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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Carta de Jesus para você: da minha cruz à sua solidão

Eu escrevo da minha cruz à sua solidão. A você, que tantas vezes olhou para mim sem me ver e me ouviu sem me escutar. A você, que tantas vezes prometeu me seguir de perto e, sem saber por quê, se distanciou das pegadas que lhe deixei no mundo para que você não se perdesse.
A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me procura sem me achar e às vezes perde a esperança em me encontrar. A você, que de vez em quando pensa que eu sou apenas uma lembrança e não compreende que estou vivo.
Eu sou o começo e o fim; sou o caminho para você não se desviar, a verdade para que você não erre, e a vida para que você não morra. Meu tema favorito é o amor, que foi minha razão para viver e para morrer.

Fonte: Facebook

quarta-feira, 12 de abril de 2017

BONDADE: A BONDADE CULTIVA O BEM

O homem bom faz bem aos outros somente com a sua presença, pela força atraente das virtudes. Mas o seu influxo benéfico não se limita a isso. Já víamos que tem a disposição de trabalhar, de fazer alguma coisa para que o bem desabroche nos outros. Vive, para dizê-lo em poucas palavras, a serviço do bem dos outros.
Não há dúvida de que este é um belo ideal de vida. Quem não almeja passar pelo mundo, como Cristo, fazendo o bem (At 10, 38), deixando uma esteira de bondade? “Que a tua vida – lê-se em Caminho – não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor” (n. 1). Estas palavras são todo um empolgante programa de bondade.
A este propósito, lembro-me de um livro que me causou impressão. Intitulava-se “Viveu para ninguém”, e era o romance de um homem medíocre, vulgar, que passou pelo mundo sem deixar rasto algum. Dele se poderia dizer, como um triste epitáfio, que teria dado na mesma se nunca tivesse existido. Seria penoso que um tal epitáfio se pudesse aplicar a nós.
Pois bem, é hora de nos perguntarmos sinceramente o que nós deixamos de bom nos corações e nas vidas dos que vivem e trabalham conosco. Como estamos contribuindo para o seu bem?
Comecemos por convencer-nos de que a primeira ajuda que devemos prestar-lhes consiste em não lhes criar dificuldades. Porque, infelizmente, com frequência somos mais obstáculo do que auxílio. E o pior é que não nos apercebemos disso. Se nos dissessem: “A sua esposa, o seu filho, o seu colega, o seu pai, têm tais e tais problemas, tais e tais defeitos, e você é a causa deles”, levaríamos uma surpresa. “Como assim?”, retrucaríamos. “Eu, que tenho que sofrer esses defeitos, ainda por cima sou culpado deles?” Pois sim, muitas vezes somos.
Tomemos por exemplo um honesto pai de família, trabalhador abnegado, daqueles que “só vivem para a família”. Trabalha em dois empregos e volta cansado ao lar. Ao mesmo tempo, tem um temperamento fechado, não é homem de muitas palavras. Os familiares veem-no soturno e calado, e não se atrevem a interferir no seu aparente mau humor. Caso lhe perguntem: “Está aborrecido? Acontece-lhe alguma coisa?”, responderá, com olhar de surpresa, que não lhe acontece nada. Talvez acrescente: “Sou assim mesmo, é o meu jeito”.
Ora, acontece que esse “jeito” é uma barreira. Bloqueia o diálogo com a esposa e os filhos. A mulher, sentindo-se cada vez mais isolada, sem poder compartilhar as suas fadigas com o marido, irá ficando cada vez mais nervosa e multiplicará as faltas de paciência com as crianças. O marido lamentará que os nervos da mulher estejam criando um ambiente pesado no lar. Mas nem lhe passará pela cabeça que foi ele quem o provocou, com a sua cômoda abstenção. Se tivesse aprendido a chegar ao lar sorrindo, acolhendo, interessando-se pelos problemas da mulher e dos filhos, teria criado condições para um diálogo amável. Teria facilitado um clima cordial, em que os nervos dos outros se dissolveriam. E haveria paz.
De modo análogo, podemos pensar no chefe de um escritório que reclama da falta de iniciativa de um dos seus subordinados: acha que é um homem sem garra no trabalho, que lhe falta entusiasmo e realiza as suas tarefas de modo rotineiro e como que a contragosto. Certamente, este não é o estado de ânimo ideal para um trabalho dinâmico e criativo. Mas de quem é a culpa? Pode muito bem suceder que semelhante inibição e falta de eficiência do empregado tenha sido provocada por esse mesmo superior, que nunca soube incentivá-lo, nem teve paciência para ensiná-lo, nem lhe ofereceu o estímulo de uma palavra positiva, que fizesse o outro sentir-se valorizado. Só soube cobrar e criticar. Grande parte da culpa, sem dúvida nenhuma, é do chefe.
São atitudes desse tipo as que dificultam o bem dos outros, por causa das nossas brusquidões e omissões. Não há bondade ali: fazemos mais mal que bem.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

