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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Para viver no Espírito...

"Se queremos ter vida espiritual, temos que unificar nossa vida.
Para unificar nossa vida, unifiquemos nossos desejos.
Para espiritualizar nossa vida, espiritualizemos nossos desejos.
Para espiritualizar nossos desejos, desejemos não ter desejos.

Viver no espírito é viver para Deus, em quem cremos sem poder vê-lo.
Desejar isso é, portanto, renunciar ao desejo de tudo que pode ser visto.
Possuir aquele que não pode ser compreendido é renunciar a tudo que pode ser compreendido.
Para repousar naquele que está para além de todo repouso criado, renunciamos ao desejo de repousar nas coisas criadas.

Renunciando ao mundo, conquistamos o mundo e nos elevamos acima de sua multiplicidade, tudo reunindo na simplicidade de um amor que tudo encontra em Deus."

Thomas Merton, "Na Liberdade da Solidão", Vozes 2014, pág. 47.

sábado, 18 de junho de 2016

Noite sem sono

Quase todos nós às vezes não conseguimos dormir a noite. Permanecemos acordados, no escuro, durante as horas de silêncio. Isso raramente acontece quando nossos corações e almas estão em paz; acontece, normalmente, quando estamos perturbados de alguma forma. Por esta razão, não amaldiçoem a sua falta de sono. Estes tempos de vigília foram enviados por Deus como um sinal de que algo está errado, e como um período de reflexão. Então, quando você não consegue dormir, permita que os pensamentos que se encontram no mais profundo de seu coração subam à superfície.

São João Crisóstomo

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Outra morada

Não terás outra morada além do teu coração,
Pois na Terra, onde somos peregrinos,
Ninguém construirá morada permanente:
Não terás outra morada além do teu coração.
Então, ao redor dele, na atmosfera ardente.

Que dele nasce, que o envolve e que aspira
Todos os raios vindos das coisas que deseja,
Evoca o silêncio e o divino silêncio;
A forma que reveste a primeira hipóstase
Te levará nas Quatro asas do êxtase.
A vida interior é feita de silêncio.
É o palácio que tem por base o silêncio.
É a flor do fogo: o silêncio é o vaso,
O silêncio é o vaso onde bebes a beleza.
Tu que passas aqui, com certeza mas sacudido
Entre tua vida real e tua vida aparente,
Tua vida real tenebrosa e veemente
Como a paixão, o trovão e a morte.
Cobre com um véu de sombra e noite o tesouro
Dessa vida interior, que escolhe
Entre tuas almas a melhor e mais pura,
Para que nada atente para seu mistério intenso,
E que sua força virgem, integral, se aplique
A edificar a arte em que as mãos do silêncio
Venham a tecer o manto de tua alegria

-- V.E. Michelet

Orar com o coração

É necessário orar com o coração, encontrar a Oração do Coração. É necessário sentar-se em um lugar retirado e tranquilo, longe do ruído e do movimento, em silêncio. Inclinar a cabeça até o coração, afastar-se da agitação dos pensamentos, dizer não à dispersão, à multiplicidade das imagens, das idéias, das recordações. Respirar, calma, lenta, profundamente, orando ao Cristo Íntimo. Fixar o olhar interior no "Lugar do Coração", todavia sombrio e obscuro, onde a Oração introduz o Nome Divino do Cristo com o ritmo da respiração. Pouco a pouco o nome do Cristo se identifica com as batidas do coração. O coração, por si mesmo, ora e respira sem cessar na Oração do Cristo que se converte assim, na "Oração Perpétua" e incessante.

A oração do coração

domingo, 5 de junho de 2016

Orientações para a Prática da Oração Do Coração

"Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim.

"Orar é descer com a mente ao coração e ali ficar diante da face do Senhor, onipresente, onividente dentro de nós."

Numerosos Padres da Igreja nos dizem que a Oração de Jesus é "essencial" para o nosso crescimento espiritual. Ela proclama a nossa fé e mais do que qualquer outra, nos ajuda a ser capaz de "estar na presença de Deus." Isso significa que ela nos ajuda a concentrar a nossa mente exclusivamente em Deus com "nenhum outro pensamento" ocupando a nossa mente exceto o pensamento de Deus. Neste momento, quando nossa mente está totalmente concentrada em Deus, descobrimos uma relação muito pessoal e direta com Ele. A Oração de Jesus é ao mesmo tempo uma disciplina e uma oração. Como oração, ela proclama nossa fé em Deus e busca sua misericórdia para nossa reconhecida pecaminosidade. Como disciplina, a sua prática nos ajuda a controlar nossa mente e seus muitos pensamentos dispersos, para que possamos concentrar nossa atenção em Deus mais e mais freqüentemente durante a nossa vida diária. O objetivo é tornar-nos um com Deus e tornar nossa vida uma oração contínua e dedicada a agir de acordo com a vontade divina.

Fundamentação Teológica
A oração começa com o nome do nosso Deus e Senhor, Jesus Cristo. No livro de Atos nos é dito: "Não há nenhum outro nome sob o céu dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12). O poder da oração vem da nossa proclamação do nome do Senhor. Na sua forma mais simples, nós confessamos a nossa fé em Jesus Cristo como nosso Deus e Senhor.

A Prática da Oração de Jesus
A forma como nossos santos Padres nos dizem para usar a Oração de Jesus é repetí-la mais e mais, centenas de vezes, como parte de nossa regra de oração diária. É melhor praticá-la pela manhã, já que este é o período em que nossa mente se encontra mais quieta. Reserve também um período no final do dia, de preferência ao pôr do sol caso lhe seja possível. Comece repetindo a oração verbalmente, sussurrando, com foco e atenção em cada palavra da oração. Repíta-a continuamente durante 15 minutos inicialmente, e depois expanda este tempo progressivamente até 30 minutos, conforme for percebendo o desafio de lidar com seus pensamentos. A Atenção é de suma importância. Seja sincero em sua oração e faça-a com contrição.

