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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Das Adversidades

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Das Adversidades
(De como são úteis aos justos e necessárias aos pecadores)

Vede essa terna mãe que por mil carícias trata de acalmar os gritos do filho, que o rega com suas lágrimas, enquanto lhe aplicam o ferro e o fogo; desde que aquela dolorosa operação se faz a seus olhos e por sua ordem, quem pode duvidar de que aquele remédio violento não deva ser extremamente útil àquela criança, e que ela não deva encontrar nele uma saúde perfeita, ou ao menos o alívio duma dor mais viva e mais longa?


Faço o mesmo raciocínio quando vos vejo na adversidade. Vós vos queixais de que vos maltratam, de que vos ultrajam, de que vos mortificam por calúnias, de que vos despojam injustamente dos vossos bens: o vosso Redentor (este nome é ainda mais terno do que o nome de pai e de mãe), o vosso Redentor é testemunha de tudo o que sofreis; Ele que vos traz no seio, Ele que declarou altamente que quem quer que vos toca o toca na pupila dos olhos, Ele próprio, não obstante, permite que sejais atribulados, embora pudesse impedi-lo, e duvidais de que essa provação passageira vos deva proporcionar as mais sólidas vantagens?

Acrescentai a isso que, quando se tratou de nos poupar penas que visivelmente nos teriam sido inúteis, Ele nada esqueceu, forçou as leis da natureza para nos garantir contra elas. Tudo quanto se atura após a morte, seja nas chamas do purgatório, tudo isso é computado como nada; não se pode esperar daí nem glória nem recompensa; só se sofre então por sofrer. Que não fez Jesus Cristo para nos preservar desses tormentos infrutíferos? Pôs tudo em uso, até o atraí-los sobre sua pessoa inocente. Foi neste intuito que ele derramou todo o seu sangue e expirou na cruz. Sim, Jesus Cristo abandonou-se a si próprio à cólera de seu Pai e à fúria dos judeus, para impedir não só que fôssemos entregues ao fogo eterno, mas ainda que fôssemos um só momento detidos no purgatório; satisfez por nossas culpas as mais leves, não deixou nada por pagar; muito mais, deixou um tesouro inesgotável de méritos à sua Igreja para os novos crimes em que incidimos todos os dias. Esta razão única me faz às vezes de mil demonstrações. Quando o Espírito Santo não tivesse chamado bem-aventurados aos que sofrem neste mundo, quando todas as páginas da escritura não falassem em favor das adversidades, quando não víssemos que elas são o quinhão mais comum dos amigos de Deus, eu não deixaria de crer que nos são infinitamente vantajosas; para me persuadir disto basta eu saber que um Deus que preferiu sofrer tudo o que a sanha dos homens pode inventar de mais horríveis torturas, a me ver condenar aos mais leves suplícios da outra vida; basta-me, digo, que saber que é esse Deus que me prepara, que me apresenta o cálice de amargura que eu devo beber neste mundo. Um Deus que sofreu tanto para me impedir de sofrer, não me faria sofrer hoje para dar A si um prazer cruel e inútil.
Quanto a mim, senhores, quando vejo um cristão abandonar-se à dor nas penas que Deus lhe envia, eu digo primeiro: Aí está um homem que se aflige com a sua felicidade; pede a Deus que o livre da indigência em que se acha, e deveria dar-lhe graças de o haver reduzido a ela. Estou certo de que nada lhe podia suceder de mais vantajoso do que isso que faz o motivo da sua desolação; tenho para o crer mil razões sem réplica. Mas se eu visse tudo o que Deus vê, se eu pudesse ler no futuro as consequências felizes com que Ele coroará essas tristes aventuras, quanto mais confirmado me sentiria no meu pensamento.
Com efeito, se pudéssemos descobrir quais são os desígnios da Providência, é certo que desejaríamos com ardor os males que sofremos com tanta repugnância. Toda gente sabe a história célebre de José. Quando os irmãos o despojaram; quando, para se desfazerem dele, o venderam aos ismaelitas, quem poderia dizer quantas lágrimas derramou ele, quantas súplicas fez para curvar os irmãos desnaturados, quantas vezes lhes abraçou os joelhos, com que dor desaprovou tudo o que os pudesse ter desgostado no seu proceder? Pode-se duvidar de que ao mesmo tempo ele tivesse feito mil votos para obter algum socorro do céu num extremo tão premente? Filho da Providência, inocente vítima, como Deus vos amaria pouco se vos escutasse! Como faríeis votos bem diversos se ele vos fizesse conhecer aonde vos devem conduzir o exílio e a servidão que temeis! O acontecimento fez ver, cristãos ouvintes, que ele tinha mais motivo de se alegrar do que de se queixar do indigno tratamento que recebia. Sabeis que Deus o levava ao trono por esse caminho. Meu Deus, se tivéssemos um pouco de fé, se soubéssemos quanto nos amais, quanto tendes a peito os nossos interesses, com que olhos encararíamos as adversidades? Ir-lhes-íamos ao encontro com solicitude, bendiríamos mil vezes a mão que nos ferisse.
Que bem me pode, pois, advir dessa moléstia que me obriga a interromper todos os meus exercícios de piedade? Dirá talvez alguém; que vantagem posso esperar dessa perda de todos os meus bens que me lança no desespero, dessa confusão que me abate a coragem e me traz a perturbação ao espírito? É verdade que esses golpes imprevistos, no momento que ferem, acabrunham às vezes aqueles sobre quem caem, e os põem fora de estado de aproveitar na mesma hora da sua desdita; esperai porém, e logo vereis que é por esse meio que Deus vos dispõe a receber os mais insignes favores. Se não fosse aquele acidente, não vos teríeis tornado mais mau, porém nunca teríeis sido tão santo. E não é verdade que, desde que vos havíeis dado a Deus, ainda vos não tínheis podido resolver a desprezar não sei que glória fundada em algum agrado do corpo, ou qualquer talento do espírito, que vos atraía a estima dos homens? Não é verdade que ainda vos restava algum amor ao jogo, à vaidade, ao luxo? Não é verdade que o desejo de adquirir riquezas, de elevar vossos filhos às honras do mundo, ainda não vos havia abandonado inteiramente? Talvez mesmo que algum apego, alguma amizade pouco espiritual, disputava ainda o vosso coração a Deus? Não vos era preciso mais que aquilo para entrardes numa liberdade perfeita; é pouco, mas afinal ainda não tínheis podido fazer esse sacrifício; a quantas graças, entretanto, esse obstáculo detinha o curso. Era pouco, mas não há nada que custe tanto à alma cristã quanto romper esse derradeiro laço que a prende ao mundo e a si mesma. Não é que nessa situação ela não sinta uma parte da sua enfermidade; mas o só pensamento do remédio a espanta, porque o mal está tão perto do coração que, sem o socorro duma operação violenta e dolorosa, não se pode curá-lo; foi por isto que se tornou mister surpreender-vos, que se fez preciso que uma mão hábil, quando menos o pensáveis, tenha levado o ferro bem a dentro na carne viva, para furar essa úlcera oculta no fundo das entranhas; não fora esse golpe, e o vosso langor duraria ainda. Essa moléstia que vos detém, essa bancarrota que vos arruína, essa afronta que vos cobre de vergonha, a morte daquela pessoa que chorais, todas essas desditas farão em breve aquilo que todas as vossas meditações não terão podido fazer, o que todos os vossos diretores teriam tentado inutilmente.
E, se a adversidade em que estais tiver o efeito que Deus pretende, se vos desgostar inteiramente das criaturas, se vos obrigar a vos dardes sem reserva ao vosso Criador, certo estou que de que lhe dareis mais agradecimentos por aquilo que Ele vos houver infligido, do que lhe oferecestes de votos para desviar a aflição: todos os demais benefícios que haveis recebido Dele, todos esses benefícios comparados àquela desdita não passarão aos vossos olhos de favores ligeiros. Havíeis sempre considerado as bênçãos temporais que até aqui Ele derramara sobre vossa família com os efeitos da sua bondade para convosco; mas então vereis claramente, sentireis no fundo d’alma que Ele nunca vos amou tanto como quando derribou tudo o que tinha feito pela vossa prosperidade, e que, se Ele tinha sido liberal dando-vos riquezas, honra, filhos, saúde, foi pródigo retirando-vos todos esses bens.
Não falo dos méritos que a gente adquire pela paciência; é certo que, geralmente, a gente ganha mais para o céu num dia de adversidade do que durante vários anos passados na alegria, por mais santo o uso que deles se faça; e para acabar de vos dizer francamente o meu pensamento, eu desconfio extremamente de todo bem que fazemos na prosperidade, e não creio que a gente se deva ficar lá muito nas virtudes que nela se praticam.