BONDADE: A PEDRA PRECIOSA

São Josemaria Escrivá, um sacerdote que irradiou bondade, despertando milhares de corações para o bem, costumava dizer que cada pessoa, cada alma, deve ser tratada como uma pedra preciosa.
Não existem duas pedras preciosas idênticas, que possam ser lapidadas da mesma maneira. O bom lapidador estuda-as uma a uma, e daí tira conclusões sobre o modo de extrair o máximo de perfeição e beleza de cada uma delas.
Assim deve ser com as almas. O estudo atento do lapidador é, neste caso, a afetuosa atenção que prestamos a cada pessoa, esforçando-nos por compreender o seu modo de ser, o porquê das suas arestas e pontos frágeis, as linhas em que melhor pode ser “trabalhada”. E o modo de tratá-la, de ajudá-la, decorrerá dessa prévia compreensão.
Para tanto, não é necessário possuir conhecimentos muito especializados de psicologia. Basta a psicologia do afeto, que proporciona uma profunda acuidade aos olhos. O amor de uma mãe não precisa de manuais de psicologia para intuir, de modo certeiro, o que está acontecendo com o filho. Basta o carinho, o interesse e a vontade de se dar.
Não esqueçamos, por outro lado, que todo bom lapidador é paciente, o que significa que tem a consciência de que, para transformar um diamante bruto num esplêndido brilhante, vai precisar de longo tempo, de trabalho minucioso, e que só pouco a pouco irá progredindo no seu lavor.
Eis aqui outra das manifestações da autêntica bondade. Assim como a bondade mole se compõe de superficiais pinceladas de amabilidade, a verdadeira bondade traduz-se numa dedicação infatigável. Dá-se sem pausa, espera sem cansaço e não desiste jamais. Persiste incansavelmente, sem abrandar a generosidade da entrega, até ver despontar finalmente os frutos; e aguarda confiante – permita-me – que as “sementes de bondade” dos outros acabem por germinar. A doação de um homem bom nunca é estéril.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

BONDADE: O VERDADEIRO BEM

Ser bom é “fazer o bem”. Mas qual é o bem maior, o bem mais verdadeiro?
De nada adiantaria empenharmo-nos generosamente em fazer o bem aos outros, se, no final das contas, terminássemos por descobrir que, pretendendo ajudá-los, involuntariamente lhes fizemos mal ou, o que vem a dar na mesma, lhes proporcionamos bens superficiais e omitimos o bem profundo. Daí a grande importância de não perdermos nunca de vista qual é o verdadeiro bem do homem, o único bem, sem o qual nenhum dos outros merece esse nome.
A resposta a essa pergunta sobre o bem já foi dada por Cristo: Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Ou que poderá dar o homem em troca da sua alma? (Mt 16, 26).
Estas palavras brilham como um farol no meio da escuridão. Nenhum “bem” vale a pena se a alma estiver privada da graça de Deus. Com efeito, sem a graça divina – a graça do Espírito Santo –, uma alma está morta e, então, as melhores qualidades e “bens” de que possa dispor não passam de flores vistosas enfeitando um cadáver. Estando ausente a vida, “de que aproveitam” as flores?
Deveriam pensar mais nisto todos os que amam, todos aqueles que, por terem a fé cristã, são capazes de compreender a perspectiva de Cristo. Sim, deveríamos entender que “querer bem” outra coisa não é que “querer o bem” do próximo, e que não há bem algum que mereça este nome quando falta Deus. “A quem tem Deus – dizia Santa Teresa de Ávila – nada lhe falta”. A quem não o tem, podemos acrescentar, nada lhe aproveita.
É excelente, sem dúvida, o empenho dos pais em que os filhos tenham saúde, cultura, bem-estar, capacitação profissional que lhes permita enfrentar com segurança o futuro. Mas é um empenho muito mais excelente e vital – por ser decisivo, questão de vida ou morte – esforçarem-se com a sua oração, o seu exemplo e uma orientação prudente e contínua, para que os filhos conheçam as verdades da fé cristã – a doutrina salvadora de Cristo – e aprendam a praticá-las.
Podem ter a certeza de que as virtudes cristãs de um filho vão fazer-lhe, ao longo da vida, um bem infinitamente maior do que todos os diplomas ou contas bancárias que lhes possam proporcionar. Mil vezes mais vale a fé do que a saúde, a união com Deus do que o sucesso. Só as virtudes cristãs são os tesouros verdadeiros de que Cristo falava (Mt 6, 19-20). E só esses tesouros proporcionam àqueles que amamos a “realização” – o bem e a plenitude –, quer nesta terra, quer na eternidade.
Sem esta convicção, todos os ideais de bondade se dissolvem como um sonho ilusório. Sempre deveria ecoar em nossos ouvidos, como um roteiro de bondade, o segredo que Cristo confidenciou a Marta: Tu te inquietas e te perturbas por muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada (Lc 10, 41-42). A “melhor parte” é estarmos junto de Cristo, atentos às suas palavras, fazendo da Vontade de Deus a luz e o norte da vida. Aí está o verdadeiro bem do homem.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