Dois Propósitos
O primeiro propósito é a adoração com arrependimento como toda oração. A este respeito, deve ser repetida com sinceridade total. Deve ser acoplada com uma atitude de arrependimento juntamente com humildade.
O segundo propósito desta oração é nos ajudar a nos concentrar em nossa vida interior, acalmando-a, para que possamos concentrar nossa atenção totalmente em Deus. Podemos nos referir a isso como uma forma de purificação espiritual. Se estudarmos o comportamento humano, saberemos que o nosso cérebro é muito ativo e facilmente distrai nossa mente já que ela reage continuamente a vários estímulos através dos nossos cinco sentidos. A repetição desta oração é uma disciplina ascética para nos ajudar a concentrar a atenção da nossa mente em Deus, em vez da estimulação infinita de nossos sentidos e nossa orientação tendenciosa para buscar o prazer e distrações.
Três Estágios da Prática da Oração de Jesus
Há três estágios de progresso no uso da Oração de Jesus. Você começa com a Oração Verbal, então torna-se silenciosa ou mental e, finalmente, a oração contínua no coração. Começamos com a oração vocal. A humildade é essencial ao usar a Oração de Jesus, a humildade é um pré-requisito para toda a oração.
Atenção da Mente
Você pode esperar ser bombardeado com pensamentos como um enxame de mosquitos. Quando sua mente for distraída da oração por pensamentos, gentilmente, conduza-a de volta para a concentração na Oração em busca de Deus. Quando você perceber sua mente vagando, não deixe-a continuar neste caminho. Não aceite nem mesmo os bons pensamentos. Deixe sua alma assumir o comando e mova seu foco, sua atenção, de volta para as palavras da oração. A mente é naturalmente instável, mas Aquele que ordena todas as coisas pode controlá-la.
Paciência
Lembre-se, este é um processo e você vai passar por fases. Nossos esforços iniciais "atentos" nos levarão naturalmente ao Templo Coração. Uma coisa é orar com atenção, com a participação do coração; outra coisa é descer com a mente ao Templo Coração e de lá oferecer a Oração Mística, cheia de graça e poder divino. O segundo é resultado do primeiro. Tudo isso é realizado sob a orientação da graça de Deus. É inútil esforçarmo-nos para o segundo antes de adquirir o primeiro.

Quanto Tempo Orar
Como regra geral, você deve praticar um mínimo de 15 minutos qualquer sessão de oração. Qualquer coisa menos que isso não vai ajudá-lo a desenvolver a atenção necessária para a Oração do Coração. Você deve, então, esforçar-se para atingir um período de trinta minutos de prática, em dois períodos do dia, ao amanhecer e ao anoitecer (30 minutos em cada período). Você precisará medir o seu tempo para se certificar de que você está cumprindo o seu tempo desejado. Uma maneira é com um relógio. Outra maneira é usar um Cordão de Oração. Um cordão de oração tem 50 ou 100 nós normalmente. Segurando-o entre o polegar e o dedo indicador você pode passar um nó cada vez que você completa uma recitação completa da Oração de Jesus.
A Prática da Oração de Jesus é um Caminho Longo e Difícil
Uma luta é necessária na prática da Oração de Jesus, para transformar o nosso Ser e livrar nossa mente da dominação das paixões, e trazê-la para o coração para ser alinhada com Deus como seu foco. Não é uma tarefa simples. Reflita sobre a dificuldade que você encontrou no desenvolvimento de outras disciplinas que você aprendeu em sua vida, quer se trate de sua vida profissional, vida doméstica, ou um esporte. Você vai descobrir que o mesmo é ainda mais verdadeiro para a sua vida espiritual. A prática da Oração de Jesus requer um compromisso firme, muito esforço e tempo. A prática da Oração de Jesus deve tornar-se uma prática diária e enraizada em seu cotidiano. Não é algo que você pode permitir-se dizer: "Eu estou muito ocupado hoje", ou "Eu me sinto cansado demais para a oração." Ela deve tornar-se assim como outras coisas que você faz sem falhas, como o simples ato de escovar o dentes, tomar um banho, e outras atividades que não são tratadas como opções em sua vida. Assim é como a oração diária precisa encontrar seu lugar em sua vida. Ela precisa se tornar parte integrante dela.
Orientações Gerais para Sua Prática
  1. Comprometa-se com a Prática Diária
  2. Escolha um Local Tranquilo para a Sua Prática
  3. Prepare-se para Entrar em uma Conversa com seu Deus
  4. Sente-se, abaixe a cabeça, fique em Silêncio e deixe Ir Todos os Pensamentos de Sua Vida Diária. Feche os olhos, e imagine-se olhando para o seu próprio coração. Leve sua mente, ou seja, os seus pensamentos, de sua cabeça para o seu coração.
  5. Respire Naturalmente, sem Forçar e sem Tentar Controlar sua Respiração. Apenas Observe-a. Observe quando Inspira e Quando Expira o Ar de seus pulmões e Junte à Sua Respiração as Palavras da Oração, assim: Inspire "Jesus Cristo", Expire "tende piedade de mim". Diga movendo os lábios suavemente, sussurrando, ou pode simplesmente dizê-lo em sua mente.
  6. Repita a Oração Lentamente pelo tempo de 15 até 30 minutos.
  7. Concentre-se na Oração com Vigor. Quando perceber sua mente divagando, imediatamente traga-a de volta para a Atenção nas Palavras da Oração.
  8. O uso de um Cordão de Oração pode ajudá-lo a se concentrar.
  9. Quando terminar, permaneça sentado calmamente por alguns minutos antes de entregar-se às atividades diárias.
  10. Durante o restante do dia, durante seus afazeres diários, sempre que lembrar, repita em voz baixa, sussurrando ou mentalmente a Oração de Jesus.
A Oração do Coração é uma Liturgia dentro de nós. A igreja é o nosso corpo, o altar é o nosso coração, e a "palavra" de Deus, o Filho de Deus, cujo nome é pronunciado em nosso coração, é o nosso sacrifício. -- São Máximo, o Confessor
Os Frutos da Oração
Se começamos a praticar a Oração do Coração, muitas bênçãos virão. Vamos apontar algumas.
  • Será mais difícil pecarmos. O "nome" de Jesus, vai nos proteger.
  • Seremos mais eficaz e produtivos no nosso trabalho; nossa mente estará mais nítida e mais focada.
  • Nos libertaremos de sentimentos depressivos, medos, angústias e maus hábitos.
  • A Paz nascerá em nosso coração, e essa Paz irá aumentar gradualmente. Mesmo quando algumas coisas tristes acontecerem, no Coração Interior haverá Paz.
  • Nosso amor e 'sede' por Deus aumentará, e naturalmente anelaremos dedicar mais de nosso tempo às coisas divinas.
  • Nosso comportamento para como os outros será naturalmente mais gentil, mais educado e mais compassivo.
  • Por vezes, lágrimas de amor por Deus correrão em nossa face.
  • Começaremos a entender o Evangelho mais profundamente.
  • Algumas pessoas podem até mesmo ter algum conhecimento ou visões incomuns, entretanto, nunca devemos pedir a Deus para nos dar tais graças. Mesmo que as recebamos, nunca devemos considerar que este é o nosso propósito. Milagres são apenas um presente. Na verdade, então, devemos orar mais profundamente, porque se nós começamos a conhecer a Deus mais de perto, não devemos parar e prestar atenção ao presente, mas ao Doador.
  • Algumas vezes vemos a Luz dentro de nós. Esta é a visão de Deus. No monte Tabor, durante a Transfiguração, os três apóstolos viram Jesus, como Ele É, na realidade, cheio de Luz. Esta Luz não é deste mundo, nem do sol, mas a Energia Divina de Deus, uma "parte de Deus"; é a mesma Luz que veio abençoar o Templo de Salomão, a mesma Luz que resplandeceu no rosto de Moisés. Esta Luz é a presença do Reino de Deus. A Luz do Paraíso.