O grande apóstolo só se glorifica das suas cadeias, dos seus naufrágios e dos injustos suplícios a que o condenaram. Não faz menção alguma nem das suas orações nem das suas pregações apostólicas, porque, nessa espécie de ubras santas, raramente a gente se defende das surpresas do amor próprio sem o socorro de um longo estudo, duma extrema vigilância, duma graça extraordinária.
Todos sabemos que a prosperidade nos amolenta, e muito é quando um homem feliz segundo o mundo se dá o trabalho de pensar no Senhor uma ou duas vezes por dia: as ideias dos bens sensíveis que o rodeiam ocupam-lhe tão agradavelmente o espírito, que ele se esquece facilmente de tudo o mais. A adversidade, ao contrário, só dando por si mesma pensamentos tristes, leva-nos como naturalmente a levantar os olhos para o céu, para amenizar por essa vista a impressão amarga dos nossos males. Sei que se pode glorificar a Deus em toda a sorte de estados, e que a vida dum cristão que o serve numa fortuna risonha, não deixa de lhe fazer honra; bem longe, porém, que esse homem o honre tanto como o homem que o bendiz nos sofrimentos! Pode-se dizer que o primeiro é semelhante a um cortesão assíduo e regular que não abandona o seu príncipe, que o segue ao conselho, que é de todos os seus prazeres, que lhe faz honra a todas as festas; mas que o segundo é como um valente capitão que toma cidades para seu rei, que lhe ganha batalhas através de mil perigos e à custa do seu sangue, que leva bem longe a glória das armas de seu amo e os limites do seu império.
Assim, senhores, um homem que goza de saúde robusta, que possui grandes riquezas, que vive na honra, que tem a estima do mundo, esse homem, se usa como deve das suas vantagens, se as recebe com gratidão, se as refere a Deus que lhes é a fonte, certamente não se pode duvidar de que glorifique seu divino Mestre por um procedimento tão cristão: mas se a Providência o destitui de todos esses bens, se o cobre de dores e de misérias, e se, no meio de tantos males, ele persevera nos mesmos sentimentos, nas mesmas ações de graças, se segue o Senhor com a mesma prontidão, com a mesma docilidade, por uma senda tão difícil, tão oposta às suas inclinações, é então que ele publica a grandeza de Deus e a eficiência da sua graça, da maneira a mais generosa e a mais retumbante.
Daí, cristãos ouvintes, julgai que glória não devem esperar de Jesus Cristo as pessoas que o tiverem glorificado em trilha tão espinhosa; julgai com que aplausos não há de ser recebido no céu um cristão cuja vida não tiver passado de uma série de desventuras, de um exercício contínuo de paciência; um cristão que se apresentar, por assim dizer, coberto de sangue e de feridas, que tiver seguido seu Mestre em todas as suas penosas empresas, que lhe tiver sido o companheiro fiel dos sofrimentos. Será então, cristãos ouvintes, que havemos de reconhecer o quanto Deus nos terá amado dando-nos as ocasiões de merecer recompensa tão abundante; será então que censuraremos a nós mesmos o nos termos queixado daquilo que nos devia aumentar a felicidade, de havermos gemido, de termos suspirado quando tínhamos motivo para nos alegrarmos, de termos duvidado da bondade de Deus, quando Ele nos dava dessa bondade as mais sólidas provas. Se tais devem ser um dia os nossos sentimentos, por que não entrarmos desde hoje em tão feliz disposição? Por que desde esta vida não bendizermos a Deus no meio dos males, pelos quais estou certo de lhe render um dia no céu eternas ações de graças? Por que hei de invejar a sorte dos que vivem na prosperidade, quando eles próprios me invejarão um dia as adversidades que eu tiver padecido?
Santo Agostinho não pode admirar bastante que um senhor tão poderoso como nosso Deus, tão feliz, tão independente das suas criaturas, tenha querido obrigá-las, por um mandamento expresso, a lhe terem amor, isto é, a proporcionarem a si próprias a vantagem maior que possam fruir. Eis aqui, porém, a meu ver, um traço de bondade ainda mais admirável: e é que Ele não se contente de impor aos seus inimigos obrigação tão vantajosa para eles, e os force de alguma sorte a cumprir essa feliz obrigação.
É pela adversidade, cristãos ouvintes, que Ele coage os homens mais perversos a reentrarem nas suas boas graças; e que outra via mais eficaz para os levar a isso? A palavra de Deus, o uso dos sacramentos, as graças comuns podem manter na prática do bem os que se obrigam a eles, mas um homem sobrecarregado do peso dos negócios públicos e domésticos, uma mulher que vive nos prazeres, que é escrava da vaidade, um cristão, numa palavra, que envelheceu na sua impiedade e nas suas desordens, é mister, senhores, é mister que sofra ou que pereça.
Sei o quanto a palavra de Deus é eficaz, sei que ela é mais penetrante do que uma espada de dois gumes; mas todos os dias não vemos senão sobejamente que os homens lhe resistem e que ela não pode atingir até os corações empedernidos. Que não se há dito contra esse luxo espantoso que devora a substância assim dos pobres como dos ricos, contra esse jogo que consome impiedosamente um bem com que se poderia comprar o céu, esse jogo que nos arrebata um tempo que nos fora dado para ganharmos a eternidade? Que se não diz ainda hoje em dia contra esses desregramentos? Ai! Mas que é que produzem os nossos discursos no espírito dos jogadores de profissão, desses que gastam o mais possível em roupas? Uns esquecem-no um momento após, outros só se lembram deles para escarniçá-los; alguns até se ofendem com eles, e creem ter motivo para se queixar do pregador, porque ele disse da parte de Deus o que não podia calar sem trair a própria consciência e sem se tornar réu de perfídia. Que cumpre então faça o Senhor para fazer essas pessoas tornarem ao dever? Não há outro meio senão a indigência; há que reduzi-las à necessidade de trabalhar para fazer subsistir a família, e de revender, para viverem, aquilo que compraram para se enfeitar. Ide falar de oração e de retiro àquela mulher enamorada da própria beleza, tão vaidosa das atenções que se tem com ela no mundo; acreditais que ela seja capaz de apreciar os vossos conselhos ou sequer de ouvi-los? Para salvá-la, faz-se mister que uma moléstia a desfigure, ou que uma esmagadora confusão a faça banir para sempre das companhias.
Que tempo escolhereis para exortar aquele rico, aquele voluptuoso, a se converter? Não está ele disposto a ouvir a palavra de Deus, e muito menos ainda a vos chamar a casa para tomar junto a vós conselhos salutares. E quando o estivesse, como haveria um pensamento santo de encontrar lugar naquele espírito abarrotado dos seus negócios temporais? A própria graça, por insinuante que seja não acha abertura para lhe passar até o coração. Oh! Como há então, ó meu Deus, que desesperar daquela alma? A vossa sabedoria não tem então meio para retirá-la do precipício? O Senhor tem um meio, cristãos ouvintes, e este meio é o que ele se serve sempre para reconduzir os eleitos seus que a prosperidade lhe arrebatou; esse meio é a adversidade, é a perda daquele processo, a morte daquele marido, daquele filho único, uma paralisia, uma gota violenta, uma febre maligna, um langor incurável, uma afronta insigne. Qual será o efeito dessa desgraça? Disporá aqueles homens à compunção por uma dor mortal, dar-lhe-á desgosto dos prazeres com que estava encantado, levá-lo-á a fazer reflexões sobre os desregramentos da sua vida que lhe atraíram a cólera de Deus; sofrerá que a gente de bem se lhe achegue, quando menos para consolá-lo. E como procurará por toda parte remédios para o seu mal, far-lhe-ão conhecer a causa deste, prepará-lo-ão para receber os remédios convenientes à moléstia de sua alma. Enfim, ver-se-á ele felizmente forçado a mudar de vida, ou pela impotência de perseverar no pecado, ou pelo desejo de deter o braço do Onipotente que pesa sobre ele.
Tudo isto nos faz ver suficientemente que, de qualquer modo que vivamos, deveríamos sempre receber a adversidade com alegria. Se somos bons, a adversidade nos purifica e nos faz melhores; enche- nos de virtudes e de méritos; se somos maus, se somos viciosos, ela nos corrige, força-nos a nos tornarmos virtuosos. Se em algum de nós não tem ela este feliz efeito, se há alguém que ela não transforme ou que torne ainda pior, é esse coração endurecido que tem razão de se afligir; essa resistência inflexível é de todos os indícios de reprovação o mais certo e o mais visível. Um cristão que vive mal e que Deus não castiga, deve tremer; e, se lhe resta ainda algum sentimento, deverá fremir; mas um pecador que Deus castiga e que não verga aos seus golpes, pode-se ousadamente arrolá-lo entre os réprobos e desesperar da sua salvação.