terça-feira, 4 de abril de 2017

É verdade que São Francisco “enxergava” a consciência dos outros?


Conta-se que ele sabia, por divina revelação, de todos os méritos e virtudes de seus companheiros

Só Deus conhece o que há no coração e na mente de cada pessoa. Contam-se muitas histórias sobre dons e graças particulares concedidos aos grandes santos: muitas dessas histórias são verificáveis porque se dispõe de testemunhos históricos. Outras, porém, chegaram até nós mediante relatos e pontos de vista de terceiros, sendo muito mais difíceis de “comprovar”. Como quer que seja, Deus é infinitamente capaz de dar os dons que quiser a quem bem quiser. E, de São Francisco de Assis, um dos dons que se contam é o de que podia saber dos méritos e também defeitos dos seus companheiros, conforme se vê no seguinte excerto dos famosos “Fioretti“, ou relatos poéticos sobre a vida do Pobrezinho de Assis, escritos e retransmitidos desde a Idade Média:
Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse no Evangelho: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem”, assim o bem-aventurado Pai São Francisco, como bom pastor, sabia por divina revelação de todos os méritos e virtudes de seus companheiros, e assim conhecia seus defeitos.
Razão pela qual ele sabia prover com ótimo remédio, isto é, humilhando os soberbos e exaltando os humildes, vituperando os vícios, louvando as virtudes; como se lê nas admiráveis revelações que tivera daquela sua primitiva família.
Entre as quais se fala que uma vez estando São Francisco com a dita família em um convento a tratar de Deus, e Frei Rufino não estando com eles naquela conversação, mas estava na floresta em contemplação.
Continuando a conversação sobre Deus, eis que Frei Rufino sai da floresta e passa um pouco diante deles. Então São Francisco, vendo-o, voltou-se para os companheiros e lhes perguntou dizendo-lhes:
Dizei-me qual acreditais que seja a mais santa alma, a qual Deus tenha agora no mundo?
E respondendo-lhe acreditarem que fosse a dele, São Francisco lhes disse:
Caríssimos irmãos, eu próprio sou o homem mais indigno e mais vil que Deus tem neste mundo; mas vedes aquele Frei Rufino, o qual sai agora da floresta? Deus me revelou que a alma dele é uma das três mais santas almas que Deus tem neste mundo; e firmemente vos digo que não duvidarei de chamar-lhe em vida São Rufino, porque sua alma está confirmada em graça e santificada e canonizada no céu por Nosso Senhor Jesus Cristo”.
E estas palavras não dizia São Francisco em presença do dito Frei Rufino.
Igualmente, como São Francisco conhecia os defeitos de seus frades, compreende-se claramente em Frei Elias, ao qual muitas vezes repreendia pela sua soberba, e em Frei João da Capela, ao qual predisse que se devia enforcar, e naquele frade a quem o demônio apertava a garganta ao ser repreendido por desobediência, e em muitos outros frades, cujos defeitos ocultos e virtudes conhecia pela revelação de Cristo bendito.
Amém.
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Dos “Fioretti” de São Francisco, mediante o blog Contos e Lendas Medievais

sábado, 25 de março de 2017

15 Meditações com São João da Cruz

Olá, Paz e Bem!
De todas as meditações que indico essa série baseada nos textos de São João da Cruz é a minha preferida. 