Pergunta: Queria tanto conseguir praticar a Oração de Jesus, mas não consigo me concentrar. O que fazer? Resposta: Nossa mente, por natureza, é dispersiva e desatenta. Somos como um pequeno tronco num oceano bravio, cujas ondas (nossos pensamentos) nos lançam para lá e para cá, sem que tenhamos nenhum controle, por isso, no início, é muito normal que tenhamos dificuldade em nos concentrar. Tenha paciência e seja persistente em sua prática diária. Sempre que a tormenta (pensamentos, distrações, etc) vier, calmamente observe, deixe ir embora e retorne à Oração de Jesus, pacientemente. Ela (a Oração), é sua Âncora Divina, que vai mantê-lo firme até que a tormenta passe, e você possa contemplar a beleza do Oceano Divino.


O silêncio na vida espiritual

O silêncio ajuda muito na vida espiritual. É bom para alguém praticar o silêncio durante uma hora por dia: para testar a si mesmo, reconhecer suas paixões e lutar a fim de cortá-las e purificar seu coração.

É muito bom se houver um quarto tranquilo na casa que lhe dê a sensação de uma cela monástica. Lá, "em segredo", você estará em condições de fazer sua manutenção espiritual, estudar, e orar. U
m pouco de estudo espiritual feito antes da oração ajuda muito. A alma se aquece e a mente é transportada para o reino espiritual.

É por isso que, quando uma pessoa tem muitas distrações durante o dia, ela deveria alegrar-se em ter dez minutos para orar, ou ainda dois minutos para ler alguma coisa, de modo a afastar as distrações.