http://almasdevotas.blogspot.com/2013/06/das-adversidades.html#more

domingo, 19 de maio de 2019

Evite esta armadilha espiritual quando você buscar o conhecimento de Deus


JACOB WRESTLING WITH THE ANGEL

Uma armadilha que pode te levar à ruína

Um dos requisitos básicos para desenvolver um relacionamento com Deus é adquirir conhecimento sobre Ele. Como diz o velho ditado, “você não pode amar o que você não conhece”.
No entanto, ao buscar conhecimento de Deus, existe um perigo espiritual que pode nos levar à ruína, ao invés de nos conduzir à salvação.
O padre italiano Lorenzo Scupoli fala sobre essa armadilha em seu livro “O Combate Espiritual”, publicado em 1589. Ele escreve:
 “Sê sóbrio e humilde até mesmo no desejo de entender as coisas celestiais, desejando não saber nada além de Cristo crucificado, Sua vida, Sua morte, e o que Ele requer de ti”. 
Scupoli continua: 
Seguindo estas instruções, você evitará muitos perigos; pois quando a astuta serpente vê a vontade daqueles que visam à vida espiritual serem fortes e resolutos, ela ataca seus conhecimentos”. 
O diabo reconhece nosso desejo por conhecimento – que é um bom desejo -,  mas depois tenta pervertê-lo. Em vez de nos permitir buscar o conhecimento de Deus, ele nos tenta a usar esse conhecimento de maneira orgulhosa e egoísta.
O que acontece depois é que nós passamos a nos perceber como grandes detentores da verdade e nos recusamos a aceitar o conselho dos outros, mesmo quando esse conselho é bom e sagrado.
Scupoli adverte sobre os perigos deste caminho: 
“Como alguém pode ser curado por uma pessoa que, obstinadamente, acredita que sua opinião vale mais do que a dos outros? Como alguém pode se submeter ao julgamento de outros homens, que considera ser muito inferior ao seu?”
Um exemplo que podemos seguir é o de São Tomás de Aquino. Ele foi, sem dúvida, uma das maiores mentes de toda a história do cristianismo, e sabia muito mais do que a maioria das pessoas sobre a natureza de Deus.
No entanto, perto do fim de sua vida, Tomás de Aquino teve uma visão espiritual que o levou a declarar: 
“Tudo o que escrevi parece pequeno diante das coisas que vi e me foram reveladas”.
Tomás de Aquino percebeu que, embora ele escrevesse a verdade, ele não era a fonte da verdade. Ele tinha uma santa humildade, que o mantinha reconhecendo seu lugar no universo e sua total dependência de Deus.
Ao buscar o conhecimento de Deus, tente reconhecer essa verdade fundamental e evite a armadilha do orgulho. Podemos ter bastante conhecimento! Mas, no final, isso é como “palha” em comparação à fonte de toda a verdade.

