansiedade, etc.


O Professor Felipe de Souza* encontrou a citação de Paul Tillich no livro “The Eternal Now” (O eterno agora) e comparou as duas palavras em português, inglês e alemão:


[“A linguagem (…) criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho.” Em inglês: “Language… has created the word ‘loneliness’ to express the pain of being alone. And it has created the word ‘solitude’ to express the glory of being alone”.


Etimologicamente, em português, tanto solidão quanto solitude vêm do latim ‘solitudine’. No nosso cotidiano, passamos a usar sempre a palavra solidão e vemos muito pouco o uso da palavra solitude. Em inglês, a diferença entre solidão (loneliness) e solitude destaca melhor o conceito que Tillich está procurando descrever. Em alemão, igual diferença está presente nas palavras ‘Einsamkeit’ (solidão – loneliness) e ‘Alleinsein’ (literalmente, ser sozinho, solitude).”]


Mantra - Espirito Santo

sábado, 16 de julho de 2016

Espiritualidade das pequenas coisas: um modo de viver a fé no cotidiano

São nos pequenos feitos que nos alimentamos da espiritualidade e descobrimos o sentido de viver.

"Estava dormindo, porém meu coração se despertou,
foi a voz do meu amado chamando-o,
o Senhor, bendito seja Ele, dizendo: Abre-me uma abertura,
não seja ela maior do que o buraco de uma agulha,
e eu te abrirei as portas celestiais" - Sêfer haZohar - Livro do Esplendor.