-- Elder Paisios

São Gregório Palamas e a Theosis

Todas estas considerações preliminares são altamente relevantes para nosso propósito imediato. Qual é o legado teológico de São Gregório Palamas? São Gregório não era um teólogo especulativo. Era um monge e um bispo.Ele não estava preocupado com problemas abstratos de filo, apesar dele ser bem treinado neste campo também. Ele só se interessava por problemas da existência Cristã. Como teólogo, ele era simplesmente um intérprete da experiência espiritual da Igreja. Quase todos os seus escritos, exceto provavelmente suas homilias, foram escritos ocasionais. Ele esteve lutando com problemas do seu próprio tempo. E foi um tempo crítico, uma época de controvérsia e ansiedade. Porém, foi também uma época de renovação espiritual.
São Gregório ficou suspeito de inovações subversivas por parte de seus inimigos ainda na sua própria época. Esta acusação ainda é mantida contra ele no Ocidente. Mas, no entanto, São Gregório estava profundamente enraizado na tradição. Não é difícil rastrear a maioria de suas maneiras de ver e motivos para trás até os Padres Capadócios e São Máximo o Confessor, que era, por sinal, um dos mestres mais populares do pensamento e devoção Bizantinos. Além disto, São Gregório também estava profundamente informado sobre os escritos do Pseudo-Dinis. Ele estava enraizado na tradição. Porém, de maneira nenhuma, era a sua teologia simplesmente uma "teologia de repetição." Ela foi uma extensão criativa da tradição antiga. Seu ponto-de-partida foi Vida em Cristo.
De todos os temas da teologia de São Gregório, destaquemos somente um, o crucial, e o mais controverso. Qual é o caráter básico da existência Cristã? O objetivo e propósito final da vida humana foi definido pela tradição Patristica como a θεωσις [theosis, divinização]. O tema é bastante ofensivo ao ouvido humano moderno. Ele não pode ser adequadamente traduzido em nenhuma língua moderna, nem mesmo em latim. Mesmo em grego ele é muito pesado e pretensioso. Na verdade, é uma palavra desafiadora. O significado da palavra, no entanto é simples e lúcido. Foi um dos termos cruciais no vocabulário Patristico. Basta, neste ponto, citar Santo Atanásio. Ele Se tornou homem para nos divinizar em Si próprio. [Γεγονεν γαρ ανθρωπος, ιν ημας εν εαυτω θεοποιηση (Ad Adelphium 4)]. Ele Se tornou homem para que nós pudéssemos ser divinizados. [αυτος γαρ ενηνθρωπησεν, ινα ημεις θεοποιηθωμεν (De Incarnatione 54)]. Santo. Atanásio, na verdade, resume aqui a idéia favorita de Santo Irineu: qui propter immensam dilectionem suam factus est quod sumus nos, uti nos perficeret esse quod est ipse. [Que, através do Seu imenso amor, Se tornou o que nós somos, para que Ele pudesse nos levar, até mesmo, para o que Ele próprio é (Adv. Haeres. V, Praefatio)]. Esta era a convicção comum dos Padres gregos. Pode-se citar São Gregório de Nazianzo, São Gregório de Nissa, São Cirilo de Alexandria, São Máximo, e ainda São Simeão o Novo Teólogo. O homem sempre permanece o que é, isto é — criatura. Mas ele recebeu a promessa e concessão, pelo Verbo ter Se tornado homem, de uma participação íntima no que é Divino: Vida Eterna e incorruptível. A principal característica da theosis é, de acordo com os Padres, precisamente a "imortalidade" ou "incorrupção." Pois só Deus "tem imortalidade" — ο μονος εχων αθανασιαν (I Tim. 6:16). Mas o homem é agora admitido numa íntima "comunhão" com Deus, através de Cristo e pelo poder do Espírito Santo. E isto é muito mais que simplesmente uma comunhão "moral," e muito mais que simplesmente que uma perfeição moral. Somente a palavra theosis pode traduzir adequadamente o caráter único da promessa e da oferta. O termo theosis é, na verdade muito embaraçador, se nós pensarmos em categorias "ontológicas." Na verdade, o homem simplesmente não pode "se tornar" deus. Mas os Padres estiveram pensando em termos "pessoais," e o mistério da comunhão pessoal estava envolvido neste ponto. Theosis significava um encontro pessoal. É o intercurso íntimo de Deus como o homem, no qual o todo da existência humana fica, como se fosse, permeado pela Presença Divina. [5]
Porém, o problema permanece: Como pode mesmo este intercurso ser compatível com a Transcendência Divina? E este é o ponto crucial. O homem realmente encontra Deus, verdadeiramente e de fato, nesta vida presente de oração? Ou, não há mais do que um actio in distans? A alegação comum dos Padres do Oriente era que, na sua ascensão devocional, o homem, de fato, encontra Deus e contempla a Sua eterna Glória. Porém, como é possível, se Deus habita na "Sua luz inaproximável"? O paradoxo era extremamente profundo na teologia Oriental, que estava sempre comprometida com a crença de que Deus era absolutamente incompreensível — ακαταληπτος — e incognoscível na Sua natureza ou essência. Esta convicção foi poderosamente expressa pelos padres Capadócios, especialmente na sua luta contra Eunomius, e também por São João Crisóstomo, em seus magníficos discursos. Περι Ακαταληπτου. Assim, se Deus é absolutamente " inaproximável" em Sua essência, e de acordo com Sua essência simplesmente não pode ser "comunicado," como pode, de todo, a theosis ser possível? "Insulta-Se Deus se se procura compreender Seu Ser essencial," diz João Crisóstomo. Já em Santo Atanásio nós encontramos uma clara distinção entre a própria "essência" de Deus e Seus poderes e generosidade: [Ele está em tudo por Seu amor, mas antes de tudo por Sua própria natureza [Και εν πασι μεν εστι κατά την εαυτου αγαθοτητα, εξω δε των παντων παλιν εστι κατά τηνιδιαν φυσιν (De Decretis II)]. A mesma concepção foi cuidadosamente elaborada pelos Capadócios. A "essência de Deus" é absolutamente inacessível para o ser humano, diz São Basílio (Adv. Eunomium 1:14). Nós conhecemos Deus somente em Suas ações, e por Suas ações: [Nós dizemos que nós conhecemos nosso Deus por Suas energias (atividades), mas nós não professamos ser possível aproximar-se de Sua essência — pois Suas energias descem até nós, mas Sua essência permanece inacessível [Ημεις δε εκ μεν των ενεργειων γνωριζειν λεγομεν τον Θεον ημων, τη δε ουσια προσεγγιζειν ουχ υπισχνουμεθα αι μεν γαρ ενεργειαι αυτου προς ημας καταβαινουσιν, η δε ουσια αυτου μενει απροσιτος Epist. 234, ad Amphilochium)]. Porém, isto é um verdadeiro conhecimento não simplesmente uma conjectura ou dedução: αι ενεργειαι αυτου προς ημας καταβαινουσιν. Na frase de São João Damasceno, estas ações ou "energias" de Deus são a verdadeira revelação do próprio Deus: η θεια ελλαμψις και ενεργεια (De Fide Orth. 1: 14). É uma presença real, e não simplesmente uma certa praesentia operativa, sicut agens adest ei in quod agit [como o ator está presente na coisa em que ele age]. Este modo misterioso da Presença Divina, apesar da absoluta transcendência da Divina Essência, ultrapassa todo conhecimento. Mas não é menos certo por isto.
São Gregório Palamas permanece na antiga tradição neste ponto. Em Suas "energias" o Deus inaproximável Se aproxima do homem. E este movimento Divino efetua encontros: προοδος εις τα εξω, na frase de São Máximo (Scholia in De Div. Nom. 1: 5).