Um santo profundo que nos faz meditar sobre as maravilhas de Deus.

Três coisas pediu e acabou recebendo de Deus: primeiro, dar-lhe força para trabalhar e sofrer muito; segundo: não o fazer sair deste mundo como superior de uma comunidade; e terceiro: deixá-lo morrer desprezado e escarnecido pelos homens. Pregador, místico, escritor e poeta, João da Cruz faleceu após uma penosíssima enfermidade, em 1591 com 49 anos de idade e o Papa Pio XI o declarou Doutor da Igreja.

Um dos mestres de oração mais célebres, capaz de nos fornecer material profundo para meditação e edificação. 

Sobre a Meditação a Igreja nos orienta (grifos da autora):

Catecismo

§2707 Os métodos de meditação são tão diversos quanto os mestres espirituais. Um cristão deve querer meditar regularmente. Caso contrario, assemelha-se aos três primeiros terrenos da parábola do semeador. Mas um método é apenas um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, pelo único caminho da oração: Jesus Cristo.




M.20.1 Fins da meditação

§2723 A meditação é uma busca orante que põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do assunto meditado, confrontado com a realidade de nossa vida.

M.20.2 Frutos da meditação

§2706 Meditando no que lê, o leitor se apropria do conteúdo lido, confrontando-o consigo mesmo. Neste particular, outro livro está aberto: o da vida. Passamos dos pensamentos à realidade. Conduzidos pela humildade e pela fé, descobrimos os movimentos que agitam o coração e podemos discerni-los. Trata-se de fazer a verdade para se chegar à luz: "Senhor, que queres que eu faça?"

§2708 A meditação mobiliza o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Essa mobilização é necessária para aprofundar as convicções de fé, suscitar a conversão do coração e fortificar a vontade de seguir a Cristo. A oração cristã procura meditar de preferência "os mistérios de Cristo", como na "lectio (leitura) divina" ou no Rosário. Esta forma de reflexão orante é de grande valor, mas a oração cristã deve procurar ir mais longe: ao conhecimento de amor do Senhor Jesus, à união com Ele.

M.20.4 Meditação uma das três maiores expressões de oração

§2699 O Senhor conduz cada pessoa pelos caminhos e na maneira que lhe agradam. Cada fiel responde ao Senhor segundo a determinação de seu coração e as expressões pessoais de sua oração. Entretanto, a tradição cristã conservou três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação, a oração contemplativa. Uma característica fundamental lhes é comum: o recolhimento do coração. Esta vigilância em guardar a Palavra e em permanecer na presença de Deus faz dessas três expressões tempos fortes da vida de oração.

M.20.6 Significação da meditação

§2705 A meditação
A meditação é sobretudo uma procura. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, a fim de aderir e responder ao que o Senhor pede. Para tanto, é indispensável uma atenção difícil de ser disciplinada. Geralmente, utiliza-se um livro, e os cristãos dispõem de muitos: as Sagradas Escrituras, especialmente o Evangelho, as imagens sacras, os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, o grande livro da criação e o da história, a página do "Hoje" de Deus.

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Nota 1: Portanto, são essas "matérias", para disciplinar a atenção na meditação (que em si é uma busca em compreender a vida cristã e responder a Deus), a Sagrada Escritura (ou seja, se focar em uma leitura, um conjunto de versículos ou ainda um único versículo), os escritos do santos,  imagens sacras, livros de espiritualidade (católicos obviamente, já que o intuito é aprofundar-se na fé) e ainda o grande livro da criação (ou seja, a natureza e suas maravilhas, as pessoas, os animais), o livro da história (meditar sobre a ação profunda e sutil de Deus na história da humanidade) e ainda o livro da nossa própria vida a "página do Hoje" ( que em si é resultado de toda a ação e cuidado de Deus em nossa história).