Por Marcelo Silva*
Espiritualidade: abrindo a porta do desejo de saber sobre ela
Quando nós pensamos em espiritualidade do que estamos falando? O que vem a ser espiritualidade? Ao mesmo tempo em que está na boca de tantos, ela parece tão distante das atitudes e do cotidiano. Por que ela é tão importante hoje, na contemporaneidade?
Essas e outras perguntas nos apontam para a necessidade de um caminho a seguir. O convite que faço aos caros leitor e leitora é o da abertura interior e, ao mesmo tempo, exterior. Não precisa ser grande, mas basta ser sincera e interessada para com este tema que é, ao mesmo tempo, tão antigo e tão novo; atual e necessário à vida humana.
Espiritualidade: abrindo a porta de alguns autores em nossa compreensão
Como o combustível de um carro é o que o move em nossas andanças pela vida afora, pois é com ele que vamos onde desejamos, diminuindo distancias, fazendo pontes entre dois lugares, tornando possível os encontros festivos da vida e sereno os necessários quando o sofrimento bate à nossa porta, assim, também, é com a espiritualidade que podemos nos deslocar no chão da vida e, ficando de pé, nos movermos nas direções necessárias.
No exemplo do carro, o combustível não pode ser visto à olho nu, mas sabemos que está lá, no motor sustentando toda a engrenagem do carro. Assim também é com a espiritualidade na vida cotidiana das pessoas: não pode ser vista, mas é o que move o orante, o homem e a mulher espirituais.
Nesta direção, busquemos dar sentido a esta compreensão de espiritualidade a partir de três compreensões que se complementam.
Giordano Frosini vai nos dizer que a espiritualidade pode ser compreendida como sendo uma vida movida segundo o Espírito. Neste sentido, se o Espírito é sopro, ar, ele está em nosso meio para ser respirado, absorvido e ao mesmo tempo espalmado, ventilado aos quatro cantos.
Esta compreensão de espiritualidade coloca um acento na vida segundo o Espirito, que é movimento. Daí que, quem tem uma espiritualidade segundo o cristianismo, deve buscar movimentar sua vida em seu jeito de olhar, sentir, pensar e agir no Espírito de Deus.
Já o carmelita Frei Cláudio van Balen vai dizer que espiritualidade diz respeito a umamaneira determinada de viver a globalidade da vida, isto é, seus afazeres cotidianos, superações, desafios; alegrias, sofrimentos...  e projetos, tudo, orientado à luz da fé cristã.
Esta compreensão de espiritualidade tem a ver com “um jeito de ser” da pessoa perante a vida interior e exterior. Nesta via de Frei Cláudio, cada um vai ter seu próprio jeito para revestir-se desta globalidade. Vejamos um exemplo: 10 pessoas de um mesmo grupo, sob as mesmas circunstâncias, terão cada uma sua forma subjetiva e original de processar e transmitir uma mesma vivência. E isso depende da espiritualidade que ela alimenta. Pense num caso de enfermidade, ou de desemprego, ou de perda familiar. Veja como nestas horas somos testados em nossa espiritualidade.
Por fim, uma leitura não cristã. Certa vez, em diálogo com Leonardo Boff, Dalai-Lama definiu espiritualidade como aquilo que produz no ser humano uma mudança interior. Isto é, o que sustenta a base de vida de alguém e que no movimento interno e externo faz com que ela esteja constantemente em mudança, tornando-se uma pessoa melhor, capaz de transformar pedras em degraus, limões em limonadas, perdas em ganhos. Em geral, a qualidade e profundidade de nossa espiritualidade são testadas em momentos mais sofridos, difíceis e nos quais somos provados e comprovados na vida. É ali, na encruzilhada da existência, que decidimos, às vezes em uma pequena fração de tempo, novos rumos, trilhas, plataformas de vida que tanto podem nos edificar quanto nos subtrair em nossa edificação de fé e de humanidade.
Espiritualidade: uma via de integração dos opostos
Ao visitarmos de passagem os autores acima referidos, podemos concluir que a espiritualidade é o modo como cada um busca sustentar os apelos da vida e resistir, para não sucumbir, aos desafios do campo da morte – entendendo como morte tudo aquilo que nos subtrai, que nos rouba de nosso centro vital (bio-psíquico-sócio-espiritual). Vejam que ambos os autores nos apontam para um principio comum chamado movimento e crescimento interior e exterior.
Este princípio chamado movimento nos remonta à noção de Espírito (sopro, ar). É então no movimento entre a criatura e o Criador; o mundo imanente e transcendente; o corpo e a alma; ao que é material e espiritual; ou seja, tudo ao mesmo tempo que mostra-se distinto revela-se também misturado, irmanado num único ser que somos, sem separação.
Em todos esses pontos opostos do ser, mas que ao mesmo tempo se tocam e interagem ao longo da vida, descobrimos que algo se move dentro de nós e para além de nós o tempo todo. E esse algo podemos chamar de espiritualidade no cotidiano.
Espiritualidade das pequenas coisas: um modo de viver a fé no cotidiano
Mais do que nos grandes feitos, são nos pequenos que vamos nos alimentando da espiritualidade e descobrindo a força da vida e o sentido de viver. Os momentos festivos, comemorativos e celebrativos da vida só ganham o tom de relevância porque se apoiam na pujança do cotidiano. Vejam uma formatura de um filho. O casamento. Uma conquista relevante no campo do trabalho. Só festejamos com tanta intensidade porque a vida não é uma festa contínua. Só vivenciamos de forma quase que degustativa um momento ápice da vida, porque ele brota lá de baixo, do cotidiano. E isso vivido a partir da vida interior, espiritual é sublime. Cativante.
Mas vejam bem, para se ter este olhar, precisamos nos exercitar no tempo chamado cotidiano, das pequenas coisas, afazeres, rotina. No ir e vir da vida.
Vida esta que se mostra integradora se for sustentada na ordem das pequenas coisas, gestos, sentimentos. Pois é destas que chegamos às maiores, mais densas e, às vezes, pontuais em nossas vidas.
Esse quantum de alegria, felicidade e bem-estar é verdadeiro e importante na medida em que integra e transforma o ato de viver incluindo o Criador na criatura, a luz na escuridão, o todo nos detalhes, o prazer no sofrimento... o caos na ordem. E reunindo, nestes conjuntos vitais da existência, um aprendizado continuo. Isso é espiritualidade das pequenas coisas.
Por isso, a espiritualidade vive da gratuidade e da disponibilidade, vive da capacidade de enternecimento e de compaixão, vive da honradez diante dos quadros da realidade e da escuta da mensagem que vem permanentemente desta mesma realidade. Quebra a relação de posse das coisas para estabelecer uma relação de comunhão e gratidão com elas. Mais do que desejar possuir (coisas, pessoas, lugares e funções), vai aprendendo com a espiritualidade das pequenas coisas, a contemplar o milagre da vida e suas fragilidades.
Uma pessoa que busca nutrir-se desta espiritualidade no cotidiano procura exercitar-se na fé diante de cada acontecimento, pois o vê como uma oportunidade que a Vida e Deus nos dão. Seja de alegria ou de dor; de conquista ou de perda. E não sentirá mais necessidade de perguntar, por exemplo, diante das perdas “por que eu, Senhor?”, mas passa a um outro estágio da vida: “para que isso em minha vida, Senhor?”
Nas crises mais profundas, mesmo quando morre um ente querido, quando se desfaz um matrimônio, quando perdemos um filho por causa da droga, podemos sempre perguntar: "Qual o significado disso tudo para mim? Que coisa, que caminho, que direção esse acontecimento quer me mostrar?"; “Que sentido mais profundo essa realidade traz para mim? De que me purifica? Em que me pode fazer crescer?"
Enfim, uma pessoa de êxito, seja profissional, emocional, relacional e espiritual, terá sido, sempre antes destas conquistas, alguém com um olhar sensível sobre a realidade. Uma pessoa capaz de ver o que muitos não veem. Sentir o que muitos não sentem. Pensar e intuir o que muitos não intuíram e não pensaram. Uma pessoa capaz de ver nas pequenas coisas o milagre extraordinário de Deus na vida. E descobrirá nesta, inclusive, o maior e primeiro milagre de todos, dos quais os outros só serão possíveis de reconhecimento na medida em que esta vida for bem cuidada. Para que isso aconteça, invistamos na força do cotidiano, na espiritualidade das pequenas coisas, gestos, sentidos. Para que quando os grandes momentos chegarem sejamos capazes de reconhecê-los e saboreá-los como uma criança que saboreia, na estação das jabuticabas, cada uma delas: com o olhar, o olfato, o tato e o paladar. Amém!