São Gregório começa com a distinção entre "graça" e "essência": a Divina e Divinizadora iluminação e graça não é a essência, mas a energia de Deus; [η θεια και θεοποιος ελλαμψις και χαρις ουκ ουσια, αλλ’ ενεργεια εστι Θεου; Capita Phys., Theol., etc., 68-9]. Esta distinção básica foi formalmente aceita e elaborada nos Grandes Concílios de Constantinopla de 1341 e 1351. Aqueles que negassem esta distinção eram anatematizados e excomungados. Os anátemas de 1351 foram incluídos no rito do Domingo da Ortodoxia no Triódio. Os teólogos Ortodoxos foram obrigados por esta decisão. A essência de Deus é absolutamente incomunicável [αμεθεκτη]. A fonte e poder da theosis humana não é a Divina essência, mas a "Graça de Deus": a energia divinizadora, por participação daquele que é divinizado, é uma graça divina, mas de modo algum a essência de Deus; [θεοποιος ενεργεια, ης τα μετεχοντα θεουνται, θεια τις εστι χαρις, αλλ’ ουχ η φυσις του Θεου ibid. 92-3]. Charis [χαρις] não é idêntica com a ousia [ουσια]. É a Divina e incriada Graça e Energia; [θεια και ακτιστος χαρις και ενεργεια ibid 69]. Esta distinção, no entanto, não implica em ou efetua divisão ou separação. Nem é um simples "acidente," ουτε συμβεβηκοτος (ibid., 127). As Energias "procedem" de Deus e manifestam Seu próprio Ser. O termo προιεναι [proienai, proceder] simplesmente sugere διακρισιν [diakrisin, distinção], mas não uma divisão: a graça do Espírito é diferente da Substância, porém não é separada Dela; [ει και διενηνοχε της φυσεως, ου διασπαται η του Πνευματος χαρις; Theophan, p. 940].
Na verdade todo ensinamento teológico de São Gregório pressupõe a ação do Deus Pessoal. Deus Se move para o homem e o abraça por Sua própria "graça" ou "ação," sem deixar aquela luz inaproximável [φος απροσιτον], na qual Ele habita eternamente. O propósito definitivo da teologia de São Gregório foi defender a experiência Cristã. Salvação é mais do que perdão. É uma genuína renovação do homem. E esta renovação é efetuada não por descarga ou liberação, de certas energias naturais implicadas no próprio ser criado do homem, mas pelas "energias" do próprio Deus, que ai encontra e envolve o homem, e o admite em comunhão conSigo. De fato, o ensinamento de São Gregório afeta o sistema todo de teologia, o corpo todo da Doutrina Cristã. Ele começa com a clara distinção entre "natureza" e "vontade" de Deus. Esta distinção também era característica da tradição Oriental, ao menos desde Santo Atanásio. Neste ponto pode-se perguntar: esta distinção é compatível com a "simplicidade de Deus" ? Não deveríamos ver todas estas distinções como meras conjecturas lógicas, necessárias para nós, mas definitivamente sem nenhum significado ontológico? De fato, São Gregório foi atacado por seus oponentes precisamente deste ponto-de-vista. O Ser de Deus é simples, e Nele, inclusive, todos os atributos coincidem. Já Santo Agostinho divergiu neste ponto da tradição do Oriente. Sob as pressuposições de Santo Agostinho o ensinamento de São Gregório é inaceitável e absurdo. O próprio São Gregório antecipou a abrangência das implicações da sua distinção básica. Se não se aceita ela, ele argumentou, então seria impossível distinguir claramente entre a "geração" do Filho e a "criação" do mundo, sendo ambos atos da essência, e isto conduziria a uma completa confusão na doutrina Trinitária. São Gregório foi bastante formal neste ponto.
Se, de acordo com os oponentes delirantes e com aqueles que concordam com eles, a Divina energia não difere de modo algum da Divina essência, então o ato de criar, que pertence à vontade, não diferirá de modo algum da geração (γενναν) e da processão (εκορευειν), que pertence à essência. Se criar não é diferente de geração e processão, então as criaturas não diferenciariam de maneira nenhuma do Gerado (γεννηματος) e do Projetado (οβληματος). E se este é o caso, de acordo com eles, então ambos, o Gerado e o Projetado não seriam, de modo algum, diferentes das criaturas, e as criaturas seriam tanto os gerados (γεννηματα) quanto os projetados (ροβληματα) de Deus Pai, e a criação seria deificada e Deus estaria revestido de criaturas. Por esta razão o venerável Cirilo, mostrando a diferença entre a essência e a energia de Deus, diz que a geração pertence à Divina natureza, enquanto a criação pertence às Suas Divinas energias. Isto ele mostra claramente dizendo: "natureza e energia não são o mesmo." Se a Divina essência de modo algum difere das Divinas energias, então gerar (γενναν) e projetar (εκρευειν) nγo tem diferença com criar (οιειν). Deus o Pai cria pelo Filho e no Espνrito Santo. Então Ele também gera e projeta pelo Filho e no Espírito Santo, de acordo com a opinião dos oponentes e daqueles que concordam com eles. (Capita 96 e 97).
São Gregório cita São Cirilo de Alexandria. Mas São Cirilo, neste ponto, estava simplesmente repetindo Santo Atanásio. Este, em sua refutação do Arianismo, enfatizou formalmente a diferença entre ουσια [essκncia] e φυσις [substβncia], de um lado e a βουλησις (vontade) do outro. Deus existe, e então Ele também age. Há uma certa "necessidade" no Ser Divino, na verdade não uma necessidade de compulsão, e não fatum, mas uma necessidade do Ser em Si. Deus simplesmente é o que é. Mas a vontade de Deus é eminentemente livre. Em nenhum sentido, Ele é necessitado de fazer o que Ele faz. Assim γεννησις [geraηão] é sempre κατάφυσιν [de acordo com a essκncia], mas criação é uma βουλησεοςεργον [energia da vontade] (Contra Arianos III. 64-6). Estas duas dimensões, esta de ser e aquela de agir, são diferentes e devem ser claramente distinguidas. Por certo, esta distinção não compromete, de modo algum, a Divina "simplicidade." Porém, é uma distinção real, e não simplesmente um dispositivo lógico. São Gregório estava completamente consciente da crucial importância desta distinção. Neste ponto ele era um verdadeiro sucessor do grande Santo Atanásio e dos Hierarcas Capadócios.
Foi recentemente sugerido que a teologia de São Gregório, deveria ser descrita, em termos modernos, como uma "teologia existencialista." Porém, ela difere radicalmente dos conceitos modernos que são atualmente cunhados com este rótulo. Na verdade, de toda forma, São Gregório foi definitivamente oposto a todos os tipos de "teologias essencialistas" que falham em considerar a liberdade de Deus, o dinamismo da vontade de Deus, a realidade da ação Divina. São Gregório rastrearia sua tendência para trás até Orígenes. Esta era a situação difícil da metafísica impessoal grega. Se há qualquer espaço para uma metafísica de todo Cristã, ela tem que ser uma metafísica de pessoas. O ponto inicial da teologia de São Gregório foi a história da salvação: em escala maior, a história das Escrituras, que consiste em atos Divinos, culminando com a Encarnação do Verbo e Sua glorificação através da Cruz e Ressurreição; na escala menor, a história do homem Cristão lutando pela perfeição, e ascendendo passo-a-passo, até encontrar Deus na visão de Sua glória. Era normal descrever a teologia de São Irineu como uma "teologia de fatos." Com não menos justificativa nós devemos descrever também a teologia de São Gregório Palamas como uma "teologia de fatos".
No nosso tempo, nós estamos chegando cada vez mais à convicção de que a "teologia de fatos" é a única teologia Ortodoxa sã. Ela é Escriturística. Ela é Patristica. Ela está em completa conformidade com a mente da Igreja.
Em relação a isto, nós devemos encarar São Gregório Palamas como nosso guia e professor, em nosso esforço por teologizar do ponto-de-vista do coração da Igreja.