https://pt.aleteia.org/2019/03/28/evite-esta-armadilha-espiritual-quando-voce-buscar-o-conhecimento-de-deus/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

3 práticas católicas para quem é “espiritual, mas não religioso”

MAN PONDERING LIFE

Tantas pessoas que acreditam em Deus estão sedentas por algo mais... o que poderia ser?

Como a maioria de vocês sabe, há um número crescente de pessoas que começaram a se identificar como “espirituais, mas não religiosas”.
Eu sempre suspeitei que essa frase realmente cobrisse um grupo diversificado de pessoas, algumas que na verdade estão mais próximas do agnosticismo, e outras que praticam a fé periodicamente, mas não querem se comprometer com ela de perto.
Eu também acredito que a frase “espiritual, mas não religioso” raramente seja usada por pessoas que realmente seguem muitas práticas espirituais em suas vidas. Mas eu acho que as pessoas que usam a frase genuinamente querem ser mais espirituais, e é por isso que a usam. A frase comunica simultaneamente um distanciamento de Deus (através do desapego da maioria das práticas espirituais) e um desejo genuíno de relacionar-se com ele.
Li recentemente um interessante estudo realizado há alguns anos por uma socióloga da religião, Nancy Ammerman, que confirmava isso. Seu estudo descobriu que a maioria das pessoas que são “espirituais” dependem muito das tradições e práticas religiosas. Na verdade, ela descobriu que as pessoas que eram mais ativas na religião organizada também eram as mais comprometidas com as práticas espirituais e uma visão espiritual do mundo. E que as pessoas com o mais forte senso de presença do sagrado são aquelas que participam de atividades religiosas.
Nossa cultura individualista e relativista leva naturalmente a um desejo gnóstico de separar as práticas religiosas (corpo), associadas ao dogma e às regras, da espiritualidade (alma), que está associada ao relacionamento com Deus. Mas a nossa realidade humana simplesmente não permite que isso aconteça. Nós somos ambos: corpo e alma. Se não usamos nosso corpo na vida espiritual, nossas almas sofrem.
Uma maneira simples de explicar isso é a nossa compreensão secular de formar um hábito. Se quisermos ser saudáveis, não basta desejar ser saudável, ou apenas desenvolver mentalidades psicológicas saudáveis. Saúde envolve nosso corpo e nossa mente. E eles estão interligados.
Por que pensamos que com a espiritualidade seria diferente?
Uma pessoa “espiritual, mas não religiosa” é muito parecida com uma pessoa se diz “emocionalmente madura” mas passa o dia assistindo a séries de TV, comendo junk food, não tem emprego e passa a maior parte do tempo no sofá. Não existem muitas pessoas assim, exatamente porque a saúde da mente e do corpo estão inter-relacionadas, assim como a espiritualidade e a religião são inseparáveis.
E, sejamos sinceros, as tradições religiosas estabelecidas têm milhares de anos de experiência e acumulam conhecimento na área do crescimento espiritual. Não faz sentido rejeitar essa sabedoria se o relacionamento com Deus for realmente importante para uma pessoa.
Diante disso, quero crer que há muitas pessoas “espirituais, mas não religiosas” por aí que estão sedentas por mais “espiritualidade”, mas não estão realmente certas de como alcançá-la. E a resposta fácil é: religião.
Você vem de uma família católica, mas se identifica hoje como “espiritual, mas não religioso”?
Você conhece alguém que é “espiritual, mas não religioso”?
Você é um frequentador eventual da missa, mas está procurando por algo mais?
Aqui estão três práticas religiosas que você pode desenvolver e que certamente irão ajudá-lo em sua vida espiritual.

1. Exame de Consciência

Pratique o Exame de Consciência Diário: esta prática tem raízes antigas e tem sido praticada há séculos por pessoas que são sérias no quesito “desenvolvimento espiritual”. Geralmente envolve cinco etapas nas quais nos colocamos na presença de Deus e revisamos nosso dia. Este tipo de meditação não é um momento de nos debatermos, mas de rever o dia em atitude de ação de graças e pedir a Deus a graça de fazer melhor nas áreas em que não estamos maduros espiritualmente. O Exame de Consciência nos ajuda a crescer em virtude e desenvolver uma atitude de gratidão. Se você quiser fazê-lo efetivamente, defina um tempo para esse tipo de meditação e certifique-se de cumpri-la todos os dias.

2. Terço

Faça uma caminhada rezando o Terço: muitas pessoas “espirituais, mas não religiosas” encontram Deus na natureza e isso é totalmente compreensível. Eu me converti do ateísmo logo depois de trabalhar em uma fazenda todos os dias por vários meses; não foi coincidência. Assim, uma maneira de combinar práticas religiosas com a natureza é orar, não apenas para sentir uma onda de gratidão e admiração naquele momento, mas para orar meditativamente enquanto caminha. O Terço  é uma grande revisão de alguns dos eventos básicos dos Evangelhos e fazer uma caminhada rezando o Terço pode ser uma maneira maravilhosa de orar essa antiga oração.