Para pensar:
  • O que calou mais fundo no percurso deste texto em sua leitura?
  • Partilhe com um amigo, com uma pessoa íntima de sua vida, um acontecimento importante aos olhos da espiritualidade.

O re-encantamento do ser
(Marcelo Silva)

Dentro de cada um de nós há um sábio, um artista
e um  místico gemendo  como uma  mulher em dores de parto,
Fazendo nascer, à luz da aurora ou do crepúsculo,
As silhuetas de uma Nova Humanidade.
...Despertai, ó vós que dormis na escuridão nublada deste dia.
Deixai nascer de vós as promessas de um convite esperançoso:
Olhai o Reino acontecendo entre vós!
Deixar nascer de vós a semente do Logos Eterno,
Que não nos criou para a queda,
Mas sim para o soerguimento.
O  mundo está à espera de vossa resposta.
Enquanto ela não vier à luz de vossa consciência,
O  mundo das essências será mais pobre e torpe,
Pois um traço do Eterno não será desvelado ao Mundo das Formas...
No grande tecido humano, uma nova criatura lancinante segue em tatos,
Cacos e passos, ensaiando a chegada à terra prometida,
O Jardim perdido, onde lá diremos ao Criador:
Senhor, fazei-nos UM em VÓS.

http://domtotal.com/noticia.php?notId=1047992

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Vibrações de poesia


« Levantei-me cega pela dor e fui para a janela : não encontrava posição. A noite estava bela. Tudo dormia; a casa estava em silêncio.

Todo o meu ser estava morto. Contemplava o céu cintilante de estrelas ; a lua era brilhante. Meditava nas belezas e grandezas do meu Criador. Tudo quanto contemplava era motivo para mais ferir o meu pobre coração.
Fiquei por largo espaço de tempo num profundo ato de agradecimento ao Céu. Dizia a Jesus :
“Eu não vos vejo, eu não vos sinto, mas sei que sois o meu Criador 
e quando me criastes já sabíeis que eu hoje havia de estar aqui a 
contemplar as vossas grandezas, já sabíeis que a falta de ar que 
hoje sinto necessitava do vento que me dais. Um eterno obrigado, 
meu Jesus !”