Manter vigilância

"Quando buscamos com diligente sobriedade manter vigilância sobre nossas faculdades racionais, controlá-las e corrigi-las, como poderemos ter sucesso em tal tar...efa se não for concentrando nossa mente, a qual vive dispersa pelos sentidos, e trazendo-a de volta ao mundo interior, ao próprio coração, que é o armazém de todos os pensamentos?"

São Gregório Palamas


sábado, 28 de maio de 2016

São Leonardo de Porto Maurício

Vida de São Leonardo de Porto Maurício

São Leonardo de Porto Maurício era um frade franciscano mais sagrado que viviam no mosteiro de Saint Bonaventure, em Roma. Ele foi um dos maiores missionários na história da Igreja. Ele costumava pregar para milhares de pessoas na praça de cada cidade. Tão brilhante e santo era a sua eloquência que uma vez quando ele deu uma missão de duas semanas em Roma, o Papa e o Colégio dos Cardeais chegou a ouvi-lo. Mas o trabalho mais famoso de São Leonardo foi sua devoção à Via Sacra. Morreu… em seu septuagésimo quinto ano, após vinte e quatro anos de pregação contínua.
Um dos sermões mais famosos de São Leonardo de Porto Maurício era “o pequeno número de aqueles que são salvos.” Foi o que ele invocado para a conversão dos pecadores grande. Este sermão, como seus outros escritos, foi submetida a exame canônico durante o processo de canonização. Nele, ele examina os diversos estados de vida dos cristãos e conclui com o pequeno número daqueles que são salvos, em relação à totalidade dos homens.
“…Não é verdade que há duas estradas que levam ao céu: a inocência e arrependimento? ”

Biografia de São Leonardo Porto Maurício por Felipe Aquino

O santo da via-sacra e da Imaculada Conceição, o frade que salvou o Coliseu de uma ruína total, o pregador inflamado da Paixão de Cristo. São esses os títulos de são Leonardo de Porto Maurício. Lígure nasceu em 1676, filho de um capitão da marinha, Domingos Casanova, que o deixou órfão em tenra idade. Levado a Roma, fez os seus estudos no Colégio Romano e depois entrou no reino de são Boaventura, sobre o Palatino, vestindo aí hábito franciscano. Desenvolveu sua atividade sacerdotal prevalecendo em Florença. As cruzes plantadas por seus confrades fora da Porta de são Miniato tornaram-se para ele outros tantos púlpitos ao aberto. Sobre a eficácia de sua palavra fundam-se alguns episódios da vida do santo. No fim de uma prédica sobre a Paixão, na Córsega, os homens, endurecidos pelo ódio secular, descarregaram seus fuzis para cima e se abraçaram em sinal de paz.
Em Florença suas pregações constituíam uma advertência para todos os cidadãos. No jubileu de 1750, proclamado por Bento XIV, o papa Lambertini de Bolonha, fez muito sucesso a via-sacra pregada por frei Leonardo aos 27 de dezembro no Coliseu. Era a primeira vez que se celebrava um rito religioso no anfiteatro Flávio. Desde aquele ano a piedosa tradição se mantém até aos nossos dias e toda a Sexta-feira Santa o papa faz pessoalmente o rito penitencial.
Aquela primeira via-sacra teve também um grande merecimento para a arte: o Coliseu até aquele ano tinha servido como pedreira, mas depois daquela memorável via-sacra foi considerado lugar sagrado, meta de devotas peregrinações, e a sua demolição parou. Frei Leonardo era um grande devoto de Nossa Senhora e um apaixonado defensor da Imaculada Conceição. Convenceu o próprio pontífice a convocar um Concílio, isto é, um referendum entre os bispos, para proceder depois a proclamação do dogma.
O papa Lambertini preparou para este fim uma Bula que por várias causas. Nunca foi publicada. Em 1751 frei Leonardo morria no predileto retiro de são Boaventura sobre o Palatino, e o próprio para foi ajoelhar-se ao lado de seu corpo. Sobre o túmulo do santo foi exposta a carta profética escrita por são Leonardo pouco antes da morte. Nela preconizava-se a proclamação do dogma da Imaculada Conceição.
Segundo João Paulo II: “São Leonardo de Porto Maurício, franciscano de palavra ardente, que percorreu a Itália para admoestar e converter multidões imensas, chamando à penitência e à piedade, e vivendo em íntima união com Deus.”
Via-Sacra
Também chamada Via Cru­cis, é, segundo o Directório da Piedade Popular e Liturgia (DPPL 131-135), o mais apreciado exercício de piedade em louvor da Paixão de J. C., pelo que se pratica sobretudo nos tempos penitenciais. Consiste em acompanhar espiritualmente o trajecto de Jesus desde a agonia no Getsémani até à morte e se­pul­tura no Calvário, com momentos de meditação e oração em várias estações. Síntese de várias devoções, a sua prática desenvolveu-se a seguir às Cruzadas, promovida pelos Franciscanos e parti­cularmente por S. Leonardo de Porto Mau­rício (+1751).Presentemente conta 14 estações baseadas em passagens dos Evangelhos ou em tradições populares: 1) Jesus condenado à morte; 2) Toma a cruz; 3) Cai pela primeira vez; 4) En­con­tra sua Mãe; 5) O Cireneu ajuda-o a levar a cruz; 6) A Verónica enxuga-lhe o rosto; 7) Cai pela segunda vez; 8) Con­­sola as filhas de Jerusalém; 9) Cai pela terceira vez; 10) É despojado das ves­tes; 11) É pregado na cruz; 12) Mor­re na cruz; 13) É descido da cruz e en­tre­gue a sua Mãe; 14) É depositado no sepulcro. Os títulos das esta­ções podem ser criteriosamente alte­ra­dos, como o fez várias vezes João Pau­lo II na V.-S. de Sexta-Feira Santa no Coliseu, p.ex., em 1992: 1) Jesus no Horto das Oli­vei­ras; 2) Traído por Ju­das, é preso; 3) É con­denado; 4) É negado por Pedro; 5) É levado a Pilatos; 6) É flagelado e coroa­do de espinhos; 7) Carrega a cruz; 8) É ajudado pelo Cireneu; 9) Fala às mu­lheres de Jeru­sa­lém; 10) É crucifica­do; 11) Fala ao bom ladrão; 12) Tem Maria e João ao pé da cruz; 13) Morre na cruz; 14) É depos­to no sepulcro.