3. Adoração Eucarística

Procure uma igreja ou capela em sua região. Descubra quando sua igreja local está aberta. Você pode até não acreditar na Eucaristia. Você pode nem saber direito o que é, tendo apenas uma vaga lembrança da Primeira Comunhão. Mas experimente ir a um sacrário. É uma ótima maneira de estruturar um tempo de oração. Comprometa-se a ir uma vez por semana durante uma hora. Sente-se na presença de Deus. Não se preocupe muito com o que você deveria estar fazendo ou pensando. Apenas fale com Deus como você faria com um amigo. Então sente-se em silêncio e deixe a presença de Deus envolver você. Não lute contra as dúvidas que possam surgir em sua mente. Basta deixá-las flutuar enquanto você está envolvido no silêncio.
Ah, uma última coisa: eu sou freira, por isso, se você é católico e não participa da missa há algum tempo, espero que você pense em voltar.

sábado, 4 de maio de 2019

Inácio de Antioquia




I
nácio foi bispo de Antioquia da Síria entre 68 e 100 ou 107, discípulo do apóstolo João, também conheceu Paulo e foi sucessor de Pedro na igreja em Antioquia. Segundo Eusébio de Cesareia, Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia da Síria e, segundo Orígenes, teria sido o segundo bispo da cidade.

Vida

Antioquia, à margem do Orontes, a capital da província romana da Síria, terceira cidade do Império depois de Roma e Alexandria, ocupa um importante lugar na história do Cristianismo. Foi ali que Paulo pregou o seu primeiro sermão cristão (numa sinagoga), e foi ali que os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos.
Foi preso por ordem do imperador Trajano (r. 98–117) e condenado a ser lançado aos leões no Coliseu em Roma. As autoridades romanas esperavam fazer dele um exemplo e, assim, desencorajar o cristianismo. Porém, sua viagem a Roma ofereceu-lhe a oportunidade de conhecer e ensinar os conceitos cristãos, e no seu percurso, Inácio escreveu seis cartas para as igrejas da região e uma para um colega bispo, Policarpo. Ao falar sobre sua execução, Inácio disse a famosa expressão:
“Trigo de Cristo, moído nos dentes das feras”.
E na iminência do martírio prometeu aos cristãos que mesmo depois da morte continuaria a orar por eles junto de Deus:
Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que sejais encontrados nele sem reprovação"

Obras

Atribui-se sete obra a Inácio, conhecidas como Epístolas de Inácio, preservadas no Codex Hierosolymitanus.

Morte

No ano 106, Santo Inácio está em Roma, onde, no ano seguinte, foram lançados às feras seus dois companheiros, Zózimo e Rufo. Santo Inácio os seguiria dois dias mais tarde. Restaram poucas relíquias de seu corpo. Mas suas relíquias imortais são suas cartas, das quais fala o Pe. J. Huby: “Inácio, entregue às feras no tempo de Trajano, é o exemplar do pontífice entusiasta e o modelo de mártir. É a realização viva das palavras apostólicas: Já não sou eu que vivo, é Cristo que Vive em mim … Desejo ser desfeito e estar em Cristo. As suas insistências não comoveram menos a Igreja que as de São Paulo, e em certas frases, mil vezes citadas, parece estar concentrado todo o espírito dos mártires”.