Portanto, a meditação pode contar com vários métodos, não ficando somente na meditação da Palavra e do Rosário, embora sejam as mais indicadas. Inclusive todos os santos orientam que se medite com frequência a Paixão do Senhor. 

Mais podemos e devemos ir além no conhecimento e na busca de Jesus, assim, muitos santos se dedicaram ao planejamento de exercícios espirituais e ainda formas de melhor mobilizar o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo (ou seja, o anseio mais profundo da alma). 

E ainda o Senhor conduz a alma como quer e como lhe agrada, assim como existe distinção entre as pessoas existe distinção entre as almas. Dessa forma portanto o Catecismo orienta que um método, que é indicado por um santo, é um guia e que deve se encomendar ao Santo Espírito de Deus que o conduzirá a aproximar - se de Deus e a aprofundar - se na fé. 

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M.20.7 Tempos aptos para meditação

§2186 O domingo é um tempo de reflexão, de silêncio, de cultura e de meditação, que favorecem o crescimento da vida interior cristã.


Portanto hoje quero lhe apresentar 15 Meditações feitas pelo Conego Tonneliar, do Carmelo de Laval, do baseado nos escritos de São João da Cruz, que te farão vivenciar um aprofundamento na fé e dedicar alguns momentos voltando o pensamento para o Senhor.
1- Beleza Suprema




2- Olhar que Cura
3- Olhar Perfeito


4- Caminho das pequenas belezas


5- Morada do hoje


6- Agonia do Desapego



7 - Faça a Luz



8- O que é o Amor?



9- Nascer do Amor



10 - O Amado



11- Desejo da alma



12- Angústias e Dores



13- Riqueza de Deus



14 - Viver de Ti



15- Para quê fomos feitos?




Espero que possa ser edificado.

Paz e Bem!


Salve Maria Imaculada
Enchi-me de zelo pela minha Mãe Imaculada e Ela me livrou de todas as tribulações!
Ana Paula Barros

http://salusincaritate.blogspot.com.br/2017/03/15-meditacao-com-sao-joao-da-cruz.html

sábado, 11 de março de 2017

ORAÇÕES DA SEMANA: PRIMEIRO DIA - Quaresma

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As semanas passam tão depressa, levando com ela as nossas vidas. Quem dera você possa ter sempre tempo de louvar ao Pai da Vida os dias que passam. E pedir, em meio às vertigens de nossas preocupações e afazeres cotidianos, que nossas ações, palavras e pensamentos estejam regidos pela Vontade dos céus. Neste dia tão especial para você, o dia do seu aniversário, meu presente são estas orações para todas as muitas semanas que ainda haverão de passar pela sua vida: 


PRIMEIRO DIA - O CORAÇÃO

Hoje, meu Deus, eu queria Vos consagrar o meu coração. Não este coração apegado às coisas do mundo, cheio de afazeres, aflições e preocupações cotidianas, não este coração do mundo. Eu consagro a Vós, neste dia, o coração que me destes, um coração de terra fértil para receber e fazer germinar as sementes do Vosso Amor. Que, no dia de hoje, o meu firme propósito seja o de transformar o meu coração em uma manjedoura pura e simples, bela e santa, onde o Vosso Infinito Amor possa encontrar abrigo e repouso.


SEGUNDO DIA - OS OUVIDOS

Hoje, meu Deus, eu queria Vos consagrar os meus ouvidos. Eles, sempre alertas para as vozes do mundo, me enchem das palavras, dos sons, dos gritos e do vozerio das vidas lá fora. Eu consagro a Vós, neste dia, meus ouvidos fechados ao mundo e abertos à Vossa Voz; que, no silêncio de alguns minutos ao longo deste dia, eu tenha o firme propósito de ouvir a Vossa Voz no íntimo do meu coração e possa transformar este silêncio de instantes numa oração que, sem tocar meus ouvidos, tenha a força de mil trombetas ressoando nos céus.

TERCEIRO DIA - OS PÉS

Hoje, meu Deus, eu queria Vos consagrar os meus pés. Sou como um andarilho sem rumo, perdido na selva de ruas e praças, dos atalhos e estradas sem fim deste mundo. Eu consagro a Vós, neste dia, meus pés e meus passos firmes e decididos que rumam ao Vosso encontro. Que, no dia de hoje, o meu firme propósito seja o de ser peregrino das coisas do Céu, tornando meus pés ágeis instrumentos de caminhada, a seguir fielmente os Vossos passos e que, assim, eles possam me conduzir pelas sendas do Caminho, da Verdade e da Vida Eterna.