O vento era forte : parecia que tudo derrubava. Obrigava-me a meditar os horrores do Inferno, a vida e os tormentos dos condenados.
De novo contemplava o céu e as estrelas. Pedia a Jesus que multiplicasse milhões e milhões de vezes mais do que as estrelas os meus atos de amor para os sacrários.
Não O queria sozinho, e [só lá] queria que Ele só lá tivesse amor... A minha alma continua a exigir a solidão.
É ao brilho das estrelas e luz do luar que eu sozinha me ponho a meditar. Peço a todos os astros que amem por mim a Jesus. E ao contemplar o céu, digo-Lhe repetidas vezes :
“Jesus, não Vos vejo, mas sei que me vedes a mim. Não sinto que Vos amo, mas confio que me amais. Alegrai-Vos na minha dor. Consolai-Vos na minha desconsolação. Curai as feridas do Vosso Divino Coração com a dor que no meu causam as Vossas grandezas” ».

- Beata Alexandrina

"Sem ela, nenhum bem pode ser feito."

«Agradece a Deus, irmão querido, porque Ele te revelou uma atração invencível em ti para a oração interior perpétua.[…]
Muitos cometem um grande erro quando pensam que os meios de preparação e as boas ações geram a oração, quando na realidade é a oração que é a fonte das boas obras e das virtudes.

Eles consideram erroneamente os frutos ou as consequências da oração como meios de chegar até ela e assim diminuem a sua força. Trata-se de um ponto de vista completamente oposto à Escritura, pois o Apóstolo Paulo assim fala da oração: ‘Eu vos recomendo antes de tudo rezar’ [1Tm 2,1].
Assim o Apóstolo coloca a oração acima de tudo: Eu vos recomendo antes de tudo rezar. Muitas boas obras são pedidas ao cristão, mas a obra da oração está acima de todas as outras, pois, sem ela, nenhum bem pode ser feito.
Sem a oração frequente, não se pode achar o caminho que conduz ao Senhor, conhecer a Verdade, crucificar a carne com as suas paixões e desejos, ser iluminado no coração pela luz de Cristo e unir-se a Ele na salvação.
Eu digo frequente, pois a perfeição e a correção da nossa prece não dependem de nós, como diz ainda o Apóstolo Paulo: ‘Nós não sabemos o que pedir como convém' [Rm8,26].
Somente a frequência foi deixada em nosso poder como meio de atingir a pureza da oração, que é a mãe de todo o bem espiritual. ‘Adquire a mãe e tu terás uma descendência’, diz Santo Isaac o Sírio, ensinando que, em primeiro lugar, é preciso adquirir a oração para poder pôr em prática todas as virtudes.[…]
A interior e constante oração de Jesus é a invocação contínua e ininterrupta do nome de Jesus, com os lábios, com o coração e com a inteligência, no sentimento de sua presença, em todo o tempo, em todo o lugar, mesmo durante o sono.
Essa oração se exprime pelas palavras: Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim! Aquele que se habitua a essa invocação sente uma grande consolação e a necessidade de rezar sempre essa oração; depois de algum tempo, ele não pode passar sem ela e por si mesma a oração brota nele.»
- Relatos de um peregrino russo

domingo, 10 de julho de 2016

A palavra de Deus é viva


"A palavra de Deus é viva", 
porque não muda. Eficaz, 
porque não falha. Penetrante, 
porque não se engana.

Não muda no que promete, 
não falha no que realiza, não 
se engana no julgamento.

Sua promessa não morre pelo 
esquecimento nem muda pela 
intenção.

Sua obra não é vencida pela 
dificuldade. Seu julgamento 
não é enganado pela ambigüidade.

Promete com veracidade, age com 
fortaleza, discerne com sutileza. 

A palavra de Deus é viva para que 
creiamos, eficaz para que esperemos, 
penetrante para que temamos.

É viva nos preceitos e nas 
proibições, eficaz nas promessas 
e nas ameaças, penetrante 
nos julgamentos e nas 
condenações.

Como, porém, a verdade 
de suas promessas e a 
onipotência de suas obras 
deve ser antes crida do que 
discutida, consideremos 
qual seja a sutilidade dos 
seus julgamentos.

- Hugo de São Vitor

Somente a ti eu te busco

Amo somente a ti, sigo somente a ti, busco somente a ti, estou disposto a servir somente a ti e desejo estar sob a tua jurisdição, porque somente tu governas com justiça. Manda e ordena o que quiseres, mas sana e abre meus ouvidos para enxergar os teus acenos. 