Santo Inácio de Antioquia

Também chamado Theophorus ( ho Theophoros ); nascido na Síria , por volta do ano 50; morreu em Roma entre 98 e 117.
Mais do que um dos primeiros escritores eclesiásticos deram credibilidade, embora aparentemente sem uma boa razão, à lenda de que Inácio era a criança que o Salvador assumiu em Seus braços, conforme descrito em Marcos 9:35 . Acredita-se também, e com grande probabilidade, que, com seu amigo Policarpo , ele estava entre os auditores do apóstolo São João. Se incluirmos São Pedro, Inácio foi o terceiro Bispo de Antioquia e sucessor imediato de Evódio ( Eusébio , História da Igreja II.3.22). Teodoreto ("Dial. Immutab", I, iv, 33a, Paris, 1642) é a autoridade para a afirmação de que São Pedro nomeou Inácio para a Sé de Antioquia. São João Crisóstomo coloca especial ênfase na honra conferida ao mártir em receber sua consagração episcopal nas mãos dos próprios Apóstolos ("Hom. In St. Ig.", IV. 587). Natalis Alexander cita Theodoret para o mesmo efeito (III, xii, art. Xvi, p. 53).
Todas as excelentes qualidades do pastor ideal e um verdadeiro soldado de Cristo foram possuídas pelo Bispo de Antioquia em um grau preeminente. Assim, quando a tempestade da perseguição de Domiciano rompeu em toda a sua fúria sobre os cristãos da Síria , encontrou seu fiel líder preparado e vigilante. Ele foi incansável em sua vigilância e incansável em seus esforços para inspirar esperança e fortalecer os fracos de seu rebanho contra os terrores da perseguição.A restauração da paz, embora tenha sido de curta duração, confortou-o grandemente. Mas não foi por ele mesmo que ele se alegrou, pois o grande e sempre presente desejo de sua alma cavalheiresca era que ele pudesse receber a plenitude do discipulado cristão através do martírio . Seu desejo não era permanecer por muito tempo insatisfeito. Associado com os escritos de Santo Inácio está uma obra chamada "Martyrium Ignatii", que pretende ser uma conta por testemunhas oculares do martírio de Santo Inácio e os atos que levam a isso. Neste trabalho, que críticos protestantes competentes como Pearson e Ussher consideram genuíno, a história completa dessa jornada memorável da Síria Roma é fielmente registrada para a edificação da Igreja de Antioquia . É certamente muito antiga e tem a fama de ter sido escrita por Filo , diácono de Tarso , e por Rheus Agathopus, um sírio , que acompanhou Inácio a Roma . É geralmente admitido, mesmo por aqueles que o consideravam autêntico, que este trabalho foi muito interpolado. Sua forma mais confiável é a encontrada no "Martyrium Colbertinum", que fecha a recensão mista e é assim chamado porque sua testemunha mais antiga é o Codex Colbertinus do século X (Paris).
De acordo com esses Atos, no nono ano de seu reinado, Trajano , corado com a vitória sobre os citas e dácios, buscou aperfeiçoar a universalidade de seu domínio por uma espécie de conquista religiosa. Ele decretou, portanto, que os cristãos deveriam se unir com seus vizinhos pagãos na adoração dos deuses. Uma perseguição geral foi ameaçada, e a morte foi nomeada como a penalidade para todos os que se recusaram a oferecer o sacrifício prescrito. Imediatamente alertando para o perigo que ameaçava, Inácio se aproveitou de todos os meios ao seu alcance para frustrar o propósito do imperador. O sucesso de seus esforços zelosos não ficou muito tempo escondido dos perseguidores da Igreja Ele logo foi preso e liderado antes de Trajano , que na época estava em Antioquia . Acusado pelo próprio imperador de violar o édito imperial e de incitar os outros a gostar de transgressões, Inácio valentemente testificou a  de Cristo . Se podemos acreditar no relato dado no "Martírio", seu porte diante de Trajano foi caracterizado por uma eloqüência inspirada, uma coragem sublime e até mesmo um espírito de exultação. Incapaz de apreciar os motivos que o animavam, o imperador ordenou que ele fosse acorrentado e levado para Roma , para se tornar alimento de feras e um espetáculo para o povo.
Que as provações desta jornada a Roma foram grandes, reunimos de sua carta aos Romanos (par. 5): "Da Síria até Roma, eu luto com feras, por terra e por mar, de noite e de dia, sendo amarrado em meio a dez leopardos, até uma companhia de soldados, que só pioram quando são gentilmente tratados ". Apesar de tudo isso, sua jornada foi uma espécie de triunfo. A notícia de seu destino, seu destino e seu provável itinerário haviam transcorrido rapidamente. Em vários lugares ao longo da estrada, seus companheiros cristãos o saudaram com palavras de conforto e homenagem reverente. É provável que ele tenha embarcado para Roma em Selêucia , na Síria , o porto mais próximo de Antioquia.tanto para Tarso, na Cilícia, quanto para Attalia, na Panfília, e daí, ao coletarmos de suas cartas, ele viajou por terra através da Ásia Menor . Em Laodiceia, no rio Lico, onde uma variedade de rotas se apresentava, seus guardas escolheram o mais ao norte, o que levou o possível mártir a Filadélfia e Sardes e finalmente a Esmirna , onde Policarpo , seu discípulo na escola de São Nicolau. João, foi bispo . A estada em Esmirna , que foi prolongada, deu aos representantes das várias comunidades cristãs da Ásia Menor a oportunidade de saudar o ilustreprisioneiro , e oferecendo-lhe a homenagem das Igrejas que eles representavam. Das congregações de Éfeso, Magnésia e Tralles, as delegações vieram consolá-lo. A cada uma dessas comunidades cristãs , ele endereçou cartas de Esmirna , exortando-as à obediência a seus respectivos bispos e advertindo-as para evitar a contaminação da heresia . Estas cartas são cheias de espírito de caridade cristã , de zelo apostólico e de solicitude pastoral. Ainda lá, escreveu também aos cristãos de Roma , implorando-lhes que não fizessem nada para privá-lo da oportunidade do martírio..
De Esmirna seus captores o levaram para Troas , de onde ele enviou cartas aos cristãos de Filadélfia e Esmirna e a Policarpo . Além dessas cartas, Inácio pretendia dirigir-se a outras comunidades cristãs da Ásia Menor , convidando-as a expressar publicamente sua solidariedade aos irmãos de Antioquia , mas os planos alterados de seus guardas, necessitando de uma partida apressada de Troas , foram derrotados. seu objetivo, e ele foi obrigado a se contentar com a delegação deste escritório para seu amigo PolycarpEm Troas, eles levaram o navio para Neapolis. Deste lugar, sua jornada os levou por terra através da Macedônia e da Ilíria . O próximo porto de embarque foi provavelmente Dyrrhachium (Durazzo). Quer tenha chegado às margens do Adriático, ele completou sua jornada por terra ou por mar, é impossível determinar. Pouco depois de sua chegada a Roma, ele conquistou sua cobiçada coroa do martírio no anfiteatro Flaviano . As relíquias do santo mártir foram trazidas de volta a Antioquia pelo diácono Filo da Cilícia, e Rheus Agathopus, um sírio , e foram enterradosfora dos portões não muito longe do belo subúrbio de Daphne. Eles foram posteriormente removidos pelo Imperador Teodósio II para o Tychaeum, ou Templo da Fortuna, que foi então convertido em uma igreja cristã sob o patrocínio do mártir, cujas relíquias ele abrigou. Em 637 eles foram traduzidos para São Clemente em Roma, onde agora descansam. Igreja celebra a festa de Santo Inácio em 1 de fevereiro.
O caráter de Santo Inácio, conforme deduzido de seus próprios escritos e dos escritos de seus contemporâneos, é o de um verdadeiro atleta de Cristo. A tríplice honra de apóstolo, bispo e mártir era bem merecida por esse energético soldado da fé. Uma devoção entusiasta ao dever , um amor apaixonado pelo sacrifício e um absoluto destemor na defesa da verdade cristã , eram suas principais características. O zelo pelo bem-estar espiritual dos que estão a seu cargo respira de todas as linhas de seus escritos. Sempre vigilantes para não serem infectados pelas heresias desenfreadas daqueles primeiros dias; Rezarpara eles, que sua  e coragem podem não ser necessárias na hora da perseguição ; exortando-os constantemente à obediência infalível aos seus bispos ; ensinando-lhes toda verdade católica ansiosamente suspirando pela coroa do martírio , que seu próprio sangue pode frutificar na adicionados graças nas almas do seu rebanho, ele prova a si mesmo em todos os sentidos a verdade , pastor de almas , o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas.