A Via-Sacra e São Leonardo de Porto-Maurício

Uma popularização dessa devoção só se deu, efetivamente, no século XVI, quando o Papa Inocêncio XI (1686) concedeu a possibilidade de se conseguir as grandes indulgências _ já concedidas aos peregrinos que visitavam Jerusalém _ também àqueles que, nas igrejas dos Franciscanos, fizessem o exercício da Via-sacra. Mais tarde (1731), Clemente XII permitiu que, em todas as igrejas seculares, se erigissem as Estações, fixando o número em 14.
Foram os Franciscanos, fiéis guardiões dos Lugares Santos, que muito colaboraram para a difusão dessa devoção em toda a Igreja. Entre eles se destaca São Leonardo de Porto Maurício (falecido em 1751). Por sua sugestão o Papa Bento XIV, em 1750, determinou a instituição das estações no Coliseu e que ali, a cada sexta-feira, fosse praticada a Via-sacra. Daí a tradição _ a cada Sexta-feira Santa _ dos fiéis de Roma, de se juntarem ao Pontífice romano para, juntos, ali celebrarem a Via-sacra. (MZ)
São Leonardo de Porto Mauricio deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos que se viam impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os Santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Tem um caráter penitencial e está acostumado a rezá-los dias sexta-feira, sobre tudo na Quaresma. Em muitos templos estão expostos quadros ou baixos-relevos com ilustrações que ajudam os fiéis a realizar este exercício.
Fonte:http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/etimologia.htm 