Afasta de mim a ignorância para que eu te reconheça. Dize-me para onde devo voltar-me para ver-te e espero fazer tudo o que mandares. Suplico-te: recebe teu fugitivo, Senhor e Pai clementíssimo; já sofri muito; já servi demais os teus inimigos, os quais sujeitas sob teus pés; por muito tempo fui ludibriado por falácias. 

Recebe-me, que sou teu escravo fugindo deles, que me receberam, estranho a eles, quando eu fugia de ti. Sinto em mim que devo voltar a ti. Abra-se tua porta para mim, que estou batendo. Ensina-me como chegar a ti. 

Nada mais tenho que a vontade. Nada mais sei senão que se deve desprezar as coisas passageiras e transitórias e procurar o que é certo e eterno. Faço-o, Pai, porque é a única coisa que sei; porém, ignoro como chegar a ti. Ensina-me, mostra-me, oferece-me as providências para a viagem. 

Se é com a fé que te encontram os que se refugiam em ti, dá-me fé, se é com a força, dá-me força, se é com a ciência, dá-me ciência. Aumenta em mim a fé, aumenta a esperança, aumenta o amor. Ó admirável e singular bondade tua!

- Santo Agostinho

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Perdendo a fé

“Quantas pessoas no mundo de hoje ‘perderam a fé’ junto com as esperanças vãs e as ilusões da infância? O que chamavam de ‘fé’ era só uma dentre todas as outras ilusões. Puseram toda sua esperança numa certa sensação de paz espiritual, de conforto, de equilíbrio interior e respeito por si próprios.


Quando, porém, começaram a lutar com as dificuldades reais e os fardos da vida madura, quando perceberam sua própria fraqueza, perderam a paz, abandonaram o preciso respeito por si mesmos, e se tornou impossível ‘crer’. Isto é, tornou-se impossível para eles se reconfortarem, se tranquilizarem com as imagens e os conceitos que, na infância, achavam apaziguadores.”


New Seeds of Contemplation, de Thomas Merton
(New Directions, New York), 1961. p. 187
No Brasil: Novas Sementes de Contemplação, (Editora Fissus, Rio de Janeiro), 2001. p. 185




sexta-feira, 1 de julho de 2016

Um Lugar Não Pode Nos Salvar




O sábio São João Crisóstomo disse: "Um lugar não vai nos salvar, se não cumprirmos a vontade de Deus." Houve um monge que viveu em um mosteiro onde cinco irmãos o amavam e um irmão o ofendia. Por causa deste irmão que o ofendia, ele se mudou para outro mosteiro. No entanto, neste mosteiro oito dos irmãos o amavam e dois dos irmãos o ofendiam. Ele então fugiu para um terceiro mosteiro. Mas aqui, sete dos irmãos o amavam e cinco dos irmãos o ofendiam. Ele se colocou a caminho de um quarto mosteiro, mas ao longo do caminho ele pensou: "Quanto tempo vou fugir de um lugar para outro? Não encontrarei paz em todo o mundo. Seria melhor para mim tornar-me paciente." Ele pegou um pedaço de papel e escreveu em letras garrafais: "Eu vou suportar tudo por causa de Jesus Cristo, o Filho de Deus." Quando ele entrou no quarta mosteiro, aqui também alguns o amavam e outros o ofendiam. Mas ele pacientemente suportou as ofensas. Assim que alguém o ofendia, ele retirava aquele pedaço de papel e lia: "Eu vou suportar tudo por causa de Jesus Cristo, o Filho de Deus." Assim, com paciência, todos o amavam e ele permaneceu no mosteiro até sua morte.

São João Crisóstomo

Aquecendo o coração

Aprenda a executar tudo que você faz, de tal forma que aqueça o coração, em vez de esfriá-lo. Quer lendo ou orando, trabalhando ou conversando com os outros, você deve agarrar-se à este único objetivo - não deixar que o seu coração esfrie. Mantenha seu fogão interior sempre quente recitando uma oração curta e vigie os seus sentimentos caso eles dissipem esse calor. Impressões externas muito raramente estão em harmonia com o trabalho interior.

São Teófano, o Recluso.

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...