Coleções

A coleção mais antiga dos escritos de Santo Inácio, conhecida por ter existido, foi usada pelo historiador Eusébio na primeira metade do século IV, mas que infelizmente não existe mais. Era composto das sete cartas escritas por Inácio, enquanto a caminho de Roma ; Estas cartas foram dirigidas aos cristãos
  • de Éfeso ( Pros Efésios );
  • de magnésia ( Magnesieusin );
  • de Tralles ( Trallianois );
  • de Roma ( Pros Romaious );
  • da Filadélfia ( Philadelpheusin );
  • de Esmirna ( Esmirnaiois ); e
  • para Polycarp ( Pros Polykarpon ).
Encontramos esses sete mencionados não apenas por Eusébio ( História da Igreja III.36 ), mas também por São Jerônimo (De viris illust., C. Xvi). Das coleções posteriores de cartas inacianas que foram preservadas, a mais antiga é conhecida como a "recensão longa". Esta coleção, cujo autor é desconhecido, data da última parte do quarto século. Contém as sete genuínas e seis cartas espúrias, mas mesmo as epístolas genuínas foram grandemente interpoladas para dar peso às visões pessoais de seu autor. Por essa razão, eles são incapazes de testemunhar a forma original. As cartas espúrias nesta recensão são aquelas que pretendem ser de Inácio
  • a Maria de Cassobola ( Pros Marian Kassoboliten );
  • aos Társios ( Pros tous en tarso );
  • aos filipenses ( Pros Philippesious );
  • aos Antiochenes ( Pros Antiocheis );
  • a Herói diácono de Antioquia ( Pros Erona diakonon Antiocheias ). Associado ao precedente é
  • uma carta de Maria de Cassobola para Inácio.
É extremamente provável que a interpolação do genuíno, o acréscimo das cartas espúrias e a união de ambos na longa recensão fosse obra de um apolinarista da Síria ou do Egito , que escreveu em torno do começo do quinto século. Funk identifica-lo com o compilador das Constituições Apostólicas, que saiu da Síriano início do mesmo século. Posteriormente, foi adicionado a esta coleção um panegírico sobre Santo Inácio, intitulado "Laus Heronis". Embora no original fosse provavelmente escrito em grego, é agora existente apenas em textos latinos e coptas. Há também uma terceira recensão, designada por Funk como a "coleção mista". O tempo de sua origem só pode ser vagamente determinado como estando entre aquele da coleção conhecida por Eusébio e a longa recensão. Além das sete cartas genuínas de Inácio em sua forma original, também contém as seis espúrias, com exceção daquelas para os filipenses.
Nesta colecção encontra-se também o "Martyrium Colbertinum". O original grego desta recensão está contido em um único códice, o famoso manuscrito Mediceo-Laurentianus em Florença. Este códice é incompleto, querendo a carta aos romanos, que, no entanto, deve ser encontrada associada ao "Martyrium Colbertinum" no Codex Colbertinus, em Paris . A coleção mista é considerada a mais confiável de todas para determinar qual era o texto autêntico das genuínas cartas inacianas. Há também uma antiga versão latina que é uma representação extraordinariamente exata do grego. Os críticos estão geralmente inclinados a considerar esta versão como uma tradução de algum manuscrito gregodo mesmo tipo que o do Medicex Codex. Esta versão deve a sua descoberta ao arcebispo Ussher, da Irlanda , que o encontrou em dois manuscritos em inglês bibliotecas e publicou-o em 1644. Foi a obra de Robert Grosseteste , um franciscano frei e bispo de Lincoln (c. 1250). A versão original siríaca chegou até nós em sua totalidade apenas em um armêniotradução. Também contém as sete letras genuínas e seis espúrias. Essa coleção no siríaco original seria inestimável para determinar o texto exato de Inácio, se existisse, porque não poderia ter sido posterior ao quarto ou quinto século. As deficiências da versão armênia são em parte fornecidas pela recensão abreviada no siríaco original. Este resumo contém as três cartas genuínas aos Efésios, aos Romanos e a Policarpo. manuscrito foi descoberto por Cureton em uma coleção de manuscritos sírios obtidos em 1843 do mosteirode Santa Maria Deipara no deserto de Nitria. Também existem três letras existentes apenas em latim. Dois dos três pretendem ser de Inácio a São João Apóstolo , e um para a Santíssima Virgem , com a sua resposta para o mesmo. Estes são provavelmente de origem ocidental, não datando mais do que o século XII.

A controvérsia

Em intervalos durante os últimos séculos, uma controvérsia calorosa foi levada a cabo pelos patrologistas a respeito da autenticidade das cartas inacianas. Cada recensão particular teve seus apologistas e seus oponentes. Cada um foi favorecido com a exclusão de todos os outros, e todos, por sua vez, foram rejeitados coletivamente, especialmente pelos correligionários de Calvino . O próprio reformador, em linguagem tão violenta quanto não acrítica (Institutes, 1-3), repudia em globo as cartas que tão completamente desacreditam suas próprias visões peculiares sobre o governo eclesiástico . As provas convincentes que as cartas trazem à origem divina da doutrina católicanão é propício para predisposição de críticos não-católicos em seu favor, na verdade, acrescentou um pouco ao calor da controvérsia. Em geral, eruditos católicos e anglicanos são colocados ao lado das cartas escritas aos efésios, aos magnesianos, aos trálicos, aos romanos, aos filadelfianos, aos smyrniots e a Policarpo; enquanto os presbiterianos, em regra, e talvez a priori, repudiam tudo o que reivindicava a autoria inaciana.
As duas cartas ao Apóstolo São João e a da Santíssima Virgem , que existem apenas em latim, são unanimemente admitidas como espúrias. O grande corpo de críticos que reconhece a autenticidade das cartas inacianas restringe sua aprovação àquelas mencionadas por Eusébio e São Jerônimo . Os outros seis não são defendidos por nenhum dos primeiros Padres. A maioria daqueles que reconhecem a autoria inaciana das sete letras o fazem condicionalmente, rejeitando o que consideram as interpolações óbvias nessas cartas. Em 1623, enquanto a controvérsia estava no auge, Vedelius deu expressão a esta última opinião publicando em Genebrauma edição das cartas inacianas em que as sete letras genuínas são separadas das cinco espúrias. Nas cartas genuínas, ele indicava o que era considerado interpolação. O reformador Dallaeus, em Genebra , em 1666, publicou um trabalho intitulado "De scriptis quae sub Dionysii Areop. E Ignatii Antioch. Nominibus circumferuntur", no qual (lib. II) questionou a autenticidade de todas as sete letras. Para isso, o anglicano Pearson respondeu animadamente em uma obra chamada "Vindiciae epistolarum S. Ignatii", publicada em Cambridge.1672. Tão convincentes foram os argumentos aduzidos nesta obra acadêmica que, por duzentos anos, a controvérsia permaneceu fechada em favor da genuinidade das sete letras. A discussão foi reaberta pela descoberta de Cureton (1843) da versão abreviada do siríaco, contendo as cartas de Inácio aos efésios, romanos e a Policarpo. Em um trabalho intitulado "Vindiciae Ignatianae", Londres, 1846), ele defendeu a posição de que apenas as letras contidas em sua recensão abreviada siríaca, e na forma nele contida, eram genuínas e que todas as outras eram interpoladas ou falsificadas. Esta posição foi vigorosamente combatida por vários críticos britânicos e alemães, incluindo os católicos denzinger.e Hefele, que defendeu com sucesso a genuinidade de todas as sete epístolas. Agora é geralmente admitido que a versão siríaca de Cureton é apenas uma abreviação do original.
Embora dificilmente se possa dizer que há atualmente um acordo unânime sobre o assunto, a melhor crítica moderna favorece a autenticidade das sete cartas mencionadas por Eusébio . Até mesmo críticos eminentes e não-católicos como Zahn, Lightfoot e Harnack têm essa visão. Talvez a melhor evidência de sua autenticidade seja encontrada na carta de Policarpo aos filipenses, que menciona cada um deles pelo nome. Como amigo íntimo de Inácio, Policarpo , escrevendo logo após a morte do mártir , é testemunha contemporânea da autenticidade dessas cartas, a menos que, de fato, a própria Policarpo seja considerada interpolada ou forjada. Quando, além disso, levamos em consideração a passagem de Irineu(Adv. Haer., V, xxviii, 4) encontrado no original grego em Eusébio ( História da Igreja III.36 ), em que ele se refere à carta aos romanos. (iv, I) nas seguintes palavras: "Assim como um de nossos irmãos disse, condenado às feras no martírio por sua fé", a evidência da autenticidade torna-se convincente. O romance de Lucian de Samosata , "De morte peregrini", escrito em 167, traz indícios incontestáveis ​​de que o escritor não estava apenas familiarizado com as cartas inacianas, mas até mesmo fazia uso delas. Harnack, que nem sempre se importou, descreve essas provas como "um testemunho tão forte da genuinidade das epístolas quanto qualquer uma que possa ser concebida" (Expositor, ser. 3, III, p. 11).