Vida de Santa Angela Merici



… É a história de uma Santa. Uma Santa  … que deveria agradar, especialmente às moças e as senhoras do séc. XX e XXI. Uma Sta. Que plantou uma sementinha na Igreja do seu tempo; E esta semente transformou-se numa grande árvore de ramos numerosos.
As filhas de Sta. Ângela estão espalhadas no mundo inteiro: Ursulinas seculares, Ursulinas religiosas, todas unidas, fraternalmente no amor da mesma Mãe, Ângela Merici.
 Ângela nasce por volta de 1474, em Desenzano, Itália. Cresceu na liberdade dos campos, trabalhando, brincando ou… nas tarefas cotidianas com seus três irmãos e uma irmã.
Após a perda da irmã mais velha e pouco tempo depois da morte inesperada dos pais, Ângela vai viver em Saló com seu tio.
Ângela faz-se terceira franciscana para seguir Jesus mais de perto.
Volta para Desenzano e retoma a vida de sempre. Uma vez teve uma visão – uma escada entre Céu e Terra: Intenção Profética da Companhia de Virgens que ela deveria, um dia instituir na Igreja.
Ângela … se preparou através de uma profunda vida de piedade e de um apostolado constante, congregando todos os que dela se acercavam num trabalho de cristianização da sociedade…
Ângela, movida pelo Espírito Santo e confiante na capacidade da mulher, institui outro estado de vida. Ela aponta um terceiro caminho: o das mulheres vivendo no mundo como consagradas à Deus…
A fundação da companhia de Sta. Úrsula realiza-se no dia 25 de Novembro de 1535.
Ângela morre no dia 27 de Janeiro de 1540 em Bréscia.
MENSAGEM DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DO CENTENÁRIO DO
INSTITUTO DE SANTA ÚRSULA
 À Reverenda Madre Colete LIGNON
Priora-Geral da União romana
da Ordem de Santa Úrsula
Tendes a alegria de celebrar o primeiro centenário do vosso Instituto no coração do ano do grande Jubileu do nascimento do Salvador. Este aniversário lembra a feliz iniciativa do meu venerado predecessor, o Papa Leão XIII, de reunir numa só União numerosos mosteiros de Ursulinas, que se tinham espalhado no mundo inteiro desde a fundação da primeira comunidade por Santa Ângela Merici em 1535. O nascimento da vossa União, a 28 de Novembro de 1900, e o seu rápido sucesso permitiram um novo impulso para a vossa família religiosa, que assim se enriqueceu de diversas experiências apostólicas. A comemoração deste acontecimento é para a vossa Ordem um convite a aprofundar o vosso carisma, na fidelidade ao exemplo e aos ensinamentos de Santa Angela, mas também para construir e preparar o futuro, mobilizando as vossas forças em ordem à evangelização.
2. Desde o século XVI, as necessidades da evangelização e os apelos do Senhor conduziram as vossas Religiosas a quase todos os continentes, fazendo-vos viver hoje uma verdadeira dimensão internacional. Esta experiência marca a vida da vossa União e faz-vos partilhar em verdade a experiência da própria Igreja, comunhão de fé e de vida entre todos os crentes, de sorte que “aquele que vive em Roma sabe que os das Índias são para ele um dos seus membros” (Cf. São João Crisóstomo, Homilias sobre São João, 65, 1). Se o cuidado da unidade e da comunhão incumbe a todos os cristãos, lembrando sem cessar o anseio do próprio Senhor:  “que todos sejam um” (Jo 17, 21), esta missão diz respeito ainda àqueles e àquelas que escolheram, para responder a um apelo particular do Senhor, viver em comum, segundo as regras da vida em fraternidade. Eu vos exorto, pois, a estar sempre e cada vez mais atentas a esta dimensão da comunhão eclesial, velando também pela qualidade da vossa inserção nas Igrejas locais, colocando as vossas dádivas ao seu serviço, com o cuidado de uma colaboração cada vez mais intensa.
3. Com o passar do tempo, as Irmãs Ursulinas adquiriram uma sólida experiência educativa, muito particularmente no serviço dos jovens, quer se trate do vasto domínio da catequese, directamente ou através de catequistas competentes e cuidadosos em transmitir uma experiência de vida cristã e ao mesmo tempo um sólido ensinamento, quer se trate dos múltiplos sectores da educação. Este trabalho de transmissão da fé, através de uma palavra forte, argumentada e coerente, que dá conta da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15), mas também pelo testemunho e exemplo de uma vida dada ao serviço do Senhor e da sua Igreja, é essencial no mundo de hoje onde tantos jovens já não têm as referências sólidas que dava a educação familiar. É, pois, a escola e toda a comunidade educativa que se devem encarregar de uma parte importante desta educação global num espírito verdadeiramente evangélico, não somente pela catequese, mas também por muitas outras maneiras de acompanhar os jovens, como por exemplo nos movimentos apropriados ou nos grupos de reflexão e partilha. Formar assim discípulos de Cristo, capazes de testemunhar na sua vida familiar, profissional e social, os valores espirituais e morais que o Evangelho semeou no coração do homem é um trabalho indispensável para que a nova evangelização dê frutos abundantes no século que está surgindo. Nesta perspectiva, é particularmente importante o serviço dos mais pobres, estes “pequeninos” que o Senhor quer pôr no primeiro lugar e que as nossas sociedades, muitas vezes marcadas pelo desejo da riqueza e da concorrência, têm tendência a excluir do crescimento económico e da organização social.
4. Anunciar o Reino de Deus é a primeira missão que a Igreja confia a todos aqueles que o sacramento do Baptismo faz comungar na morte e ressurreição de Cristo, Profeta, Sacerdote e Rei. A vida consagrada, que vós escolhestes, é na Igreja um caminho privilegiado para manifestar a dimensão profética e escatológica da mensagem evangélica:  ela “manifesta também mais claramente a todos os fiéis os bens celestes, já presentes neste mundo; é assim testemunha da vida nova e eterna, adquirida com a redenção de Cristo, e preanuncia a ressurreição futura e a glória do reino celeste” (Lumen gentium, n. 44). Encorajo-vos a aprofundar esta dimensão profética para o mundo contemporâneo e a tornar visiveis, pelo gosto da oração que é sempre a fonte da nossa vida cristã, pela vida fraterna que é, em si mesma, um profecia em acção (cfr Vita consecrata, n. 85), pelo testemunho  explícito  e  pelo  vosso  cuidado missionário,  os  sinais  do  Reino  que há-de vir.
5. Anunciar o Reino não afasta a Igreja da sua missão no mundo. Pelo contrário, como o profeta estabelecido vigilante para a casa de Israel (cfr Eze 3, 17), ela “insiste no tempo oportuno e inoportuno, advertindo, reprovando e aconselhando com toda a paciência e doutrina” (2 Tm 4, 2). Como o próprio Senhor Jesus com os peregrinos de Emaús (cf. Luc 24, 13-35), a Igreja caminha pelas estradas dos homens e, com eles, partilha as suas interrogações sobre o sentido da existência, faz-lhes ouvir a palavra do Senhor e revela-lhes pouco a pouco a sua presença, para os conduzir ao pleno conhecimento do seu amor, manifestado no tesouro da vida sacramental que lhe foi confiada. Exorto-vos a viver sem temor esta peregrinação da fé com os vossos irmãos, deixando-vos transformar pouco a pouco pela Palavra do Senhor. Tendo sempre no coração a sede do Deus vivo que leva a viver em intimidade amorosa com Ele (cf. Sl 62, 2), mas também escutando os apelos dos vossos irmãos e entregando-vos por eles em cada dia, vós anunciareis o amor misericordioso do Senhor que se faz dom de Si mesmo.
6. O centenário que festejais é ocasião para cada um das vossas comunidades agradecerem ao Senhor todos os seus benefícios. Que a graça do Jubileu avive em cada uma das Irmãs da vossa União o desejo da santidade, para uma conversão renovada! Formulando votos particulares para o vosso próximo capítulo geral, confio os membros da União romana da Ordem de Santa Úrsula à protecção maternal da Virgem Maria e concedo-lhes de todo o coração a Bênção apostólica.
Vaticano, 10 de Novembro de 2000.

Modo de Fazer Oração Mental, por Santo Afonso

  A meditação ou oração mental contém três partes: A Preparação A Meditação A Conclusão I. PREPARAÇÃO Na preparação fazem-se três atos: 1º A...