QUARTO DIA - A MENTE

Hoje, meu Deus, eu queria Vos consagrar a minha mente. Meus pensamentos viajam o mundo inteiro e minha imaginação constrói a toda hora castelos de areia e a utopia das glórias humanas. Eu consagro a Vós, neste dia, a minha mente e meus pensamentos em atos de louvor e glória ao meu Senhor e meu Deus. Que, durante várias vezes ao longo do dia de hoje, eu tenha o firme propósito de concentrar completamente os meus pensamentos em Vossa Santa Presença e ligar minha consciência de Filho de Deus à corrente de louvores e graças que se proclamam sem cessar, e por todo o sempre, à Vossa Glória em toda a Terra e nos Céus.

QUINTO DIA - OS OLHOS

Hoje, meu Deus, eu queria Vos consagrar os meus olhos. Não estes olhos acostumados a ver apenas a pintura dourada de coisas sem vida ou hipnotizados pelas imagens foscas e distorcidas de filmes ou da televisão. Eu consagro a Vós, neste dia, meus olhos concebidos para contemplar as maravilhas do Vosso Amor, em cada um dos meus irmãos e em todas as obras de Vossa criação. Que, no dia de hoje, o meu firme propósito seja o de fechar os meus olhos aos prazeres e imagens do mundo e torná-los, verdadeiramente, espelhos de minha alma destinada a ser reflexo cristalino da Luz que emana do Vosso Amantíssimo Coração.


SEXTO DIA - A BOCA

Hoje, meu Deus, eu queria Vos consagrar a minha boca. Eu sei que, muitas vezes, minha boca tem sido instrumento de ofensas, de orgulho e vaidades, do julgamento fácil e de mentiras. Eu consagro a Vós, neste dia, minha boca fechada a toda palavra inútil, a toda voz de intolerância, cumplicidade ou agressão. Que, no dia de hoje, eu tenha o firme propósito de tornar a minha boca em um instrumento de retidão e amor cristão e que todas as palavras proferidas por mim, no dia de hoje, possam chegar sem reservas ao Vosso Imaculado Coração e possam ressoar sem ecos sobre todos os telhados do mundo.

SÉTIMO DIA - AS MÃOS

Hoje, meu Deus, eu queria Vos consagrar as minhas mãos. Não as minhas mãos de punhos fechados, não minhas mãos em gestos agitados, não minhas mãos em atitudes recriminadoras, não minhas mãos em poses camufladas. Eu consagro a Vós, neste dia, as minhas mãos abertas e estendidas, prontas para gestos concretos de perdão e de total doação. Que, no dia de hoje, o meu firme propósito seja o de transformar as minhas mãos em instrumentos de Vossa Misericórdia a todos os homens e que minhas mãos possam refletir, no dia de hoje, que minha alma está profundamente envolvida e amparada no abraço de Infinito Amor das Vossas Mãos.


http://www.sendarium.com/2012/04/primeiro-dia-o-coracao-hojemeu-deus-eu.html

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

10 Máximas de Santo Afonso de Ligório


1. É nas doenças que se vê quem tem virtude.

2. Antes perder tudo, que perder a Deus.

3. Perturbar-se com as faltas cometidas não é humildade, mas orgulho.

4. Só somos o que somos diante de Deus.

5. Sempre o demônio anda à caça dos ociosos.

6. Desgraçado de quem ama mais a saúde que a santidade!

7. Os curiosos são sempre dissipados

8. Os santos falam sempre de Deus; sempre dizem mal de si próprios, e sempre bem dos outros.

9. A quem procura ser estimado, estima Deus pouco.

10. Quando se pensa no inferno que se mereceu, sofrem-se com resignação todas as penas.

Fonte: Ad Majorem Dei Gloriam.