Conteúdo das cartas

É quase impossível exagerar a importância do testemunho que as cartas inacianas oferecem ao caráter dogmático do cristianismoapostólico martirizado bispo de Antioquia constitui o elo mais importante entre os Apóstolos e os Padres da Igreja primitiva Recebendo dos próprios Apóstolos, cujo auditor ele era, não apenas a substância da revelação , mas também sua própria interpretação inspirada; Habitando, por assim dizer, na própria fonte da verdade do Evangelho , seu testemunho deve necessariamente levar consigo o maior peso e exigir a mais séria consideração. Cardeal Newmannão exagerou a questão quando disse ("A Teologia das Sete Epístolas de Santo Inácio", em "Historical Sketches", I, London, 1890) que "todo o sistema da doutrina católica pode ser descoberto, pelo menos em linhas gerais , para não dizer em partes preenchidas, no curso de suas sete epístolas ". Entre as muitas doutrinas católicas a serem encontradas nas cartas estão as seguintes:
Ele, além disso, denuncia em princípio a doutrina protestante do julgamento privado em questões de religião ( Filadélfia 3 ). A heresia contra a qual ele principalmente investe é o docetismo . Nem as heresias judaizantes escapam de sua vigorosa condenação.

Edições

As quatro letras encontradas em latim só foram impressas em Paris em 1495. A versão latina comum de onze cartas, juntamente com uma carta de Policarpo e algumas obras de renome de Dionísio, o Areopagita , foi impressa em Paris , em 1498, por Lefèvre d'Etaples . Outra edição das sete cartas genuínas e seis espúrias, incluindo a de Maria de Cassobola, foi editada por Symphorianus Champerius, de Lyon , Paris, 1516. Valentinus Paceus publicou uma edição grega de doze letras (Dillingen, 1557). Uma edição similar foi lançada em Zuriqueem 1559, por Andrew Gesner; uma versão latina da obra de John Brunner acompanhou-a. Ambas as edições fizeram uso do texto grego da longa recensão. Em 1644, o arcebispo Ussher editou as cartas de Inácio e Policarpo . A versão latina comum, com três das quatro letras latinas, foi anexada. Também continha a versão latina de onze cartas extraídas dos manuscritos de Ussher Em 1646, Isaac Voss publicou em Amsterdã uma edição do famoso Medicex Codex em Florença. Ussher trouxe outra edição em 1647, intitulada "Apêndice Ignatiana", que continha o texto grego das epístolas genuínas e a versão latina do "Martyrium Ignatii".
Em 1672, a edição de JB Cotelier apareceu em Paris , contendo todas as cartas, genuínas e supositivas, de Inácio, com as dos outros Padres Apostólicos . Uma nova edição deste trabalho foi impressa por Le Clerc em Antuérpia , em 1698. Foi reimpressa em Veneza , 1765-1767, e em Paris por Migne em 1857. A carta aos romanos foi publicada a partir do "Martyrium Colbertinum" em Paris. , por Ruinart, em 1689. Em 1724 Le Clerc trouxe a Amsterdamuma segunda edição de "Patres Apostolici" de Cotelier, que contém todas as letras, genuínas e espúrias, nas versões grega e latina. Também inclui as cartas de Maria de Cassobola e as que supostamente são da Santíssima Virgem no "Martyrium Ignatii", as "Vindiciae Ignatianae" de Pearson, e várias dissertações. A primeira edição da versão armênia foi publicada em Constantinopla em 1783. Em 1839, Hefele editou as cartas inacianas em uma obra intitulada "Opera Patrum Apostolicorum", que apareceu em Tübingen . Mignetirou seu texto da terceira edição deste trabalho (Tübingen, 1847). Bardenhewer designa as seguintes como as melhores edições: Zahn, "Ignatii et polycarpi epistulae martyria, fragmenta" em "Patr. Apostol. Opp. Rec.", Ed. por de Gebhardt, Harnack, Zahn, fasc. II, Leipzig, 1876; Funk, "Opp. Patr. Apostol.", Eu, Tübingen, 1878, 1887, 1901; Lightfoot, "The Apostolic Fathers", parte II, Londres, 1885, 1889; uma versão em inglês das cartas encontradas nos "Apostolic Fathers" de Lightfoot, Londres, 1907, de onde são tiradas todas as citações das letras deste artigo, e para as quais todas as citações se referem.

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Citação APA. O'Connor, JB (1910). Santo Inácio de Antioquia. Na Enciclopédia Católica. Nova Iorque: Robert Appleton Company. Retirado em 4 de maio de 2019 do New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/07644a.htm
MLA citação. O'Connor, John Bonaventure. "Santo Inácio de Antioquia". A Enciclopédia Católica. Vol. 7. Nova York: Robert Appleton Company, 1910. 4 de maio de 2019 <http://www.newadvent.org/cathen/07644a.htm>.
Transcrição. Este artigo foi transcrito para New Advent por Charles Sweeney, SJ
Aprovação eclesiástica. Nihil Obstat. 1 de junho de 1910. Remy Lafort, STD, Censor. Imprimatur. + John Cardinal Farley, arcebispo de Nova York.
Informações de contato. O editor do New Advent é Kevin Knight. Meu endereço de e-mail é webmaster em newadvent.org. Infelizmente, não posso responder a todas as cartas, mas agradeço muito o seu feedback, especialmente notificações sobre erros tipográficos e anúncios inadequados.

http://www.newadvent.org/cathen/07644a.htm

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