Do humilde sentir de si mesmo

Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição


Tomás de Kempis (*): Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem se despreza e não se compraz em humanos louvores.
Se eu soubesse quanto há no mundo, porém me faltasse a caridade, de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras?
Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.
Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente. Não te desvaneças, pois, com qualquer arte ou conhecimento que recebeste. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. Não te presumas de alta sabedoria (Rom 11,20); antes, confessa a tua ignorância. Como tu queres a alguém te preferir, quando se acham muitos mais doutos do que tu e mais versados na lei? Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada.
Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição. Ainda quando vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem. Nós todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo.
(*) Do livro “Imitação de Cristo”.

O SILÊNCIO DE MARIA

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Quando falamos da disciplina do silêncio automaticamente somos confrontados com o grande desafio que é encarar nosso cotidiano extremamente barulhento e de ritmo cada vez mais frenético. Surgem-nos perguntas tais como: “Como encontrar tempo para praticar o silêncio?”; “Não seria o silêncio uma prática exclusivamente monástica, ou seja, para pessoas com um chamado específico para viverem em clausura?”; “Estar em silêncio só é possível num ambiente com total ausência de ruídos e distrações?” e etc.
Dúvidas assim que tendem a nos intimidar e às vezes até desanimar, surgem do fato de que encaramos o silêncio apenas na sua dimensão exterior. De modo que praticar o silêncio só é visto como a separação de tempo e lugar em que paramos, nos acalmamos e adentramos num estado meditativo de quietude e interiorização. Não restam dúvidas de que o silêncio tem este lado prático e devocional. No entanto, o que poderíamos dizer daqueles que não têm muito tempo ou não dispõem de oportunidades frequentes para experimentarem períodos (horas, dias, semanas, meses) de prática silenciosa, em solitude e tendo uma Bíblia aberta diante de si?
Apesar de acreditar que devemos lutar firmemente para abrirmos brechas em nossas agendas diárias para encontrarmo-nos com o Senhor em solitude, silêncio, meditação, oração e contemplação (Lectio Divina), jamais devemos nos esquecer de que o silêncio possui outra “face da moeda” que muitos de nós amantes da espiritualidade e mística cristãs acabamos por negligenciar, seja por desconhecimento ou esquecimento da mesma.
A tradição monástica, por mais surpreendente que possa parecer, ajuda-nos nesse sentido quando fala daquilo que poderíamos chamar de vida silenciosa, onde o silêncio, mais do que um momento de se colocar num lugar desprovido de barulhos, é considerado como uma atitude interior de recolhimento constante. Um voltar-se contínuo para o nosso centro divino, nosso “eu” interior, o santuário interno de nossa alma, em outras palavras, uma atitude de contínua atenção à Presença do Deus que nos habita através do Seu Espírito e que sempre está falando com cada um de nós. Os monges em seus escritos sempre tocam no assunto de se permanecer numa “cela” interior em meditação e oração incessantes mesmo durante as atividades do dia-a-dia (“Ora et Labora”).
Acerca dessa atitude de recolhimento interior silencioso, Anselm Grun escreve: “O silêncio é a atitude interior em que eu me abro para esta realidade do Deus que me envolve. Portanto ela é mais do que o não-falar” (As Exigências do Silêncio, págs.69,70). Por esse prisma o silêncio não é visto como uma realidade em conflito com as atividades do cotidiano, mas, como um espaço mais profundo no qual elas acontecem e do qual emergem e lhes empresta significado espiritual. Aqui silêncio é estar em atitude interior de recolhimento e atenção à presença de Deus que nos envolve por todos os lados enquanto cozinhamos, varremos o chão,  pegamos o ônibus para o trabalho, sentamo-nos em frente ao computador no nosso escritório e etc. Silêncio é estar em perpétua atitude de escuta para Deus.
Maria, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, nos é apresentada nas páginas dos evangelhos como mulher de vida silenciosa, em constante atitude meditativa de recolhimento interior em meio aos acontecimentos do cotidiano (cf. Lc 2:19).  Maria é o arquétipo da mulher silenciosa, ativa-contemplativa. E temos muito que aprender ao observar seu exemplo como alguém cuja vida de silêncio interior lhe permitiu acolher o mistério do Verbo de Deus segundo nos revela o evangelho.
O silêncio de Maria lhe permitiu acolher o mistério da encarnação de Cristo . No Evangelho segundo S. Lucas no capítulo 2 verso 19 lemos acerca da atitude de Maria – “Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração”. Que coisas eram essas? O contexto imediato dos versos anteriores nos revelam (cf. vs. 16-18). Maria em atitude de meditação acolheu a revelação trazida pelos pastores acerca da criança que ela acabara de dar à luz. O glorioso mistério de que o infante envolto em panos comuns, nascido pobre, deitado numa manjedoura era o próprio Senhor e Cristo encarnado para a salvação dos pecadores (Lc 2:11). O Filho de Deus vindo em carne era ele mesmo o Evangelho, as boas-novas de grande alegria para todo o povo, inclusive ela, Maria. No silêncio de seu coração Maria pode contemplar a glória de Deus cumprindo as profecias da Antiga aliança, trazendo ao mundo o Messias prometido como Luz para dissipar as trevas do pecado, trazendo paz aos homens (Lc 2:14).
O silêncio de Maria lhe permitiu acolher o mistério da Identidade de Cristo. Num outro texto Lucas menciona novamente a atitude de Maria frente à revelação do mistério divino – “Sua mãe, porém, guardava todas essas coisas em seu coração” (cf. Lc 2:51b). Que mistério foi esse que ela guardou em recolhimento interior e oração? O contexto dos versos anteriores (vs. 41-50) nos mostra que foi a revelação da identidade de Jesus com o Pai Celeste exposta nas suas próprias palavras – “Por que vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?”(v.49). Mesmo não tendo compreendido naquele momento todas as implicações do que fora dito por seu jovem filho (v.50), Maria acolheu aquelas palavras “Jesus se diz filho do próprio Deus”. O acolhimento do mistério contido nas palavras de Jesus possibilitou no futuro Maria compreender que Jesus e o Pai eram um (cf. Jo 10:30; 14:9,10) e que como seu Senhor e Mestre ele não lhe devia mais obediência (Jo 2:3,4) e sim que deveria ser obedecido em tudo (Jo 2:5). No silencio interior do coração Maria intuiu que aquele judeu pré-adolescente não era só o filho do carpinteiro José, seu marido, mas antes de tudo o Unigênito do Pai.
E o silêncio de Maria lhe permitiu acolher o mistério da paixão de Cristo. Apesar de não encontramos a mesma fórmula dos pontos anteriores que nos falam de Maria guardando palavras e acontecimentos no coração em atitude de meditação, não podemos desprezar a presença dessa mesma atitude perante a crucificação – “Perto da cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã dela, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena” (Jo 19:25). Maria diante do corpo pregado na cruz não diz nada. Chora apenas. E contempla a Graça e o amor redentor de Deus sendo levado até as últimas consequências por cada um de nós, inclusive por ela mesma. No silêncio de seu coração contemplativo ela descobre aos pés da cruz que naquela paixão divina havia substituição (cf. Mt 27:46), havia perdão (cf. Lc 23:34) e havia redenção (cf. Jo 19:30).
O silêncio de Maria não era um silêncio alienado, desatento e inútil. Pelo contrário, era atento e profícuo. Não vemos Maria investindo grandes somas de tempo para a realização de retiros silenciosos e meditativos. Pelo menos as Escrituras não nos relatam nada a esse respeito. Ao passo que nos mostra uma mulher comum que vivia as nuances da vida cotidiana numa dimensão espiritual. E isso lhe era possível porque ela guardava todas as coisas meditando-as no seu coração.
Essa atitude interior silenciosa lhe permitiu acolher os grandes mistérios do advento, da encarnação e da paixão, bem como a apreensão do Sagrado que lhe era oferecido por detrás dos eventos ordinários de um dia (inclusive no bronquear com o filho de 12 anos que desaparece do nada!).
Que possamos seguir seu exemplo. Que nos esforcemos para cultivar momentos silenciosos devocionais para meditarmos e orarmos. Que o silêncio desses momentos nos acompanhe no decorrer do dia à medida que em meio às múltiplas atividades de nosso viver nos voltemos para nosso interior silencioso onde o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o Deus Eterno e Triúno, nos aguarda para que continuemos a desfrutar de íntima comunhão.
Se fizermos assim como Maria cada simples atividade será meditação; cada simples acontecimento oração; cada simples pensamento contemplação.

Que Deus nos abençoe!
Vosso servo e irmão menor,
Felipe Maia, OESI/OFSE
Paz e bem.
https://vidacontemplativa.wordpress.com/2016/09/24/o-silencio-de-maria/#comment-754

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